REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601201620
Elissandra de Souza Silva1
Profª. Drª. Diala Alves de Sousa2
RESUMO
A mnemônica FAST HUG, criada por Jean-Louis Vincent, é uma ferramenta fundamental na padronização e otimização do cuidado ao paciente crítico em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Abrangendo sete componentes cruciais – Nutrição, Analgesia, Sedação, Profilaxia Tromboembólica, Elevação da Cabeceira, Profilaxia de Úlceras e Controle Glicêmico – o FAST HUG visa reduzir complicações comuns, como pneumonia associada à ventilação mecânica e úlceras de estresse, além de melhorar o conforto do paciente e minimizar o risco de eventos cardiovasculares graves. A implementação desta mnemônica como um checklist diário aprimora a qualidade do cuidado, promove a comunicação eficaz entre os profissionais de saúde e garante a adesão às diretrizes de cuidado intensivo. No entanto, sua aplicação prática exige adaptação a diferentes contextos clínicos e treinamento contínuo, visando a individualização do cuidado e superando os desafios da sobrecarga de trabalho e variabilidade no conhecimento das equipes.
Palavras-chave: FAST HUG. Cuidado Crítico. Mnemônica. Unidade de Terapia Intensiva. Segurança do Paciente. Padronização do Cuidado.
ABSTRACT
The FAST HUG mnemonic, conceived by Jean-Louis Vincent, is an essential tool for standardizing and optimizing care for critically ill patients in Intensive Care Units (ICUs). It encompasses seven crucial components: Feeding, Analgesia, Sedation, Thromboembolic prophylaxis, Head-of-bed elevation, Ulcer prophylaxis, and Glucose control. The implementation of early and adequate nutrition, optimized analgesia and sedation, thromboembolic prophylaxis, head-of-bed elevation, ulcer prophylaxis, and rigorous glucose control contributes significantly to reducing common complications, such as ventilator-associated pneumonia and stress ulcers, while also improving patient 2 comfort and minimizing the risk of severe cardiovascular events. The implementation of FAST HUG as a daily checklist not only enhances the quality of care but also promotes effective communication among healthcare professionals and adherence to intensive care guidelines. However, the practical application of FAST HUG requires adaptation to diverse clinical contexts and continuous training, aiming for individualized care and overcoming the challenges posed by workload and variability in team knowledge.
Keywords: FAST HUG. Critical Care. Mnemonic. Intensive Care Unit. Patient Safety. Care Standardization.
1 INTRODUÇÃO
Em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a complexidade dos casos exige atenção meticulosa e padronizada. A mnemônica FAST HUG, desenvolvida por Jean-Louis Vincent, serve como guia essencial para profissionais de saúde, abrangendo sete pilares cruciais para a assistência diária ao paciente crítico: Nutrição (Feeding), Analgesia (Analgesia), Sedação (Sedation), Profilaxia Tromboembólica (Thromboembolic prophylaxis), Elevação da Cabeceira (Head-of-bed elevation), Profilaxia de Úlceras (Ulcer prophylaxis) e Controle Glicêmico (Glucose control). Essa ferramenta visa padronizar o cuidado, reduzir complicações e otimizar resultados clínicos em pacientes críticos, minimizando a variabilidade na prática clínica.
A simplicidade e praticidade do FAST HUG facilitam a rotina em UTIs, onde a sobrecarga de trabalho e a necessidade de decisões rápidas são comuns. A mnemônica padroniza práticas e previne falhas que podem comprometer a recuperação do paciente, auxiliando a equipe multidisciplinar a focar nos aspectos críticos do cuidado, garantindo que nenhum elemento essencial seja negligenciado. A implementação correta do FAST HUG exige uma equipe bem treinada e protocolos claros.
Pacientes críticos em UTIs enfrentam riscos específicos, como pneumonia associada à ventilação mecânica e úlceras de estresse, que podem prolongar a internação e aumentar a mortalidade. A mnemônica FAST HUG padroniza o cuidado, integrando todos os aspectos do tratamento, da nutrição ao controle glicêmico, reduzindo a omissão de etapas cruciais e melhorando os resultados. A adesão ao protocolo FAST HUG pode reduzir a incidência de eventos adversos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes após a alta da UTI.
No Brasil, estudos demonstram a eficácia do FAST HUG na melhoria da qualidade do cuidado e redução de complicações em UTIs. A adaptação da mnemônica ao contexto brasileiro, considerando as particularidades de cada instituição, é fundamental para o sucesso da implementação. O objetivo deste estudo é examinar a eficácia da mnemônica FAST HUG no cuidado ao paciente crítico e incentivar a adoção de práticas seguras, promovendo uma abordagem multidisciplinar que envolva médicos intensivistas, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde. A colaboração entre os membros da equipe é essencial para garantir a aplicação consistente do protocolo e a otimização dos resultados clínicos.
2 OBJETIVO GERAL
O objetivo geral deste estudo é examinar a eficácia da mnemônica FAST HUG no cuidado ao paciente crítico, avaliar a sua aplicação prática em diferentes contextos clínicos e incentivar a adoção de práticas seguras que favoreçam a prevenção de complicações e a melhoria dos resultados clínicos, promovendo uma abordagem multidisciplinar que envolva médicos intensivistas, enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais da saúde.
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 A Mnemônica FAST HUG: uma visão geral
A mnemônica FAST HUG, concebida por Jean-Louis Vincent, emergiu como um instrumento essencial em unidades de terapia intensiva (UTI), delineando sete pilares cruciais para a assistência diária ao paciente crítico: Feeding (Nutrição), Analgesia (Analgesia), Sedation (Sedação), Thromboembolic prophylaxis (Profilaxia tromboembólica), Head-of-bed elevation (Elevação da cabeceira da cama), Ulcer prophylaxis (Profilaxia de úlceras) e Glucose control (Controle glicêmico). Essa abordagem sistemática visa aprimorar a qualidade do cuidado, mitigar complicações e otimizar os resultados clínicos em pacientes em estado crítico (VINCENT, 2005).
A criação da mnemônica FAST HUG se destacou por sua simplicidade e praticidade, fornecendo aos profissionais de saúde um método direto e eficaz para recordar e aplicar os cuidados básicos de forma rotineira. Em um ambiente de UTI, onde a complexidade dos casos e a sobrecarga de trabalho são comuns, o FAST HUG auxilia na padronização das práticas e na prevenção de falhas que podem prejudicar a recuperação do paciente. A simplicidade da mnemônica permite que os profissionais de saúde se concentrem nos aspectos mais críticos do cuidado, sem se sobrecarregar com listas extensas e complexas. Além disso, a facilidade de memorização do FAST HUG facilita a comunicação entre os membros da equipe multidisciplinar, garantindo que todos estejam alinhados quanto aos cuidados essenciais (VINCENT, 2005).
Conforme destaca Vincente (2005), a simplicidade da mnemônica é seu ponto forte, permitindo que toda a equipe multidisciplinar se concentre nos aspectos mais cruciais do cuidado.
No Brasil, a utilização da mnemônica FAST HUG em UTIs tem sido adaptada e traduzida para o português, refletindo um esforço para integrar as melhores práticas internacionais ao cenário clínico nacional. Pesquisas têm evidenciado a eficácia da ferramenta na melhoria da qualidade do cuidado e na redução de complicações em pacientes críticos em hospitais brasileiros, demonstrando que a padronização do cuidado através do FAST HUG pode levar a resultados clínicos significativamente melhores. A implementação da mnemônica FAST HUG tem sido associada a uma maior adesão às diretrizes de cuidado intensivo, resultando em melhores desfechos clínicos (SILVA et al., 2012).
3.2 Detalhamento dos Componentes do FAST HUG
F (Feeding): Alimentação Adequada
No âmbito do FAST HUG, a nutrição adequada desempenha um papel central na recuperação do paciente em estado crítico, funcionando como um alicerce que impulsiona a resposta do organismo ao tratamento e fortalece sua capacidade de superar a enfermidade. A oferta nutricional, planejada de forma minuciosa e individualizada, deve considerar as necessidades metabólicas específicas de cada paciente, visando otimizar o equilíbrio nitrogenado, preservar a massa muscular e modular a resposta inflamatória. A equipe multidisciplinar, atenta às particularidades de cada caso, deve monitorar de perto a tolerância à dieta, ajustar a oferta de nutrientes e identificar precocemente qualquer sinal de intolerância ou complicação, assegurando que a nutrição seja, de fato, uma importante aliada no processo de cura (ZUMACK; SILVA, 2021).
A (Analgesia): Controle da Dor
No contexto do FAST HUG, o manejo da dor representa um componente essencial do cuidado, extrapolando a mera administração de analgésicos e buscando proporcionar alívio e bem-estar ao paciente em estado crítico. A equipe multidisciplinar deve estar atenta aos sinais de dor, sejam eles verbais ou não verbais, e implementar estratégias individualizadas para o seu controle, empregando uma combinação de abordagens farmacológicas e não farmacológicas. A analgesia adequada não apenas atenua o desconforto do paciente, mas também contribui para a redução do estresse fisiológico, otimizando as chances de recuperação e minimizando o risco de complicações associadas à dor não controlada. Nesse sentido, a avaliação e o manejo adequados da dor são de suma importância no cuidado ao paciente crítico (HERRICK et al., 2017).
S (Sedation): Sedação Apropriada
A busca pela sedação ideal reflete o tênue equilíbrio entre o alívio do sofrimento e a manutenção da capacidade funcional do paciente crítico. Tal cuidado exige sensibilidade e expertise da equipe multidisciplinar, que deve estar atenta aos sinais individuais apresentados por cada paciente, ajustando a estratégia de sedação conforme as necessidades e respostas observadas. A utilização de protocolos de sedação, o monitoramento contínuo do nível de consciência e a comunicação aberta com o paciente (sempre que possível) são ferramentas essenciais para garantir que a sedação seja, de fato, uma aliada no processo de recuperação, e não um obstáculo adicional a ser superado (DODEK et al., 2008).
T (Thromboembolic Prophylaxis): Prevenção de Trombose Venosa
Sob a ótica do FAST HUG, a profilaxia da trombose venosa configura-se como uma ação indispensável para salvaguardar o paciente crítico das severas complicações relacionadas à imobilidade e ao estado de hipercoagulabilidade. A equipe multidisciplinar deve realizar uma avaliação individualizada do risco de cada paciente e implementar estratégias de profilaxia personalizadas, que podem envolver o uso de meias de compressão elástica, dispositivos de compressão pneumática intermitente e, em determinadas situações, a administração de anticoagulantes. A profilaxia da trombose venosa não apenas minimiza o risco de eventos tromboembólicos, mas também promove a melhoria da qualidade de vida e da sobrevida do paciente (ZUMACK; SILVA, 2021).
H (Head of Bed Elevation): Elevação da Cabeceira do Leito
Considerando a importância do FAST HUG, manter a cabeceira do leito elevada é uma medida simples, mas fundamental para proteger o paciente crítico de complicações respiratórias e otimizar seu conforto. Manter a cabeceira elevada em um ângulo de pelo menos 30 graus ajuda a prevenir a pneumonia associada à ventilação mecânica, diminuindo o risco de aspiração de conteúdo gástrico e facilitando a drenagem de secreções pulmonares. Além disso, a elevação da cabeceira contribui para melhorar a oxigenação, aliviar a falta de ar e aumentar o conforto do paciente, promovendo sua interação com o ambiente e participação no processo de recuperação (SILVA et al., 2012).
U (Ulcer Prophylaxis): Prevenção de Úlceras de Estresse
A prevenção de úlceras de estresse, no contexto do protocolo FAST HUG, é essencial para proteger o sistema gastrointestinal do paciente crítico, reduzindo o risco de sangramentos e complicações que podem atrasar a recuperação. A equipe de saúde deve analisar os riscos individuais de cada paciente e aplicar medidas preventivas adequadas, como o uso de medicamentos que reduzem a produção de ácido no estômago. Essa prevenção não só diminui a chance de lesões gastrointestinais, mas também melhora o conforto do paciente e otimiza os resultados do tratamento. (ZUMACK; SILVA, 2021).
G (Glucose Control): Controle Glicêmico
No protocolo FAST HUG, o controle glicêmico é fundamental para proteger o paciente crítico das oscilações de açúcar no sangue, mantendo a glicemia em níveis seguros e otimizando o metabolismo. A equipe médica deve monitorar de perto a glicose sanguínea, ajustar a insulina conforme necessário e investigar desequilíbrios. Isso reduz riscos de infecções, falência de órgãos e outras complicações, além de melhorar a função neurológica e os resultados clínicos do paciente (VINCENT, 2005).
3.3 Benefícios da Mnemônica FAST HUG
A mnemônica FAST HUG é uma ferramenta essencial no cuidado ao paciente crítico, oferecendo uma série de benefícios significativos tanto para os pacientes quanto para a equipe de saúde. A aplicação do FAST HUG ajuda a reduzir complicações comuns em unidades de terapia intensiva (UTIs), como pneumonia associada à ventilação mecânica e úlceras de estresse, ao garantir que todos os aspectos críticos do cuidado sejam revisados diariamente. Essa abordagem sistemática é fundamental para minimizar complicações e melhorar os resultados clínicos dos pacientes (ZUMACK et al., 2021).
A implementação do FAST HUG promove uma colaboração eficaz entre os profissionais de saúde, permitindo a identificação antecipada de problemas potenciais e facilitando ações mais efetivas. A revisão diária da nutrição e da sedação garante que os pacientes recebam o apoio necessário para uma recuperação rápida e segura. Além disso, a prevenção de trombose venosa, a elevação da cabeceira do leito e o controle do nível de glicose são elementos cruciais que ajudam a minimizar complicações nas unidades de terapia intensiva (BARCELLOS; CHATKIN, 2020).
Conforme destacou Jiménez et al. (2019), a utilização da metodologia FASTHUG no atendimento de pacientes internados em UTI pode reduzir o risco de mortalidade, especialmente quando pelo menos três variáveis são rigorosamente seguidas: dieta, sedação e tromboprofilaxia.
A utilização do checklist FAST HUG está relacionada à diminuição do tempo de internação nas UTIs, o que resulta em uma redução dos custos hospitalares e melhora a eficiência dos serviços de saúde. A padronização dos 9 cuidados e a prevenção de complicações, facilitadas pelo FAST HUG, aceleram a recuperação dos pacientes, permitindo que eles sejam liberados da UTI em um período mais curto (JIMÉNEZ et al., 2019).
Uma forma de atendimento integralizado, que são essenciais ao cuidado do paciente crítico, são as equipes multidisciplinares, na qual médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos clínicos, psicólogos e outros profissionais, contribuem para os cuidados intensivos nas rodadas multidisciplinares (Rounds) a beira leito, que são realizados diariamente com verificações e metas diárias para garantir resultados positivos para o paciente (BORGES; CARUSO; NASSAR, 2021 apud LEE, et al., 2019).
Um dos principais benefícios do FAST HUG para os pacientes é a promoção da segurança, essencial em UTIs devido à complexidade dos tratamentos e à vulnerabilidade dos pacientes, que aumentam o risco de eventos adversos. A revisão diária dos medicamentos e a otimização da farmacoterapia, componentes fundamentais do FAST HUG, contribuem para prevenir erros de medicação, uma das principais causas de complicações em unidades de terapia intensiva (ZUMACK; SILVA, 2018).
O modelo FAST HUG mostrou uma capacidade notável de se adaptar a diferentes cenários clínicos, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Nesse contexto desafiador, sua implementação contribuiu significativamente para manter a qualidade dos cuidados e reduzir complicações em pacientes críticos, que frequentemente apresentavam múltiplas condições de saúde e necessitavam de suporte ventilatório prolongado. A integração de cuidados específicos, como a prevenção de úlceras de estresse e o controle rigoroso do nível de glicose no sangue, tornou-se crucial para minimizar os riscos metabólicos e gastrointestinais, que eram agravados pela gravidade da doença e pelo uso de medicamentos como corticosteroides (BELFORT FILHO; GOMES; AZEVEDO, 2023).
A aplicação do FAST HUG em UTIs também tem um impacto significativo na carga de trabalho da enfermagem, um aspecto crucial para a eficiência e qualidade do cuidado. A frequência de visitas multidisciplinares é um fator importante na gestão da carga de trabalho, e a utilização do FAST HUG pode ajudar a otimizar essas visitas, melhorando assim a eficiência dos cuidados. Ao padronizar os cuidados e fornecer um checklist claro e conciso, o FAST HUG permite que a equipe de enfermagem organize suas tarefas de forma 10 mais eficiente, priorizando os cuidados essenciais e evitando a duplicação de esforços (BORGES; CARUSO; NASSAR, 2021).
A adoção de protocolos padronizados nas UTIs desempenha um papel fundamental na promoção de uma cultura de segurança e melhoria contínua. Ao assegurar que todos os cuidados críticos sejam avaliados diariamente, esses protocolos fomentam a adesão às práticas clínicas baseadas em evidências e minimizam a variabilidade no atendimento. Essa abordagem não apenas aprimora os resultados clínicos, mas também reforça a confiança entre os membros da equipe de saúde, criando um ambiente colaborativo e focado na excelência no cuidado ao paciente crítico (VINCENT, 2005).
O FAST HUG se revela indispensável na qualificação de profissionais da saúde, oferecendo uma abordagem didática que simplifica o aprendizado e a execução de rotinas intensivistas. Sua metodologia acessível facilita especialmente a adaptação de residentes e recém-chegados às demandas das UTIs. Como ferramenta educativa, potencializa tanto a excelência no atendimento quanto o crescimento contínuo das equipes multiprofissionais. Seu formato sistemático garante a aplicação consistente de cuidados fundamentais, desde controle glicêmico até prevenção de infecções. Ao funcionar como um guia prático, promove a padronização de condutas e reduz inconsistências no tratamento. A técnica ainda fortalece a integração entre diferentes especialidades, otimizando a tomada de decisões (ZUMACK; SILVA, 2021).
3.4 Desafios da Mnemônica FAST HUG
Apesar de ser amplamente reconhecida como uma ferramenta valiosa no cuidado intensivo, a aplicação prática do FAST HUG enfrenta diversos obstáculos que comprometem sua eficácia. Pesquisas recentes demonstram que, embora conceitualmente simples, existe uma significativa variação no conhecimento e na aplicação deste mnemônico entre os diferentes profissionais de saúde. Muitos clínicos não utilizam todos os componentes do método de forma sistemática, o que pode resultar na omissão de aspectos cruciais do cuidado ao paciente crítico (ACOSTA; VELASCO, 2024).
Um estudo abrangente realizado com profissionais atuantes em unidades de terapia intensiva revelou dados alarmantes: apenas 52% dos entrevistados afirmaram conhecer integralmente o checklist do FAST HUG, enquanto 48% demonstraram desconhecer sua estrutura completa ou a importância de cada um de seus componentes (ZUMACK; SILVA, 2021).
A elevada demanda e a natureza intensa do trabalho em UTIs constituem outro desafio significativo para a implementação consistente do FAST HUG. A rotina exaustiva, combinada com a frequente escassez de recursos humanos e materiais, muitas vezes impede a revisão sistemática de todos os pontos da mnemônica. Durante situações de crise sanitária, como observado na pandemia de COVID-19, essas dificuldades se intensificam consideravelmente, levando as equipes a priorizarem o atendimento de emergências em detrimento da aplicação rigorosa de checklists (ACOSTA; VELASCO, 2024).
A resistência natural às mudanças em ambientes de saúde altamente especializados representa mais uma barreira substancial para a adoção plena do método. Em unidades com rotinas já bem estabelecidas e consolidadas ao longo dos anos, a implementação de novos protocolos frequentemente esbarra na relutância de parte significativa da equipe multiprofissional. Essa resistência se torna particularmente pronunciada quando não existem mecanismos institucionais de incentivo ou quando faltam processos estruturados de avaliação contínua dos resultados obtidos com a nova prática (PRONOVOST et al., 2006).
As diversas variações e adaptações do FAST HUG – como as versões modificadas para pacientes pós-operatórios (FAST HUGS BID) ou específicas para COVID-19 – introduzem uma complexidade adicional à sua implementação. Embora essas adaptações tenham sido desenvolvidas com o nobre objetivo de atender a necessidades clínicas específicas, elas podem inadvertidamente gerar confusão entre os profissionais de saúde e fragmentar a tão necessária padronização dos cuidados intensivos (NAIR; NAIK; RAYANI, 2017).
Por fim, a intrínseca heterogeneidade dos pacientes críticos internados em UTIs apresenta um desafio fundamental para a aplicação rígida do FAST HUG. Cada caso clínico apresenta particularidades e complexidades únicas que frequentemente exigem abordagens individualizadas e flexíveis. Essa realidade pode entrar em conflito direto com a natureza padronizada de um checklist fixo, criando dilemas éticos e clínicos sobre quando seguir estritamente o protocolo e quando adaptar-se às necessidades específicas de cada paciente (VINCENT, 2005).
4 CONCLUSÃO
Tratar a implementação da mnemônica FAST HUG no cuidado ao paciente crítico é fundamental, devido ser um dos temas mais discutidos na medicina intensiva nas últimas décadas, este tema vem sendo abordado no contexto clínico, embasado em experiências isoladas ou na maioria das vezes, sendo debatido apenas em congressos e algumas pesquisas científicas. No atual contexto, está inserido em uma proposta de intervenção fomentada por diretrizes clínicas em vigor tanto em nível internacional, quanto nacional e local.
Destaca-se que o uso da mnemônica FAST HUG está inserido no contexto das unidades de terapia intensiva (UTIs) em níveis diferenciados de cuidado crítico: desde a prevenção de complicações até a otimização do tratamento intensivo. Como questão problema, verifica-se que os pacientes críticos possuem necessidades individualizadas e diferenciadas, que exigem uma abordagem personalizada. Portanto, é necessário que os profissionais de saúde utilizem práticas clínicas padronizadas e métodos de cuidado específicos para esses pacientes.
Para que a implementação do FAST HUG seja eficaz, é necessária uma reestruturação das rotinas de cuidado, pois a padronização dos cuidados é desafiadora para os profissionais de saúde, que devem continuamente promover a colaboração e fomentar a segurança do paciente.
É importante destacar que o processo de cuidado não pode se classificar apenas como uma mera aplicação de protocolos, mas sim, considerando-se uma transição entre os paradigmas diferenciados do cuidado crítico. Dessa forma, a estrutura hospitalar precisa preparar seus profissionais, não apenas embasados em modelos padronizados, mas sim, comprometidos com a promoção da segurança e eficácia do cuidado para todos os pacientes críticos.
REFERÊNCIAS
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1Enfermeira Especialista em Ginecologista e Obstetrícia – FACIMED
2Enfermeira Especialista em Terapia Intensiva, UVA-CE; Docência do Ensino Superior, FAK-CE; Saúde da Família, UVA-CE; Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente, I. Sírio Libanês-SP, Mestre em Terapia Intensiva-IBRATI-SP; Docente da UNIFAMEC, CRATO – CE. Docente do Centro de Ensino em Saúde – SP.
