A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA PÉLVICA EM DISFUNÇÕES CAUSADAS POR  VIOLÊNCIA SEXUAL 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510311309


Ayla Maria Ribeiro Monteiro; Cauã Renner Da Silva Galvão; Laura Karine Costa Moura; Reges Lúcio Da Silva Araújo Filho; Suellen De Sousa Vieira; Orientador: Prof. Msc. Emanuel Osvaldo de Sousa; Coorientador: Prof. Msc. Carlos Antônio da Luz Filho


RESUMO  

Introdução: A fisioterapia destaca-se como uma importante aliada no processo de  reabilitação das mulheres vítimas de violência sexual, sobretudo no tratamento das  disfunções sexuais e dores crônicas resultantes do trauma. A atuação fisioterapêutica,  em consonância com outras áreas da saúde, objetiva restaurar a funcionalidade  corporal, reduzir quadros álgicos e melhorar a qualidade de vida da paciente.  Objetivo: Como fisioterapia pode auxiliar na reabilitação de disfunções pélvicas em  mulheres sobreviventes de abuso sexual, considerando o contexto psicossocial e  físico. Relacionando os abusos sexuais e as disfunções pélvicas que ele pode causar,  analisar os impactos físicos e emocionais e identificar as principais abordagens  fisioterapêuticas utilizadas na reabilitação desses pacientes. Metodologia: Sobre a  metodologia utilizada nesse estudo, trata-se de uma revisão bibliográfica sistemática.  As pesquisas foram realizadas nas bases de dados LILACS e MEDLINE pelo Portal  Regional da BVS – Biblioteca Virtual em Saúde, PubMED e Google acadêmico, com  os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Fisioterapia, disfunções,  assoalho pélvico, Violência sexual, exercícios e Distúrbios do assoalho pélvico. Resultados: Os resultados demonstram que as principais disfunções associadas à  violência sexual incluem vaginismo, dispareunia, anorgasmia e dor pélvica crônica. A  fisioterapia pélvica, por meio de técnicas como cinesioterapia, eletroterapia,  biofeedback, terapia manual e exercícios de Kegel, tem se mostrado eficaz na  recuperação da funcionalidade muscular e na melhora da qualidade de vida dessas  pacientes. Além disso, a presença de uma abordagem empática e humanizada é  imprescindível, considerando os aspectos emocionais envolvidos. Conclusão:  Conclui-se que a fisioterapia desempenha papel fundamental na reabilitação física e  psicossocial das mulheres vítimas de abuso sexual, sendo essencial a integração com  equipes multidisciplinares para garantir um cuidado integral, ético e sensível às  particularidades de cada paciente.  

Palavras-chave: Fisioterapia, Violência sexual e Distúrbios do assoalho pélvico. 

ABSTRACT 

Introduction: Physiotherapy stands out as an important ally in the rehabilitation  process of women victims of sexual violence, especially in the treatment of sexual  dysfunctions and chronic pain resulting from trauma. Physiotherapy, in conjunction with  other areas of health, aims to restore bodily function, reduce pain, and improve the  patient’s quality of life. Objective: Physiotherapy can aid in the rehabilitation of pelvic  dysfunctions in women survivors of sexual abuse, considering the psychosocial and  physical context. By relating sexual abuse and the pelvic dysfunctions it can cause, we  analyze the physical and emotional impacts and identify the main physiotherapy  approaches used in the rehabilitation of these patients. Methodology: This study’s  methodology is a systematic literature review. Research was conducted in the LILACS  and MEDLINE databases, through the Regional Portal of the VHL (Virtual Health  Library), PubMED, and Google Scholar, using the following Health Sciences  Descriptors (DeCS): Physical therapy, dysfunctions, pelvic floor, Sexual violence,  exercises, and Pelvic floor disorders. Results: The results demonstrate that the main  dysfunctions associated with sexual violence include vaginismus, dyspareunia,  anorgasmia, and chronic pelvic pain. Pelvic physical therapy, using techniques such  as kinesiotherapy, electrotherapy, biofeedback, manual therapy, and Kegel exercises,  has proven effective in restoring muscle function and improving the quality of life of  these patients. Furthermore, an empathetic and humanized approach is essential,  considering the emotional aspects involved. Conclusion: It is concluded that  physiotherapy plays a fundamental role in the physical and psychosocial rehabilitation  of women victims of sexual abuse, and integration with multidisciplinary teams is  essential to ensure comprehensive, ethical care that is sensitive to the particularities  of each patient. 

Keywords: Physiotherapy, sexual violence and pelvic floor disorders.

1. INTRODUÇÃO 

A violência sexual configura-se como uma das formas mais severas de  agressão à saúde humana, afetando múltiplas dimensões da vida das vítimas, tais  como a integridade física, psicológica, emocional e social. Segundo Melo, Soares e  Belivacqua (2022), essa forma de violência articula diferentes manifestações de  abuso, resultando em consequências graves e duradouras. Embora atualmente seja  considerada uma questão de saúde pública, a violência sexual só foi reconhecida  como tal pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1993 (GOV.BR, 2022).  

Estudos ressaltam que experiências sexuais traumáticas estão constantemente  relacionadas a alterações persistentes na função sexual e no assoalho pélvico.  Segundo Högbeck e Mõller (2022), mulheres vítimas de agressão sexual  manifestaram comprometimento da função sexual mesmo após meses do ocorrido,  comprovando que os impactos físicos e emocionais causados perduram. Enquanto  Karsten et al. (2020) analisaram que mulheres com antecedentes de traumas e  sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) desenvolveram um  aumento da atividade da musculatura do assoalho pélvico, mesmo que a função  sexual não estivesse diretamente ligada à uma exposição traumática. Com isso,  sugerem que a disfunção pélvica esteja associada tanto a respostas fisiológicas  quanto psicossomáticas, enfatizando que uma abordagem multidisciplinar é  indispensável. 

Os resultados da revisão sistemática de Schalk et al. (2023), demonstram que  os sobreviventes apresentam sintomas físicos persistentes, como dor crônica em  múltiplas regiões corporais, fadiga e limitação de atividades diárias. Esses achados  sugerem a presença de disfunções somáticas secundárias ao trauma, possivelmente  relacionadas ao aumento do tônus muscular, alterações autonômicas e padrões de  tensão corporal crônicos — aspectos frequentemente observados na prática  fisioterapêutica. Para profissionais da área, essa constatação reforça a importância da  abordagem corporal integrada e do uso de recursos terapêuticos voltados para o alívio  da dor e a restauração da função física. 

Em consonância com essas evidências, pesquisas recentes reforçam que o  trauma sexual produz não apenas repercussões emocionais, mas também respostas  neuromusculares automáticas que interferem na função do assoalho pélvico e na resposta terapêutica. O editorial de Stirling et al. (2021) ressalta que sobreviventes de  agressão sexual apresentam maior prevalência de disfunções pélvicas, como  incontinência urinária, constipação e dor pélvica crônica, quando comparadas à  população geral. As autoras defendem que o fisioterapeuta deve adotar uma  abordagem informada pelo trauma, fundamentada em princípios de segurança,  confiança, empatia e empoderamento da paciente, de modo a prevenir a reativação  de lembranças traumáticas durante o tratamento. 

De forma complementar, Stirling et al. (2025) destaca que o trauma sexual pode  provocar respostas fisiológicas involuntárias, como imobilidade tônica, hipervigilância,  tensão muscular e retraimento corporal, dificultando a condução das terapias  convencionais. O manejo fisioterapêutico deve, portanto, priorizar o consentimento  contínuo, a exposição gradual e a comunicação não ameaçadora, favorecendo a  sensação de controle e segurança da paciente. O estudo também evidencia o papel  essencial da fisioterapia pélvica na reconstrução da consciência corporal e no  restabelecimento da autonomia física e emocional da mulher sobrevivente. 

O acolhimento às vítimas de violência sexual deve ser realizado de forma  integral e humanizada pelos profissionais de saúde. As Unidades Básicas de Saúde  (UBS) exercem papel crucial nesse processo, sendo, em muitos casos, a porta de  entrada dessas mulheres no sistema de saúde. Todavia, a identificação dos casos  nem sempre ocorre de forma espontânea, uma vez que muitas vítimas não verbalizam  o abuso sofrido. Por esse motivo, torna-se essencial que os profissionais estejam  capacitados para reconhecer os sinais de violência, oferecendo suporte físico e  emocional adequados (GOV.BR, 2022).  

A fisioterapia destaca-se como uma importante aliada no processo de  reabilitação das mulheres vítimas de violência sexual, sobretudo no tratamento das  disfunções sexuais e dores crônicas resultantes do trauma. A atuação fisioterapêutica,  em consonância com outras áreas da saúde, objetiva restaurar a funcionalidade  corporal, reduzir quadros álgicos e melhorar a qualidade de vida da paciente. A  fisioterapia pélvica, em especial, contribui significativamente para a reeducação  muscular, o alívio da dor e a recuperação da função sexual, sempre respeitando os  limites físicos e emocionais da mulher. Dessa maneira, a fisioterapia configura-se  como uma ferramenta fundamental no processo de recuperação, promovendo não apenas a reabilitação física, mas também o resgate da autoestima e do bem-estar das  vítimas.  

A problemática é de que forma a fisioterapia pode auxiliar na reabilitação de  disfunções pélvicas em mulheres sobreviventes de abuso sexual, considerando o  contexto psicossocial e físico?  

O objetivo é investigar como a fisioterapia pode contribuir para a recuperação  física e emocional de mulheres que sofreram abuso sexual, promovendo melhoria na  qualidade de vida e no bem-estar desses pacientes. 

E como objetivos específicos, relacionar os abusos sexuais que mais provocam  as disfunções pélvicas, analisar os impactos físicos e emocionais do abuso sexual que  podem ser tratados pela fisioterapia, e identificar as principais abordagens  fisioterapêuticas utilizadas na reabilitação desses pacientes.  

Esse tema se justifica porque mulheres que sofreram abuso sexual  frequentemente desenvolvem disfunções pélvicas, problemas de aceitação corporal e  outros danos físicos, psicológicos e sociais, impactando diretamente na sua qualidade  de vida e no bem-estar. No entanto, ainda que seja uma temática relevante, há uma  carência de informações e barreiras para a atuação do fisioterapeuta especialista no  tratamento dessas disfunções.  

Nesse contexto, este estudo visa mostrar a importância da fisioterapia em  mulheres que sofreram violência sexual, orientando e promovendo os cuidados  necessários para estas, que estão em situação de vulnerabilidade psicológica,  emocional e física, buscando aprofundar conhecimentos sobre a atuação da  fisioterapia pélvica afim de promover um tratamento específico, melhora da dor,  reabilitação de possíveis músculos danificados e devolução de funcionalidade. Além  disso, a fisioterapia juntamente com a equipe multidisciplinar irá contribuir na  prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), depressão, suicídio e com  a reabilitação não só do assoalho pélvico, mas do corpo de uma forma geral.   

2. METODOLOGIA  

Sobre a metodologia utilizada nesse estudo, trata-se de uma revisão  bibliográfica sistemática. A revisão sistemática é uma pesquisa que faz um  mapeamento sobre publicações de estudos de secundários para encontrar, identificar,  escolher, analisar e resumir informações sobre estudos de um determinado campo  específico, este tipo de revisão trabalha para responder uma pergunta especifica com  o objetivo de prover uma visão ampla e íntegra do estudo pesquisado e depreciar  vieses (Antloga et al., 2020). 

Para o desenvolvimento deste estudo, foi feita a seguinte pergunta: “De que  forma a fisioterapia pode auxiliar na reabilitação de disfunções pélvicas em mulheres  sobreviventes de abuso sexual, considerando o contexto psicossocial e físico?”. Este  estudo tem relevância no âmbito acadêmico, científico e social, pois trata de patologias  e disfunções do assoalho pélvico decorrente de violência sexual.  

As pesquisas foram realizadas nas bases de dados LILACS e MEDLINE pelo Portal Regional da BVS – Biblioteca Virtual em Saúde, PubMED e Google acadêmico,  com os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Fisioterapia, disfunções,  assoalho pélvico, Violência sexual, exercícios e Distúrbios do assoalho pélvico, tanto  em português como em inglês, usando o operador booleano( AND).  

Os critérios de inclusão foram estudos dos últimos 5 anos, pesquisas dentro do  idioma português (Brasil) e inglês, artigos, revistas cientificas, estudos sobre a atuação  da fisioterapia na violência e abuso sexual em mulheres, e disfunções decorrentes da  violência. Para o de exclusão foram descartados estudos incompletos, estudos pagos  e estudos que não se encaixam em violência e abuso sexual em mulheres na área da  fisioterapia.   

3. RESULTADOS  

Tabela de resultados

AUTORES / ANOOBJETIVOS MÉTODO CONCLUSÃO 
BESSA at al,  2024Compreender o  impacto da  fisioterapia  pélvica no tratamento de  pacientes com  disfunções  sexuais decorrentes de  violênciaRevisão  BibliográficaA fisioterapia pélvica é uma  ferramenta eficaz no tratamento de  disfunções sexuais decorrentes de  violência, pois fortalece e reabilita a  musculatura do assoalho pélvico,  melhora a consciência corporal e  contribui para o bem-estar físico,  psicológico e sexual das pacientes.  Além de favorecer a recuperação da  autoestima e qualidade de vida.
PRATES, F. R.;  SILVA, L. P.;  NASCIMENTO,  R. S.;  MARINHO, M. L.  (2021)Reconhecer e  analisar a  atuação da  fisioterapia no  tratamento das  disfunções  sexuais  femininas,  evidenciando  técnicas e  benefícios.Revisão  integrativa da  literatura A fisioterapia apresenta eficácia,  contribuindo para a reabilitação  sexual feminina, melhorando  desconforto, função muscular e  promovendo qualidade de vida.
DE LA OSSA, A.  M. P. et al.  (2023)Investigar a  prevalência de disfunção do  assoalho pélvico  e transtornos psicológicos em pacientes de  centros de reabilitação.Estudo  transversal com  aplicação de  questionários  clínicos e  psicológicos.Verificou-se alta prevalência de  disfunção pélvica e distúrbios  emocionais, reforçando a  importância de integração entre  fisioterapia pélvica e cuidados  psicológicos
AMORIM, T.B.  de et al. 2023Evidenciar a  eficácia da assistência  fisioterapêutica  em casos de  violência sexual  contra mulheresRevisão  IntegrativaA fisioterapia desempenha um  papel essencial na reabilitação  física e emocional de mulheres  vítimas de violência sexual, atuando  de forma interdisciplinar no alívio da  dor, na reeducação perineal, na  restauração da função corporal e na  promoção da qualidade de vida.
FERNÁNDEZ PÉREZ et al.  (2023)Estimar a  eficácia de interversões  
fisioterapêuticas  em mulheres com 
dispareunia.
Utilização de  Estimulação  Elétrica Nervosa  Transcutânea  
com parâmetros  de 8 Hz duração  de pulso de 260  ms e 86 Hz com  duração de  pulso de 75 ms,  duas vezes ao  dia por vinte  minutos com  intervalo de  doze horas,  exercícios e  liberação  miofascial.
Pacientes que receberam maiores  dosagens de Estimulação Elétrica  Nervosa Transcutânea, juntamente  com exercícios e liberação  miofascial, obtiveram maiores  resultados no alívio da dor.
MOLINA‐ TORRES, G. et  al. (2022)Verificar a  eficácia de exercícios  hipopressivos  em disfunções  do assoalho  pélvico e na incontinência  urinária.Mulheres de 18  a 60 anos com  disfunções no  assoalho  pélvico,  divididos em  dois grupos,  onde um  recebeu  tratamento e  outro não. Exercícios  
hipocompressivos por 20  minutos, duas  vezes na  semana,  durante um  período de 2  meses.
O grupo que recebeu orientações e  tratamentos hipocompressivos teve  melhora nas disfunções do  assoalho pélvico e da incontinência  urinária.
COSTA, E. A.  G.; SILVA, J. C.;  FERRO, T. N. L.  (2022)Analisar a  intervenção da fisioterapia  sobre a qualidade de  vida em mulheres com vaginismo, com  enfoque em  vítimas de  abuso sexual.Revisão  narrativa da  literaturaNotou-se que fisioterapia é eficaz e  possui impacto significativo no bem estar e satisfação sexual de  mulheres com vaginismo, mas que  ainda há necessidade de novas  pesquisas e mais estudos sobre a  temática.
CAMPANER, A.  B. et al. (2025)Avaliar o uso de novas  tecnologias em conjunto com fisioterapia pélvica no 
tratamento de disfunções do  assoalho pélvico
Revisão de  literatura sobre  tecnologias  
terapêuticas  aplicadas à fisioterapia  pélvica
Dispositivos de energia aliados a  exercícios pélvicos mostraram  melhora da força muscular,  resistência e função sexual, sendo  complementares à fisioterapia  convencional

FONTE: autor próprio (2025) 

Com o uso dos descritores e os critérios de inclusão e exclusão, foram achados 684 artigos. Dos 145 da PUBMED, 2 foram incluídos, dos 225 do Google acadêmico  somente 4 foram incluídos, dos 314 da MEDLINE e LILACS, pelo portal da BVS,  somente 2 foram incluídos. No total 8 artigos foram utilizados. 

4. DISCUSSÃO 

 Nessa etapa, serão discutidos os resultados obtidos do estudo relacionado a  atuação da fisioterapia pélvica em disfunções causadas por violência sexual. Esse  processo de discussão é oriundo de uma análise minuciosa de artigos que  contemplam os critérios de inclusão explanando o bem-estar físico, psíquico e  emocional das mulheres em vulnerabilidade. 

Em Bessa et al, (2024), avança ao reunir evidências de que a fisioterapia  pélvica é uma alternativa terapêutica válida, mostrando seus benefícios físicos e  emocionais em sobreviventes de violência sexual. Ele ajuda a consolidar a noção de  que não se trata só de corrigir a musculatura, mas de restaurar a função sexual, bem  estar e auto estima. 

O estudo de Prates et al. (2021) relata que as disfunções sexuais evidenciam  um problema relevante à saúde pública, com repercussões que impactam diretamente  o bem-estar físico, emocional e social das vítimas. Descreve ainda que as disfunções  sexuais femininas — como vaginismo, dispareunia, anorgasmia e dor pélvica crônica  — possuem causas multifatoriais, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e  socioculturais, reforçando a importância de uma abordagem multidisciplinar. 

O estudo de De La Ossa et al. (2023) destacou que pacientes em  acompanhamento fisioterapêutico apresentaram alta prevalência de disfunções do  assoalho pélvico, o que indicou a necessidade de detecção precoce dos sintomas e  de implementação de estratégias terapêuticas específicas. Além disso, o estudo  ressaltou que a atuação do fisioterapeuta foi determinante na identificação dos sinais  clínicos, no aconselhamento e no encaminhamento dos pacientes para tratamentos  adequados, fatores essenciais para mitigar os impactos físicos e psicológicos  decorrentes do trauma sexual. Essa constatação esteve em consonância com a  literatura, que apontou que mulheres vítimas de abuso sexual frequentemente  apresentaram alterações musculares, dor pélvica crônica, disfunções miccionais e  sexuais, necessitando de abordagem especializada e multidisciplinar. 

Amorim et al. (2023), amplia a compreensão do papel da fisioterapia diante das  múltiplas consequências da violência sexual, dialogando diretamente com o estudo  de Bessa et al. (2024). Assim como o trabalho de Bessa, o estudo de Amorim destaca  a importância da atuação fisioterapêutica na reabilitação de mulheres sobreviventes de abuso sexual, mas com um enfoque ainda mais abrangente, que abarca desde o  acolhimento inicial até o tratamento das sequelas físicas e emocionais. Ambos os  estudos reconhecem que as disfunções pélvicas e sexuais decorrentes da violência  não se limitam a danos anatômicos, mas envolvem sofrimento psicológico, vergonha,  medo e perda de autonomia corporal, exigindo uma abordagem terapêutica sensível  e interdisciplinar. 

Assim, o artigo de Amorim et al. (2023) complementa e aprofunda a discussão  iniciada por Bessa et al. (2024), ao apresentar uma visão mais ampla da atuação  fisioterapêutica — não restrita ao tratamento das disfunções pélvicas, mas também  engajada na promoção de um cuidado integral, humanizado e interdisciplinar. Embora  ainda existam limitações metodológicas e falta de evidências clínicas robustas, ambos  os estudos convergem na defesa de que a fisioterapia é uma ferramenta essencial no  processo de reabilitação e empoderamento de mulheres vítimas de violência sexual,  desde que associada a práticas éticas, acolhedoras e integradas ao contexto  psicossocial da paciente. 

De acordo com Prates et al. (2021), dentre os principais recursos  fisioterapêuticos, destacam-se a cinesioterapia, que auxilia no fortalecimento do  assoalho pélvico e, consequentemente, na melhora do controle da musculatura; o trabalho manual, que promove o relaxamento e contribui para a redução da dor,  proporcionando maior conforto durante o ato sexual; o biofeedback que ajuda no  controle voluntário da contração muscular; e a eletroestimulação, que age no alívio da dor e no reforço dos músculos da pelve. Essas condutas evidenciaram bons  resultados, refletindo na diminuição de dor e do desconforto, bem como na melhora da autoestima e satisfação sexual. 

Fernández-Pérez et al. (2023), pesquisou sobre as técnicas de Estimulação  Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS), liberação miofascial, treinamento abdominal  e exercícios dos músculos do assoalho pélvico. Foi mensurado a eficácia do TENS  com aplicação em casa e/ou no consultório, onde foram utilizados parâmetros de 8 Hz  duração de pulso de 260 ms e 86 Hz com duração de pulso de 75 ms, duas vezes ao  dia por 20 minutos com intervalo de doze horas. Não houve melhora considerável, em  comparação, participantes que receberam maiores frequências associados a exercícios e treinamento dos músculos do assoalho pélvico, tiveram maiores  resultados no ganho de força e no alívio da dor. 

Molina‐Torres et al. (2022), se utilizou de exercícios hipopressivos para o  fortalecimento do assoalho pélvico como tratamento padrão ouro. Foram selecionados  participantes mulheres entre 18 e 60 anos com disfunções do assoalho pélvico, onde  foram divididos em dois grupos (Grupo Experimental e Grupo Controle. O Grupo  Experimental foi orientado com posturas hipopressivas, alongamentos e projeção do  centro de gravidade, enquanto o Grupo Controle foi orientado a não fazer nenhum tipo  de exercício. Durante um tratamento de oito semanas com realização de exercícios  duas vezes por semana durante vinte minutos, o Grupo Experimental teve uma  melhora significativa. 

O artigo de Costa, Silva e Ferro (2022) investigou a correlação entre relatos de  violência sexual e o desenvolvimento de vaginismo, discutindo como a fisioterapia foi  empregada no tratamento. Segundo os autores, a disfunção é identificada por  contrações involuntárias da musculatura vaginal, que interfere na penetração e afeta  a vida sexual e afetiva da mulher. Evidenciaram ainda que o vaginismo pode  comprometer a qualidade física e emocional de suas vítimas e que a vivência de  experiências traumáticas pode desencadear mecanismos (p.ex., reflexo de retração,  medo, condicionamento). 

Dessa forma, é preciso que o tratamento ocorra dentro de uma abordagem  multidisciplinar, onde no contexto fisioterapêutico foi descrito técnicas eficazes, como  dessensibilização progressiva, relaxamento muscular e treino de  contração/relaxamento do assoalho pélvico. Esse artigo serve para justificar a  inclusão de protocolos específicos para vaginismo dentro do escopo da fisioterapia  pélvica voltada a sobreviventes de violência. 

De forma complementar, Campaner et al. (2025) demonstraram que a utilização  de novas tecnologias associadas ao treinamento dos músculos do assoalho pélvico  (PFMT) resultou em melhorias expressivas na força muscular, resistência, função  sexual e redução dos sintomas de incontinência urinária. Esses resultados sugeriram  que tais tecnologias, quando integradas às práticas fisioterapêuticas convencionais,  potencializaram os efeitos do tratamento e representaram uma alternativa eficaz,  especialmente em mulheres pós-menopausa ou naquelas que não responderam a métodos tradicionais. Tais achados evidenciaram o avanço dos recursos terapêuticos  e a ampliação das possibilidades de intervenção dentro da fisioterapia pélvica,  ampliando a eficácia do tratamento reabilitador. 

Contudo, como destacam Prates et al. (2021), apesar da escassez de estudos  que melhorem a vivência prática baseada em evidências, os resultados se mostram  promissores e eficazes. 

5. CONCLUSÃO 

A presente revisão evidenciou que as disfunções geradas pela violência sexual  são multifatoriais e profundamente ligadas ao psicológico e emocional do paciente.  Todavia a fisioterapia pélvica desempenhou um papel essencial no processo de  reabilitação atuando tanto na restauração funcional do assoalho pélvico quanto na  melhoria da qualidade de vida dessas pacientes. 

Entre diversas estratégias de tratamento, ficou evidente cientificamente que a  fisioterapia atua na melhora emocional, já que lida com disfunções decorrente de  traumas sexuais melhorando a qualidade de vida, e fisicamente, pois usa de diferentes  tratamentos, por exemplo, biofeedback e cinesioterapia, para o alivio das sequelas  decorrentes da violência sexual.  

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