ANÁLISE DOS ÓBITOS POR ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO NAS CIDADES MAIS POPULOSAS DO ESTADO DO TOCANTINS NOS ANOS DE 2022 E 2023

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601041015


Ana Luiza Noleto Barros1; Simone Sampaio da Costa2; Vicente Fernando Rocha Cavalcante3; Kamila Soares dos Santos4; Wanessa Santana Araújo5; Clayton Ferreira do Carmo6; Adrielly Siqueira Souza7; Paula Aparecida Araújo8; Mariene Rodrigues Ribeiro Soares Sousa9; Yasmin Pacine de Paula10.


RESUMO 

O  Acidente  Vascular  Encefálico  (AVE)  é  uma  condição  grave  que  ocorre  quando  o  fluxo  sanguíneo  para  o  cérebro  é  interrompido  (Costa  et  al. ,  2016).  O  objetivo  dessa  pesquisa  é  analisar  os  óbitos  por  Acidente  Vascular  Encefálico  nas  cidades  mais  populosas  do  estado  do  Tocantins.  Trata-se  de  uma  pesquisa  descritiva,  transversal  e  quantitativa,  realizada  a  partir  do  DataSUS.  Os  dados  coletados  foram  referentes  aos  anos  de  2022  e  2023.  A  amostra  é  constituída  por  158  casos  de  óbitos  por  AVE.  Os  resultados  demonstraram  que  Palmas  teve  um  crescimento,  enquanto  Araguaína  apresentou  uma  queda.  Gurupi  dobrou  o  número  de  casos.  Os  óbitos  foram  em  sua  maioria  entre  os  idosos,  principalmente  nas  faixas  de  70  a  79  anos  e  80  anos  ou  mais.  Quanto  ao  sexo,  os  homens  foram  os  mais  afetados.  Por  fim,  a  análise  dos  dados  evidencia  que  o  enfrentamento  das  doenças  cardiovasculares exige estratégias multissetoriais, preventivas e integradas. 

INTRODUÇÃO 

As  principais  causas  de  óbito  no  mundo  em  2021,  de  acordo  com  a  Organização  Mundial  da  Saúde  (OMS),  incluíam  a  doença  cardíaca  isquêmica,  em  primeiro  lugar,  seguida  pelo  acidente  vascular  encefálico.  A  Covid-19  passou  a  figurar  como  a  segunda  principal  causa  de  morte  mais  recentemente.  As  doenças  cardiovasculares  (DCV)  mantêm-se,  há  aproximadamente  duas  décadas,  como  a  principal  causa  de  mortalidade  global,  enquanto  as  enfermidades  de  origem  cerebral  e  respiratória  permanecem  entre  as  dez  mais  frequentes,  evidenciando a relevância epidemiológica dessas patologias. 

No  Brasil,  apesar  da  redução  nas  taxas  padronizadas  de  mortalidade  por  DCV  nas  últimas  décadas  (queda  de  53,5%  entre  1990  e  2021),  o  número  absoluto  de  mortes  aumentou  devido  ao  envelhecimento  e  ao  crescimento  populacional.  As  principais  causas  de  morte  dentro  das  DCV  são  a  Doença  Arterial  Coronariana  (incluindo  infarto  agudo  do  miocárdio)  e  o Acidente Vascular Encefálico (AVE)  (Oliveira  et al. , 2024). 

Entre  2017  e  2021,  mais  de  7  milhões  de  brasileiros  morreram  por  doenças  cardíacas,  e  cerca  de  14  milhões  vivem  com  alguma  enfermidade  cardiovascular.  Fatores  de  risco  como  tabagismo,  hipertensão,  diabetes,  obesidade  e  estilo  de  vida  inadequado  são  determinantes  para o desenvolvimento das DCV (Peixoto, 2023). 

Este  estudo  tem  como  objetivo  analisar  os  óbitos  por  AVE  nas  cidades  mais  populosas  do  estado  do  Tocantins.  Nessa  perspectiva,  busca-se  ampliar  a  compreensão  dos  principais  determinantes  da  saúde  na  região  e  oferecer  subsídios  para  a  formulação  de  políticas  públicas  e o desenvolvimento de ações em saúde mais efetivas. 

 2  REFERENCIAL TEÓRICO 

O  Acidente  Vascular  Encefálico  (AVE),  também  chamado  de  Acidente  Vascular  Cerebral  (AVC),  é  uma  condição  grave  que  ocorre  quando  o  fluxo  sanguíneo  para  o  cérebro  é  interrompido,  comprometendo  sua  função  neurológica.  Esse  evento  é  considerado  a  terceira  principal  causa  de  morte  no  mundo,  ficando  atrás  somente  das  doenças  cardíacas  e  do  câncer.  Além  do  risco  de  morte,  o  AVE  é  a  principal  causa  de  incapacidade  de  longo  prazo,  impactando significativamente a qualidade de vida dos sobreviventes (Costa  et al. , 2016). 

 A  taxa  de  mortalidade  no  primeiro  mês  após  o  AVE  isquêmico  é  de  cerca  de  10%,  e  pode  chegar  a  40%  ao  final  do  primeiro  ano  (Oliveira  et  al. ,  2024).  Posteriormente,  é  comum  que  os  pacientes  enfrentem  limitações  motoras,  cognitivas  e  funcionais  que  dificultam  a  realização  das  atividades  diárias.  Essas  sequelas  podem  variar  em  gravidade,  comprometendo desde  a  mobilidade  até  a  capacidade  de  comunicação  e  independência  (Schäfera;  Oliveira-Menegotto; Tisser, 2010) . 

Além  de  ser  uma  das  principais  causas  de  morte  e  incapacidade  no  mundo  e  no  Brasil,  o  Acidente  Vascular  Encefálico  tem  um  impacto  significativo  na  vida  dos  pacientes  devido  à  variedade  de  déficits  neurológicos  que  pode  causar  (Perlini;  Faro,  2005).  Dada  sua  gravidade,  o  reconhecimento  precoce  dos  sinais  e  sintomas  do  AVE  é  essencial  para  uma  intervenção  rápida  e  eficaz.  O  tratamento  imediato  é  capaz  de  minimizar  danos  cerebrais  e  melhorar  o  prognóstico  dos  pacientes,  reduzindo  o  risco  de  sequelas  permanentes  (Dos  Santos  et  al. , 2024) . 

Desse  modo,  destaca-se  que  essa  patologia  pode  comprometer  funções  motoras,  sensoriais,  cognitivas  e  até  emocionais,  afetando  desde  a  mobilidade  e  a  fala  até  a  memória  e  a  capacidade  de  realizar  tarefas  cotidianas.  Diante  disso,  a  reabilitação  pós-  AVE  torna-se  um  processo  essencial  para  melhorar  a  qualidade  de  vida  do  paciente,  exigindo  uma  abordagem  multidisciplinar  que  envolve  enfermeiros,  fisioterapeutas,  terapeutas  ocupacionais  e  outros  profissionais de saúde (Cavalcante, 2011). 

Devido  a  paralisia  da  área  afetada  pela  obstrução  do  fluxo  sanguíneo  no  cérebro,  a  rapidez  para  constatar  o  diagnóstico  no  início  para  dar  andamento  no  tratamento  é  fundamental  para  aumentar  as  chances  de  recuperação  completa  em  cada  paciente.  Por  isso,  é  essencial  reconhecer  os  sinais  e  sintomas  precocemente  e  buscar  atendimento  médico  imediato  para  evitar  sequelas  graves.  Além  disso,  o  AVE  é  dividido  em  dois  tipos,  sendo  cada  um deles com causas diferentes (BRASIL, 2025). Os tipos existentes são: 

  • AVE  hemorrágico:  Ocorre  quando  um  vaso  sanguíneo  no  cérebro  se  rompe,  provocando  sangramento  no  interior  do  tecido  cerebral  ou  entre  o  cérebro  e  a  meninge.  Embora  represente  uma  porcentagem  baixa  de  apenas  15%  dos  casos,  possui  uma  taxa  de mortalidade maior que a do AVE isquêmico  (BRASIL, 2025). 
  • AVE  isquêmico:  Resulta  da  obstrução  de  uma artéria,   que  impede o   fornecimento  de oxigênio   às  células  cerebrais,  que  acabam  morrendo.  Essa  obstrução  pode  ser  causada  por  um  coágulo  fixo  (Trombose)  ou  por  um  êmbolo que   se  desloca  pelo  sistema  circulatório  (Embolia).  Esse  tipo  de  AVE  é  o  mais  comum,  representando  cerca  de  85% dos casos (BRASIL, 2025). 

Os  sinais  e  sintomas  do  Acidente  Vascular  Encefálico  (AVE)  podem  se  manifestar  de  forma  súbita  e  exigem  atenção  imediata,  pois  a  rapidez  no  atendimento  pode  ser  determinante  para  minimizar  sequelas  e  salvar  vidas.  Tanto  o  AVE  isquêmico  quanto  o  hemorrágico  compartilham  alguns  sintomas  em  comum,  como  dor  de  cabeça  intensa  e  repentina, especialmente se  acompanhada de  vômitos;  fraqueza;  dormência  na face,  nos  braços  ou  pernas,  geralmente  afetando  apenas  um  lado  do  corpo;  paralisia,  caracterizada  pela  dificuldade  ou  incapacidade  de  movimentação;  perda  súbita  da  fala  ou  dificuldade  para  se  comunicar  e  compreender  o  que  é  dito;  e  alteração  visual,  podendo  ocorrer  perda  de  visão  parcial ou total em um ou ambos os olhos (BRASIL, 2015). 

Diante  de  qualquer  um  desses  sintomas,  a  busca  por  atendimento  médico  imediato  é  crucial.  O  reconhecimento  precoce  e  o  rápido  acesso  ao  tratamento  adequado  são  fatores  determinantes  para  reduzir  complicações  e  melhorar  o  prognóstico  dos  pacientes  (Hsieh  et  al. , 2016) . 

3 MATERIAL E MÉTODOS 

Trata-se  de  uma  pesquisa  descritiva,  transversal  e  com  abordagem  quantitativa.  Um  estudo  descritivo  é  composto  pela  caracterização  de  um  evento  a  partir  de  um  levantamento,  que  permite  estabelecer  relações  entre  as  variáveis  (Coelho,  2025).  O  estudo  transversal  caracteriza-se  por  uma  observação  das  variáveis  em  um  determinado  momento,  em  que  se  tem  um registro único dos fatos (Zangirolami-Raimundo; Echeimberg; Leone, 2018). 

A  população  do  estudo  constitui-se  por  dados  de  mortalidade  classificados  segundo  a  Classificação  Internacional  de  Doenças  (CID-10),  elaborada  pela  Organização  Mundial  da  Saúde  (OMS),  que  se  referem  à  patologia  Acidente  Vascular  Encefálico  (CID  10  I64),  nas  cidades  de  Palmas,  Araguaína  e  Gurupi.  A  amostra  é  constituída  por  158  casos  de  óbitos  por  AVE. 

A  coleta  de  dados  foi  realizada  a  partir  do  Departamento  de  Informação  e  Informática  do  Sistema  Único  de  Saúde  (DataSUS),  por  meio  do  Sistema  de  informações  sobre  mortalidade  (SIM),  pelo  aplicativo  TABNET,  tabulador  genérico  de  domínio  público  que  foi  criado  com  o  objetivo  de  gerar  e  organizar  informações  das  bases  de  dados  do  Sistema  Único  de  Saúde  –  SUS.  Os  dados  competem  aos  anos  de  2022  e  2023,  conforme  as  últimas  atualizações da plataforma. A coleta de dados foi realizada de abril a junho de 2025. 

Os  critérios  de  inclusão  foram  os  óbitos  por  AVE  pelo  CID  10  I64,  a  média  de  permanência  hospitalar  e  os  óbitos  relacionados  à  Araguaína,  Gurupi  e  Palmas.  As  variáveis  dependentes  foram  o  CID  e  o  ano  de  processamento,  já  as  independentes  consistiam  na  faixa  etária, sexo, municípios e a média de internação. 

Os  dados  disponibilizados  pela  plataforma  DataSUS  são  de  domínio  público.  Dessa  maneira,  pela  utilização  exclusiva  de  dados  secundários,  a  pesquisa  não  necessita  de submissão  ao Comitê  de  Ética e  torna-se  isenta  da  utilização  de  Termo  de  Consentimento  Livre e Esclarecido (TCLE), conforme a Resolução n° 466/12. 

A  busca  foi  realizada  a  partir  dos  filtros  disponíveis  pela  plataforma,  sendo  os  selecionados:  Mortalidade  geral,  municipio,  faixa  etário,  sexo,  óbitos  por  ocorrência  e  categoria  do  CID  10.  Quanto  ao  tempo  médio  de  permanência  hospitalar,  primeiramente,  foi  selecionada  a  opção  morbidade  hospitalar  do  SUS,  depois,  a  opção  ´´Geral,  por  local  de  Internação  –  a  partir  de  2008´´  e  o  estado.  Os  filtros  aplicados  são  município,  ano  processamento, média de permanência e então são marcados as cidades e a causa do óbito. 

A  plataforma  permite  que  os  resultados  sejam  exportados  na  íntegra  para  o  Microsoft  Excel  2016,  ferramenta  que  foi  utilizada  para  o  registro  de  dados.  Após  a  coleta,  as  informações obtidas foram organizadas, tabuladas e estruturadas para a análise. 

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 

4.1  Óbitos  por  Infarto  agudo  do  miocárdio  das  cidades  mais  populosas  do  estado  do  Tocantins. 

 Os  óbitos  por  AVE  (Gráfico  1)  apresentaram  decréscimo  no  ano  de  2023  somente  em  Araguaína. 

 Gráfico 1: Óbitos por AVE segundo Município.

 Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025

Nota-se  uma  elevação  expressiva  em  Palmas  de  62,9%,  em  que  o  número  de  óbitos  por  AVE  aumentou  de  cerca  de  28  em  2022  para  aproximadamente  42  em  2023,  tornando-se  o  município  com  o  maior  número  absoluto  no  último  ano.  No  entanto,  Araguaína  apresentou  uma  queda  significativa,  com  redução  de  cerca  de  32  óbitos  em  2022  para  aproximadamente 23  em  2023.  Já Gurupi  registrou um  crescimento  considerável,  passando de  cerca  de  10  óbitos  em 2022 para mais de 20 em 2023. 

Essa  variação  entre  as  cidades  pode  estar  relacionada  a  diversos  fatores,  como  perfil  populacional,  prevalência  de  comorbidades,  acesso  a  atendimento  de  urgência  e  eficácia  das  políticas  locais  de  prevenção  e  tratamento  do  AVE.  O  aumento  dos  óbitos  em  Palmas  e  Gurupi  destaca  a  importância  de  reforçar  medidas  preventivas  e  estratégias  de  intervenção  precoce nesses locais. 

Um  estudo  realizado  por  Costa  e  Romeu  (2021)  no  período  de  2007  a  2016,  identificou  que  os  óbitos  por  AVE  corresponderam  a  8,5%  de  todos  os  óbitos  registrados  nesses  anos.  Sendo  que,  o  ano  de  2007  foi  o  que  apresentou  menor  quantidade  de  óbitos  por  (96.804  óbitos),  e  o  2016  foi  o  de  maior  ocorrência  (102.965  óbitos),  demonstrando  um  crescimento do número absolutos de óbitos com o decorrer dos anos. 

O  município  de  Araguaína  registrou  queda  nos  óbitos  por  AVE.  Por  outro  lado,  Palmas  apresentou  um  comportamento  oposto,  os  óbitos  por  AVE  apresentaram  um  crescimento  mais  expressivo,  ultrapassando  os  40  casos  em  2023.  Esse  dado  pode  expressar  um  agravamento  dos  fatores  de  risco  ou  falhas  na  prevenção  e  no  tratamento  precoce  de  eventos  cerebrovasculares. 

Já  em  Gurupi,  apesar  de  os  números  absolutos  serem  os  menores  entre  os  três  municípios,  observa-se  um  aumento  nos  óbitos  por  AVE  em  2023,  o  que  pode  refletir  limitações  na  estrutura  de  atendimento  ou  mudanças  no  perfil  epidemiológico  da  população  local. 

 4.2  Perfil  epidemiológico  dos  óbitos  por  Infarto  agudo  do  miocárdio  das  principais  cidades do estado do Tocantins. 

A  análise  dos  óbitos  Acidente  Vascular  Encefálico  (AVE)  segundo  a  faixa  etária  em  Palmas  (Gráfico  2),  revela  um  aumento  significativo  no  número  de  mortes  por  AVE  em  2023  em  praticamente  todas  as  faixas  etárias  quando  comparado  ao  ano  anterior,  com  exceção  apenas na faixa de 40 a 49 anos. 

Gráfico 2: Óbitos por AVE segundo a faixa etária em Palmas-TO.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.

O  destaque  com  maior  evidência  está  na  faixa  etária  de  80  anos  ou  mais,  que  apresentou  o  maior  número  de  óbitos  em  2023,  totalizando  cerca  de  17  casos.  Em  2022,  essa  mesma  faixa  registrou  aproximadamente  10  óbitos,  o  que  evidencia  um  crescimento  expressivo. 

As  faixas  etárias  de  70  a  79  anos  e  60  a  69  anos  também  apresentaram  aumentos  expressivos.  Em  ambas,  os  registros  de  2023  superaram  os  de  2022  de  forma  considerável.  Essa  configuração  demonstra  uma  tendência  de  maior  vulnerabilidade  entre  os  idosos  ao  AVE, com impacto direto na mortalidade dessa população. 

Já  nas  faixas  de  40  a  59  anos,  embora  o  número  de  óbitos  seja  menor,  houve  um  crescimento  em  2023,  sugerindo  que  o  risco  de  AVE  não  se  restringe  apenas  à  população  idosa,  mas  também  afeta  adultos  em  idade  produtiva.  De  maneira  análoga,  um  estudo  realizado  por  Mamed  et  al.  (2019)  investigou  óbitos  por  AVE  em  60  cidades  do  Brasil  e  constatou  que  69,8%  desses  ocorreram  na  faixa  etária  de  70  anos  e  mais,  e  30,2%  na  faixa  etária de 30 a 69 anos. 

Quanto  à  qualidade  das  informações  das  estatísticas  de  mortalidade,  um  estudo  realizado  por  Ishitani  et  al.  (2017)  destacou  a  importância  da  declaração  de  óbito  como  instrumento  para  elaboração  de  estatísticas  de  saúde,  sendo  utilizado  para  o  desenvolvimento  de  ações  e  programas  de  prevenção  de  saúde,  além  do  tratamento  de  doenças  e  agravos  passíveis de intervenção. 

A  presença  de  óbito  na  faixa  de  20  a  29  anos  em  2022,  ainda  que  de  forma  isolada  e  sem  repetição  no  ano  seguinte,  pode  indicar  um  episódio  pontual  ou  atípico,  mas  também  reforça  a  necessidade  de  não  negligenciar  o  risco  de  AVE  mesmo  entre  os  mais  jovens,  especialmente quando há presença de comorbidades. 

Um  artigo  realizado  pela  Academia  Brasileira  de  Neurologia (2021)  destacou  que, embora o  AVE  seja  mais  comum  em  idosos,  o  número  de  jovens  (20  a  59  anos)  que  morrem  por  AVE  tem  aumentado  no  Brasil,  passando  de  17,2%  em  2019  para  cerca  de  20%  em  2021.  Desse  modo,  esses  dados  podem  estar  relacionados  ao  aumento  precoce  de  fatores  de  risco  como hipertensão, diabetes e obesidade em adultos jovens. 

Em  resumo,  o  gráfico  ressalta  que  Palmas-TO  registrou  um  aumento  significativo nas  mortes  por  AVE  em  2023,  sobretudo  entre  os  idosos.  A  elevação  nas  faixas  etária  de  60  anos  ou  mais  demonstra  a  necessidade  de  ações  preventivas  direcionadas  ao  envelhecimento  saudável,  com  controle  rigoroso  dos  fatores  de  risco  como  hipertensão,  diabetes  e  sedentarismo.  Ao  mesmo  tempo,  a  presença  de  óbitos  em  faixas  etárias  mais  jovens  ressalta  a  importância de uma abordagem preventiva mais ampla e contínua em todas as idades. 

 Gráfico 3: Óbitos por AVE segundo a faixa etária em Araguaína-TO.

 Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.

De  maneira  geral,  observa-se  que  em  2022  houve  um  número  mais  elevado  de  óbitos por  AVE  em  praticamente  todas  as  faixas  etárias  em  comparação  com  2023.  As  faixas  etárias  mais  afetadas  nos  dois  anos  foram  aquelas  acima  dos  60  anos,  especialmente  os  grupos  de  70  a 79 anos e de 80 anos ou mais. 

No  ano  de  2022,  a  faixa  de  80  anos  e  mais  apresentou  o  maior  número  de  óbitos,  com  cerca  de  11  registros,  seguida  de  perto  pela  faixa  de  70  a  79  anos,  com  aproximadamente  10  óbitos.  Já  em  2023,  essas  mesmas  faixas  mostraram  uma  redução  considerável,  com  o  grupo  de  80  anos  e  mais  registrando  em  torno  de  6  óbitos  e  o  de  70  a  79  anos  com  cerca  de  5.  Um  estudo  realizado  no  Paraná  por  Santos,  Luquini  e  Fagundes  (2020)  comparou  a  faixa  etária  dos  óbitos  por  AVE  entre  2008  e  2018,  e  demonstrou  que  o  número  de  óbitos  é  maior  em  idosos,  especialmente  após  os  65  anos,  com  risco  que  dobra  a  cada  década  a  partir  dos 60 anos. 

As  faixas  intermediárias,  como  de  50  a  69  anos,  também  apresentaram  redução  nos  óbitos  em  2023  em  relação  a  2022,  mantendo  um  padrão  de  decréscimo  geral.  A  faixa  etária  de  20  a  29  anos  teve  um  óbito  registrado  apenas  em  2022,  não  sendo  observada  ocorrência  em  2023.  Já  a  faixa  de  40  a  49  anos  manteve  números  baixos  em  ambos  os  anos,  com  ligeira  variação. 

Em  resumo,  o  gráfico  revela  uma  diminuição  nos  óbitos  por  AVE  em  Araguaína  no ano  de  2023  em  todas  as  faixas  etárias,  especialmente  entre  os  idosos.  Esse  dado  pode  refletir  avanços  na  prevenção,  diagnóstico  precoce  ou  cuidados  clínicos,  mas  também  aponta  para  a  necessidade  de  manter  e  ampliar  essas  ações,  considerando  que  as  faixas  etárias  mais  avançadas  continuam  sendo  as  mais  vulneráveis.  A  redução  é  um  sinal  positivo,  mas  ainda  exige  atenção  constante  das  políticas  públicas  de  saúde  para  que  se  mantenha  essa  tendência  de queda. 

 Gráfico 4: Óbitos por AVE segundo a faixa etária em Gurupi-TO. 

 Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025. 

 A  análise  mostra  um  aumento  significativo  no  número  de  mortes  em  2023  em  comparação  com  2022,  especialmente  entre  os  idosos.  A  faixa  etária  de  80  anos  ou  mais  foi  a  mais  afetada  em  2023,  com  cerca  de  15  óbitos,  um  aumento  expressivo  em  relação  ao  ano  anterior, que registrou aproximadamente 10 mortes nesse mesmo grupo. 

Outro  dado  relevante  é  o  crescimento observado  na faixa  de  70  a  79  anos,  que também apresentou  mais  óbitos  em  2023  do  que  em  2022,  atingindo  números  muito  próximos  aos  da  faixa  mais  idosa.  A  faixa  etária  de  60  a  69  anos,  embora  tenha  mantido  números  semelhantes  entre  os  dois  anos,  continua  figurando  entre  os  grupos  mais  afetados,  o  que  reforça a vulnerabilidade progressiva conforme o avanço da idade. 

 Já  nas  faixas  de  30  a  59  anos,  embora  os  números  absolutos  sejam  menores,  houve  um  leve  aumento  em  2023,  principalmente  entre  os  grupos  de  50  a  59  e  40  a  49  anos.  Essa  elevação,  ainda  que  discreta,  indica  que  o  risco  de  AVE  não  se  limita  à  população  idosa  e  que  fatores  como  hipertensão,  diabetes,  estresse  e  hábitos  de  vida  inadequados  podem  estar  contribuindo para o surgimento precoce da doença. 

 Em  resumo,  os  dados  do  gráfico  demonstram  que  Gurupi  registrou  um  aumento  preocupante  nos  óbitos  por  AVE  em  2023,  com  destaque  para  as  faixas  etárias  mais  avançadas.  O  crescimento  também,  ainda  que  mais  discreto,  em  grupos  de  idade  mais  jovem,  acende  um  alerta  para  a  necessidade  de  estratégias  de  prevenção  mais  amplas  e  eficazes.  Isso  inclui  o  fortalecimento  da  atenção  primária,  campanhas  de  educação  em  saúde  e  rastreamento  de  fatores  de  risco  em  todas  as  faixas  etárias,  visando  reduzir  a  incidência  e  a  letalidade  do  AVE no município. 

 Gráfico 5: Óbitos por AVE segundo o sexo em Palmas-TO.

 Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.

A  análise  revela  um  crescimento  no  número  de  óbitos  para  ambos  os  sexos  ao  longo  do  período.  Em  2022,  os  homens  registraram  cerca  de  18  óbitos,  enquanto  as  mulheres  tiveram  em  torno  de  9.  No  ano  seguinte,  os  valores  aumentaram  para  aproximadamente  26  óbitos entre os homens e 17 entre as mulheres. 

Estudos  realizados  por  Araújo  et  al. (2018  e  Bortoli  et  al.  (2024)  obtiveram resultados  de  maior  número  de  óbitos  por  Acidente  Vascular  Encefálico  em  homens,  apresentando  taxas  de  52%,  51,3%  e  65%,  respectivamente.  Apesar  de  os  homens  continuarem  apresentando  maior  número  de  mortes  por  AVE,  observa-se  um  crescimento  proporcional  mais  acentuado  entre  as  mulheres.  Esse  aumento  pode  estar  relacionado  a  uma  série  de  fatores,  como  o  envelhecimento  da  população  feminina,  o  aumento  da  incidência  de  doenças  crônicas  não  transmissíveis  e  possíveis  lacunas  no  acesso  a  cuidados  médicos  adequados.  Além  disso,  a  diferença  entre  os  sexos,  embora  ainda  significativa,  vem  se  estreitando, indicando a necessidade de maior atenção à saúde neurológica das mulheres. 

 A  identificação  de  fatores  de  risco  para  o  AVE  é  essencial  para  prevenir  suas  ocorrências.  A  prevenção  deste  diminui  os  custos  em  reabilitação  e  hospitalização.  Desse  modo,  destaca-se  que  essa  ação  deve  ocorrer  em  todos  os  níveis  de  atenção,  com  maior  ênfase  na  atenção  básica,  alcançando  principalmente  aqueles  que  já  tiveram  um  primeiro  AVE  e  reduzindo,  então,  riscos  de  recorrência  e  maiores  comorbidades  em  longo  prazo  (Canuto  et  al. , 2016). 

 Portanto,  os  dados  apontam  para  um  cenário  importante  em  Palmas,  onde  tanto  homens  quanto  mulheres  apresentaram  aumento  nos  óbitos  por  AVE  entre  2022  e  2023.  Essa  tendência  reforça  a  necessidade  de  ações  preventivas,  como  o  controle  da  hipertensão,  campanhas  de  conscientização  sobre  os  sintomas  do  AVE  e  ampliação  do  acesso  a  atendimento  médico  emergencial,  com  estratégias  específicas  voltadas  às  particularidades  de  cada sexo. 

 Gráfico 6: Óbitos por AVE segundo o sexo em Araguaína-TO.

 Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.

Em  2022,  observa-se  que  as  mulheres apresentaram um  número  mais  elevado  de óbitos por  AVE,  com  cerca  de  18  registros,  enquanto  os  homens  contabilizaram  aproximadamente  13.  Já  em  2023,  houve  uma  redução  no  número  de  mortes  em  ambos  os  sexos:  os  óbitos  entre  as  mulheres  caíram  para  cerca  de  10,  e  entre  os  homens  o  número  se  manteve estável em torno de 13. 

 Um  estudo  de  série  temporal  dos  óbitos  por  acidente  vascular  encefálico  no  Brasil  entre  2007  e  2016,  com  quase  1  milhão  de  óbitos,  apresentou  que  50,3%  das  vítimas  eram  homens  (Costa;  Romeu,  2021)  .  Dessa  maneira,  o  comportamento  dos  dados  obtidos  revelam  uma  inversão  no  perfil  dos  óbitos  por  sexo  no  município,  já  que,  em  2022,  as  mulheres  foram  as  mais  afetadas,  enquanto  em  2023  os  homens  passaram  a  ocupar  essa  posição,  ainda  que  com uma diferença menos acentuada. 

 A  redução  significativa  das  mortes  femininas  pode  indicar  avanços  em  políticas  públicas  voltadas  à  saúde  da  mulher  ou  maior  efetividade  na  prevenção  e  tratamento  do  AVE  neste  grupo.  Por  outro  lado,  a  estabilidade  nos  óbitos  masculinos  sugere  que  ainda  persistem  desafios  no  enfrentamento  da  doença  entre  os  homens,  seja  em  termos  de  prevenção,  diagnóstico precoce ou acesso a cuidados adequados. 

 Portanto,  os  dados  de  Araguaína  mostram  uma  melhora  parcial  no  cenário  de  mortalidade  por  AVE,  com  destaque  para  a  queda  nas  mortes  femininas.  No  entanto,  o  número  constante  de  óbitos  masculinos  reforça  a  necessidade  de  estratégias  mais  eficazes  e  específicas para esse público, visando a redução geral da mortalidade por AVE na região. 

 Gráfico 7: Óbitos por AVE segundo o sexo em Gurupi-TO.

 Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.

 Em  2022,  o  número  de  óbitos  entre  os  homens  foi  superior  ao  das  mulheres,  com  aproximadamente  6  mortes  masculinas  contra  4  femininas.  Em  2023,  observa-se  um  aumento  considerável  em  ambos  os  sexos,  mas  especialmente  entre  os  homens,  que  registraram  cerca  de 13 óbitos, enquanto entre as mulheres o número subiu para aproximadamente 8. 

 Esses  dados  indicam  um  crescimento  preocupante  na  mortalidade  por  AVE  em  Gurupi,  particularmente  entre  a  população  masculina.  O  aumento  expressivo  entre  os  homens  pode  refletir  fatores  de  risco  não  controlados,  como  hipertensão,  tabagismo,  sedentarismo  e  falta  de  acesso  ou  adesão  ao  tratamento  médico.  Entre  as  mulheres,  embora  o  crescimento  também  seja  notável,  ele  foi  proporcionalmente  menor,  o  que  pode  sugerir  uma  resposta  mais  efetiva  às  medidas  de  prevenção  ou  tratamento,  ainda  que  insuficiente  para  conter  totalmente  o avanço dos óbitos. 

 De  forma  geral,  o  cenário  aponta  para  a  necessidade  urgente  de  intensificação  das  ações  de  saúde  pública  voltadas  à  prevenção  de  AVE  em  Gurupi,  com  ênfase  no  acompanhamento  de  pacientes  com  comorbidades,  promoção  de  hábitos  saudáveis  e  educação  em  saúde,  especialmente  voltada  ao  público  masculino,  que  apresentou  maior  vulnerabilidade  ao longo do período analisado. 

 4.3  Média  de  permanência  hospitalar  por  doenças  cardiovasculares  nas  principais  cidades do estado do Tocantins. 

 Gráfico 8: Tempo médio de permanência hospitalar por Infarto Cerebral.

 Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.

Os  dados  mostram  um  aumento  significativo  no  tempo  de  internação  em  Araguaína  e  Gurupi,  enquanto  Palmas  registrou  uma  leve  redução.  Em  Araguaína,  a  média  de  dias  de  hospitalização  subiu  de  6  dias  em  2022  para  13,1  dias  em  2023,  mais  que  dobrando  em  apenas  um  ano.  Gurupi  apresentou  um  crescimento  ainda  mais  expressivo,  passando  de  4,9  dias  para  16,3  dias.  Já  em  Palmas,  o  tempo  médio  de  internação  caiu de  12  dias  para  11,7  dias  no  mesmo período. 

Em  comparação  ao  número  de  óbitos,  Palmas  e  Gurupi  possuíram  maior  taxa  de  permanência  hospitalar  no  mesmo  ano,  porém,  Araguaína  apresentou  redução  do  número  de  óbitos e aumento da média de permanência. 

O  AVE  apresenta  como  principais  fatores  de  risco  a  idade,  tabagismo,  alcoolismo,  sedentarismo,  estresse,  diabetes  mellitus,  obesidade  e  hipertensão  arterial  (WHO,  2019).  Desse  modo,  esses  fatores  tornam  o  AVE  um  problema  para  a  saúde  no  Brasil  em  todos  os  níveis, atenção primária, secundária e terciária (Do Amaral, Fernandes, 2023). 

O  processo  de  hospitalização  por  AVE  normalmente  inicia-se  por  meio  de  atendimento  emergencial,  devido  a  sinais  sugestivos  da  doença,  seguido  de  confirmação  diagnóstica,  mediante  avaliação  clínica  e  exames  complementares.  Desse  modo,  o  AVE  necessita  de  cuidados  hospitalares  imediatos  e  ao  longo  do  período  de  internação,  o  que  resulta em um elevado custo social e econômico (Lima; Pernambuco, 2017). 

Essas  variações  indicam  um  possível  agravamento  da  complexidade  clínica  dos  casos  em  Araguaína  e  Gurupi,  o  que  pode  estar  relacionado  a  diagnósticos  mais  tardios,  maior  incidência  de  comorbidades  ou  limitações  nos  recursos  hospitalares  disponíveis.  Em  contrapartida,  a  leve  redução  observada  em  Palmas  pode  sugerir  maior  estabilidade  nos  protocolos  de  atendimento  ou  melhoria  na  eficácia  do  tratamento.  De  modo  geral,  os  dados  evidenciam  a  importância  de  ações  voltadas  à  prevenção,  ao  diagnóstico  precoce  e  à  estruturação  da  rede  de  cuidados,  especialmente  nos  municípios  que  apresentaram  aumento  no  tempo  de  internação,  como  forma  de  melhorar  os  desfechos  clínicos  e  reduzir  a  sobrecarga  hospitalar. 

4 CONCLUSÃO 

A  partir  dos  dados  obtidos  foi  possível  identificar  que  os  óbitos  foram  em  sua  maioria  em  indivíduos  idosos,  especialmente  nas  faixas  etárias  acima  de  60  anos,  e  com  predominância do sexo masculino. 

Em  Palmas,  os  dados  evidenciaram  aumento  nos  óbitos  por  AVE,  podendo  sugerir  o  agravamento  no  controle  dos  fatores  de  risco,  falhas  na  detecção  precoce  ou  sobrecarga  nos  serviços  de  saúde.  Araguaína,  embora  tenha  apresentado  o  maior  número  absoluto  de  óbitos,  mostrou  redução  nos  casos  de  AVE.  Já  Gurupi,  com  menores  números  absolutos,  apresentou  crescimento nos óbitos, reforçando uma possível vulnerabilidade do município. 

Quanto  ao  perfil  etário,  a  predominância  das  mortes  em  idosos  está  de  acordo  com  a  literatura.  Ademais,  destaca-se  um  crescimento  de  óbitos  em  adultos  entre  50  e  69  anos,  que  demonstra  a  necessidade  de  intervenções  precoces  ao  longo  da  vida,  especialmente  no  controle das doenças crônicas. 

A  análise  segundo  o  sexo  demonstrou  maior  mortalidade  no  grupo  masculino;  entretanto,  o  crescimento  consistente  dos  óbitos  entre  mulheres  em  2023  evidencia  a  necessidade  de  intensificar  campanhas  e  protocolos  direcionados  ao  público  feminino.  Além  disso,  a  elevada  mortalidade  entre  os  homens  reforça  a  necessidade  de  intervenções  específicas  voltadas  a  esse  público,  uma  vez  que  fatores  como  menor  procura  por  serviços  de  saúde,  maior  exposição  a  fatores  de  risco  modificáveis,  comportamentos  de  autocuidado  insuficientes  e  adesão  limitada  às  ações  preventivas  podem  contribuir  para  a  manutenção  de  índices mais elevados neste grupo. 

Em  relação  à  média  de  permanência  hospitalar,  os  dados  apresentam  importantes  variações  entre  as  cidades  e  os  anos,  sendo  possível  associar  esses  índices  à  gravidade  dos  casos,  complexidade  e  eficiência  terapêutica.  Houve  um  aumento  da  permanência  hospitalar  em  Araguaína  e  Gurupi,  o  que  pode  sugerir  maior  complexidade  dos  casos  ou  atraso  no  diagnóstico. 

Diante  disso,  a  presente  pesquisa  apresenta  importante  contribuição  para  o  entendimento  do  cenário  cardiovascular  regional,  fornecendo  dados  valiosos  para  subsidiar  políticas  públicas,  aprimorar  a  gestão  dos  serviços  de  urgência  e  emergência,  e  planejar  intervenções educativas e preventivas. 

Por  fim,  a  análise  crítica  dos  dados  evidencia  que  o  enfrentamento  das  doenças  cardiovasculares  exige  estratégias  multissetoriais,  preventivas  e  integradas,  que  considerem  os  determinantes  sociais  da  saúde,  as  especificidades  locais  e  as  desigualdades  regionais  no  acesso ao cuidado. 

REFERÊNCIAS 

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BRASIL. Ministério da Saúde.  Departamento de Informática do SUS – DATASUS

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1Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano  de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: analuizanb@rede.ulbra.br
2Enfermeira, Mestre em promoção da saúde – Centro  Universitário Adventista São Paulo (UNASP).
E-mail: sicosta@ceulp.edu.br
3Acadêmico de Enfermagem, Centro Universitário Luterano  de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: vicente.fernando73@rede.ulbra.br
4Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano  de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: kamilasoares@rede.ulbra.br
5Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: wanessasantana@rede.ulbra.br
6Acadêmico de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: clay.ferreira@rede.ulbra.br
7Enfermeira, Graduada de Enfermagem – Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: adriellysiquiras@gmail.com
8Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: paulaaraujo18052002@rede.ulbra.br
9Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: marienesousa@rede.ulbra.b
10Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: depaulayasminpacine@gmail.com