THE IMPORTANCE OF MANAGEMENT INFORMATION SYSTEMS FOR SMALL FAMILY BUSINESSES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511161545
Gerônimo Van-Dick Rizzo Bortolozzo1
Felipe Diniz Dallilo2
Fabiana Florian3
Resumo: Este trabalho analisou a importância dos Sistemas de Informações Gerenciais (SIGs) para pequenas empresas familiares, abordando seus benefícios, desafios e impactos na gestão. A pesquisa bibliográfica evidenciou que os SIGs contribuem significativamente para a eficiência operacional, a integração de dados e o suporte à tomada de decisões. Foram identificadas vantagens como o aumento do controle administrativo, a profissionalização da gestão e a redução de erros operacionais. Contudo, destacam-se desafios como os custos de implantação, a resistência à mudança e a falta de conhecimento técnico. Por tanto, apesar das dificuldades iniciais, os SIGs representam um investimento essencial para a competitividade e sustentabilidade das empresas familiares no mercado atual.
Palavras-chave: Sistemas de Informações Gerenciais; Empresas Familiares; Gestão; Tecnologia; Competitividade.
Abstract: This study analyzed the importance of Management Information Systems (MIS) for small family businesses, addressing their benefits, challenges, and impacts on management. The literature review showed that MIS significantly contributes to operational efficiency, data integration, and decision-making support. Advantages identified include increased administrative control, management professionalization, and reduction of operational errors. However, challenges such as implementation costs, resistance to change, and lack of technical knowledge were also highlighted. Therefore, despite initial difficulties, MIS represents an essential investment for the competitiveness and sustainability of family businesses in today’s market.
Key-Words: Management Information Systems; Family Businesses; Management; Technology; Competitiveness.
1. INTRODUÇÃO
Os Sistemas de Informação Gerenciais (SIGs) têm um trabalho importante na administração de empresas de diversos portes, ajudando na coleta, processamento e na tomada de decisões. Na área das pequenas empresas familiares, os SIGs adequados podem ter um grande benefício competitivamente, permitindo que gestores tenham um maior controle sobre operações financeiras, as vendas e vários outros processos internos. A integração de dados que os SIGs permite faz com que as empresas tenham uma visão ampla e precisa da situação da empresa, o que reduz os erros operacionais além de melhorar a eficiência dos processos administrativos. No entanto, Favretto e Guillande (2018) destacam que muitas dessas empresas enfrentam dificuldades na busca de informações relevantes sobre si mesmas, o que compromete a qualidade de seus processos decisórios.
É importante entender de que maneira os sistemas de informação podem ajudar na gestão eficiente de pequenas empresas familiares, permitindo uma maior segurança na tomada de decisões e melhorando a sua luta no mercado. A digitalização dos processos administrativos pelo SIGs não só facilita o gerenciamento de dados, mas também promove um ambiente mais organizado e preparado para responder rapidamente às demandas do mercado. Se torna importante mostrar esses benefícios da implementação de SIGs nesses empreendimentos, identificando desafios e oportunidades associadas ao uso dessas tecnologias, como Bazzotti e Garcia (2000) apontam, Os SIGs operam no nível estratégico das organizações, contribuindo para a definição de metas e diretrizes por meio de tecnologias avançadas que possibilitam a criação de relatórios e gráficos analíticos.
O objetivo principal deste trabalho é mostrar a importância dos sistemas de informações gerenciais (SIGs) para pequenas empresas familiares, auxiliando na definição de metas e diretrizes por meio de tecnologias que geram relatórios e gráficos analíticos, capazes de aprimorar a gestão e aumentar o desempenho organizacional. O trabalho busca demonstrar como um SIGs bem implementado pode otimizar o uso de recursos da empresa, reduzir os seus desperdícios e melhorar a comunicação entre os seus diferentes setores. Para isso, serão examinadas boas práticas de utilização de SIGs, bem como as dificuldades encontradas na sua implantação. O trabalho também pretende propor soluções que facilitem a adoção dessas tecnologias, contribuindo para um plano de ação que ajuda empreendedores a otimizar seus processos de gestão.
Nas pequenas empresas familiares, os desafios são ainda maiores, pois muitas delas trabalham com estruturas pequenas e possuem gestores que acumulam diversas funções. Assim, buscar maneiras de superar esses obstáculos pode trazer melhorias significativas na gestão e sustentabilidade dessas empresas. Nesse sentido, conforme destaca Wakulicz (2016, p. 45), a principal função dos recursos humanos consiste em recrutar, selecionar e manter uma equipe de trabalho estável, eficiente e devidamente qualificada. Dessa forma, a incorporação de SIGs ajuda os gestores na organização e disseminação de informações cruciais para a tomada de decisões, melhorando o planejamento e reduzindo os erros administrativos.
Outra dificuldade que as pequenas empresas enfrentam é implementar e utilizar os sistemas de informação gerenciais em relação com os limites financeiros ou conhecimento insuficiente para investir em tecnologia, comprometendo sua eficiência e competitividade. A hipótese a ser testada é que a adoção de SIGs pode melhorar na tomada de decisão dessas empresas, desde que sejam implementadas estratégias adequadas para sua adoção e uso.
Foi feita uma pesquisa de natureza qualitativa e bibliográfica, com o objetivo de analisar de que forma as empresas familiares adotam e utilizam os sistemas de informação em seus processos de gestão. Foram avaliados artigos acadêmicos, livros e relatórios empresariais. Esses estudos incluíam a identificação dos principais desafios na implementação de SIGs, a compreensão dos benefícios gerados e a análise de soluções viáveis para facilitar sua adoção.
Dessa forma, espera-se que este trabalho contribua para que as empresas tenham um entendimento mais profundo dos sistemas de informação na gestão de pequenas empresas familiares, oferecendo ideias práticas para melhorar a eficiência operacional e estratégica desses empreendimentos.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Está seção apresenta os conceitos básicos sobre empresas familiares, sistemas de informações gerenciais (SIGs), a definição de pequenas empresas familiares e suas particularidades, como os SIGs funcionam na coleta, processamento e análise das informações para facilitar a tomada de decisão e os benefícios que podem trazer a essas empresas.
2.1 Sistemas de informações gerenciais
Wakulicz (2016) confirma que, historicamente, a principal função dos recursos humanos foi o de recrutar, selecionar e manter uma equipe de trabalho qualificada, o que garante uma estabilidade e eficiência dentro das organizações. No entanto, ao longo dos últimos anos, essa área expandiu suas atribuições para além das práticas tradicionais, tendo um papel estratégico dentro das empresas. Atualmente, o setor de recursos humanos trabalha como um agente de suporte à gestão, oferecendo informações detalhadas para a tomada de decisões e ajudando a melhorar os processos internos. Esse novo posicionamento mostra como é importante a gestão de pessoas não ser apenas um fator operacional, mas sim como uma parte fundamental para o desenvolvimento organizacional.
A importância dos SIGs está em sua capacidade de transformar grandes volumes de dados em informações organizadas, acessíveis e compreensíveis, permitindo que decisões sejam tomadas com maior confiança e agilidade. Isso é particularmente relevante em ambientes onde os recursos são limitados, como nas pequenas empresas.
2.1.1 Sistema Computacional
Um sistema é um conjunto organizado de componentes e recursos interligados, cuja função é coletar, processar, armazenar e disseminar informações essenciais para apoiar a tomada de decisões, o gerenciamento e a coordenação das atividades empresariais. Segundo Oliveira (2002), um sistema consiste na integração de partes interdependentes que interagem entre si para atingir um objetivo comum. Dessa forma, um SIGs tem como propósito integrar e automatizar as operações, aumentar a eficiência administrativa e assegurar que os gerentes tenham acesso rápido e preciso às informações indispensáveis para fundamentar suas decisões.
Os sistemas computacionais formam a base tecnológica que dá suporte aos SIGs. Usando o hardware e software, bem como bancos de dados e redes de comunicação para processar os vários volumes dos dados e juntá-los em informações usáveis para a gestão. Esses sistemas permitem que as informações adquiridas sejam recebidas por todos os diferentes setores da empresa, aumentando a integração e agilidade nos processos de decisões. Além disso, o uso de sistemas computacionais adequados possibilita às pequenas empresas familiares competirem em um mercado cada vez mais digital e orientado por dados.
2.1.2 Componentes dos SIGs
Os Sistemas de Informações Gerenciais possuem cinco elementos fundamentais: hardware, software, dados, redes e pessoas. O hardware representa os equipamentos físicos, enquanto o software refere-se aos programas e aplicações utilizados. Os dados são o principal insumo do sistema, pois são coletados, organizados e convertidos em informações. As redes, por sua vez, permitem uma comunicação ágil e o compartilhamento eficiente desses dados. Já as pessoas representam os usuários responsáveis por operar e interpretar os sistemas (Wakulicz, 2016).
A integração eficaz desses componentes é crucial para garantir que os SIGs desempenhem suas funções com eficiência. Sem a atuação coordenada entre esses elementos, a utilidade do sistema pode ser comprometida.
2.1.3 Funções dos SIGs
As principais funções dos SIGs envolvem coletar, armazenar, processar e disseminar informações que apoiam as atividades operacionais, táticas e estratégicas da organização. Conforme Guerra e Moreira (2023), os SIGs oferecem suporte à tomada de decisões, ao planejamento, ao controle e à análise de desempenho organizacional, permitindo que os gestores visualizem cenários e simulem consequências antes de agir.
Além disso, os SIGs facilitam o acesso a dados relevantes em tempo real, promovendo agilidade na resposta a mudanças do mercado e contribuindo para o aumento da competitividade empresarial.
2.2 HISTÓRIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS
Os sistemas de informação gerenciais (SIGs) foram criados a partir da necessidade das empresas de organizar, armazenar e analisar dados de uma maneira mais eficiente. Na década de 1950, os primeiros sistemas eram usados apenas para processamento de transações, como folha de pagamento e controle de estoque. Eram sistemas grandes e caros, que apenas as grandes corporações tinham acesso.
Nos anos 1970 e 1980, com o avanço da computação e dos bancos de dados, as empresas começaram a usar os sistemas que geram relatórios e analisam o desempenho da empresa como um todo. O uso de sistemas dessa forma marca os primeiros Sistemas de Informação Gerenciais que eram utilizados de forma mais similar aos da modernidade, permitindo que gestores tomassem as suas decisões com base em dados concretos. A partir da década de 1990, com a expansão da internet e o avanço dos microcomputadores, os SIGs tornaram-se mais acessíveis às pequenas empresas, que antes enfrentavam altos custos de implementação. Atualmente, esses sistemas evoluíram para soluções integradas, como ERP (Enterprise Resource Planning) e CRM (Customer Relationship Management), que oferecem análises em tempo real e acesso em nuvem, otimizando a gestão e aumentando a competitividade organizacional.
2.3 PEQUENAS EMPRESAS FAMILIARES
As pequenas empresas familiares representam uma parte significativa da economia em diversos países, inclusive no Brasil. Essas empresas se diferenciam por terem uma forte presença de membros da família na gestão e no controle dos negócios, o que confere características particulares à sua administração.
2.3.1 Características das Empresas Familiares
Empresas familiares apresentam uma cultura organizacional baseada na confiança, no comprometimento e na tradição. De acordo com Castro e Carvalho (2019), essas empresas geralmente possuem uma hierarquia flexível e centralizada, onde os papéis e funções são definidos informalmente. A influência dos familiares pode gerar vantagens, como maior facilidade para conversar entre os empregados, mas também pode dificultar a profissionalização e a gestão objetiva do negócio.
Além disso, as empresas familiares tendem a valorizar mais entre os laços emocionais e a continuidade do legado da família, o que pode influenciar as suas decisões estratégicas e operacionais. Elas também priorizam a estabilidade e a preservação dos valores familiares, em vez de mudanças que são consideradas radicais ou arriscadas. Porém, isso também causa com que essas empresas se limitem em termos de inovação e a adoção de novas tecnologias, como os sistemas de informações gerenciais, que são fundamentais para modernizar a administração e garantir a competitividade no mercado atual.
2.3.2 Dificuldades Gerenciais Típicas
Apesar de sua força na economia, as empresas familiares enfrentam desafios específicos em relação à gestão, como a ausência de planejamento estratégico, resistência à inovação, conflitos interpessoais e dificuldades no processo de sucessão. Segundo Rocha e Silva (2023), muitos gestores familiares têm formação técnica, mas não administrativa, o que dificulta a implementação de práticas gerenciais modernas. Essas dificuldades podem comprometer a continuidade e o crescimento da empresa a longo prazo.
2.3.3 Linguagens de Programação e Bancos de Dados em Empresas Familiares
As linguagens de programação e os bancos de dados utilizados em empresas variam dependendo da necessidade e da sua estrutura tecnológica. No caso das empresas familiares, a preferência por tecnologias que tenham um custo mais baixo para implementação, como também uma maior facilidade no uso e manutenção, além de boa integração com os sistemas já existentes.
Entre as linguagens de programação mais utilizadas, o Python, Java, PHP, o C# e o JavaScript são os que se destacam mais. O Python é usado por causa de sua simplicidade, versatilidade e disponibilidade de bibliotecas que são mais focadas em automação e na análise de dados, o que o torna ele uma opção eficiente para pequenas empresas que buscam otimizar processos internos. O Java já é reconhecido por sua estabilidade e complexidade, sendo comum em sistemas de gestão empresarial (ERP) e aplicações corporativas. Já o PHP é popular no desenvolvimento de sistemas web e sites institucionais, sendo uma alternativa mais acessível para empresas familiares que procuram por soluções online. O C# é frequentemente utilizado em softwares locais para controle financeiro e de estoque, enquanto o JavaScript usando frameworks como Node.js e React são usados no desenvolvimento de sistemas web interativos e integrados.
Os bancos de dados em empresas familiares tendem a encontrar soluções que ajudam na eficiência e economia da empresa. O MySQL é um dos sistemas mais utilizados, tanto porque ele é gratuito e por ser fácil de configurar e compatível com várias linguagens. O SQLite já é mais requisitado em aplicações locais ou de pequeno porte, por ser simples de operar. O PostgreSQL se destaca como uma alternativa mais complexa e segura, sendo usado por empresas que necessitam de um maior desempenho e escalabilidade. Já o Microsoft SQL Server é usado em vários ambientes corporativos que usam a linguagem C# e a infraestrutura do Windows. Além disso, tecnologias NoSQL como Firebase e MongoDB vêm ganhando espaço em empresas que buscam sistemas baseados na nuvem e aplicativos móveis.
2.4 IMPORTÂNCIA DOS SIGs PARA EMPRESAS FAMILIARES
A adoção de Sistemas de Informações Gerenciais pode representar um diferencial competitivo significativo para pequenas empresas familiares. Além de auxiliar na organização e análise de dados, os SIGs promovem maior controle das operações, transparência na gestão e embasamento para decisões mais assertivas.
2.4.1 Profissionalização da Gestão
A utilização de SIGs contribui diretamente para a profissionalização da gestão nas empresas familiares. Conforme Queiroz e Dutra (2022), a implementação desses sistemas exige o estabelecimento de processos claros, padronizados e baseados em indicadores de desempenho, o que favorece uma administração mais técnica e menos baseada na intuição ou em decisões familiares informais.
2.4.2 Suporte à Tomada de Decisão
Com o apoio dos SIGs, os gestores familiares passam a contar com informações consistentes e atualizadas, que auxiliam na tomada de decisões estratégicas, operacionais e financeiras. Borges e Machado (2017) destacam que os SIGs tornam possível a visualização de cenários e a avaliação de riscos, permitindo que as decisões sejam fundamentadas em dados e não apenas em experiências passadas ou no senso comum.
2.4.3 Sustentabilidade e Continuidade do Negócio
A continuidade das empresas familiares é um desafio recorrente, especialmente durante processos de sucessão. Segundo Santos e Kruly (2023), os SIGs contribuem para a sustentabilidade e a perpetuação do negócio ao promover uma gestão baseada em informações, planejamento de longo prazo e integração entre os setores. A adoção desses sistemas também favorece a governança corporativa, promovendo maior transparência e organização, fatores essenciais para a longevidade empresarial.
3. DESENVOLVIMENTO
Nesta parte, serão apresentados os objetivos do trabalho e as metodologias utilizadas, por meio da análise da importância dos SIGs para pequenas empresas familiares. A pesquisa foi feita por meio de revisões bibliográficas e a análise de estudos de caso disponíveis na literatura. Foram selecionados artigos e pesquisas que abordam a implementação e os efeitos dos SIGs em pequenas empresas familiares, com foco nos benefícios, desafios e impactos na gestão.
3.1 Objetivos dos SIGs
Os Sistemas de Informações Gerenciais são ferramentas que coletam, processam e disseminam informações para facilitar na tomada de decisões dentro das empresas. De acordo com Conceição, Souza e Siqueira (2013), os SIGs têm como propósito principal gerar informações relevantes, confiáveis e acessíveis aos gestores, no momento e formato adequados, com o suporte das ferramentas de tecnologia da informação. Diante disso, os principais objetivos deste trabalho são:
● Identificar os principais benefícios proporcionados pela adoção dos SIGs, como o aumento da eficiência operacional, melhoria no controle financeiro e apoio à gestão estratégica;
● Investigar as principais dificuldades e barreiras enfrentadas pelas empresas familiares na implementação desses sistemas, incluindo limitações técnicas, financeiras e culturais;
● Analisar o impacto dos SIGs na profissionalização da gestão, considerando as particularidades de empresas de base familiar, como a centralização de decisões e a informalidade nos processos;
● Avaliar experiências práticas por meio de estudos e relatos de empresas que adotaram SIGs, a fim de identificar boas práticas e lições aprendidas.
● Comparar as diferenças entre empresas familiares que utilizam e que não utilizam SIGs, identificando os seus benefícios, além de mostrar a adaptação cultural e resistência à mudança que algumas dessas empresas enfrentam.
3.2 Benefícios dos SIGs para Empresas Familiares
A adoção de SIGs pode auxiliar na padronização das informações e no aprimoramento da gestão. De acordo com Carmo e Pontes (1999), um estudo realizado com empresas de pequeno porte identificou que a implementação de sistemas de informação gerencial contribui para o aumento da qualidade e da eficiência nas decisões administrativas, sendo importante que a ferramenta seja simples de usar e adaptada às condições e limitações da empresa.
3.3 Dificuldades de implementação para Empresas Familiares
Existem várias barreiras no processo de adoção dos SIGs, que envolvem desde limitações técnicas até questões pessoais entre os colaboradores das empresas familiares. Sob o aspecto técnico, a carência de infraestrutura adequada, como equipamentos modernos, boa conexão de internet e sistemas de backup, compromete a implantação de sistemas integrados ou hospedados em nuvem. Além disso, muitas dessas empresas ainda dependem fortemente de atividades manuais ou do uso de planilhas, o que dificulta a integração dos dados e a criação de informações seguras para a gestão (Justy, 2023).
Outro obstáculo está ligado ao baixo nível de familiaridade com tecnologia. Os proprietários e familiares costumam acumular diversas funções e carecem de tempo ou capacitação para operar sistemas mais complexos. A escassez de profissionais de TI qualificados leva à necessidade de contratar consultorias externas, o que eleva os custos. Além disso, muitas empresas não possuem um planejamento tecnológico estruturado, o que faz com que os sistemas não sejam plenamente aproveitados (Gómez, 2020).
3.3.1 Custos dos Sistemas de Informações Gerenciais
A adaptação de um Sistema de Informações Gerenciais (SIGs) em uma empresa envolve custos que vão além da necessidade de software. É um processo que precisa de ajustes organizacionais, tecnológicos e humanos, já que o sistema muda as rotinas de trabalho e a forma de como as informações são tratadas. Um dos principais custos está no treinamento dos que irão usar os sistemas, que precisam aprender a operar o sistema para evitar erros e que saibam como utilizar cada ferramenta à sua disposição. Esse investimento é a parte mais importante para que a empresa aceite a mudança e consiga usar os SIGs de maneira produtiva.
Outro custo importante é o de integração e personalização. Muitas empresas já possuem sistemas de estoque, vendas ou até finanças. Esses sistemas precisam ser integrados ao novo SIGs. Isso causa a necessidade de técnicos especializados, ou até ajustes na infraestrutura para atender às particularidades do negócio. Além disso, existe o custo com equipamentos e servidores em sistemas locais, ou com assinaturas mensais e conexão estável à internet, que também devem ser considerados no orçamento.
Durante a adaptação, a empresa pode ter problemas com a redução temporária de produtividade, já que os funcionários e gerentes ainda estão se adaptando e aprendendo com os ajustes operacionais. Até mesmo após a implantação, outros gastos contínuos como o suporte técnico, manutenção e atualização do sistema podem existir. No entanto, esses custos podem ser vistos como investimentos técnicos, pois ao longo prazo, o SIGs proporciona um melhor controle das informações, otimiza processos e ajuda na tomada de decisões, resultando em um grande crescimento na eficiência e competitividade da empresa.
3.3.2 Cultura Organizacional em Empresas Familiares
A cultura organizacional tem um papel extremamente importante na forma de como as empresas familiares lidam com mudanças internas e externas. Segundo Reis (2022), a forte identidade cultural dessas organizações, construída ao longo de gerações, tende a criar padrões rígidos de comportamento e processos, o que pode gerar resistência à mudança. Essa resistência não se mostra apenas na implementação de novas tecnologias ou estratégias de gestão, mas também como uma dificuldade na adaptação a inovações que possam mudar a dinâmica familiar ou os valores tradicionais da empresa. Isso faz com que compreender a relação entre cultura organizacional e essa resistência à mudança se torna essencial para que os gestores de empresas familiares desenvolvam estratégias que equilibrem tradição e inovação, promovendo a sustentabilidade e o crescimento do negócio.
3.4 Impacto do SIGs nas Empresas Familiares
Frequentemente, as empresas familiares mantêm uma administração centralizada em poucos membros da família. Essa concentração de poder faz com que as decisões sejam tomadas de forma restrita, baseando-se mais na experiência e intuição dos gestores do que em dados concretos. Isso pode limitar o crescimento da empresa, pois a sobrecarga decisória impede a divisão de responsabilidades e dificulta a adoção de métodos mais modernos de gestão.
Outro efeito negativo dessa centralização é a falta de padronização nos processos. Muitas dessas empresas não possuem controles formais sobre estoque, vendas, finanças ou recursos humanos, operando de modo intuitivo. A ausência de registros e relatórios confiáveis prejudica a visão geral do negócio e aumenta as chances de falhas, como perdas financeiras, falta de planejamento e menor capacidade de identificar oportunidades de melhoria.
Os SIGs favorecem a profissionalização da gestão, pois fornecem informações organizadas e relatórios em tempo real, que auxiliam na tomada de decisões. Ao reunir dados sobre vendas, produção e finanças, os sistemas ampliam a transparência e reduzem a dependência exclusiva da experiência dos proprietários. Além disso, estimulam o desenvolvimento de uma cultura mais estruturada e colaborativa, incentivando a delegação de funções e o planejamento estratégico de longo prazo.
3.5 Boas práticas e lições aprendidas
Diversas experiências práticas mostram que a adoção de SIGs pode trazer importantes lições e boas práticas. Uma estratégia eficiente é a implantação gradual, em que os módulos do sistema são incorporados por etapas, começando geralmente pelo controle financeiro e de estoque, para depois integrar áreas como vendas e marketing. Esse processo facilita a adaptação dos colaboradores e reduz resistências. Outro meio de facilitar essa transformação é o treinamento contínuo, que permite maior segurança no uso da tecnologia. Além disso, o apoio externo, seja por meio de consultorias especializadas ou suporte do próprio fornecedor do sistema, tem se mostrado fundamental para auxiliar na superação de barreiras técnicas e culturais (Almeida, 2012).
Quando os membros-chave participam ativamente dessa transformação, a aceitação se torna mais fácil. Dessa forma, o uso dos SIGs deixa de ser apenas operacional, tornando-se um apoio importante à tomada de decisão, permitindo que gestores substituam a intuição por informações confiáveis e atualizadas. Estudos apontam que empresas familiares que superaram a fase inicial de dificuldades relatam ganhos em competitividade, maior controle sobre os recursos e redução de desperdícios, além de maior clareza para decisões de médio e longo prazo (LEONE, 2004).
4. RESULTADOS
A análise dos estudos e referências sobre SIGs demonstra que a adoção deles em pequenas empresas familiares mostra resultados principalmente positivos, embora existam desafios relevantes no processo de implementação. Entre as principais vantagens observadas, destaca-se o aumento da eficiência operacional, a melhoria da comunicação interna e a melhoria na tomada de decisões. A utilização dos SIGs proporciona maior controle sobre as operações financeiras, reduzindo os erros administrativos e aumentando a agilidade na formação de relatórios, facilitando as decisões mais precisas e baseadas em dados.
Com a padronização dos processos e um maior controle de dados em uma única plataforma, os gestores conseguiram analisar com maior precisão o desempenho de cada área empresarial. Usando indicadores e relatórios automatizados também contribuiu para um ambiente organizacional mais transparente e colaborativo, reduzindo a dependência de decisões baseadas apenas na experiência pessoal dos membros da família.
Apesar dos inúmeros benefícios, a implementação dos SIGs ainda enfrenta diversos desafios. As principais dificuldades estão ligadas aos custos de implantação e à resistência cultural presente em muitas empresas familiares. O investimento inicial em softwares e infraestrutura tecnológica ainda faz com que as empresas familiares estejam relutantes em adotar os SIGs, o que é mais aparente em empresas de pequeno porte. Analisando estes desafios junto com a resistência à mudança encontrada para adoção de ferramentas digitais, se torna difícil o uso e a eficácia do sistema. Porém, quando essas dificuldades são resolvidas, os benefícios mostram-se a superar os custos, colocando os SIGs como instrumentos essenciais para o crescimento e a sustentabilidade das empresas familiares a longo prazo.
5. CONCLUSÃO
Com base nas análises apresentadas, foi concluído que os Sistemas de Informações Gerenciais (SIGs) têm um papel fundamental na melhoria da gestão das pequenas empresas familiares. Essas ferramentas permitem um maior controle das operações, como a integração entre setores e suporte estratégico à tomada de decisões, promovendo um ambiente de gestão mais eficiente e profissionalizado.
Apesar das dificuldades iniciais, como os custos envolvidos na implementação, a necessidade de treinamento e a resistência à inovação, os resultados mostram que o uso dos SIGs é um investimento que possui ganhos significativos tanto em produtividade como em competitividade.
A adoção dos SIGs não precisa ser vista apenas como uma modernização tecnológica, mas como uma estratégia de evolução da gestão familiar. Com planejamento correto e apoio técnico, torna-se possível incluir tanto a tradição como a inovação, permitindo que as pequenas empresas familiares se mantenham em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por dados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Mário de Souza. Administração de Sistemas de Informações. Florianópolis: [s.n.], 2011. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/276268478_Administracao_de_Sistemas_de_Inf ormacoes. Acesso em: 22 set. 2025.
BAZZOTTI, C.; GARCIA, E. A importância do sistema de informação gerencial na gestão empresarial para tomada de decisões. Ciências Sociais Aplicadas em Revista, [S. l.], v. 6, n. 11, 2000. Disponível em: http://www.waltenomartins.com.br/sig_texto02.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.
BORGES, Bruna; MACHADO, Giovanni. O processo de tomada de decisão em empresas familiares de pequeno porte: um estudo de casos múltiplos em organizações prestadoras de serviços em Alvorada/RS. [S.l.], 2017. Trabalho acadêmico. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/326835291_O_processo_de_tomada_de_decisao _em_empresas_familiares_de_pequeno_porte_um_estudo_de_casos_multiplos_em_organi zacoes_prestadoras_de_servicos_em_AlvoradaRS. Acesso em: 20 set. 2025.
CARMO, Vadson Bastos do; PONTES, Cecília Carmen Cunha. Sistemas de informações gerenciais para programa de qualidade total em pequenas empresas da região de Campinas. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 1, p. 28–38, jan./abr. 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ci/a/GZCgqF7D9bgXgNQKWLJJS5t. Acesso em: 24 set. 2025.
CASTRO, João Paulo de Souza; CARVALHO, Rodrigo Baroni de; DE CASTRO, José Márcio. A influência das características de empresas familiares na gestão do escritório de projetos (PMO): proposta de um modelo conceitual. Revista de Gestão e Projetos, [S. l.], v. 15, n. 1, p. 187–211, 2024. DOI: 10.5585/gep.v15i1.25495. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/gep/article/view/25495. Acesso em: 20 set. 2025.
CONCEIÇÃO, Aline de Melo; SOUZA, Priscila Martins Vieira; SIQUEIRA, Paulo (Orient.). A contabilidade gerencial nas micro e pequenas empresas como instrumento de gestão. Revista Eletrônica da Faculdade José Augusto Vieira, [S. l.], ano VI, mar. 2013. Edição Especial da Pós-Graduação Lato Sensu em Controladoria e Finanças Empresariais. Disponível em: https://www.academia.edu/7304398/A_contabilidade_gerencial_em_micro_e_prequenas. Acesso em: 22 set. 2025.
DE QUEIROZ, L. H. S.; DUTRA, J. A. A. Profissionalização na gestão de empresas familiares: Professionalization in family business management. Brazilian Journal of Business, [S. l.], v. 4, n. 4, p. 2288–2301, 2022. DOI: 10.34140/bjbv4n4-049. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJB/article/view/54936. Acesso em: 24 set. 2025.
FAVRETTO, J.; GUILLANDE, G. Sistemas de informação e o processo de tomada de decisão: estudo nas pequenas e médias empresas da cidade de Chapecó. Gestão e Desenvolvimento em Revista, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 4–14, 2018. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/gestaoedesenvolvimento/article/view/17131/12572. Acesso em: 24 set. 2025.
GOMEZ, Jose. Barriers to change in family businesses. European Journal of Family Business, v. 10, p. 56–65. DOI: 10.24310/ejfb ejfb.v10i1.7018. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/342596034_Barriers_to_change_in_family_busi nesses. Acesso em: 19 set. 2025.
GUERRA, Tayane Parente; MOREIRA, Daiany Alves Araújo. Sistema de informação gerencial no processo de tomada de decisão: um estudo bibliométrico. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 9, n. 3, p. 1086–1100, 2023. DOI: 10.51891/rai.v9i3.8916. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/8916. Acesso em: 24 set. 2025.
JUSTY, T. Drivers and barriers to data analytics adoption in SMEs. Technological Forecasting & Social Change, v. 189, p. 122345, 2023. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S016649722300161X. Acesso em: 21 set. 2025.
LEONE, Nilda Maria de Clodoaldo Pinto Guerra. O processo sucessório em empresas familiares: o exemplo dos comerciantes e o processo no Saara. Organizações & Sociedade, v. 11, n. 29, p. 149–153, jan./abr. 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/osoc/a/xZd33MHgkQGQW8tmnVSvS7z/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 22 set. 2025.
OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Sistemas de informação gerenciais: estratégias, táticas, operacionais. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1992. Acesso em: 22 set. 2025.
REIS, M. M. R. dos. A influência da cultura organizacional na relação entre a resistência à mudança e o desempenho percecionado em empresas familiares e não familiares. Lisboa: ISPA – Instituto Universitário, 2022. Disponível em: https://repositorio.ispa.pt/entities/publication/f1bb273f-ac0d-4240-a6b0-89bfc8375886. Acesso em: 22 set. 2025.
ROCHA, Bruna Cristiano; SILVA, Jessica Davi; BARBOSA, Everaldo Henrique dos Santos. Dificuldades de gestão em empresa familiar. Revista e-Fatec, Garça, v. 13, n. 1, jun. 2023. Disponível em: https://pesquisafatec.com.br/ojs/index.php/efatec/article/view/260/209. Acesso em: 24 set. 2025.
SANTOS, Josiane; KRULY, Lais; SOUSA, Allison Manoel de; LIRA, Thais; MUSIAL, Nayane. Empresas familiares e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: qual a influência do controle e da gestão familiar? Revista Catarinense da Ciência Contábil, v. 22, e3374, 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/371631902_Empresas_familiares_e_Objetivos_d e_Desenvolvimento_Sustentavel_qual_a_influencia_do_controle_e_da_gestao_familiar. Acesso em: 24 set. 2025.
WAKULICZ, Gilmar Jorge. Sistemas de Informações Gerenciais. Santa Maria: RSG, 2016. Disponível em: https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/413/2018/11/11_sistemas_informacoes_gerenciais. pdf. Acesso em: 24 set. 2025.
1Graduando do Curso de Sistema de informação Gerônimo Van-Dick Rizzo Bortolozzo da Universidade de Araraquara- UNIARA. Araraquara-SP. E-mail: gvdrbortolozzo@uniara.edu.br
2Orientador. Docente do Curso de Sistema de informação Felipe Diniz Dallilo da Universidade de Araraquara- UNIARA. Araraquara-SP. E-mail: fddallilo@uniara.edu.br
3Co-orientador: Docente do curso de Sistemas de Informação Fabiana Florian da Universidade de Araraquara – UNIARA. Araraquara-SP. E-mail: fflorian@uniara.edu.br
