THE ROLE OF NURSING IN PALLIATIVE CARE FOR ADULT CANCER PATIENTS: AN INTEGRATIVE REVIEW
EL PAPEL DE LA ENFERMERÍA EN LOS CUIDADOS PALIATIVOS PARA PACIENTES ONCOLÓGICOS ADULTOS: UNA REVISIÓN INTEGRADORA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511212236
Gabriela Coelho Ferreira¹
Mayse Viana Passos²
Heloísa Helena Nímia³
Jhuliano Silva Ramos de Souza⁴
Luciana Jerônimo de Almeida Silva⁵
Elaine Cristina Faria⁶
RESUMO
Os cuidados paliativos, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), constituem uma abordagem que busca aprimorar a qualidade de vida de pacientes com doenças incuráveis por meio do controle de sintomas e do suporte integral. Essa prática valoriza dignidade, autonomia e conforto. Diante disso, a enfermagem atua de forma central no cuidado contínuo e humanizado. Objetivo: O estudo analisa, com base na literatura científica, as práticas e intervenções de enfermagem que promovem a qualidade de vida de pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos, destacando o papel do enfermeiro no cuidado humanizado. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas fontes de informações, PubMed, Web of Science, BVS, LILACS e MEDLINE, com publicações entre 2015 a 2025, utilizando a estratégia PICO: (P) pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos; (I) atuação de enfermagem; (C) não aplicável; (O) promoção da qualidade de vida. A questão norteadora estabelecida foi: “Como a atuação de enfermagem integra o cuidado e contribui para a promoção da qualidade de vida de pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos?”. Resultados: A análise dos estudos evidencia que a enfermagem prioriza o conforto, o controle da dor e o apoio emocional, atuando de forma interdisciplinar e empática. As intervenções mais citadas incluem escuta ativa, manejo de sintomas e comunicação terapêutica com pacientes e familiares. Conclusão: O estudo conclui que a enfermagem integra o cuidado paliativo oncológico por meio de ações baseadas em evidências e comunicação efetiva, promovendo bem-estar, dignidade e qualidade de vida ao paciente em fase paliativa.
Palavras-chave: cuidados paliativos; doente terminal; enfermagem; humanização da assistência; qualidade de vida.
ABSTRACT
According to the World Health Organization (WHO), palliative care is an approach that seeks to improve the quality of life of patients with incurable diseases through symptom control and comprehensive support. This practice values dignity, autonomy, and comfort. Given this, nursing plays a central role in continuous and humanized care. Objective: Based on the scientific literature, this study analyzes nursing practices and interventions that promote the quality of life of adult cancer patients in palliative care, highlighting the role of nurses in humanized care. Methodology: This is an integrative review of the literature conducted in the information sources PubMed, Web of Science, BVS, LILACS, and MEDLINE, with publications between 2015 and 2025, using the PICO strategy: (P) adult cancer patients in palliative care; (I) nursing practice; (C) not applicable; (O) promotion of quality of life. The guiding question established was: “How does nursing practice integrate care and contribute to promoting the quality of life of adult cancer patients in palliative care?”. Results: The analysis of the studies shows that nursing prioritizes comfort, pain control, and emotional support, acting in an interdisciplinary and empathetic manner. The most frequently cited interventions include active listening, symptom management, and therapeutic communication with patients and family members. Conclusion: The study concludes that nursing integrates oncological palliative care through evidence-based actions and effective communication, promoting well-being, dignity, and quality of life for patients in the palliative phase.
Keywords: palliative care; terminally ill patient; nursing; humanization of care; quality of life.
RESUMEN
Según la Organización Mundial de la Salud (OMS), los cuidados paliativos constituyen un enfoque que busca mejorar la calidad de vida de los pacientes con enfermedades incurables mediante el control de los síntomas y el apoyo integral. Esta práctica valora la dignidad, la autonomía y el confort. Ante esto, la enfermería desempeña un papel central en la atención continua y humanizada. Objetivo: El estudio analiza, basándose en la literatura científica, las prácticas e intervenciones de enfermería que promueven la calidad de vida de los pacientes oncológicos adultos en cuidados paliativos, destacando el papel del enfermero en la atención humanizada. Metodología: Se trata de una revisión integradora de la literatura realizada en las fuentes de información PubMed, Web of Science, BVS, LILACS y MEDLINE, con publicaciones entre 2015 y 2025, utilizando la estrategia PICO: (P) pacientes oncológicos adultos en cuidados paliativos; (I) actuación de enfermería; (C) no aplicable; (O) promoción de la calidad de vida. La pregunta orientadora establecida fue: “Cómo la actuación de la enfermería integra la atención y contribuye a la promoción de la calidad de vida de los pacientes oncológicos adultos en cuidados paliativos?”. Resultados: El análisis de los estudios evidencia que la enfermería prioriza el confort, el control del dolor y el apoyo emocional, actuando de forma interdisciplinaria y empática. Las intervenciones más citadas incluyen la escucha activa, el manejo de los síntomas y la comunicación terapéutica con los pacientes y sus familiares. Conclusión: El estudio concluye que la enfermería integra los cuidados paliativos oncológicos mediante acciones basadas en la evidencia y la comunicación eficaz, promoviendo el bienestar, la dignidad y la calidad de vida del paciente en fase paliativa.
Palabras clave: cuidados paliativos; enfermo terminal; enfermería; humanización de la asistencia; calidad de vida.
1 INTRODUÇÃO
De acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002), os cuidados paliativos são uma abordagem de assistência integral voltada principalmente para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com doenças incuráveis. O foco desse modelo de cuidado é assegurar a autonomia do paciente, oferecendo controle efetivo dos sintomas e suporte ao sofrimento de natureza emocional, social e espiritual (INCA, 2023).
Nos cuidados paliativos, a prioridade está em tratar o paciente como um ser humano integral, não apenas como portador de uma doença. Como não se trata de um tratamento curativo, essa abordagem contribui para a redução de internações prolongadas, procedimentos dolorosos e tratamentos que não trazem benefícios à qualidade de vida, além de ser adaptada às expectativas e desejos do paciente e de sua família (Brasil, 2021).
Embora os cuidados paliativos envolvam uma equipe multiprofissional, a participação da equipe de enfermagem é particularmente fundamental devido ao vínculo próximo com o paciente e sua família. A enfermagem desempenha papel crucial como intermediária entre o paciente e a equipe de cuidados, além de garantir a continuidade dos cuidados de maneira humanizada e personalizada. Entre as principais intervenções de enfermagem nesse contexto, destacam-se: a avaliação e monitoramento contínuo dos sinais e sintomas, permitindo intervenções oportunas; a identificação das necessidades psicossociais, oferecendo apoio emocional ao paciente e à família; a facilitação da participação ativa do paciente nas decisões sobre seu cuidado, respeitando suas crenças, valores e preferências pessoais; e a colaboração em reuniões clínicas, discussões de casos e planejamento de cuidados individualizados (PROADI-SUS, 2020).
A implementação dos cuidados paliativos exige o consentimento informado do paciente, caso este tenha capacidade de decisão, ou de seus familiares, quando a capacidade estiver comprometida. A explicação deve ser clara, acessível e objetiva, deixando claro que os cuidados paliativos não têm como objetivo acelerar ou retardar a morte, mas sim proporcionar qualidade de vida e aliviar o sofrimento (D’Alessandro et al., 2023).
A ética e a legalidade são fundamentais na prática dos cuidados paliativos, assegurando que o atendimento seja seguro, humanizado e respeitoso aos direitos do paciente. Entre os princípios éticos mais importantes, destaca-se a autonomia, que garante ao paciente o direito de decidir sobre seu próprio cuidado, inclusive a aceitação ou recusa de tratamentos que possam prolongar a vida. A beneficência orienta a equipe a promover o bem-estar do paciente e aliviar seu sofrimento, enquanto a não maleficência busca evitar intervenções desnecessárias ou dolorosas. O princípio da justiça assegura o acesso equitativo aos cuidados paliativos, independentemente da condição social, idade ou diagnóstico. Além disso, a humanização e o respeito à dignidade do paciente e sua família são essenciais, levando em conta os valores culturais, espirituais e pessoais de cada indivíduo (Brasil, 2012).
Os cuidados paliativos representam um pilar fundamental na gestão do processo de morte digna, garantindo conforto, respeito e dignidade nos momentos finais, quando a morte é iminente e inevitável (Organização Mundial da Saúde, 2020).
No contexto oncológico, a importância dos cuidados paliativos é ainda mais evidente, visto que pacientes com câncer frequentemente enfrentam doenças graves, progressivas e complexas, que afetam consideravelmente sua qualidade de vida. Nesse cenário, os cuidados paliativos não substituem os tratamentos curativos, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgia, mas podem ser iniciados simultaneamente, oferecendo suporte físico, emocional, social e espiritual tanto para o paciente quanto para sua família (Ferrel et al., 2017).
O objetivo central dos cuidados paliativos oncológicos é reduzir o sofrimento e promover conforto, por meio do controle de sintomas como dor, fadiga, dispneia, náuseas, insônia, ansiedade e depressão. Além disso, incluem intervenções de suporte emocional e psicológico, que ajudam o paciente a lidar com medos, frustrações e o estresse causado pelo diagnóstico e tratamento. A atuação da equipe multiprofissional também envolve o apoio à família, oferecendo orientações sobre os cuidados, acompanhamento emocional e preparação para as fases mais avançadas da doença. A comunicação clara e aberta sobre o prognóstico, as opções terapêuticas e as decisões em relação às intervenções médicas é essencial para garantir a autonomia e dignidade do paciente (NCCN, 2023).
2 OBJETIVO
Analisar na literatura científica as práticas e intervenções de Enfermagem que contribuem para a promoção da qualidade de vida de pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos.
3 JUSTIFICATIVA
O câncer é uma das principais causas de morbidade e mortalidade global, afetando profundamente a qualidade de vida dos pacientes, especialmente em estágios avançados. Nesse contexto, os cuidados paliativos surgem como abordagem essencial, voltada ao controle de sintomas físicos e ao suporte emocional, social e espiritual, sempre respeitando a dignidade e a autonomia do paciente.
Embora a equipe de enfermagem desempenhe um papel central nesse cuidado, a literatura científica ainda apresenta lacunas quanto à sistematização das práticas e intervenções que promovam efetivamente a qualidade de vida do paciente oncológico adulto e o suporte familiar durante o processo de morte. A análise dessas práticas é fundamental para subsidiar protocolos assistenciais, fortalecer a formação profissional e aprimorar a assistência humanizada e baseada em evidências.
Especificamente, esta pesquisa visa: identificar intervenções de enfermagem que melhorem o bem-estar do paciente oncológico; fornecer subsídios para capacitação de profissionais de saúde; orientar protocolos institucionais de cuidados paliativos; promover suporte emocional e social à família; e apontar lacunas para pesquisas futuras.
Dessa forma, o estudo justifica-se por seu potencial de gerar impactos clínicos, educativos e institucionais, contribuindo para o desenvolvimento de práticas de enfermagem centradas no cuidado integral, humanizado e respeitoso à dignidade do paciente e de seus familiares.
4 METODOLOGIA
Refere-se a uma revisão integrativa da literatura (RI) desenvolvida a partir de um processo metodológico sistematizado, seguindo a proposta de Mendes, Silveira, Galvão (2008), onde seguiu as seguintes etapas: I) a delimitação do objeto de estudo e a formulação da questão de pesquisa, II) aplicação de critérios de inclusão e exclusão para a amostragem de literatura, III) categorização dos estudos e definição das informações a serem coletadas, IV) análise crítica do rigor metodológico dos estudos selecionados, V) interpretação integrativa das evidências encontradas e VI) Divulgação dos resultados e do conhecimento consolidado. (Mendes; Silveira; Galvão, 2008).
O protocolo desta revisão foi registrado no repositório FigShare em setembro de 2025 sob o endereço: https://doi.org/10.6084/m9.figshare.30204166.v1
A questão de pesquisa foi delineada mediante a aplicação da estratégia PICO (Melnyk; Fineout- Overholt, 2019): (P)- pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos; (I)- atuação de enfermagem; (C)- não se aplica a esta estrutura específica e (O)- promoção da qualidade de vida. Com base nessa estrutura, foi elaborada a questão norteadora: “Como a atuação de Enfermagem integra o cuidado e contribui para a promoção da qualidade de vida de pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos?”.
Foram aceitos estudos primários, publicados em inglês, português e espanhol, no período de 2015 a 2025, que abordam como a atuação da enfermagem integra o cuidado e contribui para a promoção da qualidade de vida de pacientes oncológicos adultos em cuidados paliativos. Para garantir a qualidade e o foco das pesquisas selecionadas, foram definidos critérios de exclusão. Sendo assim, não foram incluídos estudos como revisões sistemáticas ou integrativas, editoriais, literatura cinzenta, cartas, dissertações, teses, protocolos de revisão, relatos de caso, relatos de experiência e artigos de cunho teórico-reflexivo (Canto et al., 2020).
A coleta de dados foi realizada em setembro nas seguintes fontes de informações, PubMed (National Library of Medicine), Web of Science (WoS), BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE®), aplicando-se os descritores controlados em Ciências da Saúde (DeCS) para estas fontes de informação e para as buscas na PubMed utilizando-se o Medical Subject Headings (MesH).
A estratégia de busca empregou os vocabulários controlados específicos de cada fonte de informação, articulando-os por meio de operadores booleanos “AND” e “OR”.
Formulou-se a seguinte estratégia de busca: (“Doente terminal” OR “Paciente terminal”) AND (“Assistência de Enfermagem em cuidados paliativos” OR “Enfermagem de cuidados paliativos”) AND (“Assistência terminal” OR “Cuidado terminal”) AND (“Humanização da assistência” OR “Assistência humanizada” OR “Assistência humanizada à saúde” OR “Cuidado humanizado”) AND (“Conforto do Paciente” OR “Assistência em Conforto” OR “Cuidados de Conforto”).
Para a articulação entre descritores controlados e sinônimos, empregaram-se os operadores booleanos “OR” e “AND“, conforme demonstrado no Quadro 1.
Quadro 1 – Estratégia de busca adaptada para as fontes de informações selecionadas, Poços de Caldas, Brasil, 2025.
| PICO | Busca | Descritor DeCS/MeSH | Palavra -chave | Termo alternativo | Descritor MeSH | Termo alternativo |
| P (POPULAÇÃ O/ PROBLEMA) | #1 | Doente terminal | – | Paciente terminal | Terminally Ill | Terminal patient |
| I (INTERVENÇ ÃO) | #2 | Assistência de enfermagem em cuidados paliativos AND Assistência terminal | – | Enfermagem de Cuidados Paliativos AND Cuidado terminal | Hospice and Palliative Care Nursing AND Terminal Care | Palliative Care Nursing AND End-of-life care |
| C (COMPARAÇ ÃO) | – | – | – | – | – | |
| O (DESFECHO) | #3 | Humanização da Assistência AND Conforto do paciente | – | Assistência humanizada OR Assistência humanizada à saúde OR Cuidado humanizado AND Assistência em Conforto OR Cuidados de Conforto | Humanizati on of Assistance AND Patient Comfort | Humanized care OR Humanized healthcare OR Humanized care AND Comfort Care Assistance OR Comfort Care |
Fonte: (Criado pelos autores, 2025).
Quadro 2 – Fontes de informações selecionadas para a busca dos estudos, descritores e controlados, Poços de Caldas, Brasil, 2025.
| Fontes de informações | Cruzamento por meio dos Descritores |
| PubMed | (“Terminally Ill” OR “End of Life” OR “Terminal Patient” OR “Terminally Sick“) AND (“Palliative Care” OR “Terminal Care” OR “End-of-Life Palliative Care” OR “Palliative Nursing“) AND (“Humanization of Assistance” OR “Humanized Care” OR “Patient Comfort“ OR “Comfort Care“) |
| Web of Science | (“Terminally Ill” OR “Terminal patient” OR “End of life” OR “Terminal illness“) AND (“Palliative care” OR “Terminal care” OR “Palliative care at end of life” OR “Palliative nursing“) AND (“Humanization of care” OR “Humanized care” OR “Patient comfort” OR “Comfort care“) |
| BDENF | (“Doente Terminal” OR “Paciente terminal” OR “Terminally Ill” OR “End of Life“) AND (“Cuidados Paliativos” OR “Assistência Terminal” OR “Cuidados Paliativos na Terminalidade da Vida” OR “Enfermagem paliativa”) AND (“Humanização da Assistência” OR “Cuidado humanizado” OR “Conforto do Paciente” OR “Cuidados de Conforto”) |
| LILACS (Inglês, Português e Espanhol) | (“Terminally ill” OR “Terminal patient“ OR “End of life” OR “Terminal illness“) AND (“Palliative care” OR “Terminal care” OR “Palliative care at end of life” OR “Palliative nursing“) AND (“Humanization of care” OR “Humanized care” OR “Patient comfort” OR “Comfort care“) (“Doente Terminal” OR “Paciente terminal” OR “Terminally Ill” OR “End of Life“) AND (“Cuidados Paliativos” OR “Assistência Terminal” OR “Cuidados Paliativos na Terminalidade da Vida” OR “Enfermagem paliativa”) AND (“Humanização da Assistência” OR “Cuidado humanizado” OR “Conforto do Paciente” OR “Cuidados de Conforto”) (“Enfermo terminal” OR “Paciente terminal” OR “Terminalmente enfermo” OR “Fin de la vida”) AND (“Cuidados paliativos” OR “Atención terminal” OR “Cuidados paliativos en la terminalidad de la vida” OR “Enfermería paliativa”) AND (“Humanización de la atención” OR “Atención humanizada” OR “Confort del paciente” OR “Cuidados de confort”) |
| MEDLINE | (“Terminally Ill” OR “End of Life” OR “Terminal Patient” OR “Terminally Sick“) AND (“Palliative Care” OR “Terminal Care” OR “End-of-Life Palliative Care” OR “Palliative Nursing“) AND (“Humanization of Assistance” OR “Humanized Care” OR “Patient Comfort” OR “Comfort Care“) |
Fonte: (Criado pelos autores, 2025).
Após a conclusão das buscas nas fontes de informação, os registros identificados foram consolidados no gerenciador de referências EndNote Online (Clarivate), com o objetivo de eliminar as duplicatas iniciais (Mendes; Silveira; Galvão, 2019).
Em seguida, realizou-se a importação dos estudos para a ferramenta Rayyan Systematic Review, na qual foi efetuada uma nova verificação de duplicidades. O processo de triagem foi conduzido de modo independente e cego por dois avaliadores, que aplicaram os critérios de elegibilidade previamente estabelecidos. Eventuais discordâncias foram analisadas por um terceiro revisor. Uma funcionalidade vantajosa do Rayyan consistiu em possibilitar a categorização e o registro dos motivos específicos para a exclusão de cada artigo ainda na fase de análise de títulos e resumos (Ouzzani et al., 2016).
A triagem inicial ocorreu por meio da avaliação dos títulos e resumos, com o intuito de selecionar os estudos elegíveis e de interesse potencial para a revisão. Artigos cuja relevância não pode ser determinada apenas pelo resumo, foram mantidos para a etapa seguinte e tiveram seus textos completos analisados, garantindo que nenhum estudo potencialmente elegível deixasse de ser examinado. A etapa decisiva de seleção compreendeu a leitura integral dos artigos, a fim de verificar sua relevância à pergunta norteadora do estudo e sua conformidade com os critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. As publicações consideradas aptas foram armazenadas para subsidiar a fase de análise e mapeamento das informações.
Cabe destacar que todo o processo de busca, triagem inicial e seleção final foi executado de forma independente e cega por dois pesquisadores. Ao término dessa etapa, os resultados obtidos por ambos os revisores foram confrontados, e quaisquer inconsistências identificadas foram resolvidas mediante a intervenção de um terceiro avaliador.
5 RESULTADOS
A partir dos artigos analisados nesta revisão integrativa, verifica-se 751 publicações científicas indexadas nas seguintes fontes de informações: PubMed (n=145), Web of Science (n=227), BDENF (n=27), LILACS (n=34) e MEDLINE (n=318). Durante a etapa inicial de triagem, 13 artigos foram eliminados por apresentarem duplicidade, restando 738 estudos para a análise de elegibilidade. Na avaliação conduzida por três pesquisadores, foram retirados 489 estudos duplicados, além de 445 publicações que não atenderam aos critérios de inclusão e 1 que não se enquadram no tema proposto. Dessa forma, a amostra final foi composta por 6 estudos.
Para demonstrar o percurso de seleção dos estudos, elaborou-se um fluxograma seguindo as orientações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), conforme apresentado na Figura 1.
Figura 1 – Identificação de estudos por meio de fontes de informações e registro de dados.

A partir dos estudos selecionados para esta revisão integrativa, verifica-se que a maioria dos autores apresenta formação em Enfermagem (85%) (Angheluta et al., 2020; Goulart et al., 2025; Marques et al., 2021; Durante et al., 2025; Marques et al., 2020; Kuc, 2021), seguida por uma pequena parcela de profissionais da área farmacêutica (12%) (Cardinale; Kumapley; Wong, 2021) e médica (3%) (Beagin, 2021). Esse predomínio de enfermeiros pode ser explicado pela atuação direta e contínua desses profissionais junto aos pacientes oncológicos em cuidados paliativos, o que reforça o protagonismo da enfermagem nas práticas de cuidados e na produção científica voltada à assistência paliativa.
No que se refere ao local de publicação, observa-se que 40% dos artigos foram publicados no Brasil (Goulart et al., 2025; Marques et al., 2021; Durante et al., 2025), enquanto 20% tiveram origem na Itália (Angheluta et al., 2020), 20% no Reino Unido (Marques et al., 2020) e outros 20% nos Estados Unidos (Cardinale et al., 2021). Essa diversidade geográfica demonstra o interesse internacional pela temática e evidencia que o assunto é relevante em diferentes contextos de desenvolvimento científico e assistencial.
Em relação ao período de publicação, nota-se que todos os estudos (100%) foram publicados entre os anos de 2020 e 2025, o que confirma a atualidade do tema e seu destaque nas discussões recentes sobre a prática da enfermagem. (Angheluta et al., 2020; Goulart et al., 2025; Marques et al., 2021; Durante et al., 2025; Marques et al., 2020; Cardinale et al., 2021).
Quanto ao idioma, identificou-se uma distribuição equilibrada entre o inglês (50%) (Angheluta et al., 2020; Marques et al., 2020; Cardinale et al., 2021) e o português (50%) (Goulart et al., 2025; Marques et al., 2021; Durante et al., 2025), refletindo tanto a inserção das pesquisas em bases internacionais quanto a valorização da produção científica nacional.
Quanto à classificação temática dos periódicos, todos os artigos (100%) foram veiculados em revistas da área de Enfermagem, especificamente relacionadas aos cuidados paliativos oncológicos, reforçando a centralidade da profissão na investigação e no aprimoramento das práticas clínicas e assistenciais (European Journal of Oncology Nursing, indexado na PubMed Central; International Journal of
Palliative Nursing, indexado na Web of Science; Journal of Hospice & Palliative Nursing, indexado na Lippincott Williams & Wilkins; Revista Enfermagem Atual In Derme (REAID), indexada na BDENF; Texto & Contexto Enfermagem, indexada na BDENF; Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online (RPCFO), vinculada à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro–UNIRIO.
A análise do conjunto dos artigos evidencia o interesse dos profissionais de enfermagem em compreender, desenvolver e aplicar estratégias que aprimorem a qualidade do cuidado, promovendo conforto, bem-estar e qualidade de vida aos pacientes. Observa-se, ainda, o reconhecimento da importância de integrar a família nesse processo, fortalecendo o vínculo entre equipe, paciente e núcleo familiar, seja em contextos hospitalares, domiciliares ou em unidades especializadas.
Dessa forma, os resultados apontam para uma tendência de consolidação e fortalecimento do papel da enfermagem na integração do cuidado e na ampliação das práticas baseadas em evidências. Além disso, destaca-se o empenho dos profissionais em produzir e disseminar novos conhecimentos acerca da temática, contribuindo para o avanço científico e para a melhoria contínua das práticas assistenciais.
A síntese das pesquisas incluídas nesta revisão integrativa está apresentada no quadro 2. Dos seis artigos selecionados, dois foram publicados em 2020, dois em 2021, e os restantes em 2025, o que ressalta a contemporaneidade e a relevância permanente do assunto. As investigações foram conduzidas em quatro diferentes países como, Itália (Angheluta et al., 2020), Brasil (Goulart et al., 2025; Marques et al., 2021; Durante et al., 2025), Reino Unido (Marques et al., 2020) e Estados Unidos (Cardinale et al., 2021), evidenciando a dimensão global do tópico. Todas as pesquisas adotaram uma metodologia qualitativa de caráter exploratório e descritivo, com foco na interpretação das vivências e das ações profissionais no cenário estudado.
Quanto à classificação dos níveis de evidência, os seis artigos distribuíram-se da seguinte forma: três foram classificados como nível IV, dois como nível 2b e um como nível 3b. Essa distribuição indica uma predominância de estudos com delineamento qualitativo e descritivo, dedicados à observação e análise de fenômenos no contexto clínico e assistencial.
Em síntese, as informações referentes ao perfil dos autores, local e idioma das publicações, período analisado e classificação dos estudos estão apresentadas no quadro 1.
Quadro 1 – Caracterização dos estudos selecionados para a revisão, de acordo com a formação dos autores, local e ano de publicação, período de publicação, idioma e tipos de periódicos (n= 6). Poços de Caldas-MG, 2025.
| Categoria | Subcategoria | N | % |
| Formação dos Autores | Enfermeiros | 22 | 85% |
| Farmacêutica | 3 | 12% | |
| Médico | 1 | 3% | |
| Local de Publicação | Itália | 1 | 20% |
| Brasil | 3 | 40% | |
| Reino Unido | 1 | 20% | |
| Estados Unidos | 1 | 20% | |
| Período de Publicação | 2020-2025 | 6 | 100% |
| Idioma | Inglês | 3 | 50% |
| Português | 3 | 50% | |
| Tipos de Periódicos (Classificação Temática) | Enfermagem | 6 | 100% |
Mediante análise criteriosa dos estudos selecionados, foi elaborado o quadro a seguir, no qual se apresenta a distribuição dos artigos conforme os critérios estabelecidos.
Quadro 2 – Organização dos artigos selecionados conforme ID, título, autor/ano, objetivo, periódico ou repositório e país de publicação, tipo de estudo, principais resultados, conclusão e nível de evidência. Poços de Caldas-MG, 2025.
| Id | Título | Autor/ Ano | Objetivo | Periódico/ Repositório/ País | Tipo de Estudo | Resultados | Conclusão | Nível de Evidência |
| 1 | When and how clinical nurses adjust nursing care at the end-of-life among patients with cancer: Findings from multiple focus groups. | Aura Alexandra Angheluta; Sílvia Gonella; Catarina Sgubin; Valério Dimonte; Alessandra Bin; Alvisa Palese, (2020). | Investigar quando e como enfermeiros e auxiliares ajustam os planos de cuidado para priorizar o conforto de pacientes com câncer em fim de vida. | European Journal of Oncology Nursing; indexado na PubMed Central; Itália. | Estudo qualitativo descritivo. | A análise mostrou que o ajuste do cuidado ocorre com base em quando e como agir. É preciso reconhecer a fase terminal e adaptar-se continuamente. As ações incluem avaliar intervenções, respeitar desejos, comunicar com a equipe, envolver a família e priorizar o conforto do paciente. | Os autores destacam a importância de tornar visíveis os processos decisórios implícitos que orientam as adaptações no cuidado. O estudo aponta que o reconhecimento precoce da fase terminal permite ajustes no plano de cuidados que favorecem melhores desfechos para o paciente, sobretudo no que diz respeito ao conforto e à qualidade de vida no fim da vida. | 4 |
| 2 | Aplicabilidade de protocolos a pacientes oncológicos em cuidados paliativos. | Amanda Farias Goulart; Amanda Luiz Maciel; Maria Teresa Brasil Zanini; Paula Ioppi Zugno; Tainá de Bem Serafim; Neiva Junkes Hoepers, (2025). | Verificar como a aplicabilidade de protocolos a pacientes em Cuidados Paliativos oncológicos influenciam no cuidado de enfermagem humanizado. | Revista Enfermagem Atual In Derme (REAID); indexada na BDENF; Brasil. | Pesquisa qualitativa, de campo, com caráter exploratório e descritivo. | Constatou-se que a aplicabilidade do protocolo influencia o cuidado de enfermagem humanizado. Dessa forma, a família e o paciente sentem-se amparados e orientados durante o processo da doença, e a equipe de saúde fica melhor preparada para assistir os pacientes em Cuidados Paliativos. | Com o uso dos protocolos, a equipe tem melhor direcionamento para realizar intervenções em resposta às demandas de enfermagem encontradas, possibilitando um cuidado humanizado para o paciente e a família nesse processo delicado, promovendo um final de vida digno tanto no hospital quanto em casa. | 4 |
| 3 | Impaired comfort at the end of life: an association with nursing diagnosis and clinical variables. | Karine Marques; Cristine Alves, (2021). | Investigar a relação entre os dados clínicos e os diagnósticos de enfermagem da Taxonomia II da NANDA-I, com foco na identificação do diagnóstico de Conforto prejudicado. | Texto & Contexto Enfermagem; indexado na BDENF; Brasil. | Estudo analítico e quantitativo. | Em 66 pacientes, foram identificados 960 diagnósticos. O conforto prejudicado esteve associado à dor crônica, mobilidade reduzida, déficit no autocuidado, tristeza crônica e disfunção familiar. Além disso, variáveis como tempo em cuidados paliativos, dor, cansaço, apetite, tristeza, ansiedade e bem-estar também apresentaram relação significativa. | O estudo identificou que dor, cansaço, apetite, tristeza, ansiedade e bem-estar são variáveis-chave do diagnóstico “conforto prejudicado”. Também aprimorou o raciocínio clínico ao associá-lo a outros diagnósticos, como dor crônica e déficit no autocuidado, com base na Taxonomia II da NANDA-I. | 2b |
| 4 | Nursing diagnoses clusters: survival and comfort in oncology end-of-life care. | Karine Marques; Cristine Alves, (2020). | Identificar clusters de diagnósticos de enfermagem e repercussões para o conforto e sobrevida do paciente. | International Journal of Palliative Nursing; indexada na Web Of Science; Reino Unido. | Estudo de coorte prospectivo. | Foram utilizados três grupos diagnósticos e 23 diagnósticos de enfermagem. O primeiro e mais prevalente grupo de diagnósticos foi relacionado a distúrbios do trato intestinal e do sono. O segundo foi relacionado a características neuropsicológicas e fadiga associadas à menor sobrevida, enquanto o terceiro cluster foi relacionado à funcionalidade e percepção, que se mostrou associada a menor conforto. | Os três grupos (clusters) de diagnósticos de enfermagem identificados foram significativamente associados tanto ao nível de conforto dos pacientes quanto à sua sobrevida. Isso reforça a importância dos cuidados holísticos e dos diagnósticos de enfermagem no final da vida para melhorar o conforto e a qualidade de vida dos pacientes com câncer. | 2b |
| 5 | Conforto em cuidados paliativos e os fatores associados: contribuições para assistência de enfermagem. | Ana Luísa Durante; Camila dos Santos Moreno Rodrigues Alves; Renata Carla Nencetti Pereira Rocha; Daniele Ferreira Buechem; Danielle Copello Vaz; Nila Larisse Silva de Albuquerque; Carlos Roberto Lyra da Silva, (2025). | Investigar o conforto de pacientes em cuidados paliativos por meio do Questionário de Conforto Geral (QCG) e sua associação com as variáveis sociodemográficas e clínicas. | Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online (RPCFO); indexado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); Brasil. | Estudo transversal e quantitativo. | Observou-se que o domínio físico apresentou a menor média e os domínios ambiental e psicoespiritual registraram as maiores médias. Houve correlação significativa nas seguintes variáveis: funcionalidade, lesão por pressão e dispositivos invasivos. | O conforto de pacientes oncológicos em cuidados paliativos é um fenômeno multidimensional, influenciado por fatores físicos, psicoespirituais, socioculturais e ambientais. O uso de instrumentos específicos, como o QCG, permite identificar as dimensões mais afetadas e nortear os enfermeiros na sistematização do cuidado. | 4 |
| 6 | Impact of a Nurse-Driven Opioid Titration Protocol on Quality of Orders at End of Life. | Maria Cardinale; Genevieve Kumapley; Cecilia Wong; Mary Eileen Kuc; e Erinn Beagin, (2021). | Avaliar o impacto da implementação de um protocolo de titulação de opioides conduzido por enfermeiros sobre a qualidade das prescrições de morfina para pacientes em cuidados de fim de vida. | Journal of Hospice & Palliative Nursing (JHPN); indexado na Lippincott Williams & Wilkins (LWW); Estados Unidos. | Estudo quase-experimental (pretest–posttest design, sem grupo controle). | A implementação do protocolo de titulação de opioides conduzido por enfermeiros melhorou significativamente a qualidade e a segurança das prescrições de morfina, ampliando o manejo de sintomas em pacientes em fim de vida. | Conclui-se que o protocolo de titulação de opioides conduzido por enfermeiros é eficaz para aprimorar a qualidade das prescrições e promover um cuidado mais completo e seguro no fim de vida. | 3b |
6 DISCUSSÃO
A análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa evidenciou que o principal propósito da enfermagem paliativa é proporcionar conforto ao paciente oncológico em cuidados paliativos, bem como aliviar o sofrimento dos familiares, por meio de diferentes estratégias que garantam um cuidado integral. Diante disso, as pesquisas analisadas apresentam metodologias diversas, demonstrando práticas que promovem um cuidado humanizado e voltado à qualidade de vida, envolvendo também o núcleo familiar nesse processo assistencial.
O diagnóstico de enfermagem configura-se como um julgamento clínico do enfermeiro acerca das necessidades e condições do paciente, servindo de base para a seleção das intervenções mais adequadas ao contexto assistencial e às metas traçadas. A utilização da taxonomia internacional da North American Nursing Diagnosis Association (NANDA), que dispõe de uma linguagem ampla e padronizada, contribui para a sistematização das atividades assistenciais, promovendo coerência e uniformidade nas ações dos profissionais de enfermagem.
O estudo de Marques et al. (2021) destaca o diagnóstico de enfermagem “conforto prejudicado”, definido como a percepção de falta de conforto ou alívio nas dimensões física, psicoespiritual, ambiental, cultural e/ou social, relacionando-se a sintomas como dor, fadiga, alterações no apetite, tristeza, limitação de mobilidade, ansiedade e disfunções familiares. Com base na Taxonomia II da NANDA-I, esse diagnóstico foi associado a outros, como “dor crônica” e “déficit no autocuidado”, o que reforça a importância do processo de enfermagem e do raciocínio clínico do enfermeiro diante de situações que impactam a qualidade de vida dos pacientes. Dessa forma, o profissional pode instituir intervenções que contemplem as necessidades biopsicossociais do indivíduo, reconhecendo que, ao iniciar os cuidados paliativos, o conforto do paciente passa a ser prioridade em detrimento do tratamento curativo.
O fortalecimento do vínculo entre a equipe de enfermagem, o paciente e sua família possibilita o estabelecimento de confiança e autonomia nas práticas de cuidados paliativos. Angheluta et al. (2020) ressaltam que a relação próxima com o paciente é um fator de extrema relevância, pois permite identificar precocemente alterações emocionais e clínicas, favorecendo intervenções oportunas. Essa relação terapêutica é entendida como um elemento que promove conforto, acolhimento e um cuidado centrado no indivíduo. Além disso, os autores enfatizam que, para garantir qualidade de vida, procedimentos invasivos devem ser evitados, uma vez que podem comprometer o conforto do paciente. Cabe ao enfermeiro avaliar os riscos e benefícios de cada intervenção, adaptando-as à realidade e às necessidades do momento.
Os autores também evidenciam a prática do “light care”, que se refere ao cuidado leve e direcionado ao essencial, contemplando as necessidades básicas diárias do paciente, mas respeitando seus desejos e os de seus familiares, o que influencia diretamente o bem-estar psicológico dos envolvidos. O reconhecimento precoce do estado terminal e dos sinais de deterioração clínica tem sido associado a mudanças nas práticas de enfermagem, tornando-as mais focadas em melhorar a qualidade do cuidado e reduzir desconfortos. Entre as ações destacam-se a retirada de dispositivos invasivos, o uso ampliado da sedação paliativa e a administração adequada de opióides.
A criação de protocolos de titulação de opioides gerenciados por enfermeiros, conforme apontam Cardinale et al. (2021) representa um avanço importante na analgesia e no controle de sintomas como náuseas, constipação e ansiedade. Essa prática, amparada por respaldo legal e dentro de parâmetros seguros, demonstra a contribuição da enfermagem para um cuidado mais autônomo e eficaz, proporcionando alívio do desconforto físico e emocional do paciente. Assim, os autores reforçam a necessidade de capacitação contínua da equipe de enfermagem e da padronização de protocolos que elevem a eficiência, a ética e a humanização do cuidado no fim da vida.
Durante et al. (2025) demonstram que o conforto em cuidados paliativos é um conceito amplo, que abrange múltiplos aspectos e percepções individuais, influenciados por fatores físicos, emocionais, culturais, espirituais e ambientais. Nesse contexto, intervenções que priorizam o conforto como a participação ativa da família, o controle da dor e o cuidado humanizado com escuta ativa refletem diretamente no bem-estar e na percepção positiva do estado clínico do paciente. Ademais, instrumentos como o Questionário de Conforto Geral (QCG) possibilitam uma avaliação abrangente da condição do paciente, evidenciando a relação entre conforto, funcionalidade, lesões por pressão e uso de dispositivos invasivos, o que reforça a relevância da atuação da enfermagem para a promoção de qualidade de vida.
Goulart et al. (2025) ressaltam que a analgesia e o alívio da dor são fatores determinantes na percepção de conforto de muitos pacientes. Além disso, o suporte emocional oferecido pela equipe multiprofissional e pela família exerce impacto direto sobre a qualidade de vida. Assim, manter uma comunicação clara e uma escuta terapêutica com o paciente e seus familiares é fundamental para garantir um cuidado mais empático, ético e centrado na pessoa.
A enfermagem exerce papel essencial nesse processo, por estar em contato direto e contínuo com o paciente. Essa proximidade favorece a vigilância constante e a identificação precoce de necessidades de ajuste no cuidado. Portanto, coordenar medidas de conforto e integrar a equipe nesse contexto torna-se uma atribuição indispensável do enfermeiro. Ademais, os estudos evidenciam a relevância da utilização de protocolos de cuidados paliativos, que permitem adaptar o plano assistencial conforme a evolução da doença e facilitam a comunicação entre os profissionais, assegurando uma assistência digna e de qualidade ao paciente.
Por fim, Marques et al. (2020) e Durante et al. (2025) reconhecem que o conforto é um conceito complexo e multifatorial. Em seus estudos, o cuidado é fundamentado na Teoria de Kolcaba, que contempla dimensões físicas, psicoespirituais, ambientais e socioculturais, indo além do controle da dor. Essa perspectiva amplia a compreensão da enfermagem sobre o cuidado paliativo ao paciente oncológico, contribuindo para uma assistência mais integral e humanizada.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
De forma geral, os estudos analisados convergem ao evidenciar que o conforto, pilar fundamental dos cuidados paliativos, deve ser compreendido como um fenômeno multidimensional que abrange dimensões físicas, emocionais, espirituais, sociais e culturais. A atuação da enfermagem, pautada em diagnósticos clínicos precisos, raciocínio crítico e vínculo terapêutico, é indispensável para a promoção desse conforto e para a humanização da assistência ao paciente oncológico em fase avançada. Nesse contexto, destacam-se práticas como o manejo adequado da dor e de outros sintomas, o controle da ansiedade e da fadiga, o cuidado corporal e de higiene, a escuta ativa, a educação em saúde, o apoio espiritual, o incentivo à autonomia do paciente, a comunicação empática com familiares e a coordenação interdisciplinar do cuidado. Além disso, o uso de protocolos assistenciais, a implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e a utilização de instrumentos avaliativos, como escalas de conforto e dor, fortalecem a qualidade da prática profissional e a segurança do paciente.
Entretanto, observa-se uma carência significativa de estudos voltados especificamente ao papel do enfermeiro nos cuidados paliativos, especialmente no contexto oncológico, o que limita o avanço de evidências científicas capazes de subsidiar práticas baseadas em dados concretos. A maioria das produções ainda aborda o tema de forma generalista, sem aprofundar as competências, desafios e necessidades formativas dos profissionais de enfermagem nesse campo. Diante disso, torna-se essencial o estímulo à pesquisa direcionada à atuação do enfermeiro em cuidados paliativos, a fim de fortalecer sua autonomia, aprimorar intervenções e consolidar sua importância como agente central na promoção da dignidade, do conforto e da qualidade de vida no fim da existência.
REFERÊNCIAS
ANGHELUTA, Aura Alexandra; GONELLA, Silvia; SGUBIN, Caterina; DIMONTE, Valerio; BIN, Alessandra; PALESE, Alvisa. When and how clinical nurses adjust nursing care at the end-of-life among patients with cancer: findings from multiple focus groups. European Journal of Oncology Nursing, [S.l.], v. 46, p. 101856, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ejon.2020.101856. Acesso em: 06 out. 2025.
BRASIL. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 1.995/2012: diretivas antecipadas de vontade dos pacientes. Brasília: CFM, 2012. Disponível em: https://portal.cfm.org.br/noticias/pacientes-poderao-registrar-em-prontuario-a-quais-procedimentos-querem-ser-submetidos-no-fim-da-vida. Acesso em: 26 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Cuidados paliativos. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/cuidados-paliativos. Acesso em: 26 ago. 2025.
CANTO, Graziela de Luca (Org.). Revisões sistemáticas da literatura: guia prático. 1. ed. São Paulo: Brazil Publishing, 2020. 208 p. ISBN 978-65-5016-353-2. Disponível em: https://doi.org/10.31012/978-65-5016-353-2. Acesso em: 07 nov. 2025.
CARDINALE, Maria; KUMAPLEY, Genevieve; WONG, Cecília; KUC, Mary Eileen; BEAGIN, Erinn. Impact of a nurse-driven opioid titration protocol on quality of orders at end of life. Journal of Hospice & Palliative Nursing, [S.l.], v. 23, n. 1, p. 47–54, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1097/NJH.0000000000000716. Acesso em: 06 out. 2025.
D’ALESSANDRO, Maria Perez Soares; BARBOSA, Lara Cruvinel; ANAGUSKO, Sergio Seiki; VIEIRA MAIELLO, Ana Paula Mirarchi; CONRADO, Catherine Moreira; PIRES, Carina Tischler; FORTE, Daniel Neves. Manual de cuidados paliativos. 2. ed. São Paulo: Hospital Sírio-Libanês; Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://hospitais.proadi-sus.org.br/manual-cuidados-paliativos.pdf. Acesso em: 26 ago. 2025.
DURANTE, Ana Luísa; RODRIGUES ALVES, Camila dos Santos Moreno; ROCHA, Renata Carla Nencetti Pereira; BUECHEM, Daniele Ferreira; VAZ, Danielle Copello; ALBUQUERQUE, Nila Larisse Silva de; LYRA DA SILVA, Carlos Roberto. Conforto em cuidados paliativos e os fatores associados: contribuições para assistência de enfermagem. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online, Rio de Janeiro, v. 17, e14210, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v17.14210. Acesso em: 06 out. 2025.
FERRELL, Betty R.; TEMEL, Jennifer S.; TEMIN, Sarah; ALESI, Erin R.; BALBONI, Tracy A.; BASCH, Ethan M.; FIRN, Janice I.; PAICE, Judith A.; PEPPERCORN, Jeffrey M.; PHILLIPS, Tanyanika; STOVALL, Ellen L.; ZIMMERMANN, Camilla; SMITH, Thomas J. Integration of palliative care into standard oncology care. Journal of Clinical Oncology, v. 35, n. 1, p. 96–104, 2017. Disponível em: https://sbgg.org.br/informativos/29-11-16/6_Integration_of_Palliative_Care_Into_Standard_Oncology_Care.pdf. Acesso em: 26 ago. 2025.
GOULART, Fernanda Oliveira; SOUZA, Laura Cristina de; MENDES, Thalita Ribeiro; SILVA, Juliana Ferreira da. Aplicabilidade de protocolos a pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 99, n. Ed. Esp., art. 2033, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.31011/reaid-2025-v.99-n.Ed.Esp-art.2033. Acesso em: 06 out. 2025.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Cuidados paliativos: princípios e prática. Rio de Janeiro: INCA, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tratamento/cuidados-paliativos. Acesso em: 26 ago. 2025.
MARQUES, Karine; ALVES, Cristine. Impaired comfort at the end of life: an association with nursing diagnosis and clinical variables. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 30, e20200105, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2020-0105. Acesso em: 06 out. 2025.
MARQUES, Karine; ALVES, Cristine. Conforto em cuidados paliativos e os fatores associados: contribuições para assistência de enfermagem. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online, Rio de Janeiro, v. 17, e14210, 2025. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1612415. Acesso em: 06 out. 2025.
MELNYK, Bernadette Mazurek; FINEOUT-OVERHOLT, Ellen. Evidence-based practice in nursing & healthcare: a guide to best practice. 4. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer/Lippincott Williams & Wilkins, 2019. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/901017073/Evidence-Based-Practice-in-Nursing-Healthcare-a-Guide-to-Best-Practice-4th-Edition. Acesso em: 26 ago. 2025.
MENDES, Karina Del Sasso; SILVEIRA, Renata Campos Pereira; GALVÃO, Cristina Maria. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, v. 17, n. 4, p. 58–64, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-07072008000400018. Acesso em: 26 ago. 2025.
MENDES, Karina Del Sasso; SILVEIRA, Renata Campos Pereira; GALVÃO, Cristina Maria. Use of the bibliographic reference manager in the selection of primary studies in integrative reviews. Texto & Contexto – Enfermagem, Florianópolis, v. 28, e20170204, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2017-0204. Acesso em: 26 ago. 2025.
NATIONAL COMPREHENSIVE CANCER NETWORK (NCCN). Guidelines for Patients: Palliative Care. 2023. Disponível em: https://www.nccn.org/patients/guidelines/content/PDF/palliative-patient.pdf. Acesso em: 26 ago. 2025.
OUZZANI, Mourad; et al. Rayyan: a web and mobile app for systematic reviews. Systematic Reviews, v. 5, n. 1, p. 210, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s13643-016-0384-4. Acesso em: 26 ago. 2025.
POLIT, Donna F.; BECK, Cheryl Tatano. Essentials of nursing research: appraising evidence for nursing practice. 9. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714904/. Acesso em: 26 ago. 2025.
PROADI-SUS. Manual de cuidados paliativos. Porto Alegre: Hospital Sírio-Libanês, 2020. Disponível em: https://hospitais.proadi-sus.org.br/manual-cuidados-paliativos.pdf. Acesso em: 26 ago. 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Palliative care. Geneva: WHO, 2020. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/palliative-care. Acesso em: 26 ago. 2025.
¹Graduanda em Enfermagem. Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Endereço: Poços de Caldas – Minas Gerais, Brasil. E-mail: gabrielaa.ferreira027@gmail.com;
²Graduanda em Enfermagem. Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Endereço: Poços de Caldas – Minas Gerais, Brasil. E-mail: mayseviana052@gmail.com;
³Doutora em Enfermagem. Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Endereço: Poços de Caldas – Minas Gerais, Brasil. E-mail: helonimia@pucpcaldas.br;
⁴Doutor em Enfermagem. Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Endereço: Poços de Caldas – Minas Gerais, Brasil. E-mail: jhulianosouza@pucpcaldas.br;
⁵Doutora em Enfermagem. Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Endereço: Poços de Caldas – Minas Gerais, Brasil. E-mail: lucianajsilva@pucpcaldas.br;
⁶Doutora em Ciência da Saúde – UNIFESP. Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Endereço: Poços de Caldas – Minas Gerais, Brasil. E-mail: elainefaria@pucpcaldas.br.
