REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601041015
Ana Luiza Noleto Barros1; Simone Sampaio da Costa2; Vicente Fernando Rocha Cavalcante3; Kamila Soares dos Santos4; Wanessa Santana Araújo5; Clayton Ferreira do Carmo6; Adrielly Siqueira Souza7; Paula Aparecida Araújo8; Mariene Rodrigues Ribeiro Soares Sousa9; Yasmin Pacine de Paula10.
RESUMO
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma condição grave que ocorre quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é interrompido (Costa et al. , 2016). O objetivo dessa pesquisa é analisar os óbitos por Acidente Vascular Encefálico nas cidades mais populosas do estado do Tocantins. Trata-se de uma pesquisa descritiva, transversal e quantitativa, realizada a partir do DataSUS. Os dados coletados foram referentes aos anos de 2022 e 2023. A amostra é constituída por 158 casos de óbitos por AVE. Os resultados demonstraram que Palmas teve um crescimento, enquanto Araguaína apresentou uma queda. Gurupi dobrou o número de casos. Os óbitos foram em sua maioria entre os idosos, principalmente nas faixas de 70 a 79 anos e 80 anos ou mais. Quanto ao sexo, os homens foram os mais afetados. Por fim, a análise dos dados evidencia que o enfrentamento das doenças cardiovasculares exige estratégias multissetoriais, preventivas e integradas.
1 INTRODUÇÃO
As principais causas de óbito no mundo em 2021, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), incluíam a doença cardíaca isquêmica, em primeiro lugar, seguida pelo acidente vascular encefálico. A Covid-19 passou a figurar como a segunda principal causa de morte mais recentemente. As doenças cardiovasculares (DCV) mantêm-se, há aproximadamente duas décadas, como a principal causa de mortalidade global, enquanto as enfermidades de origem cerebral e respiratória permanecem entre as dez mais frequentes, evidenciando a relevância epidemiológica dessas patologias.
No Brasil, apesar da redução nas taxas padronizadas de mortalidade por DCV nas últimas décadas (queda de 53,5% entre 1990 e 2021), o número absoluto de mortes aumentou devido ao envelhecimento e ao crescimento populacional. As principais causas de morte dentro das DCV são a Doença Arterial Coronariana (incluindo infarto agudo do miocárdio) e o Acidente Vascular Encefálico (AVE) (Oliveira et al. , 2024).
Entre 2017 e 2021, mais de 7 milhões de brasileiros morreram por doenças cardíacas, e cerca de 14 milhões vivem com alguma enfermidade cardiovascular. Fatores de risco como tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade e estilo de vida inadequado são determinantes para o desenvolvimento das DCV (Peixoto, 2023).
Este estudo tem como objetivo analisar os óbitos por AVE nas cidades mais populosas do estado do Tocantins. Nessa perspectiva, busca-se ampliar a compreensão dos principais determinantes da saúde na região e oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas e o desenvolvimento de ações em saúde mais efetivas.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O Acidente Vascular Encefálico (AVE), também chamado de Acidente Vascular Cerebral (AVC), é uma condição grave que ocorre quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é interrompido, comprometendo sua função neurológica. Esse evento é considerado a terceira principal causa de morte no mundo, ficando atrás somente das doenças cardíacas e do câncer. Além do risco de morte, o AVE é a principal causa de incapacidade de longo prazo, impactando significativamente a qualidade de vida dos sobreviventes (Costa et al. , 2016).
A taxa de mortalidade no primeiro mês após o AVE isquêmico é de cerca de 10%, e pode chegar a 40% ao final do primeiro ano (Oliveira et al. , 2024). Posteriormente, é comum que os pacientes enfrentem limitações motoras, cognitivas e funcionais que dificultam a realização das atividades diárias. Essas sequelas podem variar em gravidade, comprometendo desde a mobilidade até a capacidade de comunicação e independência (Schäfera; Oliveira-Menegotto; Tisser, 2010) .
Além de ser uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo e no Brasil, o Acidente Vascular Encefálico tem um impacto significativo na vida dos pacientes devido à variedade de déficits neurológicos que pode causar (Perlini; Faro, 2005). Dada sua gravidade, o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas do AVE é essencial para uma intervenção rápida e eficaz. O tratamento imediato é capaz de minimizar danos cerebrais e melhorar o prognóstico dos pacientes, reduzindo o risco de sequelas permanentes (Dos Santos et al. , 2024) .
Desse modo, destaca-se que essa patologia pode comprometer funções motoras, sensoriais, cognitivas e até emocionais, afetando desde a mobilidade e a fala até a memória e a capacidade de realizar tarefas cotidianas. Diante disso, a reabilitação pós- AVE torna-se um processo essencial para melhorar a qualidade de vida do paciente, exigindo uma abordagem multidisciplinar que envolve enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outros profissionais de saúde (Cavalcante, 2011).
Devido a paralisia da área afetada pela obstrução do fluxo sanguíneo no cérebro, a rapidez para constatar o diagnóstico no início para dar andamento no tratamento é fundamental para aumentar as chances de recuperação completa em cada paciente. Por isso, é essencial reconhecer os sinais e sintomas precocemente e buscar atendimento médico imediato para evitar sequelas graves. Além disso, o AVE é dividido em dois tipos, sendo cada um deles com causas diferentes (BRASIL, 2025). Os tipos existentes são:
- AVE hemorrágico: Ocorre quando um vaso sanguíneo no cérebro se rompe, provocando sangramento no interior do tecido cerebral ou entre o cérebro e a meninge. Embora represente uma porcentagem baixa de apenas 15% dos casos, possui uma taxa de mortalidade maior que a do AVE isquêmico (BRASIL, 2025).
- AVE isquêmico: Resulta da obstrução de uma artéria, que impede o fornecimento de oxigênio às células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode ser causada por um coágulo fixo (Trombose) ou por um êmbolo que se desloca pelo sistema circulatório (Embolia). Esse tipo de AVE é o mais comum, representando cerca de 85% dos casos (BRASIL, 2025).
Os sinais e sintomas do Acidente Vascular Encefálico (AVE) podem se manifestar de forma súbita e exigem atenção imediata, pois a rapidez no atendimento pode ser determinante para minimizar sequelas e salvar vidas. Tanto o AVE isquêmico quanto o hemorrágico compartilham alguns sintomas em comum, como dor de cabeça intensa e repentina, especialmente se acompanhada de vômitos; fraqueza; dormência na face, nos braços ou pernas, geralmente afetando apenas um lado do corpo; paralisia, caracterizada pela dificuldade ou incapacidade de movimentação; perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar e compreender o que é dito; e alteração visual, podendo ocorrer perda de visão parcial ou total em um ou ambos os olhos (BRASIL, 2015).
Diante de qualquer um desses sintomas, a busca por atendimento médico imediato é crucial. O reconhecimento precoce e o rápido acesso ao tratamento adequado são fatores determinantes para reduzir complicações e melhorar o prognóstico dos pacientes (Hsieh et al. , 2016) .
3 MATERIAL E MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa descritiva, transversal e com abordagem quantitativa. Um estudo descritivo é composto pela caracterização de um evento a partir de um levantamento, que permite estabelecer relações entre as variáveis (Coelho, 2025). O estudo transversal caracteriza-se por uma observação das variáveis em um determinado momento, em que se tem um registro único dos fatos (Zangirolami-Raimundo; Echeimberg; Leone, 2018).
A população do estudo constitui-se por dados de mortalidade classificados segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que se referem à patologia Acidente Vascular Encefálico (CID 10 I64), nas cidades de Palmas, Araguaína e Gurupi. A amostra é constituída por 158 casos de óbitos por AVE.
A coleta de dados foi realizada a partir do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), por meio do Sistema de informações sobre mortalidade (SIM), pelo aplicativo TABNET, tabulador genérico de domínio público que foi criado com o objetivo de gerar e organizar informações das bases de dados do Sistema Único de Saúde – SUS. Os dados competem aos anos de 2022 e 2023, conforme as últimas atualizações da plataforma. A coleta de dados foi realizada de abril a junho de 2025.
Os critérios de inclusão foram os óbitos por AVE pelo CID 10 I64, a média de permanência hospitalar e os óbitos relacionados à Araguaína, Gurupi e Palmas. As variáveis dependentes foram o CID e o ano de processamento, já as independentes consistiam na faixa etária, sexo, municípios e a média de internação.
Os dados disponibilizados pela plataforma DataSUS são de domínio público. Dessa maneira, pela utilização exclusiva de dados secundários, a pesquisa não necessita de submissão ao Comitê de Ética e torna-se isenta da utilização de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme a Resolução n° 466/12.
A busca foi realizada a partir dos filtros disponíveis pela plataforma, sendo os selecionados: Mortalidade geral, municipio, faixa etário, sexo, óbitos por ocorrência e categoria do CID 10. Quanto ao tempo médio de permanência hospitalar, primeiramente, foi selecionada a opção morbidade hospitalar do SUS, depois, a opção ´´Geral, por local de Internação – a partir de 2008´´ e o estado. Os filtros aplicados são município, ano processamento, média de permanência e então são marcados as cidades e a causa do óbito.
A plataforma permite que os resultados sejam exportados na íntegra para o Microsoft Excel 2016, ferramenta que foi utilizada para o registro de dados. Após a coleta, as informações obtidas foram organizadas, tabuladas e estruturadas para a análise.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Óbitos por Infarto agudo do miocárdio das cidades mais populosas do estado do Tocantins.
Os óbitos por AVE (Gráfico 1) apresentaram decréscimo no ano de 2023 somente em Araguaína.
Gráfico 1: Óbitos por AVE segundo Município.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025
Nota-se uma elevação expressiva em Palmas de 62,9%, em que o número de óbitos por AVE aumentou de cerca de 28 em 2022 para aproximadamente 42 em 2023, tornando-se o município com o maior número absoluto no último ano. No entanto, Araguaína apresentou uma queda significativa, com redução de cerca de 32 óbitos em 2022 para aproximadamente 23 em 2023. Já Gurupi registrou um crescimento considerável, passando de cerca de 10 óbitos em 2022 para mais de 20 em 2023.
Essa variação entre as cidades pode estar relacionada a diversos fatores, como perfil populacional, prevalência de comorbidades, acesso a atendimento de urgência e eficácia das políticas locais de prevenção e tratamento do AVE. O aumento dos óbitos em Palmas e Gurupi destaca a importância de reforçar medidas preventivas e estratégias de intervenção precoce nesses locais.
Um estudo realizado por Costa e Romeu (2021) no período de 2007 a 2016, identificou que os óbitos por AVE corresponderam a 8,5% de todos os óbitos registrados nesses anos. Sendo que, o ano de 2007 foi o que apresentou menor quantidade de óbitos por (96.804 óbitos), e o 2016 foi o de maior ocorrência (102.965 óbitos), demonstrando um crescimento do número absolutos de óbitos com o decorrer dos anos.
O município de Araguaína registrou queda nos óbitos por AVE. Por outro lado, Palmas apresentou um comportamento oposto, os óbitos por AVE apresentaram um crescimento mais expressivo, ultrapassando os 40 casos em 2023. Esse dado pode expressar um agravamento dos fatores de risco ou falhas na prevenção e no tratamento precoce de eventos cerebrovasculares.
Já em Gurupi, apesar de os números absolutos serem os menores entre os três municípios, observa-se um aumento nos óbitos por AVE em 2023, o que pode refletir limitações na estrutura de atendimento ou mudanças no perfil epidemiológico da população local.
4.2 Perfil epidemiológico dos óbitos por Infarto agudo do miocárdio das principais cidades do estado do Tocantins.
A análise dos óbitos Acidente Vascular Encefálico (AVE) segundo a faixa etária em Palmas (Gráfico 2), revela um aumento significativo no número de mortes por AVE em 2023 em praticamente todas as faixas etárias quando comparado ao ano anterior, com exceção apenas na faixa de 40 a 49 anos.
Gráfico 2: Óbitos por AVE segundo a faixa etária em Palmas-TO.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.
O destaque com maior evidência está na faixa etária de 80 anos ou mais, que apresentou o maior número de óbitos em 2023, totalizando cerca de 17 casos. Em 2022, essa mesma faixa registrou aproximadamente 10 óbitos, o que evidencia um crescimento expressivo.
As faixas etárias de 70 a 79 anos e 60 a 69 anos também apresentaram aumentos expressivos. Em ambas, os registros de 2023 superaram os de 2022 de forma considerável. Essa configuração demonstra uma tendência de maior vulnerabilidade entre os idosos ao AVE, com impacto direto na mortalidade dessa população.
Já nas faixas de 40 a 59 anos, embora o número de óbitos seja menor, houve um crescimento em 2023, sugerindo que o risco de AVE não se restringe apenas à população idosa, mas também afeta adultos em idade produtiva. De maneira análoga, um estudo realizado por Mamed et al. (2019) investigou óbitos por AVE em 60 cidades do Brasil e constatou que 69,8% desses ocorreram na faixa etária de 70 anos e mais, e 30,2% na faixa etária de 30 a 69 anos.
Quanto à qualidade das informações das estatísticas de mortalidade, um estudo realizado por Ishitani et al. (2017) destacou a importância da declaração de óbito como instrumento para elaboração de estatísticas de saúde, sendo utilizado para o desenvolvimento de ações e programas de prevenção de saúde, além do tratamento de doenças e agravos passíveis de intervenção.
A presença de óbito na faixa de 20 a 29 anos em 2022, ainda que de forma isolada e sem repetição no ano seguinte, pode indicar um episódio pontual ou atípico, mas também reforça a necessidade de não negligenciar o risco de AVE mesmo entre os mais jovens, especialmente quando há presença de comorbidades.
Um artigo realizado pela Academia Brasileira de Neurologia (2021) destacou que, embora o AVE seja mais comum em idosos, o número de jovens (20 a 59 anos) que morrem por AVE tem aumentado no Brasil, passando de 17,2% em 2019 para cerca de 20% em 2021. Desse modo, esses dados podem estar relacionados ao aumento precoce de fatores de risco como hipertensão, diabetes e obesidade em adultos jovens.
Em resumo, o gráfico ressalta que Palmas-TO registrou um aumento significativo nas mortes por AVE em 2023, sobretudo entre os idosos. A elevação nas faixas etária de 60 anos ou mais demonstra a necessidade de ações preventivas direcionadas ao envelhecimento saudável, com controle rigoroso dos fatores de risco como hipertensão, diabetes e sedentarismo. Ao mesmo tempo, a presença de óbitos em faixas etárias mais jovens ressalta a importância de uma abordagem preventiva mais ampla e contínua em todas as idades.
Gráfico 3: Óbitos por AVE segundo a faixa etária em Araguaína-TO.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.
De maneira geral, observa-se que em 2022 houve um número mais elevado de óbitos por AVE em praticamente todas as faixas etárias em comparação com 2023. As faixas etárias mais afetadas nos dois anos foram aquelas acima dos 60 anos, especialmente os grupos de 70 a 79 anos e de 80 anos ou mais.
No ano de 2022, a faixa de 80 anos e mais apresentou o maior número de óbitos, com cerca de 11 registros, seguida de perto pela faixa de 70 a 79 anos, com aproximadamente 10 óbitos. Já em 2023, essas mesmas faixas mostraram uma redução considerável, com o grupo de 80 anos e mais registrando em torno de 6 óbitos e o de 70 a 79 anos com cerca de 5. Um estudo realizado no Paraná por Santos, Luquini e Fagundes (2020) comparou a faixa etária dos óbitos por AVE entre 2008 e 2018, e demonstrou que o número de óbitos é maior em idosos, especialmente após os 65 anos, com risco que dobra a cada década a partir dos 60 anos.
As faixas intermediárias, como de 50 a 69 anos, também apresentaram redução nos óbitos em 2023 em relação a 2022, mantendo um padrão de decréscimo geral. A faixa etária de 20 a 29 anos teve um óbito registrado apenas em 2022, não sendo observada ocorrência em 2023. Já a faixa de 40 a 49 anos manteve números baixos em ambos os anos, com ligeira variação.
Em resumo, o gráfico revela uma diminuição nos óbitos por AVE em Araguaína no ano de 2023 em todas as faixas etárias, especialmente entre os idosos. Esse dado pode refletir avanços na prevenção, diagnóstico precoce ou cuidados clínicos, mas também aponta para a necessidade de manter e ampliar essas ações, considerando que as faixas etárias mais avançadas continuam sendo as mais vulneráveis. A redução é um sinal positivo, mas ainda exige atenção constante das políticas públicas de saúde para que se mantenha essa tendência de queda.
Gráfico 4: Óbitos por AVE segundo a faixa etária em Gurupi-TO.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.
A análise mostra um aumento significativo no número de mortes em 2023 em comparação com 2022, especialmente entre os idosos. A faixa etária de 80 anos ou mais foi a mais afetada em 2023, com cerca de 15 óbitos, um aumento expressivo em relação ao ano anterior, que registrou aproximadamente 10 mortes nesse mesmo grupo.
Outro dado relevante é o crescimento observado na faixa de 70 a 79 anos, que também apresentou mais óbitos em 2023 do que em 2022, atingindo números muito próximos aos da faixa mais idosa. A faixa etária de 60 a 69 anos, embora tenha mantido números semelhantes entre os dois anos, continua figurando entre os grupos mais afetados, o que reforça a vulnerabilidade progressiva conforme o avanço da idade.
Já nas faixas de 30 a 59 anos, embora os números absolutos sejam menores, houve um leve aumento em 2023, principalmente entre os grupos de 50 a 59 e 40 a 49 anos. Essa elevação, ainda que discreta, indica que o risco de AVE não se limita à população idosa e que fatores como hipertensão, diabetes, estresse e hábitos de vida inadequados podem estar contribuindo para o surgimento precoce da doença.
Em resumo, os dados do gráfico demonstram que Gurupi registrou um aumento preocupante nos óbitos por AVE em 2023, com destaque para as faixas etárias mais avançadas. O crescimento também, ainda que mais discreto, em grupos de idade mais jovem, acende um alerta para a necessidade de estratégias de prevenção mais amplas e eficazes. Isso inclui o fortalecimento da atenção primária, campanhas de educação em saúde e rastreamento de fatores de risco em todas as faixas etárias, visando reduzir a incidência e a letalidade do AVE no município.
Gráfico 5: Óbitos por AVE segundo o sexo em Palmas-TO.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.
A análise revela um crescimento no número de óbitos para ambos os sexos ao longo do período. Em 2022, os homens registraram cerca de 18 óbitos, enquanto as mulheres tiveram em torno de 9. No ano seguinte, os valores aumentaram para aproximadamente 26 óbitos entre os homens e 17 entre as mulheres.
Estudos realizados por Araújo et al. (2018 e Bortoli et al. (2024) obtiveram resultados de maior número de óbitos por Acidente Vascular Encefálico em homens, apresentando taxas de 52%, 51,3% e 65%, respectivamente. Apesar de os homens continuarem apresentando maior número de mortes por AVE, observa-se um crescimento proporcional mais acentuado entre as mulheres. Esse aumento pode estar relacionado a uma série de fatores, como o envelhecimento da população feminina, o aumento da incidência de doenças crônicas não transmissíveis e possíveis lacunas no acesso a cuidados médicos adequados. Além disso, a diferença entre os sexos, embora ainda significativa, vem se estreitando, indicando a necessidade de maior atenção à saúde neurológica das mulheres.
A identificação de fatores de risco para o AVE é essencial para prevenir suas ocorrências. A prevenção deste diminui os custos em reabilitação e hospitalização. Desse modo, destaca-se que essa ação deve ocorrer em todos os níveis de atenção, com maior ênfase na atenção básica, alcançando principalmente aqueles que já tiveram um primeiro AVE e reduzindo, então, riscos de recorrência e maiores comorbidades em longo prazo (Canuto et al. , 2016).
Portanto, os dados apontam para um cenário importante em Palmas, onde tanto homens quanto mulheres apresentaram aumento nos óbitos por AVE entre 2022 e 2023. Essa tendência reforça a necessidade de ações preventivas, como o controle da hipertensão, campanhas de conscientização sobre os sintomas do AVE e ampliação do acesso a atendimento médico emergencial, com estratégias específicas voltadas às particularidades de cada sexo.
Gráfico 6: Óbitos por AVE segundo o sexo em Araguaína-TO.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.
Em 2022, observa-se que as mulheres apresentaram um número mais elevado de óbitos por AVE, com cerca de 18 registros, enquanto os homens contabilizaram aproximadamente 13. Já em 2023, houve uma redução no número de mortes em ambos os sexos: os óbitos entre as mulheres caíram para cerca de 10, e entre os homens o número se manteve estável em torno de 13.
Um estudo de série temporal dos óbitos por acidente vascular encefálico no Brasil entre 2007 e 2016, com quase 1 milhão de óbitos, apresentou que 50,3% das vítimas eram homens (Costa; Romeu, 2021) . Dessa maneira, o comportamento dos dados obtidos revelam uma inversão no perfil dos óbitos por sexo no município, já que, em 2022, as mulheres foram as mais afetadas, enquanto em 2023 os homens passaram a ocupar essa posição, ainda que com uma diferença menos acentuada.
A redução significativa das mortes femininas pode indicar avanços em políticas públicas voltadas à saúde da mulher ou maior efetividade na prevenção e tratamento do AVE neste grupo. Por outro lado, a estabilidade nos óbitos masculinos sugere que ainda persistem desafios no enfrentamento da doença entre os homens, seja em termos de prevenção, diagnóstico precoce ou acesso a cuidados adequados.
Portanto, os dados de Araguaína mostram uma melhora parcial no cenário de mortalidade por AVE, com destaque para a queda nas mortes femininas. No entanto, o número constante de óbitos masculinos reforça a necessidade de estratégias mais eficazes e específicas para esse público, visando a redução geral da mortalidade por AVE na região.
Gráfico 7: Óbitos por AVE segundo o sexo em Gurupi-TO.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.
Em 2022, o número de óbitos entre os homens foi superior ao das mulheres, com aproximadamente 6 mortes masculinas contra 4 femininas. Em 2023, observa-se um aumento considerável em ambos os sexos, mas especialmente entre os homens, que registraram cerca de 13 óbitos, enquanto entre as mulheres o número subiu para aproximadamente 8.
Esses dados indicam um crescimento preocupante na mortalidade por AVE em Gurupi, particularmente entre a população masculina. O aumento expressivo entre os homens pode refletir fatores de risco não controlados, como hipertensão, tabagismo, sedentarismo e falta de acesso ou adesão ao tratamento médico. Entre as mulheres, embora o crescimento também seja notável, ele foi proporcionalmente menor, o que pode sugerir uma resposta mais efetiva às medidas de prevenção ou tratamento, ainda que insuficiente para conter totalmente o avanço dos óbitos.
De forma geral, o cenário aponta para a necessidade urgente de intensificação das ações de saúde pública voltadas à prevenção de AVE em Gurupi, com ênfase no acompanhamento de pacientes com comorbidades, promoção de hábitos saudáveis e educação em saúde, especialmente voltada ao público masculino, que apresentou maior vulnerabilidade ao longo do período analisado.
4.3 Média de permanência hospitalar por doenças cardiovasculares nas principais cidades do estado do Tocantins.
Gráfico 8: Tempo médio de permanência hospitalar por Infarto Cerebral.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS – Departamento de Informática do SUS. TABNET, 2025.
Os dados mostram um aumento significativo no tempo de internação em Araguaína e Gurupi, enquanto Palmas registrou uma leve redução. Em Araguaína, a média de dias de hospitalização subiu de 6 dias em 2022 para 13,1 dias em 2023, mais que dobrando em apenas um ano. Gurupi apresentou um crescimento ainda mais expressivo, passando de 4,9 dias para 16,3 dias. Já em Palmas, o tempo médio de internação caiu de 12 dias para 11,7 dias no mesmo período.
Em comparação ao número de óbitos, Palmas e Gurupi possuíram maior taxa de permanência hospitalar no mesmo ano, porém, Araguaína apresentou redução do número de óbitos e aumento da média de permanência.
O AVE apresenta como principais fatores de risco a idade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, estresse, diabetes mellitus, obesidade e hipertensão arterial (WHO, 2019). Desse modo, esses fatores tornam o AVE um problema para a saúde no Brasil em todos os níveis, atenção primária, secundária e terciária (Do Amaral, Fernandes, 2023).
O processo de hospitalização por AVE normalmente inicia-se por meio de atendimento emergencial, devido a sinais sugestivos da doença, seguido de confirmação diagnóstica, mediante avaliação clínica e exames complementares. Desse modo, o AVE necessita de cuidados hospitalares imediatos e ao longo do período de internação, o que resulta em um elevado custo social e econômico (Lima; Pernambuco, 2017).
Essas variações indicam um possível agravamento da complexidade clínica dos casos em Araguaína e Gurupi, o que pode estar relacionado a diagnósticos mais tardios, maior incidência de comorbidades ou limitações nos recursos hospitalares disponíveis. Em contrapartida, a leve redução observada em Palmas pode sugerir maior estabilidade nos protocolos de atendimento ou melhoria na eficácia do tratamento. De modo geral, os dados evidenciam a importância de ações voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e à estruturação da rede de cuidados, especialmente nos municípios que apresentaram aumento no tempo de internação, como forma de melhorar os desfechos clínicos e reduzir a sobrecarga hospitalar.
4 CONCLUSÃO
A partir dos dados obtidos foi possível identificar que os óbitos foram em sua maioria em indivíduos idosos, especialmente nas faixas etárias acima de 60 anos, e com predominância do sexo masculino.
Em Palmas, os dados evidenciaram aumento nos óbitos por AVE, podendo sugerir o agravamento no controle dos fatores de risco, falhas na detecção precoce ou sobrecarga nos serviços de saúde. Araguaína, embora tenha apresentado o maior número absoluto de óbitos, mostrou redução nos casos de AVE. Já Gurupi, com menores números absolutos, apresentou crescimento nos óbitos, reforçando uma possível vulnerabilidade do município.
Quanto ao perfil etário, a predominância das mortes em idosos está de acordo com a literatura. Ademais, destaca-se um crescimento de óbitos em adultos entre 50 e 69 anos, que demonstra a necessidade de intervenções precoces ao longo da vida, especialmente no controle das doenças crônicas.
A análise segundo o sexo demonstrou maior mortalidade no grupo masculino; entretanto, o crescimento consistente dos óbitos entre mulheres em 2023 evidencia a necessidade de intensificar campanhas e protocolos direcionados ao público feminino. Além disso, a elevada mortalidade entre os homens reforça a necessidade de intervenções específicas voltadas a esse público, uma vez que fatores como menor procura por serviços de saúde, maior exposição a fatores de risco modificáveis, comportamentos de autocuidado insuficientes e adesão limitada às ações preventivas podem contribuir para a manutenção de índices mais elevados neste grupo.
Em relação à média de permanência hospitalar, os dados apresentam importantes variações entre as cidades e os anos, sendo possível associar esses índices à gravidade dos casos, complexidade e eficiência terapêutica. Houve um aumento da permanência hospitalar em Araguaína e Gurupi, o que pode sugerir maior complexidade dos casos ou atraso no diagnóstico.
Diante disso, a presente pesquisa apresenta importante contribuição para o entendimento do cenário cardiovascular regional, fornecendo dados valiosos para subsidiar políticas públicas, aprimorar a gestão dos serviços de urgência e emergência, e planejar intervenções educativas e preventivas.
Por fim, a análise crítica dos dados evidencia que o enfrentamento das doenças cardiovasculares exige estratégias multissetoriais, preventivas e integradas, que considerem os determinantes sociais da saúde, as especificidades locais e as desigualdades regionais no acesso ao cuidado.
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1Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: analuizanb@rede.ulbra.br
2Enfermeira, Mestre em promoção da saúde – Centro Universitário Adventista São Paulo (UNASP).
E-mail: sicosta@ceulp.edu.br
3Acadêmico de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: vicente.fernando73@rede.ulbra.br
4Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: kamilasoares@rede.ulbra.br
5Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: wanessasantana@rede.ulbra.br
6Acadêmico de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: clay.ferreira@rede.ulbra.br
7Enfermeira, Graduada de Enfermagem – Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: adriellysiquiras@gmail.com
8Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: paulaaraujo18052002@rede.ulbra.br
9Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: marienesousa@rede.ulbra.b
10Acadêmica de Enfermagem, Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/ULBRA).
E-mail: depaulayasminpacine@gmail.com
