A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA PÉLVICA NA SAÚDE DA GESTANTE E NO PROCESSO DO PARTO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510112251


Leticia Godoi Lourenço¹
Amanda Ribeiro dos Santos2
Michele Miguel Paulista3
Melissa Moreira da Silva4
Estela Maris Monteiro Bortoletti5


RESUMO: A gestação constitui um período de transformações fisiológicas, hormonais ebio mecânicas que impactam diretamente a saúde e o bem-estar da mulher. A fisioterapia pélvica apresenta-se como uma intervenção preventiva e terapêutica eficaz, capaz de proporcionar benefícios biopsicossociais às gestantes, contribuindo para apro moção da saúde, a preparação para o parto e a reabilitação no puerpério. O presente estudo justifica-se pela necessidade de ampliar o conhecimento e a valorização da fisioterapia pélvica no contexto obstétrico. Objetivo: Analisar a importância da fisioterapia pélvica durante o pré-natal, no trabalho de parto, tanto vaginal quanto cesáreo e no puerpério. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de revisão de literatura, de caráter bibliográfico, descritivo e prospectivo, abrangendo o período de 2017 a 2025. As buscas foram realizadas em bases de dados científicas como SciELO, PubMed e Google Scholar. Resultados: A fisioterapia pélvica é uma intervenção eficaz na redução de dores musculoesqueléticas, prevenção de lacerações perineais, diminuição do tempo de trabalho de parto, redução de cesarianas e melhoria da recuperação funcional no pós-parto. Além dos benefícios físicos, observa-se impacto significativo sobre a saúde mental da gestante, com redução dos níveis de ansiedade, melhora da autoconfiança e aumento da qualidade de vida. Conclusão: Conclui-se que sua atuação é essencial para a promoção da saúde materno-fetal, integrando aspectos preventivos, terapêuticos e educativos, portanto recomenda-se, que a fisioterapia pélvica seja incorporada de maneira sistemática e interdisciplinar nos serviços de saúde, com ampliação de sua oferta no Sistema Único de Saúde, garantindo um cuidado integral, humanizado e baseado em evidências científicas.

Palavras-chave: Assoalho pélvico. Fisioterapia. Gravidez. Incontinência Urinária e Parto.

ABSTRACT: Pregnancy is a period of physiological, hormonal, and biomechanical transformations that directly affect women’s health and well-being. Pelvic floor physiotherapy is presented as an effective preventive and therapeutic intervention capable of providing biopsychosocial benefits to pregnant women, contributing to health promotion, childbirth preparation, and postpartum rehabilitation. This study is justified by the need to expand knowledge and recognition of pelvic physiotherapy in the obstetric context. Objective: To analyze the importance of pelvic physiotherapy during prenatal care, labor (both vaginal and cesarean), and the puerperium. Methodology: This is a literature review study, bibliographic, descriptive, and prospective in nature, covering the period from 2017 to 2025. Searches were conducted in scientific databases such as SciELO, PubMed, and Google Scholar. Results: Pelvic physiotherapy is an effective intervention for reducing musculoskeletal pain, preventing perineal tears, shortening labor duration, reducing cesarean rates, and improving functional recovery in the postpartum period. In addition to physical benefits, there is a significant impact on the pregnant woman’s mental health, with reduced anxiety levels, improved self-confidence, and enhanced quality of life. Conclusion: It is concluded that pelvic physiotherapy plays an essential role in promoting maternal-fetal health by integrating preventive, therapeutic, and educational aspects. Therefore, it is recommended that pelvic physiotherapy be systematically and interdisciplinarily incorporated into health services, with expanded access in the Unified Health System (SUS), ensuring comprehensive, humanized, and evidence-based care for pregnant and postpartum women.

Keywords: Pelvic floor. Physiotherapy. Pregnancy. Urinary incontinence. Childbirth.

INTRODUÇÃO

A gravidez desencadeia profundas alterações fisiológicas no corpo da mulher, que afetam especialmente a região pélvica e lombar, o ganho de peso abdominal, associado à ação de hormônios como relaxina, estrógeno e progesterona, provoca instabilidade articular e sobrecarga muscular, predispondo a disfunções como dor lombopélvica, incontinência urinária e prolapso genital. A fisioterapia pélvica surge como alternativa segura, preventiva e terapêutica, promovendo qualidade de vida, preparo para o parto e recuperação no pós-parto, além de ter se mostrado essencial para a saúde da gestante, prevenindo complicações musculoesqueléticas e promovendo melhor qualidade de vida (BOEIRA et al., 2021, p. 105; GOMES; LIMA, 2025, p. 2317). O treino e a ativação do assoalho pélvico durante a gestação demonstram influência positiva na manutenção da integridade funcional dessa musculatura, contribuindo para a redução da ocorrência de disfunções após o parto. (MARINHO et al., 2022, p. 154) Assim, o acompanhamento fisioterapêutico deve ser valorizado dentro do pré-natal, garantindo preparo físico e psicológico adequado para o parto (BOEIRA et al., 2021, p. 108). Este artigo tem como objetivo analisar a importância da fisioterapia pélvica para a saúde da gestante, destacando seus benefícios no pré-natal, parto e puerpério, prevenção de disfunções urinárias, redução da dor lombopélvica e melhoria da postura.

Além disso, pretende-se avaliar o impacto dessa intervenção na saúde psicológica da gestante, incluindo redução da ansiedade, aumento da autoconfiança e percepção positiva do parto, bem como seu efeito na diminuição da taxa de cesarianas e na recuperação pós-parto. O estudo também busca refletir sobre a necessidade de inclusão da fisioterapia pélvica em políticas públicas e protocolos clínicos, garantindo maior acesso, equidade e humanização do pré-natal.

JUSTIFICATIVA

A justificativa para o presente estudo fundamenta-se na relevância crescente da fisioterapia pélvica como ferramenta essencial para a promoção da saúde materna e a prevenção de disfunções associadas ao ciclo gestacional. Apesar dos avanços nas práticas obstétricas e no reconhecimento da importância do cuidado integral à mulher, ainda é limitada a disseminação e a inserção sistemática da fisioterapia pélvica nos serviços públicos e privados de saúde.

Considerando que o período gestacional impõe intensas modificações anatômicas, hormonais e biomecânicas que podem comprometer a funcionalidade do assoalho pélvico, torna-se imprescindível o acompanhamento fisioterapêutico especializado, tanto na prevenção quanto na reabilitação dessas alterações. Além disso, a literatura evidencia que a atuação fisioterapêutica contribui significativamente para o preparo físico e emocional da gestante, reduzindo complicações durante o parto e promovendo uma recuperação mais rápida e segura no puerpério. Diante desse cenário, este estudo justifica-se pela necessidade de ampliar o conhecimento científico e clínico sobre os benefícios da fisioterapia pélvica, bem como de fomentar sua valorização como prática indispensável no cuidado obstétrico integral, com base em evidências que sustentam sua eficácia e impacto positivo na qualidade de vida das gestantes e puérperas.

METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de revisão de literatura, de natureza bibliográfica, descritiva e prospectiva, com o objetivo de analisar a importância da fisioterapia pélvica durante o período gestacional, o trabalho de parto, tanto vaginal quanto cesáreo, e o puerpério.

A busca pelos estudos foi realizada entre os meses de janeiro de 2017 e setembro de 2025, nas principais bases de dados científicas: SciELO (Scientific Electronic Library Online), PubMed (US National Library of Medicine) e Google Scholar.

Para garantir a abrangência e a precisão dos resultados, foram utilizadas as seguintes palavras-chave, isoladas e combinadas por meio de operadores booleanos: “assoalho pélvico”, “fisioterapia”, “gravidez”, “incontinência urinária” e “parto”, aplicadas nas combinações: assoalho pélvico AND incontinência urinária, assoalho pélvico AND gravidez, assoalho pélvico AND fisioterapia, assoalho pélvico AND parto, fisioterapia AND gravidez, fisioterapia AND parto, fisioterapia AND incontinência urinária. Foram incluídos artigos publicados em português e inglês, que abordassem a atuação da fisioterapia pélvica no contexto obstétrico, destacando seus efeitos preventivos e terapêuticos sobre a gestação, o parto e o pós-parto. Excluíram-se trabalhos duplicados, estudos fora do recorte temporal e pesquisas que não apresentassem relação direta com o tema proposto.

Os dados foram analisados de forma qualitativa e interpretativa, buscando identificar as principais evidências científicas acerca dos benefícios da fisioterapia pélvica para a saúde física e emocional das gestantes e puérperas, bem como seu impacto na prevenção de disfunções musculoesqueléticas e viscerais. A partir dessa análise, foram sintetizadas as contribuições teóricas e práticas dos autores revisados, permitindo a elaboração de uma discussão fundamentada e atual sobre a relevância da fisioterapia pélvica no contexto obstétrico contemporâneo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A fisioterapia pélvica durante a gestação atua na prevenção e tratamento de dores lombopélvicas, incontinência urinária e desconfortos musculoesqueléticos.

Exercícios de alongamento, fortalecimento e técnicas respiratórias auxiliam no alívio da dor e na preparação para o parto se mostra essencial para a saúde da gestante, prevenindo complicações musculoesqueléticas e promovendo melhor qualidade de vida (BOEIRA, 2021, p. 109; GOMES; LIMA, 2025, p. 2318).

Segundo Marinho, (2022, p. 154), o fortalecimento do assoalho pélvico durante a gestação contribui significativamente para a manutenção da função muscular e prevenção de disfunções pós-parto. Assim, o acompanhamento fisioterapêutico deve ser valorizado dentro do pré-natal, garantindo preparo físico e psicológico adequado para o parto.

No parto vaginal, recursos como massagem perineal e treino do expulsivo contribuem para maior elasticidade do períneo, reduzindo episiotomias e lacerações.

Durante a gestação, o aumento do peso uterino e as alterações hormonais sobrecarregam o assoalho pélvico, podendo levar a dor lombopélvica e disfunções urinárias (MARINHO, 2022, p. 149; MARTINS, 2021 p. 155). As gestantes tendem a apresentar maior ocorrência de dor lombar e pélvica em decorrência da instabilidade articular e do aumento da frouxidão ligamentar característicos desse período. (SOUZA et al., 2020, p. 114).

No parto cesárea, a fisioterapia favorece a recuperação funcional e previne complicações musculares e respiratórias. Durante o trabalho de parto, técnicas como rebozo, exercícios de mobilidade pélvica, musicoterapia e banho quente auxiliam no alívio da dor e no processo de dilatação (COSTA, 2017, p. 106).

No puerpério, a fisioterapia é essencial para a recuperação da tonicidade muscular, prevenção da diástase abdominal e melhora da função urinária e fecal. Exercícios específicos do assoalho pélvico aceleram a reabilitação e reduzem complicações futuras (COSTA, 2017, p. 104).

A prática regular de exercícios de fortalecimento pélvico durante a gestação contribui para redução da dor lombar, melhora da postura e aumento do bem-estar psicológico (MENEZES et al., 2021, p. 55).

Andrade et al., (2019, p. 218) afirmam que a preparação do assoalho pélvico com fisioterapia reduz significativamente o risco de lacerações durante o parto vaginal.

Além dos efeitos físicos, a fisioterapia pélvica promove maior autoconfiança, redução da ansiedade e melhora da qualidade de vida da gestante, contribuindo para uma experiência gestacional mais saudável e humanizada. O fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, aliado ao acompanhamento fisioterapêutico, favorece o equilíbrio emocional e o bem-estar psicológico da gestante, proporcionando maior confiança e serenidade durante o parto, além de contribuir para a diminuição dos níveis de estresse (MENEZES et al., 2021, p. 58)

POLÍTICAS PÚBLICAS E SAÚDE COLETIVA

Estudos ressaltam a necessidade de inclusão da fisioterapia pélvica no pré-natal do SUS, garantindo o acesso universal a essa prática. A incorporação dessa especialidade fortalece a assistência multiprofissional e contribui para a humanização do parto. A inclusão da fisioterapia pélvica no pré-natal do Sistema Único de Saúde (SUS) é uma necessidade reconhecida por diversos estudos que destacam seu papel essencial na promoção da saúde materna, prevenção de disfunções do assoalho pélvico e humanização da assistência ao parto. A assistência pélvica durante a gestação favorece o preparo corporal e emocional da gestante, contribuindo para uma melhor adaptação às mudanças fisiológicas e biomecânicas, além de reduzir a incidência de dores lombares, incontinência urinária, constipação e disfunções sexuais (BARACHO, 2020, p. 51).

A incorporação sistemática dessa especialidade no SUS representa um avanço significativo na perspectiva da integralidade do cuidado, princípio norteador das políticas públicas de saúde, pois amplia o olhar multiprofissional sobre a gestante, fortalecendo o vínculo entre fisioterapeutas, obstetras, enfermeiros e psicólogos. Essa integração permite um acompanhamento mais individualizado, educativo e preventivo, respeitando o protagonismo feminino no processo de parto (BRASIL, 2019).

Além disso, a fisioterapia pélvica contribui diretamente para a humanização do parto, promovendo práticas baseadas em evidências, como o treinamento perineal, a orientação postural e o controle respiratório, que podem reduzir o tempo de trabalho de parto, a necessidade de intervenções médicas e o risco de lacerações (SOUZA et al.,2021, p. 115). Dessa forma, a presença do fisioterapeuta na equipe multiprofissional não apenas otimiza os resultados clínicos, mas também fortalece a experiência positiva da mulher com o parto e o nascimento.

A literatura reforça que, embora o Ministério da Saúde reconheça a importância da atuação fisioterapêutica na atenção básica, ainda há carência de políticas públicas específicas que garantam o acesso regular à fisioterapia pélvica nas unidades de pré-natal. A ampliação dessa oferta é fundamental para consolidar um modelo de cuidado integral, equitativo e humanizado, alinhado às diretrizes da Rede Cegonha e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, que priorizam a saúde materna e o bem-estar feminino (WHO, 2022).

A prática de exercícios específicos durante a gestação é amplamente recomendada por profissionais de saúde, especialmente fisioterapeutas, como estratégia preventiva e terapêutica para promover o bem-estar materno e reduzir o risco de disfunções musculoesqueléticas e do assoalho pélvico. A fisioterapia pélvica tem como um de seus pilares o ensino e a execução de exercícios que fortalecem, relaxam e aumentam a consciência corporal da gestante, favorecendo a adaptação às mudanças fisiológicas e biomecânicas que ocorrem ao longo da gravidez (BARACHO, 2020, p. 72).

Essas práticas contribuem significativamente para a prevenção da incontinência urinária, a melhora da estabilidade lombo-pélvica, a redução de dores posturais e a preparação do corpo para o parto e o puerpério (SOUZA et al., 2021, p. 371). Além dos benefícios físicos, os exercícios pélvicos auxiliam na regulação emocional, proporcionando relaxamento e maior percepção corporal, aspectos essenciais para a vivência de uma gestação saudável e um parto humanizado (SOUZA et al., 2021, p. 374).

CONCLUSÃO

Conclui-se que a fisioterapia pélvica é fundamental durante o pré-natal, o trabalho de parto, tanto vaginal quanto cesáreo, e o puerpério, pois atua de forma preventiva e terapêutica, favorecendo a saúde física, emocional e funcional da gestante. Sua aplicação contribui para a redução de dores musculoesqueléticas, prevenção de incontinência urinária, melhora da recuperação pós-parto e fortalecimento do vínculo materno-fetal. Além disso, evidencia-se sua importância na promoção de partos mais seguros e humanizados. Diante disso, reforça-se a necessidade de ampliar o acesso à fisioterapia pélvica nos serviços de saúde, especialmente no SUS, garantindo um cuidado integral, interdisciplinar e baseado em evidências científicas, em consonância com o objetivo deste estudo de destacar sua relevância em todas as fases do ciclo gravídico-puerperal.

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1discente do curso de fisioterapia na Faculdade de Ensino
Superior do Interior Paulista. Email: leeh16godoi@gmail.com;
2discente do curso de fisioterapia na Faculdade de Ensino
Superior do Interior Paulista. Email: amanda0101ribeiro@gmail.com;
3discente do curso de fisioterapia na Faculdade de Ensino
Superior do Interior Paulista. E-mail: mihmiguel.p15@gmail.com;
4discente do curso de fisioterapia na Faculdade de Ensino
Superior do Interior Paulista. E-mail: meliissamoreira88@gmail.com;
5docente da área da saúde na Universidade de Marília-
UNIMAR, Marília-SP. E-mail: esteladias4455@gmail.com

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