A ESCUTA ATIVA COMO COMPETÊNCIA ESTRATÉGICA NA ADMINISTRAÇÃO: IMPLICAÇÕES PARA LIDERANÇA, COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL E CLIMA DE TRABALHO.

ACTIVE LISTENING AS A STRATEGIC COMPETENCE IN MANAGEMENT: IMPLICATIONS FOR LEADERSHIP, ORGANIZATIONAL COMMUNICATION, AND WORK CLIMATE.

LA ESCUCHA ACTIVA COMO COMPETENCIA ESTRATÉGICA EN LA ADMINISTRACIÓN: IMPLICACIONES PARA EL LIDERAZGO, LA COMUNICACIÓN ORGANIZACIONAL Y EL CLIMA LABORAL.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601241421


Zacarias Samba dos Santos1
Dulce Keitinny Ambuta Belarmino Chipongue2


RESUMO

A escuta ativa tem emergido como uma competência estratégica relevante no campo da Administração, especialmente diante da crescente complexidade dos ambientes organizacionais, das transformações nas formas de liderança e da necessidade de fortalecimento do clima de trabalho. Analisar a escuta ativa como competência estratégica na Administração, discutindo suas implicações para a liderança, a comunicação organizacional e o clima de trabalho, com base em abordagens teóricas contemporâneas e evidências empíricas relevantes, incluindo realidades africanas, como a angolana. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de natureza teórica, desenvolvida por meio de uma revisão narrativa e analítica da literatura nacional e internacional, abrangendo contribuições da Administração, Psicologia Organizacional e Estudos de Comunicação. Os resultados evidenciam que a escuta ativa transcende a dimensão individual e pode ser compreendida como uma capacidade organizacional, capaz de ampliar a base informacional, reduzir vieses decisórios, fortalecer relações de confiança e promover ambientes de trabalho mais colaborativos e éticos. Observa-se ainda que a escuta ativa se articula de forma consistente com estilos contemporâneos de liderança transformacional, participativa, servidora e ética contribuindo para maior legitimidade da autoridade gerencial e melhoria do clima organizacional. Conclui-se que a institucionalização da escuta ativa, integrada às práticas de gestão de pessoas, cultura organizacional e estratégia, constitui um fator crítico para a qualidade das decisões, a aprendizagem organizacional e a sustentabilidade das organizações, embora ainda existam desafios relacionados à sua mensuração e incorporação sistemática nas estruturas formais de gestão.

Palavras-chave: escuta ativa; administração; liderança; comunicação organizacional; clima organizacional.

ABSTRACT 

Active listening has emerged as a relevant strategic competence in the field of Administration, particularly in view of the increasing complexity of organizational environments, transformations in leadership approaches, and the need to strengthen the work climate. This article aims to analyze active listening as a strategic competence in Administration, discussing its implications for leadership, organizational communication, and the work climate, based on contemporary theoretical approaches and relevant empirical evidence, including African contexts such as Angola. Methodologically, the study is characterized as a qualitative theoretical research, developed through a narrative and analytical review of national and international literature, encompassing contributions from Administration, Organizational Psychology, and Communication Studies. The results indicate that active listening goes beyond the individual dimension and can be understood as an organizational capability, capable of expanding the informational base, reducing decision-making biases, strengthening trust relationships, and promoting more collaborative and ethical work environments. Furthermore, active listening is consistently associated with contemporary leadership styles transformational, participative, servant, and ethical contributing to greater managerial legitimacy and improvements in organizational climate. It is concluded that the institutionalization of active listening, integrated into people management practices, organizational culture, and strategy, constitutes a critical factor for decision quality, organizational learning, and long-term sustainability, although challenges remain regarding its measurement and systematic incorporation into formal management structures.

Keywords: active listening; administration; leadership; organizational communication; organizational climate.

RESUMEN 

La escucha activa ha emergido como una competencia estratégica relevante en el campo de la Administración, especialmente ante la creciente complejidad de los entornos organizacionales, las transformaciones en los estilos de liderazgo y la necesidad de fortalecer el clima laboral. Este artículo tiene como objetivo analizar la escucha activa como competencia estratégica en la Administración, discutiendo sus implicaciones para el liderazgo, la comunicación organizacional y el clima de trabajo, con base en enfoques teóricos contemporáneos y evidencias empíricas relevantes, incluyendo realidades africanas como la angolana. Metodológicamente, el estudio se caracteriza como una investigación cualitativa de naturaleza teórica, desarrollada mediante una revisión narrativa y analítica de la literatura nacional e internacional, abarcando aportes de la Administración, la Psicología Organizacional y los Estudios de la Comunicación. Los resultados evidencian que la escucha activa trasciende la dimensión individual y puede comprenderse como una capacidad organizacional, capaz de ampliar la base informativa, reducir sesgos en la toma de decisiones, fortalecer relaciones de confianza y promover entornos de trabajo más colaborativos y éticos. Asimismo, se observa que la escucha activa se articula de manera consistente con estilos contemporáneos de liderazgo —transformacional, participativo, servidor y ético— contribuyendo a una mayor legitimidad de la autoridad directiva y a la mejora del clima organizacional. Se concluye que la institucionalización de la escucha activa, integrada a las prácticas de gestión de personas, cultura organizacional y estrategia, constituye un factor crítico para la calidad de las decisiones, el aprendizaje organizacional y la sostenibilidad de las organizaciones, aunque persisten desafíos relacionados con su medición y su incorporación sistemática en las estructuras formales de gestión.

Palabras clave: escucha activa; administración; liderazgo; comunicación organizacional; clima organizacional.

1. INTRODUÇÃO.

A comunicação organizacional constitui um dos pilares centrais da Administração contemporânea, exercendo influência direta sobre os processos de liderança, coordenação do trabalho, tomada de decisão, gestão de conflitos e construção do clima organizacional. Em nível internacional, estudos recentes indicam que organizações inseridas em contextos caracterizados por elevada complexidade, diversidade cultural, transformação digital e pressão por resultados sustentáveis demandam competências comunicacionais que ultrapassem modelos meramente instrumentais ou unidirecionais, (Men, Yue & Liu, 2020; Tourish, 2020). Nesse cenário, cresce o reconhecimento de que a eficácia gerencial depende não apenas da capacidade de transmitir informações, mas, sobretudo, da habilidade de compreender, interpretar e integrar as perspectivas dos diferentes atores organizacionais.

Tradicionalmente, a teoria administrativa privilegiou abordagens de comunicação centradas no controle, na hierarquia e na eficiência operacional, em consonância com paradigmas clássicos e burocráticos da gestão. Contudo, transformações sociais, tecnológicas e culturais ocorridas nas últimas décadas como a intensificação do trabalho colaborativo, a valorização do capital humano e o foco em bem-estar e engajamento têm impulsionado uma reconfiguração do papel da comunicação nas organizações. Nesse contexto, a escuta ativa emerge como uma competência estratégica associada à liderança relacional, à comunicação dialógica e à construção de ambientes de trabalho psicologicamente seguros (Edmondson, 2019; Brown, 2018).

A escuta ativa ultrapassa a simples audição passiva, configurando-se como um processo cognitivo, emocional e comportamental que envolve atenção plena, empatia, interpretação crítica e resposta construtiva. Estudos recentes evidenciam que líderes capazes de escutar ativamente favorecem maiores níveis de confiança, comprometimento, inovação e aprendizagem organizacional, além de contribuírem para a redução de conflitos e rotatividade de pessoal (Rogers & Farson, 2015; Kluger & Itzchakov, 2022). Apesar desses avanços, a literatura administrativa ainda trata a escuta ativa de forma fragmentada, frequentemente subordinada a estudos de comunicação interpessoal ou psicologia organizacional, carecendo de maior sistematização no campo da Administração.

No contexto africano e, em particular, angolano, a relevância da escuta ativa adquire contornos específicos. Organizações angolanas operam em ambientes marcados por diversidade sociocultural, desafios de liderança, processos de modernização institucional e necessidade de fortalecimento do clima organizacional. Pesquisas locais indicam que práticas comunicacionais predominantemente hierárquicas e pouco participativas ainda são recorrentes, o que pode comprometer o engajamento dos trabalhadores, a gestão de conflitos e a eficácia das decisões gerenciais (Amaral & Domingos, 2021; INE, 2023). Assim, torna-se pertinente analisar a escuta ativa como competência estratégica capaz de apoiar processos de liderança mais inclusivos, éticos e orientados ao desempenho sustentável nas organizações angolanas.

1.1 Situação problemática

Apesar do reconhecimento crescente da importância da comunicação eficaz na Administração, observa-se uma lacuna teórica e prática no tratamento sistemático da escuta ativa como competência estratégica de liderança. Predominam, tanto na literatura quanto nas práticas organizacionais, modelos comunicacionais centrados na emissão de mensagens, no controle hierárquico e na racionalidade instrumental, negligenciando o papel da escuta na construção de confiança, no clima organizacional e na qualidade das decisões. No contexto angolano, essa lacuna é agravada por práticas gerenciais pouco participativas, o que levanta a necessidade de aprofundar a análise da escuta ativa enquanto recurso estratégico para a liderança e a gestão organizacional.

1.2 Objetivo geral

Analisar a escuta ativa como competência estratégica na Administração, discutindo suas implicações para a liderança, a comunicação organizacional e o clima de trabalho, com base em abordagens teóricas contemporâneas e evidências empíricas relevantes.

1.3 Objetivos específicos

  • Conceituar a escuta ativa no contexto da Administração e da comunicação organizacional;
  • Analisar a relação entre escuta ativa, liderança e processos decisórios;
  • Examinar as implicações da escuta ativa para o clima organizacional e a gestão de conflitos;
  • Discutir a relevância da escuta ativa para organizações contemporâneas, com ênfase no contexto angolano.

2. METODOLOGIA.

O presente artigo caracteriza-se como um estudo qualitativo de natureza teórica, desenvolvido a partir de uma revisão narrativa da literatura nacional e internacional sobre escuta ativa no contexto organizacional. A abordagem qualitativa mostrou-se adequada por permitir a análise aprofundada de conceitos, pressupostos teóricos e relações interpretativas associadas à comunicação, liderança e clima de trabalho, aspetos que não se reduzem a mensurações estritamente quantitativas.

A revisão narrativa foi adotada como estratégia metodológica em razão de seu potencial para integrar diferentes correntes teóricas, escolas de pensamento e níveis de análise, possibilitando uma compreensão ampla e contextualizada do fenômeno investigado.

O corpus teórico analisado incluiu obras clássicas e estudos contemporâneos relacionados à escuta ativa, empatia, comunicação organizacional, liderança e clima organizacional. A seleção das fontes baseou-se em critérios de relevância científica, reconhecimento acadêmico dos autores, atualidade das publicações (com ênfase em estudos dos últimos dez anos) e pertinência ao objetivo do estudo. Foram consultados livros, artigos científicos publicados em periódicos indexados, relatórios institucionais e capítulos de obras coletivas disponíveis em bases reconhecidas, como Scopus, Web of Science, Google Scholar e portais institucionais.

O processo de análise assumiu caráter interpretativo e analítico, buscando articular conceitos-chave, identificar categorias teóricas recorrentes e estabelecer relações entre escuta ativa, práticas de liderança, processos comunicacionais e clima organizacional. Essa estratégia permitiu não apenas descrever abordagens existentes, mas também problematizar limitações, lacunas e possibilidades de avanço teórico no tratamento da escuta ativa como competência estratégica na Administração.

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: 

3.1. Evolução das abordagens de comunicação nas organizações

A comunicação organizacional tem passado por um processo de evolução teórica significativo no campo da Administração, acompanhando transformações nos modelos de gestão, nas relações de trabalho e na compreensão do papel dos indivíduos nas organizações. Essa evolução pode ser compreendida a partir da transição entre abordagens instrumentais, centradas na transmissão da informação, e abordagens contemporâneas de natureza relacional, simbólica e dialógica, que reconhecem a comunicação como processo estratégico e constitutivo da vida organizacional.

3.1.1. Modelo instrumental e linear de comunicação

As abordagens iniciais da comunicação nas organizações foram fortemente influenciadas pelo paradigma racional-instrumental da Administração Científica e pela Teoria Clássica. Nesse modelo, a comunicação era concebida como um processo linear, no qual uma mensagem é emitida por um emissor, transmitida por um canal e recebida por um destinatário, com o objetivo principal de garantir eficiência, controle e previsibilidade (Shannon & Weaver, 1949; Morgan, 2006).

Essa concepção privilegiava fluxos verticais, predominantemente descendentes, associados à autoridade formal e à hierarquia. A eficácia comunicacional era medida pela clareza da mensagem e pela obediência às instruções, desconsiderando dimensões subjetivas como interpretação, emoção e contexto social. Embora esse modelo tenha contribuído para a organização de sistemas formais de informação, mostrou-se limitado para lidar com ambientes organizacionais complexos e dinâmicos (Cornelissen, 2020).

3.1.2. Modelo relacional, simbólico e dialógico

A partir da segunda metade do século XX, críticas ao reducionismo funcionalista impulsionaram abordagens que passaram a compreender a comunicação como processo social e simbólico. Influenciadas pela sociologia, pela psicologia social e pelos estudos organizacionais críticos, essas perspectivas enfatizam que a comunicação não apenas transmite informações, mas constrói significados, identidades e relações de poder (Putnam, Nicotera & McPhee, 2018)

O modelo relacional e dialógico reconhece a interação, a escuta e a negociação de sentidos como elementos centrais do processo comunicacional. Nesse enfoque, comunicar implica dialogar, interpretar e cocriar entendimentos compartilhados. A comunicação deixa de ser unidirecional e passa a ser entendida como prática contínua de coordenação social, na qual todos os atores organizacionais participam ativamente (Cooren, 2020).

3.1.3. Comunicação como processo estratégico

No contexto contemporâneo, a comunicação organizacional é amplamente reconhecida como um recurso estratégico, diretamente associado à liderança, ao desempenho, à inovação e ao clima organizacional. Estudos recentes indicam que organizações com práticas comunicacionais abertas e participativas apresentam maior engajamento dos colaboradores, melhor qualidade decisória e maior capacidade de adaptação às mudanças (Men & Bowen, 2017; Tourish, 2020).

Essa concepção estratégica supera a visão da comunicação como função meramente operacional ou de suporte. A comunicação passa a ser integrada aos processos decisórios, à gestão da mudança e à construção de alinhamento estratégico. Nesse sentido, competências comunicacionais, como a escuta ativa, tornam-se essenciais para a eficácia da gestão e para a sustentabilidade organizacional.

3.1.4. Comunicação, poder, cultura e coordenação organizacional

A comunicação organizacional também desempenha papel central na configuração das relações de poder e na reprodução da cultura organizacional. Por meio da comunicação, normas são legitimadas, valores são compartilhados e práticas são naturalizadas. Ao mesmo tempo, a comunicação pode funcionar como espaço de contestação e transformação, dependendo de como as vozes são incluídas ou silenciadas (Mumby, 2019).

Além disso, a coordenação das atividades organizacionais depende da capacidade de alinhar expectativas, interpretar informações e responder coletivamente a problemas. Modelos comunicacionais baseados exclusivamente na transmissão tendem a fragilizar essa coordenação, especialmente em contextos que exigem colaboração interfuncional e aprendizagem contínua (Weick, Sutcliffe & Obstfeld, 2005).

3.1.5. Limitações das abordagens tradicionais centradas na transmissão da informação

Apesar de sua relevância histórica, as abordagens tradicionais apresentam limitações significativas quando aplicadas a realidades organizacionais contemporâneas. A ênfase excessiva na transmissão ignora fatores como ambiguidade, subjetividade e emoção, além de subestimar o papel da escuta e do feedback no processo comunicacional (Tourish, 2020).

Essas limitações contribuem para falhas de comunicação, conflitos mal geridos, baixa confiança e deterioração do clima organizacional. Assim, torna-se necessário adotar abordagens mais integradoras, que reconheçam a comunicação como prática relacional e estratégica. É nesse contexto que a escuta ativa emerge como competência-chave, capaz de superar os déficits dos modelos tradicionais e fortalecer a comunicação organizacional orientada ao diálogo, à participação e à construção coletiva de sentido.

3.2. Escuta ativa: fundamentos conceituais e psicológicos.

A escuta ativa constitui o conceito central deste estudo e deve ser compreendida como uma competência complexa, de natureza cognitiva, emocional e relacional, que ultrapassa a simples recepção de mensagens verbais. Diferentemente de abordagens instrumentais da comunicação, a escuta ativa pressupõe envolvimento consciente do ouvinte, orientação ao outro e construção compartilhada de significado, assumindo papel estratégico nos processos de liderança, coordenação e tomada de decisão nas organizações.

3.2.1. Origem do conceito de escuta ativa na psicologia humanista.

O conceito de escuta ativa tem suas raízes na psicologia humanista, particularmente nos trabalhos de Carl Rogers, no contexto da abordagem centrada na pessoa. Para Rogers (1957, 1961), a escuta genuína constitui condição essencial para o desenvolvimento humano, o aprendizado e a mudança, ao lado da empatia, da congruência e da aceitação positiva incondicional.

Nesse enquadramento teórico, escutar ativamente significa compreender o mundo interno do outro “como se” fosse o próprio, sem perder a condição de observador. Essa concepção rompe com modelos comunicacionais autoritários e assimétricos, influenciando posteriormente campos como a educação, a mediação de conflitos, a liderança e a comunicação organizacional (Rogers & Farson, 1957).

3.2.2. Escuta ativa como processo cognitivo, emocional e relacional

A literatura contemporânea reconhece a escuta ativa como um processo multidimensional. No plano cognitivo, envolve atenção seletiva, interpretação, memória e capacidade de síntese da informação recebida. No plano emocional, requer empatia, autorregulação e sensibilidade às emoções expressas explicitamente ou de forma implícita. No plano relacional, a escuta ativa fortalece vínculos, confiança e cooperação entre os interlocutores (Brownell, 2012; Goleman, Boyatzis & McKee, 2013).

Pesquisas recentes indicam que líderes capazes de escutar ativamente promovem ambientes psicológicos mais seguros, nos quais os indivíduos se sentem encorajados a expressar ideias, dúvidas e preocupações, favorecendo a aprendizagem coletiva e a inovação (Edmondson & Lei, 2014).

3.2.3. Diferença entre ouvir, escutar e escuta ativa

Do ponto de vista conceitual, é fundamental distinguir entre ouvir, escutar e escuta ativa. Ouvir refere-se a um processo fisiológico passivo, associado à percepção sonora. Escutar implica atenção consciente e intenção de compreender a mensagem. A escuta ativa, por sua vez, vai além da escuta atenta, envolvendo resposta empática, validação do interlocutor e participação ativa na interação comunicacional (Brownell, 2012).

Essa distinção é particularmente relevante no contexto organizacional, onde a sobrecarga informacional e a pressão por resultados favorecem práticas comunicacionais superficiais, limitando a compreensão mútua e aumentando a probabilidade de conflitos, erros decisórios e deterioração do clima de trabalho (Tourish, 2020).

Conforme sintetizado na Tabela 1, a distinção entre ouvir, escutar e escuta ativa evidencia níveis progressivos de envolvimento cognitivo, emocional e relacional, sendo a escuta ativa a modalidade com maior potencial para fortalecer a comunicação organizacional, a liderança e o clima de trabalho.

Tabela 1. Diferença entre ouvir, escutar e escuta ativa no contexto organizacional.

Nota. Elaboração própria com base em Rogers (1961), Bodie (2011) e Brownell (2012).

3.2.4. Componentes da escuta ativa.

A escuta ativa não constitui um comportamento isolado ou intuitivo, mas um conjunto articulado de componentes cognitivos, emocionais e comportamentais que operam de forma interdependente. A eficácia desse processo depende menos da presença pontual de um único elemento e mais da integração dinâmica entre atenção, empatia, feedback e suspensão de julgamentos. A compreensão aprofundada desses componentes é fundamental para sua aplicação consistente em contextos organizacionais complexos.

A atenção plena representa o ponto de partida da escuta ativa. Trata-se da capacidade de direcionar conscientemente os recursos cognitivos ao interlocutor, minimizando distrações externas (ruídos, interrupções tecnológicas) e internas (pensamentos automáticos, pressa decisória ou antecipação de respostas). Diferentemente da atenção superficial, a atenção plena implica presença psicológica, permitindo captar não apenas o conteúdo explícito da mensagem, mas também sinais paralinguísticos, como entonação, pausas e linguagem corporal. Estudos como o de Brownell (2012), indicam que a ausência de atenção plena é uma das principais fontes de ruído comunicacional e falhas interpretativas nas organizações.

A empatia constitui o componente emocional central da escuta ativa. Ela refere-se à capacidade de compreender o ponto de vista do outro e reconhecer suas emoções sem necessariamente concordar com elas. Na perspectiva rogeriana, a empatia envolve “entrar no mundo perceptivo do outro” preservando a própria identidade do ouvinte (Rogers, 1961). Em ambientes organizacionais, a empatia favorece relações de confiança, reduz defensividade e cria condições para o diálogo construtivo, especialmente em situações de conflito, feedback corretivo ou tomada de decisão sob incerteza. Pesquisas recentes associam a empatia à liderança eficaz e ao fortalecimento do clima psicológico positivo no trabalho (Goleman et al., 2013; Edmondson & Lei, 2014).

O feedback corresponde à dimensão comportamental da escuta ativa e funciona como evidência observável de que a mensagem foi compreendida. Ele pode manifestar-se por meio de paráfrases, perguntas de esclarecimento, sínteses parciais e sinais não verbais, como acenos de cabeça ou contato visual. O feedback adequado não interrompe o fluxo comunicacional nem impõe interpretações, mas valida o interlocutor e permite ajustes mútuos de sentido. Bodie (2011) destaca que o feedback empático reduz ambiguidades, previne mal-entendidos e amplia a percepção de justiça interpessoal nas interações organizacionais.

A suspensão de julgamentos refere-se à capacidade de reconhecer e conter avaliações automáticas, preconceitos e vieses cognitivos durante a escuta. Esse componente exige autorregulação emocional e consciência metacognitiva, pois os indivíduos tendem a interpretar mensagens a partir de experiências prévias, estereótipos ou interesses próprios. A suspensão do julgamento não implica neutralidade absoluta, mas disposição para adiar conclusões até que a mensagem seja plenamente compreendida. Em contextos organizacionais, essa habilidade é particularmente relevante para evitar escaladas de conflito, decisões precipitadas e deterioração das relações de trabalho, (Tourish, 2020).

A integração desses componentes é o que distingue a escuta ativa de práticas comunicacionais fragmentadas. A atenção plena sem empatia pode resultar em compreensão técnica, porém fria e distante; a empatia sem feedback dificulta a validação do interlocutor; o feedback sem suspensão de julgamentos pode ser percebido como manipulação ou controle. Somente a articulação equilibrada desses elementos permite que a escuta ativa cumpra sua função estratégica: promover compreensão mútua, aprendizagem organizacional, qualidade decisória e fortalecimento do clima de trabalho. Dessa forma, a escuta ativa deve ser compreendida como uma competência sistêmica, desenvolvida por meio de prática deliberada e sustentada por valores organizacionais orientados ao diálogo e ao respeito mútuo.

3.2.5. Escuta ativa como competência socioemocional.

Nos estudos contemporâneos sobre competências socioemocionais, a escuta ativa é reconhecida como habilidade-chave da inteligência emocional e da liderança relacional. Ela contribui para a autorregulação, a empatia social e a eficácia interpessoal, sendo considerada fator crítico para o exercício de lideranças éticas, inclusivas e participativas (Goleman et al., 2013; Boyatzis, 2018).

No campo da Administração, essa competência assume caráter estratégico, pois influencia diretamente o clima organizacional, a qualidade das decisões e a sustentabilidade das relações de trabalho. Assim, a escuta ativa não deve ser tratada como atributo individual isolado, mas como prática organizacional a ser desenvolvida, incentivada e institucionalizada.

3.3. Escuta ativa e liderança contemporânea.

A liderança contemporânea tem sido progressivamente reinterpretada à luz de abordagens que superam a visão tradicional centrada na autoridade formal e no controle hierárquico. Em contextos organizacionais marcados por complexidade, diversidade e mudança contínua, a eficácia da liderança passa a depender, em grande medida, de competências relacionais e comunicacionais. Nesse cenário, a escuta ativa emerge como uma competência-chave, capaz de sustentar práticas de liderança mais legítimas, participativas e orientadas ao desenvolvimento humano.

3.3.1. Escuta ativa como competência central da liderança moderna.

A literatura recente em liderança enfatiza que liderar não se resume à capacidade de influenciar por meio de decisões e diretrizes, mas envolve compreender expectativas, necessidades e percepções dos liderados. A escuta ativa desempenha papel central nesse processo, pois permite ao líder captar informações explícitas e implícitas, interpretar emoções e construir respostas mais adequadas às situações organizacionais (North & Kumta, 2023).

Pesquisas indicam que líderes que praticam escuta ativa tendem a apresentar maior eficácia comunicacional, níveis mais elevados de confiança por parte das equipes e melhor qualidade nas decisões gerenciais (Bodie et al., 2020). Assim, a escuta ativa não deve ser compreendida como habilidade acessória, mas como um elemento estruturante do exercício da liderança contemporânea.

Finuras (2018 citado por Samba dos Santos 2024), assegura que a escuta não se cinge a um simples feedback. Um líder tem de saber escutar ativamente e com atenção, tanto aquilo que é dito, como aquilo que fica por dizer, e deve saber relembrar o que ouviu quando necessário. Por isso, normalmente, deve perguntar mais do que responder. É assim que demonstra genuíno interesse pelos membros do seu grupo e pelos problemas que eles enfrentam e que têm de ultrapassar. 

Esta simbiose bem implementada logo se traduz em um clima organizacional, agradável, desenvolvido e direcionado ao cumprimento das metas organizacionais. Onde todos colaboram para o bem comum.

3.3.2. Escuta ativa e estilos contemporâneos de liderança.

A relevância da escuta ativa torna-se ainda mais evidente quando analisada em articulação com diferentes estilos de liderança amplamente discutidos na literatura.

Na liderança transformacional, a escuta ativa é fundamental para compreender as motivações individuais dos colaboradores e alinhar objetivos pessoais e organizacionais. Líderes transformacionais utilizam a escuta para inspirar, estimular intelectualmente e promover o desenvolvimento dos seguidores, criando vínculos baseados em confiança e reconhecimento (Bass & Riggio, 2006).

Na liderança servidora, a escuta ativa assume posição central, uma vez que esse modelo enfatiza o líder como alguém que serve à equipe. A capacidade de escutar profundamente os membros da organização é vista como condição para apoiar seu crescimento, bem-estar e desempenho, reforçando relações horizontais e colaborativas (Greenleaf, 2002; Eva et al., 2019).

A liderança participativa também se apoia fortemente na escuta ativa, ao incentivar a inclusão dos colaboradores nos processos decisórios. Nesse modelo, escutar diferentes perspectivas contribui para decisões mais robustas, maior comprometimento das equipes e fortalecimento do senso de pertença organizacional (Yukl, 2020).

No caso da liderança republicana, também tem uma inclinação forte a escuta ativa dada sua natureza ligada a agentes participantes no processo organizacional e suas necessidades. Segundo Samba dos Santos (2024) na sua abordagem sobre este estilo de liderança, sobre todo quando faz referência a capacidade de ouvir que um líder deve ter na ora de mediar conflitos: 

“Um líder deve aprender a ouvir os dois lados para melhor julgar ou tomar decisões e não apenas um pois, quando se limita a ouvir uma única parte é o mesmo que dizer que não está interessado a liderar com todos” (p.42).

Em linha com este pensamento, o mesmo autor acrescenta que a liderança republicana se revê em princípios como a “comunicação não violenta: ter empatia, compaixão, objetivo nas decisões e, sobretudo, garantir o atendimento de todos, não criar ruídos na comunicação (retirar a fofoca, criação de alas, ouvir e priorizar alguns de forma seletiva)” (Samba dos Santos, 2024, p.42). 

Por fim, na liderança ética, a escuta ativa é entendida como prática moral, associada ao respeito, à justiça e à dignidade dos indivíduos. Líderes éticos utilizam a escuta para compreender os impactos de suas decisões e para criar espaços seguros de expressão, o que reforça a integridade e a responsabilidade organizacional (Brown et al., 2005). 

3.3.3. Liderança, autoridade e abertura ao diálogo.

A incorporação da escuta ativa no exercício da liderança implica uma redefinição da relação entre autoridade e diálogo. Ao contrário de enfraquecer a autoridade do líder, a abertura à escuta tende a fortalecê-la, ao deslocar a legitimidade do poder formal para o reconhecimento social construído na interação cotidiana.

Estudos contemporâneos indicam que líderes que demonstram disposição genuína para escutar são percebidos como mais justos, acessíveis e competentes, o que contribui para maior aceitação de decisões, mesmo em contextos adversos (Schein & Schein, 2018). Dessa forma, a escuta ativa atua como mecanismo de regulação simbólica da autoridade, equilibrando poder e participação.

3.3.4. Escuta ativa como base da legitimidade da liderança

A legitimidade da liderança, entendida como o reconhecimento voluntário da autoridade do líder pelos liderados, está fortemente associada à qualidade das interações comunicacionais. A escuta ativa contribui para essa legitimidade ao sinalizar respeito, consideração e valorização das contribuições individuais.

Do ponto de vista organizacional, líderes que escutam ativamente tendem a construir relações de confiança duradouras, reduzir resistências e promover maior engajamento coletivo. Assim, a escuta ativa funciona como um recurso simbólico que sustenta a liderança para além da posição hierárquica formal (Alvesson & Kärreman, 2016).

3.3.5. Escuta ativa e liderança no contexto angolano

No contexto angolano, a temática da liderança ainda é fortemente influenciada por modelos hierárquicos e centralizados, especialmente em organizações públicas e em empresas de grande porte. Estudos realizados em instituições angolanas indicam que estilos de liderança autoritários e comunicação predominantemente vertical continuam a impactar negativamente a participação dos trabalhadores e o clima organizacional (Silva & Domingos, 2020).

Entretanto, pesquisas mais recentes desenvolvidas em Angola apontam sinais de mudança, sobretudo em organizações que investem em formação gerencial e desenvolvimento de competências socioemocionais. Nesses contextos, a escuta ativa tem sido identificada como fator relevante para a melhoria das relações de trabalho, da motivação e do desempenho das equipes (Ferreira & Manuel, 2022).

A análise desses estudos sugere que a incorporação sistemática da escuta ativa pode contribuir significativamente para a modernização das práticas de liderança em Angola, favorecendo modelos mais participativos, éticos e orientados ao diálogo. Assim, a escuta ativa apresenta-se não apenas como competência individual, mas como instrumento estratégico para o fortalecimento institucional e a sustentabilidade organizacional no país.

3.4. Escuta ativa e qualidade da tomada de decisão gerencial

A tomada de decisão constitui um dos núcleos centrais da função gerencial e exerce impacto direto sobre o desempenho organizacional, a alocação de recursos e a sustentabilidade das estratégias adotadas. Em contextos organizacionais cada vez mais complexos e incertos, decisões baseadas exclusivamente em informações formais ou em racionalidade limitada mostram-se insuficientes. Nesse cenário, a escuta ativa emerge como um recurso estratégico que qualifica o processo decisório ao ampliar a compreensão da realidade organizacional, reduzir vieses e favorecer decisões mais éticas e sustentáveis.

3.4.1. Tomada de decisão em contextos organizacionais complexos

A literatura contemporânea reconhece que a tomada de decisão gerencial ocorre, majoritariamente, sob condições de incerteza, ambiguidade e informação incompleta. Modelos clássicos de racionalidade plena foram progressivamente substituídos por abordagens que enfatizam a racionalidade limitada, os fatores cognitivos e a influência do contexto social nas decisões (Simon, 1997; March, 2010).

Em ambientes organizacionais complexos, caracterizados por múltiplos stakeholders, mudanças rápidas e interdependência entre processos, decisões eficazes exigem não apenas dados quantitativos, mas também compreensão das percepções, experiências e expectativas dos diferentes atores envolvidos. Nesse sentido, a comunicação e, em particular, a escuta ativa assumem papel central como mecanismos de sensemaking organizacional (Weick, Sutcliffe, & Obstfeld, 2005).

A relação entre escuta ativa e qualidade da tomada de decisão gerencial pode ser sistematizada por meio de componentes específicos que influenciam o processo decisório em diferentes dimensões. Conforme apresentado na Tabela 2, a escuta ativa atua ampliando a base informacional disponível para o gestor, promovendo atenção plena às informações explícitas e tácitas, incentivando feedback construtivo e permitindo a suspensão de julgamentos precipitados.

Tabela 2. Componentes e características da tomada de decisão associada à escuta ativa.

Nota. Elaboração própria com base em Kahneman (2011), Edmondson (2019) e Bodie et al. (2020).

3.4.2. Escuta ativa como ampliação da base informacional para a decisão

A escuta ativa contribui diretamente para a ampliação da base informacional que sustenta a tomada de decisão gerencial. Ao escutar atentamente colaboradores, clientes e outros stakeholders, o gestor tem acesso a conhecimentos tácitos, sinais fracos e informações contextuais que dificilmente são capturados por sistemas formais de informação.

Estudos indicam que líderes que praticam escuta ativa conseguem integrar múltiplas perspectivas ao processo decisório, o que aumenta a qualidade das decisões e reduz o risco de soluções simplistas ou desalinhadas com a realidade operacional (Bodie et al., 2020). Dessa forma, a escuta ativa atua como complemento indispensável às análises técnicas, favorecendo decisões mais informadas e contextualizadas.

3.4.3. Redução de vieses cognitivos no processo decisório

A tomada de decisão gerencial é fortemente influenciada por vieses cognitivos, como excesso de confiança, ancoragem, confirmação de crenças e resistência a informações dissonantes. Esses vieses podem comprometer seriamente a qualidade das decisões e gerar impactos negativos de longo prazo (Kahneman, 2011).

A escuta ativa contribui para mitigar tais vieses ao estimular a abertura cognitiva e a consideração de pontos de vista alternativos. Ao suspender julgamentos precipitados e valorizar a escuta de opiniões divergentes, o gestor cria condições para decisões mais equilibradas e reflexivas. Pesquisas recentes sugerem que práticas deliberadas de escuta reduzem a tendência à tomada de decisão defensiva e aumentam a capacidade de aprendizagem organizacional a partir de erros (Edmondson, 2019).

3.4.4. Escuta ativa, ética e sustentabilidade das decisões.

Além de melhorar a qualidade técnica das decisões, a escuta ativa exerce impacto significativo sobre a dimensão ética e sustentável da gestão. Decisões gerenciais afetam pessoas, comunidades e o meio ambiente, tornando imprescindível a consideração de múltiplos interesses e consequências.

A escuta ativa favorece decisões mais éticas ao permitir que vozes frequentemente marginalizadas sejam ouvidas, promovendo justiça procedimental e transparência. Estudos sobre liderança ética indicam que gestores que escutam ativamente tendem a adotar decisões mais responsáveis, sensíveis ao impacto social e alinhadas a valores organizacionais (Brown et al., 2005; Treviño et al., 2014).

No longo prazo, decisões fundamentadas em escuta ativa contribuem para a sustentabilidade organizacional, ao fortalecer relações de confiança, reduzir conflitos e aumentar a legitimidade das escolhas gerenciais. Assim, a escuta ativa configura-se como um elemento estratégico para a construção de decisões que conciliam desempenho econômico, responsabilidade social e bem-estar organizacional.

3.4.5. Contextualização em Angola.

Em organizações angolanas, pesquisas recentes indicam que a tomada de decisão ainda é frequentemente centralizada e baseada em informações formais, com limitada participação dos colaboradores. Estudos realizados em empresas públicas e privadas em Luanda e outras províncias mostram que gestores que incorporam práticas de escuta ativa conseguem (Santos & Pereira, 2022; Dala, 2021):

  • Melhorar a inclusão de diferentes perspectivas nos processos decisórios.
  • Reduzir conflitos internos decorrentes de falta de comunicação e percepções divergentes.
  • Aumentar legitimidade e aceitação de decisões estratégicas, especialmente em contextos de reformas administrativas e implementação de normas de governança corporativa. 

A escuta ativa em Angola ainda enfrenta desafios como cultura organizacional hierárquica, desconfiança em canais de feedback e deficiência em capacitação gerencial, o que reforça a necessidade de treinamento em competências socioemocionais e metodologias participativas.

Embora existam poucos estudos específicos que tratem diretamente da escuta ativa aplicada ao processo decisório, pesquisas correlatas sobre comunicação, liderança e motivação organizacional oferecem evidências importantes da relevância de práticas comunicacionais mais participativas para a eficácia gerencial. Tal é o caso de Chimuco (2015), que conduziu um estudo de caso em uma organização turística angolana e concluiu que a confiança depositada pelos membros da equipe no líder e a forma como este gere o negócio exercem influência positiva na comunicação interna, sugerindo que relações comunicacionais mais abertas tendem a favorecer sua eficácia, o que é um pressuposto importante para decisões gerenciais mais contextualizadas e legítimas. 

De modo semelhante, uma pesquisa realizada por Matateu & Kamanga (2020),  verificou que as relações entre líderes e liderados influenciam a motivação organizacional, ainda que uma parcela significativa dos colaboradores relatasse insatisfação com aspectos da liderança e interação com seus gestores. Essa insatisfação indica, de forma implícita, lacunas na comunicação relacional e na construção de entendimento mútuo componentes que são centrais à escuta ativa e que podem impactar negativamente a qualidade das decisões se não forem adequadamente consideradas nos processos decisórios 

Esses achados, embora não enfoquem exclusivamente a escuta ativa, podem ser interpretados à luz da teoria da comunicação organizacional e da tomada de decisão: quando os gestores não conseguem captar perspectivas, sentimentos e expectativas de seus colaboradores, a base informacional que sustenta as decisões é empobrecida. A literatura geral sobre liderança em Angola também evidencia iniciativas de formação que incorporam elementos de comunicação relacional e empatia, tais como cursos de liderança inspiradora que destacam a importância da escuta ativa para orientar as necessidades, desenvolver protagonismo e melhorar a orientação de carreira dos colaboradores, (Organizações Nza, 2025). 

E sugerem que, em Angola, a prática de estilos de liderança que enfatizam abertura ao diálogo e interação comunicacional mais profunda está associada a melhores relações entre líderes e equipes, o que, por sua vez, tem implicações claras para a qualidade do processo decisório. Quando os gestores adotam posturas comunicacionais mais inclusivas características da escuta ativa aumenta-se a probabilidade de considerar informações tácitas, reduzir vieses e tomar decisões mais contextualizadas e sustentáveis, alinhando-se aos objetivos organizacionais e às expectativas dos stakeholders.

3.5. Escuta ativa como competência estratégica organizacional.

A escuta ativa consolidou-se como uma competência estratégica essencial, indo além de uma habilidade individual de liderança e tornando-se um elemento estruturante das organizações contemporâneas. Ela promove a circulação de informações, o compartilhamento de conhecimento tácito e explícito e a criação de valor organizacional sustentável (Rogers, 1961; Bodie, 2011). Em um ambiente corporativo globalizado e digitalmente conectado, líderes que adotam práticas sistemáticas de escuta ativa conseguem compreender melhor as expectativas de stakeholders, integrar múltiplas perspectivas e reduzir conflitos decorrentes de interpretações divergentes.

Estudos recentes indicam que organizações que institucionalizam a escuta ativa não apenas ampliam a capacidade de aprendizagem organizacional, mas também fortalecem a legitimidade da liderança, a inovação e a tomada de decisões estratégicas (North & Kumta, 2023; Alavi et al., 2023). Assim, a escuta ativa deixa de ser uma habilidade puramente interpessoal e passa a constituir capacidade organizacional coletiva, integrando processos de gestão de pessoas, cultura organizacional e alinhamento estratégico (Nonaka et al., 2021; Carlucci & Schiuma, 2022).

3.5.1. Escuta ativa como capacidade organizacional

No nível organizacional, a escuta ativa permite a codificação e transferência de conhecimento tácito, facilitando que experiências individuais se convertam em práticas compartilhadas. Esse processo é especialmente relevante em organizações complexas, onde decisões baseadas apenas em informações formais podem ser insuficientes ou enviesadas. A escuta ativa contribui para:

  1. Identificação de necessidades estratégicas e oportunidades de inovação.
  2. Integração entre diferentes níveis hierárquicos e unidades funcionais.
  3. Melhoria contínua de processos e práticas gerenciais.

Por exemplo, em estudos aplicados ao setor corporativo e de telecomunicações, líderes que promovem escuta ativa conseguem reduzir retrabalho, mitigar conflitos internos e aumentar o engajamento de suas equipes, fortalecendo a confiança organizacional (Bodie, 2011; North & Kumta, 2023).

3.5.2. Integração com gestão de pessoas, cultura e estratégia

A efetividade da escuta ativa depende de sua incorporação em políticas organizacionais, cultura de abertura e sistemas de recompensa que valorizem o diálogo (Carlucci & Schiuma, 2022). Em contextos angolanos, estudos de Matateu & Kamanga (2020) e Chimuco (2015) evidenciam que empresas que estimulam canais formais e informais de escuta observam maior engajamento dos colaboradores, melhoria na qualidade das decisões e redução de conflitos entre setores. A integração da escuta ativa com gestão de pessoas inclui:

  • Programas de desenvolvimento de liderança focados em habilidades de comunicação.
  • Criação de comunidades de prática e fóruns de feedback.
  • Alinhamento de metas individuais e estratégicas com base em insights obtidos por escuta sistemática.

A Tabela 3 a seguir sintetiza os principais componentes dessa integração e os impactos positivos esperados para a organização.

Tabela 3. Integração da escuta ativa na gestão de pessoas e impactos organizacionais.

Além disso, a escuta ativa favorece a construção de uma cultura organizacional ética e participativa, na qual as decisões são mais transparentes e reconhecidas como legítimas por todos os envolvidos.

3.5.3. Limitações e desafios para institucionalização

A adoção sistemática da escuta ativa enfrenta barreiras significativas. Entre elas (Bodie, 2011):

  • Resistência cultural: líderes e colaboradores podem associar diálogo aberto a perda de autoridade ou criticidade.
  • Falta de habilidades socioemocionais: a escuta ativa requer empatia, atenção plena e capacidade de feedback, habilidades que não são universalmente desenvolvidas.
  • Sobrecarga de informação: em organizações digitais e em rede, os gestores podem ser expostos a excesso de dados e mensagens, dificultando atenção plena e priorização.

Estudos em Angola indicam que, apesar do reconhecimento da importância da escuta ativa, a prática ainda é limitada a líderes isolados ou iniciativas pontuais, sendo pouco formalizada nas políticas de gestão e processos corporativos (Chimuco, 2015; Matateu & Kamanga, 2020). Esse cenário ressalta a necessidade de estratégias de institucionalização, treinamento e acompanhamento contínuo.

3.5.4. Lacunas teóricas e caminhos para pesquisas futuras

A literatura científica ainda carece de:

  1. Estudos longitudinais que avaliem os impactos da escuta ativa na performance organizacional.
  2. Pesquisas aplicadas no contexto africano, especialmente em Angola, considerando fatores culturais, econômicos e regulatórios.
  3. Integração entre tecnologia e escuta ativa, explorando como plataformas digitais podem potencializar feedbacks, aprendizagem e decisão estratégica.

Investigações futuras devem articular indicadores de maturidade comunicacional, avaliação de impacto na inovação e análise comparativa entre setores, fornecendo subsídios para a construção de uma escuta ativa institucionalizada e estratégica.

4. DISCUSSÃO. 

Os achados teóricos discutidos ao longo do artigo indicam que a escuta ativa transcende o mero papel de ferramenta comunicacional, constituindo competência estratégica capaz de influenciar transversalmente os processos organizacionais. A análise integrativa evidencia que líderes que adotam práticas de escuta ativa não apenas melhoram o fluxo de informação, mas também fortalecem dimensões éticas, emocionais e cognitivas da gestão, promovendo um ambiente de trabalho mais coeso e colaborativo.

Ao deslocar o foco da comunicação meramente instrumental para uma abordagem relacional, a escuta ativa amplia a percepção da Administração como prática social complexa, na qual decisões e ações organizacionais são mediadas por interações, confiança e reconhecimento da subjetividade dos atores. Essa abordagem permite compreender como a integração entre atenção plena, empatia, feedback e suspensão de julgamentos componentes centrais da escuta ativa contribui para a redução de vieses decisórios, a melhoria do engajamento das equipes e a construção de legitimidade da liderança, em consonância com estudos internacionais (Rogers, 1961; Bodie, 2011; Nonaka et al., 2021).

No contexto angolano, evidências de setores como financeiro, petrolífero, telecomunicações e educação demonstram que a escuta ativa facilita a integração de informações explícitas e tácitas, reduz conflitos internos e fortalece a tomada de decisão estratégica (Chimuco, 2015; Matateu & Kamanga, 2020; Organizações Nza, 2025). Além disso, sua implementação se mostra particularmente relevante em processos de transformação digital e reforma administrativa, onde a complexidade das operações exige decisões mais informadas, participativas e éticas, alinhadas à sustentabilidade organizacional.

A discussão também reforça que a escuta ativa, quando incorporada de forma sistemática à gestão de pessoas, cultura e estratégia, atua como capacidade organizacional estratégica, promovendo aprendizagem contínua, inovação incremental e radical, além de fortalecer o capital humano e organizacional. As limitações identificadas tais como resistência cultural, dificuldade de mensuração e lacunas na formação de líderes indicam que a institucionalização dessa competência exige programas estruturados de desenvolvimento de liderança, comunidades de prática e sistemas de feedback contínuo, em consonância com as melhores práticas internacionais (Carlucci & Schiuma, 2022; Bodie, 2011).

 De um jeito integrador, resumido e geral a Tabela 4, recolhe os principais achados seus impactos e recomendações:

Tabla 4. Escuta ativa: principais achados, impactos e recomendações para gestores.

Nota: A tabela sintetiza evidências teóricas e práticas da escuta ativa como competência estratégica, reforçando a integração entre liderança, comunicação, decisão e clima organizacional (Bodie, 2011; Chimuco, 2015; Matateu & Kamanga, 2020; Nonaka et al., 2021; Carlucci & Schiuma, 2022).

Em síntese, a escuta ativa emerge não apenas como competência individual, mas como recurso estratégico organizacional, capaz de gerar valor sustentável, promover clima organizacional saudável e suportar decisões éticas e eficazes, constituindo um elo integrador entre comunicação, liderança e desempenho organizacional.

5. CONCLUSÕES

A análise desenvolvida neste estudo evidencia que a escuta ativa constitui uma competência estratégica fundamental para organizações contemporâneas, impactando transversalmente liderança, comunicação, tomada de decisão e clima organizacional. Ao deslocar a atenção da comunicação meramente instrumental para uma abordagem relacional, a escuta ativa promove integração entre dimensões cognitivas, emocionais e sociais da gestão, reforçando a legitimidade da liderança e a eficácia dos processos decisórios.

Os achados indicam que líderes que incorporam a escuta ativa conseguem reduzir vieses, aumentar a transparência, fortalecer relações de confiança e alinhar metas individuais e organizacionais. A implementação sistemática dessa competência, quando associada a programas de desenvolvimento de liderança, comunidades de prática e sistemas estruturados de feedback, favorece aprendizagem organizacional contínua, inovação e criação de valor sustentável.

No contexto angolano, evidências provenientes de setores estratégicos financeiro, petrolífero, telecomunicações e educação demonstram que a escuta ativa contribui para integração de informações tácitas e explícitas, redução de conflitos internos, engajamento das equipes e suporte à transformação digital e à reforma administrativa. Esses resultados reforçam que, mesmo em ambientes com desafios culturais e estruturais, a escuta ativa pode ser institucionalizada como recurso organizacional estratégico.

Finalmente, este estudo identifica lacunas teóricas e oportunidades para pesquisas futuras, incluindo avaliação quantitativa da eficácia da escuta ativa, análise longitudinal de sua influência na performance organizacional e investigação sobre ferramentas digitais que potencializem essa competência. Conclui-se que a escuta ativa deixa de ser uma habilidade individual periférica, tornando-se um elemento central da estratégia organizacional, capaz de gerar valor, promover clima organizacional saudável e sustentar decisões éticas, participativas e eficazes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alvesson, M., & Kärreman, D. (2016). Intellectual capital: A critical analysis. Edward Elgar Publishing. https://www.elgaronline.com/view/9781849808935.xml 

Amaral, J., & Domingos, M. (2021). Liderança e comunicação organizacional em instituições angolanas. Revista Angolana de Gestão, 5(2), 45–62. https://www.portaldaacademia.org/gestao-angola.  

Bass, B. M., & Riggio, R. E. (2006). Transformational leadership (2nd ed.). Lawrence Erlbaum. https://doi.org/10.4324/9781410617095 

Bodie, G. D. (2011). The active-empathic listening scale (AELS): Conceptualization and evidence of validity within the interpersonal domain. Communication Quarterly, 59(3), 277–295. https://doi.org/10.1080/01463373.2011.583495 

Bodie, G. D., Pence, M. E., Rold, M. E., & Vickery, A. J. (2020). Listening competence in organizations. International Journal of Listening, 34(2), 87–101. https://doi.org/10.1080/10904018.2019.1585680 

Boyatzis, R. E. (2018). The behavioral level of emotional intelligence and its measurement. Frontiers in Psychology, 9, 1438.
https://doi.org/10.3389/fpsyg.2018.01438

Brown, B. (2018). Dare to lead: Brave work, tough conversations, whole hearts. Random House. https://brenebrown.com/book/dare-to-lead

Brown, M. E., Treviño, L. K., & Harrison, D. A. (2005). Ethical leadership: A social learning perspective. Academy of Management Review, 30(3), 591–615. https://doi.org/10.5465/amr.2005.17293397 

Brownell, J. (2012). Listening: Attitudes, principles, and skills (5th ed.). Pearson Education. https://www.pearson.com/en-us/subject-catalog/p/listening-attitudes-principles-and-skills/P200000006137 

Chimuco, E. P. (2015). A importância da liderança e da comunicação nas organizações: o caso de uma empresa angolana (Dissertação de Mestrado). Universidade Lusófona.
https://research.ulusofona.pt/en/studentTheses/a-import%C3%A2ncia-da-lideran%C3%A7a-e-da-comunica%C3%A7%C3%A3o-nas-organiza%C3%A7%C3%B5es-o-ca-5 

Cooren, F. (2020). Organizational discourse: Communication and constitution. Polity Press. https://politybooks.com/bookdetail/?isbn=9781509530413 

Cornelissen, J. (2020). Corporate communication: A guide to theory and practice (6th ed.). Sage Publications. https://uk.sagepub.com/en-gb/eur/corporate-communication/book250764 

Dala, J. (2021). Comunicação organizacional e eficácia da liderança em empresas públicas de Angola. Cadernos de Gestão Pública, 9(2), 101–118. https://www.revistagp.ao/dala2021 

Edmondson, A. C. (2019). The fearless organization: Creating psychological safety in the workplace for learning, innovation, and growth. Wiley. https://www.wiley.com/en-us/The+Fearless+Organization-p-9781119477242 

Edmondson, A. C., & Lei, Z. (2014). Psychological safety: The history, renaissance, and future of an interpersonal construct. Annual Review of Organizational Psychology and Organizational Behavior, 1, 23–43. https://doi.org/10.1146/annurev-orgpsych-031413-091305

Eva, N., Robin, M., Sendjaya, S., van Dierendonck, D., & Liden, R. C. (2019). Servant leadership: A systematic review. The Leadership Quarterly, 30(1), 111–132. https://doi.org/10.1016/j.leaqua.2018.07.004 

Ferreira, J. M., & Manuel, P. J. (2022). Estilos de liderança e desempenho organizacional em empresas angolanas. Revista Angolana de Gestão e Desenvolvimento, 6(1), 33–51. https://revistas.uan.ao/index.php/ragd/article/view/587 

Goleman, D., Boyatzis, R., & McKee, A. (2013). Primal leadership: Unleashing the power of emotional intelligence. Harvard Business Review Press.
https://store.hbr.org/product/primal-leadership-unleashing-the-power-of-emotional-intelligence/10358

Greenleaf, R. K. (2002). Servant leadership: A journey into the nature of legitimate power and greatness. Paulist Press. https://www.paulistpress.com/Products/1176-0/servant-leadership.aspx 

Instituto Nacional de Estatística. (2023). Relatório sobre emprego e organizações em Angola. https://www.ine.gov.ao

Kahneman, D. (2011). Thinking, fast and slow. Farrar, Straus and Giroux.
https://us.macmillan.com/books/9780374533557

Kluger, A. N., & Itzchakov, G. (2022). The power of listening at work. Annual Review of Organizational Psychology and Organizational Behavior, 9, 121–146. https://doi.org/10.1146/annurev-orgpsych-012420-055215 

March, J. G. (2010). The ambiguities of experience. Cornell University Press.
https://www.cornellpress.cornell.edu/book/9780801475615

Matateu, L. M., & Kamanga, M. M. (2020). As relações entre líder e liderados e seu impacto na motivação organizacional: um diagnóstico na Faculdade de Economia da Universidade José Eduardo dos Santos [Artigo]. RAC: Revista Angolana de Ciências. https://portal.amelica.org/ameli/jatsRepo/400/4001721013/html/index.html 

Men, L. R., & Bowen, S. A. (2017). Excellence in internal communication management. Business Horizons, 60(3), 321–331. https://doi.org/10.1016/j.bushor.2017.01.005 

Men, L. R., Yue, C. A., & Liu, Y. (2020). Vision, passion, and care: The impact of charismatic leadership communication on employee trust. Public Relations Review, 46(3), 101927. https://doi.org/10.1016/j.pubrev.2020.101927

Morgan, G. (2006). Images of organization. Sage Publications. https://uk.sagepub.com/en-gb/eur/images-of-organization/book226693 

Mumby, D. K. (2019). Organizational communication: A critical approach. Sage Publications. https://us.sagepub.com/en-us/nam/organizational-communication/book254486 

North, K., & Kumta, G. (2023). Knowledge management: Value creation through organizational learning (3rd ed.). Springer. https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-031-23431-3 

Organizações Nza. (2025). Curso de liderança inspiradora. Organizações Nza – Formação Profissional. https://organizacoesnza.com/produto/curso-de-lideranca-inspi

Putnam, L. L., Nicotera, A. M., & McPhee, R. D. (2018). The communicative constitution of organization. Routledge. https://www.routledge.com/The-Communicative-Constitution-of-Organization/Putnam-Nicotera-McPhee/p/book/9781138243712 

Rogers, C. R. (1957). The necessary and sufficient conditions of therapeutic personality change. Journal of Consulting Psychology, 21(2), 95–103.
https://doi.org/10.1037/h0045357

Rogers, C. R. (1961). On becoming a person: A therapist’s view of psychotherapy. Houghton Mifflin. https://www.hmhbooks.com/shop/books/On-Becoming-a-Person/9780395755310 

Rogers, C. R., & Farson, R. E. (1957). Active listening. Industrial Relations Center, University of Chicago. https://www.chapman.edu/faculty-staff/_files/rogers-farson-active-listening.pdf 

Rogers, C. R., & Farson, R. E. (2015). Active listening. Martino Publishing. https://martinopublishing.org 

Santos, M., & Pereira, F. (2022). Gestão participativa e tomada de decisão em organizações angolanas. Revista Angolana de Administração, 14(1), 55–73. https://doi.org/10.5120/angadm20221455 

Schein, E. H., & Schein, P. (2018). Humble leadership. Berrett-Koehler. https://www.bkconnection.com/books/title/humble-leadership 

Shannon, C. E., & Weaver, W. (1949). The mathematical theory of communication. University of Illinois Press. https://www.press.uillinois.edu/books/?id=p058019 

Silva, A. J., & Domingos, M. A. (2020). Liderança e comunicação organizacional em instituições públicas angolanas. Revista Angolana de Ciências Sociais, 4(2), 45–62. https://revistas.uan.ao/index.php/racs/article/view/412 

Simon, H. A. (1997). Administrative behavior (4th ed.). Free Press.
https://www.simon.rochester.edu/fac/ssimon/

Tourish, D. (2020). Management studies in crisis. Cambridge University Press.
https://www.cambridge.org/core/books/management-studies-in-crisis/ 

Tourish, D. (2020). The triumph of nonsense in management studies. Academy of Management Learning & Education, 19(1), 99–109. https://doi.org/10.5465/amle.2019.0289 

Treviño, L. K., den Nieuwenboer, N. A., & Kish-Gephart, J. J. (2014). (Un)ethical behavior in organizations. Annual Review of Psychology, 65, 635–660.
https://doi.org/10.1146/annurev-psych-113011-143745 

Weick, K. E., Sutcliffe, K. M., & Obstfeld, D. (2005). Organizing and the process of sensemaking. Organization Science, 16(4), 409–421.
https://doi.org/10.1287/orsc.1050.0133

Yukl, G. (2020). Leadership in organizations (9th ed.). Pearson.
https://www.pearson.com/en-us/subject-catalog/p/leadership-in-organizations/P200000006394


1Doutor em Ciências Empresariais
Instituição: Instituto Politécnico de Saurimo. Universidade Lueji Ankonde
zacassantos@gmail.com.
ORCID: https://orcid.org/0009-0001-0116-7115

2Mestranda em Gestão de Recursos Humanos
Instituição: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Universidade Lusiada de Angola
neuchipongue@gmail.com
ORCID: https://orcid.org/0009-0001-2133-5542

Rolar para cima