A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E SOCIOEMOCIONAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL

THE IMPORTANCE OF PLAY IN COGNITIVE AND SOCIO-EMOTIONAL DEVELOPMENT IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602131225


Maria Antônia Gonçalves de Freitas Miranda1
Odete Aparecida Sperandio2
Arlete Alves dos Santos3
Maria Lúcia de Oliveira Perozzo4
Rozineide Iraci Pereira da Silva5


RESUMO 

O brincar constitui um elemento fundamental no desenvolvimento integral da criança na Educação Infantil, atuando diretamente nos aspectos cognitivos e socioemocionais. Por meio das brincadeiras, a criança explora o mundo, constrói conhecimentos, desenvolve a imaginação, a linguagem, o pensamento crítico e aprende a lidar com emoções, regras e relações sociais. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a importância do brincar no desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças na Educação Infantil, destacando seu papel como prática pedagógica essencial no processo de ensino-aprendizagem. A metodologia utiliza-se para a revisão de literatura, por meio das bases SciELO, CAPES e Google Scholar, considerando publicações de artigos científicos 2020 a 2025, garantindo informações atualizadas e relevantes sobre o tema. Os resultados evidenciam que as atividades lúdicas favorecem a construção da autonomia, da socialização, da empatia e da autorregulação emocional, além de estimular habilidades cognitivas como atenção, memória, resolução de problemas e criatividade

Palavras-chave: Brincar. Educação Infantil. Desenvolvimento Cognitivo.  Desenvolvimento Socioemocional. Ludicidade.

ABSTRACT

Play is a fundamental element in the integral development of children in early childhood education, directly impacting cognitive and socio-emotional aspects. Through play, children explore the world, build knowledge, develop imagination, language, critical thinking, and learn to manage emotions, rules, and social relationships. In this context, this study aims to analyze the importance of play in the cognitive and socio-emotional development of children in early childhood education, highlighting its role as an essential pedagogical practice in the teaching-learning process. The methodology uses a literature review, through the SciELO, CAPES, and Google Scholar databases, considering publications of scientific articles from 2020 to 2025, ensuring updated and relevant information on the topic. The results show that play activities favor the construction of autonomy, socialization, empathy, and emotional self-regulation, in addition to stimulating cognitive skills such as attention, memory, problem-solving, and creativity.

Keywords: Play. Early Childhood Education. Cognitive Development. Socio-emotional Development. Playfulness.

1. INTRODUÇÃO

A Educação Infantil representa uma etapa essencial no desenvolvimento humano, pois é nesse período que a criança constrói as bases cognitivas, emocionais, sociais e culturais que influenciarão toda a sua trajetória de aprendizagem. Nesse contexto, o brincar assume papel central, sendo reconhecido não apenas como uma atividade espontânea, mas como uma prática pedagógica fundamental para o desenvolvimento integral da criança. Por meio das brincadeiras, a criança interage com o meio, expressa sentimentos, desenvolve habilidades cognitivas, fortalece vínculos sociais e aprende a lidar com regras, limites e emoções (Kishimoto, Marchiori, 2023).

A valorização dos espaços lúdicos na Educação Infantil é fundamental para assegurar o direito ao brincar e integrar essa prática às políticas públicas e às rotinas escolares de forma efetiva. Para a autora, os ambientes que estimulam a ludicidade, por meio de materiais diversificados, estímulos sensoriais e oportunidades de interação, não apenas promovem o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças, mas também reforçam a autonomia, a criatividade e o protagonismo infantil, contribuindo para a formação de sujeitos ativos e críticos (Carlos, 2025).

Apesar de sua relevância amplamente reconhecida por documentos oficiais e estudos acadêmicos, o brincar ainda é, em muitos contextos educacionais, subvalorizado ou utilizado de forma limitada, sendo visto apenas como um momento de recreação desvinculado do processo de ensino-aprendizagem. Essa realidade evidencia a necessidade de refletir sobre o papel do brincar na Educação Infantil e sua contribuição efetiva para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças.

Desta forma, o presente artigo aborda por meio de uma revisão de literatura a importância do brincar no desenvolvimento cognitivo e socioemocional na Educação Infantil, destacando sua função como prática pedagógica no processo de ensino-aprendizagem.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 EDUCAÇÃO INFANTIL

A Educação Infantil é uma etapa fundamental da formação humana, pois estabelece as bases para o desenvolvimento integral da criança, abrangendo aspectos cognitivos, afetivos, motores e sociais. Os primeiros anos de vida são determinantes para o aprendizado, e os estímulos recebidos nesse período influenciam diretamente o sucesso escolar futuro e a capacidade de interação com o mundo (Kishimoto, Marchiori, 2023).

Conforme Almada (2007), a grande responsabilidade da Educação Infantil é respeitar a individualidade e o tempo de cada criança, oferecendo ambientes ricos em atividades lúdicas que favoreçam a criatividade, a sensibilidade, a integração social e o desenvolvimento motor. O brincar, nesse contexto, atua como ferramenta pedagógica central, permitindo que a criança explore, experimente e aprenda de forma significativa.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96) reforça essa perspectiva ao definir a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação Básica, com a finalidade de promover o desenvolvimento integral da criança até os seis anos, complementando a ação da família e da comunidade (BRASIL, 1996). Dessa forma, a escola assume um papel essencial como espaço de apoio, estímulo e formação, preparando a criança não apenas para o aprendizado escolar, mas também para a vida em sociedade, promovendo sua cidadania e seu crescimento em aspectos humanos, culturais, políticos e sociais.

De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (Brasil, 1998), o objetivo da educação infantil está em contribuir para melhor implementar práticas educativas de qualidade, proporcionando às instituições pedagógicas orientações que promovam o desenvolvimento integral da criança. Esse documento reforça a importância de oferecer experiências diversificadas, que favoreçam a construção do conhecimento, o desenvolvimento de habilidades cognitivas, motoras, afetivas e sociais, bem como a valorização da ludicidade como eixo central do aprendizado.

Já a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é um documento de caráter normativo e tem por objetivo definir “o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica” (Brasil, 2017, p.05).

A BNCC reconhece o brincar como um direito de aprendizagem, reforçando sua importância como eixo estruturante da Educação Infantil (Brasil, 2017). Esse reconhecimento evidencia que o brincar não é uma atividade acessória ou meramente recreativa, mas uma prática central para o desenvolvimento integral da criança, envolvendo aspectos cognitivos, socioemocionais, afetivos e culturais.

2.2 BRINCADEIRAS E O LÚDICO

O brincar constitui um direito fundamental da criança e é reconhecido como uma linguagem própria da infância, por meio da qual ela se expressa, se comunica e constrói conhecimentos. Mais do que uma atividade recreativa, o brincar representa uma forma legítima de interação com o mundo, permitindo que a criança manifeste sentimentos, ideias, desejos e experiências de maneira espontânea e significativa (Alves; Souza, 2020).

De acordo com Piaget (1998), o brincar ocupa um papel central no desenvolvimento infantil, sendo um instrumento essencial para a construção do conhecimento e o aprendizado contínuo. 

Na visão de Piaget (1998), o brincar entre 0 e 5 anos é essencial para o desenvolvimento cognitivo. No estágio sensório-motor (0-2 anos), a criança explora o mundo por meio dos sentidos e das ações, construindo suas primeiras representações da realidade. No estágio pré-operacional (2-7 anos), o brincar simbólico permite imaginar, representar papéis e internalizar experiências, promovendo a linguagem, a memória e a compreensão social. Assim, o brincar é fundamental para a construção do conhecimento e do pensamento infantil.

Para Piaget (1998), a criança não aprende apenas por instrução direta, mas principalmente por meio da interação com o ambiente, da experimentação e da resolução de problemas presentes nas atividades lúdicas. Nesse sentido, o brincar possibilita que a criança organize suas experiências, teste hipóteses, compreenda relações de causa e efeito e desenvolva estruturas cognitivas cada vez mais complexas.

Kishimoto (2019, p. 15), diz que brincar “é uma atividade essencial para a constituição do sujeito, pois permite a uma criança reorganizar simbolicamente e de maneira significativa o seu mundo”.

Ao brincar, a criança organiza seu pensamento, elabora vivências e atribui sentidos à realidade que a cerca, utilizando diferentes formas de expressão, como o corpo, a imaginação, a linguagem oral e os símbolos. Nesse contexto, o brincar torna-se um instrumento essencial de aprendizagem, pois favorece o desenvolvimento integral, respeitando as especificidades da infância. Assim, garantir o brincar nos espaços educativos significa assegurar condições para que a criança exerça sua autonomia, criatividade e protagonismo no processo de desenvolvimento e aprendizagem (Santos Netto, 2025).

Segundo Vygotsky (2007, p. 105), no jogo, “a criança consegue agir em uma faixa de desenvolvimento superior aquela em que se apresenta nas atividades não lúdicas”

O brincar possibilita a internalização de regras sociais, o desenvolvimento da linguagem, da autorregulação e das funções psicológicas superiores. Ao criar situações imaginárias, a criança reorganiza a realidade, exercita o pensamento abstrato e aprende a controlar impulsos, agindo de acordo com normas e significados compartilhados socialmente. Nesse sentido, o professor assume um papel fundamental como mediador, ao planejar e favorecer experiências lúdicas que desafiem, orientem e ampliem as possibilidades de aprendizagem. Assim, o brincar é compreendido como um momento privilegiado para a aprendizagem e para o desenvolvimento global da criança, integrando aspectos cognitivos, sociais e emocionais (Vygotsky, 2007).

No contexto educativo, a ludicidade fortalece o vínculo entre a criança e o processo de aprendizagem, tornando-o mais significativo. Assim, brincar de forma lúdica não é apenas um momento de diversão, mas um elemento essencial para a formação da criança, contribuindo para seu desenvolvimento pleno e para a valorização da infância (Oliveira; Garcia, 2021).

De acordo com Guimarães et al. (2025) o brincar pode ser compreendido como uma atividade estruturante do desenvolvimento infantil, que ultrapassa a ideia de entretenimento espontâneo. Trata-se de uma prática social e cultural por meio da qual a criança interage com o mundo, consigo mesma e com os outros, mobilizando processos cognitivos, afetivos, simbólicos e sociais. No espaço lúdico, a criança atribui significados às experiências vividas, elabora emoções, experimenta papéis sociais e constrói conhecimentos sobre a realidade. 

Na perspectiva de Lima e Barreto (2023), a brincadeira desempenha um papel essencial na construção dos vínculos afetivos e na internalização de valores sociais, justamente por ocorrer de maneira espontânea e prazerosa. Ao brincar, a criança estabelece relações com seus pares, aprende a compartilhar, cooperar, respeitar regras e lidar com conflitos, fortalecendo sua capacidade de convivência e sua formação emocional. A vivência de diferentes papéis sociais nas brincadeiras simbólicas amplia a compreensão da criança sobre o mundo social, permitindo que ela experimente situações, normas e comportamentos presentes em seu contexto cultural.

A ludicidade constitui um elemento estruturante da educação infantil, e não um aspecto secundário ou complementar do processo educativo. O brincar é a forma pela qual a criança se relaciona com o mundo, com a cultura e com os outros, integrando experiências afetivas, sociais e cognitivas em um mesmo movimento de aprendizagem (Silva; Escarião, 2020). Desta forma, torna-se possível ressaltar que as brincadeiras, possibilitam um maior acesso aos saberes culturais, expressando sentimentos, construindo significados e participando de forma ativa da produção de conhecimentos, respeitando as especificidades da infância.

Nesse processo, o educador assume um papel fundamental ao observar atentamente as interações lúdicas, pois elas revelam aspectos importantes do desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças (COSTA et al., 2025). A partir dessas observações, o professor pode planejar intervenções pedagógicas significativas, que respeitem o tempo, as características e as necessidades de cada criança, potencializando aprendizagens e promovendo o desenvolvimento integral. Dessa forma, a brincadeira torna-se não apenas um espaço de expressão infantil, mas também uma fonte valiosa para a ação pedagógica consciente e intencional.

2.3 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E SOCIOEMOCIONAL

A brincadeira exerce influência decisiva no crescimento cognitivo e socioemocional da criança, constituindo-se como um dos principais meios de desenvolvimento na infância. No campo cognitivo, o brincar favorece a construção do pensamento, pois estimula a curiosidade, a imaginação, a atenção, a memória e a capacidade de resolver problemas. Ao explorar o ambiente, criar situações imaginárias e lidar com desafios presentes nas brincadeiras, a criança organiza ideias, estabelece relações e amplia sua compreensão sobre o mundo que a cerca (Costa, 2025).

No aspecto socioemocional, a brincadeira possibilita a expressão e o reconhecimento das emoções, contribuindo para o desenvolvimento do autocontrole, da empatia e da autoestima. Ao vivenciar diferentes papéis sociais, a criança aprende a conviver com o outro, a respeitar regras, a negociar conflitos e a construir vínculos afetivos. Esses processos são fundamentais para o amadurecimento emocional e para a formação da identidade. Dessa forma, o brincar não se limita ao lazer, mas atua como um eixo estruturante do desenvolvimento infantil, integrando aprendizagens cognitivas e socioemocionais de maneira significativa e natural (Ramos, 2022).

O brincar é reconhecido como um exercício fundamental no desenvolvimento infantil, pois vai além do prazer imediato, constituindo-se como um poderoso mediador do desenvolvimento cognitivo e socioemocional. No âmbito cognitivo, as atividades lúdicas estimulam o pensamento, a atenção, a memória, a imaginação e a capacidade de resolver problemas. Ao brincar, a criança explora hipóteses, estabelece relações de causa e efeito, constrói significados e amplia sua compreensão sobre o mundo, favorecendo a aprendizagem de forma ativa e significativa (Guimarães et al., 2025).

Sendo assim, no que se refere ao desenvolvimento socioemocional, o brincar possibilita a expressão e a elaboração das emoções, contribuindo para o autoconhecimento e para o equilíbrio emocional. As interações lúdicas promovem a socialização, o respeito às regras, a cooperação, a empatia e a construção de vínculos afetivos. Por meio das brincadeiras, a criança aprende a lidar com frustrações, a compartilhar, a negociar e a reconhecer sentimentos próprios e dos outros, fortalecendo sua identidade e suas habilidades sociais. Dessa forma, o brincar integra aspectos cognitivos e socioemocionais, desempenhando um papel essencial na formação integral da criança (Costa, 2025).

No campo cognitivo, o brincar desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das funções mentais da criança, atuando como um mediador entre a experiência concreta e a construção do conhecimento. As atividades lúdicas estimulam processos como atenção, memória, percepção, linguagem e raciocínio lógico, favorecendo a aprendizagem de forma ativa e significativa. Ao brincar, a criança explora possibilidades, formula hipóteses, testa soluções e reorganiza pensamentos, o que contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e criativo (Kishimoto; Marchiori, 2023).

Os jogos simbólicos e de construção, por exemplo, possibilitam a representação da realidade e a antecipação de ações, permitindo que a criança atribua significados às experiências vividas. Dessa forma, ao montar blocos, classificar objetos ou simular situações cotidianas, a criança desenvolve habilidades cognitivas essenciais, como a organização do pensamento, a resolução de problemas e a compreensão de relações espaciais e causais, competências indispensáveis para o processo de escolarização e para a vida em sociedade.

3. METODOLOGIA

A metodologia deste estudo, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória. A abordagem adotada baseou-se na revisão de literatura e análise documental, fundamentando-se em autores consagrados na área, como Vygotsky, Piaget e Kishimoto. 

Segundo Gil (2019), a abordagem qualitativa utilizada permite uma compreensão aprofundada dos fenômenos educacionais, por meio da interpretação crítica de fontes documentais. Essa estratégia assegura que as conclusões sejam consistentes, fundamentadas e relevantes, possibilitando a construção de um conhecimento sólido sobre a importância do brincar no desenvolvimento cognitivo e socioemocional na Educação Infantil.

Para a análise documental, foram considerados documentos normativos, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2017), além de artigos científicos publicados em periódicos indexados entre os anos de 2020 e 2025. 

A seleção priorizou estudos que abordam práticas lúdicas e interações na Educação Infantil, contemplando aspectos pedagógicos, psicológicos e sociais. A busca bibliográfica foi realizada em bases acadêmicas como SciELO, CAPES e Google Scholar, utilizando os descritores: Brincar; Educação Infantil; Desenvolvimento Cognitivo; Desenvolvimento Socioemocional; Ludicidade, visando selecionar estudos que abordassem práticas lúdicas e suas contribuições para o desenvolvimento integral das crianças.

Já os critérios de inclusão consideraram a relevância do material para os seguintes eixos: (1) tipos de interações promovidas nas brincadeiras na Educação Infantil; (2) impactos das práticas lúdicas no desenvolvimento cognitivo e (3) contribuições para a formação socioemocional. Materiais sem relação direta com esses eixos foram excluídos.

A análise dos dados foi realizada por meio de leitura analítica e categorização temática, seguindo os procedimentos de Bardin (2016), permitindo identificar padrões, categorias e elementos-chave nas práticas lúdicas descritas nos estudos. As categorias emergentes foram confrontadas com o referencial teórico, possibilitando uma triangulação entre teoria, prática e achados da pesquisa.

Essa metodologia qualitativa e exploratória é adequada, pois possibilita analisar o brincar como um fenômeno complexo, inserido em contextos sociais, culturais e educacionais diversificados, oferecendo subsídios teóricos e práticos para educadores, gestores e pesquisadores da área.

O fluxograma detalhado das etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos encontra-se apresentado na Figura 1, permitindo a visualização sistemática do processo de seleção da literatura. A apresentação desse fluxograma contribui para a transparência metodológica, ao evidenciar os critérios adotados em cada etapa, bem como os procedimentos de exclusão e inclusão dos estudos analisados.

Figura 1. Fluxograma de inclusão dos artigos.

Fonte: elaborada pelas as autoras, 2026.

O fluxograma demonstra como melhor organizar e sistematizar o processo de seleção da literatura, ao mesmo tempo em que reforça a transparência metodológica, ao explicitar os critérios e procedimentos de inclusão e exclusão dos estudos. Essa abordagem contribui para o rigor científico da pesquisa, ao facilitar a compreensão do método adotado e possibilitar sua replicação por outros pesquisadores.

4. RESULTADOS

Os resultados do presente trabalho foram obtidos a partir da análise comparativa de 15 artigos selecionados, conforme sintetizado no Quadro 1. A sistematização dos artigos permite identificar convergências e divergências teóricas e metodológicas, bem como abordar tendências, lacunas e evidências empíricas relevantes, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada do tema, bem como para melhor fortalecer as discussões apresentadas neste trabalho.

Quadro 1. Análise comparativa dos autores, objetivos, metodologia e resultados.

Autor/AnoObjetivoMetodologiaResultados
Almeida e Paula (2024)Analisar as contribuições do brincar para o desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança.Qualitativa, com abordagem bibliográfica e reflexiva. Fundamenta-se na análise de obras de Lev Vygotsky e Zanluchi, além de outros referenciais teóricos da Educação Infantil.O brincar contribui significativamente para o desenvolvimento cognitivo, social, emocional, afetivo e motor da criança. Estimula a autonomia, a criatividade, a imaginação e o senso crítico.
Brandão e Fernandes (2021)Investigar o papel da brincadeira como direito fundamental na Educação Infantil, analisando suas contribuições para o processo de humanização e desenvolvimento.Pesquisa bibliográfica,  revisão sistemática, teses e dissertações publicadas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) no período de 2013 a 2018, em diálogo com autores da Teoria Histórico-Cultural, como Leontiev, Mello, Pasqualini, Costa, Couto, entre outros.Demonstrou que a brincadeira é a atividade principal da infância e exerce papel central no desenvolvimento e na humanização da criança, possibilita a apropriação da cultura e a aprendizagem significativa.
Costa (2025)Analisar como as interações e as brincadeiras na Educação Infantil contribuem para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças.Pesquisa qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, revisão de literatura e na análise documental. Documentos normativos como a BNCC, selecionados em bases de dados acadêmicas como SciELO, CAPES e Google Scholar.As brincadeiras simbólicas e estruturadas favorecem o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças, destacando a importância da mediação pedagógica e da valorização do brincar para o desenvolvimento integral.
Costa et al. (2025)Analisar o papel do brincar na aprendizagem infantil, destacando seus impactos no desenvolvimento cognitivo, social, emocional e motor das crianças.Abordagem qualitativa, por meio de revisão bibliográfica sistemática. Foram selecionadas publicações de 2015 a 2025 em bases como SciELO, Google Scholar e ERIC. O brincar favorece a criatividade, a flexibilidade cognitiva e o desenvolvimento socioemocional, funcionando como recurso pedagógico essencial.
Faria et al. (2025)Compreender o papel do brincar e das atividades lúdicas no desenvolvimento integral de estudantes com deficiência, enfatizando suas contribuições para a aprendizagem, socialização e autonomia.Pesquisa qualitativa, exploratória e bibliográfica, com análise de livros, artigos e materiais online (2010-2024) de bases como SciELO, Google Scholar e CAPES. As atividades lúdicas (brincadeiras) favorecem aprendizado, desenvolvimento integral e autonomia das crianças, exigindo planejamento pedagógico adequado. 
Fernandes et al. (2024)Analisar o papel do brincar na educação especial infantil, destacando suas contribuições para o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e psicomotor de crianças com deficiência.Pesquisa qualitativa baseada em revisão bibliográfica, analisando metodologias lúdicas (brincadeiras), uso de tecnologias assistivas e estratégias pedagógicas.As metodologias lúdicas e o uso de tecnologias assistivas na educação especial promovem inclusão e desenvolvimento integral das crianças. 
Gadelha et al. (2020)Realizar uma revisão sistemática de artigos sobre o brincar na Educação infantil publicados em revistas nacionais da área.Revisão sistemática, com seleção de artigos, por meio de busca eletrônica no Portal Periódicos CAPES/MEC.O brincar promove socialização, criatividade e expressão das crianças, especialmente em espaços amplos e momentos de recreio, destacando-se a importância de incluir suas vozes na construção do conhecimento.
Guimarães et. al. (2025)Analisar como o brincar, incorporado à rotina pedagógica, contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças na Educação Infantil.Pesquisa bibliográfica com análise crítica de livros, artigos e documentos institucionais sobre o brincar e seu impacto no desenvolvimento infantil.As práticas lúdicas promovem socialização, desenvolvimento da linguagem, criatividade e gestão de conflitos, fortalecem vínculos afetivos e contribuem para o crescimento emocional, autoestima e aprendizagem das crianças.
Lima e Santos (2025)Analisar como o brincar contribui para o desenvolvimento integral de crianças da creche, considerando seu uso como ferramenta pedagógica e o processo de maturação infantil para a ludicidade.Pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, analisando livros, artigos, teses e outros documentos para fundamentar teoricamente o estudo, permitindo examinar diferentes autores e identificar conceitos e tendências relacionados ao tema.O brincar é identificado como ferramenta essencial para o desenvolvimento integral da criança, promovendo habilidades cognitivas, sociais, emocionais e motoras. 
Rocha et al., (2022)Analisar a teorização sobre o “brincar e se-movimentar” como fundamento para a Educação Infantil, discutindo suas concepções de infância, corpo e movimento, bem como o papel do professor e o objeto de ensino nesse contexto.Natureza teórica e qualitativa, baseada em análise e interpretação de produções acadêmicas, visando compreender conceitos, potencialidades, limites e desafios da teorização do “brincar e se-movimentar” nas atividades de jogos  e brincadeiras  da Educação Infantil.Evidenciou-se que o “brincar e se-movimentar” valoriza a criança como sujeito ativo, reconhece seu protagonismo, concebe o corpo e o movimento como linguagem e destaca a brincadeira como eixo central do processo de aprendizagem e do desenvolvimento integral na Educação Infantil.
Santos Netto (2025)Analisar como o brincar é abordado em pesquisas recentes sobre o desenvolvimento infantil, considerando seus impactos cognitivos, socioemocionais, linguísticos e culturais.Revisão sistemática seguindo PRISMA, com busca em SciELO, ERIC e CAPES (2014-2024). Foram selecionados 42 estudos empíricos com crianças de 0 a 5 anos, excluindo trabalhos duplicados, teóricos ou sem metodologia clara.O brincar é essencial para o desenvolvimento integral da criança, promovendo aprendizagem, criatividade e socialização, mas sua prática ainda enfrenta limitações estruturais e pedagógicas.
Silva et al. (2022)Analisar como o brincar e os métodos lúdicos contribuem para o desenvolvimento e a aprendizagem infantil.A pesquisa utilizou abordagem teórica, baseada em revisão de estudos de autores como Vygotsky, Kishimoto e Huizinga, analisando conceitos sobre ludicidade e sua aplicação pedagógica.O brincar promove o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da criança, fortalecendo aprendizagem, autonomia, convivência e respeito às regras no ambiente escolar. 
Silva et al. (2024)Analisar a importância do brincar para o desenvolvimento inicial das crianças na educação infantil.Revisão bibliográfica, aborda práticas pedagógicas fundamentadas nas teorias de Vygotsky e Piaget, explorando estratégias lúdicas e inclusivas que promovem criatividade, autonomia e desenvolvimento integral das crianças na educação infantil.O brincar favorece o desenvolvimento cognitivo, socioemocional, motor e linguístico das crianças, fortalece a autonomia, a criatividade e a cooperação, além de promover vínculos afetivos, aprendizagem significativa e inclusão em contextos escolares.
Silva e Escarião (2020)Revisar e sistematizar estudos publicados sobre o brincar na Educação Infantil, destacando sua relevância para o desenvolvimento integral das crianças.Revisão bibliográfica nas bases SciELO e Periódicos CAPES (2016-2020), aplicando filtros de idioma e periódicos revisados por pares, resultando na seleção de seis artigos para análise.O brincar na Educação Infantil favorece o desenvolvimento integral, a autonomia, a socialização e a construção da identidade, sendo essencial o papel do professor em criar ambientes que promovam a ludicidade.
Varella et al. (2024)Analisar a importância das brincadeiras na Educação Infantil e seu papel no desenvolvimento integral das crianças, destacando a mediação do professor e a integração ao currículo escolar.Revisão bibliográfica, baseada na análise de livros, artigos científicos e estudos sobre a temática abordada.Brincar é atividade estruturada que desenvolve habilidades, com diversas categorias (faz de conta, materiais de construção), mediada pelo professor e integrada ao currículo, promovendo desenvolvimento infantil pleno.

Fonte: elaborada pelas as autoras, 2026.

Os resultados deste estudo evidenciam que o brincar exerce influência significativa no bem-estar emocional e na construção da autoestima infantil, confirmando seu papel central no desenvolvimento integral da criança. Observou-se que as atividades lúdicas proporcionam um espaço seguro para a expressão de sentimentos, permitindo que as crianças manifestem emoções como alegria, frustração, medo e entusiasmo de forma espontânea e simbólica. Essa possibilidade de expressão contribui diretamente para o equilíbrio emocional, uma vez que a criança aprende a reconhecer e a lidar com suas próprias emoções (Brandão; Fernandes, 2021).

O brincar na infância ocupa um papel central e fundamental no desenvolvimento global da criança, contribuindo de maneira significativa para sua formação em diferentes dimensões, tais como a social, afetiva, motora, cultural, cognitiva e emocional. Por meio das atividades lúdicas, as crianças interagem entre si, aprendem regras de convivência que orientam a vida em sociedade, ampliam seu repertório lúdico e aprimoram a comunicação consigo mesmas e com o mundo ao seu redor (Rocha et al., 2022).

Nesse contexto, Lev Vygotsky destaca que, ao brincar, a criança assume papéis sociais e aceita as regras próprias da brincadeira, realizando de forma imaginativa tarefas para as quais ainda não está plenamente apta ou que, na realidade, não considera agradáveis. Essa vivência simbólica possibilita à criança avançar em seu desenvolvimento, uma vez que o brincar cria situações que favorecem a internalização de conhecimentos e a superação de limites momentâneos (Almeida; Paula, 2024).

O brincar na Educação Infantil configura-se como uma prática pedagógica essencial para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional da criança, uma vez que possibilita a construção de conhecimentos de forma significativa e contextualizada (Gadelha, 2020). Por meio das brincadeiras, a criança explora o ambiente, experimenta situações-problema, desenvolve o pensamento simbólico e amplia suas capacidades de atenção, memória, imaginação e raciocínio lógico. Dessa forma, o brincar favorece o desenvolvimento cognitivo ao estimular a curiosidade e a aprendizagem ativa, permitindo que a criança seja protagonista do próprio processo de aprendizagem.

No campo socioemocional, o brincar assume um papel igualmente relevante, pois cria oportunidades para a interação social, a cooperação e o respeito às regras. Ao brincar com outras crianças, o sujeito infantil aprende a compartilhar, negociar, lidar com frustrações e expressar emoções, aspectos fundamentais para a construção da identidade e do equilíbrio emocional (Costa, 2025). Conforme destaca Vygotsky, ao assumir papéis sociais nas brincadeiras, a criança internaliza normas, valores e comportamentos do meio social, entrando simbolicamente no mundo adulto e compreendendo as relações que o estruturam.

Para Gadelha (2020), o brincar contribui para o desenvolvimento da autonomia e da autoestima, uma vez que a criança se percebe capaz de criar, decidir e resolver conflitos presentes nas situações lúdicas. Essas experiências fortalecem o senso crítico e a autoconfiança, elementos essenciais para o desenvolvimento socioemocional saudável. Nesse sentido, a Educação Infantil deve reconhecer o brincar como um eixo estruturante do currículo, integrando-o de forma intencional às práticas pedagógicas.

Portanto, a importância do brincar no desenvolvimento cognitivo e socioemocional na Educação Infantil reside na sua capacidade de articular aprendizagem, emoção e socialização. Ao proporcionar experiências lúdicas significativas, a escola contribui para a formação integral da criança, preparando-a para enfrentar desafios futuros de maneira criativa, crítica e socialmente responsável (Almeida; Paula, 2024).

Assim, por meio das brincadeiras, a criança aprende de maneira ativa e torna-se protagonista na construção do seu próprio conhecimento, ampliando sua capacidade de raciocínio, autonomia e senso crítico. Conforme afirmam Almeida e Paula (2024), o brincar configura-se como uma prática essencial no processo educativo, promovendo aprendizagens significativas e contribuindo para o desenvolvimento integral e equilibrado da criança.

Os dados indicam que o brincar favorece o fortalecimento da autoestima, especialmente quando as crianças têm autonomia para escolher brincadeiras, criar regras e resolver conflitos. Nessas situações, percebe-se o desenvolvimento do senso de competência e autoconfiança, pois a criança se reconhece como capaz de agir, decidir e interagir com o meio social. Esse aspecto corrobora a ideia de que o brincar vai além da recreação, constituindo-se como um instrumento pedagógico essencial para a formação da identidade infantil (Almeida; Paula, 2024).

Outro ponto relevante observado por Guimarães et al. (2025) foi o impacto positivo das interações sociais mediadas pelo brincar. As brincadeiras coletivas estimularam a cooperação, o respeito às diferenças e a empatia, elementos fundamentais para a convivência social. Para Costa (2025), ao interagir com os pares, as crianças constroem significados sobre si mesmas e sobre o outro, o que contribui para a formação de vínculos afetivos e para a sensação de pertencimento, fatores diretamente relacionados ao bem-estar emocional.

O ambiente escolar que valoriza o brincar como eixo estruturante do processo educativo potencializa aprendizagens cognitivas e socioemocionais de forma integrada (Guimarães et al., 2025). Crianças inseridas em contextos lúdicos apresentaram maior engajamento, criatividade e capacidade de resolução de problemas, evidenciando que o aprendizado ocorre de maneira mais significativa quando associado a experiências prazerosas e desafiadoras.

Dessa forma, corroboram Guimarães et al. (2025), ao apontarem o brincar como um elemento fundamental para a promoção da saúde emocional e da autoestima na infância. Sendo assim, a valorização das práticas lúdicas na Educação Infantil não apenas favorece o desenvolvimento cognitivo, mas também contribui para a formação de crianças emocionalmente mais seguras, autônomas e socialmente competentes, reforçando a necessidade de que o brincar seja reconhecido como um direito e uma prática pedagógica essencial.

Na visão de Lima e Santos (2025), ao evidenciar que o brincar desempenha um papel fundamental no desenvolvimento integral de crianças com deficiência na Educação Especial Infantil, confirmando sua relevância nas dimensões cognitiva, socioemocional e psicomotora. As análises realizadas demonstram que as atividades lúdicas, quando devidamente adaptadas, favorecem a ampliação das capacidades cognitivas, estimulando a atenção, a memória, a resolução de problemas e a construção de conceitos básicos, aspectos essenciais para a aprendizagem significativa dessas crianças.

No âmbito socioemocional, os resultados apontam que o brincar contribui de forma expressiva para a interação social, a comunicação e a expressão de emoções (Silva; Escarião, 2020). Crianças com deficiência que participam de atividades lúdicas mediadas apresentam maior envolvimento com os pares e com os educadores, desenvolvendo sentimentos de pertencimento, segurança e aceitação. Contribuem para este contexto Fernandes et al. (2024), ao destacarem que o brincar possibilita experiências inclusivas que fortalecem a autoestima e a autonomia, reduzindo sentimentos de isolamento frequentemente associados às barreiras presentes no contexto escolar.

Em relação ao desenvolvimento psicomotor, observou-se que as brincadeiras estimulam a coordenação motora ampla e fina, o equilíbrio e a percepção corporal, respeitando os limites e potencialidades individuais de cada criança. A adaptação de materiais, espaços e regras mostrou-se determinante para garantir a participação ativa dos alunos, evidenciando que o planejamento pedagógico inclusivo é um fator decisivo para o sucesso das práticas lúdicas. Esses resultados reforçam a importância da atuação do educador como mediador do processo, conforme salientado por Fernandes et al. (2024).

Outro aspecto relevante identificado nos resultados diz respeito ao papel do educador na superação das barreiras físicas, sensoriais e cognitivas. A mediação intencional e sensível do professor, aliada ao uso de estratégias inclusivas, contribuiu para ampliar as possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento das crianças com deficiência. Dessa forma, o brincar deixou de ser apenas um momento recreativo, tornando-se uma ferramenta pedagógica estruturada e acessível (Silva; Escarião, 2020).

Os resultados analisados neste estudo demonstram que as atividades lúdicas exercem um papel significativo na efetivação da educação inclusiva, corroborando as discussões propostas por Faria et al. (2025). Observou-se que o brincar, quando incorporado de maneira intencional ao planejamento pedagógico, contribui de forma expressiva para o desenvolvimento cognitivo dos estudantes com deficiência, favorecendo a construção de conhecimentos, a atenção, a memória e a resolução de problemas em contextos de aprendizagem mais significativos e motivadores.

No que se refere aos aspectos emocionais, os resultados indicam que o lúdico atua como um mediador importante na expressão de sentimentos e no fortalecimento da autoestima (SILVA et al., 2022). Estudantes inseridos em práticas pedagógicas lúdicas demonstraram maior segurança, iniciativa e disposição para participar das atividades propostas. Entende-se que a concepção de que o brincar ultrapassa a dimensão recreativa, configurando-se como uma estratégia pedagógica que favorece o bem-estar emocional e a autonomia, conforme defendido por Faria et al. (2025).

Quanto à socialização, os dados evidenciam que as atividades lúdicas promovem interações mais colaborativas entre os estudantes, estimulando o respeito às diferenças, a empatia e a cooperação. O brincar coletivo possibilitou a construção de vínculos sociais e a participação ativa dos alunos com deficiência, contribuindo para a redução de barreiras atitudinais e para o fortalecimento de práticas inclusivas no ambiente escolar. Tais resultados confirmam a relevância do lúdico como elemento central na promoção da inclusão educacional.

Além disso, observou-se que a utilização de metodologias lúdicas favorece a autonomia dos estudantes, ao permitir que eles explorem o ambiente, tomem decisões e enfrentem desafios de acordo com suas possibilidades. Essa autonomia, construída gradualmente por meio do brincar, mostrou-se essencial para o desenvolvimento integral e para a participação efetiva no processo educativo (Varella et al., 2024).

A proposta em aprofundar, de maneira substancial e abrangente, a discussão acerca da importância do brincar no âmbito da educação infantil, apresentando uma análise detalhada de diferentes perspectivas teóricas e práticas que sustentam essa prática essencial e enriquecedora para o desenvolvimento inicial das crianças. O brincar é compreendido não apenas como uma atividade recreativa, mas como um elemento estruturante do processo educativo, capaz de promover aprendizagens significativas e o desenvolvimento integral infantil (Silva; Escarião, 2020).

Nesse sentido, o estudo explora os fundamentos teóricos de importantes pensadores da área da educação e do desenvolvimento humano, como Vygotsky e Piaget, cujas contribuições são fundamentais para a compreensão de como o brincar se integra de forma eficaz ao complexo processo de aprendizagem. A partir dessas abordagens, evidencia-se que o brincar possibilita a construção do conhecimento por meio da interação social, da experimentação e da assimilação ativa do meio, favorecendo o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças (Almeida; Paula, 2024).

Assim, ao articular teoria e prática, o artigo reforça a concepção de que o brincar constitui uma estratégia pedagógica indispensável na educação infantil, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, criativos e socialmente participativos. Conforme destacam Silva et al. (2024), o brincar assume um papel central no desenvolvimento inicial das crianças, consolidando-se como um direito e uma prática educativa fundamental para a promoção de aprendizagens significativas e de um desenvolvimento saudável.

Dessa forma, os resultados deste estudo dialogam diretamente com Faria et al. (2025), ao evidenciar que o lúdico é uma prática educativa indispensável para a consolidação da educação inclusiva. Conclui-se que a valorização das atividades lúdicas no contexto escolar contribui não apenas para a aprendizagem, mas também para a formação de sujeitos mais autônomos, socialmente integrados e emocionalmente fortalecidos, reafirmando o brincar como um direito e uma estratégia pedagógica fundamental.

Os resultados do estudo evidenciam que o brincar exerce um papel fundamental no desenvolvimento infantil, atuando de maneira integrada no fortalecimento das capacidades cognitivas, motoras, sociais e emocionais das crianças. Conforme aponta Costa et al. (2025), o brincar ultrapassa a função recreativa, configurando-se como um recurso pedagógico essencial para a construção do conhecimento e para a assimilação de conceitos fundamentais à aprendizagem significativa.

A análise da literatura demonstra que a ludicidade favorece o desenvolvimento da criatividade e da flexibilidade cognitiva, aspectos indispensáveis para a resolução de problemas e para o pensamento crítico. As experiências lúdicas possibilitam que a criança explore o ambiente, teste hipóteses e construa saberes de forma ativa, consolidando aprendizagens que se tornam mais duradouras e contextualizadas. Esses resultados reforçam a concepção de que a aprendizagem por meio do brincar promove maior engajamento e participação no processo educativo  (Almeida; Paula, 2024).

No âmbito socioemocional, os resultados indicam que o brincar contribui significativamente para o desenvolvimento de habilidades sociais, como cooperação, empatia e comunicação, além de favorecer a regulação emocional e o fortalecimento da autoestima. Ao interagir com seus pares durante as brincadeiras, a criança aprende a lidar com regras, frustrações e desafios, aspectos fundamentais para o convívio social e para o equilíbrio emocional, conforme evidenciado por Costa et al. (2025).

Entretanto, o estudo também aponta fatores que comprometem a efetivação do brincar no contexto educacional contemporâneo. A crescente presença das tecnologias digitais e a intensificação das exigências acadêmicas têm reduzido o tempo destinado às atividades lúdicas, limitando as oportunidades de experiências que promovam o desenvolvimento integral das crianças. Esse cenário evidencia a necessidade de uma reflexão crítica sobre as práticas pedagógicas adotadas na Educação Infantil (Fernandes et al., 2024).

No âmbito cognitivo, o brincar mostrou-se essencial para o desenvolvimento do pensamento simbólico, da imaginação, da atenção, da memória e da resolução de problemas. Por meio das brincadeiras, a criança explora o ambiente, formula hipóteses e constrói significados de maneira ativa e contextualizada, tornando o processo de aprendizagem mais significativo. A literatura revisada destaca que a ludicidade estimula a curiosidade e a criatividade, permitindo que a criança se torne protagonista do próprio aprendizado desde a primeira infância (SANTOS NETTO, 2025).

Quanto ao desenvolvimento socioemocional, os estudos evidenciam que o brincar cria oportunidades privilegiadas para a interação social, a expressão de emoções e a internalização de normas e valores sociais. As brincadeiras possibilitam que as crianças aprendam a compartilhar, cooperar, negociar e lidar com frustrações, fortalecendo a autoestima, a autonomia e o senso de pertencimento. Nesse sentido, o brincar contribui diretamente para o equilíbrio emocional e para a formação da identidade infantil (GUIMARÃES et al., 2025)

Além disso, a revisão aponta que o brincar, quando integrado de forma intencional ao currículo da Educação Infantil, favorece ambientes educativos mais inclusivos, acolhedores e humanizados. As práticas lúdicas permitem respeitar os ritmos e as singularidades das crianças, promovendo aprendizagens que articulam cognição, emoção e socialização. Assim, o brincar não deve ser compreendido como um complemento, mas como um direito da criança e uma estratégia pedagógica indispensável para o desenvolvimento integral (Santos Netto, 2025).

Dessa forma, os resultados reforçam a importância de ressignificar o brincar como eixo estruturante do processo educativo, integrando-o de maneira intencional ao currículo escolar. Em consonância com Costa et al. (2025), conclui-se que a valorização da aprendizagem por meio do brincar é essencial para garantir um desenvolvimento pleno, equilibrado e saudável, assegurando às crianças o direito de aprender de forma significativa e prazerosa.

Dessa forma, os resultados reforçam a importância de ressignificar o brincar como eixo estruturante do processo educativo, integrando-o de maneira intencional ao currículo escolar. Em consonância com Costa et al. (2025), avaliam que a valorização da aprendizagem por meio do brincar é essencial para garantir um desenvolvimento pleno, equilibrado e saudável, assegurando às crianças o direito de aprender de forma significativa e prazerosa.

Verifica-se que a importância do brincar no desenvolvimento cognitivo e socioemocional na Educação Infantil é amplamente reconhecida pela literatura científica, reforçando a necessidade de sua valorização no planejamento pedagógico. Investir em práticas lúdicas significa promover uma educação que respeita a infância, potencializa as aprendizagens e contribui para a formação de sujeitos críticos, criativos e emocionalmente saudáveis.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo evidenciou que o brincar constitui-se como um elemento central e indispensável no desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças na Educação Infantil. Ao longo das análises, foi possível constatar que as atividades lúdicas vão muito além de momentos recreativos, configurando-se como práticas pedagógicas fundamentais para a construção do conhecimento, para o fortalecimento da autoestima e para a promoção do bem-estar emocional infantil.

À luz das contribuições teóricas de autores como Vygotsky, Piaget e Kishimoto e pesquisadores contemporâneos, verificou-se que o brincar cria situações simbólicas que permitem à criança avançar para além de suas capacidades imediatas, ampliando sua autonomia, senso crítico e participação social. Nesse sentido, o brincar se apresenta como um mediador essencial entre a criança, o conhecimento e o meio social, favorecendo aprendizagens significativas e contextualizadas.

Assim, os resultados deste trabalho confirmam que o brincar, quando planejado de forma inclusiva e mediado adequadamente, constitui-se como um recurso essencial na Educação Infantil. Verificou-se que a valorização das práticas lúdicas promove não apenas o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e psicomotor, mas também a efetivação de uma educação mais equitativa, que reconhece e respeita a diversidade infantil.

Dessa forma, conclui-se que valorizar o brincar no contexto educacional é assegurar o direito da criança a uma educação que respeite suas especificidades, potencialidades e necessidades. Reconhecer o brincar como prática pedagógica essencial significa investir na formação de crianças emocionalmente seguras, cognitivamente competentes, socialmente integradas e preparadas para enfrentar os desafios futuros de maneira criativa, crítica e responsável.

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1Discente, Superior em Matemática, Especialização em Educação e Novas Tecnologias, Mestranda em Ciências da Educação Cristian Business School – m.antoniagon@hotmail
2Discente, Licenciada em História, Especialização em História Contemporânea, Mestranda em Ciências da Educação, Christian Business School.
3Discente, graduada em Letras Literatura (Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR), Especialização em Gestão Escolar (Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR), Mestranda em Ciências da Educação Cristian Business School, arleteclaudio6568@gmail.com
4Discente, Licenciada em Pedagogia (Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR), Pós Graduada/Especialização em Educação Infantil e Alfabetização pelo Instituto Cuiabano de Educação, Mestranda em Ciências da Educação Cristian Business School.
5PhD. Doutora em Ciências da Educação pela Universidade Federal de Alagoas-UFAL, Mestra em Ciências da Educação, Especialista em Escrita Avançada, psicopedagoga, pedagoga, professora orientadora da Christian Business School-CBS, rozineide.pereira1975@gmail.com