REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202601081340
Paola Vitória Pereira Henrique
Samanda da Silva Lopes
Tainara Aparecida dos Santos Cortez
Orientadora: Profa. Me. Ranna Iara de Pinho Chaves Almeida
RESUMO
Este trabalho analisou a relevância do apoio dos responsáveis no processo de aprendizagem das crianças, evidenciando como a participação ativa da família influencia o desempenho acadêmico, o desenvolvimento emocional e a construção de hábitos de estudo. A pesquisa, realizada com professores e pais da Escola Municipal Professor Alberto de Moraes Holanda e do Povoado da Ponte Quinca Mariano, mostrou que o envolvimento familiar contribui para a motivação, a dedicação e a autonomia dos estudantes, além de favorecer a aprendizagem dos conteúdos escolares. Os responsáveis demonstraram diferentes formas de atuação, como acompanhamento direto das tarefas ou busca de apoio externo, destacando que a presença, o diálogo e o afeto são fatores essenciais para o desenvolvimento integral dos filhos. Os professores, por sua vez, reconheceram que alunos com maior apoio familiar apresentam mais segurança, interesse e facilidade na aprendizagem, e enfatizaram que estratégias como reuniões escolares e momentos de acolhimento fortalecem a comunicação entre escola e família, consolidando a parceria necessária para a educação. Apesar de desafios como a falta de comunicação efetiva e o reconhecimento das opiniões dos pais, os resultados reforçam que o envolvimento constante da família, aliado ao papel mediador da escola, é fundamental para uma educação significativa e transformadora, na qual o aprendizado e o desenvolvimento emocional das crianças são potencializados.
Palavras-chave: Apoio dos familiares. Participação ativa. Cotidiano Escolar. Legislação.
ABSTRACT
This study examined the relevance of parental support in the children’s learning process, highlighting how active family participation influences academic performance, emotional development, and the formation of study habits. The research, conducted with teachers and parents from the municipal school “Professor Alberto de Moraes Holanda” and from the community of “Povoado da Ponte Quinca Mariano”, showed that family engagement contributes to students’ motivation, dedication, and autonomy, while also supporting the assimilation of school subjects. Parents demonstrated different forms of participation, such as directly supervising school tasks or seeking external help, emphasizing that presence, dialogue, and affection are essential factors for children’s overall development. Teachers, in turn, noted that students who receive greater family support tend to show more confidence, interest, and ease in learning. They also highlighted that strategies such as school meetings and welcoming activities strengthen communication between school and family, reinforcing the partnership needed for effective education. Although challenges such as limited communication and the need for greater recognition of parents’ perspectives still exist, the findings confirm that ongoing family engagement, combined with the school’s mediating role, is fundamental for meaningful and transformative education, in which children’s learning and emotional development are enhanced.
Keywords: Family support. Active participation. School life. Legislation.
O auxílio dos familiares responsáveis tem grandes impactos quando o assunto é a importância do apoio no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. A participação ativa da família tem sido um fator determinante no histórico de sucessos ou fracassos escolares. Para promover o desenvolvimento integral da formação de um indivíduo, a família deve se envolver e manter uma interação contínua com as atividades socioeducativas. (Ribeiro, 2023, p. 1). Estudos mostram que a participação dos pais tem amplos significados no desenvolvimento e na vida escolar de seus filhos, e o acompanhamento diário dos responsáveis traz maiores motivações e hábitos na vida acadêmica das crianças.
Todavia, muitas crianças ainda enfrentam problemas em absorver as matérias aplicadas em sala de aula por carência de um apoio cotidiano dos responsáveis. Seja por fatores socioeconômicos ou falta de tempo, na maior parte dos casos, os familiares desconhecem seus direitos previstos nas leis trabalhistas, o que contribui para a ausência no acompanhamento escolar dos filhos. Um exemplo é o desconhecimento da Lei nº 2322/15, de autoria do deputado Ricardo Izar (PSD-SP), que altera o artigo 473 do Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, que institui a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Essa lei garante aos responsáveis legais o direito de se ausentar do trabalho por até oito horas por semestre para participar do acompanhamento pedagógico de seus filhos ou dependentes legais nas instituições de ensino. Esse direito é válido mediante apresentação de declaração de comparecimento emitida pela escola vinculada ao Ministério da Educação.
A falta de conhecimento sobre leis como esta, minimiza maior participação dos pais na vida escolar dos alunos.Os docentes vêm enfrentando grandes dificuldades na aprendizagem em razão da ausência de motivação. Tal problema poderia ser amenizado se houvesse esse acolhimento dos responsáveis com os alunos diariamente em casa, isso traria grandes motivações e consequentemente melhores resultados na aprendizagem. “Muitos pais se queixam de terem que trabalhar, que saem cedo e só chegam à noite em casa e que não encontram tempo de ir à escola saber como os seus filhos estão” (Silva; Ribeiro, 2017 p. 16).
Segundo Canedo (2018, p. 85) a responsabilidade pela educação de crianças e jovens é compartilhada entre a família e a escola. A autora retrata a importância da participação da família no contexto escolar, destacando que ambas as partes têm um papel crucial no desenvolvimento das crianças e que se faz necessário o acompanhamento diário do processo de desenvolvimento escolar do filho, não apenas deixando a responsabilidade do ensino no âmbito escolar, mas também no âmbito familiar.
Atualmente em nosso meio social podemos observar a diferença no desenvolvimento de crianças e adolescentes que são acompanhados de forma atenta pelos pais e os que não tem nenhum tipo de apoio de algum familiar. Os responsáveis, muitas vezes em razão da negligência ou da carência de condições financeiras, não se dedicam adequadamente ao processo educativo da criança, encaminhando-a à creche ou à escola sem que ela tenha recebido os cuidados básicos que deveriam ser providos no ambiente familiar, como alimentação e higiene pessoal.
A participação dos responsáveis no processo de ensino não se limita apenas ao apoio físico, mas também ao emocional, no qual as crianças possam ter com quem contar e se inspirar. O incentivo é muito importante para que elas se sintam acolhidas e tenham uma perspectiva de futuro voltada para a educação. Os pais, de maneira geral, influenciam muito seus filhos seja de forma negativa ou positiva e, no contexto educacional não é diferente.
Uma apreciação preliminar do desempenho dos educandos, a partir duma observação espontânea, não só do aproveitamento como também do comportamento, revelou que alguns alunos que apresentavam bom desempenho escolar beneficiavam do apoio dos respectivos pais ou encarregados de educação, apoio este, que não parecem ter os alunos que apresentavam fraco desempenho (Cossa, 2013, p.1).
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) estabelecida pela lei nº 9.394/1996, a família e a escola devem estar interligadas no processo educativo para que as crianças tenham uma aprendizagem significativa, pois a educação é um dever do Estado e da família, a colaboração de ambas as partes têm grande importância para que as crianças consigam aprender de forma eficaz.
Em seu artigo 206, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) 9.394/1996 afirma alguns princípios que orientam a educação no Brasil, como a igualdade de condições financeiras para que todos os indivíduos tenham acesso e permanência na escola, e liberdade de direitos. Para isso a família deve garantir que a criança respeite as diversidades sociais e culturais em nosso meio plural, promovendo uma criação respeitosa e voltada para a vivência em sociedade.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no artigo 4º da (Lei nº 8.069/90) garante que o papel dos familiares responsáveis é assegurar as crianças o direito a educação de qualidade, a saúde, o lazer e a convivência familiar e comunitária. No artigo 12, inciso II a LDB destaca que a gestão escolar deve ser feita com a participação dos pais e responsáveis na tomada de decisões sobre a organização educacional, através de conselhos escolares ou reuniões, visando o desempenho integral dos alunos.
A família em conjunto com a escola reforça o compromisso com a educação, preparando as crianças para os desafios que vão enfrentar durante suas vidas dentro ou fora do contexto educacional. Reconhecer a importância do apoio dos familiares responsáveis é fundamental para que sejam criadas estratégias que buscam aperfeiçoar a junção entre família e escola, resultando no sucesso educacional. A desconexão entre pais e filhos está cada vez mais presente em nosso corpo social, ao longo dos anos a comunicação está cada vez mais restrita, no qual muitas vezes os pais colocam as crianças para assistir vídeos no celular em busca de “sossego”, visto que estão esgotados da rotina cansativa e na maioria das vezes recebem apenas um salário-mínimo que não supre as necessidades básicas da família gerando frustração e cansaço físico e mental, desconectando ainda mais os pais e filhos.
A escola e a família são instituições sociais que desenvolvem, em funções diferentes, o processo de ensino, são de grande importância para o desenvolvimento do indivíduo. A parceria entre ambas contribui para a ocorrência de uma construção significativa do saber, consequentemente, para o desenvolvimento de pessoas críticas e reflexivas capazes de entender e contribuir para uma sociedade melhor (De Melo Nascimento, 2021, p.21).
Karl Marx em seu livro O capital (1867) critica a exploração trabalhista que é extremamente excedente no meio atual. As pessoas têm escalas de trabalho extenuantes e recebem muito pouco para ter uma condição digna de vida, isso influencia de forma significativa no contexto escolar. Os pais têm que cumprir suas horas de trabalho e ao chegar em casa estão cansados e não têm disposição para ajudar os filhos nas tarefas de casa por exemplo, desagregando a família da escola e dificultando o aprendizado dos educandos.
Para Max Weber a estrutura econômica da nossa sociedade capitalista é fortemente impactada pelas relações de poder. Em sua obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1905) Weber afirma o quanto o nosso sistema trabalhista é desumano e busca sempre aumentar a desigualdade social, já que a riqueza tende a se concentrar nas mãos de uma pequena elite, alavancando ainda mais a precariedade de determinadas famílias e dificultando a inserção dos indivíduos no mercado de trabalho ou até mesmo que as pessoas consigam iniciar um curso superior.
O apoio dos responsáveis familiares é essencial no desenvolvimento escolar dos alunos, no entanto no contexto de desigualdade social em que vivemos esse apoio é impactado por fatores socias, econômicos e culturais. O tempo de qualidade para que os pais acompanhem os filhos é cada vez mais escasso e o apoio emocional também é deixado de lado por diversos outros afazeres que os responsáveis têm que concluir durante o cotidiano.
A desigualdade torna o processo educativo ainda mais difícil para crianças que estão à margem da sociedade e a falta de oportunidade, constantemente, cria barreiras para que o indivíduo consiga sair de sua realidade e buscar novos meios de vida. Paulo Freire (1987) menciona que a educação, quando desvinculada de um compromisso com a independência dos oprimidos, tende a reforçar a exclusão social, ao invés de combatê-la. Para ele, apenas uma prática pedagógica crítica e libertadora pode permitir que os sujeitos compreendam sua condição e atuem na transformação do mundo em que vivem.
De acordo com a Constituição Federal de 1988 no artigo 205, a educação é direito de todos de forma igualitária, os cidadãos brasileiros devem reivindicar esses direitos. Independente de condições financeiras todos devem ter as mesmas oportunidades de crescimento acadêmico e pessoal, e o papel da escola é intermediar esse processo em conjunto com a família para que as crianças sejam educadas da mesma maneira se tornando pessoas críticas e atuantes na sociedade.
O problema a ser observado é a ausência de apoio efetivo dos familiares responsáveis no processo de ensino e aprendizagem, razão que compromete significativamente o desenvolvimento escolar das crianças. Essa ausência não se limita à presença física: mas também o apoio emocional, o estímulo à curiosidade, a criação de rotinas e a valorização da educação no ambiente familiar.
A família influencia completamente na vida educacional e de aprendizagem dos filhos. Já que é na família onde tudo começa, as mesmas se apresentarão como espelhos para seus filhos. Os desafetos ou a provável ausência dos pais na escola corroboram para falhas de aprendizagem, pois a ausência da família pode gerar a falta de incentivo, desmotivação e desanimo (Barbosa, 2019, p. 3).
Quando não existe esse apoio, os alunos tendem a apresentar desmotivação, dificuldades de aprendizagem, baixo rendimento e até problemas comportamentais. Importante destacar que o papel da família no contexto educacional é tão relevante quanto o da escola, e essa parceria precisa ser constantemente fortalecida para garantir o desenvolvimento integral do aluno.
Este trabalho tem como objetivo observar a relevância do apoio dos familiares na jornada acadêmica dos alunos, analisando a diferença na aprendizagem de crianças e adolescentes com participação ativa ou não dos familiares. Neste contexto torna-se necessário refletir sobre como este apoio e incentivo pode interferir diariamente na aquisição de melhores práticas de estudo, vale considerar se o meio socioeconômico pode influenciar neste acompanhamento, tornando algo diário a desconexão entre pais e filhos.
O presente trabalho justifica-se pela necessidade de compreender e valorizar a influência dos familiares responsáveis no desempenho escolar de crianças e adolescentes. O apoio da família é um dos pilares fundamentais no processo de ensino e aprendizagem, uma vez que é por meio do acompanhamento, incentivo e participação ativa que os alunos constroem hábitos de estudo. No entanto, a realidade de muitas famílias é marcada por desafios socioeconômicos, longas jornadas de trabalho, pouca escolaridade e até mesmo falta de conhecimento sobre a importância de seu papel na educação dos filhos, o que acaba gerando uma defasagem no processo educativo.
A presente fundamentação teórica tem como propósito analisar os principais estudos e conceitos que embasam a compreensão da relação entre família e escola no contexto brasileiro, destacando sua importância para o desenvolvimento integral dos alunos e para a construção de práticas educativas mais eficazes. Para isso, são abordadas as transformações históricas e sociais que redefiniram as configurações familiares, os modos de interação com a instituição escolar e os desafios contemporâneos dessa parceria.
Além disso, discutem-se as contribuições da Sociologia da Educação, os marcos legais que estruturam a educação básica no país e os benefícios do acompanhamento familiar no processo de aprendizagem. Dessa forma, esta seção busca oferecer o suporte teórico necessário para interpretar os dados do estudo e situar a temática dentro do campo educacional de maneira crítica e fundamentada.
2.1 Os estudos sobre a relação família-escola no Brasil: uma revisão sistemática
O envolvimento dos pais ou responsáveis na vida escolar das crianças exerce um papel fundamental não apenas no desempenho acadêmico, mas também na qualidade das relações familiares. A participação ativa da família contribui para um ambiente mais acolhedor e equilibrado, favorecendo o desenvolvimento emocional e social da criança. Portanto, (Guzzo, 1990, p. 5) destaca que “o envolvimento dos pais ou responsáveis é importante não apenas para a melhoria do processo escolar do aluno, mas, também, para a melhoria do ambiente familiar, influenciando positivamente o curso do desenvolvimento da criança”.
A concepção de família evoluiu significativamente ao longo do tempo, de modo que o modelo tradicional formado por pai, mãe e filhos já não pode ser considerado a única configuração possível. Os papéis dentro da família mudaram em função das transformações sociais, tecnológicas e econômicas. Essas mudanças influenciam diretamente na forma como as pessoas aprendem e se relacionam no dia a dia.
Na atualidade, conforme apontam Nunes e Vilarinho (2001), existem inúmeras possibilidades de famílias, o que não comporta mais o modelo de configuração tradicional e nuclear, pois os papéis se modificaram, bem como as obrigações e expectativas em decorrência dos avanços sociais, tecnológicos e econômicos afetando diretamente sua elaboração do conhecimento e formas de interação cotidiana (Junges; Wagner, 2016, p.118).
Atualmente, observa-se que muitas famílias têm transferido para a escola a responsabilidade de educar e formar seus filhos, atribuindo aos professores a tarefa de resolver todos os desafios relacionados ao comportamento e ao desenvolvimento das crianças. Porém, esses mesmos responsáveis demonstram pouco engajamento na vida dos filhos, deixando de estabelecer diálogos importantes e de construir vínculos sólidos que favoreçam o crescimento intelectual e a resolução de conflitos. Em outras palavras, espera-se que a escola atue sozinha nesse processo, sem que haja, por parte da família, um compromisso real com a formação integral da criança.
Por outro lado, as famílias têm delegado cada vez mais às escolas, a tarefa de formar. Esperam respostas a seus problemas e buscam soluções junto aos elementos da escola. Por insegurança, ou mesmo porque não dispõem de tempo e interesse, os pais, muitas vezes, furtam-se a contatos mais planejados com seus filhos, onde o diálogo, a disponibilidade e a solidariedade garantiam vínculos mais eficazes para a formação do desenvolvimento intelectual e para a resolução de conflitos (Guzzo, 1987, p. 135).
Quando os pais ou responsáveis participam da vida escolar dos filhos ajudando nas tarefas de casa, incentivando com palavras, acompanhando o comportamento, indo às reuniões e participando das atividades da escola isso tem um efeito positivo nos estudos das crianças e adolescentes. Desse modo, o apoio familiar contribui significativamente para o bom desempenho escolar das crianças, aumentando suas chances de sucesso acadêmico e pessoal. Conforme apontam Junges e Wagner (2016, p. 119), embora muitas famílias enfrentem dificuldades para acompanhar a vida escolar dos filhos, os estudos também ressaltam que existem os pais que se preocupam e valorizam o acompanhamento escolar dos filhos, independentemente do seu nível socioeconômico e de escolaridade. Isso mostra que, mesmo diante de limitações, o interesse e a valorização da educação por parte da família exercem um papel fundamental no processo de aprendizagem.
Apesar das diferenças em relação à condição financeira e ao nível de escolaridade, é possível observar que a maioria dos pais reconhece a importância da educação na vida dos filhos e demonstra um forte comprometimento com seu desenvolvimento escolar. No entanto, diversos fatores como jornadas de trabalho extensas, falta de tempo, dificuldades de compreensão dos conteúdos escolares ou mesmo insegurança quanto à forma de contribuir acabam dificultando uma participação mais ativa e constante no acompanhamento da vida escolar.
2.2 Relação família-escola: novo objeto na Sociologia da Educação
Ao longo do tempo, pesquisadores da área da educação têm demonstrado grande interesse em compreender a natureza da relação entre família e escola, justamente por reconhecerem a relevância desse vínculo para o desenvolvimento integral e o sucesso escolar dos alunos. A colaboração entre esses dois pilares formativos é considerada essencial, pois quando família e escola atuam de maneira conjunta e articulada, os estudantes tendem a apresentar melhores resultados acadêmicos, maior engajamento nas atividades escolares e um desenvolvimento socioemocional mais equilibrado. Compreender as dinâmicas dessa parceria entre família e escola é fundamental para a construção de práticas educativas mais eficazes e inclusivas. Como já fora observado por Agnès Van-Zanten: “(…) os elos sociais entre as famílias e a instituição escolar sempre estiveram no centro das preocupações dos sociólogos da educação” (1988, p. 185).
No passado os estudos sobre a relação entre família e escola focavam em dados gerais, como quantos filhos a família tinha, idade ou sexo das crianças. Esses estudos eram mais objetivos e baseados em números, e acabavam tratando a família apenas como reflexo da classe social a que pertencia. Assim, se sabia que a situação da família influenciava o desempenho escolar, mas não se entendia bem como isso acontecia no dia a dia da casa, ou seja, não se olhava de perto as ações, escolhas e estratégias que cada família realmente usava.
Esses detalhes mais profundos da vida familiar ficavam escondidos.
A atenção estava voltada, sobretudo para as características morfológicas do grupo familiar (número de filhos, sexo, idade, lugar da criança na fratria, por exemplo). Entretanto, essas análises tinham um caráter macroscópico e geralmente quantitativo, eximindo-se da observação dos processos “finos” de fabricação/manutenção das desigualdades e transformando a família numa mera correia de transmissão das estruturas sociais. A família ficava então dissolvida na variável “categoria socioeconômica” de pertencimento. Conhecia-se assim, sem dúvida, seus efeitos sobre o desempenho escolar, mas os processos domésticos e cotidianos pelos quais projetos e estratégias familiares são elaborados e postos em prática, permaneciam na penumbra (Nogueira, 1998, p. 92).
Ao reduzir a família a um simples reflexo das condições socioeconômicas, muitas pesquisas negligenciam as estratégias e práticas cotidianas das famílias, que são essenciais para entender como elas lidam com as desigualdades e as dificuldades no contexto escolar. A “penumbra” que Nogueira (1998) menciona refere-se ao fato de que os esforços diários das famílias para apoiar a educação dos filhos muitas vezes não são observados, mas são justamente esses processos que podem oferecer uma compreensão mais profunda e eficaz das desigualdades educacionais.
2.3 Relação família-escola: educação dividida ou partilhada?
O envolvimento entre familiares e escola se estabelece como um dos pilares fundamentais para o sucesso educacional das crianças. Segundo Loureiro (2017), ambas as instituições são contextos complementares no desenvolvimento do indivíduo, devendo atuar como parceiras no processo de ensino e aprendizagem. A autora defende que a educação é uma responsabilidade compartilhada, sendo a família a principal agente de socialização primária e a escola o espaço da instrução formal e da cidadania.
Com as transformações sociais, culturais e econômicas nas últimas décadas, a família tem experimentado novas configurações e desafios, o que tem repercutido em uma transferência de responsabilidades para a escola, sobretudo no que diz respeito à socialização e à promoção de valores. Essas transformações, no entanto, requerem cooperação ativa entre os dois ambientes, especialmente para enfrentar as dificuldades comportamentais e de aprendizagem dos alunos (Loureiro, 2017). A autora também destaca que a participação efetiva dos pais no cotidiano escolar influencia positivamente o rendimento, o comportamento e a motivação dos estudantes.
Por outro lado, diversos obstáculos podem dificultar essa parceria, tais como fatores socioeconômicos, horários de trabalho incompatíveis, experiências escolares negativas anteriores dos pais, e a linguagem técnica utilizada por profissionais da educação. Esses fatores tornam necessária uma postura mais empática e flexível por parte da escola, que deve criar estratégias inclusivas para integrar as famílias, especialmente as mais vulneráveis (Loureiro, 2017).
Nesse contexto, a atuação dos professores é crucial, pois eles assumem um papel mediador na relação escola-família, contribuindo significativamente para o desenvolvimento integral dos alunos. A criação de vínculos de confiança, abertura ao diálogo e reconhecimento das realidades familiares são essenciais para consolidar uma educação verdadeiramente partilhada.
De acordo com o Art. 205 da Constituição Federal de 1988 a educação é direito de todos e dever do Estado e da Família, incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O ensino deve ser baseado nos princípios de igualdade de condições, liberdade de aprender, pluralismo de ideias e gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.
A constituição assegura atendimento aos alunos, em todas as fases da educação básica, por meio de programas de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. Os meios ofertados a educação são distribuídos entre o Distrito Federal, os Estados e seus Municípios e podem ser destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidas a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas.
A educação básica tem como objetivo o pleno desenvolvimento do educando para que ele consiga exercer o seu papel na sociedade. Ela abrange a educação infantil, ensino fundamental e médio, preparando principalmente os indivíduos para o mercado de trabalho e atribuições como, leitura, escrita e raciocínio lógico.
A Base Nacional Comum Curricular (2018), ao enfatizar a importância do desenvolvimento integral do aluno, reconhece a necessidade de envolver a comunidade escolar, incluindo as famílias, na construção de práticas pedagógicas eficazes. No entanto, como apontado por Nogueira (1998), muitas vezes as políticas educacionais reduzem a família a uma variável socioeconômica, sem considerar as dinâmicas cotidianas e as estratégias familiares que influenciam diretamente o apoio à educação.
Para que a educação básica no Brasil seja mais eficaz, é essencial que a escola e a família trabalhem em conjunto, respeitando as particularidades de cada contexto familiar e promovendo uma abordagem mais inclusiva e participativa.
2.5 Interações entre as famílias e a instituição escolar
As interações entre as famílias e a instituição escolar são fundamentais para o sucesso educacional dos alunos, pois ambas desempenham papéis complementares no processo de aprendizagem. A escola, como espaço formal de ensino, oferece os conteúdos acadêmicos e a estrutura necessária para o desenvolvimento cognitivo, enquanto a família, como primeiro núcleo de socialização, contribui com valores, hábitos e atitudes que influenciam diretamente o comportamento e a motivação do aluno.
Família e escola compartilham desde então a responsabilidade pela educação das crianças e jovens, negociando fronteiras entre o que deve ficara cargo de cada uma das partes envolvidas, em uma relação que vem se reconfigurando ao longo do tempo. Se a grande maioria das famílias logo reconheceu a importância da escola e legitimou seu discurso, buscando adequar as práticas culturais domésticas às novas rotinas escolares, o saber escolar não alcançou todas as crianças da mesma forma. Famílias populares detentoras de poucos conhecimentos e elites dotadas de ampla bagagem cultural chegaram à escola por caminhos diferentes (Canedo, 2018, p. 19).
O trecho de Canedo (2018) mostra que a relação entre famílias e escolas sempre teve suas complexidades, com diferenças significativas dependendo da classe social. Enquanto muitas famílias reconhecem a importância da escola e tentam adaptar suas práticas domésticas à rotina escolar, o acesso ao saber escolar não é igual para todos. Famílias de classes populares, com menos acesso à educação formal, enfrentam mais dificuldades para se adaptar, enquanto as elites, com mais recursos culturais, conseguem lidar com o sistema educacional de forma mais fácil. Isso reflete as desigualdades que ainda existem na educação e a necessidade de pensar em soluções que tornem o processo mais inclusivo e igualitário. Como destaca Bourdieu (1992), a escola tende a valorizar os saberes e comportamentos oriundos das classes dominantes, reforçando as desigualdades ao invés de superá-las.
2.6 Benefícios do Apoio Escolar
O acompanhamento escolar é importante para ajudar os alunos a se desenvolverem bem na escola e alcançarem seu potencial. Isso não envolve apenas observar as notas e o desempenho acadêmico, mas também apoiar os alunos emocionalmente e socialmente. Ao acompanhar o progresso dos estudantes, a escola consegue perceber dificuldades de aprendizagem ou outros problemas que possam afetar o rendimento deles. Esse acompanhamento permite que os professores ofereçam o apoio necessário para que cada aluno tenha as melhores condições de aprendizado.
A relação família-escola é um dos mais importantes fatores para a melhoria da aprendizagem. Esta parceria deve estar baseada na participação da família na vida escolar do educando, desenvolvendo em uma unidade escolar, a partir da perspectiva de que a parceria família-escola possa representar um diferencial no cotidiano escolar (Soares; Santana; Rabelo, 2020, p. 3).
A colaboração entre a família e a escola é essencial para melhorar o desempenho dos alunos. Quando os responsáveis participam ativamente do processo educativo, contribuem significativamente para o desenvolvimento da criança. Essa parceria deve ser construída com base no envolvimento dos familiares no dia a dia escolar, pois essa interação pode trazer resultados positivos e fazer a diferença na rotina da escola.
O método utilizado neste trabalho é de natureza qualitativa e descritiva, com o objetivo de compreender como ocorre o apoio dos pais ou responsáveis no processo educativo dos alunos da Escola Municipal Professor Alberto de Morais Holanda, localizada no povoado da Ponte Quinca Mariano, no município de Corumbaíba, estado de Goiás. Será analisada a diferença no desempenho escolar de crianças cujos familiares participam ativamente do processo de ensino e aprendizagem e aqueles que não estão envolvidos.
A primeira etapa será analisar referências bibliográficas a fim de entendermos o que autores e pesquisadores dizem sobre essa participação ativa ou não dos pais dos alunos. A escolha por uma abordagem qualitativa justifica-se pela necessidade de interpretar e compreender, em profundidade, a realidade social e educacional dos sujeitos envolvidos, considerando seus contextos e experiências.
A definição dos elementos que farão parte de uma pesquisa é um passo essencial para garantir a validade dos resultados. Dependendo do objetivo, o pesquisador pode optar por trabalhar com dados mais completos ou selecionar apenas uma parte representativa. Segundo Marconi (2003), a escolha entre trabalhar com a totalidade dos dados ou selecionar uma amostra representativa depende dos objetivos do estudo e da necessidade de assegurar que os resultados sejam confiáveis e passíveis de generalização. Nesse contexto, é importante compreender a função e os critérios de escolha da amostra.
Após a escolha do assunto, o pesquisador pode decidir ou pelo estudo de todo o universo da pesquisa ou apenas sobre uma amostra. Neste caso, será aquele conjunto de informações que lhe possibilitará a escolha da amostra, que deve ser representativa ou significativa (Lakatos; Marconi 2003, p. 163).
Essa orientação reforça a necessidade de um planejamento cuidadoso na definição da amostra, pois dela depende a possibilidade de generalizar os resultados obtidos. Uma amostra não representativa pode comprometer toda a pesquisa, tornando suas conclusões questionáveis.
A amostra representa apenas uma parte do grupo total que será estudado, mas deve ser escolhida com atenção para garantir que os resultados da pesquisa possam ser aplicados ao todo. Mesmo sendo uma parte menor, ela precisa ter as principais características do grupo completo para que as conclusões sejam confiáveis e façam sentido. Assim: “A amostra é uma parcela convenientemente selecionada do universo (população); é um subconjunto do universo” (Lakatos; Marconi 2003, p. 163). Nessa pesquisa a amostra serão pais e professores que fazem parte da comunidade escolar da Escola Professor Alberto de Holanda.
Definir bem os termos utilizados em um trabalho é essencial para evitar confusões e garantir que a mensagem seja entendida corretamente. Segundo Lakatos e Marconi (2003), a clareza na definição dos conceitos contribui para uma comunicação mais eficiente, facilitando o acompanhamento do raciocínio pelo leitor e prevenindo interpretações equivocadas que possam comprometer a análise dos dados.
A coleta de dados será realizada por meio de observação direta no ambiente escolar, de forma sistemática e não participante, com o objetivo de registrar comportamentos, interações e evidências do envolvimento parental nas atividades da escola. Além disso, será aplicada uma entrevista semiestruturada com dois professores e dois pais ou responsáveis por alunos da escola. Para garantir a qualidade das informações obtidas, é necessário que os instrumentos de pesquisa sejam aplicados com rigor metodológico. Como ressaltam Lakatos e Marconi (2003, p. 166), “o rigoroso controle na aplicação dos instrumentos de pesquisa é fator fundamental para evitar erros e defeitos resultantes de entrevistadores inexperientes ou de informantes tendenciosos”.
Será realizada uma pesquisa bibliográfica, que fornecerá embasamento teórico ao estudo e permitirá a discussão crítica dos dados obtidos. Esta etapa consistirá na análise de livros, artigos científicos e documentos acadêmicos relevantes ao tema da participação dos pais na educação escolar.
A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc., até meios de comunicação orais: rádio, gravações em fita magnética e audiovisuais: filmes e televisão. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferências seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, quer publicadas, quer gravadas (Lakatos; Marconi, 2003, p. 183).
Esse tipo de pesquisa tem como objetivo, levantar estudos relevantes sobre o que já foi produzido e divulgado sobre um determinado tema. Ela envolve desde livros e artigos até reportagens, entrevistas, programas de rádio, filmes e outros materiais. O objetivo é permitir que o pesquisador conheça bem o que já foi discutido sobre o assunto, ajudando a formar uma base sólida para o desenvolvimento do estudo. De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica é essencial para fundamentar teoricamente a investigação, ampliando o entendimento sobre o tema e orientando a formulação do problema e dos objetivos do estudo.
A pesquisa será conduzida com ética, garantindo o anonimato e a confidencialidade dos participantes, e será obtido o consentimento informado de todos os envolvidos. Espera-se que os resultados permitam identificar de maneira clara o impacto da participação da família no desempenho escolar dos alunos, contribuindo para a discussão sobre a importância do apoio familiar no processo educacional e oferecendo folhetos na instituição para que incentivem o envolvimento dos responsáveis.
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS
Os dados desta pesquisa foram obtidos por meio de uma investigação qualitativa e descritiva, que buscou compreender como o apoio familiar influencia o processo de ensino e aprendizagem. A pesquisa foi realizada com dois professores que atuam na Escola Municipal Professor Alberto de Morais Holanda e dois pais que residem no povoado da Ponte Quinca Mariano, localizado no município de Corumbaíba, estado de Goiás. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), assegurando o respeito aos princípios éticos da pesquisa e o sigilo das informações prestadas.
A escolha por uma abordagem qualitativa deve-se à sua capacidade de interpretar significados, percepções e experiências vividas pelos sujeitos, possibilitando uma compreensão mais ampla das relações entre família e escola. Essa modalidade de pesquisa permite valorizar o discurso e a subjetividade dos participantes, fornecendo um retrato fiel das realidades educacionais e sociais observadas. De acordo com estudos recentes sobre metodologias qualitativas na área educacional, essa abordagem busca compreender os fenômenos em seu contexto natural, considerando as interações e interpretações que emergem das vivências humanas (Sousa; Santos, 2021).
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com perguntas abertas, sendo seis perguntas para os pais e cinco para os professores, as quais foram respondidas de forma manuscrita. Em suas respostas, os participantes puderam expor com mais detalhes seu ponto de vista sobre o apoio dos familiares no processo de aprendizagem, compartilhando experiências, percepções e opiniões pessoais sobre como a presença e o incentivo da família influenciam no desempenho escolar e na motivação dos estudantes. Essa estratégia contribuiu para que o pesquisador obtivesse relatos autênticos e detalhados sobre as formas de envolvimento familiar e as dificuldades enfrentadas no acompanhamento escolar dos alunos.
A análise de conteúdo é uma técnica de análise das comunicações, que irá analisar o que foi dito nas entrevistas ou observado pelo pesquisador. Na análise do material, busca-se classificá-los em temas ou categorias que auxiliam na compreensão do que está por trás dos discursos (Silva; Fossá, 2015, p. 2).
Essa concepção mostra como a análise de conteúdo é uma ferramenta essencial para compreender de forma mais profunda as falas dos participantes. Ao aplicar essa técnica na pesquisa, foi possível identificar e organizar os principais temas relacionados ao apoio familiar no processo de aprendizagem. As respostas revelaram percepções diversas sobre a importância da presença e do incentivo da família no desempenho escolar, evidenciando que o envolvimento dos familiares contribui significativamente para a motivação, o interesse e o desenvolvimento dos estudantes. Dessa forma, a análise de conteúdo permitiu interpretar não apenas o que foi dito, mas também os significados e sentimentos que os participantes atribuíram ao papel da família na educação.
Seguindo para a análise dos dados obtidos a partir dos questionários, expõem-se aqui as perguntas e respostas dos responsáveis que participaram da pesquisa à questão 1:
| QUESTÃO 1 | RESPONSÁVEL 1 | RESPONSÁVEL 2 |
| Como você acredita que sua participação influencia no aprendizado do seu filho (a)? | Acredito que dá mais motivação e aumenta o desempenho acadêmico. | Muito pouco. Acredito que a criança não tem o foco em deveres e ouvir, igual ao com o professor. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
As falas dos participantes mostram diferentes formas de compreender o envolvimento familiar no processo de aprendizagem. O responsável 1destaca que sua presença e participação ajudam a motivar o estudante, contribuindo também para um melhor rendimento escolar. Essa visão reforça a importância do acompanhamento familiar como fator de estímulo e apoio emocional durante a trajetória escolar.
Em contrapartida, o responsável 2 acredita que sua participação tem pouca influência, justificando que a criança não mantém o nível de atenção e comprometimento em casa e na escola, sob a orientação do professor. Essa percepção pode estar relacionada à dificuldade de estabelecer limites e rotinas de estudo no ambiente familiar, ou à crença de que a responsabilidade pela aprendizagem cabe principalmente à escola.
As expectativas das famílias perante os serviços prestados pelas escolas são, nomeadamente, de carácter social e pedagógico, crendo que as escolas irão ajudá-las a resolver os seus problemas quotidianos e atender ao bem-estar dos seus filhos, assim como irão colaborar nos seus percursos académicos de forma duradoura e inequívoca. (Loureiro, 2017, p. 105)
Isso acaba gerando uma situação em que a escola é a única responsabilizada pela aprendizagem do estudante. Ainda analisando as entrevistas com os responsáveis:
| QUESTÃO 2 | RESPONSÁVEL 1 | RESPONSÁVEL 2 |
| Quais formas de apoio você costuma oferecer em casa | Auxiliando nas atividades escolares e mostrando | Procuro uma professora particular. |
| quando ele (a) tem dificuldades na escola? | interesse nos resultados das avaliações. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na segunda questão, observa-se que os responsáveis demonstram diferentes formas de envolvimento diante das dificuldades escolares dos filhos. O responsável 1 destaca que busca ajudar nas atividades escolares e acompanhar o desempenho, o que mostra uma participação direta e afetiva no processo de aprendizagem. Esse tipo de envolvimento contribui para que a criança perceba o valor da educação e se sinta mais motivada a aprender.
Já o responsável 2 opta por buscar apoio externo, por meio de uma professora particular, o que também representa uma forma de cuidado e preocupação com o desenvolvimento escolar do filho. Embora essa estratégia seja válida, é importante destacar que a presença e o acompanhamento familiar continuam sendo fundamentais, pois fortalecem o vínculo entre a escola e a família e favorecem a autoconfiança do estudante, pois como menciona Loureiro (2017, p.103) “A família tem um papel essencial e único na vida de qualquer ser humano e a escola uma importância ímpar na instrução de qualquer indivíduo.” Deixando evidente que ambas as partes se fazem necessárias para aprendizagem dos sujeitos.
| QUESTÃO 3 | RESPONSÁVEL 1 | RESPONSÁVEL 2 |
| Você sente que a escola valoriza e escuta a família? Pode dar um exemplo? | Às vezes. Pois percebo que nem sempre as nossas queixas e opiniões são levadas em consideração. | Não! Minha filha mora comigo, tem muitas dificuldades, e mesmo assim passam a criança de uma série para outra, sem ao menos a criança saber ler e escrever sozinha. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na terceira questão, percebe-se que ambos os informantes expressam um sentimento de pouca escuta e valorização por parte da escola. O responsável 1 aponta que, embora em alguns momentos exista abertura para diálogo, as opiniões e queixas das famílias nem sempre são consideradas, o que pode gerar desmotivação e afastamento.
O responsável 2 reforça essa percepção ao relatar que a escola não reconhece as dificuldades da criança, permitindo sua progressão escolar sem que ela tenha adquirido as aprendizagens necessárias. Essa situação evidencia a importância de uma parceria efetiva entre escola e família, baseada na escuta, no diálogo e no respeito mútuo, para que o acompanhamento do desenvolvimento do aluno seja mais justo e coerente com suas reais necessidades.
A educação escolar, desde que mantenha a relação ativa entre famílias e escola pode contribuir com resultados favoráveis ao aprendizado, uma vez que a comunicação tende a estimular o bom desempenho, trazendo flexibilidade entre as partes envolvidas, priorizando as culturas e identidades” (Souza, 2020. p. 2)
A citação de Souza (2020) destaca que a relação ativa entre escola e família é fundamental para promover uma aprendizagem mais eficaz, pois a comunicação constante gera maior compreensão, respeito e flexibilidade entre as partes. É perceptível que, quando a escola valoriza as experiências, identidades e culturas familiares, cria condições para que os responsáveis se sintam realmente parte do processo educativo, fortalecendo o acompanhamento do aluno. Essa parceria, baseada na escuta e no diálogo, torna-se essencial para que as intervenções sejam mais assertivas e alinhadas às necessidades reais da criança, contribuindo para um desenvolvimento mais justo, humano e significativo.
| QUESTÃO 4 | RESPONSÁVEL 1 | RESPONSÁVEL 2 |
| O que mais motiva você a acompanhar a vida escolar do seu filho (a)? | Ver o seu desenvolvimento na vida e saber que estou fazendo parte da formação do seu futuro. | O que eu não estudei tudo e não formei, então que eles façam o que eu não fiz. E nos traz apoio, lembranças do futuro em relação aos trabalhos escolares e cobrança de algo. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na quarta questão, observa-se que a motivação dos responsáveis para acompanhar a vida escolar dos filhos está relacionada ao afeto e ao desejo de proporcionar um futuro melhor. O responsável 1 destaca a alegria em acompanhar o desenvolvimento da criança e a satisfação de participar da construção do seu caminho, reconhecendo a importância do envolvimento familiar na formação pessoal e acadêmica.
O responsável 2 demonstra o desejo de que os filhos tenham oportunidades que ele não teve, expressando um sentimento de superação e esperança. Acompanhar a trajetória escolar torna-se, assim, uma forma de incentivar o aprendizado e apoiar os filhos na conquista de objetivos que ultrapassam as próprias experiências vividas. “O sucesso dos alunos afigurase estar intimamente relacionado quer com a participação da família na instituição escolar, quer com a colaboração dos pais com os professores” (Bento, 2017, p. 97).
| QUESTÃO 5 | RESPONSÁVEL 1 | RESPONSÁVEL 2 |
| Na sua opinião, o que falta para que a parceria família-escola seja mais forte? | Falta mais comunicação entre a escola e os pais. | Ter mais reuniões, ter votação sobre reprovar a criança ou não, e escutar os pais em relação a isso. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na quinta questão, ambos os informantes ressaltam a importância da comunicação e da participação ativa para fortalecer a parceria entre família e escola. O responsável 1 aponta a necessidade de uma comunicação mais efetiva, o que indica que o diálogo entre esses dois espaços ainda é limitado. A ausência de trocas constantes pode dificultar o acompanhamento das aprendizagens e o entendimento das necessidades de cada aluno.
Segundo Libâneo (2004), o processo educativo torna-se mais significativo e coerente quando há colaboração entre professores, pais e comunidade, pois essa união contribui para o desenvolvimento integral do estudante. Nesse sentido, o responsável 2 complementa essa visão ao sugerir a realização de mais reuniões e a escuta das famílias em decisões importantes, como a progressão ou reprovação dos estudantes. Essa fala demonstra o desejo de que os responsáveis sejam considerados parte do processoeducativo, participando de forma colaborativa e compartilhando responsabilidades com a escola.
| QUESTÃO 6 | RESPONSÁVEL 1 | RESPONSÁVEL 2 |
| Como você percebe as mudanças no comportamento e no rendimento escolar do seu filho (a) quando você participa mais de perto? | Percebo que eles levam mais a sério os estudos com mais responsabilidades, pois são cobrados na escola e em casa. | Através das atividades para casa e das notas do boletim. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na sexta questão, observa-se que os responsáveis reconhecem os efeitos positivos da participação familiar no desempenho e no comportamento dos filhos. O responsável 1 destaca que, quando há acompanhamento mais próximo, os estudantes passam a levar os estudos com mais seriedade e responsabilidade, o que demonstra que a presença dos pais contribui para a criação de hábitos e atitudes mais comprometidas. O responsável 2, por sua vez, menciona que percebe essas mudanças por meio das atividades enviadas para casa e das notas obtidas no boletim, o que mostra uma atenção voltada para os resultados e para o acompanhamento do progresso escolar.
Essas percepções revelam que o acompanhamento familiar contribui não apenas para o rendimento escolar, mas também para a formação de atitudes e valores que fortalecem o processo educativo. Conforme Libâneo (2004), a interação entre escola e família é essencial para o sucesso da aprendizagem, pois permite que os alunos desenvolvam comportamentos mais autônomos, responsáveis e alinhados aos objetivos formativos da educação.
Também é necessário analisar a contrapartida de instituição escolar nesse processo educativo, assim, avalia-se as perguntas elaboradas e respostas dos professores da Escola Municipal Professor Alberto de Mores Holanda:
| QUESTÃO 1 | PROFESSOR 1 | PROFESSOR 2 |
| Quais diferenças você nota no desempenho dos alunos que recebem mais apoio familiar em relação aos que recebem menos? | A criança sente-se acompanhada e segura, sabem de que tem o apoio dos pais para expor sentimentos e tirar dúvidas quando precisa. Ela se dedica e se esforça nas atividades escolares. | Facilidade na aprendizagem dos conteúdos propostos. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na primeira questão direcionada aos professores, percebe-se que ambos reconhecem a importância do apoio familiar para o bom desempenho dos alunos. O Professor 1 ressalta que a presença e o acompanhamento da família fazem com que a criança se sinta mais segura e acolhida, o que favorece sua dedicação e esforço nas atividades escolares. Esse envolvimento gera um ambiente de confiança, no qual o estudante se sente motivado a aprender e a superar suas dificuldades.
O Professor 2 destaca que os alunos que contam com maior apoio familiar apresentam mais facilidade na aprendizagem dos conteúdos. Isso indica que a parceria entre escola e família contribui diretamente para o desenvolvimento cognitivo, pois o acompanhamento em casa reforça o que é trabalhado em sala de aula.
Nesse sentido, Vygotsky (1998) ressalta que as interações sociais são fundamentais para o processo de aprendizagem, e que a família constitui o primeiro espaço de mediação cultural, no qual a criança internaliza valores, conhecimentos e habilidades que influenciam sua formação cognitiva e comportamental. Assim, o envolvimento dos responsáveis não apenas fortalece a confiança e a motivação do aluno, mas também contribui para o desenvolvimento integral do estudante.
| QUESTÃO 2 | PROFESSOR 1 | PROFESSOR 2 |
| De que forma a participação da família contribui (ou atrapalha) no processo de ensino e aprendizagem? | Fortalecer a comunicação escola-família e cria um ambiente de apoio ao estudo escolar. | Verificando o desenvolvimento dos filhos, ajudando nas atividades escolares. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na segunda questão, os professores apontam que a participação da família exerce influência positiva no processo de ensino e aprendizagem. O Professor 1 enfatiza que essa presença contribui para fortalecer a comunicação entre escola e família, criando um ambiente de apoio que estimula o interesse e o comprometimento dos alunos com os estudos. Esse diálogo constante ajuda a alinhar expectativas e estratégias, tornando o acompanhamento mais eficaz.
O Professor 2 destaca que o envolvimento dos responsáveis é importante ao verificar o desenvolvimento dos filhos e auxiliar nas atividades escolares. Essa colaboração demonstra que o aprendizado não ocorre apenas na escola, mas também é construído em casa, com o incentivo e a atenção da família.
Nesse contexto, concorda-se com Paro (2007) que afirma que a participação familiar é essencial para uma educação democrática e para o sucesso escolar, pois promove a corresponsabilidade e a cooperação entre escola e família, fortalecendo o processo educativo e favorecendo o desenvolvimento integral do aluno.
| QUESTÃO 3 | PROFESSOR 1 | PROFESSOR 2 |
| Quais estratégias a escola utiliza para envolver os responsáveis e quais funcionam melhor? | Reuniões escolares. | Um café da tarde ou de manhã, com reunião e um breve relato sobre as crianças para os responsáveis. |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na terceira questão, observa-se que os professores reconhecem as ações realizadas pela escola para aproximar as famílias do ambiente escolar. O Professor 1 menciona as reuniões como principal estratégia, o que demonstra uma tentativa de manter o diálogo e informar os responsáveis sobre o desenvolvimento dos alunos. No entanto, esse tipo de encontro, quando realizado de forma isolada, pode não ser suficiente para garantir uma participação efetiva.
O Professor 2 complementa ao citar momentos mais acolhedores, como cafés da manhã ou da tarde, acompanhados de reuniões e relatos sobre o desempenho das crianças. Essa iniciativa mostra uma preocupação em criar um espaço de convivência e escuta, fortalecendo o vínculo entre escola e família de forma mais leve e participativa.
Nesse sentido, como enfatiza Canedo (2018, p. 45), “reunir experiências que mostram as possibilidades de escutar cada uma das partes envolvidas, identificando suas possibilidades e limites, promover o diálogo e a ação solidária criando uma interação que privilegie o trabalho compartilhado” é fundamental para consolidar a parceria entre escola e família.
| QUESTÃO 4 | PROFESSOR 1 | PROFESSOR 2 |
| Na sua experiência, que tipo de apoio familiar faz mais diferença no dia a dia da criança? | Acolhimento e diálogo, essa parceria cria uma autonomia e confiança. | Apoio emocional (carinho, amor, compreensão). |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na quarta questão, os professores destacam que o apoio emocional e o diálogo são os elementos que mais influenciam o desenvolvimento das crianças no ambiente escolar. O Professor 1 enfatiza que o acolhimento e a comunicação constante entre família e escola contribuem para a construção da autonomia e da confiança dos alunos. Essa parceria faz com que a criança se sinta segura para enfrentar desafios e se envolver mais nas atividades escolares.
O Professor 2 reforça essa perspectiva ao apontar que o carinho, o amor e a compreensão oferecidos pela família são fundamentais para o equilíbrio emocional e o bom desempenho escolar. O afeto e a atenção dos responsáveis ajudam a fortalecer a autoestima e o interesse da criança pelos estudos.
Conforme Loureiro (2017, p. 48), “a participação afetiva e o diálogo entre família e escola fortalecem não apenas a aprendizagem, mas também a autoestima e o desenvolvimento integral da criança”, evidenciando que o envolvimento dos responsáveis vai muito além do acompanhamento das tarefas escolares. Assim, a presença emocional e a comunicação constante são fatores essenciais para promover uma aprendizagem significativa e consolidar a relação de parceria entre família e escola.
| QUESTÃO 5 | PROFESSOR 1 | PROFESSOR 2 |
| O que você gostaria que os responsáveis compreendessem sobre seu papel na educação dos filhos? | Papel do professor é de um mediador, orientador e facilitador da aprendizagem. | Educação dos filhos vem de berço, e que a responsabilidade de educar os filhos são dos pais! |
Fonte: Acervo Pessoal (2025)
Na quinta questão, observa-se que os professores ressaltam a importância de uma compreensão clara sobre os papéis da escola e da família na formação das crianças. O Professor 1 destaca que o papel do docente é o de mediador, orientador e facilitador da aprendizagem, ou seja, sua função está centrada em conduzir o processo educativo, estimulando o desenvolvimento do aluno e promovendo o conhecimento de forma significativa.
Já o Professor 2 enfatiza que a educação dos filhos tem origem no ambiente familiar, sendo responsabilidade dos pais transmitir valores, limites e atitudes. Essa fala reforça a ideia de que a escola complementa a formação iniciada em casa, mas não substitui o papel da família na construção do caráter e do comportamento das crianças.
Nesse sentido, Guzzo (1987, p. 135) afirma “A família constitui o primeiro espaço de aprendizagem e socialização da criança, e a escola deve atuar em parceria com os responsáveis, sem substituir suas funções, mas complementando e mediando o processo educativo.”
Essa perspectiva evidencia que a educação é uma construção compartilhada, na qual família e escola atuam de forma complementar para promover o desenvolvimento integral dos alunos.
A presente pesquisa teve como objetivo compreender de que forma o apoio dos pais ou responsáveis influencia o processo educativo e o desempenho escolar dos alunos da Escola Municipal Professor Alberto de Morais Holanda, localizada no povoado da Ponte Quinca Mariano, no município de Corumbaíba, estado de Goiás. Ao longo do estudo, buscou-se refletir sobre a importância da parceria entre escola e família, destacando o papel essencial que essa relação exerce na formação integral da criança e na construção de uma aprendizagem significativa.
A metodologia adotada, de natureza qualitativa e descritiva, possibilitou uma aproximação sensível com a realidade dos sujeitos envolvidos, permitindo uma análise profunda sobre as percepções de pais, responsáveis e professores a respeito do envolvimento familiar na vida escolar das crianças. A partir das entrevistas realizadas, foi possível identificar como o diálogo, a atenção, o afeto e o acompanhamento diário contribuem de maneira direta para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos estudantes.
Os resultados demonstraram que o envolvimento familiar vai além do simples acompanhamento de tarefas ou da presença em reuniões escolares. A participação ativa dos pais e responsáveis representa um fator de estímulo e segurança para os alunos, fortalecendo sua autoestima, seu senso de responsabilidade e sua motivação para aprender. Crianças que recebem apoio constante tendem a apresentar melhor rendimento, maior interesse pelos estudos e atitudes mais positivas diante das atividades escolares. Essa presença também colabora para o fortalecimento dos laços afetivos, o que impacta diretamente no comportamento e na convivência dentro e fora do ambiente escolar.
Por outro lado, o estudo evidenciou que a ausência de uma comunicação eficiente entre escola e família pode gerar distanciamento e desinteresse. Quando a escola não estabelece canais claros de diálogo, ou quando as famílias não se sentem acolhidas e ouvidas, a parceria se fragiliza, dificultando o acompanhamento adequado do processo de aprendizagem. Os depoimentos de alguns participantes revelaram insatisfações relacionadas à escuta das famílias e à falta de participação nas decisões pedagógicas, indicando a necessidade de repensar as formas de interação entre os dois contextos.
Outro ponto relevante constatado na pesquisa foi a influência da rotina de trabalho dos pais sobre o acompanhamento escolar dos filhos. Foi relatado que, devido à carga horária extensa e à necessidade de garantir o sustento familiar, não conseguem acompanhar de perto o desempenho e as atividades escolares das crianças. Essa limitação de tempo acaba dificultando a participação nas reuniões, o acompanhamento das tarefas e até mesmo o diálogo cotidiano sobre a vida escolar. Essa hipótese, portanto, foi confirmada pela pesquisa, mostrando que o trabalho excessivo e a falta de tempo não significam desinteresse, mas refletem a realidade de muitas famílias que enfrentam desafios socioeconômicos para conciliar a rotina profissional com a vida familiar. No entanto, observou-se também que, mesmo diante dessas dificuldades, os pais que demonstram apoio afetivo, incentivo e valorização dos estudos exercem um impacto positivo sobre o aprendizado e o comportamento dos filhos.
Os professores entrevistados reforçaram a importância do apoio familiar para o bom desenvolvimento dos alunos, destacando que o envolvimento emocional e o incentivo dentro de casa contribuem para que as crianças enfrentem com mais confiança os desafios escolares. Também ressaltaram que o papel da escola é o de mediar e orientar, mas que a base da educação se constrói no ambiente familiar, onde se formam os valores, os limites e os comportamentos que sustentam o processo de aprendizagem.
A partir da análise das falas e observações, compreende-se que o sucesso escolar é resultado da soma de esforços entre escola e família. A instituição de ensino, por meio de projetos, reuniões, encontros e atividades integradoras, pode criar oportunidades para que os responsáveis se aproximem e participem mais ativamente da vida escolar dos filhos. Do mesmo modo, os pais precisam reconhecer que o acompanhamento cotidiano, mesmo que simples, como perguntar sobre o dia, verificar as tarefas e valorizar os avanços, é essencial para o fortalecimento do vínculo educativo.
A pesquisa também evidenciou que, quando há uma relação harmoniosa e colaborativa entre os dois espaços, o processo educativo torna-se mais humanizado e produtivo. O diálogo contínuo, o respeito mútuo e a corresponsabilidade são fatores decisivos para o êxito da aprendizagem. A escola deve se posicionar como um espaço aberto à escuta e à troca, enquanto a família deve se reconhecer como parte fundamental dessa construção. Somente com o comprometimento de ambos é possível oferecer às crianças uma formação completa, que una conhecimento, valores e afetividade.
Conclui-se, portanto, que a participação da família no contexto escolar é indispensável para o desenvolvimento integral dos alunos. O apoio familiar não se limita a ajudar nas tarefas, mas envolve estar presente, incentivar, dialogar e acompanhar cada etapa da vida escolar. É essa presença constante que forma cidadãos mais conscientes, responsáveis e preparados para enfrentar os desafios da sociedade. Assim, este estudo reforça que educar é um ato coletivo, que depende do empenho conjunto da escola e da família, unidos por um mesmo propósito: garantir o aprendizado, o crescimento e o futuro das crianças.
Por fim, espera-se que esta pesquisa possa contribuir para reflexões e práticas que aproximem ainda mais os lares e as escolas, inspirando gestores, professores e responsáveis a repensarem suas formas de interação. Promover a participação familiar é investir na qualidade da educação, na construção de vínculos afetivos sólidos e na formação de indivíduos mais autônomos e comprometidos com sua própria trajetória de aprendizagem.
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