A SUSTENTABILIDADE NA MOBILIDADE URBANA NO BRASIL

SUSTAINABILITY IN URBAN MOBILITY IN BRAZIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202507311441


Eduardo Jorge Barbosa da Silva1
Layse de Almeida Santos2
Valciene Rufino Ferreira de Azevedo3


Resumo: Nos últimos anos, a mobilidade urbana tem se destacado como um dos principais desafios das cidades brasileiras, devido ao crescimento urbano, aumento populacional e uso de veículos privados, causando congestionamentos, poluição e deterioração da qualidade de vida. A construção de cidades inteligentes emerge como uma resposta a esses problemas, especialmente diante de fatores como crise financeira, êxodo rural e crescimento populacional em áreas urbanas, que aumentam a pressão sobre os sistemas de transporte. A diversidade e o tamanho do Brasil dificultam o planejamento de soluções eficientes, sendo necessário promover práticas sustentáveis, como transporte coletivo, modos não motorizados e veículos elétricos, para reduzir impactos ambientais e promover inclusão social. A sustentabilidade na mobilidade envolve aspectos ambientais, sociais e econômicos e exige políticas integradas que priorizem a eficiência, acessibilidade e preservação ambiental, visando melhorar a qualidade de vida urbana. Este estudo busca aprofundar a compreensão da relação entre mobilidade e sustentabilidade no Brasil, analisando políticas públicas, estudos de caso e tendências atuais por meio de revisão bibliográfica e fontes confiáveis, com o objetivo de promover soluções que tornem as cidades mais justas, acessíveis e sustentáveis.

Palavras-chaves: Sustentabilidade; Mobilidade urbana; Brasil.

Abstract: In recent years, urban mobility has emerged as one of the main challenges facing Brazilian cities, due to urban growth, population growth and the use of private vehicles, which cause congestion, pollution and deterioration in quality of life. The construction of smart cities has emerged as a response to these problems, especially in the face of factors such as the financial crisis, rural exodus and population growth in urban areas, which increase pressure on transport systems. Brazil’s diversity and size make it difficult to plan efficient solutions, and it is necessary to promote sustainable practices, such as public transport, non-motorized modes and electric vehicles, to reduce environmental impacts and promote social inclusion. Sustainability in mobility involves environmental, social and economic aspects and requires integrated policies that prioritize efficiency, accessibility and environmental preservation, aiming to improve the quality of urban life. This study seeks to deepen the understanding of the relationship between mobility and sustainability in Brazil, analyzing public policies, case studies and current trends through a literature review and reliable sources, with the aim of promoting solutions that make cities more fair, accessible and sustainable.

Keywords: Sustainability; Urban mobility; Brazil.

1. Introdução

 Nos últimos anos, a mobilidade urbana tem se consolidado como um dos principais desafios enfrentados pelas cidades brasileiras, refletindo as transformações sociais, econômicas e ambientais que moldam o cotidiano de milhões de habitantes. O crescimento acelerado das áreas urbanas, aliado ao aumento populacional e à expansão do uso de veículos particulares, tem provocado congestionamentos, poluição do ar, aumento do consumo de energia e uma significativa deterioração da qualidade de vida urbana. Nesse contexto, a necessidade de repensar e reinventar os sistemas de transporte tornou-se imperativa, não apenas para garantir a eficiência na circulação de pessoas e bens, mas também para promover práticas que estejam alinhadas com os princípios da sustentabilidade. O Brasil enfrenta diversos desafios relacionados à mobilidade urbana, os quais se tornam particularmente evidentes nas grandes cidades devido à sua extensão territorial e à complexidade das atividades desenvolvidas no espaço urbano, fatores que dificultam o planejamento eficaz do transporte, conforme Fontoura (2022).

 Com o advento do século XXI, o desenvolvimento urbano passou por uma transformação paradigmática, na qual a construção de cidades inteligentes passou a ocupar posição central nas agendas públicas e privadas. Essa nova abordagem tem contado com a participação ativa da indústria, dos formuladores de políticas, de profissionais especializados e da comunidade científica, refletindo um esforço coletivo para responder aos crescentes desafios urbanos. Entre os fatores que intensificaram essa necessidade estão a crise financeira global de 2008, o êxodo populacional das zonas rurais e o consequente adensamento dos centros urbanos, bem como as crescentes preocupações com a sustentabilidade ambiental. De acordo com projeções das Nações Unidas, estima-se que a população mundial atinja 9,8 bilhões até o ano de 2050 — um acréscimo de aproximadamente 2,1 bilhões de pessoas em relação a 2018 — sendo que a maior parte desse crescimento ocorrerá em áreas urbanas. Esse cenário tende a agravar a pressão sobre os já saturados sistemas de transporte, exigindo soluções inovadoras e integradas para garantir a mobilidade urbana sustentável (Farid, 2021). No Brasil, a mobilidade urbana apresenta particularidades que refletem a sua história, sua estrutura socioeconômica e suas políticas públicas. País de dimensões continentais, com uma vasta diversidade regional, o Brasil enfrenta desafios distintos em suas cidades, desde o transporte público deficiente até a dependência excessiva de veículos particulares. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte ilustram bem essa complexidade, evidenciando a urgência de implementar soluções integradas, sustentáveis e acessíveis para todos os cidadãos. Além disso, a crescente preocupação com as mudanças climáticas e a preservação do meio ambiente reforça a importância de adotar práticas de mobilidade que minimizem os impactos ambientais, promovendo uma relação mais harmoniosa entre o desenvolvimento urbano e a sustentabilidade.  A importância da sustentabilidade na mobilidade urbana transcende a simples questão do transporte eficiente; ela envolve uma abordagem holística que considera aspectos ambientais, sociais e econômicos. A adoção de alternativas como o transporte coletivo de qualidade, a promoção de meios de transporte não motorizados, como a bicicleta e a caminhada, além do incentivo ao uso de veículos elétricos e outras tecnologias limpas, são estratégias essenciais para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, melhorar a saúde pública e promover a inclusão social, conforme Lermana (2020).  O desenvolvimento sustentável das cidades está intrinsecamente relacionado às condições da mobilidade urbana, sendo imprescindível que gestores públicos e privados compreendam a percepção dos cidadãos acerca de sua experiência de deslocamento dentro do ambiente urbano. Tal entendimento é fundamental para a formulação de políticas e estratégias eficazes que promovam uma mobilidade mais eficiente e inclusiva, (Bebber, 2021). Nesse sentido, a integração de políticas públicas que priorizem a sustentabilidade é fundamental para transformar as cidades brasileiras em ambientes mais justos, acessíveis e ambientalmente responsáveis.

 Este artigo tem como objetivo aprofundar a compreensão sobre a relação entre mobilidade urbana e sustentabilidade no contexto brasileiro, destacando os principais desafios e oportunidades existentes. Busca-se analisar as políticas públicas, os estudos de caso e as tendências atuais que apontam para uma mobilidade mais sustentável, além de discutir as implicações dessas práticas para o desenvolvimento urbano e a qualidade de vida dos cidadãos. Para alcançar esses objetivos, foi adotada uma metodologia que combina a revisão bibliográfica, estudo de fontes confiáveis do setor, incluindo estudos acadêmicos e publicações de organizações internacionais. Dessa forma, pretendemos oferecer uma visão abrangente, fundamentada e atualizada sobre o tema, contribuindo para o debate e a formulação de soluções inovadoras e sustentáveis para a mobilidade urbana no Brasil.

2. Revisão da Literatura

2.1. PANORAMA DA MOBILIDADE URBANA NO BRASIL

A mobilidade urbana é um elemento fundamental para o funcionamento das cidades e para a qualidade de vida de seus habitantes. No Brasil, esse tema apresenta uma trajetória marcada por desafios históricos, avanços e dificuldades atuais que refletem as particularidades socioeconômicas e políticas do país. Este panorama busca oferecer uma compreensão aprofundada sobre o desenvolvimento do transporte urbano brasileiro, apresentando dados estatísticos recentes e discutindo os principais desafios enfrentados atualmente, como congestionamentos, poluição e desigualdade social. A seguir, serão abordados o histórico do transporte urbano no Brasil, dados atualizados de fontes confiáveis e uma análise dos desafios contemporâneos.

A principal barreira identificada nos municípios refere-se às dificuldades em desenvolver soluções de mobilidade que atendam de maneira satisfatória às demandas de todas as partes interessadas, seguida pelas limitações orçamentárias para a implementação de ações voltadas à promoção de modos de transporte mais sustentáveis. Embora a complexidade dos atores envolvidos seja reconhecida como um obstáculo significativo ao planejamento urbano, torna-se imprescindível a participação efetiva da população no processo decisório, garantindo que todas as necessidades sejam consideradas e que se alcancem soluções consensuais (Bezerra, 2020). 

2.2.1 Histórico do Transporte Urbano no Brasil

A história do transporte urbano no Brasil remonta ao período colonial, quando as principais formas de locomoção eram a pé, os carros de boi e, posteriormente, as carruagens puxadas por animais. Com a urbanização crescente no século XIX, especialmente nas grandes cidades, surgiram os primeiros sistemas de transporte coletivo, como os bondes puxados por cavalos, que facilitaram a mobilidade dos habitantes e impulsionaram o crescimento urbano.

No início do século XX, com a introdução do transporte motorizado, houve uma transformação significativa na mobilidade urbana. As cidades passaram a contar com bondes elétricos e, posteriormente, com ônibus movidos a combustíveis fósseis, que se consolidaram como principais meios de transporte coletivo. A partir da década de 1950, com o crescimento acelerado das cidades brasileiras, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, o uso de veículos particulares começou a se intensificar, impulsionado pelo aumento da renda e pela expansão do crédito.

Nos anos seguintes, o planejamento urbano muitas vezes priorizou a expansão da frota de veículos privados, resultando em uma infraestrutura voltada para automóveis, como vias expressas e rodovias urbanas. Essa tendência contribuiu para o aumento do congestionamento, da poluição e da desigualdade no acesso ao transporte. Nas últimas décadas, políticas públicas têm buscado diversificar e melhorar o transporte público, promovendo a implementação de metrôs, corredores de ônibus e sistemas de transporte integrado, embora os desafios ainda sejam consideráveis.

No contexto brasileiro, diversas cidades têm revisado seus instrumentos de planejamento urbano, especialmente o plano diretor, para incorporar diretrizes que promovam a sustentabilidade na mobilidade urbana. Entre as principais propostas destacam-se a valorização dos bairros centrais e a adoção de usos mistos do solo, estratégias que visam à redução da demanda por deslocamentos. Além disso, o adensamento populacional ao longo das rotas de transporte público tem sido incentivado como forma de otimizar a oferta e o uso dos serviços de mobilidade, contribuindo para a construção de cidades mais compactas e eficientes (Barbosa, 2019).

2.2.2 Dados Estatísticos Atuais

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o Brasil possui uma frota de veículos que ultrapassa os 100 milhões de unidades, incluindo automóveis, motocicletas e caminhões. Essa quantidade reflete o crescimento exponencial do uso de veículos particulares nas últimas décadas, especialmente nas grandes cidades. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que, em 2022, aproximadamente 85% da população urbana tinha acesso a algum tipo de transporte público, embora a qualidade e a cobertura variem significativamente entre regiões.

A Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) destaca que o transporte coletivo urbano no Brasil é responsável por transportar cerca de 50 milhões de passageiros por dia, distribuídos em mais de 1.000 sistemas de transporte público em todo o país. Apesar do volume expressivo de usuários, a maioria das cidades enfrenta dificuldades na oferta de serviços eficientes, acessíveis e sustentáveis. Dados recentes indicam que, em muitas regiões metropolitanas, o tempo médio de deslocamento dos usuários ultrapassa 1 hora por trajeto, evidenciando problemas de congestionamento e infraestrutura insuficiente.

2.2.3 Desafios Atuais

Os desafios que permeiam a mobilidade urbana para a sociedade em todo o mundo e que atinge ao Brasil nos próximos anos são:

Quadro:1

CongestionamentosMuitas cidades brasileiras enfrentam trânsito pesado, especialmente nas áreas centrais e nas principais vias de acesso. Isso faz com que os deslocamentos fiquem mais longos, aumente o consumo de combustível e a emissão de gases poluentes, prejudicando o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas.
PoluiçãoO uso excessivo de veículos particulares e o transporte público deficiente contribuem para altos níveis de poluição do ar. Isso pode causar problemas de saúde, como doenças respiratórias, além de impactar o meio ambiente
Desigualdade social no acesso ao transporte Nem todas as regiões do Brasil têm uma oferta adequada de transporte público de qualidade. Muitas pessoas, especialmente nas áreas mais pobres ou periféricas, enfrentam dificuldades para se deslocar de forma eficiente, o que aumenta a desigualdade social.
Infraestrutura insuficienteMuitas cidades ainda não possuem  uma infraestrutura adequada para atender às necessidades de mobilidade de seus habitantes, como sistemas de transporte integrados, ciclovias, faixas exclusivas para ônibus e metrôs eficientes.
Crescimento desordenado das cidadesO crescimento urbano descontrolado faz com que muitas áreas fiquem distantes dos centros de trabalho e lazer, dificultando o deslocamento das pessoas e aumentando a dependência do carro particular.
Falta de investimentos sustentáveisApesar de alguns avanços, ainda há uma necessidade maior de investir em soluções de transporte mais sustentáveis, como transporte coletivo de qualidade, bicicletas e alternativas que reduzam o uso de veículos movidos a combustíveis fósseis.

Fonte: Autores, 2025.

Para Maropo (2019), o modelo vigente de planejamento urbano no Brasil tende a privilegiar a circulação de veículos automotores, direcionando esforços para soluções que atendam a esse segmento, o qual é reconhecido por gerar impactos negativos no contexto urbano.

No Brasil, o panorama da mobilidade urbana é marcado por sérias deficiências estruturais. A ausência de infraestrutura adequada para o transporte coletivo, a escassez de ciclovias e a falta de rotas seguras para pedestres coexistem com o aumento significativo da frota de veículos particulares, agravando os problemas de congestionamento, poluição e desigualdade no acesso à mobilidade. Superar esse cenário exige a adoção de um planejamento urbano integrado, investimentos consistentes em infraestrutura para diferentes modais e uma transformação cultural que valorize práticas sustentáveis de deslocamento. Tecnologias emergentes, como a eletrificação da frota veicular, a digitalização dos serviços de transporte e o desenvolvimento de sistemas autônomos, apresentam-se como alternativas promissoras para enfrentar os desafios da mobilidade urbana contemporânea (Andrade, 2023).

2.3. CONCEITOS DE MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL

2.3.1 Definição de Mobilidade Urbana Sustentável

Mobilidade urbana sustentável é um conceito que busca garantir que as pessoas possam se deslocar pelas cidades de forma eficiente, segura, acessível e com o menor impacto possível ao meio ambiente. Kijewska (2021), defende que ela prioriza o uso de meios de transporte que sejam menos poluentes, mais econômicos e que promovam a inclusão social, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida nas áreas urbanas. Em essência, trata-se de um modelo de mobilidade que equilibra o desenvolvimento urbano com a preservação ambiental e o bem-estar social.

Para Delgado (2022), a mobilidade urbana sustentável são as práticas sustentáveis por meio de investimentos direcionados em infraestrutura, como a criação de corredores e faixas exclusivas para transporte, a integração eficiente entre diferentes modais, o uso de fontes renováveis de energia e a implementação de subsídios que incentivem o uso de alternativas ambientais viáveis.  

Já Souza (2019), define como sendo um conjunto de diretrizes estratégicas que orientem a formulação e a implementação de políticas públicas e práticas operacionais. Entre essas diretrizes, destaca-se a necessidade de favorecer o uso de fontes de energia limpa e renovável, bem como de otimizar os recursos e capacidades disponíveis nos sistemas de transporte. Além disso, é fundamental incentivar a substituição de modais convencionais por alternativas sustentáveis, oferecer orientação clara sobre os serviços e sua funcionalidade, e articular iniciativas que contemplem as demandas de uma ampla gama de partes interessadas. Tais ações devem também buscar a redução da demanda por deslocamentos desnecessários, ampliar os benefícios sociais e ambientais por meio de uma abordagem sistêmica, e desenvolver soluções escaláveis que possam ser replicadas em diferentes contextos urbanos.

2.3.2 Princípios e Objetivos

 A mobilidade urbana sustentável é fundamentada em alguns princípios-chave, que orientam suas ações e políticas públicas, que são eles: Redução de Emissões de Gases Poluentes: Incentivar o uso de transporte coletivo, bicicletas e caminhadas, reduzindo a dependência de veículos particulares movidos a combustíveis fósseis, que são grandes emissores de gases de efeito estufa; Acessibilidade e Inclusão Social: Garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua condição social, econômica ou física, tenham acesso fácil e seguro às opções de transporte, promovendo a equidade social; Eficiência no Uso dos Recursos: Promover sistemas de transporte que utilizem de forma racional os recursos disponíveis, otimizando o tempo, o espaço e os custos, além de reduzir o consumo de energia; Segurança e Conforto: Assegurar que os deslocamentos sejam seguros, confortáveis e livres de riscos, incentivando o uso de meios de transporte sustentáveis; e Integração dos Modais: Promover a integração entre diferentes modos de transporte (ônibus, metrô, bicicleta, caminhada), criando sistemas mais eficientes e acessíveis.

 Já os principais objetivos da mobilidade urbana sustentável são: Diminuir a poluição do ar e as emissões de gases de efeito estufa; Melhorar a qualidade de vida nas cidades, reduzindo o trânsito e o tempo de deslocamento; Promover a inclusão social, garantindo acesso a serviços essenciais para toda a população; Incentivar práticas de transporte mais saudáveis e ambientalmente responsáveis. 

2.3.3 Modelos Internacionais de Sucesso

O acelerado crescimento territorial observado em países em desenvolvimento tem contribuído para o surgimento de diversos problemas relacionados à mobilidade urbana, tais como congestionamentos, aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e elevados índices de acidentes de trânsito (Silva, 2020).

Diversas cidades ao redor do mundo têm implementado modelos de mobilidade urbana sustentável que podem servir de inspiração. Aqui estão alguns exemplos: 

A cidade de  Copenhague, Dinamarca, onde se destaca por ser uma das  cidades mais amigáveis para bicicletas do mundo. Ela realiza investimentos maciços em infraestrutura cicloviária, com ciclovias seguras e bem conectadas. E mais de 60% dos moradores usam a bicicleta como principal meio de transporte, reduzindo o uso de carros e as emissões de poluentes. 

Já a cidade de Amsterdã, na Holanda tem um sistema integrado de transporte com forte incentivo ao uso de bicicletas e transporte público. Possui uma rede extensa de ciclovias, transporte público eficiente e políticas de incentivo ao uso de veículos elétricos. Com isso ela consegue ter uma alta qualidade de vida, baixa emissão de gases poluentes e mobilidade acessível para todos.   

Outra cidade que se destaca é a Cidade do México, México, ela possui Programas de transporte sustentável e melhorias na infraestrutura de transporte público. Realizando a expansão do sistema de metrô, implementação de corredores exclusivos para ônibus e incentivo ao uso de transporte não motorizado. Com isso a cidade conseguiu a redução do uso de veículos particulares e melhora na qualidade do ar. 

2.4. POLÍTICAS PÚBLICAS E LEGISLAÇÃO NO BRASIL: MOBILIDADE URBANA

A mobilidade urbana no Brasil representa um dos maiores desafios enfrentados pelas cidades brasileiras, especialmente em regiões metropolitanas onde o crescimento populacional e urbano tem sido acelerado nas últimas décadas. Nesse contexto, políticas públicas e marcos legais têm desempenhado um papel essencial na estruturação e promoção de um sistema de transporte mais eficiente, inclusivo e sustentável.

2.4.1. Marco Legal da Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012)

A promulgação da Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012, que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), foi um divisor de águas na forma como o Brasil passou a tratar o tema da mobilidade. Esta lei estabelece as diretrizes para o planejamento e a gestão do transporte urbano, integrando-o ao planejamento urbano e priorizando modos de transporte coletivo e não motorizados.

A legislação ainda determina que municípios com mais de 20 mil habitantes devem elaborar um Plano de Mobilidade Urbana (PlanMob) como condição para acessar recursos federais destinados à mobilidade. Essa exigência visa assegurar que os investimentos estejam alinhados a um planejamento estruturado e baseado em dados.

Outro ponto importante da PNMU é a priorização dos transportes públicos e não motorizados sobre o transporte individual motorizado, invertendo a lógica que durante muito tempo pautou as políticas urbanas no país. Com isso, a lei busca reequilibrar o uso do espaço urbano e democratizar o acesso à cidade.

Os Planos de Mobilidade Urbana (PlanMob) são instrumentos fundamentais para o planejamento da mobilidade nos municípios brasileiros. Eles devem ser elaborados de forma participativa, considerando os diversos grupos da sociedade e as especificidades locais.

O PlanMob deve conter diretrizes, metas e ações concretas para a melhoria da mobilidade, abrangendo aspectos como: Expansão e qualificação da rede de transporte coletivo; Incentivo ao uso de bicicletas e à mobilidade a pé; Acessibilidade para pessoas com deficiência; Gestão do uso do solo urbano em integração com o sistema de transportes; Redução das emissões de gases de efeito estufa.

A elaboração do PlanMob deve seguir princípios de participação social, transparência, e sustentabilidade ambiental. Além disso, o plano precisa ser revisto periodicamente, de forma a manter sua eficácia frente às transformações urbanas e demográficas. Segundo Fontoura (2022), as cidades brasileiras encontram obstáculos significativos para a implementação dos preceitos estabelecidos pela Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU). Ressalta-se a importância da aplicação da PNMU como instrumento para mitigar as externalidades negativas associadas aos sistemas de transporte e para aprimorar sua eficiência 

 Contudo, muitos municípios ainda enfrentam dificuldades técnicas, institucionais e financeiras para a elaboração e implementação desses planos. Isso tem levado o governo federal e instituições como o Ministério das Cidades a oferecerem suporte técnico e financeiro para auxiliar os municípios nesse processo.

2.4.2. Programas e Incentivos Governamentais

 O governo federal, ao longo dos últimos anos, tem promovido diversos programas voltados à melhoria da mobilidade urbana. Dentre eles, destacam-se:

– Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Mobilidade Urbana) – O PAC Mobilidade, lançado em 2011, teve como foco a modernização da infraestrutura urbana, com investimentos em corredores de ônibus (BRTs), VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos), terminais integrados e ciclovias. Seu objetivo era melhorar a qualidade do transporte público nas grandes cidades, especialmente nas regiões metropolitanas.

– Programa Minha Cidade Mais Humana –  Lançado como iniciativa complementar à PNMU, esse programa busca fomentar o desenvolvimento de cidades mais inclusivas, com ênfase na mobilidade ativa (caminhada e bicicleta), acessibilidade, e requalificação de espaços urbanos.

– Apoio técnico do Ministério das Cidades e CEF – A Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades oferecem suporte técnico para municípios elaborarem seus Planos de Mobilidade, incluindo capacitações, materiais orientadores e financiamentos por meio de fundos públicos e linhas de crédito específicas.

 Ocorre que nos últimos anos, especialmente com a crescente preocupação com as mudanças climáticas, houve um aumento nos incentivos a soluções de mobilidade sustentável. Exemplos incluem:

– Programas de incentivo ao uso de bicicletas (implantação de ciclovias, bicicletários e sistemas de bicicletas compartilhadas); 

– Subsídios e isenções para veículos elétricos e híbridos;

– Financiamentos para projetos de transporte público de baixa emissão.

 Além disso, o Brasil é signatário de acordos internacionais voltados à sustentabilidade urbana, como a Nova Agenda Urbana da ONU e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que reforçam a necessidade de cidades mais acessíveis, resilientes e conectadas.

Apesar dos avanços legislativos e programáticos, o Brasil ainda enfrenta importantes desafios na área da mobilidade urbana. A predominância do transporte individual motorizado em muitas cidades continua a gerar congestionamentos, poluição, acidentes e desigualdade no acesso à cidade.  Por outro lado, a crescente digitalização de serviços, o uso de tecnologias de mobilidade inteligente (smart mobility) e os novos modelos de transporte compartilhado abrem perspectivas interessantes para o futuro da mobilidade nas cidades brasileiras.

Neste sentido percebe-se que a Política Nacional de Mobilidade Urbana e seus instrumentos, como o PlanMob, representam um avanço significativo no tratamento da mobilidade urbana como direito social e parte integrante do planejamento urbano. Os programas e incentivos governamentais vêm buscando operacionalizar essas diretrizes, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que a mobilidade seja de fato democrática, eficiente e sustentável em todo o país. Para isso, o  sucesso dessas políticas depende de uma articulação eficaz entre os entes federativos, participação da sociedade civil, investimentos consistentes e visão de longo prazo. Promover o acesso equitativo aos espaços urbanos, garantir o direito à cidade e reduzir os impactos ambientais são metas centrais que só podem ser alcançadas com planejamento integrado e políticas públicas sólidas.

2.5. AS MODALIDADE DE TRANSPORTE SUSTENTÁVEL NO BRASIL

 A mobilidade urbana sustentável tem se tornado um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento das cidades do século XXI. Em meio à intensificação da crise climática, ao aumento da poluição atmosférica e à necessidade de inclusão social, o debate sobre os modos sustentáveis de transporte ganha cada vez mais espaço nas políticas públicas, na sociedade civil e no planejamento urbano. A seguir, serão analisadas as principais modalidades de transporte sustentável em uso e expansão no Brasil, com foco em sua importância, desafios e perspectivas.

2.5.1. Transporte Coletivo: Ônibus, Metrô e VLT

O transporte coletivo é a espinha dorsal da mobilidade urbana em diversas cidades brasileiras. Seu caráter sustentável está ligado à otimização do uso do espaço urbano e à redução das emissões de poluentes, especialmente quando comparado ao transporte individual motorizado. O ônibus é o principal meio de transporte coletivo nas cidades brasileiras. Sua acessibilidade, flexibilidade de rotas e menor custo de implantação em comparação ao metrô o tornam essencial. Contudo, enfrenta problemas estruturais, como superlotação, lentidão no trânsito e baixa frequência em horários de pico.

Nos últimos anos, diversas cidades têm investido em sistemas de Bus Rapid Transit (BRT), que consistem em corredores exclusivos de ônibus com estações modernas e sistemas de controle que aumentam a eficiência e diminuem o tempo de viagem. Exemplos de sucesso incluem os sistemas de Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

 Já o Metrô, embora restrito a poucas capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife, o metrô é uma das formas mais eficientes de transporte coletivo. Sua operação subterrânea ou elevada evita interferência no trânsito, proporciona alta capacidade de transporte e reduz significativamente as emissões de CO₂ por passageiro transportado. O principal desafio do metrô no Brasil é o alto custo de implantação e expansão da malha ferroviária.

 No que refere-se ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), representa uma solução intermediária entre o ônibus e o metrô. É elétrico, silencioso e tem impacto ambiental reduzido. Tem sido utilizado com sucesso em cidades como o Rio de Janeiro (centro) e Santos. Além de contribuir com a mobilidade, os VLTs têm sido integrados à requalificação de áreas urbanas degradadas, estimulando o desenvolvimento sustentável.

2.5.2. Bicicleta e Mobilidade Ativa

 A bicicleta é uma das formas mais sustentáveis de transporte. Não emite poluentes, é acessível financeiramente e promove benefícios à saúde. A chamada mobilidade ativa – que inclui bicicletas, patinetes e outros modais não motorizados – tem crescido nas cidades brasileiras, embora ainda de maneira tímida.

Conforme Lermana (2020), a bicicleta constitui um meio de transporte conveniente, especialmente quando consideradas suas vantagens ambientais e econômicas. Contudo, o tempo de deslocamento por bicicleta é, em geral, superior ao de outros modos de transporte, o que contribui para a prevalência do uso do automóvel particular, uma vez que este é percebido como mais rápido. Dessa forma, é essencial incentivar o uso da bicicleta, considerando seus múltiplos benefícios. Além de promover a prática de atividade física durante os deslocamentos, a adoção da bicicleta contribui para a redução das emissões de carbono, beneficiando o meio ambiente. Tais aspectos apresentam importantes implicações tanto para a teoria quanto para a prática no campo da mobilidade urbana sustentável.

 No entanto, para que haja o crescimento do uso da bicicleta depende diretamente da infraestrutura urbana, como ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e sinalização adequada. Cidades como São Paulo, Recife e Fortaleza têm expandido suas redes cicloviárias, incentivando o uso da bicicleta como meio de transporte cotidiano, e não apenas de lazer.

 Uma iniciativa para fomentar o uso da bicicleta são os Sistemas de Bicicletas Compartilhadas. Iniciativas como o Bike Itaú em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, permitem o uso compartilhado de bicicletas por meio de aplicativos móveis. Esses sistemas se integram ao transporte público e facilitam deslocamentos curtos, promovendo uma mobilidade intermodal.

2.5.3. Caminhadas

 O caminhar é a forma mais básica, democrática e sustentável de locomoção. Além de não poluir, promove saúde e contribui para cidades mais vivas e seguras. No entanto, em muitas cidades brasileiras, os pedestres enfrentam obstáculos como calçadas mal conservadas, falta de sinalização adequada e insegurança.

 Investimentos em calçadas acessíveis, iluminação pública, arborização e faixas de pedestres elevadas são medidas essenciais para tornar as cidades mais amigáveis para pedestres. A mobilidade a pé também está fortemente associada à densidade urbana e à diversidade de usos do solo, pois quanto mais próximas estiverem as residências dos serviços e comércios, maior a tendência de se caminhar.

 Segundo Menini (2021), o emprego de modos de transporte não motorizados, especialmente a bicicleta e a caminhada, constitui um componente fundamental para a construção de sistemas de transporte sustentáveis. Nesse sentido, campi universitários, reconhecidos como importantes polos geradores de viagens (TGHs), demandam a implementação de infraestrutura adequada que estimule o uso desses modos ativos, promovendo a mobilidade sustentável e a redução dos impactos ambientais associados.

 Assim, facilitar o acesso a estações de metrô, ônibus e terminais intermodais por meio de rotas seguras para pedestres é uma medida simples e eficaz que pode aumentar o uso do transporte público e reduzir a dependência de veículos particulares.

2.5.4. Veículos Elétricos e Híbridos

 O crescimento dos veículos elétricos (VE) e híbridos representa uma revolução silenciosa na mobilidade sustentável. Ao substituir motores a combustão interna por motores elétricos ou híbridos, esses veículos reduzem drasticamente as emissões de poluentes e os níveis de ruído nas cidades.  No Brasil, o mercado de veículos elétricos ainda é pequeno, mas cresce a taxas aceleradas. Modelos como o Renault Zoe, Nissan Leaf e veículos da BYD estão cada vez mais acessíveis, impulsionados por isenções fiscais em alguns estados e pela expansão dos pontos de recarga.

 Já para o Transporte Público Eletrificado, diversas cidades estão testando e implementando ônibus elétricos, que além de não emitirem poluentes, têm custos operacionais mais baixos. A cidade de São Paulo, por exemplo, estabeleceu metas ambiciosas de eletrificação da frota de transporte coletivo até 2038.

 Os principais obstáculos à popularização dos veículos elétricos no Brasil são o custo de aquisição, a baixa infraestrutura de recarga e a falta de incentivos federais abrangentes. No entanto, políticas públicas e parcerias com a iniciativa privada vêm avançando para superar essas barreiras.

2.5.5. Carpooling e Transporte Compartilhado

 Os serviços de compartilhamento de veículos surgem como uma alternativa promissora para promover a mobilidade urbana sustentável, ao oferecerem uma opção de transporte mais eficiente, econômica e ambientalmente responsável. No entanto, apesar do seu potencial, esses serviços enfrentam obstáculos significativos para sua ampliação e consolidação. Entre os principais desafios destacam-se a viabilidade financeira das plataformas operadoras e a necessidade de transformação nos padrões de comportamento dos usuários. A adoção ampla desses modelos depende, portanto, não apenas de avanços tecnológicos e operacionais, mas também da disposição dos indivíduos em substituir a posse do automóvel pelo uso compartilhado, o que exige mudanças culturais e estruturais nas dinâmicas urbanas (Sousa Rodrigues, 2024). 

O transporte compartilhado, como o carpooling (caronas organizadas) e os aplicativos de mobilidade sob demanda, representa uma alternativa inteligente para reduzir o número de veículos nas ruas, os congestionamentos e a emissão de gases do efeito estufa.

 No entanto, o transporte compartilhado enfrenta críticas quanto à sua regulamentação e aos impactos na precarização das condições de trabalho de motoristas. Além disso, sem políticas de incentivo ao uso coletivo (como o Uber Pool), esses serviços podem contribuir para o aumento do tráfego em vez de reduzi-lo.

– Carpooling

 Plataformas como BlaBlaCar e iniciativas corporativas de caronas solidárias promovem o uso compartilhado de veículos particulares, aumentando sua taxa de ocupação e reduzindo o impacto ambiental por passageiro. Algumas empresas e universidades incentivam o carpooling entre seus funcionários e alunos por meio de benefícios logísticos e financeiros.

– Aplicativos de Transporte

 Serviços como Uber, 99 e inDrive têm se popularizado no Brasil. Embora sejam baseados em veículos particulares, seu potencial sustentável está na redução do número de carros próprios e na otimização das viagens, especialmente quando utilizados em conjunto com outros modais de transporte.

3. Metodologia

 Este artigo tem como objetivo aprofundar a compreensão sobre a relação entre mobilidade urbana e sustentabilidade no contexto brasileiro. Para isso, buscamos destacar os principais desafios enfrentados pelo país, bem como as oportunidades que podem ser aproveitadas para promover uma mobilidade mais sustentável. Nosso foco é analisar as políticas públicas existentes, estudar casos específicos que ilustram boas práticas e identificar as tendências atuais que apontam para um sistema de transporte mais eficiente e amigo do meio ambiente.

 Além disso, discutimos as implicações dessas práticas para o desenvolvimento urbano e para a qualidade de vida dos cidadãos, reconhecendo que uma mobilidade sustentável pode contribuir significativamente para cidades mais humanas, acessíveis e sustentáveis. 

 Para alcançar esses objetivos, adotamos uma metodologia que combina uma revisão bibliográfica detalhada com o estudo de fontes confiáveis do setor. Isso inclui tanto estudos acadêmicos quanto publicações de organizações internacionais reconhecidas, garantindo que nossa análise seja fundamentada em dados sólidos e atualizados, plataformas do governo brasileiro com dados dos programas e políticas públicas de mobilidade urbana e artigos brasileiros recentes sobre mobilidade urbana e sustentabilidade.

 Assim, oferecemos  uma visão ampla, bem fundamentada e atualizada sobre o tema, contribuindo para enriquecer o debate e estimular a formulação de soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios da mobilidade urbana no Brasil. 

4. Resultados e Discussão

4.1 DESAFIOS E OPORTUNIDADES DA MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL NO BRASIL

 A mobilidade urbana sustentável tem se consolidado como uma prioridade para o desenvolvimento das cidades brasileiras, sobretudo diante dos impactos ambientais, sociais e econômicos causados por modelos de transporte baseados no uso intensivo do automóvel individual. 

 As mudanças climáticas configuram-se atualmente como a principal ameaça ambiental global, com as áreas urbanas desempenhando um papel significativo nas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Nesse contexto, o setor de transportes destaca-se como um dos maiores responsáveis tanto pelas emissões quanto pelo consumo intensivo de recursos naturais não renováveis. Diante desse cenário, torna-se urgente o desenvolvimento de cidades mais acessíveis, inteligentes, sustentáveis e energeticamente eficientes, por meio da promoção da transição energética nos sistemas urbanos, o que contribui para a melhoria da qualidade de vida nas áreas urbanas (Borchers, 2024). 

Contudo, apesar dos avanços legais e programáticos, a implementação efetiva de um sistema de mobilidade sustentável enfrenta diversos desafios. Por outro lado, há também oportunidades significativas associadas ao avanço tecnológico, à inovação e à crescente consciência coletiva sobre a necessidade de mudança nos modos de deslocamento. A seguir, serão analisados os principais desafios e oportunidades da mobilidade urbana sustentável no Brasil, com foco em infraestrutura, financiamento, inclusão social e inovação.

4.1.1 Infraestrutura Inadequada

 Um dos principais entraves à consolidação de uma mobilidade urbana sustentável no Brasil é a precariedade da infraestrutura de transporte nas cidades. Muitas vias urbanas são mal planejadas e dão prioridade ao transporte individual motorizado, em detrimento dos modos coletivos e ativos, como ônibus, bicicletas e caminhadas.

 Ademais, observa-se que são raras as cidades que são inicialmente planejadas, e ainda menos conseguem se manter dentro dos limites populacionais e territoriais previstos. O crescimento urbano e demográfico desordenado acarreta impactos negativos significativos na mobilidade urbana, manifestados na ineficiência do transporte público e na deficiência da acessibilidade. Para garantir a sustentabilidade da mobilidade, faz-se necessário um esforço contínuo em investimentos em infraestrutura e a implementação de políticas públicas consistentes. Contudo, permanece uma lacuna no conhecimento acerca dos desafios enfrentados por cidades planejadas e de pequeno porte nesse contexto. Portanto, a promoção de modais não motorizados e a expansão da infraestrutura de transporte são medidas essenciais para o suporte e a sustentabilidade dos sistemas de mobilidade urbana (Canal, 2023).

Assim, a reestruturação da infraestrutura urbana, priorizando modais sustentáveis, representa uma grande oportunidade para transformar a mobilidade. A implantação de sistemas integrados, com foco em segurança viária, acessibilidade universal e conforto, é um caminho promissor para tornar as cidades mais eficientes e humanas.

4.1.2 Financiamento e Investimentos

Outro obstáculo relevante é a limitação de recursos financeiros para implantar e manter sistemas de transporte público de qualidade e infraestrutura sustentável. Os investimentos em mobilidade urbana competem com outras demandas sociais urgentes, como saúde, educação e segurança pública. 

Como uma ação de mobilidade urbana, o governo brasileiro lançou o Projeto Ônibus a Hidrogênio (BHP), que, apesar de apresentar resultados promissores em termos de eficácia tecnológica durante a fase piloto, ainda carece de análises ambientais aprofundadas sob uma perspectiva sistêmica. Tal lacuna evidencia a necessidade de avaliações integradas que considerem não apenas o desempenho técnico, mas também os impactos ambientais e sociais para a efetiva sustentabilidade do projeto, conforme Agostinho (2023). 

 Alguns dos motivos para o baixo financiamento do governo na mobilidade são: Baixa arrecadação dos sistemas de transporte coletivo, agravada pela evasão de passageiros e falta de subsídios permanentes e a falta de parcerias consistentes com o setor privado, especialmente em cidades de médio e pequeno porte. Surgindo assim a oportunidade da realização das Parcerias Público-Privadas (PPPs) para a operação de transportes e implantação de infraestrutura.

4.1.3 Inclusão Social e Acessibilidade

A mobilidade urbana também é um tema de justiça social. O acesso ao transporte público é um dos principais meios de garantir o direito à cidade, permitindo que as pessoas cheguem ao trabalho, à escola, aos serviços de saúde e ao lazer.

4.1.4 Desigualdade no Acesso

Populações de baixa renda costumam morar em regiões periféricas, distantes dos centros urbanos e mal atendidas por transporte de qualidade. Isso gera um ciclo de exclusão social, pois o tempo e o custo do deslocamento acabam comprometendo a qualidade de vida e a produtividade dessas pessoas. 

Além disso, pessoas com deficiência, idosos e outros grupos vulneráveis enfrentam barreiras físicas, sensoriais e comunicacionais em muitos sistemas de transporte urbano, o que viola o princípio da acessibilidade universal previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência e na Política Nacional de Mobilidade Urbana.

4.1.5 Mobilidade como Direito Social

A mobilidade pode ser um instrumento poderoso de inclusão social. O fortalecimento da mobilidade ativa, da tarifa social nos transportes e da acessibilidade física em estações e veículos são medidas essenciais para garantir equidade. Há também iniciativas de urbanismo tático e projetos comunitários de mobilidade que estimulam soluções locais, mais próximas das reais necessidades da população.

4.1.6 Tecnologias Emergentes e Inovação

O avanço tecnológico abre novas possibilidades para transformar a mobilidade urbana. Em resposta aos processos de urbanização acelerada e aos desafios decorrentes da crescente demanda por transporte nas áreas urbanas, os avanços tecnológicos destacam-se como fatores centrais para o surgimento das cidades inteligentes. Tais inovações, contudo, apresentam novos desafios para a gestão da mobilidade urbana (Silva, 2022). A inovação digital, o uso de dados abertos, e o desenvolvimento de novos modais e sistemas inteligentes permitem otimizar recursos, reduzir emissões e melhorar a experiência dos usuários.

Para Fontoura (2020), o modelo de negócios baseado na economia compartilhada destaca-se como uma prática relevante capaz de contribuir para a transição rumo a sistemas mais sustentáveis. Especificamente, os esquemas de compartilhamento de carros elétricos apresentam benefícios diretos e indiretos para a mobilidade urbana, especialmente no que se refere à adoção de veículos elétricos, sendo esses benefícios condicionados ao suporte governamental oferecido.

Já Mariano (2020), destaca que o serviço de compartilhamento de bicicletas, apoiado pelo uso de tecnologias da informação, tem se consolidado como uma iniciativa voltada à melhoria da prestação de serviços de mobilidade urbana à população. Para garantir a continuidade do uso desse modal, é fundamental implementar mecanismos de monitoramento que assegurem a satisfação dos usuários, bem como desenvolver campanhas que promovam atitudes positivas em relação à mobilidade sustentável, à facilidade de uso e ao próprio serviço de compartilhamento de bicicletas (Mariano, 2020). 

A integração entre mobilidade e tecnologia é um eixo estratégico do conceito de cidades inteligentes (smart cities). Investir em inovação digital e em tecnologias limpas permite otimizar o sistema de transportes, tornando-o mais resiliente, eficiente e acessível. No entanto, é preciso garantir que essas soluções estejam democraticamente acessíveis, evitando que a tecnologia aprofunde as desigualdades existentes.

4.2 ESTUDOS DE CASO SOBRE MOBILIDADE URBANA NO BRASIL

 A mobilidade urbana é um dos principais desafios enfrentados pelas cidades brasileiras, exigindo soluções integradas e sustentáveis. Ao longo das últimas décadas, diversas cidades têm experimentado estratégias diferenciadas para promover deslocamentos mais eficientes, inclusivos e ambientalmente responsáveis. Este estudo apresenta quatro casos representativos de políticas de mobilidade urbana no Brasil: Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo e cidades médias/pequenas, ilustrando os avanços, dificuldades e aprendizados no campo da mobilidade.

4.2.1 Curitiba e o Sistema de BRT

A cidade de Curitiba, capital do Paraná, é referência internacional em mobilidade urbana sustentável, graças à criação e contínuo aperfeiçoamento do sistema Bus Rapid Transit (BRT).  Implantado nos anos 1970, o modelo curitibano foi pioneiro ao priorizar o transporte coletivo em vias exclusivas e integrá-lo ao planejamento urbano. Suas principais características são:

Corredores exclusivos de ônibus com estações tubo, onde os usuários embarcam e desembarcam em nível com o veículo.

Sistema de pré-pagamento da tarifa, que reduz o tempo de parada dos veículos.

Integração com terminais intermodais e bairros por meio de linhas alimentadoras.

– Planejamento urbano orientado ao transporte, com incentivo à densificação ao longo dos eixos de transporte.

O sucesso do modelo inspirou cidades do mundo inteiro, como Bogotá (Colômbia), Guangzhou (China) e Los Angeles (EUA). No entanto, nas últimas décadas, Curitiba enfrentou dificuldades como saturação do sistema, falta de renovação da frota, e crescimento urbano desordenado, que exigem atualizações constantes no modelo.

4.2.2. Belo Horizonte e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)

Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, tem buscado diversificar seus modais de transporte para atender uma metrópole com mais de 2,5 milhões de habitantes. Um dos projetos em destaque foi a tentativa de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Região Metropolitana, particularmente para substituir a linha de trem metropolitano operada pela CBTU. 

4.2.3. São Paulo e as Políticas de Incentivo à Bicicleta.

A cidade de São Paulo, a maior metrópole da América Latina, tem historicamente enfrentado problemas graves de congestionamento, poluição e desigualdade no acesso à mobilidade. Nas últimas décadas, surgiram iniciativas relevantes de promoção da mobilidade ativa, especialmente o uso da bicicleta como meio de transporte urbano. As Principais Ações do projeto são: Expansão da infraestrutura cicloviária: de cerca de 64 km em 2012 para mais de 600 km em 2024; Integração com o transporte público por meio de bicicletários em estações de metrô e trem; Incentivo aos sistemas de bicicletas compartilhadas (ex: Bike Sampa, patrocinado por bancos e operado via aplicativos) ; e a realização de campanhas educativas e eventos como o Dia Sem Carro e passeios ciclísticos. 

Apesar dos avanços, a cidade ainda enfrenta desafios como disputas no espaço viário, baixa conectividade da malha cicloviária, e falta de segurança para ciclistas em algumas regiões. A adesão à bicicleta ainda é desigual, sendo maior entre grupos com menor renda ou em áreas específicas da cidade.  

4.2.4. Cidades Médias e Pequenas: Desafios e Soluções

Enquanto as grandes metrópoles concentram a atenção em grandes projetos de infraestrutura, as cidades médias e pequenas enfrentam desafios específicos de mobilidade, muitas vezes agravados pela falta de recursos técnicos e financeiros. Tendo como principais desafios a baixa oferta de transporte coletivo regular e de qualidade; e a dependência do transporte individual motorizado, inclusive motocicletas em zonas rurais. Como soluções possíveis destaca-se: Readequação de linhas de transporte coletivo com uso de micro-ônibus ou vans; Implantação de ciclovias simples, com materiais alternativos e baixo custo; Criação de sistemas de transporte sob demanda para áreas rurais ou periféricas, com apoio de aplicativos simples.

Exemplos como Sobral (CE), Maringá (PR), São José dos Campos (SP) e Arapiraca (AL) mostram que é possível implantar políticas de mobilidade sustentável fora dos grandes centros, desde que exista planejamento estratégico, gestão local competente e envolvimento da comunidade.

4.3 PERSPECTIVAS FUTURAS E RECOMENDAÇÕES PARA A MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL

 A mobilidade urbana está no centro das transformações pelas quais as cidades do século XXI devem passar para se tornarem mais resilientes, inclusivas e sustentáveis. Diante das mudanças climáticas, da urbanização acelerada e da pressão sobre os sistemas de transporte, novas abordagens estão sendo discutidas e implementadas no mundo todo. O Brasil, como país de dimensões continentais e grandes desigualdades socioespaciais, tem desafios específicos, mas também oportunidades significativas. Este texto apresenta as principais tendências futuras, o papel da tecnologia e inovação, a importância de políticas integradas e a participação social, finalizando com recomendações práticas para avançar rumo a uma mobilidade urbana mais sustentável.

4.3.1 Tendências Globais e Nacionais

 Em escala global, a mobilidade urbana caminha para uma abordagem centrada no ser humano, com redução da dependência do automóvel, promoção de modos ativos e coletivos, e incorporação de soluções digitais. Cidades como Copenhague, Paris, Bogotá e Seul têm implementado estratégias ousadas de priorização de ciclovias, zonas de baixas emissões e transportes limpos.

No Brasil, a tendência é mais gradual, mas já há sinais importantes de mudança:

– Expansão da infraestrutura cicloviária em capitais como São Paulo, Recife e Fortaleza;

Planos de eletrificação da frota de ônibus, como em São Paulo e Salvador;

Discussões sobre a tarifa zero e subsídios progressivos ao transporte público;

Crescimento de iniciativas locais de mobilidade ativa e urbanismo tático em cidades pequenas e médias.

A transição para um modelo de mobilidade sustentável, no entanto, ainda depende de vontade política, financiamento adequado e superação de resistências culturais ao transporte coletivo e à bicicleta.

4.3.2 Papel da Tecnologia e Inovação

A tecnologia é um fator estratégico na transformação da mobilidade urbana. Inovações têm potencial para aumentar a eficiência, reduzir impactos ambientais e melhorar a experiência do usuário. As principais tendências tecnológicas para a mobilidade urbana são:

Veículos elétricos e híbridos, com foco na descarbonização da mobilidade;

Sistemas inteligentes de transporte (ITS), que usam sensores, big data e inteligência artificial para otimizar o tráfego e o transporte público;

Aplicativos de mobilidade integrada, que conectam ônibus, bicicletas, metrôs e outros modais em uma única plataforma (mobilidade como serviço – MaaS);

– Expansão de transportes sob demanda, como micro-ônibus e vans em áreas de baixa densidade.

 A governança urbana deve evoluir de forma alinhada às inovações tecnológicas provenientes da indústria de veículos elétricos e híbridos, com vistas à construção de cidades mais sustentáveis no futuro. Embora tais inovações já estejam presentes na agenda científica há vários anos, observa-se atualmente um avanço significativo na redução de custos de produção e na eficiência tecnológica, especialmente no que se refere à automação veicular. Os esforços empreendidos por empresas e organizações no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a mobilidade, bem como na adaptação da governança às novas tecnologias, têm impactado diretamente o planejamento e a operação dos sistemas de transporte urbano. Essa transformação inclui, inclusive, o aprimoramento do controle de veículos autônomos, o que contribui para a modernização da gestão urbana e para a consolidação de uma mobilidade mais inteligente e eficiente nas cidades do futuro, assim defende Souza Beté(2020).   Contudo, o uso da tecnologia deve ser acompanhado de regulação eficaz e inclusão digital, para evitar o aprofundamento de desigualdades sociais e garantir que as inovações estejam disponíveis a todos, e não apenas a quem tem maior poder aquisitivo.

4.3.3 Políticas Integradas e Participação Social

 A mobilidade urbana sustentável não pode ser tratada isoladamente. Ela deve ser parte de políticas públicas integradas, que articulem transporte, uso do solo, habitação, meio ambiente e inclusão social.

 Além disso, a participação da sociedade civil é fundamental. Planejamentos impostos de forma vertical frequentemente falham, pois ignoram as reais necessidades e rotinas das populações locais. Instrumentos como audiências públicas, oficinas participativas e orçamentos participativos têm se mostrado eficazes na construção de soluções mais legítimas e eficazes.

A integração intersetorial e intergovernamental também é essencial, unindo União, estados e municípios em projetos coerentes e sustentáveis.

Além disso, a mobilidade exerce um papel relevante na redução das desigualdades sociais, ao possibilitar o acesso equitativo a serviços e oportunidades entre diferentes classes sociais. Nesse sentido, políticas públicas inclusivas e o oferecimento de alternativas de transporte acessíveis tornam-se instrumentos indispensáveis para a promoção da justiça social nas áreas urbanas. (Andrade, 2023).

4.3.4. Recomendações para uma Mobilidade Mais Sustentável

Com base nas tendências analisadas, seguem recomendações estratégicas para fomentar uma mobilidade urbana mais sustentável no Brasil:

1. Reforçar o investimento em transporte coletivo, com prioridade à qualidade, pontualidade, acessibilidade e conforto.

2. Incentivar o uso de modais não motorizados, como bicicleta e caminhada, com infraestrutura segura e integrada.

3. Implantar políticas tarifárias progressivas, como tarifa social e subsídios cruzados, garantindo o acesso universal ao transporte.

4. Ampliar os sistemas de integração modal, com bilhete único e aplicativos que combinem trajetos entre diferentes meios de transporte.

5. Estimular a inovação tecnológica com regulação justa, incluindo eletrificação da frota, uso de dados em tempo real e veículos compartilhados.

6. Fortalecer o planejamento urbano integrado, com foco em cidades compactas, mistas e acessíveis.

7. Garantir a participação popular, desde a formulação até a avaliação das políticas públicas de mobilidade.

8. Promover educação para a mobilidade sustentável, com campanhas educativas voltadas ao respeito mútuo entre pedestres, ciclistas e motoristas.

5. Conclusão

 O futuro da mobilidade urbana no Brasil depende de escolhas estratégicas feitas no presente. Promover uma mobilidade mais sustentável é uma condição essencial para garantir cidades mais saudáveis, inclusivas, eficientes e ambientalmente responsáveis. O desafio é grande, mas as ferramentas já estão disponíveis: conhecimento técnico, inovação, participação social e, sobretudo, o compromisso político com o bem-estar coletivo e com o direito à cidade.

 A mobilidade urbana no Brasil enfrenta uma série de desafios históricos, estruturais e sociais, mas também apresenta oportunidades significativas para a transformação. Ao longo deste estudo, foi possível identificar os principais aspectos que compõem o cenário da mobilidade sustentável no país: desde o marco legal instituído pela Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012), passando pelos Planos de Mobilidade Urbana (PlanMob), até os diversos modais sustentáveis em expansão, como o transporte coletivo, bicicletas, veículos elétricos e o transporte compartilhado.

 Estudos de caso de cidades como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte demonstram que experiências locais bem-sucedidas podem inspirar políticas em todo o território nacional, inclusive em cidades médias e pequenas. No entanto, para que essas soluções tenham efeito duradouro e escalável, é essencial superar barreiras como a infraestrutura deficiente, a escassez de financiamento, a exclusão social e a baixa integração entre diferentes setores do poder público.  Nesse contexto, destaca-se a necessidade de ações integradas e sustentáveis, que aliem planejamento urbano, transporte, meio ambiente e inclusão social. A incorporação de tecnologias emergentes, a promoção de modos ativos de deslocamento, e a participação popular no processo de decisão são pilares indispensáveis para construir um sistema de mobilidade mais justo, eficiente e ambientalmente responsável.

 Por fim, é urgente um chamado à ação para governos, sociedade civil, setor privado e cidadãos: repensar o modo como nos deslocamos nas cidades não é apenas uma questão de trânsito, mas de qualidade de vida, equidade e compromisso com as futuras gerações. Promover a mobilidade urbana sustentável é essencial para garantir o direito à cidade, e deve ser tratado como prioridade na agenda pública nacional.

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1Mestrando do Programa de Pós Graduação Profissional em Administração Pública (PROFIAP) da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEAC)/UFAL, Campus A.C. Simões, Maceió – AL.
ORCID: 0009-0002-9914-1913.
eduardo.jorge@arapiraca.ufal.br

2Mestranda do Programa de Pós Graduação Profissional em Administração Pública (PROFIAP) da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEAC)/UFAL, Campus A.C. Simões, Maceió – AL.
ORCID: 0009-0003-1595-0367.
layse.santos@iqb.ufal.br

3Mestranda do Programa de Pós Graduação Profissional em Administração Pública (PROFIAP) da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEAC)/UFAL, Campus A.C. Simões, Maceió – AL.
ORCID: 0009-0003-1595-0367.
valciene.azevedo@feac.ufal.br