A ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA A CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511101811


Dalzirene Araujo do Nascimento; Francisca da Silva Sousa; Gizelia Samia Verde Caldeira; Jeane Carvalho Oliveira; Poliana Marinho Santana; Samara Cardoso Pereira; Sandeyvison Oliveira da Silva; Pedro Henrique Rodrigues Alencar


RESUMO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui uma condição do  neurodesenvolvimento caracterizada por déficits na comunicação, interação social e  comportamentos repetitivos, exigindo cuidados especializados e contínuos. Nesse contexto, a  enfermagem desempenha papel essencial na promoção do cuidado integral, na orientação  familiar e na construção de práticas inclusivas. O presente estudo teve como objetivo analisar  a atuação da enfermagem na assistência a crianças com TEA, identificando práticas eficazes,  dificuldades enfrentadas e estratégias de intervenção adotadas, por meio de uma revisão de  literatura. A pesquisa foi desenvolvida entre os meses de julho e agosto de 2025, por meio de  busca nas bases de dados Science Direct, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS),  resultando em 1.099 artigos inicialmente encontrados. Após aplicação dos critérios de inclusão  e exclusão, foram selecionados 10 estudos para compor a amostra final. Os resultados  evidenciaram que aproximadamente 30% dos estudos enfatizaram o papel da enfermagem no  diagnóstico precoce e na identificação de sinais do TEA, enquanto 40% destacaram a  importância da capacitação profissional e da atuação multiprofissional. Os demais artigos  abordaram práticas de acolhimento familiar, estratégias educativas e desafios enfrentados no  cotidiano assistencial. Observou-se que, apesar do reconhecimento da relevância do enfermeiro  nesse contexto, ainda há lacunas quanto à formação específica e à padronização de protocolos  de cuidado. Conclui-se que o objetivo proposto foi alcançado, demonstrando que a enfermagem  possui papel central na assistência humanizada e integral a crianças com TEA, sendo  fundamental fortalecer políticas públicas e investimentos em capacitação profissional voltados  a essa demanda. 

Palavras-chave: Enfermagem. Transtorno do Espectro Autista. Assistência Infantil.

ABSTRACT

Autism Spectrum Disorder (ASD) is a neurodevelopmental condition characterized  by deficits in communication, social interaction, and repetitive behaviors, requiring specialized  and continuous care. In this context, nursing plays a fundamental role in promoting  comprehensive care, providing family guidance, and developing inclusive practices. This study  aimed to analyze nursing performance in the care of children with ASD, identifying effective  practices, challenges faced, and intervention strategies adopted through a literature review. The  research was conducted between July and August 2025, using the Science Direct, PubMed, and  Virtual Health Library (VHL) databases, resulting in an initial total of 1,099 articles. After  applying inclusion and exclusion criteria, 10 studies were selected for the final sample. The  results showed that approximately 30% of the studies emphasized the role of nursing in early  diagnosis and identification of ASD symptoms, while 40% highlighted the importance of  professional training and multidisciplinary collaboration. The remaining studies addressed  family support, educational strategies, and challenges in daily clinical practice. Although the  relevance of the nurse in this context is widely recognized, gaps remain regarding specific  training and the standardization of care protocols. It is concluded that the proposed objective  was achieved, demonstrating that nursing plays a central role in providing humanized and  comprehensive care for children with ASD. Strengthening public policies and investing in  continuous professional education are essential to improving the quality of nursing care for this  population. 

Keywords: Nursing. Autism Spectrum Disorder. Child Care. 

1. INTRODUÇÃO 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurobiológica caracterizada  por múltiplas manifestações que afetam o desenvolvimento infantil, sobretudo nas áreas de  comunicação, interação social e comportamento (Araujo, 2025). De acordo com o Manual  Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição (DSM-5), o TEA abrange condições  antes classificadas de forma independente, como o autismo clássico, a síndrome de Asperger e  o transtorno desintegrativo da infância. Embora distintas, tais condições compartilham  características semelhantes, variando na intensidade e gravidade dos sintomas, justificando o  uso do termo “espectro” para abarcar a diversidade dessa manifestação (American Psychiatric  Association, 2013). 

No Brasil, o impacto do TEA é significativo, sendo estimado que aproximadamente 2  milhões de pessoas convivam com a condição, representando cerca de 1% da população nacional. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a prevalência é de  1 caso para cada 44 nascimentos, evidenciando a magnitude do tema. A inclusão do autismo no  Censo Demográfico de 2020 representou um marco importante, pois possibilitou maior  visibilidade para esse grupo social e permitiu o aprimoramento das políticas públicas e da  destinação de recursos para a população com TEA (IBGE, 2020). 

Em nível regional, a realidade do Maranhão acompanha essa tendência de crescimento  nos diagnósticos. Estima-se que cerca de 7 mil pessoas convivam com TEA no estado, segundo  dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nacionalmente, uma pesquisa realizada pela  Universidade de Passo Fundo (UPF) aponta que uma em cada 30 crianças brasileiras encontra se dentro do espectro, reforçando a necessidade de intervenção precoce e suporte contínuo.  Nesse contexto, políticas públicas locais têm buscado ampliar o acolhimento, como a criação  do Centro TEA 12+ em 2023, voltado ao atendimento de pessoas a partir dos 12 anos (Governo  do Maranhão, 2023). 

Essa realidade, marcada pelo aumento da prevalência e pela urgência em fortalecer  estratégias de cuidado, insere o TEA como uma prioridade em saúde pública. Nunes et al.  (2024) destacam que o atendimento dessas crianças requer medidas eficazes, tanto para o  diagnóstico precoce quanto para a promoção de intervenções que favoreçam a qualidade de  vida. Nesse sentido, a enfermagem emerge como uma área estratégica, já que os profissionais  desempenham funções fundamentais no acompanhamento, orientação e promoção da saúde das  crianças com autismo e de suas famílias. 

A presença do enfermeiro é especialmente relevante nos primeiros contatos com a  criança e sua família, visto que frequentemente são esses profissionais que identificam sinais  precoces do transtorno. Souza, Abreu e Bubadué (2024) ressaltam que a atuação envolve não  apenas o encaminhamento para avaliação especializada, mas também a elaboração de ações que  promovam o bem-estar e a inclusão da criança em diferentes ambientes de cuidado, como  unidades básicas de saúde, hospitais e escolas. 

A assistência de enfermagem a crianças com TEA demanda um olhar humanizado,  fundamentado na escuta qualificada, no respeito às singularidades e na criação de vínculos de  confiança. Para Almeida et al. (2021) e Sousa et al. (2018), a capacitação dos profissionais é  indispensável para garantir um cuidado ético, empático e eficaz, capaz de contemplar as  especificidades sensoriais, comunicacionais e comportamentais dessas crianças.  Complementando essa visão, Baumblatt (2024) reforça que tal cuidado deve ser  multidisciplinar e adaptado às necessidades individuais, consolidando um ambiente acolhedor  e seguro.

Diante desse panorama, torna-se evidente que os profissionais de enfermagem têm papel  central na promoção de cuidados especializados e no apoio às famílias. No entanto,  permanecem desafios quanto à formação, ao preparo técnico e às estratégias utilizadas no  manejo cotidiano dessas crianças (Souza; Abreu; Bubadué, 2024). Assim, a questão norteadora  deste estudo é: Como a enfermagem pode aprimorar a assistência a crianças com Transtorno do  Espectro Autista, considerando suas necessidades específicas e os desafios enfrentados pelos  profissionais da área? Dessa forma, o objetivo geral é analisar a atuação da enfermagem na  assistência a crianças com TEA, identificando práticas eficazes, dificuldades enfrentadas e  estratégias de intervenção adotadas, por meio de uma revisão de literatura. 

2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 Implicações do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Desenvolvimento Infantil 

Os sintomas do TEA podem variar amplamente, mas em geral, incluem dificuldades  significativas na interação social, comunicação verbal e não verbal, e a presença de interesses  restritos e comportamentos repetitivos. De acordo com Santos, Oliveira e Fernandes (2024), 

Os sintomas podem variar amplamente em termos de gravidade e apresentação, mas geralmente incluem dificuldades na interação social, comunicação verbal e não verbal, além de interesses restritos e comportamentos repetitivos (Santos; Oliveira; Fernandes, 2024, p. 05).  

As crianças com TEA frequentemente apresentam dificuldades em interpretar sinais  sociais, como expressões faciais, gestos e o tom de voz, o que compromete a construção de  relações interpessoais (Araujo, 2025). 

No que se refere à comunicação, embora muitas crianças com TEA apresentem  desenvolvimento linguístico preservado, é comum a presença de déficits na pragmática da  linguagem. Isso se traduz em dificuldades para iniciar ou manter diálogos, interpretar nuances sociais da fala ou adequar a comunicação ao contexto (Oliveira, 2024). Tais limitações  repercutem diretamente na inserção da criança em grupos sociais e no desempenho escolar,  gerando barreiras para o aprendizado e para a construção da autonomia. 

Outro ponto de destaque são os comportamentos repetitivos e os interesses restritos,  característicos do espectro autista. Souza (2021) ressalta que tais comportamentos podem variar  de movimentos estereotipados, como balançar o corpo ou repetir palavras, até fixações intensas  por objetos ou temas específicos. Embora possam representar uma forma de autorregulação, esses padrões tendem a limitar a exploração do ambiente, dificultar a adaptação a mudanças e  reduzir as oportunidades de desenvolvimento social e cognitivo. 

Além disso, a resistência a mudanças de rotina é frequente entre crianças com TEA, o  que pode gerar angústia e dificuldade em contextos de transição. Essa característica impacta o  desenvolvimento da autonomia e da capacidade de adaptação, exigindo maior atenção dos  profissionais de saúde e da educação (Almeida et al., 2021). Do mesmo modo, a presença de  dificuldades sensoriais, como hipersensibilidade ou hipoatividade a estímulos, interfere na  concentração e na participação em atividades cotidianas, prejudicando o processo de  aprendizagem (José; Nunda, 2025; Almeida et al., 2021). 

O comprometimento cognitivo também é uma implicação relevante, uma vez que o  desenvolvimento da teoria da mente a capacidade de compreender os pensamentos, desejos e  sentimentos alheios encontra-se prejudicado em muitas crianças com TEA. Tal dificuldade  interfere em atividades que demandam cooperação, empatia e interação em grupo (Jacion,  2005). Dessa forma, a inserção em ambientes educacionais tradicionais pode se tornar um  desafio, visto que as metodologias de ensino frequentemente exigem habilidades  comunicacionais e sociais que crianças com TEA apresentam em menor grau. 

Diante desse cenário, políticas públicas tornam-se fundamentais para assegurar o  diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o suporte contínuo às crianças e suas famílias. A  Constituição Federal e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) garantem os direitos  das pessoas com deficiência, incluindo aquelas com TEA, assegurando acesso à saúde, à  educação e a serviços de apoio (Brasil, 2015). Além disso, programas como a Política Nacional  de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência e a ampliação de serviços especializados, como  os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), reforçam a importância de estratégias de  intervenção precoce e de capacitação de profissionais para promover o desenvolvimento e a  inclusão social (Santos; Oliveira; Fernandes, 2024). 

2.2 O Papel da Enfermagem na Assistência a Crianças com TEA 

A atuação da enfermagem no cuidado de crianças com Transtorno do Espectro Autista  (TEA) é fundamental para garantir uma abordagem holística e integrada no processo de  atendimento a essas crianças. Os profissionais de enfermagem, em sua prática clínica,  desempenham um papel essencial tanto na promoção de um ambiente de cuidados que favoreça  o desenvolvimento quanto na orientação e apoio às famílias (Souza; Abreu; Bubadué, 2024). 

Esse apoio se dá através de estratégias de manejo comportamental, cuidados de saúde,  educação e apoio psicossocial, sempre com a implementação de práticas que respeitem a  individualidade de cada criança, a enfermagem é uma profissão que está presente em todas as  esferas de cuidado, desde a atenção básica até os cuidados especializados, sendo um elo  importante entre as necessidades clínicas e o atendimento multidisciplinar (Sousa et al., 2018). 

Os enfermeiros desempenham um papel ativo na avaliação e monitoramento das  necessidades de saúde das crianças com TEA. A identificação precoce de sinais e sintomas  relacionados a essa condição é essencial, uma vez que a intervenção precoce pode impactar  positivamente o desenvolvimento das habilidades sociais, comunicativas e cognitivas das  crianças (Souza; Cardoso; Matos, 2023).  

Nesse contexto, a enfermeira atua na triagem, no acompanhamento do desenvolvimento  e na coordenação com outras especialidades, como psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas  ocupacionais. Além disso, a educação em saúde para os familiares é uma das atribuições  fundamentais dos profissionais de enfermagem, já que muitas vezes os pais e cuidadores  enfrentam dificuldades em lidar com os desafios impostos pelo TEA e carecem de orientações  adequadas sobre como atuar no cotidiano das crianças (Santos et al., 2022). 

Outro aspecto relevante da atuação da enfermagem é a promoção da saúde mental e  emocional da criança com TEA, já que muitas delas podem apresentar comorbidades, como  ansiedade e depressão (Souza et al., 2022). O enfermeiro, como parte da equipe  multidisciplinar, pode realizar intervenções terapêuticas que ajudem na redução de  comportamentos agressivos, promovendo a calma e o bem-estar da criança.  

Estratégias de intervenção como a criação de rotinas estruturadas e ambientes  sensorialmente adequados podem contribuir para uma melhor adaptação das crianças com TEA.  Além disso, é importante que os enfermeiros estejam atentos às necessidades de cuidados  relacionados à saúde física, como alimentação, higiene e administração de medicamentos,  sempre com um olhar cuidadoso para as características individuais de cada criança (José;  Nunda, 2025; Almeida et al., 2021). 

O Sistema Único de Saúde (SUS) e as políticas de inclusão têm se expandido para  oferecer suporte a essas crianças e suas famílias, proporcionando o acesso a tratamentos  especializados e a programas de intervenção precoce. O enfermeiro, dentro dessas políticas,  atua de forma integrada com outras áreas da saúde e educação, assegurando a implementação  das práticas inclusivas que favoreçam o desenvolvimento e a qualidade de vida dessas crianças.  A Atenção Básica também desempenha um papel crucial na identificação precoce do TEA,  sendo a equipe de enfermagem um dos primeiros pontos de contato para as famílias, promovendo o acolhimento e o encaminhamento adequado para tratamentos especializados  (Queiroz; Martins; Paixão, 2021). 

2.3 Estratégias de Intervenção e Cuidados Específicos para Crianças com TEA 

As estratégias de intervenção para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)  são essenciais para promover o desenvolvimento e a inclusão social dessa população. O cuidado  específico para crianças com TEA deve ser personalizado, considerando as necessidades  individuais de cada criança e adaptando as intervenções conforme o perfil de comunicação,  comportamento e habilidades de aprendizado (Almeida et al., 2021).  

A intervenção precoce é amplamente reconhecida como um fator crucial para melhorar  os resultados no desenvolvimento das crianças com TEA, favorecendo sua inserção social e  escolar. O enfermeiro, ao atuar nesse processo, deve conhecer e aplicar diferentes abordagens  terapêuticas que visem o fortalecimento das competências sociais, cognitivas e motoras dessas  crianças (Souza, 2021). 

Uma das estratégias mais amplamente adotadas é a Terapia Comportamental Aplicada  (ABA, na sigla em inglês), que se baseia na análise do comportamento e visa reforçar  comportamentos desejáveis enquanto diminui os comportamentos indesejáveis. Essa  abordagem permite que as crianças desenvolvam habilidades essenciais, como a comunicação,  a socialização e a adaptação a novas situações (Ribeira; França; Faria, 2023). 

A Terapia Ocupacional, por sua vez, visa melhorar as habilidades motoras e sensoriais  da criança, abordando a maneira como ela interage com o ambiente. O enfermeiro pode  desempenhar um papel fundamental ao monitorar e apoiar o progresso das crianças nessas  terapias, além de adaptar o ambiente para torná-lo mais acessível e acolhedor para essas  intervenções (Fernandes; Santos; Morato, 2018). 

Além das terapias comportamentais e ocupacionais, a intervenção fonoaudiológica é de  extrema importância para crianças com TEA, uma vez que muitas delas apresentam  dificuldades significativas na comunicação verbal e não verbal (Bastos; Neto, 2020).  

A atuação do fonoaudiólogo, em parceria com a equipe de enfermagem, pode facilitar  o desenvolvimento da linguagem, utilizando estratégias que incluem o uso de gestos, sinais e  até dispositivos de comunicação alternativa para as crianças não verbais. A enfermagem  também pode colaborar na implementação de sistemas de comunicação aumentativa e  alternativa (CAA), que são ferramentas indispensáveis para facilitar a comunicação de crianças com TEA, especialmente em casos mais graves em que a comunicação verbal não é possível  (Correia, 2022). 

Outro ponto crucial no cuidado de crianças com TEA é a adaptação do ambiente  educativo e familiar, para que estas crianças possam participar ativamente das atividades  cotidianas. A criação de uma rotina estruturada e previsível é uma das estratégias mais eficazes  para promover o bem-estar e reduzir a ansiedade nas crianças com TEA (Cardoso et al., 2024).  O enfermeiro, nesse contexto, pode orientar a família sobre como estruturar o dia a dia da  criança, criando rotinas consistentes e adaptando o ambiente para minimizar estímulos  sensoriais excessivos, que podem causar desconforto. Além disso, o enfermeiro pode apoiar a  família no gerenciamento do estresse e das demandas emocionais associadas ao cuidado de uma  criança com TEA, oferecendo orientação e recursos para o autocuidado dos pais e cuidadores. 

3. METODOLOGIA  

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo  e exploratório, com o objetivo de analisar criticamente produções científicas acerca da atuação  da enfermagem no cuidado a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo  Marconi e Lakatos (2017), a pesquisa qualitativa busca compreender e interpretar fenômenos  sociais complexos, enfatizando significados, percepções e interações. Já o caráter exploratório  permite reunir informações de diversas fontes, identificar lacunas de conhecimento e destacar  práticas recomendadas para a assistência de enfermagem a esse público. 

A pesquisa foi realizada em meio virtual, utilizando bases de dados científicas de ampla  relevância, como Science Direct, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Além disso, a  plataforma Google Scholar também foi empregada como ferramenta de apoio para localização  de materiais relevantes disponíveis na literatura acadêmica. Foram analisados artigos,  dissertações, teses e livros relacionados à temática, sendo excluída qualquer coleta de dados em  campo, uma vez que se trata exclusivamente de uma revisão bibliográfica. 

A população deste estudo corresponde a produções científicas que abordam a atuação  da enfermagem no cuidado de crianças com TEA. Já a amostra foi constituída por artigos, teses,  dissertações, livros e materiais científicos publicados no período de 2019 a 2024, de modo a  garantir atualidade e relevância. A seleção se baseou em critérios de qualidade metodológica,  relevância para o tema e adequação aos objetivos da pesquisa. Para a organização do processo  de busca e seleção, foram utilizados os critérios do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), assegurando transparência, rigor metodológico e  reprodutibilidade da revisão. 

Foram definidos os seguintes critérios de inclusão: artigos, teses, dissertações, livros e  demais publicações científicas que tratassem diretamente da atuação da enfermagem no cuidado  a crianças com TEA, abordando práticas assistenciais, estratégias de intervenção e desafios da  assistência especializada. Quanto aos critérios de exclusão, foram desconsideradas publicações  que não abordassem a enfermagem de forma direta no contexto do cuidado a crianças com  TEA. Foram excluídos também estudos de baixa qualidade metodológica, como resumos de  eventos, materiais não revisados por pares, produções incompletas e documentos fora do recorte  temporal estabelecido. 

A coleta de dados ocorreu a partir da utilização de palavras-chave e descritores  controlados e não controlados, como: “enfermagem”, “Transtorno do Espectro Autista”“cuidados de saúde infantil”, “estratégias de intervenção” e “assistência especializada”.  Após a busca inicial, realizou-se uma triagem dos estudos encontrados, seguida da leitura  criteriosa dos resumos e, posteriormente, da leitura integral para verificar a pertinência com os  objetivos da pesquisa. 

A análise dos dados foi conduzida por meio da técnica de análise de conteúdo,  permitindo a categorização das informações encontradas nos estudos selecionados. Foram  identificadas categorias temáticas relacionadas às práticas de enfermagem no cuidado de  crianças com TEA, como estratégias de intervenção, desafios da assistência e repercussões na  qualidade de vida da criança e da família. Por fim, todos os estudos utilizados seguiram as  normas éticas de pesquisa, respeitando a autoria e a devida referência às fontes consultadas.  Ressalta-se que não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa nem de  Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), visto que o estudo não envolveu coleta  de dados primários com seres humanos, tratando-se exclusivamente de uma revisão de  literatura. 

4. RESULTADOS 

Para a construção desta revisão de literatura, foi realizado um levantamento  sistematizado de estudos nas bases de dados Science Direct, PubMed e Biblioteca Virtual em  Saúde (BVS), com o intuito de identificar produções científicas que abordassem a atuação da  enfermagem na assistência a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

A seleção dos artigos seguiu critérios de inclusão e exclusão previamente definidos,  assegurando a relevância e a qualidade metodológica dos estudos escolhidos. O processo de  identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos é apresentado no fluxograma  PRISMA a seguir.

Figura 1 – Fluxograma Prisma identificação dos estudos selecionados para o estudo de revisão

Fonte: Prisma (2020) / Dados da pesquisa (2025)

Conforme demonstrado no fluxograma, o processo de busca resultou inicialmente em  1.099 artigos, dos quais foram excluídos progressivamente aqueles que não atendiam aos  critérios de elegibilidade, culminando em 10 estudos incluídos na amostra final. Esse rigor  metodológico garantiu que apenas pesquisas pertinentes ao tema e alinhadas aos objetivos da  revisão fossem analisadas, proporcionando uma base sólida para a síntese crítica dos resultados  e a discussão das contribuições da enfermagem no cuidado a crianças com TEA. 

A partir da seleção dos estudos que compuseram esta revisão de literatura, procedeu-se  à sistematização das informações mais relevantes referentes à atuação da enfermagem na assistência a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os artigos selecionados  foram analisados quanto ao ano de publicação, objetivos, metodologia empregada, principais  resultados e conclusões. Essa síntese permitiu identificar lacunas no conhecimento, boas  práticas assistenciais e tendências na produção científica sobre o tema. A seguir, apresenta-se a  Tabela 1, que resume os principais achados dos estudos incluídos na revisão.

Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão

Autor/Ano Objetivo do  EstudoDesenho 
Metodológico
Principais
Resultados
Conclusão
Martins et  al., (2019)Conceber e  validar uma  tecnologia para  nortear a  
Consulta de  
Enfermagem à  criança com  TEA.
Estudo 
metodológico,  realizado no  
NAMI/UNIFOR,  com análise de  conteúdo por 11  especialistas.
O instrumento  alcançou IVC de  0,91, apontando  confiabilidade e  relevância para o  acompanhamento de  crianças com TEA.Evidenciou-se a  importância de  instrumentos 
específicos e da  atuação do enfermeiro na avaliação precoce e  no cuidado integral à  criança autista.
Hurt et al.,  (2019)Descrever os  caminhos de  cuidado para  crianças com  TEA conforme  vivenciados por  profissionais e  famílias.Estudo de  métodos mistos  com grupos  focais, oficinas  criativas e  visualização de  imagens.Identificou 
diferenças na  percepção dos  percursos entre  saúde, educação e  família, com  barreiras como  comunicação 
deficiente e falta de  integração.
Reforça a necessidade  de serviços integrados  e multidisciplinares  que unam saúde e  educação no cuidado à  criança autista.
Bonfim et  al., (2020)Descrever a  
vivência da família no processo de 
descoberta e início do  tratamento de 
crianças com  TEA.
Estudo  qualitativo e  descritivo com  entrevistas abertas a nove  familiares.As famílias  enfrentam
vulnerabilidade e  falta de apoio; a  escola foi essencial  na identificação de  sinais atípicos.
O apoio  multiprofissional
e o  acompanhamento do enfermeiro são  fundamentais para o  enfrentamento do  diagnóstico e  fortalecimento 
familiar.
Kara;  Alpgan, (2022)Investigar a  relação entre  características da  amamentação e  TEA.Estudo quantitativo com  141 crianças com TEA e 128 com  desenvolvimento  típico.Crianças com TEA  apresentaram menos  contato visual e  comportamento de  sucção natural,  fatores associados a  risco aumentado de  TEA.Destacou-se a  importância de  observar  precocemente padrões  comportamentais e  sensoriais durante a  amamentação como  possíveis indicadores  de TEA.
Huber et  al., (2022)Descrever o  
desenvolvimento  de um programa multidisciplinar  hospitalar para  crianças com  TEA/DDI. 
Relato de 
experiência de  estruturação de programa 
hospitalar em  ambiente 
pediátrico  terciário.
Identificou-se falta  de equipe  especializada e desafios sensoriais e  emocionais no  ambiente hospitalar.Propõe a criação de  programas 
multidisciplinares para melhorar a experiência e o cuidado hospitalar  de crianças com  TEA/DDI.
Bonfim et  al., (2023)Sintetizar o  cuidado prestado  por profissionais  de saúde às  famílias de  crianças com  TEA.Estudo  qualitativo com  22 profissionais,  baseado no  
Cuidado  Centrado na  Família.
O cuidado mostrou se fragmentado, com  sobrecarga 
profissional e pouca  valorização da  família como  unidade de cuidado.
Reforça a necessidade  de reorganizar a rede  multiprofissional e  investir em educação  permanente sobre  cuidado familiar.
Almeida et  al., (2024)Avaliar  conhecimento e  prática de  
enfermeiros da  atenção primária  sobre o TEA.
Estudo  transversal,  quantitativo com  42 enfermeiros.95,2% relataram  formação  insuficiente; 85,7%  desconheciam 
instrumentos de  triagem.
Há lacunas  significativas no  conhecimento dos  enfermeiros, sendo  necessária capacitação  e educação  continuada.
Williams;  Sokhela;  
Ngxongo,  (2025)
Analisar desafios  no envolvimento  da família no cuidado 
hospitalar de  crianças com  TEA.
Estudo qualitativo com  abordagem fenomenológica  interpretativa.Apontou falta de  conhecimento,  indiferença e  escassez de tempo e  pessoal de  enfermagem.Conscientizar 
enfermeiros sobre  esses desafios podem  fortalecer o  envolvimento familiar  e a qualidade do  cuidado.
Kolukisa;  Cinar,  (2025)Examinar 
experiências 
hospitalares de  mães de crianças  com TEA e suas  expectativas  sobre o cuidado  de enfermagem.
Pesquisa qualitativa, fenomenológica  com 30 mães em  três regiões da  Turquia.Foram identificados  3 temas e 36 códigos  relacionados à  percepção do  autismo e às práticas  de enfermagem.O estudo fornece  subsídios para  aprimorar o cuidado  hospitalar, tornando-o  mais sensível às  diferenças e  necessidades das  famílias.
Oliveira et  al., (2025)Compreender a  participação do  enfermeiro na  
detecção precoce  de sinais de TEA  nas consultas de  puericultura.
Pesquisa qualitativa, exploratória com 27 enfermeiros e  análise via 
IRaMuTeQ®.
A consulta de  puericultura revelou-se espaço estratégico para a detecção precoce, mas ainda há limitações na prática profissional.Destaca o enfermeiro  como agente central na  identificação precoce e na comunicação com  famílias em  vulnerabilidade.
Fonte: Dados da pesquisa (2025)

Observa-se que os estudos convergem ao reconhecer o papel essencial do enfermeiro na  identificação precoce, no cuidado integral e na promoção do bem-estar de crianças com TEA e  suas famílias. Entretanto, persistem desafios relacionados à falta de capacitação, à fragmentação  do cuidado e à necessidade de integração entre os diferentes níveis de atenção. Diante disso, reforça-se a importância de estratégias formativas e organizacionais que fortaleçam a prática de  enfermagem baseada em evidências e sensível às particularidades do espectro autista. 

5. DISCUSSÕES 

A análise dos dez estudos incluídos nesta revisão evidenciou que 30% das pesquisas  (Martins et al., 2019; Almeida et al., 2024; Oliveira et al., 2025) abordaram diretamente a  atuação do enfermeiro na detecção precoce e na sistematização do cuidado a crianças com  Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esses trabalhos convergem ao demonstrar que o  reconhecimento antecipado dos sinais clínicos do espectro está diretamente relacionado à  qualificação do profissional de enfermagem, especialmente nas consultas de puericultura. Esse  dado reforça a relevância da capacitação técnica e teórica do enfermeiro para o rastreio e  encaminhamento adequados, fundamentais para o desenvolvimento integral da criança autista. 

Cerca de 20% dos estudos analisados (Bonfim et al., 2020; Bonfim et al., 2023)  concentraram-se na experiência familiar e na importância do suporte multiprofissional. Ambas  as pesquisas destacam que o enfermeiro é um elo fundamental entre a família, a escola e os  serviços de saúde, exercendo papel educativo e acolhedor. Enquanto o estudo de 2020 enfatiza  a vulnerabilidade das famílias no processo de diagnóstico, o de 2023 amplia a discussão ao  apontar a necessidade de reorganizar o cuidado multiprofissional. Assim, percebe-se que a  enfermagem atua como ponte entre o saber técnico e o apoio emocional, mitigando fragilidades  no percurso terapêutico. 

Em contrapartida, 10% dos estudos (Hurt et al., 2019) destacaram a integração entre  saúde e educação, apontando falhas na comunicação intersetorial e na continuidade do cuidado.  O estudo mostra que pais e profissionais frequentemente assumem papéis sobrepostos para  suprir lacunas deixadas pelo sistema. Esse achado dialoga com Oliveira et al. (2025), que  ressaltam que as consultas de enfermagem em puericultura são espaços potenciais para estreitar  vínculos e promover integração interprofissional, especialmente quando o enfermeiro adota  uma postura dialógica e colaborativa. 

Outro grupo, representando 20% dos estudos (Huber et al., 2022; Kolukisa; Cinar,  2025), abordou o cuidado hospitalar e as dificuldades enfrentadas por crianças com TEA em  ambientes de internação. Ambos destacam que a ausência de equipes multidisciplinares  especializadas e a falta de sensibilidade ambiental podem gerar sobrecarga sensorial e  emocional para a criança. Nesses contextos, o papel do enfermeiro é decisivo, pois sua atuação humanizada, pautada no acolhimento e na comunicação terapêutica, contribui para minimizar  o estresse e promover conforto durante a hospitalização. 

Os estudos de Williams, Sokhela e Ngxongo (2025) e Bonfim et al. (2023) também  convergem ao enfatizar a relevância do envolvimento familiar no cuidado de enfermagem.  Enquanto o primeiro identifica barreiras como falta de tempo, conhecimento e empatia dos  profissionais, o segundo reforça a invisibilidade da família no planejamento assistencial. Tais  achados demonstram que, embora o enfermeiro reconheça a importância do cuidado centrado  na família, ainda existem desafios práticos e estruturais que dificultam sua efetivação,  especialmente em ambientes hospitalares e redes de atenção fragmentadas. 

Em 30% das pesquisas (Martins et al., 2019; Almeida et al., 2024; Oliveira et al., 2025),  observou-se a necessidade de capacitação contínua dos enfermeiros frente ao TEA. A ausência  de formação específica e de instrumentos padronizados limita a capacidade de intervenção e o  acompanhamento efetivo da criança. Almeida et al. (2024) demonstraram que mais de 85% dos  profissionais não conhecem protocolos de triagem, o que reforça a urgência de políticas de  educação permanente voltadas à prática clínica em saúde mental infantil e desenvolvimento  neuropsicomotor. 

O estudo metodológico de Martins et al. (2019) apresentou uma contribuição  significativa ao desenvolver um instrumento sistematizado para consulta de enfermagem,  validado com alto índice de confiabilidade (IVC = 0,91). Essa iniciativa complementa os  achados de Oliveira et al. (2025), que evidenciam a importância da consulta de puericultura  como momento privilegiado para observar comportamentos atípicos e orientar as famílias.  Juntos, esses estudos apontam para o avanço da enfermagem em direção à prática baseada em  evidências e à utilização de tecnologias do cuidado voltadas ao público infantil autista. 

Os achados de Kara e Alpgan (2022) oferecem uma perspectiva complementar ao  relacionar indicadores precoces de TEA com o comportamento durante a amamentação, como  menor contato visual e ausência de sucção natural. Esses dados, embora biomédicos, têm  implicações diretas na prática de enfermagem, pois reforçam a necessidade de atenção aos  sinais sutis do desenvolvimento infantil durante o acompanhamento de rotina. Assim, a atuação  precoce do enfermeiro pode ser determinante para o encaminhamento e diagnóstico oportunos. 

De modo geral, os estudos hospitalares (Huber et al., 2022; Kolukisa; Cinar, 2025;  Williams et al., 2025) revelam um déficit estrutural na formação e no suporte organizacional  aos enfermeiros, refletindo na dificuldade de lidar com comportamentos desafiadores e  sensibilidades sensoriais típicas do TEA. Esses contextos demandam do profissional não apenas  conhecimento técnico, mas também competências emocionais e comunicacionais.

Dessa forma, o desenvolvimento de programas institucionais, como o descrito por Huber et al. (2022),  representa um avanço relevante na promoção de ambientes hospitalares mais inclusivos. O estudo de Bonfim et al. (2023) e o de Almeida et al. (2024) compartilham o enfoque  na fragilidade das redes de atenção e na sobrecarga dos profissionais, evidenciando a  necessidade de uma abordagem intersetorial e de maior investimento em educação continuada.  O cuidado centrado na família, proposto teoricamente por Bonfim et al. (2023), depende  diretamente da valorização e do preparo dos enfermeiros, conforme reforça Almeida et al.  (2024). Essa convergência indica que a humanização do cuidado não é apenas uma prática  individual, mas uma construção coletiva que requer suporte institucional. Comparando os estudos internacionais (Hurt et al., 2019; Kara; Alpgan, 2022; Williams  et al., 2025; Kolukisa; Cinar, 2025) com os brasileiros (Martins et al., 2019; Bonfim et al., 2020;  Bonfim et al., 2023; Almeida et al., 2024; Oliveira et al., 2025), nota-se que, apesar das  diferenças contextuais, há consenso global sobre o papel estratégico do enfermeiro na triagem  precoce, na comunicação com famílias e na articulação de cuidados. Contudo, os estudos  nacionais ainda revelam maiores limitações estruturais e educacionais, apontando para a  necessidade de avanços na formação acadêmica e nas políticas públicas de saúde mental  infantil. 

Por fim, a comparação geral dos dez estudos reforça que a enfermagem é eixo central  na assistência ao TEA, tanto na atenção básica quanto hospitalar. Entretanto, a efetividade de  sua atuação depende da integração entre saber técnico, sensibilidade interpessoal e apoio  institucional. A construção de uma prática de enfermagem voltada à inclusão e ao cuidado  integral de crianças autistas requer não apenas preparo científico, mas também empatia e  comprometimento ético, valores que se destacam como pilares da profissão e da humanização  da assistência. 

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Com base nos dez estudos selecionados, observou-se que o papel do enfermeiro é  fundamental tanto no diagnóstico precoce quanto no acompanhamento contínuo, orientando  familiares, promovendo o cuidado integral e assegurando um ambiente terapêutico  humanizado. Dessa forma, o objetivo proposto foi plenamente alcançado, possibilitando uma  compreensão ampla e crítica sobre a relevância da enfermagem nesse contexto. 

Além disso, constatou-se que, embora existam práticas exitosas relacionadas à  capacitação profissional e à inclusão de abordagens multidisciplinares, ainda persistem desafios significativos. Entre eles, destacam-se a escassez de formações específicas sobre TEA na  graduação e a carência de protocolos padronizados para o atendimento dessas crianças. Os  estudos convergem quanto à necessidade de uma atuação pautada na empatia, na comunicação  efetiva e na personalização do cuidado, elementos essenciais para o fortalecimento do vínculo  entre enfermeiro, criança e família. 

Portanto, conclui-se que a enfermagem exerce papel indispensável na assistência a  crianças com TEA, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para a inclusão social  dessas crianças. Recomenda-se o incentivo à formação continuada, à produção científica e à  elaboração de políticas públicas que garantam suporte aos profissionais de enfermagem e às  famílias. Assim, este estudo não apenas alcançou seu objetivo, como também reforça a  importância de ampliar o debate e o investimento em práticas assistenciais humanizadas e  baseadas em evidências científicas. 

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