THE IMPORTANCE OF PHYSIOTHERAPY IN PREVENTING FALLS IN THE ELDERLY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510311430
Camila Ferreira da Silva1
Orientador: Prof. Ms. Ronaldo Nunes Lima2
RESUMO: O envelhecimento é um processo natural que acarreta alterações fisiológicas, funcionais e psicológicas capazes de comprometer a autonomia e a qualidade de vida dos idosos. Entre os principais problemas decorrentes dessa fase, as quedas se destacam por sua alta incidência e pelos impactos físicos, emocionais e sociais que geram, representando uma das principais causas de hospitalizações e óbitos nessa população. Este estudo tem como objetivo analisar a relevância da fisioterapia na prevenção de quedas em idosos, destacando suas estratégias de intervenção e seus benefícios na promoção da saúde, segurança e independência funcional. Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, descritivo e exploratório, baseada em publicações científicas dos anos de 2022 a 2025. Os resultados evidenciam que a fisioterapia, por meio de exercícios de fortalecimento muscular, treino de equilíbrio, atividades proprioceptivas, hidroterapia e avaliações funcionais, é eficaz na redução do risco de quedas e na melhoria do desempenho físico e psicológico dos idosos. Além disso, a atuação fisioterapêutica favorece o aumento da autoconfiança, a diminuição do medo de cair e o estímulo à participação social. Conclui-se que a fisioterapia exerce papel essencial na prevenção de quedas, sendo uma ferramenta indispensável para a promoção de autonomia, qualidade de vida e envelhecimento saudável.
Palavras-chave: Acidente por quedas. Fisioterapia. Idoso fragilizado. Prevenção de acidentes.
ABSTRACT: Aging is a natural process that leads to physiological, functional, and psychological changes that can compromise autonomy and quality of life in older adults. Among the main challenges of this stage, falls stand out due to their high incidence and the physical, emotional, and social consequences they cause, being one of the leading causes of hospitalization and mortality among the elderly. This study aims to analyze the relevance of physiotherapy in preventing falls in older adults, highlighting intervention strategies and benefits for health promotion, safety, and functional independence. It is a qualitative, descriptive, and exploratory literature review based on scientific publications from 2022 to 2025. The results demonstrate that physiotherapy, through muscle strengthening exercises, balance training, proprioceptive activities, hydrotherapy, and functional assessments, is effective in reducing the risk of falls and improving physical and psychological performance in the elderly. Moreover, physiotherapeutic interventions help increase self-confidence, reduce fear of falling, and encourage social participation. It is concluded that physiotherapy plays an essential role in fall prevention, being an indispensable tool for promoting autonomy, quality of life, and healthy aging.
Keywords: Accident due to falls. Physiotherapy. Frail elderly. Accident prevention.
1. INTRODUÇÃO
O processo de envelhecimento envolve diversos desafios, podendo ocasionar alterações relevantes na saúde física e mental, além de impactar a funcionalidade e a convivência social e afetiva dos idosos. A caracterização do indivíduo idoso varia de acordo com a realidade socioeconômica de cada país: em nações em desenvolvimento, considera-se idosa a pessoa com 60 anos ou mais, enquanto em países desenvolvidos esse marco é estabelecido a partir dos 65 anos (Tissot et al., 2023).
Projeções indicam que, até 2050, a população mundial com idade superior a 60 anos deve passar de 600 milhões para cerca de 2 bilhões. Nesse cenário, o Brasil tende a ocupar a 6ª posição entre os países com maior número de idosos. O envelhecimento está associado a mudanças fisiológicas, como a redução do tecido fibroso, além de alterações biológicas, funcionais e psicológicas que, com o passar dos anos, podem diminuir a capacidade de adaptação do indivíduo ao seu meio. Observa-se, cada vez mais, uma maior frequência de quedas entre idosos, gerando impactos negativos tanto na saúde física quanto na mental. Além disso, uma queda pode afetar de maneira significativa a qualidade de vida, dificultando ou impossibilitando a execução das atividades diárias e tornando o idoso parcial ou totalmente dependente de outras pessoas. Essa situação pode, inclusive, contribuir para o surgimento de quadros depressivos em decorrência da perda de autonomia (Lima, 2022).
As quedas representam uma das principais causas de hospitalizações e óbitos entre pessoas idosas em escala mundial, com prevalência variando entre 24% e 50,8% em indivíduos acima de 60 anos. No contexto brasileiro, a taxa de internações relacionadas a esse evento corresponde a 38,6 para cada 10 mil habitantes, somando aproximadamente 1,48 milhão de hospitalizações. Entre as regiões com maior crescimento no número de registros de quedas destacam-se o Nordeste, o Centro-Oeste e o Sul, que juntos geram um custo médio anual de cerca de R$ 135 milhões para o sistema hospitalar. (Diniz et al., 2023).
O tratamento fisioterapêutico tem como objetivo a prevenção de diversas condições de saúde, além de promover a reabilitação de alterações patológicas que aumentam o risco de quedas em idosos. A fisioterapia pode empregar técnicas de propriocepção, por meio de circuitos funcionais específicos, estratégias de cinesioterapia voltadas ao fortalecimento muscular, à manutenção do equilíbrio e, principalmente, ao desenvolvimento direcionado do treino de equilíbrio (Menezes et al., 2022).
O objetivo desse artigo é analisar a eficácia da fisioterapia na prevenção de quedas em idosos, destacando seu impacto na melhoria do equilíbrio, da força muscular e da funcionalidade, com vistas à promoção da saúde, segurança e qualidade de vida dessa população. Para tanto, busca-se investigar os principais fatores de risco associados às quedas em idosos e compreender de que forma a fisioterapia pode contribuir para a minimização desses riscos. Além disso, pretende-se identificar as intervenções fisioterapêuticas mais eficazes na prevenção de quedas, com ênfase em exercícios voltados ao fortalecimento muscular, ao equilíbrio e à coordenação, evidenciando o papel da fisioterapia como estratégia preventiva essencial para a manutenção da autonomia e bem-estar dos idosos.
2 MARCO TEÓRICO
2.1 Mudanças fisiológicas do envelhecimento
O envelhecimento está associado a uma série de mudanças morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, que podem comprometer gradualmente a autonomia do idoso, sobretudo quando combinadas com doenças crônico-degenerativas e a inatividade física. Essas transformações se manifestam de forma singular em cada indivíduo, mas, de maneira geral, ocorrem modificações progressivas no organismo que aumentam a vulnerabilidade a fatores internos e externos. Entre os principais indicadores de risco para quedas estão a perda de força muscular, a instabilidade postural, alterações no equilíbrio, na marcha e na postura. Além disso, observa-se declínio em componentes físicos como flexibilidade, agilidade, coordenação motora e amplitude de movimento articular (Bertochi et al., 2025).
A sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular, é uma preocupação crescente devido à sua associação com quedas, fragilidade e mortalidade em idosos. A capacidade de regeneração do músculo esquelético também diminui com a idade, devido em parte à redução do número de células-tronco musculares e à sua diminuída capacidade de ativação, proliferação e diferenciação. Embora a sarcopenia, associada ao envelhecimento, possa ser desencadeada pelo acúmulo de espécies reativas de oxigênio, o exercício físico tem sido demonstrado como capaz de reverter parcialmente esse processo (Santos et al., 2024).
2.2 Impacto das quedas
As quedas podem ser definidas como eventos inesperados em que uma pessoa perde o equilíbrio e cai ao chão, ao assoalho ou a um nível inferior. As quedas se caracterizam pela dificuldade de corrigir o deslocamento do corpo durante o movimento no espaço. Esse problema é bastante comum entre os idosos e tem causas diversas, sendo frequentemente relacionado a deficiências sensório-motoras, que tendem a piorar com o envelhecimento. Estima-se que há uma queda para um em cada três indivíduos com mais de 65 anos e, que um em vinte daqueles que sofreram uma queda sofram uma fratura ou necessitem de internação. Dentre os mais idosos, com 80 anos e mais, 40% caem a cada ano. Dos que moram em asilos e casas de repouso, a frequência de quedas é de 50% (Medeiros, 2024).
Devido ao declínio da capacidade funcional do idoso, surge a construção de políticas públicas para o público em questão, voltadas para sua divulgação e implementação que vislumbraram tratamentos que até alguns anos atrás eram impensados uma perspectiva e um prognóstico de vida favorável para algumas enfermidades. Tais incidentes com quedas podem ser evitados com novas adaptações para um lugar seguro e de fácil acesso para os idosos, onde os mesmos passam maior tempo em suas residências, se tornando indispensável para análise de inúmeros fatores de riscos de possíveis quedas nesse ambiente. Com isso, o presente trabalho, tem como foco principal, analisar os efeitos que a fisioterapia possui na segurança domiciliar desses idosos (Santos et al., 2022).
2.3. Fatores de riscos
As quedas em idosos podem ocasionar fraturas, especialmente no quadril, além de outras complicações graves que podem levar à dependência ou até ao óbito. A fragilidade do idoso é um dos principais fatores que aumentam o risco de quedas, o que exige atenção constante dos profissionais de saúde para minimizar suas consequências. Além das lesões físicas, as quedas afetam de forma significativa o aspecto psicológico do idoso, uma vez que a experiência pode gerar medo de novos episódios. Esse receio tende a limitar as atividades diárias, reduzir a mobilidade e favorecer o isolamento social. Conhecida como síndrome pósqueda, essa condição é mais comum em idosos frágeis, intensificando a perda de funcionalidade e a dependência. Dessa forma, a prevenção deve abranger tanto os aspectos físicos quanto os psicológicos (Cabral et al., 2024).
As quedas podem gerar incapacidade nos idosos, manifestando-se como declínio funcional, déficit de equilíbrio e perda de mobilidade, o que aumenta a dependência para realizar as atividades da vida diária e eleva a probabilidade de hospitalização ou institucionalização. Diante desse cenário, os profissionais de saúde desempenham papel essencial ao conscientizar os idosos sobre a importância da prevenção, contribuindo para a redução da incidência de quedas (Silva, 2024).
2.4 Intervenções fisioterapêuticas eficazes
A fisioterapia voltada ao público idoso tem como principais objetivos a redução de dores e desconfortos, bem como a preservação do equilíbrio, da força e da flexibilidade, por meio de avaliações e diferentes abordagens. Entre os recursos utilizados destacam-se o Teste Timed Up and Go (TUG) – é um instrumento de avaliação da mobilidade funcional e do risco de quedas. Consiste em cronometrar o tempo que o participante leva para levantar-se de uma cadeira, caminhar 3 metros, retornar e sentar-se novamente, tempos maiores indicam comprometimento da mobilidade e maior risco de quedas (Brito et al., 2024).
Escala de Equilíbrio de Berg, uma avaliação para determinar habilidade de equilíbrio e o Índice de Barthel, que é utilizada para medir a capacidade que o indivíduo tem para realizar 10 (dez) atividades da rotina diária, voltados à análise da mobilidade, do equilíbrio e da independência funcional, sendo que alguns também podem ser aplicados como estratégias terapêuticas, a exemplo da Escala de Equilíbrio de Berg. O tratamento fisioterapêutico atua tanto na prevenção de doenças quanto na promoção da saúde e reabilitação de condições que elevam o risco de quedas. Para isso, podem ser aplicados métodos de propriocepção, como circuitos funcionais proprioceptivos, além de exercícios cinesioterapêuticos voltados ao fortalecimento muscular e ao treino específico de equilíbrio (Menezes et al., 2022).
Entretanto, a hidroterapia também constitui uma alternativa eficaz para o trabalho com idosos, aproveitando propriedades físicas da água, como temperatura, viscosidade, densidade, pressão hidrostática, empuxo, turbulência e refração. Essas características contribuem para o alívio de dores, relaxamento corporal e mental, fortalecimento muscular e aumento da amplitude de movimento. A prática reduz a sobrecarga articular e o impacto da gravidade, permitindo movimentos mais amplos e adaptações que muitas vezes não são possíveis em terra firme. Além disso, favorece o equilíbrio estático e dinâmico, melhora o funcionamento cardiovascular e facilita a execução das atividades da vida diária, sendo benéfica para a reabilitação funcional dos idosos (Rodrigues et al., 2025).
2.5 Quedas em idosos: desafios e custos para o Sistema Único de Saúde (SUS)
Considerando a complexidade e os múltiplos fatores que envolvem essa temática, somados ao crescimento acelerado da população idosa no Brasil, a discussão torna-se cada vez mais relevante tanto para a sociedade quanto para o Sistema Único de Saúde (SUS). Cabe ao SUS, conforme estabelecido nos artigos 6º e 7º da Lei nº 8.080/1990, promover ações de saúde que englobem medidas preventivas e educativas. Dentro desse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) assume papel estratégico, ao desenvolver iniciativas que visam evitar quedas, diminuir os índices de morbidade e mortalidade e, consequentemente, proporcionar melhores condições de vida aos idosos (Campos, 2025).
O estudo dos fatores de risco que contribuem para as quedas em pessoas idosas evidencia a complexidade desse evento, pois abrange tanto, condições individuais, como o avanço da idade, a presença de doenças crônicas e o uso contínuo de medicamentos, quanto elementos externos, ligados ao ambiente onde vivem. Reconhecer e compreender esses aspectos é fundamental para estruturar estratégias preventivas eficazes. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que as quedas são responsáveis por uma fração relevante dos custos com internações, com maior impacto entre os idosos (Dutra et al., 2023).
3. MATERIAL E MÉTODO
Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, com abordagem descritiva e exploratória, cujo objetivo foi analisar a relevância da fisioterapia na prevenção de quedas em idosos, a partir de publicações científicas disponíveis em bases de dados reconhecidas.
A busca dos materiais foi realizada nas seguintes bases: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), PubMed e Google Acadêmico. Para a seleção dos artigos, foram utilizados os descritores: Acidente por quedas, Fisioterapia, Idoso fragilizado, Prevenção de acidentes, combinados com os operadores booleanos AND e OR.
No levantamento inicial, foram identificados 30 artigos relacionados ao tema. Após a leitura dos títulos e resumos, 25 estudos foram selecionados para leitura completa. Destes, 17 artigos atenderam plenamente aos critérios de inclusão e foram considerados para a construção dos resultados do estudo.
Foram incluídos artigos publicados entre os anos de 2022 a 2025, disponíveis na íntegra, escritos em português e que abordassem diretamente a atuação fisioterapêutica na prevenção de quedas em idosos. Foram excluídos trabalhos duplicados, dissertações, teses, artigos indisponíveis na íntegra, publicações em outro idioma, publicações pagas e estudos que não apresentassem relação direta com o tema proposto.
Após a triagem inicial, os estudos selecionados foram submetidos à leitura completa e análise crítica, com o intuito de identificar evidências científicas relevantes sobre a importância da fisioterapia na prevenção de quedas na população idosa. Os resultados foram organizados em categorias temáticas, a fim de possibilitar uma análise fundamentada e coerente com os objetivos do trabalho.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos estudos selecionados evidencia que a fisioterapia desempenha papel central e primordial na prevenção de quedas em idosos, confirmando o objetivo deste trabalho de destacar a eficácia das intervenções fisioterapêuticas na redução de riscos e na promoção da autonomia dessa população.
Segundo Trindade et al. (2023), a utilização do Teste Timed Up and Go (TUG) se mostrou altamente eficaz para identificar idosos com maior risco de quedas, permitindo que a fisioterapia direcione protocolos específicos de intervenção. Esse achado reforça que avaliações funcionais são ferramentas indispensáveis para o rastreamento precoce de fragilidades.
Em consonância, Menezes et al. (2022) comprovaram que exercícios de fortalecimento muscular e de propriocepção, quando aplicados de maneira sistemática, resultaram em melhora significativa do equilíbrio, diminuição do medo de cair e redução da incidência de quedas. Além disso, os autores observaram que tais exercícios contribuem para o aumento da confiança do idoso na realização das atividades de vida diária, favorecendo maior independência funcional. Essa evolução não apenas impacta na dimensão física, mas também exerce influência positiva no aspecto psicológico, reduzindo a ansiedade e a insegurança relacionadas à locomoção. Importante ressaltar que programas estruturados de treinamento, quando bem acompanhados por profissionais capacitados, promovem ganhos duradouros de força, estabilidade postural e coordenação motora, elementos diretamente ligados à qualidade de vida do público idoso.
Outro recurso relevante foi identificado por Brito et al. (2024), que analisaram a aplicação da Escala de Equilíbrio de Berg e do Índice de Barthel. Os autores verificaram que melhores índices estavam associados a maior independência funcional, evidenciando que o acompanhamento fisioterapêutico não apenas previne quedas, mas também contribui para preservar a autonomia dos idosos em atividades da vida diária.
Além dos exercícios convencionais, alternativas terapêuticas como a hidroterapia demonstraram impacto positivo. Rodrigues et al. (2025) observaram que o meio aquático favorece a realização de movimentos, melhora a força muscular e a amplitude articular, além de proporcionar maior segurança aos idosos durante os treinos. Essa abordagem amplia o leque de recursos que podem ser utilizados na fisioterapia preventiva.
Complementando esses achados, importante o destaque que Castro e Lima (2024) ressaltam que a fisioterapia domiciliar ou hospitalar contribui significativamente para a redução de quedas, promovendo autonomia e qualidade de vida. Reis (2022) evidencia que o fortalecimento muscular, treino de marcha e equilíbrio, e alongamentos são estratégias eficazes na prevenção de quedas. Medeiros (2024) destaca a importância do treinamento funcional e orientação para atividades físicas, reforçando o papel da fisioterapia na promoção de segurança e independência. Dourado Júnior (2022) ainda demonstra que programas supervisionados de exercícios físicos, aliados a orientações sobre segurança domiciliar, apresentam resultados positivos na redução de quedas em idosos.
Por fim, o estudo de Diniz et al. (2023) destacou o impacto socioeconômico das quedas, ressaltando que o fortalecimento das ações preventivas, como programas fisioterapêuticos na Atenção Primária à Saúde, pode reduzir internações e custos hospitalares. Isso confirma que os benefícios da fisioterapia não se restringem ao indivíduo, mas também repercutem positivamente na saúde pública.
Portanto, os resultados da literatura revisada comprovaram o objetivo deste trabalho ao demonstrarem que a fisioterapia, por meio de diferentes abordagens terapêuticas (treinamento funcional, fortalecimento, equilíbrio, hidroterapia e avaliações clínicas), é fundamental para prevenir quedas, melhorar a qualidade de vida e preservar a autonomia dos idosos.
Quadro Resumo – Fatores, Intervenções e Impactos da Fisioterapia na Prevenção de Quedas em Idosos
| Autor/Ano | Tipo de Estudo / Intervenção | População / Amostra | Instrumentos / Métodos | Principais Resultados | Conclusões / Impactos |
| Bertochi et al. (2025) | Revisão fisiológica | Idosos | Avaliação clínica | Alterações em força, equilíbrio, coordenação e amplitude de movimento | Aumento da vulnerabilidade a quedas |
| Brito et al. (2024) | Avaliação do equilíbrio e funcionalidade | Idosos comunitários | Escala de Berg, Índice de Barthel | Melhores índices associados à menor dependência | Preservação da autonomia nas atividades diárias |
| Cabral et al. (2024) | Revisão psicológica | Idosos frágeis | Avaliação do medo de cair | Síndrome pósqueda aumenta isolamento e perda funcional | Afeta atividades da vida diária e bemestar |
| Campos (2025) | Revisão de literatura sobre intervenções na Atenção Primária à Saúde | Idosos acompanhados na APS | Levantamento de evidências científicas e dados clínicos | Estratégias de prevenção reduzem quedas e melhoram qualidade de vida | Intervenções fisioterapêuticas e multiprofissionais eficazes na atenção básica |
| Castro (2024) | Fisioterapia domiciliar e hospitalar | Idosos em residências e hospitais | Avaliação funcional | Redução significativa das quedas | Melhora da autonomia e qualidade de vida |
| Diniz et al. (2023) | Programas fisioterapêuticos na APS | Idosos do SUS | Dados clínicos e socioeconômicos | Redução de internações e custos hospitalares | Benefício individual e coletivo, preservando autonomia |
| Dourado Júnior (2022) | Programas supervisionados de exercícios e orientação domiciliar | Idosos comunitários | Avaliação de equilíbrio e mobilidade | Redução significativa de quedas | Promoção da independência e prevenção de acidentes |
| Dutra et al. (2024) | Revisão de literatura sobre consequências das quedas | Idosos | Revisão integrativa de dados científicos | Quedas geram fraturas, dor crônica, medo e isolamento social | Impacto físico e psicológico significativo, aumento da dependência funcional |
| Lima (2022) | Revisão | Idosos | Dados clínicos e sociodemográficos | Quedas geram impacto físico, psicológico e depressão | Redução da qualidade de vida e aumento da dependência |
| Medeiros (2024) | Treinamento funcional e orientação de atividades físicas | Idosos comunitários | Testes de mobilidade e funcionalidade | Redução do risco de quedas | Maior segurança e autonomia |
| Menezes et al. (2022) | Fortalecimento muscular e propriocepção | Idosos comunitários | Avaliação de equilíbrio e questionários de medo de cair | Melhora do equilíbrio, redução do medo e menor incidência de quedas | Aumento da confiança e independência funcional |
| Reis (2022) | Treino de marcha, equilíbrio e alongamen- tos | Idosos comunitários | Avaliação funcional e testes de equilíbrio | Prevenção eficaz de quedas | Promoção da independência funcional |
| Rodrigues et al. (2025) | Hidroterapia | Idosos comunitários | Testes de mobilidade e força | Melhora da força muscular, amplitude articular e equilíbrio | Exercícios mais seguros, maior adesão e independência |
| Santos et al. (2024) | Revisão sobre sarcopenia | Idosos | Avaliação muscular | Perda progressiva de massa e função muscular; exercícios reversíveis | Mantém força e reduz risco de quedas |
| Silva (2024) | Revisão preventiva | Idosos | Dados clínicos e funcionais | Educação e orientação reduzem risco de quedas | Promove segurança e independência |
| Tissot et al. (2023) | Revisão epidemiológica | Idosos ≥60 anos (em desenvolvimento) / ≥65 anos (em desenvolvidos) | Dados populacionais | Crescimento populacional idoso previsto até 2050 | Necessidade de estratégias preventivas e políticas de saúde |
| Trindade et al. (2023) | Avaliação da fragilidade usando Timed Up and Go | Idosos agricultores do Rio Grande do Sul | Teste Timed Up and Go (TUG), avaliação funcional | Idosos com maior fragilidade apresentam pior desempenho no TUG | Identificação precoce de fragilidade, possibilitando intervenções fisioterapêuticas para prevenção de quedas |
Fonte: Autora, 2025.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa teve como objetivo analisar a relevância da fisioterapia na prevenção de quedas em idosos, evidenciando sua importância como ferramenta de promoção da saúde, autonomia funcional e qualidade de vida. A revisão da literatura demonstrou que intervenções fisioterapêuticas, como exercícios de fortalecimento muscular, treino de equilíbrio, hidroterapia, mobilizações articulares e programas de propriocepção, contribuem significativamente para a redução da incidência de quedas e para a melhora do desempenho funcional dos idosos. Além disso, estratégias de avaliação contínua e acompanhamento individualizado são fundamentais para adaptar os programas às necessidades específicas de cada paciente, considerando fatores clínicos, cognitivos e socioeconômicos.
Na minha percepção, a fisioterapia vai além do tratamento físico: ela atua de forma preventiva e educativa, fortalecendo a confiança dos idosos, diminuindo o medo de cair e promovendo maior independência nas atividades diárias. Acredito que programas bem estruturados, com foco na personalização e na regularidade dos exercícios, são capazes de reduzir não apenas o risco de quedas, mas também suas consequências físicas, psicológicas e sociais.
Considero essencial que profissionais de saúde e familiares compreendam a importância da fisioterapia preventiva, incentivando a adesão dos idosos aos programas de exercício e às intervenções multidisciplinares. Além disso, acredito que políticas públicas que ampliem o acesso a esses serviços podem ter um impacto direto na qualidade de vida da população idosa.
Dessa forma, concluo que a fisioterapia se mostra um recurso indispensável na prevenção de quedas, promovendo segurança, autonomia e bem-estar. Com a adoção de práticas regulares e individualizadas, é possível transformar a rotina dos idosos, fortalecendo sua saúde física e emocional e contribuindo para uma velhice mais ativa e segura.
REFERÊNCIAS
BERTOCHI, Mario; SANTOS, Giovana Maria de Carvalho; FERNANDES, Rosana Nogueira; CARDOZO, Adalgiso Coscrato; GONÇALVES, Mauro. Atuação da fisioterapia na prevenção de quedas em idosos: uma revisão integrativa da literatura. Revista Interdisciplinar em Ciências da Saúde e Biológicas, v. 9, n. 1, p. 31-42, 2025. DOI: http://dx.doi.org/10.31512/ricsb.v9i1.1993.
BRITO, Adriana Bernardo de Lima; ANDRADE, Leticia de Abreu; MOURA, Maria Isabelly Muniz da Silva de; SILVA, Maria Eduarda Germano; TADDEO, Patricia da Silva; VITORI-
ANO, Natalia Aguiar Moraes. Análise da aplicabilidade do Teste Timed Up and Go (TUG) na avaliação do risco de quedas em idosos. XII Encontro de Iniciação à Pesquisa, Centro Universitário Fametro – Unifametro, 2024.
CABRAL, Chrystian Oliveira; NOGUEIRA, Gustavo Verissimo; AZEVEDO, Wender Soares; RIBEIRO, Ricardo Câmara. Atuação da fisioterapia em idosos com risco de quedas.Revista Multidisciplinar, Montes Claros, v. 38, n. 1, jan./jul. 2024. Disponível em: https://portalunifipmoc.emnuvens.com.br/rm/article/view/130. Acesso em: 8 ago. 2025.
CAMPOS, Maryanne Figueirêdo. Intervenções na atenção primária à saúde para prevenção de quedas em idosos: uma revisão de literatura. Revista de Saúde Coletiva, v. 15, n. 2, p. 33-40, 2025. DOI: https://doi.org/10.56161/sci.ed.20250214RE2.
CASTRO, Maria da Conceição Alvares de; LIMA, Ronaldo Nunes. Fisioterapia na prevenção de quedas em idosos.Revista REASE, v. 15, n. 2, p. 45-53, 2024. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/16584. Acesso em: 13 ago. 2025.
DINIZ, Jamylle Lucas; SOUSA, Caroline Ribeiro de; AQUINO, Priscila de Souza; SILVA, Rávida da Rocha Lima; EVANGELISTA, Brenda Pinheiro; COUTINHO, Janaína Fonseca Victor; SOUZA, Rodrigo Lopes de Paula; TABOSA, Karla Yanca de Sousa. Diagrama de prevenção de quedas para pessoas idosas: revisão integrativa. Acta Paulista de Enfermagem, v. 37, p. eAPE02211, 2024. DOI: http://dx.doi.org/10.37689/acta-ape/2024AR00221.
DOURADO JÚNIOR, Francisco Wellington. Intervenções eficazes na prevenção de quedas em idosos. Revista da Atenção Primária, v. 18, n. 2, p. 55–63, 2022. DOI: https://doi.org/10.37689/acta–ape/2022AR022566.
DUTRA, Raphaela Nogueira; GRECCO, Letícia; MUHAMMAD, Nasser Fraga; RIBEIRO NETO, Alírio Caribé. Queda e suas consequências para os indivíduos idosos: revisão de literatura. Cuadernos de Educación y Desarrollo, v. 16, n. 2, p. 1–12, 2024. DOI: https://doi.org/10.55905/cuadv16n2–ed.esp.077.
LIMA, Nelita Braga. A atuação da fisioterapia na prevenção de queda em idoso. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação – REASE, São Paulo, v. 8, n. 8, p. 1346, ago. 2022. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v8i8.6781. ISSN 2675-3375.
MEDEIROS, Ianka Mendes Block. Contribuições da fisioterapia na prevenção de quedas em idosos: uma revisão integrativa. PUC Goiás, 2024. Disponível em: https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/bitstream/123456789/8842/1/QUEDAS%20IDOSOS%20E%20FISIOTERAPIA.pdf. Acesso em: 30 ago. 2025.
MENEZES, Jéssica dos Santos; ABREU, Juliana Pereira de Santana. Abordagem fisioterapêutica na prevenção de quedas em idosos: uma revisão bibliográfica. Paripiranga–BA: Centro Universitário AGES, Curso de Fisioterapia – Bacharelado, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, 2022.
REIS, M. Abordagem fisioterapêutica na diminuição de quedas em idosos. Revista RSV, v.5, n. 1, p. 33-42, 2022. Disponível em: https://rsv.ojsbr.com/rsv/article/view/166. Acesso em: 6 out. 2025.
RODRIGUES, Ana Cláudia Gouveia; CUNHA, Emanuelly Cristine Silva; FRAGA, Késia Graziella Borges; RIBEIRO, Suellen Rabelo Almeida; CHAGAS, Giselle Saldanha; COSTA, Kelly Aline Rodrigues; TAVARES, Patrícia Aparecida. Hidroterapia na prevenção de quedas e reabilitação funcional em idosos: revisão integrativa. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v. 2, 2025. ISSN 2178-6925. DOI: https://doi.org/10.61164/rmnm.v2i01.3500
SANTOS, Cristiane Kelly Aquino dos; LEON, David Leandro Moreno; DANTAS, Estélio Henrique Martin; CAPELA, Igor Santos; DANTAS, Karollyni Bastos Andrade; VIEIRA, Rafael Araujo; COSTA, Sávio Santana da. Fenômenos fisiológicos do envelhecimento. Porto Alegre – RS; Aracaju – SE: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Universidade Tiradentes; Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2025. Disponível em: https://orcid.org/0000–0002–0260–7194. Acesso em: 15 set. 2025.
SILVA, Francisca Larissa Santos da. O papel da fisioterapia na prevenção de quedas de idosos. Fisioterapia: uma abordagem contemporânea, v. 5, p. 143, 2024.
TISSOT, Juliana Tasca; VERGAR, Lizandra Garcia Lupi. Estratégias para prevenção de quedas no ambiente de moradia da pessoa idosa com foco no aging in place. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 23, n. 3, p. 25-37, jul./set. 2023. ISSN 1678-8621. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s1678–86212023000300674.
TRINDADE, Jorge Luiz de Andrade; MORAES, Marielly de; DIAS, Alexandre Simões. Timed Up and Go na avaliação da fragilidade de pessoas idosas agricultoras do Rio Grande do Sul: estudo transversal.Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 26, e230004, 2023. DOI: 10.1590/1981–22562023026.230004.pt.
1 Ensino Superior Albert Sabin (ESAS)
2 Orientador – Ensino Superior Albert Sabin (ESAS)
