A EFICÁCIA DA GINKGO BILOBA NO TRATAMENTO  DA DOENÇA DE ALZHEIMER

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510221458


Ágnes Beatriz de Souza
Jair Lima das Virgens Júnior
Orientadora: Profa. Lorena Silva Matos Andrade


RESUMO 

Este trabalho aborda o uso do extrato de Ginkgo biloba, especialmente do extrato padronizado EGb 761®, no tratamento da Doença de Alzheimer, destacando seu potencial terapêutico em disfunções cognitivas. O objetivo foi consolidar e analisar as informações existentes na literatura científica acerca do uso da Ginkgo biloba como opção terapêutica complementar no tratamento da Doença de Alzheimer, buscando compreender seus possíveis mecanismos de ação, eficácia e limitações. Para isso, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, baseada em artigos científicos indexados nas bases de dados MDPI, Frontiers, U.S. National Library of Medicine (PubMed®) e ScienceDirect entre 2020 e 2025. Foram selecionados estudos que avaliaram a ação do EGb 761® em modelos animais e em ensaios clínicos com pacientes diagnosticados com Alzheimer ou comprometimento cognitivo leve. Os resultados apontaram efeitos consistentes na melhora da função cognitiva, da memória e das atividades funcionais diárias, além de redução dos sintomas neuropsiquiátricos. Os mecanismos centrais envolvidos incluíram propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras, bem como a modulação da neurotransmissão e da perfusão cerebral. Conclui-se que o Ginkgo biloba, em especial o extrato EGb 761®, apresenta potencial terapêutico como tratamento adjuvante na Doença de Alzheimer, podendo contribuir para a melhora da qualidade de vida dos pacientes. No entanto, destaca-se a necessidade de estudos adicionais, com maior padronização metodológica e amostras ampliadas, para confirmar sua eficácia e segurança a longo prazo. 

Palavras-chave: Ginkgo biloba. Doença de Alzheimer. EGb 761®. Fitoterapia. Função cognitiva. 

ABSTRACT 

This study addresses the use of Ginkgo biloba extract, especially the standardized extract EGb 761®, in the treatment of Alzheimer’s disease, highlighting its therapeutic potential in cognitive dysfunctions. The objective was to consolidate and analyze the existing scientific literature on the use of Ginkgo biloba as a complementary therapeutic option in the treatment of Alzheimer’s disease, aiming to understand its possible mechanisms of action, efficacy, and limitations. To this end, an integrative literature review was conducted based on scientific articles indexed in the MDPI, Frontiers, U.S. National Library of Medicine (PubMed®), and ScienceDirect databases between 2020 and 2025. Studies evaluating the action of EGb 761® in animal models and clinical trials with patients diagnosed with Alzheimer’s disease or mild cognitive impairment were selected. The results showed consistent effects on improving cognitive function, memory, and daily functional activities, as well as reducing neuropsychiatric symptoms. The main mechanisms involved included antioxidant, anti-inflammatory, and neuroprotective properties, as well as modulation of neurotransmission and cerebral perfusion. It is concluded that Ginkgo biloba, especially the EGb 761® extract, presents therapeutic potential as an adjuvant treatment for Alzheimer’s disease, contributing to improving patients’ quality of life. However, further studies with greater methodological standardization and larger samples are needed to confirm its long-term efficacy and safety. 

Keywords: Ginkgo biloba. Alzheimer’s disease. EGb 761®. Phytotherapy. Neuroprotection. Cognitive function.

1. INTRODUÇÃO  

A doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa progressiva, irreversível e associada ao envelhecimento. É uma das causas mais comuns de demência e exclusão social. As alterações cognitivas progressivas, envolvendo memória, linguagem e pensamento são acompanhadas por sintomas comportamentais e neuropsiquiátricos, as principais manifestações clínicas da DA são diminuição da inteligência, memória fraca, capacidade reduzida de linguagem, distração, dificuldade em distinguir coisas e vários graus de alterações de personalidade (WHO, 2023).  Em 2019, a Alzheimer’s Disease International (ADI) estimou que mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofriam de algum tipo de demência, prevendo que esse número aumentará significativamente até 2050. (ALZHEIRMER’S DISEASE INTERNATIONAL, 2019; NICHOLS et al., 2022).  

A DA é caracterizada principalmente por duas alterações neuropatológicas. A primeira são as placas senis (placas de beta-amiloide), resultantes do acúmulo anormal do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no espaço extracelular dos neurônios. Esses depósitos formam agregados tóxicos que desencadeiam processos inflamatórios, estresse oxidativo e morte celular. A segunda alteração envolve os emaranhados neurofibrilares, formados pela proteína Tau. Normalmente responsável por estabilizar os microtúbulos, a proteína Tau sofre hiperfosforilação, originando emaranhados que comprometem o transporte intracelular, levam à disfunção neuronal e culminam na morte dos neurônios (ZHANG; XU, 2023; RABINOVICI, 2021). Apesar dessas alterações clássicas, a DA é atualmente considerada uma doença multifatorial, envolvendo também estresse oxidativo, neuroinflamação, disfunção das células gliais, degeneração dos neurônios colinérgicos e alterações na microbiota intestinal (ZHANG; XU, 2023; MUHURI; KUMAR; DEBNATH, 2023).  

Atualmente, existem muitos regimes de tratamento clínico para a DA, mas com efeitos curativos limitados e transitórios, apenas reduz sintomas cognitivos e comportamentais, retardando a sua progressão e proporcionando uma melhora na qualidade de vida. Esse tratamento inclui a utilização de inibidores da acetilcolinesterase (AChEI), que tem como mecanismo aumentar a disponibilidade de acetilcolina no cérebro, — neurotransmissor essencial para memória e aprendizagem — como (donepezil, rivastigmina e galantamina), e o antagonista dos receptores do ácido N-metilD-aspártico, a memantina (RABINOVICI, 2021). Existe terapias em outros países com Anticorpos monoclonais que agem contra o depósito de beta-amiloide (Aβ) no cérebro, a (aducanumabe, lecanemabe, donanemabe), eles reduzem a carga amiloide na qual visa os mecanismos patogênicos da doença (TONG; FENG; CHEN, 2022; MUHURI; KUMAR; DEBNATH, 2023).  Os tratamentos atualmente para a doença de Alzheimer são limitados em eficácia, podem causar efeitos colaterais, não promovem a cura, não interrompem a progressão da doença e são caros. Diante disso, torna-se necessário uma exploração mais aprofundada de mais intervenções, essa limitação desperta o interesse por estratégias complementares, seguras e acessíveis, incluindo o uso de compostos naturais com potencial neuroprotetor, a exemplo da Ginkgo biloba.  

A Ginkgo Biloba (GB) é uma planta originária do Japão, China e Coreia que pertence à família das áreas e à classe das plantas opsidas. A primeira menção ao uso das folhas de GB para fins medicinais aparece no texto de Wen-Tai, “Ben Cao Pin Hue Jing Yaor”, escrito em 1505 d.C. (NOWAK et al., 2021). Esta obra fornece informações sobre os usos tradicionais das folhas de GB. Com o tempo, as farmacopeias chinesas modernas reconhecem as propriedades terapêuticas dessas folhas, particularmente no tratamento de doenças cardíacas e pulmonares. Essa erva tem sido utilizada na medicina popular para tratar uma grande quantidade de problemas de saúde graças a sua abundância de substâncias bioativas que contém, os terpenoides (Ginkgolídeos A, B e C), polifenóis, ácidos orgânicos e flavonoides (quercetina, Kaempferol e isorhamnentina), que estão associados a efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e anti-apoptóticos.  

O aumento da atenção refere-se ao uso no tratamento dos compostos bioativos naturais que são eficazes em doenças degenerativas, incluindo a doença de Alzheimer. O extrato padronizado frequentemente utilizado é o EGb 761, utilizado há muitos anos em terapia de suporte e na prevenção de distúrbios cognitivos (AGOTTO et al., 2024).  

Este estudo visa abordar as questões no tratamento da DA, onde a eficácia da Ginkgo Biloba permanece incerta. Alguns estudos encontraram melhorias significativas na função cognitiva, nos sintomas neuropsiquiátricos e nas habilidades funcionais.  

Portanto, o presente trabalho tem como objetivo consolidar e analisar as informações existentes na literatura científica acerca do uso da Ginkgo biloba como opção terapêutica complementar no tratamento da Doença de Alzheimer, buscando compreender seus possíveis mecanismos de ação, eficácia e limitações.  

2. METODOLOGIA  

2.1 TIPO DE ESTUDO 

Este estudo é uma revisão integrativa da literatura, que é um método de pesquisa que permite reunir, analisar os resultados de pesquisas já publicados sobre determinada temática. A escolha por essa abordagem justifica-se pela necessidade de sintetizar as evidências científicas existentes sobre o uso da planta Ginkgo biloba no tratamento da Doença de Alzheimer, possibilitando uma compreensão ampla dos benefícios, limitações e perspectivas futuras relacionadas ao tema. (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). 

2.2 CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE 

Foram incluídas neste trabalho estudos científicos disponíveis em texto íntegro, sem a restrição de idiomas, data ou local de publicação. Todos apresentaram pelo menos um dos descritores da busca no título ou resumo. Foram excluídas referências duplicadas, estudos de revisão de literatura e publicações que não abordaram o tema pesquisado.  

2.3 FONTES DE PESQUISA 

As pesquisas foram realizadas nas bases de dados MDPI, Frontiers, U.S. National Library of Medicine (PubMed®) e ScienceDirect. A seleção dos artigos seguiu critérios como a relevância ao tema, pré-seleção por título e resumo, e o ano de publicação, compreendendo a divulgação entre 2020 e 2025.Os descritores utilizados na busca foram: “Ginkgo Biloba”, “Ginkgo Biloba no tratamento de Alzheimer”, “Ginkgo Biloba” AND Alzheimer”, “Alzheimer’s disease”, “Ginkgo Biloba” AND memory com auxílio dos operadores Booleanos AND e OR.   

No total, foram identificados 29 artigos, dos quais 10 foram selecionados para compor a revisão. Destes artigos todos estavam em inglês e foram lidos integralmente. Suas principais informações foram compiladas para embasar o estudo. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Autor(es)/AnoTipo de EstudoObjetivoConclusões
Xie, L., Zhu,
Q., e Lu, J. (2022).
Revisão Sistemática
e Meta-análise (Pré
clínica e Clínica)
Avaliar sistematicamente
o potencial terapêutico do
extrato de Ginkgo biloba (GBE) contra a Doença de Alzheimer (DA)
O GBE demonstrou  efeitos anti-DA  consistentes em animais.  Nos estudos clínicos, o GBE pode melhorar os sintomas em pacientes com DA em estágio inicial. A eficácia parece ser maior em pacientes mais jovens (60-70 anos) com danos leves. Limitação: Mais Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) de alta qualidade são necessários para validar os achados.
Nowak, A., Kojder, K.,
Zielonka-Brzezicka, J.
et al. (2021)
Revisão Narrativa (Visão Geral)Apresentar uma visão geral sobre a patogênese da Doença de Alzheimer (DA) e resumir as propriedades e o potencial neuroprotetor do extrato de Ginkgo biloba (EGb 761).O extrato (EGb 761) é um  agente promissor devido  às suas propriedades  antioxidantes e anti-
 inflamatórias. Ele atua na  melhora da função  cognitiva em distúrbios cognitivos leves. A combinação de EGb 761 com medicamentos sintéticos padrão (como Donepezila) é uma terapia de suporte que pode levar a melhores resultados nas funções cognitivas.
Li, D., Ma, J., Wei, B. et al. (2023)Revisão Sistemática  e Meta-análise
(Ensaios Clínicos Randomizados)
Analisar a eficácia e  segurança da  combinação de preparações de Ginkgo biloba com Donepezila versus Donepezila isolada no tratamento da Doença de Alzheimer
(DA)
Eficácia Cognitiva: A  combinação do extrato  com Donepezila melhora  a taxa de eficácia clínica e as pontuações em  testes cognitivos como o  MMSE (Mini-Exame do 
 Estado Mental) e o ADL (Atividades de Vida Diária), em comparação com Donepezila isolada. Segurança: Não houve diferença estatisticamente 
significativa na ocorrência de reações adversas entre os grupos de tratamento. Limitação: Requer mais Ensaios Clínicos Randomizados de alta qualidade para validação.
Morató, X., Tartari, J. P., Pytel, V., e Boada, M.(2024)Revisão Narrativa
(Farmacodinâmica e
 Clínica)
Resumir informações  sobre o extrato padronizado EGb 761 do Ginkgo biloba, incluindo composição, dados farmacológicos e evidências clínicas que apoiam seu uso no tratamento da Doença de Alzheimer (DA)O extrato especial EGb 761 é uma preparação  vegetal muito visada à  base de ervas como  alternativa aos 
 medicamentos  antidemência padrão,  como os inibidores da  colinesterase. Sua eficácia é atribuída a seus múltiplos componentes, que atuam em diferentes alvos da DA (como antioxidante e anti-inflamatório). 
Contudo, o mecanismo de ação exato ainda não está completamente elucidado e há 
heterogeneidade 
(variedade) nos estudos clínicos.
Bohlken J. et al
(2024)
Estudo de coorte retrospectivoAnalisar o impacto a longo prazo do Ginkgo biloba na progressão da demência com base em um grande conjunto de dados de informações qualitativas sobre os graus de gravidade com base no julgamento clínico dos médicos.O estudo conclui que o  uso do extrato de Ginkgo  biloba está associado a  uma progressão mais  lenta da gravidade da  demência em pacientes  com comprometimento  cognitivo leve a  moderado. Pacientes tratados apresentaram menor incidência de avanço da doença, sugerindo que o Ginkgo biloba pode exercer um efeito protetor na evolução da demência e constituir uma estratégia terapêutica promissora.
García-Alberca JM,
Gris E, Mendoza S. (2022)
Estudo retrospectivo  observacional.Avaliar a eficácia do extrato de Ginkgo biloba (EGb 761), isoladamente ou em combinação com inibidores da acetilcolinesterase, sobre a função cognitiva e os sintomas 
comportamentais de pacientes com
comprometimento cognitivo leve ao longo de um ano.
O estudo conclui que o tratamento combinado  com o extrato de Ginkgo  biloba (EGb 761®) e  inibidores da 
 acetilcolinesterase 
 promoveu melhora significativa da função  cognitiva e reduziu  sintomas 
neuropsiquiátricos em  pacientes com comprometimento cognitivo leve, sendo bem tolerado e seguro, o que indica seu potencial como estratégia terapêutica eficaz nessa população.
Yuan Y. et al. (2024)Estudo experimental em modelo animalInvestigar os efeitos do pó de sementes de Ginkgo biloba sobre
envelhecimento, aterosclerose e fadiga em camundongos senescentes, avaliando sua atividade antioxidante e outros potenciais benefícios à saúde
O Ginkgo biloba contém  compostos bioativos com  potencial terapêutico contra doenças  relacionadas ao envelhecimento. Esses compostos 
demonstraram efeitos  benéficos em modelos experimentais, indicando que a planta pode ser uma fonte promissora para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas voltadas à prevenção ou ao tratamento de condições associadas ao envelhecimento.
Nguyen VTT. (2025)Estudo experimental pré-clínico.Investigar se o extrato de Ginkgo biloba (EGb 761®) pode prevenir ou melhorar o declínio cognitivo em um modelo animal de Alzheimer, especificamente em camundongos transgênicos 5xFAD, que apresentam 
características da doença, como acúmulo de placas de β-amilóide e déficits de memória.
O tratamento com EGb 761® melhorou a função  cognitiva em  camundongos 5xFAD em  diversos testes  comportamentais. A  análise do tecido cerebral desses animais revelou  que o tratamento reduziu a carga de placas de β-amiloide e aumentou a  expressão de proteínas  associadas à neuroplasticidade e neuroproteção. Esses resultados sugerem que o EGb 761® pode ter potencial terapêutico na doença de Alzheimer, embora mais estudos sejam necessários para confirmar esses achados.
Oliveira Pagotto, G. L. et al. (2024)Revisão sistemática  de ensaios clínicos.Avaliar, de forma sistemática, os efeitos do Ginkgo biloba no tratamento da demência de Alzheimer, reunindo evidências de ensaios clínicos publicados para determinar sua eficácia, segurança e potencial terapêutico.A Ginkgo biloba  apresenta benefícios  modestos na melhora  cognitiva e na função  diária de pacientes com 
 Alzheimer leve a  moderado, sendo  geralmente seguro e bem  tolerado. No entanto, devido à variações dos estudos quanto a doses, duração e protocolos, os autores destacam a necessidade de ensaios clínicos mais rigorosos e padronizados para confirmar sua eficácia e estabelecer recomendações terapêuticas precisas.
Subin Park, Miey Park,
Hae-Jeung Lee (2025)
Estudo experimental  pré-clínico in vivo realizado em
camundongos transgênicos 
(modelo 5xFAD de
Alzheimer)
Avaliar o potencial  terapêutico do Ginkgolide  A (componente ativo do Ginkgo biloba) sobre o Alzheimer, analisando  seus efeitos sobre a cognição, acúmulo de beta-amiloide (Aβ) e os mecanismos de autofagia e sinalização celular.O tratamento oral com Ginkgolide A (20  mg/kg/dia por 4
 semanas) melhorou o  desempenho cognitivo,  reduziu os níveis solúveis  e insolúveis de Aβ,  diminuiu a inflamação e o  estresse oxidativo, e promoveu a ativação da autofagia via regulação das vias AMPK–mTOR e PI3K–Akt, além de restaurar a plasticidade sináptica. Os resultados indicam que o GA é um promissor agente multifuncional para o tratamento do Alzheimer.

A Doença de Alzheimer (DA) é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva caracterizada pelo declínio cognitivo e comprometimento funcional, cujos mecanismos patológicos envolvem o acúmulo de placas β-amiloides, emaranhados neurofibrilares de proteína tau hiperfosforilada, estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e inflamação neuronal. Diante da ausência de terapias curativas, o uso de compostos naturais, como o extrato padronizado de Ginkgo biloba (EGb 761®), tem despertado crescente interesse por apresentar propriedades antioxidantes, antiapoptóticas e neuroprotetoras (XIE; ZHU; LU, 2022; NOWAK et al., 2021).  

Os estudos revisados demonstram que o EGb 761 exerce múltiplas ações benéficas sobre os mecanismos fisiopatológicos da DA, tanto em modelos pré-clínicos quanto em ensaios clínicos com pacientes. Em modelos animais, o extrato mostrou-se eficaz na redução do estresse oxidativo, na modulação de vias inflamatórias e na melhora de parâmetros cognitivos e sinápticos (XIE; ZHU; LU, 2022). Em humanos, observou-se melhora significativa em testes cognitivos e sintomas neuropsiquiátricos, especialmente em fases iniciais da doença (NOWAK et al., 2021; LI et al., 2023; MORATO et al., 2024). 

3.1 EVIDÊNCIAS EXPERIMENTAIS E MODELOS PRÉ-CLÍNICOS  

Nos estudos pré-clínicos, diversos modelos animais foram utilizados para simular os mecanismos da DA, incluindo camundongos C57BL/6, TG2576, TGAPP/PS1 e TGCRND8, bem como ratos Wistar e Sprague-Dawley (XIE; ZHU; LU, 2022). O tratamento com EGb 761 reduziu a latência de escape em testes de memória espacial, como o Morris Water Maze, indicando melhora significativa na aprendizagem e na memória. Análises histológicas mostraram diminuição da expressão de proteína tau fosforilada e redução da toxicidade neural induzida por Aβ, sugerindo um efeito protetor sobre a integridade neuronal.  

Outro achado relevante foi o aumento da atividade das enzimas antioxidantes superóxido dismutase (SOD) e glutationa peroxidase (GSH-Px), acompanhado pela diminuição de malondialdeído (MDA), marcador de peroxidação lipídica. Esses resultados reforçam o papel do EGb 761 como agente neuroprotetor, reduzindo espécies reativas de oxigênio e limitando o dano oxidativo (NOWAK et al., 2021). Além disso, o extrato mostrou inibir a apoptose neuronal por meio da modulação de proteínas Bcl-2 e Bax e da supressão de citocinas inflamatórias como TNF-α e IL-1β, preservando a viabilidade celular e a funcionalidade sináptica.  

Estudos experimentais recentes também ampliam essa compreensão. Yuan Y. et al. (2024) demonstraram, em camundongos senescentes, que compostos bioativos do Ginkgo biloba apresentam potencial terapêutico contra doenças relacionadas ao envelhecimento, incluindo melhora no aprendizado e memória, efeitos antioxidantes e redução do estresse oxidativo. Nguyen VTT (2025), por sua vez, observou em camundongos transgênicos 5xFAD melhora cognitiva, redução dos depósitos de peptídeo Aβ no córtex pré-frontal e modulação de genes colinérgicos, evidenciando ação neuroprotetora e anti-inflamatória central e periférica. Esses resultados reforçam o potencial do EGb 761 como agente multifuncional no tratamento de doenças neurodegenerativas.  

3.2 MECANISMOS DE AÇÃO E EFEITOS NEUROPROTETORES  

Os mecanismos neuroprotetores do Ginkgo biloba estão relacionados principalmente à presença de flavonoides e terpenoides, como quercetina, kaempferol, isorhamnetina, bilobalida e ginkgolídeos A, B e C (NOWAK et al., 2021). Esses compostos apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e moduladoras do metabolismo mitocondrial. O EGb 761 atua tanto de forma direta, eliminando radicais livres, quanto indiretamente, estimulando enzimas antioxidantes. Além disso, preserva o potencial de membrana mitocondrial e aumenta a produção de ATP, retardando danos neuronais (MORATO et al., 2024).  

Outro mecanismo relevante é a modulação da microglia. O EGb 761 reduz a liberação de citocinas pró-inflamatórias (IL-1β, IL-6 e TNF-α) e aumenta citocinas antiinflamatórias (IL-4 e IL-13), promovendo um ambiente neuronal protetor (NOWAK et al., 2021). O extrato também interfere no metabolismo lipídico e reduz a deposição de Aβ, atuando preventivamente na neurotoxicidade amiloide (LI et al., 2023). A modulação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, bem como a inibição leve da acetilcolinesterase, contribuem para a melhora cognitiva e de humor em pacientes com DA (MORATO et al., 2024).  

3.3 EVIDÊNCIAS CLÍNICAS E META-ANÁLISES  

Nos ensaios clínicos, o EGb 761 foi administrado em doses de 120 a 240 mg/dia por 12 a 52 semanas. A maioria relatou melhora cognitiva significativa, especialmente em pacientes com comprometimento cognitivo leve a moderado (MORATO et al., 2024; XIE; ZHU; LU, 2022). Os testes mais utilizados — como o Syndrom Kurztest (SKT), o MiniExame do Estado Mental (MMSE) e a Escala de Avaliação da Doença de Alzheimer (ADAS-Cog) — mostraram reduções consistentes nas pontuações médias após o tratamento. Em meta-análises, a combinação de EGb 761 e donepezila apresentou resultados superiores à monoterapia, sem aumento significativo de efeitos adversos (LI et al., 2023).  

A revisão sistemática de Oliveira Pagotto, G. L. et al. (2024) analisou 15 ensaios clínicos e relatou benefícios cognitivos e comportamentais em 11 deles, destacando que o extrato é geralmente seguro e bem tolerado. Entretanto, as diferenças metodológicas entre os estudos — como variação de doses, formulações e duração dos tratamentos — limitam a força das conclusões. Xie, L., Zhu, Q. e Lu, J. (2022) também apontaram maior eficácia do EGb 761 em pacientes mais jovens (60–70 anos) e em estágios iniciais da doença, sugerindo que a intervenção precoce é essencial para o sucesso terapêutico.  

De modo geral, o EGb 761 mostrou eficácia comparável aos fármacos de primeira linha, mas com melhor perfil de tolerabilidade. Os principais efeitos adversos relatados foram leves, como dor de cabeça e tontura, semelhantes aos do grupo placebo. Embora o extrato possa interagir com alguns medicamentos — como antidepressivos, antiinflamatórios e fármacos metabolizados pelo citocromo P450 —, seu perfil de segurança permanece amplamente favorável (NOWAK et al., 2021).  

3.4 LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS  

Apesar dos resultados promissores, as evidências disponíveis ainda apresentam limitações. A heterogeneidade metodológica, o pequeno tamanho amostral de alguns ensaios e a variabilidade nas formulações do extrato dificultam comparações diretas e generalizações (OLIVEIRA PAGOTTO et al., 2024). Além disso, a baixa penetração do EGb 761 na barreira hematoencefálica pode limitar sua eficácia a curto prazo, exigindo períodos prolongados de uso (XIE; ZHU; LU, 2022).  

Outros fatores, como adesão ao tratamento, nível socioeconômico, prática de atividade física e uso concomitante de medicamentos, também podem influenciar os resultados. Assim, torna-se necessária a realização de novos estudos clínicos randomizados, com amostras maiores, maior duração de acompanhamento e controle rigoroso de variáveis, bem como a integração de marcadores biológicos e neuroimagem para elucidar os mecanismos de ação do EGb 761 e definir seu papel terapêutico na DA (MORATO et al., 2024).  

3.5 SÍNTESE DOS ACHADOS  

Os achados convergem para o reconhecimento do Ginkgo biloba (EGb 761®) como uma alternativa terapêutica promissora e segura no manejo da demência e do comprometimento cognitivo leve. Sua ação multifatorial — antioxidante, anti-inflamatória, anti-amilóide e neuroprotetora — sugere benefícios tanto isoladamente quanto em combinação com terapias convencionais. Ainda assim, a consolidação de evidências mais robustas é essencial para confirmar sua eficácia, estabelecer parâmetros de dose e duração ideais e garantir segurança a longo prazo.  

De modo geral, a integração dos dados pré-clínicos e clínicos evidencia que o EGb 761 atua de forma ampla sobre os processos neurodegenerativos da Doença de Alzheimer, retardando sua progressão e contribuindo para a melhora da cognição, do comportamento e da qualidade de vida dos pacientes. Esses resultados reforçam a importância de novas investigações para consolidar o uso do Ginkgo biloba como adjuvante terapêutico em doenças neurodegenerativas.  

4. CONCLUSÃO  

Com base na análise dos estudos revisados, conclui-se que o extrato padronizado de Ginkgo biloba (EGb 761®) apresenta potencial terapêutico significativo na Doença de Alzheimer (DA), atuando de forma multifatorial nos principais mecanismos fisiopatológicos associados à neurodegeneração. As evidências pré-clínicas demonstram que o EGb 761 exerce efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, antiapoptóticos e moduladores da função mitocondrial, contribuindo para a redução do estresse oxidativo, do depósito de β-amiloide e da hiperfosforilação da proteína tau.  

Nos ensaios clínicos, o uso do EGb 761 em doses entre 120 e 240 mg/dia, administradas por períodos superiores a 24 semanas, mostrou melhora consistente da função cognitiva e dos sintomas neuropsiquiátricos em pacientes com comprometimento cognitivo leve a moderado, especialmente nas fases iniciais da doença. Ademais, a associação do EGb 761 à donepezila mostrou resultados superiores à monoterapia, sem aumento significativo na ocorrência de eventos adversos.  

Entretanto, apesar dos achados promissores, as limitações metodológicas observadas entre os estudos ainda dificultam a consolidação de evidências definitivas quanto à eficácia clínica do Ginkgo biloba. Dessa forma, são necessários novos ensaios clínicos randomizados e de longo prazo, para confirmar os benefícios observados e determinar parâmetros ideais de dose e duração do tratamento. 

Por fim, os resultados indicam que o EGb 761 constitui uma alternativa terapêutica promissora e segura no manejo da Doença de Alzheimer, podendo atuar como agente adjuvante às terapias convencionais. Sua ação neuroprotetora multifatorial contribui para a melhora da cognição, do comportamento e da qualidade de vida dos pacientes, reforçando a importância de sua investigação contínua no contexto das doenças neurodegenerativas. 

REFERÊNCIAS   

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