LITERACY TEACHING IN THE AMAZON CONTEXT: KNOWLEDGE, CHALLENGES AND PEDAGOGICAL PRACTICES
DIDÁCTICA DE LA ALFABETIZACIÓN EN EL CONTEXTO AMAZÓNICO: SABERES, DESAFIOS Y PRÁCTICAS PEDAGÓGICAS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602281225
Rosana Costa Reis1
Maria de Nazaré da Costa Brito2
Maria de Nazaré Barroso da Silva3
Mariete Sousa de Menezes4
Elane Viana Bezerra5
Átila de Souza6
Resumo
O presente artigo analisa a didática da alfabetização no contexto amazônico, compreendendo-a como prática pedagógica socialmente situada, atravessada por dimensões culturais, territoriais e políticas. Partindo de uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, o estudo fundamenta-se na análise de produções científicas recentes das áreas da Educação e da Linguística Aplicada, com ênfase em pesquisas desenvolvidas na região Norte do Brasil. A discussão evidencia que a alfabetização, na Amazônia, não pode ser reduzida a um conjunto de procedimentos técnicos voltados à aquisição do sistema de escrita, mas deve ser entendida como processo articulado às práticas sociais de linguagem, às identidades culturais e às condições concretas de vida dos sujeitos. Os resultados indicam que práticas pedagógicas contextualizadas, ancoradas nos saberes comunitários, nas narrativas locais e nas experiências socioculturais dos territórios ribeirinhos, rurais e urbano-periféricos, contribuem para o fortalecimento da participação discente e para a produção de sentidos no processo de aprendizagem da leitura e da escrita. Evidencia-se, ainda, que a incorporação dos multiletramentos amplia as possibilidades didáticas, ao integrar diferentes linguagens, mídias e formas de expressão presentes no cotidiano dos estudantes. A análise aponta que a formação docente constitui eixo central para a consolidação de propostas alfabetizadoras sensíveis à diversidade amazônica, sobretudo quando estruturada a partir da reflexão coletiva sobre a prática e do reconhecimento dos saberes produzidos no contexto escolar. Por fim, o estudo problematiza os desafios enfrentados pelas escolas localizadas em territórios ribeirinhos e periféricos, marcados por precariedades estruturais e por políticas educacionais pouco territorializadas, defendendo a necessidade de uma didática da alfabetização comprometida com a equidade, a valorização das identidades locais e a justiça social na Amazônia.
Palavras-chave: alfabetização; didática; contexto amazônico; formação docente; multiletramentos.
Abstract
This article analyzes literacy didactics in the Amazonian context, understanding it as a socially situated pedagogical practice shaped by cultural, territorial and political dimensions. Adopting a qualitative and bibliographic approach, the study is based on the analysis of recent scientific publications in the fields of Education and Applied Linguistics, with emphasis on research conducted in Northern Brazil. The discussion highlights that literacy in the Amazon cannot be reduced to technical procedures aimed at mastering the alphabetic writing system, but must be understood as a process articulated with social language practices, cultural identities and the concrete living conditions of learners. The results indicate that contextualized pedagogical practices, grounded in community knowledge, local narratives and sociocultural experiences of riverside, rural and urban-peripheral territories, contribute to strengthening student participation and meaning making in reading and writing learning processes. The study also shows that the incorporation of multiliteracies expands didactic possibilities by integrating different languages, media and forms of expression that are part of students’ everyday lives. Furthermore, teacher education is identified as a central axis for the consolidation of literacy proposals sensitive to Amazonian diversity, especially when organized around collective reflection on practice and the recognition of knowledge produced within schools. Finally, the article discusses the challenges faced by schools located in riverside and peripheral territories, marked by structural precariousness and insufficiently territorialized public policies, and argues for the development of literacy didactics committed to educational equity, the valorization of local identities and social justice in the Amazon.
Keywords: literacy; didactics; Amazonian context; teacher education; multiliteracies.
Resumen
Este artículo analiza la didáctica de la alfabetización en el contexto amazónico, entendiéndola como una práctica pedagógica socialmente situada, atravesada por dimensiones culturales, territoriales y políticas. Desde un enfoque cualitativo y de carácter bibliográfico, el estudio se basa en el análisis de producciones científicas recientes de las áreas de Educación y Lingüística Aplicada, con énfasis en investigaciones desarrolladas en la región Norte de Brasil. La discusión demuestra que la alfabetización en la Amazonía no puede limitarse a procedimientos técnicos orientados al dominio del sistema de escritura alfabética, sino que debe comprenderse como un proceso articulado a las prácticas sociales del lenguaje, a las identidades culturales y a las condiciones concretas de vida de los sujetos. Los resultados indican que las prácticas pedagógicas contextualizadas, fundamentadas en los saberes comunitarios, en las narrativas locales y en las experiencias socioculturales de los territorios ribereños, rurales y urbano-periféricos, favorecen la participación estudiantil y la construcción de sentidos en el aprendizaje de la lectura y la escritura. Asimismo, se evidencia que la incorporación de los multiletramientos amplía las posibilidades didácticas al integrar diferentes lenguajes, medios y formas de expresión presentes en la vida cotidiana de los estudiantes. La formación docente se presenta como un eje central para la consolidación de propuestas alfabetizadoras sensibles a la diversidad amazónica, especialmente cuando se orienta por la reflexión colectiva sobre la práctica y el reconocimiento de los saberes producidos en la escuela. Finalmente, se discuten los desafíos de las escuelas ubicadas en territorios ribereños y periféricos, marcados por precariedades estructurales y políticas educativas poco territorializadas, defendiendo una didáctica de la alfabetización comprometida con la equidad, la valorización de las identidades locales y la justicia social en la Amazonía.
Palabras clave: alfabetización; didáctica; contexto amazónico; formación docente; multialfabetizaciones.
Introdução
A alfabetização constitui um dos eixos estruturantes da escolarização básica e, simultaneamente, um dos campos mais fortemente atravessados pelas desigualdades sociais, territoriais e culturais no Brasil. No contexto amazônico, esse processo se desenvolve em cenários marcados por extensas distâncias geográficas, precariedade de infraestrutura, heterogeneidade linguística e profunda diversidade sociocultural, envolvendo populações ribeirinhas, povos indígenas, comunidades tradicionais e sujeitos que vivem em áreas urbanas periféricas. Tais condições produzem dinâmicas escolares singulares, que tensionam a aplicação de propostas didáticas uniformizadas, historicamente elaboradas a partir de realidades urbanas e metropolitanas do país.
Embora a literatura nacional sobre alfabetização e letramento tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, observa-se que parte expressiva dessa produção ainda se fundamenta em modelos pedagógicos pouco sensíveis às especificidades territoriais. No caso da Amazônia, pesquisas recentes têm evidenciado que a transposição de propostas didáticas padronizadas, dissociadas das práticas socioculturais locais e das condições concretas de funcionamento das escolas, tende a restringir a participação dos estudantes e a reduzir a potência pedagógica das experiências de leitura e escrita.
Nesse cenário, a didática da alfabetização precisa ser compreendida como prática pedagógica situada, historicamente construída e socialmente referenciada, articulando conhecimentos linguísticos, culturais e pedagógicos às realidades concretas dos sujeitos e dos territórios. Ensinar a ler e a escrever na Amazônia implica reconhecer o território como categoria educativa, compreendendo que as práticas de linguagem se constituem nas relações cotidianas com o rio, a floresta, a cidade, o trabalho, as narrativas orais, os modos de vida comunitários e as formas próprias de organização social.
Apesar do crescimento recente de pesquisas voltadas à educação amazônica, ainda se identifica uma lacuna no campo específico da didática da alfabetização, sobretudo no que se refere à sistematização de experiências pedagógicas, à análise das práticas docentes e à compreensão dos impactos da formação de professores na construção de propostas alfabetizadoras contextualizadas. Observa-se que os estudos, em muitos casos, abordam as desigualdades educacionais de forma ampla, mas ainda são incipientes as investigações que problematizam, de maneira articulada, os processos didáticos de alfabetização, as condições territoriais e as dimensões interculturais que atravessam o cotidiano das escolas na região.
Diante desse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar e discutir contribuições teóricas e empíricas recentes sobre a didática da alfabetização no contexto amazônico, com ênfase nas práticas pedagógicas contextualizadas, nos processos de formação docente e nos desafios enfrentados por professores que atuam em escolas ribeirinhas, urbanas periféricas e em contextos interculturais. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada na revisão de produções científicas publicadas nos últimos anos em periódicos da área da Educação e da Linguística Aplicada, com foco em investigações desenvolvidas na região Norte do Brasil.
Ao articular referenciais consolidados no campo da alfabetização e do letramento com pesquisas produzidas no contexto amazônico, busca-se contribuir para o fortalecimento de uma agenda de estudos que reconheça a centralidade do território, da diversidade cultural e das condições de trabalho docente na construção de uma didática da alfabetização comprometida com a equidade educacional e com a justiça social na Amazônia.
Alfabetização e letramento como práticas sociais
A produção acadêmica brasileira e internacional tem consolidado a compreensão da alfabetização como um processo que ultrapassa o domínio técnico do sistema de escrita alfabética, situando-a no campo das práticas sociais, culturais e históricas da linguagem. Nessa perspectiva, alfabetizar implica articular a aprendizagem do sistema de escrita às condições concretas de uso da leitura e da escrita na vida social, possibilitando que os sujeitos se constituam como participantes ativos de uma cultura letrada (SOARES, 2020).
Essa concepção dialoga com os estudos de Kleiman (2020), ao enfatizar que os processos de letramento escolar devem reconhecer os diferentes usos sociais da escrita presentes nos contextos de vida dos estudantes, compreendendo-os como sujeitos que já participam de práticas letradas, ainda que não legitimadas pela escola. De modo convergente, Street (2014) problematiza os modelos autônomos de letramento e defende uma abordagem ideológica, na qual as práticas de leitura e escrita são compreendidas como socialmente situadas e atravessadas por relações de poder, valores culturais e disputas simbólicas.
A perspectiva freireana permanece atual ao afirmar que a aprendizagem da leitura da palavra está indissociavelmente vinculada à leitura do mundo, uma vez que a linguagem se constitui na relação crítica dos sujeitos com a realidade social, histórica e cultural em que estão inseridos (FREIRE, 2019). Tal concepção assume especial relevância em contextos nos quais os repertórios culturais dos estudantes são sistematicamente invisibilizados no currículo escolar, como ocorre, com frequência, em territórios amazônicos marcados por diversidade étnica, linguística e sociocultural.
No campo da educação linguística contemporânea, as discussões sobre letramentos múltiplos e multiletramentos ampliam essa compreensão ao defenderem que a escola deve considerar diferentes linguagens, suportes e formas de produção de sentidos, articulando oralidade, escrita, visualidade, gestualidade e práticas digitais (ROJO; MOURA, 2019; COPE; KALANTZIS, 2020). Essas abordagens deslocam o foco de uma concepção restrita de alfabetização para práticas pedagógicas que reconhecem a complexidade dos modos de significar presentes na vida social contemporânea.
No mesmo horizonte, Coscarelli e Ribeiro (2021) argumentam que as práticas de leitura e escrita, no contexto escolar, precisam dialogar com os ambientes digitais e com os novos modos de interação, de circulação de textos e de produção de conhecimento, sob pena de reforçar distanciamentos entre cultura escolar e culturas juvenis. Tal discussão torna-se particularmente relevante para contextos amazônicos, nos quais as tecnologias digitais, ainda que marcadas por desigualdades de acesso, vêm sendo apropriadas de formas criativas por estudantes e professores.
Do ponto de vista didático, a compreensão da alfabetização como prática social exige que o trabalho pedagógico considere as experiências linguísticas e culturais dos estudantes como ponto de partida para a construção de conhecimentos escolares. Nessa direção, Candau (2020) defende uma didática intercultural crítica, orientada pelo reconhecimento da diferença, pela valorização de saberes historicamente subalternizados e pela problematização das hierarquias culturais presentes no currículo. Em contextos amazônicos, tal perspectiva permite articular alfabetização, identidade e território, contribuindo para a construção de práticas pedagógicas mais sensíveis às realidades ribeirinhas, indígenas e comunitárias.
Assim, compreender a alfabetização e o letramento como práticas sociais implica reconhecer que ensinar a ler e a escrever, na Amazônia, demanda não apenas domínio de métodos e técnicas, mas também uma postura pedagógica comprometida com a diversidade cultural, com os modos locais de produzir sentidos e com a construção de uma educação linguística socialmente referenciada.
A didática da Alfabetização no Contexto Amazônico
Práticas pedagógicas contextualizadas
Pesquisas desenvolvidas na região Norte têm evidenciado que a contextualização curricular constitui um princípio estruturante para o trabalho docente nos anos iniciais do ensino fundamental, sobretudo em territórios marcados por diversidade cultural, linguística e por modos próprios de organização da vida social. Costa e Aranha (2023), ao analisarem experiências de alfabetização e letramento no Amazonas, demonstram que a inserção de temas do cotidiano, narrativas locais, práticas culturais e conhecimentos comunitários atua como mediação pedagógica potente para a aprendizagem da leitura e da escrita, favorecendo maior envolvimento dos estudantes com as atividades escolares.
Essa compreensão dialoga com a perspectiva defendida por Soares (2020), ao afirmar que a alfabetização, para além da aprendizagem do sistema de escrita, deve articular-se às práticas sociais de leitura e escrita efetivamente vivenciadas pelos sujeitos. No contexto amazônico, tal articulação assume centralidade, uma vez que as experiências de linguagem estão profundamente vinculadas à oralidade, às narrativas tradicionais, às práticas de trabalho e às dinâmicas comunitárias.
De modo convergente, estudos realizados no estado do Amapá indicam que a incorporação de saberes tradicionais, histórias de vida e experiências comunitárias favorece o engajamento dos estudantes e fortalece a produção de sentidos no processo de alfabetização (Pinto et al., 2025). Esses achados aproximam-se das contribuições de Kleiman (2020), ao defender que os processos de letramento escolar precisam dialogar com os usos sociais da escrita presentes nos diferentes contextos de vida dos estudantes, reconhecendo-os como sujeitos de práticas letradas diversas.
No campo da didática, a adoção de propostas pedagógicas sensíveis à diversidade cultural também encontra respaldo nas discussões sobre educação intercultural. Candau (2020) e Walsh (2019) defendem que práticas educativas orientadas por referenciais interculturais devem promover o reconhecimento dos saberes historicamente subalternizados e problematizar as hierarquias culturais presentes no currículo. No contexto amazônico, essa perspectiva permite compreender a alfabetização como espaço de valorização das identidades ribeirinhas, indígenas e comunitárias, rompendo com concepções homogeneizadoras de ensino.
Além disso, as abordagens contemporâneas dos multiletramentos, conforme discutidas por Rojo e Moura (2019), contribuem para ampliar as possibilidades didáticas da alfabetização ao integrar diferentes linguagens, mídias e formas de expressão, aspecto particularmente relevante em experiências pedagógicas que articulam narrativas orais, registros visuais e produções culturais locais.
Assim, as experiências desenvolvidas na Amazônia demonstram que a didática da alfabetização, quando orientada por referenciais interculturais e pelos estudos dos letramentos, contribui tanto para o reconhecimento das identidades dos estudantes quanto para a superação de práticas pedagógicas descontextualizadas, fortalecendo uma concepção de ensino comprometida com a diversidade sociocultural e com a equidade educacional.
Formação docente e reflexão sobre prática
A formação docente constitui-se como um eixo estruturante para a consolidação de práticas alfabetizadoras comprometidas com a diversidade sociocultural e territorial das escolas amazônicas. Estudos recentes desenvolvidos no contexto da Amazônia evidenciam que processos formativos ancorados na reflexão crítica sobre a prática favorecem a ressignificação do ensino da leitura e da escrita, sobretudo quando articulados às experiências concretas dos professores e às realidades locais dos estudantes (Silva-Antunes; Oliveira, 2023).
Essa perspectiva dialoga com os aportes de Nóvoa (2022), ao defender que a formação de professores deve ser construída no interior da própria profissão, a partir da problematização sistemática do trabalho pedagógico, do fortalecimento dos coletivos docentes e da valorização dos saberes produzidos no cotidiano escolar. Nessa mesma direção, Tardif (2021) destaca que os saberes docentes são constituídos na articulação entre conhecimentos acadêmicos, experiências profissionais e contextos socioculturais específicos, o que, no caso amazônico, implica reconhecer as dinâmicas territoriais, comunitárias e linguísticas que atravessam os processos de alfabetização.
Ao discutir a alfabetização como prática social, Soares (2020) enfatiza que ensinar a ler e a escrever exige a compreensão das múltiplas funções sociais da linguagem escrita e das condições concretas de uso da leitura e da escrita na vida dos sujeitos. Tal compreensão torna-se especialmente relevante em territórios marcados por desigualdades históricas, como ocorre em grande parte da região amazônica, onde a escola assume um papel estratégico na ampliação das práticas de letramento e na promoção do direito à educação.
Nessa mesma perspectiva, Kleiman (2020) argumenta que a formação de professores alfabetizadores deve estar orientada por concepções de letramento que considerem os usos sociais da linguagem e os contextos culturais dos estudantes, superando abordagens estritamente técnicas ou metodológicas. Para a autora, a reflexão sobre a prática pedagógica permite ao professor reinterpretar suas ações didáticas, ajustando-as às necessidades reais dos alunos e às especificidades sociolinguísticas dos territórios em que a escola está inserida.
O debate também se articula às contribuições de Rojo e Moura (2019), ao destacarem que os processos de ensino da leitura e da escrita, na contemporaneidade, demandam o reconhecimento da diversidade de linguagens, gêneros discursivos e práticas culturais presentes nos contextos locais. No cenário amazônico, tal abordagem favorece a valorização das narrativas, dos saberes comunitários e das expressões culturais como elementos estruturantes das propostas alfabetizadoras.
Complementarmente, Gatti (2021) ressalta que a formação continuada, quando organizada de modo colaborativo e vinculada aos problemas concretos da escola, contribui para o fortalecimento da autonomia docente e para a construção de propostas pedagógicas mais consistentes. Esse aspecto torna-se fundamental para contextos educacionais marcados por precariedades estruturais e por desafios de acesso à formação, como ocorre em muitas redes de ensino da Amazônia.
Sob uma perspectiva intercultural, Candau (2020) enfatiza que a formação docente precisa incorporar o reconhecimento das diferenças culturais e das desigualdades sociais como princípios estruturantes do trabalho pedagógico. No campo da alfabetização, isso implica construir práticas que dialoguem com os modos de vida, as identidades e as formas de produção de conhecimento das comunidades locais, evitando a imposição de modelos homogêneos e descontextualizados.
Dessa forma, a formação continuada, ao promover espaços coletivos de estudo, planejamento e análise das práticas, favorece a elaboração de propostas didáticas de alfabetização que dialogam com os contextos territoriais amazônicos e com as demandas concretas dos estudantes, contribuindo para a construção de uma educação mais equitativa, culturalmente situada e socialmente referenciada.
Identidade, diferença e processos de alfabetização
A dimensão identitária constitui elemento estruturante para a compreensão dos processos de alfabetização em contextos amazônicos, na medida em que a aprendizagem da leitura e da escrita se articula diretamente às experiências sociais, culturais e territoriais vividas pelos sujeitos. Dutra Pinto e Alves (2025) demonstram que as práticas escolares de alfabetização produzem sentidos que atravessam a constituição das identidades de estudantes e professores, mobilizando sentimentos de pertencimento, reconhecimento e, em muitos casos, de exclusão simbólica.
Ao analisarem narrativas de estudantes e docentes, as autoras evidenciam que a alfabetização não pode ser compreendida apenas como uma etapa do percurso escolar, mas como uma experiência social marcada por relações de poder, por diferenças culturais e por trajetórias de vida profundamente situadas nos territórios amazônicos. Tal compreensão aproxima-se das contribuições de Hall (2019), ao afirmar que as identidades são construções históricas, culturais e discursivas, permanentemente atravessadas por disputas de sentido e por processos de representação.
No campo educacional, Candau (2020) argumenta que a escola, ao lidar com sujeitos socialmente e culturalmente diversos, precisa reconhecer a diferença como valor pedagógico e político, superando práticas homogeneizadoras que tendem a silenciar saberes, culturas e modos de vida. No contexto da alfabetização, esse reconhecimento implica considerar as experiências culturais, linguísticas e comunitárias dos estudantes amazônicos como parte constitutiva das práticas de leitura e escrita.
Essa perspectiva dialoga diretamente com a concepção de letramento como prática social defendida por Street (2014), para quem os usos da escrita estão sempre situados em contextos culturais específicos e atravessados por relações de poder. Assim, os processos de alfabetização não se restringem à aprendizagem de habilidades técnicas, mas envolvem a inserção dos sujeitos em práticas sociais de leitura e escrita que produzem pertencimentos, distinções e posicionamentos sociais.
Barton e Hamilton (2012) reforçam esse entendimento ao afirmarem que os letramentos se organizam a partir das rotinas da vida cotidiana, das relações comunitárias e das condições materiais e simbólicas dos territórios. Em regiões amazônicas, marcadas por diversidade étnica, sociolinguística e cultural, a alfabetização escolar passa a desempenhar um papel decisivo na mediação entre saberes locais e conhecimentos legitimados pela instituição escolar.
No cenário brasileiro, Soares (2020) destaca que alfabetizar supõe compreender a linguagem escrita como prática social, o que exige que a escola considere os contextos de vida dos alunos e as formas pelas quais a leitura e a escrita circulam em suas comunidades. Para a autora, desconsiderar essas dimensões contribui para a produção de fracasso escolar e para o reforço de desigualdades educacionais, especialmente em contextos socialmente vulnerabilizados.
De modo complementar, Kleiman (2020) sustenta que as práticas de letramento escolar, quando desarticuladas das identidades culturais dos estudantes, tendem a produzir distanciamentos entre a escola e os sujeitos. A autora enfatiza que a valorização das experiências socioculturais dos alunos constitui condição fundamental para que a alfabetização se converta em processo de participação social e de fortalecimento identitário.
A discussão também se aproxima das contribuições de Rojo (2013), ao destacar que os processos contemporâneos de ensino da linguagem demandam o reconhecimento da multiplicidade de linguagens, gêneros discursivos e práticas culturais. No contexto amazônico, tal abordagem favorece a incorporação de narrativas locais, saberes tradicionais, práticas orais e expressões culturais como elementos legítimos no trabalho com a leitura e a escrita.
Sob uma perspectiva intercultural crítica, Walsh (2017) aponta que a educação, ao lidar com contextos marcados por colonialidades persistentes, deve problematizar as hierarquias culturais que estruturam os currículos e as práticas pedagógicas. Na alfabetização, isso implica questionar modelos universalizantes de ensino da língua escrita e construir propostas que dialoguem com as identidades, as línguas, os modos de vida e as formas próprias de produção de conhecimento dos povos e comunidades.
Dessa forma, os processos de alfabetização em contextos amazônicos precisam ser compreendidos como práticas sociais atravessadas por disputas simbólicas, por relações de poder e por múltiplas identidades, nas quais a escola ocupa um lugar central na produção de pertencimentos, no reconhecimento das diferenças e na construção de trajetórias educacionais mais justas e culturalmente situadas (Candau, 2020; Street, 2014; Soares, 2020).
Desafios em territórios ribeirinho e periféricos
As pesquisas recentes sobre alfabetização em escolas situadas em territórios ribeirinhos e periféricos da Amazônia evidenciam que os processos de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita são fortemente condicionados por desigualdades estruturais e territoriais. De acordo com Silva (2023), ao analisar as dificuldades estruturais e pedagógicas da educação escolar dos ribeirinhos amazônicos, a autora sugere que devemos reconhecer a área ribeirinha como um espaço social e de constituição de identidade de sujeitos, assim as escolas situadas nessas regiões não devem ser apenas imitações das escolas da cidade, mas sim, escolas que estejam atentas aos seus sujeitos específicos.
Em diálogo com essas análises, Hage e Corrêa (2020) assinalam que as escolas das águas, das florestas e das periferias urbanas operam sob condições institucionais singulares, que exigem políticas educacionais específicas e modelos de organização escolar mais flexíveis. Para os autores, a padronização das políticas curriculares e dos programas de alfabetização tende a desconsiderar os tempos da comunidade, as dinâmicas territoriais e as formas próprias de organização social desses contextos.
Arroyo (2022) contribui ao evidenciar que as desigualdades educacionais no Brasil se articulam diretamente às desigualdades territoriais e socioeconômicas, produzindo novas formas de segregação escolar. No caso dos territórios ribeirinhos e periféricos, a oferta educacional, inclusive nos anos iniciais, permanece marcada por limitações estruturais que impactam o direito à aprendizagem, especialmente no que se refere à alfabetização.
No contexto amazônico, Oliveira e Hage (2021) ressaltam que políticas públicas formuladas a partir de referenciais urbanos e homogêneos tendem a invisibilizar as realidades das comunidades ribeirinhas, quilombolas e das periferias urbanas, comprometendo a construção de propostas pedagógicas socialmente referenciadas. Segundo os autores, a alfabetização, quando orientada por modelos padronizados de ensino, fragiliza o diálogo entre currículo escolar, saberes comunitários e práticas socioculturais locais.
Adicionalmente, Gatti, Barreto e André (2022) argumentam que a efetividade das políticas educacionais e dos programas de formação docente depende da consideração das desigualdades regionais e das condições materiais de funcionamento das escolas. Para as autoras, sem investimentos estruturais e estratégias de apoio pedagógico territorializadas, as propostas de alfabetização tendem a aprofundar as desigualdades já existentes.
Dessa forma, os desafios enfrentados nos territórios ribeirinhos e periféricos da Amazônia reforçam a necessidade de políticas públicas que reconheçam as especificidades territoriais, culturais e institucionais dessas escolas, evitando a reprodução de modelos homogêneos de alfabetização e favorecendo a construção de práticas pedagógicas mais contextualizadas, equitativas e socialmente comprometidas.
Multiletramentos e possibilidades didáticas contemporâneas
As discussões sobre multiletramentos vêm assumindo centralidade nas pesquisas recentes sobre alfabetização e educação linguística, especialmente diante das transformações nos modos de produção, circulação e apropriação dos textos na contemporaneidade. No contexto amazônico, tais debates adquirem particular relevância, uma vez que a diversidade sociocultural, linguística e territorial impõe à escola o desafio de articular práticas de leitura e escrita que integrem linguagens verbais, visuais, sonoras e digitais, de forma socialmente situada.
Queiroz e Tanzi Neto (2024) defendem que práticas pedagógicas fundamentadas na perspectiva dos multiletramentos ampliam as possibilidades de participação dos estudantes nos processos de alfabetização, ao favorecerem a aproximação entre as práticas escolares, as culturas juvenis e as formas contemporâneas de comunicação. Para os autores, a incorporação de gêneros digitais, produções multimodais e atividades colaborativas contribui para o engajamento discente e para a ressignificação dos usos da leitura e da escrita no cotidiano escolar.
Essa compreensão dialoga com as contribuições de Rojo e Moura (2019), ao afirmarem que a escola precisa reconhecer a pluralidade de linguagens, de culturas e de formas de significação presentes na sociedade, deslocando a centralidade exclusiva do texto escrito e incorporando práticas de produção de sentidos que envolvam imagens, vídeos, sons, gestos e recursos digitais. Segundo as autoras, a pedagogia dos multiletramentos se apresenta como alternativa para enfrentar desigualdades educacionais, ao valorizar repertórios culturais historicamente marginalizados no espaço escolar.
De modo convergente, Cope e Kalantzis (2020) argumentam que os multiletramentos constituem uma resposta pedagógica às mudanças sociais, tecnológicas e culturais, propondo práticas didáticas que articulam diversidade linguística, multimodalidade e participação ativa dos estudantes na produção de conhecimento. Para os autores, o trabalho pedagógico com diferentes modos semióticos possibilita ampliar as formas de expressão e de aprendizagem, especialmente em contextos marcados por heterogeneidade cultural.
No campo da alfabetização, Soares (2020) destaca que a aprendizagem da leitura e da escrita, quando compreendida como prática social, deve dialogar com os modos contemporâneos de uso da linguagem, o que inclui práticas digitais e multimodais. Tal perspectiva contribui para superar modelos restritos de alfabetização, centrados exclusivamente na decodificação, e favorece a construção de experiências mais significativas para os estudantes.
Kleiman (2020) reforça que práticas de letramento escolar precisam considerar os contextos socioculturais dos alunos e os diferentes usos da escrita e das linguagens em seus cotidianos. Para a autora, a incorporação de gêneros digitais e multimodais nos processos de alfabetização amplia as possibilidades de participação social e fortalece a relação entre escola e comunidade.
No contexto amazônico, a abordagem dos multiletramentos apresenta elevado potencial para dialogar com narrativas orais, produções audiovisuais comunitárias, registros do cotidiano ribeirinho, indígena e urbano-periférico, bem como com práticas comunicativas mediadas por tecnologias móveis. Estudos recentes sobre educação em territórios amazônicos têm apontado que o uso pedagógico de vídeos, podcasts, fotografias, mapas digitais e relatos multimodais contribui para a valorização dos saberes locais e para a construção de uma didática da alfabetização mais inclusiva, intercultural e socialmente referenciada (QUEIROZ; TANZI NETO, 2024; CANDAU, 2020; ROJO; MOURA, 2019).
Sob uma perspectiva intercultural crítica, Candau (2020) argumenta que a incorporação de múltiplas linguagens e repertórios culturais nas práticas pedagógicas constitui estratégia fundamental para o reconhecimento das diferenças e para o enfrentamento de currículos homogeneizadores. Na alfabetização, tal orientação possibilita que os multiletramentos sejam mobilizados não apenas como recursos tecnológicos, mas como dispositivos pedagógicos de valorização identitária e de fortalecimento da participação social dos estudantes.
Dessa forma, a articulação entre multiletramentos e didática da alfabetização em contextos amazônicos evidencia-se como um caminho promissor para a construção de práticas pedagógicas que reconheçam a diversidade cultural, ampliem as formas de produção de sentidos e favoreçam a inserção crítica dos estudantes nas culturas letradas contemporâneas.
Implicações para políticas públicas e para a formação docente
A consolidação de uma didática da alfabetização socialmente referenciada no contexto amazônico demanda a articulação entre políticas públicas educacionais, formação inicial e continuada de professores e produção de materiais didáticos contextualizados, capazes de dialogar com as realidades socioculturais e territoriais das escolas. Gatti, Barreto e André (2022) destacam que políticas de formação docente que desconsideram as condições concretas de trabalho e os contextos institucionais tendem a apresentar baixo impacto sobre as práticas pedagógicas, especialmente em regiões marcadas por desigualdades históricas, como a Amazônia.
No campo da formação continuada, Nóvoa (2022) argumenta que os processos formativos precisam ser organizados a partir da escola e do trabalho real dos professores, valorizando a reflexão coletiva sobre a prática e a construção de comunidades profissionais de aprendizagem. Tal orientação mostra-se particularmente relevante nos territórios amazônicos, onde os desafios relacionados à infraestrutura, à organização escolar e ao acesso a recursos pedagógicos exigem soluções construídas de forma colaborativa e contextualizada.
Em diálogo com essa perspectiva, Tardif (2021) ressalta que os saberes docentes se constituem a partir da articulação entre conhecimentos acadêmicos, experiências profissionais e saberes produzidos no cotidiano da escola. No caso da alfabetização, reconhecer os saberes construídos por professores que atuam em contextos ribeirinhos, rurais e periféricos implica reconhecer a centralidade das práticas locais na elaboração de propostas didáticas mais efetivas e culturalmente sensíveis.
No contexto amazônico, Oliveira e Hage (2021) enfatizam que a escuta das comunidades e a valorização dos saberes locais configuram princípios fundamentais para a construção de políticas educacionais territorializadas, especialmente nas escolas do campo, das águas e das florestas. Para os autores, políticas públicas formuladas a partir de referenciais homogêneos tendem a invisibilizar as demandas específicas desses territórios, comprometendo a efetividade das ações voltadas à alfabetização.
Candau (2020) acrescenta que políticas educacionais orientadas por uma perspectiva intercultural crítica contribuem para o reconhecimento das diferenças culturais e para o enfrentamento de currículos padronizados, historicamente responsáveis por processos de exclusão escolar. Na alfabetização, essa abordagem favorece a produção de materiais didáticos contextualizados, a incorporação de narrativas locais e a construção de práticas pedagógicas comprometidas com a valorização identitária dos estudantes.
Adicionalmente, Arroyo (2022) destaca que o direito à educação, em territórios socialmente vulnerabilizados, pressupõe políticas que considerem as desigualdades territoriais, as condições de trabalho docente e a organização dos tempos e espaços escolares. Para o autor, a superação de modelos universais de política educacional é condição para a garantia do direito à aprendizagem, especialmente nos anos iniciais do ensino fundamental.
Dessa forma, torna-se imprescindível que as políticas públicas de alfabetização na Amazônia reconheçam as particularidades territoriais da região, especialmente no que se refere à organização do tempo escolar, às condições de trabalho docente e às formas de acompanhamento pedagógico, articulando formação continuada situada, valorização dos saberes locais e produção de materiais didáticos socialmente referenciados como eixos estruturantes da ação educativa.
Considerações Finais
O presente artigo evidenciou que a didática da alfabetização no contexto amazônico se constitui como um campo atravessado por múltiplas dimensões sociais, culturais, territoriais e políticas que desafiam concepções homogeneizadoras de ensino e exigem a construção de propostas pedagógicas socialmente referenciadas. Ao longo da discussão, foi possível compreender que alfabetizar, na Amazônia, implica reconhecer a leitura e a escrita como práticas sociais situadas, profundamente articuladas às identidades, aos modos de vida e às experiências socioculturais de estudantes que vivem em territórios marcados pela diversidade e por desigualdades históricas.
Os diferentes tópicos analisados demonstraram que os processos de alfabetização se fortalecem quando articulados a práticas pedagógicas contextualizadas, capazes de integrar saberes comunitários, narrativas locais, linguagens múltiplas e produções culturais dos territórios ribeirinhos, rurais e periféricos. A incorporação dos multiletramentos revelou-se como possibilidade didática relevante para ampliar as formas de participação dos estudantes, valorizando práticas multimodais, digitais e orais que já fazem parte do cotidiano das comunidades amazônicas, e contribuindo para uma alfabetização mais inclusiva e culturalmente sensível.
A análise dos desafios enfrentados pelas escolas ribeirinhas e periféricas evidenciou que as condições estruturais, a precariedade de infraestrutura, as dificuldades de acesso, a instabilidade na oferta de recursos pedagógicos e as condições de trabalho docente impactam diretamente a organização do ensino da leitura e da escrita. Tais limites não podem ser compreendidos como problemas exclusivamente escolares, mas como expressão de desigualdades territoriais e de políticas públicas historicamente insuficientes para responder às especificidades da região.
A discussão sobre identidade, diferença e alfabetização permitiu aprofundar a compreensão de que os processos de ensino da leitura e da escrita produzem sentidos que atravessam a constituição dos sujeitos, mobilizando pertencimentos, reconhecimentos e, muitas vezes, experiências de silenciamento cultural. Nesse sentido, a alfabetização, quando orientada por perspectivas interculturais críticas, assume papel estratégico na valorização das identidades amazônicas e no enfrentamento de práticas pedagógicas excludentes.
No que se refere à formação docente, os resultados indicam que a consolidação de uma didática da alfabetização no contexto amazônico depende de políticas de formação inicial e continuada que reconheçam os saberes produzidos pelos professores em seus territórios de atuação, valorizem processos formativos baseados na reflexão coletiva sobre a prática e promovam a produção de materiais didáticos contextualizados. A escuta das comunidades, o diálogo com lideranças locais e a incorporação de experiências socioculturais nos processos formativos emergem como estratégias fundamentais para o fortalecimento da escola pública na região.
Diante desse conjunto de evidências, conclui-se que a construção de uma didática da alfabetização socialmente referenciada na Amazônia exige o rompimento com modelos padronizados de ensino, bem como a formulação de políticas educacionais territorializadas, capazes de articular currículo, formação docente, condições de trabalho e acompanhamento pedagógico às realidades concretas das escolas ribeirinhas, rurais e periféricas.
Como desdobramentos para pesquisas futuras, recomenda-se o desenvolvimento de estudos empíricos que investiguem, de forma longitudinal, os impactos de práticas alfabetizadoras contextualizadas sobre a aprendizagem da leitura e da escrita em escolas ribeirinhas e em territórios periféricos urbanos da Amazônia. Sugere-se, ainda, a realização de pesquisas que analisem processos de formação continuada de professores voltados à alfabetização, tomando como foco as estratégias formativas baseadas na escola e no trabalho colaborativo entre docentes.
Também se mostram relevantes investigações que explorem o uso pedagógico de multiletramentos e de tecnologias digitais em contextos de baixo acesso à infraestrutura, buscando compreender limites, possibilidades e estratégias de adaptação às realidades locais. Por fim, indica-se a necessidade de estudos que aprofundem a relação entre políticas públicas de alfabetização, gestão educacional e desigualdades territoriais, contribuindo para a construção de referenciais analíticos que subsidiem a formulação de políticas mais equitativas e sensíveis às especificidades da Amazônia.
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1Doutora em Ciências da Educação, Universidad de la Integración de Las Américas (UNIDA),Asunción, Paraguay. E-mail: rosana.reis2554@gmail.com
2Mestre em Ciências da Educação, Universidad de la Integración de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: marianazarecosta39@gmail.com
3Doutoranda em Ciências da Educação, Universidad de la Integración de Las Américas (UNIDA),Asunción, Paraguay. E-mail nazarebarroso@yahoo.com.br
4Doutora em Ciências da Educação, Universidad de la Integración de Las Américas (UNIDA),Asunción, Paraguay. E-mail: marietemenezes2303@gmail.com
5Mestranda em Ciências da Educação Universidad de la Integración de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: elanevianabezerra@gmail.com
6Doutor em Ciências da Educação, Universidad de la Integración de Las Américas (UNIDA), Asunción, Paraguay. E-mail: atilabio@hotmail.com
