THE INFLUENCE OF LIFESTYLE CHANGE AND ADHERENCE ON CORONARY ARTERY DISEASE: A SYSTEMATIC REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511151542
Gabriel Chiarelli Dias1; Júlia Naira Oliveira Andrade1; Ahmed Muhammad Zaglout1; Geovana Muniz Kisner1; Luiz Henrique Gasparelo2
Resumo
A revisão sistemática aborda a influência da mudança de estilo de vida e a adesão do paciente no manejo da Doença Arterial Coronariana (DAC). O estudo tem como objetivo sintetizar evidências sobre a eficácia de programas de reabilitação cardíaca, identificar barreiras e facilitadores à adesão e propor estratégias que promovam adesão e melhorias clínicas. Foram realizadas buscas em bases de dados como PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane, Embase e Web of Science, incluindo ensaios clínicos, revisões sistemáticas e estudos observacionais, resultando em 12 estudos elegíveis analisados qualitativamente. Os resultados demonstram que intervenções em estilo de vida reduzem mortalidade, infarto, hospitalizações e melhoram qualidade de vida, com eficácia comparável entre modelos presenciais, domiciliares e digitais. Entretanto, a adesão é prejudicada por fatores interligados de capacidade física e cognitiva, oportunidade social e ambiental, e motivação. Conclui-se que o desafio da cardiologia contemporânea está na implementação eficaz das terapias já existentes, por meio de estratégias personalizadas, contínuas e multidisciplinares que considerem as barreiras individuais dos pacientes. A adesão deve ser compreendida como fenômeno multifatorial e sua promoção depende de intervenções adaptativas, apoio social e integração entre ciência comportamental e prática clínica.
Palavras-chave: Doença arterial coronariana. Estilo de vida. Adesão.
1. INTRODUÇÃO
As doenças cardiovasculares (DCV) representam a principal causa de morbimortalidade em todo o mundo, sendo a doença arterial coronariana (DAC) uma de suas manifestações mais prevalentes (Virani et al., 2023). A doença arterial coronariana é caracterizada por alterações anatômicas e/ou funcionais nas artérias coronárias, culminando em irrigação sanguínea insuficiente e, por vezes, isquemia do músculo cardíaco. A aterosclerose é uma das principais causas subjacentes, formando a base fisiopatológica comum de diversas doenças cardiovasculares (Janete et al., 2022).
A DAC é uma condição multifatorial, e a redução de eventos coronarianos requer uma abordagem holística dos fatores de risco, conforme apontado por Lunelli et al. (2009). Franco e Matos (2005) identificam a obesidade, hipercolesterolemia, tabagismo, hipertensão, diabetes mellitus e sedentarismo como fatores de risco significativos que elevam o risco cardiovascular e, consequentemente, o desenvolvimento da doença.
Nas últimas décadas, a gestão da DAC alcançou progressos notáveis, resultando em um declínio significativo nas taxas de mortalidade (Janssen et al., 2012). Este avanço é amplamente atribuído à implementação de estratégias de prevenção secundária, que visam prevenir eventos recorrentes em pacientes com diagnóstico estabelecido. Estima-se que essa abordagem multifacetada tenha sido responsável por uma redução de 50% nas mortes relacionadas à DAC entre 1980 e 2000 (Chase et al., 2016).
A prevenção secundária moderna se baseia em dois pilares interdependentes: a terapia farmacológica baseada em evidências e a modificação terapêutica do estilo de vida (Virani et al., 2023). A farmacoterapia, incluindo o uso de estatinas, agentes antiplaquetários e anti-hipertensivos, tem sido um motor primário na redução da mortalidade (Chase et al., 2016; Virani et al., 2023).
Paralelamente, a modificação do estilo de vida – abrangendo dieta, atividade física, cessação do tabagismo e manejo do estresse, é reconhecida como um componente igualmente potente, com um potencial de redução de mortalidade comparável ao dos fármacos cardioprotetores (Janssen et al., 2012; Kaminsky et al., 2021). A sinergia entre esses dois pilares é fundamental; enquanto a medicação controla fatores de risco fisiológicos, as mudanças comportamentais abordam as causas subjacentes da patologia e melhoram a saúde vascular geral (Virani et al., 2023).
Contudo, a eficácia comprovada desta abordagem é criticamente minada por um desafio central e generalizado: a não adesão do paciente. Taxas consistentemente elevadas de não adesão tanto aos regimes medicamentosos quanto às mudanças de estilo de vida recomendadas criam uma lacuna substancial entre a eficácia demonstrada em ensaios clínicos e a efetividade observada no mundo real (Chase et al., 2016; Ali et al., 2017; Kaminsky et al., 2021; Gould et al., 2025). Este “paradoxo da adesão” representa o maior desafio na cardiologia preventiva contemporânea, deslocando o foco da investigação da descoberta de novos tratamentos para a implementação de estratégias que garantam a aplicação consistente dos tratamentos já existentes.
2. JUSTIFICATIVA
A DAC representa uma das principais causas de mortalidade global, incluindo o Brasil, onde foi a causa mais comum de óbitos entre 1990 e 2019. A situação brasileira é particularmente preocupante, com mais de 4 milhões de indivíduos afetados pela DAC e um registro de mais de 170 mil óbitos somente em 2019 (Oliveira et al., 2022). Em 2021, a taxa de mortalidade geral por doença coronariana no Brasil foi estimada em 67,1 por 100.000 habitantes (Oliveira et al., 2024).
A alta prevalência da não adesão ao tratamento na DAC tem consequências clínicas e econômicas graves, posicionando-a como um fator de risco clínico por direito próprio. Estudos indicam que aproximadamente um terço dos pacientes pós-infarto do miocárdio não adere à medicação prescrita (Chase et al., 2016), e uma meta-análise em larga escala revelou que apenas 60% dos pacientes apresentam boa adesão (≥80% das doses) aos medicamentos cardiovasculares (Chowdhury et al., 2013). A lacuna é ainda mais acentuada para as mudanças de estilo de vida, onde se estima que apenas 4,3% dos indivíduos com doença cardíaca aderem simultaneamente à cessação do tabagismo, dieta saudável e atividade física regular (Kaminsky et al., 2021).
As implicações dessa baixa adesão são diretas e mensuráveis. A não adesão à medicação está associada a um risco aumentado de mortalidade por todas as causas, eventos cardiovasculares, procedimentos de revascularização e hospitalizações (Chase et al., 2016; Chowdhury et al., 2013). Uma meta-análise demonstrou que a boa adesão a estatinas e anti- hipertensivos está associada a uma redução de 15-19% nos eventos de DCV e de 29-45% na mortalidade por todas as causas (Chowdhury et al., 2013). Da mesma forma, pacientes que aderem a hábitos de vida saudáveis apresentam um risco significativamente menor de morte, reinfarto e AVC (Kaminsky et al., 2021).
Além do impacto clínico, a não adesão impõe um fardo econômico substancial aos sistemas de saúde, estimado em 100 bilhões de dólares anuais apenas nos Estados Unidos, devido a hospitalizações evitáveis (Chowdhury et al., 2013). Os custos com o tratamento da patologia coronariana representam uma parcela significativa dos gastos públicos em saúde, alcançando 30% dos recursos do SUS (Araújo et al., 2020).
A maior parte desses recursos é direcionada a intervenções de alta complexidade, como cirurgias de revascularização, conforme apontado por Araújo et al. (2020). Na última década, houve um crescimento considerável desses custos, impulsionado pelo aumento da prevalência de fatores de risco e pelo envelhecimento populacional (Malta et al., 2017). Essa realidade ressalta a urgência de investir em prevenção e na promoção de mudanças no estilo de vida, visando não apenas melhorar a qualidade de vida, mas também reduzir os custos associados à DAC.
Diante deste cenário, torna-se imperativo sintetizar e analisar criticamente a literatura científica sobre o tema. Uma revisão sistemática é justificada pela necessidade de consolidar as evidências de mais alto nível sobre a eficácia de programas de mudança de estilo de vida; mapear de forma estruturada as barreiras e facilitadores que influenciam a adesão do paciente e identificar as estratégias de intervenção mais promissoras para superar essas barreiras. A compreensão aprofundada desses fatores é crucial para desenvolver ações mais eficazes que melhorem a qualidade de vida do paciente coronariano e otimizem os resultados clínicos e econômicos no manejo da DAC (Sobral, 2016).
3. MATERIAIS E MÉTODOS
Estratégia de Busca:
A busca por artigos foi realizada em múltiplas bases de dados eletrônicas, incluindo MEDLINE/PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane Library, Embase e Web of Science, no período de 2010 a 2025. A estratégia de busca combinou descritores e palavras- chave relacionados a três conceitos centrais: (1) a condição clínica (“doença arterial coronariana”, “doença cardíaca isquêmica”, “infarto do miocárdio”); (2) a intervenção (“mudança de estilo de vida”, “reabilitação cardíaca”, “exercício”, “dieta”, “cessação do tabagismo”); e (3) o desfecho de interesse (“adesão do paciente”, “aderência”, “barreiras”, “facilitadores”). Operadores booleanos (AND, OR) foram utilizados para refinar a busca.
Critérios de Inclusão e Exclusão:
- Tipos de Estudo: Foram incluídas revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos randomizados (ECRs) para avaliar a eficácia das intervenções. Para a análise de barreiras e facilitadores, estudos qualitativos e observacionais também foram considerados.
- População: Estudos envolvendo pacientes adultos (≥18 anos) com diagnóstico confirmado de DAC, incluindo pós-infarto do miocárdio, angina estável, ou após procedimentos de revascularização (angioplastia ou cirurgia).
- Intervenção: Qualquer programa estruturado que inclua um ou mais componentes de mudança de estilo de vida (exercício, dieta, aconselhamento, etc.), comparado com cuidados habituais ou outra intervenção.
- Desfechos: Os desfechos primários incluem mortalidade (total e cardiovascular), eventos cardiovasculares (reinfarto, Acidente Vascular Encefálico), hospitalizações e qualidade de vida. Os desfechos secundários incluem a adesão ao tratamento (medicamentoso e comportamental) e a identificação de barreiras e facilitadores.
Tabela 1 – Fluxograma de seleção dos estudos para a revisão sistemática.


Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
Extração e Análise dos Dados:
Quatro revisores independentes realizaram a seleção dos estudos e a extração dos dados. Para os estudos quantitativos, foram extraídas informações sobre o desenho do estudo, características da população e descrição da intervenção. Dados estatísticos como risco relativo (RR), odds ratio (OR) e diferença média padronizada (SMD), quando reportados pelos estudos originais, foram utilizados apenas como referência para a interpretação dos achados, sem combinação quantitativa entre eles. A análise dos dados foi conduzida de forma qualitativa, e os fatores que influenciam a adesão foram categorizados segundo o modelo teórico COM-B (Capability, Opportunity, Motivation).
Síntese dos dados:
Devido à heterogeneidade dos delineamentos, populações, intervenções e desfechos avaliados nos estudos incluídos, bem como à falta de padronização dos indicadores quantitativos necessários para o cálculo de tamanhos de efeito, não foi possível realizar metanálise. Dessa forma, optou-se pela condução de uma síntese qualitativa/análise narrativa, integrando os achados conforme convergência temática e relevância clínica para a pergunta de pesquisa.
4. RESULTADOS
A síntese da literatura, baseada na metodologia proposta, revela um corpo robusto de evidências sobre a eficácia das intervenções de estilo de vida e um entendimento crescente sobre os complexos determinantes da adesão. Os estudos que atenderam aos critérios de inclusão foram analisados por meio de síntese qualitativa, estruturada em eixos temáticos. Não houve metanálise devido à heterogeneidade metodológica e à ausência de dados numéricos comparáveis entre os estudos.
4.1. Eficácia dos Programas Estruturados de Modificação do Estilo de Vida
Meta-análises previamente publicadas em ECRs demonstram consistentemente os benefícios clínicos dos programas de reabilitação cardíaca (RC) e modificação de estilo de vida. Uma meta-análise de 23 ECRs (11.085 pacientes) associou a participação nesses programas a uma redução significativa na mortalidade por todas as causas (OR 1.34), mortalidade cardíaca (OR 1.48) e reinternações/reinfartos não fatais (OR 1.35) (Janssen et al., 2012). Uma revisão sistemática da Cochrane com 63 ECRs (14.486 participantes) confirmou a redução na mortalidade cardiovascular (RR 0.74) e no risco de hospitalizações (RR 0.82) com a RC baseada em exercício (Anderson et al., 2016).
Os mecanismos fisiológicos subjacentes a esses benefícios incluem a melhoria da função endotelial. A atividade física regular aumenta a biodisponibilidade de óxido nítrico (NO), ativa células progenitoras que reparam o endotélio e modula a inflamação vascular, revertendo parcialmente as alterações ateroscleróticas (Winzer; Woitek; Linke, 2018).
Além dos desfechos clínicos, esses programas melhoram significativamente os fatores de risco, como a pressão arterial sistólica e diastólica e o colesterol total (Abate et al., 2025), e consistentemente aumentam a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) dos pacientes (Anderson et al., 2016; McDonagh et al., 2023).
4.2. Modelos de Prestação de Cuidados
Reconhecendo as barreiras de acesso aos programas tradicionais, a pesquisa tem validado modelos alternativos. Programas domiciliários demonstraram serem tão eficazes quanto os programas baseados em centros hospitalares em termos de mortalidade e eventos cardíacos, com a vantagem de apresentarem uma adesão ligeiramente superior (Clark et al., 2010; McDonagh et al., 2023). Intervenções de telessaúde e saúde digital também se mostram promissoras, melhorando a adesão à medicação e a atividade física, embora sua eficácia em outros desfechos, como a cessação do tabagismo, aind a seja inconsistente (Abate et al., 2025; Cruz-Cobo et al., 2022).
4.3. Barreiras e Facilitadores à Adesão (Modelo COM-B)
A literatura identifica um conjunto complexo de fatores que influenciam a adesão, que podem ser organizados segundo o modelo COM-B:
Capacidade (Capability): Refere-se aos atributos físicos e psicológicos do indivíduo.
- Barreiras: Comorbidades, como dor; baixa capacidade física pós-evento; falta de conhecimento sobre a doença e o tratamento e déficits cognitivos (Anderson et al., 2016; Mamede et al., 2019).
- Facilitadores: O próprio treinamento físico, que melhora a capacidade física, a educação em saúde fornecida por profissionais e o automonitoramento do comportamento (Anderson et al., 2016).
Oportunidade (Opportunity): Fatores externos ao indivíduo.
- Barreiras: Falta de apoio social da família e amigos, pressão social em eventos, falta de acesso a locais seguros para exercício, restrições de tempo e custos financeiros (Ali et al., 2017; Anderson et al., 2016).
- Facilitadores: Forte apoio familiar (“minha família me move”), intervenções de apoio de pares, acesso a ambientes favoráveis e o uso de tecnologias como telessaúde e lembretes de dispositivos (Anderson et al., 2016; Weddell et al., 2025; Espinosa et al., 2021).
Motivação (Motivation): Processos cerebrais que direcionam o comportamento.
- Barreiras: Falta de vontade de adotar um novo estilo de vida, crenças de que a mudança “não vale a pena”, depressão, ansiedade, estresse e o medo de desencadear um novo evento cardíaco com o exercício (Ali et al., 2017; Anderson et al., 2016; Mamede et al., 2019).
- Facilitadores: A crença de que a adesão reduz o risco de um novo infarto, a percepção do evento cardíaco como um “momento de ensino”, a motivação intrínseca e a visualização de resultados tangíveis do progresso (Chowdhury et al., 2013; Mamede et al., 2019).
5. DISCUSSÃO
A análise dos resultados revela um paradoxo central na cardiologia preventiva, detêm-se intervenções de prevenção secundária altamente eficazes, mas sua implementação no mundo real é severamente limitada pela baixa adesão do paciente. A eficácia robusta da reabilitação cardíaca, demonstrada em múltiplas meta-análises, contrasta fortemente com as taxas de adesão subótimas observadas na prática clínica (Anderson et al., 2016; Gould et al., 2025; Janssen et al., 2012).
A aplicação do modelo COM-B para analisar as barreiras e facilitadores à adesão oferece uma visão sistêmica do problema (Anderson et al., 2016). Fica claro que a não adesão não é uma falha de caráter do paciente, mas uma propriedade emergente de um sistema complexo de interações entre fatores individuais, sociais e ambientais. Por exemplo, a depressão, uma barreira de Motivação, pode ser exacerbada pela falta de apoio social, que se configura como uma barreira de Oportunidade, o que, por sua vez, esgota os recursos cognitivos necessários para planejar uma dieta saudável, que é uma barreira de Capacidade. Esta interconexão implica que intervenções focadas em um único domínio, como a educação do paciente, enquadrada na Capacidade, estão fadadas ao fracasso se não abordarem simultaneamente as barreiras motivacionais e de oportunidade. A literatura aponta para a necessidade de uma mudança de paradigma, afastando-se de abordagens padronizadas em direção a um modelo de apoio personalizado e multinível. Intervenções que incorporam técnicas de autorregulação, como estabelecimento de metas, automonitoramento, planejamento e feedback, demonstraram ser mais eficazes, pois atuam diretamente sobre a capacidade e a motivação do paciente (Janssen et al., 2012).
Além disso, a evidência de que diferentes modelos de prestação podem alcançar resultados clínicos semelhantes sugerem que os componentes centrais da intervenção são mais importantes do que o local (McDonagh et al., 2023). Isso abre caminho para a oferta de um “menu de opções” baseadas em evidências, permitindo que o cuidado seja adaptado às preferências e circunstâncias de cada paciente. Estratégias inovadoras, como o apoio de pares, emergem como particularmente promissoras, pois abordam diretamente a oportunidade social e a motivação, melhorando a autogestão e reduzindo reinternações (Weddell et al., 2025). Curiosamente, alguns estudos desafiam estereótipos, mostrando que pacientes mais velhos podem ser mais bem-sucedidos em intervenções de perda de peso e cessação tabágica quando recebem apoio adequado (Jepma et al., 2020).
6. CONCLUSÃO
A modificação do estilo de vida é um pilar indispensável e altamente eficaz na prevenção secundária da DAC, com benefícios comprovados na redução da mortalidade, morbidade e na melhoria da qualidade de vida. No entanto, o potencial máximo dessas intervenções é limitado por uma lacuna de adesão generalizada e multifatorial.
A prática clínica deve evoluir de um modelo prescritivo para um modelo colaborativo, que realize uma avaliação abrangente das barreiras individuais de cada paciente nos domínios da capacidade, oportunidade e motivação. A oferta de um leque de opções de programas baseados em evidências, incluindo modelos domiciliares, digitais e de apoio de pares, é essencial para personalizar o cuidado e maximizar a adesão.
A investigação futura deve focar-se no desenvolvimento e teste de intervenções adaptativas que forneçam apoio personalizado em tempo real, bem como em estudos sobre a manutenção da mudança de comportamento em longo prazo. É crucial também investigar modelos de implementação que sejam escaláveis e custo-efetivos para integrar o apoio à adesão nos sistemas de saúde.
Em suma, o avanço no tratamento da DAC depende menos da descoberta de novas terapias e mais do domínio da ciência comportamental para apoiar a mudança de comportamento humano em longo prazo. O desafio é fundamentalmente de implementação, e as soluções devem ser personalizadas, informadas pela teoria e integradas ao contínuo do cuidado em saúde.
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1 Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Afya Campus 1.
2 Docente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário São Lucas Afya Campus 1.
