THE RELATIONSHIP BETWEEN HIGH ADDED SUGAR CONSUMPTION AND ANXIETY DISORDER: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202510251845
João Pedro Tomaz Vasconcelos1
Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas2
David Silva dos Reis3
RESUMO
O consumo de açúcares adicionados aumentou nas últimas décadas em paralelo ao crescimento dos transtornos de ansiedade. Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura, de caráter qualitativo, e teve como objetivo investigar a relação entre o alto consumo de açúcar adicionado e o desenvolvimento ou agravamento de ansiedade. Os resultados indicam consumo acima das recomendações da OMS, com forte contribuição de bebidas adoçadas e ultraprocessados, e apontam mecanismos plausíveis (ativação do sistema dopaminérgico de recompensa, disfunções do eixo HPA, neuroinflamação e alterações da microbiota intestinal) que podem influenciar sintomas ansiosos. Estudos observacionais, especialmente em adolescentes, mulheres e idosos, sugerem associação positiva entre maior ingestão de açúcar e ansiedade, embora haja heterogeneidade metodológica. Intervenções nutricionais (redução gradual de açúcares adicionados, substituições por alimentos minimamente processados, adequação de micronutrientes e estratégias adjuvantes) emergem como ferramentas de baixo custo em abordagem multiprofissional. Conclui-se que a evidência aponta para uma associação consistente, porém não conclusiva, e recomenda-se a realização de estudos longitudinais e ensaios clínicos com biomarcadores, além de ações clínicas e regulatórias para reduzir açúcares adicionados e apoiar o manejo da ansiedade.
Palavras-chave: Açúcar adicionado; Ansiedade; Saúde mental.
ABSTRACT
The consumption of added sugars has increased in recent decades in parallel with the rise of anxiety disorders. This study is a qualitative literature review aimed at investigating the relationship between high addedsugar intake and the development or worsening of anxiety. The results indicate consumption levels above WHO recommendations, with a strong contribution from sugar-sweetened beverages and ultra-processed foods, and point to plausible mechanisms—activation of the dopaminergic reward system, dysfunctions of the HPA axis, neuroinflammation, and alterations in the gut microbiota—that may influence anxiety symptoms. Observational studies, especially among adolescents, women, and older adults, suggest a positive association between higher sugar intake and anxiety, although methodological heterogeneity exists. Nutritional interventions (gradual reduction of added sugars, substitution with minimally processed foods, micronutrient adequacy, and adjunct strategies) emerge as low-cost tools within a multidisciplinary approach. It is concluded that the evidence points to a consistent yet not conclusive association, and longitudinal studies and clinical trials with biomarkers are recommended, along with clinical and regulatory actions to reduce added sugars and support anxiety management.
Keyword: Added sugar; Anxiety; Mental health.
1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a industrialização e a ampla oferta de ultraprocessados ampliaram expressivamente o consumo de açúcares adicionados — aqueles incluídos no processamento, no preparo doméstico ou pelo próprio consumidor, excluindo os naturalmente presentes em frutas, vegetais e laticínios (JACQUES e CHIM, 2021; SCAPIN et al., 2017; LEVY et al., 2012). Pela versatilidade tecnológica, baixo custo e alta palatabilidade, esses açúcares dominam itens como refrigerantes, biscoitos e sobremesas lácteas (RICCIUTO et al., 2021).
Embora a OMS recomende <10% do VET (ideal <5%), o consumo frequentemente excede esses limites em diversos países, inclusive no Brasil (WHO, 2023; LEVY et al., 2012; RICCIUTO et al., 2021). Em paralelo, cresce a carga de transtornos de ansiedade — ~264 milhões de pessoas no mundo, com 9,3% no Brasil, e aumento de 53,7% dos DALYs entre 1990–2019 (WHO, 2017; VOS et al., 2020; WANG et al., 2024).
Dietas ricas em açúcar podem contribuir para sintomas ansiosos via ativação do sistema de recompensa (núcleo accumbens, dopamina), modulação do eixo HHA, neuroinflamação e desequilíbrio da microbiota (AVENA et al., 2008; RADA; AVENA; HOEBEL, 2005; CHEN et al., 2023; DEBRAS et al., 2020; PENNISI, 2020). Apesar de limitações metodológicas, como a predominância de estudos transversais, diferentes populações têm mostrado associação entre consumo elevado de açúcares e sintomas de ansiedade: universitários apresentaram maior risco de ansiedade com ingestão elevada de açúcar (WATTICK; HAGEDORN; OLFERT, 2018; RAMÓN-ARBUÉS et al., 2019), idosos expostos a padrões alimentares ricos em açúcares simples e gorduras saturadas tiveram maior prevalência de sintomas ansiosos (MASANA et al., 2019), e revisões apontam efeitos negativos do açúcar sobre o processamento emocional e a resposta ao estresse (JACQUES et al., 2019; WANG et al., 2024). Além disso, mecanismos fisiológicos indiretos — como alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, desequilíbrios da microbiota intestinal e da neurotransmissão serotoninérgica — sustentam a plausibilidade biológica dessa relação (MERONI et al., 2019; DEL PORTILHO, 2024).Portanto, compreender os efeitos do açúcar adicionado sobre a saúde mental torna-se um tema de relevância crescente, tanto para a saúde coletiva quanto para a atuação do nutricionista, inserido cada vez mais em contextos de cuidado integral e multidisciplinar.
Esta pesquisa teve por objetivo investigar a relação entre o alto consumo de açúcar adicionado e o desenvolvimento ou agravamento do transtorno de ansiedade, analisando evidências científicas para compreender os mecanismos envolvidos e possíveis impactos na saúde mental.
2. METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
Este estudo trata-se de uma revisão de literatura, de caráter qualitativo, com o objetivo de reunir, descrever e analisar criticamente o conhecimento científico atual sobre a relação entre o consumo de açúcar adicionado e transtornos de ansiedade. Este tipo de estudo oferece uma visão abrangente do tema, sem a aplicação de critérios estatísticos rigorosos, como nas revisões sistemáticas.
2.2 Coleta de dados
A busca foi realizada nas bases PubMed, Scielo, ScienceDirect e Google Acadêmico, priorizando publicações dos últimos dez anos (2014–2024). Utilizaram-se descritores dos DeCS e MeSH: “açúcar adicionado”, “consumo de açúcar”, “ansiedade”, “transtornos de ansiedade”, “alimentação”, “saúde mental” e seus equivalentes em inglês. Foram elegíveis artigos originais, revisões sistemáticas, estudos transversais, longitudinais, ensaios clínicos e meta-análises relacionados à temática. Bem como foram inelegíveis estudos duplicados, irrelevantes ou sem acesso ao texto completo.
2.3 Análise de dados
Os dados foram organizados de forma descritiva e categorizados em quatro eixos: (1) tipos e fontes de açúcares adicionados; (2) padrões de consumo; (3) mecanismos fisiológicos e neuroquímicos; (4) evidências da associação com ansiedade. Como apresenta-se no fluxograma da figura 1, os estudos foram identificados nas bases, triados por idioma (português e inglês), avaliados quanto à elegibilidade e excluídos quando não havia acesso ao texto completo, dados insuficientes ou pouca relação com o tema. Os trabalhos elegíveis compuseram a revisão e, entre eles, os com acesso integral fundamentaram a síntese dos resultados. A análise crítica considerou metodologia, amostra, resultados e limitações, permitindo evidenciar padrões, contradições, lacunas e tendências e garantindo a coerência entre a revisão da literatura e as interpretações finais.
Figura 1 – Processo de identificação e análise de estudos.

Fonte: Elaboração dos autores (2025).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os açúcares adicionados são mono e dissacarídeos incorporados aos alimentos no processamento, preparo ou pelo consumidor, excluindo-se os açúcares naturais de frutas, vegetais e laticínios; essa definição padronizada orienta políticas públicas e rotulagem (SCAPIN et al., 2017; LEVY et al., 2012).
Na dieta ocidental, destacam-se sacarose, glicose e frutose, além de mel, melado, rapadura, HFCS e outros xaropes; mesmo fontes “naturais”, quando usadas como ingrediente, contam como açúcar adicionado (SCAPIN et al., 2017; JACQUES e CHIM, 2021). A frutose, sobretudo via HFCS, é amplamente aplicada em bebidas e ultraprocessados por custo e funcionalidade (RICCIUTO et al., 2021), enquanto propriedades tecnológicas (umidade, conservação, textura, caramelização e sabor) e preço explicam sua ubiquidade (JACQUES e CHIM, 2021; LEVY et al., 2012).
As principais fontes incluem refrigerantes, bebidas adoçadas, biscoitos, bolos, cereais matinais e sobremesas lácteas; nos EUA, bebidas adoçadas somam ~47% da ingestão de açúcares adicionados (RICCIUTO et al., 2021). No Brasil, embora o açúcar de mesa ainda pese, cresceu o consumo de industrializados com açúcar (refrigerantes e biscoitos); entre 1987 e 2003, o açúcar adicionado pela indústria dobrou e o de mesa caiu, evidenciando transição alimentar (LEVI et al., 2012). A OMS recomenda <10% do VET (ideal <5%), mas a média norte-americana foi 12,7% em 2017–2018 (RICCIUTO et al., 2021). Na POF 2002/2003, 16,7% das calorias disponíveis vieram de açúcares de adição, com consumo elevado em todas as regiões e rendas (LEVY et al., 2012). Refrigerantes têm grande participação: média de 123,7 ml/pessoa no Brasil, 10ª maior do mundo (ASBRAN, 2019). Globalização e industrialização ampliaram o acesso a ultraprocessados e bebidas açucaradas, elevando o consumo e os riscos associados (WHO, 2023).
O excesso de açúcar relaciona-se a obesidade, resistência à insulina e distúrbios metabólicos, possivelmente também a transtornos psiquiátricos (WHO, 2023). Circuitos cerebrais (córtex orbitofrontal, amígdala, ínsula, estriado dorsal e núcleo accumbens) respondem a estímulos de alimentos hiperpalatáveis e influenciam escolhas, com diferenças por sexo (CORNIER et al., 2010; VAN DER LAAN et al., 2011; HARROLD et al., 2012; MEHTA et al., 2012).
A mídia e o marketing podem omitir informações relevantes, estimulando consumo de refeições densas em energia, o que demanda regulação para assegurar o direito à informação (MARTINS; ARAÚJO; JACOB, 2011). Para muitos, o açúcar funciona como recompensa pelo sabor e pela ativação do sistema dopaminérgico (FREEMAN et al., 2018); a ingestão excessiva pode acionar o circuito de recompensa de modo semelhante a substâncias psicoativas, favorecendo padrão de uso compulsivo (DEBRAS et al., 2020).
Em ansiedade, é frequente o aumento da ingestão de alimentos palatáveis como estratégia de enfrentamento emocional (RUTTERS et al., 2009). Transtornos de ansiedade envolvem medo e preocupação persistentes, com sintomas como agitação, irritabilidade, dificuldade de foco, tensão muscular e distúrbios do sono; sua etiologia é multifatorial (WANG et al., 2024). O DSM-5 lista subtipos como fobia específica e social, pânico, agorafobia e TAG, entre outros (DSM-5, 2014); fobia específica implica medo desproporcional a objetos/situações (DSM-5, 2014), fobia social envolve medo de avaliação (LONDOÑO et al., 2010), agorafobia leva a evitamentos que comprometem autonomia (MONDIN et al., 2013), e pânico/TAG têm critérios definidos (DSM-5, 2014).
No encargo global, a ansiedade responde por 1,1% dos DALYs, com aumento de 53,7% entre 1990–2019 (VOS et al., 2020). Em 2017, houve 284 milhões de casos e 42 milhões de incidentes, sendo a principal causa não fatal em mulheres (GBD, 2018). Em 2015, a prevalência global foi 3,6% (≈264 milhões), com 9,3% no Brasil; nas Américas, ~57 milhões (GBD, 2015; WHO, 2017). Entre as mulheres americanas, a prevalência foi 7,7% (vs. 3,6% em homens), com picos de 40–49 anos nas mulheres e 15–19 nos homens (WHO, 2017).
Quanto à relação açúcar–ansiedade, estudos indicam associação positiva, embora haja heterogeneidade metodológica. Em universitários dos EUA, ansiedade/depressão associaram-se a maior ingestão de açúcar adicionado (WATTICK; HAGEDORN; OLFERT, 2018). Em universitários espanhóis, maior consumo de doces associou-se a ansiedade (OR 3,33; IC95% 2,07–5,35) e depressão (OR 2,73; IC95% 1,62–4,59) (RAMÓN-ARBUÉS et al., 2019). Em idosos gregos sem DCNT, açúcares adicionados e gorduras saturadas relacionaram-se a níveis mais altos de ansiedade (MASANA et al., 2019). Uma revisão sistemática PRISMA (2024) apontou possível associação positiva entre açúcar adicionado e ansiedade, com idade como moderador, mas recomendou cautela e mais estudos longitudinais (WANG et al., 2024). Metanálise com >1,2 milhão de participantes encontrou associação entre açúcar total e depressão; para ansiedade, a associação global não foi significativa, embora subgrupos tenham se aproximado da significância (XIONG et al., 2024). Em coorte longitudinal de >5.000 homens por 22 anos, >67 g/dia de açúcar associaram-se a +23% de incidência de transtornos mentais, incluindo ansiedade (JACQUES et al., 2019). Revisão sobre dietas ricas em carboidratos encontrou relação com ansiedade em parte dos estudos (BRIZON et al., 2023).
Determinadas regiões do sistema nervoso central são ativadas pela ingestão de alimentos considerados recompensadores. Entre essas áreas, destacam-se o córtex orbitofrontal e a amígdala, que desempenham papel fundamental na resposta a alimentos de alto valor recompensador; a ínsula, responsável pelo processamento das informações sensoriais relacionadas ao sabor; o núcleo accumbens e o estriado dorsal, que recebem estímulos do sistema dopaminérgico; a área tegmentar ventral, que regula os aspectos motivacionais; e o hipotálamo lateral, encarregado de controlar a busca específica por alimentos palatáveis (SAWAYA; FILGUEIRAS, 2013).
Em adolescentes, a resposta cerebral ao açúcar varia conforme o estado nutricional: em baixo peso, glicose/frutose aumentam a perfusão no córtex pré-frontal (funções executivas), sem ativar áreas homeostáticas; em obesos, há menor perfusão pré-frontal e maior atividade em centros de recompensa, sugerindo menor controle inibitório, compulsão e risco cardiometabólico (BRAY, 2016). O excesso de açúcar associa-se a inflamação sistêmica e neuroinflamação, implicadas na ansiedade (CHEN et al., 2023; XIONG et al., 2024; BERTOLLO et al., 2025). Dietas com muito açúcar elevam TNF-α e IL-6, afetando regiões de regulação emocional (DEBRAS et al., 2020). No eixo HPA, pode haver supressão aguda seguida de desregulação crônica e hiper-cortisolismo, agravando a ansiedade (CHEN et al., 2023; XIONG et al., 2024). Comportamentalmente, a ansiedade favorece a busca frequente por palatáveis, muitas vezes sem intenção consciente de “usar” comida como recompensa (DE ARO et al., 2021).
No sistema de recompensas, o açúcar promove liberação repetida de dopamina no nucleus accumbens; com o tempo, reduz a eficiência receptorial e favorece um padrão aditivo (RADA; AVENA; HOEBEL, 2008). A alta palatabilidade reforça a sobre-ingesta via circuitos límbicos, corticais e estriatais; serotonina e outros neurotransmissores também participam (FREEMAN et al., 2018). Em modelos animais, reduzir gradualmente açúcar atenua sinais de dependência/abstinência, ansiedade e ganho ponderal (FREEMAN et al., 2018; AVENA et al., 2006).
No eixo intestino-cérebro, dietas açucaradas favorecem disbiose, maior permeabilidade intestinal e endotoxemia, intensificando inflamação (MERONI; LONGO; DONGIOVANNI, 2019; EKSTRAND et al., 2020). A microbiota modula neurotransmissores (p.ex., serotonina, GABA) e comunica-se com o SNC por vias neurais, endócrinas e imunológicas; seu desequilíbrio pode contribuir para a ansiedade (DEANS, 2016; PENNISI, 2020; JACQUES et al., 2019). Essa rede é dinâmica ao longo da vida e sensível à nutrição e ao estilo de vida (MERINO DEL PORTILLO et al., 2024). Por fim, a relação açúcar-ansiedade sofre influência de dieta global, atividade física, sono e comorbidades; ainda assim, algumas análises mostram associação independente após ajustes (WANG et al., 2024; ZHANG et al., 2024). Na tabela 1, a seguir, observa-se evidências de diferentes autores sobre possíveis intervenções no âmbito da nutrição para o manejo de ansiedade, destacando estratégias de baixo custo e caráter adjuvante. São apresentadas as propostas de cada estudo, bem como o tipo de abordagem (padrão alimentar, intervenção nutricional adjuvante ou adequação de micronutrientes). O objetivo é oferecer uma visão rápida e comparável das alternativas com respaldo na literatura, que podem complementar o tratamento convencional e devem ser individualizadas conforme o perfil clínico do paciente.
Tabela 1: Possíveis intervenções no âmbito da nutrição para o manejo de ansiedade.

Em conjunto, os estudos indicam a nutrição como estratégia adjuvante no manejo da ansiedade, em três frentes: acompanhamento nutricional, padrão alimentar equilibrado/anti-inflamatório e adequação de micronutrientes. As evidências sugerem mecanismos plausíveis (modulação inflamatória e suporte à síntese de neurotransmissores) e favorecem intervenções de baixo custo e ampla aplicabilidade. Ainda assim, requerem individualização e acompanhamento profissional, priorizando alimentos in natura e fontes de compostos bioativos, triptofano, ômega-3 e vitaminas/minerais, reservando suplementos a indicações específicas. Em suma, não substituem o tratamento convencional, mas podem potencializá–lo quando integradas de forma personalizada.
Na tabela 2, reúne-se fitoterápicos frequentemente citados como adjuvantes no manejo de ansiedade e depressão, com base em estudos clínicos e revisões da literatura. Para cada referência, são listados o composto/planta e as ações principais descritas (p. ex., efeito ansiolítico, redução de estresse, possível modulação de GABA, inflamação e neurotransmissores). Em alguns casos, indicam-se protocolos avaliados (como dose e duração), quando reportados pelos autores. O objetivo é oferecer uma visão rápida das alternativas com potencial terapêutico complementar, cuja indicação deve ser individualizada e sempre acompanhada por profissional habilitado.
Tabela 2: Fitoterápicos no manejo direto e indireto da Ansiedade


Em síntese, a tabela indica que fitoterápicos como camomila, valeriana, erva-de-São-João, lavanda, kava, ashwagandha, rhodiola, curcumina e fontes vegetais de ômega-3 podem atuar como coadjuvantes no manejo de ansiedade e depressão. Os achados convergem para mecanismos como modulação do GABA, ação adaptógena sobre o eixo HHA, efeitos anti-inflamatórios e suporte neuroquímico, com relatos de redução de sintomas e melhora de estresse/humor em diversos estudos. Ainda assim, a heterogeneidade de protocolos e da qualidade metodológica demanda individualização e acompanhamento profissional, com atenção a potenciais interações e contraindicações. Assim, o uso fitoterápico complementa, mas não substitui, as terapias convencionais.
A tabela 3 a seguir sintetiza suplementos nutricionais investigados como adjuvantes no manejo de ansiedade e depressão, destacando para cada estudo os compostos avaliados (p. ex., vitamina D, complexo B, magnésio, ômega-3, L-triptofano, zinco) e os efeitos reportados (modulação neuroquímica, redução de sintomas ansiosos/depressivos, suporte ao eixo HHA, ação anti-inflamatória, entre outros). Sempre que disponível, são mencionados protocolos/doses testados. O propósito é oferecer uma visão rápida e comparável da evidência aplicada, lembrando que o uso deve ser individualizado, com acompanhamento profissional e sem substituir terapias convencionais.
Tabela 3: Suplementação no manejo direto e indireto da Ansiedade


Em linhas gerais, os estudos sugerem que vitamina D, complexo B, magnésio, ômega3, L-triptofano, zinco e antioxidantes podem atuar como adjuvantes no manejo da ansiedade e da depressão. Os efeitos positivos são atribuídos à modulação do eixo do estresse, à redução de inflamação e estresse oxidativo e ao suporte à síntese de serotonina e dopamina, com resultados mais consistentes quando há deficiência nutricional e uso integrado ao tratamento padrão. Dada a heterogeneidade dos protocolos, a indicação deve ser individualizada e acompanhada por profissional, evitando megadoses e possíveis interações. Assim, a suplementação complementa, mas não substitui, psicoterapia, mudanças de estilo de vida e, quando indicados, fármacos.
A tabela 4 abaixo reúne os principais estudos sobre açúcar e saúde mental, organizados por desenho (transversal, coorte, revisão, meta-análise e modelos pré-clínicos), tamanho/amostra, tipo de exposição ao açúcar (total, adicionado/livre, bebidas adoçadas; binge/ingestão intermitente em animais), desfechos (ansiedade, depressão; marcadores neuroquímicos) e achados centrais. Também registra ajustes e limitações (heterogeneidade, medidas autorreferidas, sensibilidade por subgrupos), permitindo comparar a consistência das associações e a plausibilidade biológica apoiada por evidências experimentais (eixo recompensa/dopamina, acetilcolina) e observacionais em humanos.
Tabela 4 – Principais resultados dos estudos incluídos.


Em conjunto, os estudos apontam associação entre maior consumo de açúcares e piores desfechos em saúde mental, sobretudo quando inseridos em padrões alimentares “ocidentalizados”, embora os achados sejam heterogêneos entre populações e métodos. As evidências observacionais sugerem tendência de maior ansiedade em dietas com muito açúcar livre/adicionado, enquanto revisões indicam resultados mistos, refletindo diferenças de medida, autorrelato e potenciais confundidores de estilo de vida. Em paralelo, modelos pré-clínicos oferecem plausibilidade biológica ao demonstrar ativação repetida do circuito de recompensa (dopamina no núcleo accumbens) e alterações na sinalização de acetilcolina ligadas à saciedade, mecanismos compatíveis com aumento de ingestão e vulnerabilidade ao estresse. Diante dessas limitações, a inferência causal deve ser cautelosa; ainda assim, a redução de açúcares adicionados e de ultraprocessados, dentro de um padrão alimentar equilibrado, desponta como medida prudente e potencialmente benéfica, a ser integrada ao cuidado convencional e investigada em estudos prospectivos e intervenções com protocolos padronizados.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os achados desta revisão sugerem uma associação consistente — ainda não conclusiva — entre alto consumo de açúcares adicionados e maior presença/agravamento de sintomas de ansiedade. A convergência de mecanismos (circuito de recompensa dopaminérgico, disfunções do eixo hipotálamo–hipófise–adrenal, processos inflamatórios e alterações de microbiota) confere plausibilidade biológica e ajuda a explicar por que padrões ricos em açúcares simples podem afetar a regulação emocional e o comportamento alimentar.
Em nível populacional, observa-se consumo de açúcar acima das recomendações, sobretudo por bebidas adoçadas e ultraprocessados, o que, somado à alta carga de transtornos ansiosos, reforça a relevância de estratégias de prevenção e cuidado centradas na alimentação.
Persistem limitações metodológicas que exigem cautela: predominância de estudos transversais, medidas autorreferidas, heterogeneidade na definição de “açúcar” e controle incompleto de confundidores. São necessários estudos longitudinais e ensaios clínicos que quantifiquem dose–resposta, contemplem grupos vulneráveis e incorporem biomarcadores de exposição/efeito.
No plano prático, intervenções nutricionais — redução gradual de açúcares adicionados (com foco em bebidas), substituições por alimentos minimamente processados, aumento de fibras e manejo de gatilhos de consumo emocional — podem auxiliar no manejo da ansiedade quando integradas a cuidado multiprofissional, somadas a medidas regulatórias e educativas. Na clínica em Nutrição, recomenda-se avaliar sistematicamente a ingestão de açúcares, pactuar metas realistas, monitorar sintomas e articular-se a equipes de saúde mental para planos terapêuticos integrados.
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1Graduando do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO.
E-mail: jptomaz360@gmail.com
2Orientadora do TCC, Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: francisca.freitas@fametro.edu.br
3Co-orientador do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Católica de Santos. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br
