THE INTERVENTION OF PHYSIOTHERAPY IN THE TREATMENT OF AUTISTIC SPECTRUM DISORDER: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202512050629
Aline Beatriz Caripunas Pereira1
Carla Adriane Cruz Da Silva1
Gabriele Barbosa Gonçalves1
Maria Vitoria Do Nascimento Botão1
Yasmim Beatriz Campos Rotterdan1
Orientador(a): Wellinton da Silva e Silva2
Resumo
Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits na comunicação social, comportamentos repetitivos e alterações motoras que comprometem a autonomia e a funcionalidade. A fisioterapia, por meio de abordagens centradas no movimento e na integração sensorial, tem se mostrado essencial no tratamento interdisciplinar do TEA, favorecendo o desenvolvimento motor e social. Objetivo: Analisar, por meio de uma revisão de literatura, as principais evidências científicas sobre a atuação da fisioterapia no desenvolvimento motor e funcional de indivíduos com TEA, destacando sua relevância no processo terapêutico e de inclusão. Materiais e método: Estudo qualitativo, de natureza exploratória e descritiva, baseado em revisão bibliográfica nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Google Acadêmico, com publicações de 2014 a 2024. Incluíram-se pesquisas que abordavam intervenções fisioterapêuticas aplicadas a indivíduos com TEA. Resultados: Dos 284 estudos inicialmente encontrados, apenas 8 atenderam aos critérios de inclusão. As evidências demonstram que programas fisioterapêuticos estruturados, como exercícios funcionais, hidroterapia e integração sensorial, promovem melhora na coordenação, equilíbrio,marcha e autonomia funcional, favorecendo a participação social. Conclusão: Conclui-se que a fisioterapia exerce papel fundamental no tratamento do TEA, contribuindo para a funcionalidade, independência e inclusão social. Intervenções precoces e contínuas geram melhores resultados, embora ainda sejam necessários estudos mais robustos e padronizados que comprovem a eficácia a longo prazo das abordagens fisioterapêuticas.
Palavras-chave: “Fisioterapia”. “Transtorno do Espectro Autista”. “Desenvolvimento motor”. “Intervenção precoce”. “Integração sensorial”.
Abstract
Background: Autism Spectrum Disorder (ASD) is a neurodevelopmental condition characterized by deficits in social communication, repetitive behaviors, and motor alterations that compromise autonomy and functionality. Physical therapy, through movement-centered and sensory integration approaches, has proven essential in the interdisciplinary treatment ofASD, promoting motor and social development. Pourpose: To analyze, through a literature review, the main scientific evidence on the role of physiotherapy in the motor and functional development of individuals with ASD, highlighting its relevance in the therapeutic and inclusion process. Methods: Qualitative study of an exploratory and descriptive nature, based on a literature review in the SciELO, LILACS, PubMed, and Google Scholar databases, with publications from 2014 to 2024. Research that addressed physiotherapeutic interventions applied to individuals with ASD was included. Results: Of the 284 studies initially found, only 8 met the inclusion criteria. The evidence shows that structured physiotherapy programs,such as functional exercises, hydrotherapy, and sensory integration, promote improvement in coordination, balance, gait, and functional autonomy, supporting social participation. Conclusion: It is concluded that physiotherapy plays a fundamental role in the treatment of ASD, contributing to functionality, independence, and social inclusion. Early and continuous interventions yield better results, although more robust and standardized studies are still needed to demonstrate the long-term effectiveness of physiotherapeutic approaches.
Keywords: “Physical therapy.” “Autism Spectrum Disorder.” “Motor development.” “Early intervention.” “Sensory integration.
1 INTRODUÇÃO
A fisioterapia é uma ciência da área da saúde que visa à promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de distúrbios que afetam o movimento humano, sendo fundamentada no conhecimento anatômico, fisiológico, neurológico e biomecânico. O fisioterapeuta atua de forma individualizada e sistêmica, com foco na funcionalidade e na qualidade de vida do paciente, intervindo em diversas condições clínicas que limitam o desempenho físico, seja em decorrência de traumas, doenças crônicas, distúrbios neurológicos, entre outros (Oliveira et al., 2019). Nos últimos anos, a fisioterapia tem ampliado sua área de atuação, incorporando novas abordagens centradas no sujeito e nas atividades do cotidiano, considerando aspectos psicossociais e contextuais que influenciam a funcionalidade (Macedo et al., 2021).
Além disso, a fisioterapia neurológica, uma das especialidades da área, destaca-se no tratamento de alterações do sistema nervoso central e periférico, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento motor de crianças com comprometimentos neurológicos. A intervenção precoce, baseada na neuroplasticidade, é essencial para estimular as vias motoras e sensoriais ainda em formação, favorecendo a aquisição de habilidades motoras e promovendo autonomia e independência funcional (Silva & Cunha, 2020).
Paralelamente, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits persistentes na comunicação social, comportamentos repetitivos e interesses restritos, geralmente identificados nos primeiros anos de vida (American Psychiatric Association, 2014).Trata-se de um espectro, ou seja, há uma ampla variação nas manifestações clínicas, que podem incluir desde dificuldades leves até comprometimentos severos que afetam significativamente a vida do indivíduo e de sua família.Além das alterações cognitivas e comportamentais, indivíduos com TEA frequentemente apresentam desafios motores, tais como atraso no desenvolvimento psicomotor, dificuldades de equilíbrio,marcha, coordenação motora e regulação sensorial (Bhat et al., 2011).
Estudos recentes apontam que essas alterações motoras não são secundárias, mas parte integrante do transtorno, podendo inclusive se manifestar antes dos sinais sociais mais evidentes. Segundo Fournier et al. (2010), há evidências de déficits motores precoces em crianças com autismo, o que reforça a importância da avaliação e da intervenção interdisciplinar desde os primeiros anos de vida. Além disso, essas dificuldades motoras podem impactar negativamente a participação da criança em atividades sociais, escolares e recreativas, comprometendo sua autonomia e qualidade de vida.
Diante desse cenário, a atuação da fisioterapia no autismo torna-se indispensável. O fisioterapeuta, ao identificar alterações no desenvolvimento motor, no tônus muscular, na postura, na coordenação e na integração sensorial, pode elaborar planos terapêuticos específicos, com metas funcionais e adaptadas ao nível de desenvolvimento e às necessidades da criança (Neves et al., 2018).
Apesar dos avanços nas áreas da saúde e da educação, ainda é comum que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) seja compreendido predominantemente sob a ótica comportamental e comunicacional, o que muitas vezes leva à negligência das alterações motoras e sensoriais presentes nesses indivíduos. Estudos indicam que crianças com TEA frequentemente apresentam déficits motores significativos, como dificuldades na coordenação, equilíbrio, controle postural e integração sensorial, os quais impactam diretamente sua funcionalidade e participação social (Bhat et al., 2011).
Diante disso, surge a seguinte problemática, como a fisioterapia pode contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento motor, funcional e social de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista, considerando suas necessidades específicas e a complexidade do espectro? Essa questão demanda reflexão sobre a importância da abordagem precoce, personalizada e baseada em evidências, além da valorização do fisioterapeuta no contexto do cuidado integral à pessoa com autismo.
O Transtorno do EspectroAutista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta, de maneira heterogênea, a comunicação, o comportamento e a interação social dos indivíduos.Além dessas alterações, diversas pesquisas vêm evidenciando que pessoas com TEA também apresentam déficits motores e sensoriais que impactam negativamente seu desenvolvimento global e sua autonomia funcional (Fournier et al., 2010; Bhat et al., 2011).
O objetivo deste estudo é investigar as principais alterações motoras e sensoriais presentes em pessoas com TEA e analisar sobre a importância da atuação interdisciplinar no atendimento à pessoa com autismo, com ênfase na integração da fisioterapia.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa possui abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, sendo desenvolvida por meio de um estudo bibliográfico. A escolha desse delineamento visou aprofundar a compreensão sobre a atuação fisioterapêutica no Transtorno do Espectro Autista (TEA), a partir da análise de produções científicas disponíveis em bases de dados especializadas.
A coleta de dados foi realizada entre agosto e novembro de 2025 nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Google Acadêmico, utilizando os descritores: “TEA”, “Fisioterapia” (Physical Therapy), “Desenvolvimento Motor” (Motor Development), “Intervenção Precoce” (Early Intervention) e “Integração Sensorial” (Sensory Integration), associados por operadores booleanos (AND, OR).
Foram definidos como critérios de inclusão: artigos, dissertações e teses publicados entre 2014 e 2024, disponíveis em português, inglês ou espanhol, com acesso gratuito e que abordassem a atuação da fisioterapia no atendimento a indivíduos com TEA. Excluíram-se publicações duplicadas, conteúdos opinativos sem respaldo científico, estudos com acesso restrito ou que não tratassem especificamente da fisioterapia no contexto do autismo.
A análise dos dados será conduzida por meio de leitura crítica e interpretativa, buscando identificar abordagens fisioterapêuticas, benefícios atribuídos às intervenções e contribuições para funcionalidade, autonomia e qualidade de vida de pessoas com TEA. Os resultados serão organizados sistematicamente para subsidiar a discussão e contribuir para a produção de conhecimento científico na área.
3 RESULTADOS
A busca inicial nas bases de dados resultou em 284 registros científicos, sendo 75 artigos na PubMed, 19 na SciELO, 23 na LILACS e 167 no Google Acadêmico. Inicialmente,foram excluídos 36 estudos duplicados, totalizando 248 artigos para triagem por título e resumo.
Nessa etapa, 167 estudos foram excluídos, por não abordarem diretamente o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou por tratarem de outras condições neurológicas. Em seguida, 38 estudos foram excluídos por não apresentarem a atuação ou intervenção da fisioterapia, incluindo pesquisas exclusivamente com fonoaudiologia, psicologia ou educação especial. Ainda, 18 artigos foram excluídos por não atenderem ao período definido (2014-2024) ou por estarem redigidos em idiomas não aceitos (francês, alemão ou italiano).
Permaneceram para leitura na íntegra 20 estudos potencialmente elegíveis. Após leitura completa dos textos, 12 estudos foram excluídos, sendo: 6 por não apresentarem intervenção motora estruturada, 3 por se tratarem de revisões narrativas com baixa consistência metodológica, e 3 por ausência de evidências relacionadas à evolução funcional ou desenvolvimento motor de indivíduos com TEA, como mostra a figura 1.
Assim, 8 estudos atenderam integralmente aos critérios de inclusão, compondo a síntese final desta revisão, conforme detalhado na Tabela 1.
Figura 1- Fluxograma do estudo



Tabela 1- Síntese dos artigos selecionados.
A busca resultou na seleção de 10 estudos que atenderam integralmente aos critérios de inclusão, todos com delineamentos empíricos e relacionados à intervenção fisioterapêutica ou motora em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os estudos contemplam abordagens experimentais, quase-experimentais, séries de casos, avaliações biomecânicas e pesquisas qualitativas, oferecendo diversidade metodológica e complementaridade na análise.
Draudvilienė et al. (2024) demonstraram que programas de intervenção motora estruturada aplicados durante cinco semanas promovem melhora expressiva em equilíbrio, coordenação e controle postural, reforçando que protocolos terapêuticos sistematizados podem gerar impactos significativos mesmo em curto prazo. Resultados semelhantes são observados no estudo clínico de Wu et al. (2024), no qual exercícios supervisionados dentro do modelo Physical Exercise Therapy (PET) melhoraram força, equilíbrio, velocidade de marcha e desempenho funcional.
A intervenção precoce também mostrou resultados promissores. Dos Santos et al. (2022), em uma série de casos, evidenciaram redução da dependência funcional e progressão consistente das habilidades motoras após programas de estimulação sistemática. Dados observacionais reforçam essa tendência: Holloway et al. (2021) identificaram que déficits motores estão diretamente associados à menor participação social, sugerindo que intervenções fisioterapêuticas podem influenciar positivamente aspectos sociais e funcionais.
No campo da análise qualitativa, Cynthia et al. (2019) destacam a atuação do fisioterapeuta como fundamental na orientação familiar e na adaptação de atividades, ampliando engajamento e funcionalidade. Outros estudos de campo também reforçam benefícios específicos.Lopez et al. (2020), em ensaio quase-experimental, demonstraram melhora significativa do equilíbrio dinâmico após treino em plataforma instável. Martins et al. (2019) observaram que a hidroterapia, aplicada durante oito semanas, potencializou coordenação, tônus muscular e participação lúdica em crianças com TEA.
Intervenções relacionadas à integração sensorial também apresentam evidências relevantes. Kaur et al. (2018), em relato de caso estruturado, descrevem ganhos em coordenação motora, atenção conjunta e interação social. Fernandes et al. (2021), por sua vez, mostraram que o treino funcional motor resultou em melhora significativa na marcha e no equilíbrio, mesmo sem randomização dos grupos. Complementarmente, a análise biomecânica de Kim et al. (2017) identificou padrões anormais de marcha em crianças com TEA, fortalecendo a justificativa clínica para intervenções fisioterapêuticas voltadas ao alinhamento postural e controle motor.
Em conjunto, os 10 estudos demonstram evidências consistentes de que diferentes modalidades fisioterapêuticas contribuem para avanços motores, funcionais e comportamentais em indivíduos com TEA.
4 DISCUSSÃO
A análise dos dez estudos selecionados evidencia que a fisioterapia desempenha um papel central na promoção do desenvolvimento motor e funcional de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), corroborando achados clássicos da literatura que apontam que déficits motores compõem parte intrínseca do transtorno (Fournier et al., 2010; Bhat et al., 2011). Os estudos analisados reforçam que tais déficits não são apenas secundários, mas se relacionam diretamente com o funcionamento global, a autonomia e a participação social desses indivíduos.
Draudvilienė et al. (2024), ao conduzirem um ensaio clínico experimental, confirmam que intervenções motoras estruturadas durante apenas cinco semanas já são capazes de produzir mudanças significativas em equilíbrio e coordenação, sugerindo que protocolos fisioterapêuticos intensivos e organizados apresentam elevada responsividade. Os autores afirmam que mesmo períodos curtos de intervenção demonstram capacidade de induzir ganhos sensoriais e motores significativos em crianças com TEA (DRAUDVILIENĖ et al., 2024, p. 4), o que reforça a relevância da frequência e da sistematização das práticas terapêuticas.
Esse achado dialoga diretamente com Wu et al. (2024), que analisaram os efeitos da Physical Exercise Therapy (PET). Embora o estudo de Wu seja um ensaio clínico complexo, seus resultados individuais mostram que a terapia por exercícios supervisionados é capaz de promover aumento na força muscular, melhora na coordenação e avanços em habilidades funcionais. Os autores destacam que os exercícios físicos induzem adaptações motoras consistentes em domínios fundamentais do movimento humano (WU et al., 2024, p. 7), ressaltando o potencial da prática baseada em exercícios funcionais.
A importância da precocidade também foi evidenciada pela série de casos conduzida por dos Santos et al. (2022), que identificaram redução da dependência funcional e ganho significativo na autonomia após intervenção direcionada. Os autores enfatizam que a intervenção fisioterapêutica precoce potencializa mecanismos de neuroplasticidade e acelera o desenvolvimento motor (DOS SANTOS et al., 2022, p. 3), o que converge com discussões consolidadas sobre neurodesenvolvimento infantil (Silva & Cunha, 2020).
Outro estudo que oferece contribuição importante é o de Holloway et al. (2021). Os autores, em um estudo observacional de grande relevância, identificaram relação direta entre desempenho motor e participação social. Eles argumentam que déficits motores severos reduzem a capacidade de engajamento em contextos sociais e escolares (HOLLOWAY et al., 2021, p. 9). Essa relação é especialmente importante, pois evidencia que a fisioterapia não atua apenas no domínio motor, mas influencia comportamentos adaptativos, autonomia e inclusão social.
No campo qualitativo, Cynthia et al. (2019) destacam a atuação multifacetada do fisioterapeuta, especialmente em relação à orientação familiar e adaptação funcional. Os autores afirmam: o fisioterapeuta é peça-chave para a construção de ambientes funcionais que facilitam a participação da criança com TEA (CYNTHIA et al., 2019, p. 5). A pesquisa qualitativa complementa os dados quantitativos, pois amplia a compreensão do papel clínico e educativo da fisioterapia no espectro autista.
Entre intervenções específicas, Lopez et al. (2020) demonstraram que o treino em plataformas instáveis melhora o equilíbrio dinâmico. O estudo mostra que estratégias baseadas no desafio postural, quando bem-estruturadas, podem resultar em adaptações motoras rápidas, o que reforça a eficácia de práticas sensório-motoras combinadas.
Martins et al. (2019), ao avaliarem a hidroterapia, também concluíram que há melhoras em tônus, coordenação e participação lúdica, indicando benefícios tanto motores quanto comportamentais. A hidroterapia, segundo os autores, possibilita um ambiente motivador, seguro e multissensorial (MARTINS et al., 2019, p. 6), facilitando o engajamento e reduzindo comportamentos de evitação.
Além disso, a integração sensorial, investigada por Kaur et al. (2018), também demonstrou impacto direto na coordenação motora, atenção conjunta e interação social. Os autores reforçam que a integração sensorial oferece estímulos essenciais para a organização do sistema motor e comportamental (KAUR et al., 2018, p. 2).
Fernandes et al. (2021), em um ensaio clínico não randomizado, evidenciaram que o treino funcional motor é capaz de promover melhora significativa da marcha e do equilíbrio,mesmo em protocolos de curta duração. Esses achados reforçam a importância de abordagens focadas no movimento funcional e no treino motor direcionado.
Por fim, Kim et al. (2017), ao analisarem padrões de marcha de crianças com TEA, identificaram alterações biomecânicas relevantes, incluindo maior variabilidade no passo e déficits no controle postural. O estudo afirma que tais padrões justificam a necessidade de intervenções fisioterapêuticas específicas para correção e compensação de padrões anormais (KIM et al., 2017, p. 4).
Dessa forma, fica evidente que a fisioterapia não apenas melhora o desempenho motor, mas influencia autonomia, comportamento adaptativo e inclusão social, integrando-se como eixo fundamental no cuidado interdisciplinar do TEA.
5 CONCLUSÃO
A análise dos 10 estudos selecionados demonstra que a fisioterapia exerce papel fundamental no desenvolvimento motor, funcional e social de indivíduos com TEA. Intervenções estruturadas, como exercícios funcionais, treinamento de equilíbrio, hidroterapia, integração sensorial e programas motores orientados, apresentaram resultados consistentes na melhora da coordenação, equilíbrio, marcha, atenção conjunta e autonomia funcional (Draudvilienė et al., 2024; Wu et al., 2024; Martins et al., 2019; Kaur et al., 2018).
Os achados revelam que intervenções precoces são especialmente eficazes, uma vez que aproveitam períodos críticos de neuroplasticidade e favorecem maior independência e participação, como evidenciado por dos Santos et al. (2022). A relação direta entre déficits motores e menor participação social, demonstrada por Holloway et al. (2021), reforça que ganhos motores obtidos com a fisioterapia extrapolam a dimensão física, influenciando qualidade de vida e inclusão.
Apesar dos avanços, persistem limitações metodológicas na literatura, como amostras pequenas, heterogeneidade de protocolos e ausência de estudos longitudinais. Dessa forma, futuros estudos devem investir em ensaios clínicos randomizados e protocolos padronizados, capazes de avaliar efeitos prolongados das intervenções fisioterapêuticas.
Conclui-se que a fisioterapia é uma ferramenta indispensável no cuidado interdisciplinar ao indivíduo com TEA, contribuindo não apenas para o desenvolvimento motor, mas para autonomia, funcionalidade, comportamento e participação social. O investimento em práticas baseadas em evidências e na formação de profissionais capacitados é essencial para garantir intervenções eficazes e adaptadas às necessidades individuais.
REFERÊNCIAS
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1Graduando (a) do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal (UNIPLAN);
2Graduado em fisioterapia pelo Centro Universitário do Norte (UNINORTE)
