THE ACTUATION FROM THE ODONTOLOGY IN PROMOTION AT HEALTH ORAL IN PATIENTS WITH CEREBRAL PALSY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511101742
Isabella Miranda Gomes Carneiro1
Angélica Pereira Rocha2
RESUMO
O artigo aborda a atuação da odontologia na promoção da saúde bucal em indivíduos com paralisia cerebral, destacando a importância do atendimento especializado e das medidas preventivas para essa população. O estudo explica que a paralisia cerebral é uma condição neurológica não progressiva resultante de lesões ou malformações cerebrais que afetam o controle motor e cognitivo, o que compromete diretamente a capacidade de manter uma higiene bucal adequada. A pesquisa discute como a espasticidade, os reflexos orais exacerbados e a limitação motora dificultam a escovação e o uso do fio dental, exigindo o auxílio constante de cuidadores. Apresenta também os impactos da dieta pastosa e do uso de medicamentos que favorecem o crescimento gengival, aumentando o risco de cárie e doenças periodontais. São analisadas ainda estratégias terapêuticas e recursos auxiliares, como o uso da toxina botulínica e dispositivos de posicionamento, que contribuem para maior conforto e segurança durante o atendimento odontológico. Conclui-se que o cirurgião-dentista desempenha papel essencial na orientação de cuidadores e na adoção de práticas adaptadas que visam prevenir complicações, melhorar a saúde oral e promover qualidade de vida aos pacientes com paralisia cerebral.
Palavras-chave: Paralisia cerebral. Odontologia. Saúde bucal. Higiene oral. Inclusão.
1 INTRODUÇÃO
Paralisia Cerebral (PC) é um conjunto de sintomas resultante de malformações cerebrais que afetam o desenvolvimento motor e cognitivo responsável por controlar os movimentos musculares. Pode ser definida, como também, uma lesão cerebral que é possível ocorrer durante a gestação, no nascimento, período neonatal ou na primeira infância, levando o paciente a sofrer muitas limitações nas suas atividades cotidianas. (VICTORIO, 2025)
Se a gestante durante á sua gravidez se infectada por rubéola, toxoplasmose e zika vírus, ocasionalmente, resulta em paralisia cerebral e às vezes, a PC resulta em anomalias genéticas.
Concentração elevadas de bilirrubina no sangue que podem dar origem a uma forma de lesão cerebral denominada querníctero e isso pode causar paralisia cerebral. Durante a primeira infância, a criança tem meningite , sepse. (VARELLA, 2019). O Comitê da Academia Americana de Paralisia Cerebral, fez classificação que foi publicada 1956, mas tem que ter em conta que não tem haver a etiologia ou a patologia do problema.
A. Paralisia cerebral espástica
- Diplegia: comprometimento maior nos membros inferiores.
- Quadriplegia: prejuízos equivalentes nos quatro membros
- Hemiplegia: comprometimento de um dimídio corporal
- Dupla hemiplegia: membros superiores mais comprometidos.
B. Discinética
- Hipercinética ou coreoatetoide
- Distônica
C. Ataxia
D. Mista
A doença bucal representa um importante problema de saúde entre as pessoas com PC. A gravidade das deficiências físicas e mentais, e problemas bucais, assim como fatores socioeconômicos, podem ter um impacto na qualidade de vida de crianças com PC. Estudos têm demonstrado que quanto mais grave os danos neurológicos em indivíduos de paralisia cerebral, maior o risco de doenças orais. Isso ocorre não só devido a sua consistência alimentar e à maior dificuldade que essas pessoas têm para se mover e executar, ou receber uma higiene oral eficaz, mas também pelo cuidado oral limitado a que essa população está exposta (ABANTO et al.,2012)
2 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho trata-se de uma revisão de literatura, adotando um estilo qualitativo, descritivo e exploratório. O objetivo principal era entender as práticas e as abordagens odontológicas mais importantes para tratar pacientes com problemas motores e cognitivos, buscando melhorar a saúde bucal e elevar a vida dessas pessoas. Para condução do trabalho, várias fontes vitais foram olhadas, incluindo o Google Scholar, livros e sites de universidades de destaque nas áreas da odontologia, saúde coletiva e reabilitação. Adicionalmente, artigos de revistas nacionais e internacionais foram estudados, dando prioridade a trabalhos bem feitos e métodos apropriados ao assunto. Ao escolher os materiais, critérios foram importantes, estudos falando diretamente sobre saúde bucal em pessoas com problemas neuromotores, o papel do dentista com pacientes com necessidades especiais, adaptação de técnicas e instrumentos odontológicos e as táticas de educação e prevenção de problemas bucais.
Nós privilegiamos textos publicados entre 2010 e 2025, utilizando linguagem técnica e apresentando fundamentos científicos bem fortes. Desse modo, a metodologia usada permitiu a coleta e análise de dados científicos recentes, criando uma base consistente que apoia o conhecimento teórico e as discussões feitas neste estudo.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
DESAFIOS E LIMITAÇÕES NA HIGIENE ORAL
A realização da higiene bucal em indivíduos com paralisia cerebral é significativamente comprometida devido à gravidade do acometimento motor e à presença de condições associadas, como o déficit intelectual. Movimentos involuntários nos membros superiores dificultam a escovação e o uso do fio dental, tornando necessária a participação ativa de cuidadores ou responsáveis. Contudo, a falta de entendimento sobre a importância da higiene bucal, a baixa cooperação do paciente e a sobrecarga imposta aos cuidadores no processo de reabilitação têm impacto negativo direto na saúde bucal da pessoa com deficiência (SANTOS et al., 2010b). Adicionalmente, reflexos orais exacerbados – como os de procura, sucção, deglutição, mordida tônica, vômito e espasticidade da musculatura mastigatória – dificultam ou até impedem a abertura bucal e, consequentemente, a execução eficaz da higiene oral (SANTOS; NOGUEIRA, 2005; SANTOS et al., 2009). Comportamentos agressivos também podem surgir como forma de autoproteção diante dessas dificuldades.A espasticidade, uma das sequelas mais comuns de lesões no sistema nervoso central, está presente em grande parte das pessoas com paralisia cerebral. Essa condição prejudica o posicionamento adequado do paciente e interfere nas atividades da vida diária, como locomoção, alimentação e cuidados com a higiene pessoal. Quando não tratada adequadamente, pode levar a contraturas, rigidez muscular, luxações, dor e deformidades físicas (LANCE, 1980; GRACIES, 2005a; GRACIES, 2005b).
RELAÇÃO ENTRE A PARALISIA CEREBRAL E A SAÚDE BUCAL
Outros sinais clínicos frequentemente observados incluem hipertonia, reflexos exacerbados, debilidade muscular e relaxamento anormal. Características orofaciais como retração do lábio superior, tensão e projeção lingual, bruxismo, palato ogival, mordida aberta, respiração bucal e infecções respiratórias de repetição também são comuns, contribuindo para a dificuldade de deglutição (disfagia) e o acúmulo de secreções. A tensão muscular pode prejudicar a sucção e o selamento labial adequado, facilitando o escape de saliva (sialorréia), o que compromete ainda mais a saúde oral e sistêmica desses pacientes (BENFER et al., 2014).Em pacientes com paralisia cerebral, os músculos da mastigação geralmente apresentam hipertonia e encurtamento, o que modifica a formação do bolo alimentar, que passa a ser amassado entre a língua e o palato, em vez de triturado adequadamente (CLEMETSON et al., 2012; ABANTO et al., 2009). Como consequência dessa disfunção muscular, ocorre a redução da distância interincisal, dificultando tanto a alimentação quanto os procedimentos de higiene bucal (RODRIGUES DOS SANTOS et al., 2003; SANTOS et al., 2010a). Uma alternativa terapêutica eficaz, em casos específicos, tem sido o uso da toxina botulínica. Essa substância, produzida pela bactéria Clostridium botulinum, atua na junção neuromuscular ao inibir a liberação da acetilcolina na fenda sináptica, provocando paralisia muscular temporária (ROTTA, 2002; TEIVE; ZONTA; KUMAGAI, 1998). A toxina botulínica do tipo A é a mais utilizada clinicamente e sua aplicação é calculada com base no peso corporal e no volume do músculo alvo. Os efeitos terapêuticos geralmente começam entre 48 e 72 horas após a aplicação, com duração média de dois a quatro meses (ROTTA, 2002; RUSSMAN, 2000). Seu uso tem contribuído significativamente para a prevenção de deformidades associadas à espasticidade e para a melhoria da qualidade de vida de crianças com paralisia cerebral (KOMAN; MOONEY; SMITH, 1996; VOGT; URBAN, 2000).No que se refere à saúde bucal, a literatura apresenta dados divergentes quanto à prevalência de cárie dentária em indivíduos com paralisia cerebral. Alguns estudos indicam alta prevalência tanto de cárie quanto de doenças periodontais, especialmente entre adultos de 36 a 55 anos, sendo menos frequente em crianças e adolescentes (NQCOBO et al., 2012; DOURADO et al., 2013; AL-ALLAQ et al., 2015). Diversos fatores contribuem para essa vulnerabilidade, incluindo o consumo frequente de dietas pastosas e ricas em carboidratos ao longo do dia (SANTOS et al., 2009), a função mastigatória prejudicada, a presença de resíduos alimentares em estruturas como palato, língua, assoalho bucal e fundo de vestíbulo (SANTOS; MASIERO; SIMIONATO, 2002), além da higiene bucal deficiente (RODRIGUES DOS SANTOS, 2003; GUARE; CIAMPONI, 2003). Também são observadas alterações no desenvolvimento do esmalte dentário (CARVALHO et al., 2011). Adicionalmente, fatores sociais, condições gerais de saúde e o uso contínuo de certos medicamentos – como fenitoína, nifedipina e ciclosporina – podem favorecer o crescimento gengival exacerbado, agravando o quadro periodontal e dificultando ainda mais a higienização oral.
CONDUTAS ODONTOLÓGICAS E ADAPTAÇÕES CLÍNICO E DOMICILIAR DE PACIENTES COM PARALISIA CEREBRAL
O cirurgião-dentista tem papel fundamental na orientação dos cuidadores de pacientes com paralisia cerebral (PC), especialmente no que se refere aos cuidados com a higiene bucal. De acordo com Cabral et al. (2013), algumas recomendações práticas devem ser repassadas aos cuidadores, como a utilização de pequena quantidade de creme dental durante a escovação, o uso de escovas dentárias de cabeça pequena e, em casos de espasmos musculares, o auxílio de uma toalha enrolada na mão ou de um abridor de boca confeccionado com espátulas de madeira, gaze e esparadrapo para facilitar a abertura bucal. Além disso, a introdução de alimentos adstringentes na dieta, como cenoura crua, maçã, rabanete, talo de salsão e erva-doce, pode auxiliar na limpeza natural da cavidade oral quando o paciente tem capacidade de mastigar. Para aqueles que não realizam a mastigação, recomenda-se a massagem das gengivas com gaze umedecida, preferencialmente embebida em solução de clorexidina 0,12%, com o objetivo de remover resíduos alimentares, matéria alba e placa bacteriana, contribuindo para a redução da inflamação e do sangramento gengival. A escovação das superfícies dentárias deve ser realizada sempre que possível, contemplando todas as faces dos dentes (CABRAL et al., 2013). Além dos cuidados domiciliares, alguns mecanismos e recursos auxiliares são indicados para otimizar o atendimento odontológico desses pacientes, proporcionando maior conforto, segurança e eficiência clínica. Dentre esses, destaca-se a utilização da chamada “calça da vovó” e da “minhoca” — dispositivos confeccionados com rolos de espuma revestidos por tecido, que proporcionam melhor posicionamento e estabilidade ao paciente durante o atendimento odontológico (FRANCO et al., 2003; MARKS; MACEROU; TANNOUS, 2003; REIS et al., 2005).Outro recurso importante é o “triângulo”, utilizado para posicionar os membros inferiores de forma confortável e manter o paciente em uma postura mais adequada na cadeira odontológica. Já os abridores de boca são fundamentais tanto no consultório quanto no ambiente domiciliar, especialmente em pacientes com rigidez muscular facial, que apresentam limitação na abertura bucal, sendo assim instrumentos facilitadores da higiene e do atendimento odontológico.Os objetivos da utilização dos módulos estabilizadores é evitar a anestesia geral e estabilizar o paciente na cadeira odontológica com conforto, sem que haja riscos de traumas físicos e/ou psicológicos mantendo esse paciente em posição ergonomicamente correta. E as suas vantagens são evitar custos hospitalares e com anestesia, possibilita realização de vários procedimentos em uma sessão e também diminui o estresse do profissional, o paciente fica menos agitado, não se sentindo agredido e apertado mas estabilizado. Só que também tem suas desvantagens que é o calor, erro na indicação do método e a inabilidade do profissional em manipular o equipamento. (VARELLIS, Maria Lurdes, O paciente com necessidades especiais na odontologia manual prático. 3.ed. São Paulo.Santos,2017).
4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados alcançados permitem inferir, a atuação da odontologia na saúde bucal de quem tem paralisia cerebral, algo crucial para melhor qualidade de vida e para evitar problemas na boca. Observa-se que as dificuldades motoras e de entendimento, típicas da paralisia cerebral, atrapalham muito a pessoa ter uma higiene bucal favorável, por isso é crucial ter os cuidadores por perto e dentistas que entendam do assunto. Percebe-se que usar a utilização de técnicas que auxiliem o paciente a manter-se imóvel, aliada ao uso adequado de ferramentas e à adaptação dos procedimentos clínicos, contribui para a realização do atendimento odontológico de forma segura e eficiente.e bem, diminuindo a necessidade de anestesia geral e fazendo o tratamento ser melhor. A orientação dos cuidadores é essencial para garantir a manutenção da saúde bucal do paciente com paralisia cerebral. Portanto, os objetivos da pesquisa foram alcançados, ficou evidente a importância das consultas odontológicas na prevenção e na orientação voltada aos cuidados com pacientes com paralisia cerebral. Reconhece-se, apesar disso, que este estudo tem uma limitação importante: a falta de dados quantitativos. Precisamos deles para medir o impacto real das estratégias que examinamos. Além disso, sugere-se que pesquisas futuras se concentrem em estudos de longo prazo. Precisamos avaliar como as práticas odontológicas modificadas funcionam e como elas afetam a saúde bucal desses pacientes.
REFERÊNCIAS
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VARELLIS, Maria Lucia Zarvos. O Paciente com Necessidades Especiais na Odontologia Manual Prático, 3ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
1Discente do Curso Superior de Odontologia do Instituto UNITPAC Campus Araguaína e-mail: isabellamirandagc@gmail
2Docente do Curso Superior de Odontologia do Instituto UNITPAC Campus Araguaína. Mestre em: Radiologia Odontologica e Estomatologia. e-mail: angelica.rocha@afya.com.br
