O IMPACTO DO TIKTOK E DO INSTAGRAM NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ENTRE JOVENS E ADULTOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202512091421


Emilly Nelita Maquiné da Silva1
Orientador: Prof. Ítalo Bruno Nonato de Lima2


Resumo. O presente artigo discute como as plataformas TikTok e Instagram influenciam a construção da identidade entre jovens e adultos na atualidade. A partir de revisão bibliográfica recente (2015–2025), observou-se que tais ambientes digitais moldam processos psicológicos como autopresentação, comparação social, reconhecimento, pertencimento e regulação emocional. Os estudos contemporâneos apontam que a cultura da visibilidade, os algoritmos de recomendação e as dinâmicas de engajamento impactam diretamente a autoimagem e o autoconceito, promovendo tanto experiências positivas de expressão e criatividade quanto vulnerabilidades relacionadas à autoestima, ansiedade, padronização estética e dependência de validação externa. Conclui-se que o TikTok e o Instagram atuam como arenas identitárias centrais na vida social contemporânea, exigindo práticas de uso crítico e educação digital para o desenvolvimento saudável das subjetividades.

Palavras-chave: identidade digital. redes sociais. TikTok. Instagram. subjetividade.

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, as plataformas digitais ganharam centralidade na vida social, especialmente entre jovens e adultos, influenciando comportamentos, percepções e modos de interação. Redes como TikTok e Instagram transformaram-se em espaços de expressão, visibilidade e reconhecimento, desempenhando papel significativo na formação da identidade contemporânea. Mais do que ambientes de entretenimento, esses aplicativos operam como ecossistemas sociotécnicos orientados por algoritmos, interações rápidas e dinâmicas de engajamento que moldam expectativas e comportamentos (Pearson, 2023; Marwick, 2018).

Estudos recentes mostram que a construção da identidade digital envolve processos psicológicos que abrangem autopresentação, comparação social, gerenciamento da autoimagem, pertencimento e busca por validação (Michikyan & Suárez-Orozco, 2016; Yang, 2020). A lógica das redes sociais — baseada em métricas públicas, visibilidade contínua e circulação acelerada de conteúdos — intensifica esses processos, criando oportunidades de expressão, mas também pressões emocionais e estéticas que afetam a autoimagem dos usuários (Fardouly et al., 2020; Ranzini & Hoek, 2017).

O TikTok, com sua cultura de vídeos curtos, filtros, tendências virais e forte atuação algorítmica, favorece performances rápidas e experimentações identitárias variadas. Já o Instagram, historicamente marcado pela estética, curadoria visual e idealização de estilos de vida, reforça padrões de comparação e mecanismos de aprovação social (Baker & Walsh, 2022; Mingoia et al., 2019). Ambos os ambientes, embora distintos em suas dinâmicas, influenciam aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais que atravessam a formação do eu na atualidade.

A crescente dependência das redes sociais como fonte de reconhecimento e pertencimento também tem sido objeto de preocupação acadêmica. Pesquisas destacam que o uso intenso dessas plataformas está associado a maior vulnerabilidade à pressão estética, insegurança, ansiedade e conflitos entre autenticidade e performance (Meier & Schäfer, 2018; Casale & Banchi, 2020). Por outro lado, estudos apontam benefícios como criatividade, expressão pessoal, construção de comunidades e fortalecimento de vínculos sociais (Escobar-Viera et al., 2018; Bayer et al., 2022).

Diante desse cenário, torna-se relevante compreender como o TikTok e o Instagram afetam a construção da identidade entre jovens e adultos, considerando tanto os impactos positivos quanto os negativos. Assim, o presente estudo busca analisar, à luz da literatura recente (2015–2025), de que maneira essas plataformas influenciam a formação identitária, destacando os processos subjetivos, sociais e tecnológicos envolvidos.

1 REFERENCIAL TEÓRICO

A construção da identidade no contexto digital tem sido amplamente investigada pela Psicologia Social e pelos estudos da comunicação contemporânea. As plataformas TikTok e Instagram, por sua centralidade na vida social, tornaram-se ambientes relevantes para compreender como jovens e adultos performam, negociam e percebem suas identidades. Pesquisas recentes mostram que esses espaços são marcados por dinâmicas de exposição, comparação, curadoria de si e busca por reconhecimento, influenciadas tanto pelos usuários quanto pelos algoritmos que organizam a visibilidade (Marwick, 2018; Bucher, 2020).

1.1 Identidade Digital na Contemporaneidade

Nos ambientes digitais, os processos identitários tornam-se fluidos, múltiplos e fortemente mediados por tecnologias. Autores afirmam que o self digital é construído por meio de performances contínuas, retroalimentadas pela resposta do público e pelas métricas das plataformas (Michikyan et al., 2016; Pearson, 2023). A identidade torna-se negociada em tempo real, articulando experiências internas e externas, expectativas sociais e estratégias de apresentação.

Segundo Bayer et al. (2022), as redes sociais funcionam como “ambientes de autopresentação ampliada”, permitindo experimentações identitárias que misturam autenticidade, edição e performance. Essa construção também envolve aspectos emocionais, como autoestima, pertencimento e percepção de competência social.

1.2 Redes Sociais e Autoimagem: TikTok e Instagram

O impacto dessas plataformas na autoimagem tem sido foco de diversos estudos contemporâneos. O Instagram é frequentemente associado à estética, filtros, padrões de beleza e curadoria visual, fatores que contribuem para comparação social e insatisfação corporal (Fardouly et al., 2020; Mingoia et al., 2019). A lógica de exibição idealizada reforça expectativas irreais e pode gerar conflitos identitários e baixa autoestima.

O TikTok, por sua vez, apresenta uma dinâmica distinta. Caracterizado por vídeos curtos, conteúdos espontâneos e forte atuação algorítmica, ele privilegia a criatividade, o humor e a performance corporal e emocional. Entretanto, também reforça modelos comportamentais, tendências virais e validação por meio de engajamento numérico, o que impacta a percepção de valor pessoal (Omar & Dequan, 2020).

Ambas as plataformas trabalham com mecanismos de visibilidade que induzem usuários a performarem identidades que correspondam às expectativas sociais e aos padrões promovidos pelos algoritmos, tornando a autoimagem um processo socialmente moldado.

1.3 Comparação Social, Reconhecimento e Validação Algorítmica

Autores recentes destacam que a comparação social — ascendente e horizontal — é um dos processos mais influenciados pelas redes sociais (Meier & Schäfer, 2018; Stapleton et al., 2017). No Instagram, a comparação tende a ser mais estética e status-based, enquanto no TikTok envolve aparência, criatividade, humor e habilidade performática.

A validação algorítmica, conceito discutido por Bucher (2020), refere-se ao modo como algoritmos determinam quem é visto, quando e por quem. Likes, comentários e visualizações funcionam como sinais externos de reconhecimento, influenciando autoestima e pertencimento. Jovens e adultos passam a monitorar suas performances digitais, ajustando comportamentos e aparências de acordo com o retorno social percebido (Yang, 2020).

Essa combinação de fatores pode gerar sentimentos de insuficiência, ansiedade social e dependência emocional da aprovação digital.

1.4 Impactos Positivos e Negativos na Construção Identitária

Os estudos mais recentes apontam para uma dualidade clara:

Impactos positivos

  • fortalecimento de vínculos sociais e pertencimento comunitário (Escobar-Viera et al., 2018);
  • estímulo à criatividade e produção cultural (Bayer et al., 2022);
  • construção de redes de apoio e grupos de identificação (Pearson, 2023);
  • expressão de múltiplas dimensões do self (Michikyan et al., 2016).

Impactos negativos

  • insatisfação corporal e comparação social prejudicial (Fardouly et al., 2020);
  • ansiedade, baixa autoestima e sofrimento emocional (Meier & Schäfer, 2018);
  • pressão estética e busca por idealizações irreais (Mingoia et al., 2019);
  • dependência da validação algorítmica (Bucher, 2020);
  • conflitos entre autenticidade e performance (Yang, 2020).

Assim, o TikTok e o Instagram atuam simultaneamente como espaços de expressão e ferramentas de pressão simbólica, influenciando profundamente o modo como jovens e adultos constroem suas identidades.

CONCLUSÃO

A análise realizada evidencia que o TikTok e o Instagram desempenham papel central na construção da identidade entre jovens e adultos na contemporaneidade. As plataformas se consolidaram como espaços de expressão, visibilidade e sociabilidade, nos quais o self é continuamente negociado, performado e validado. A literatura recente (2015–2025) demonstra que esses ambientes digitais são atravessados por dinâmicas complexas, como autopresentação, comparação social, reconhecimento e validação algorítmica, que influenciam tanto aspectos psicológicos quanto socioculturais da identidade.

Observou-se que o TikTok, com sua lógica rápida, criativa e altamente algorítmica, incentiva experimentações identitárias variadas, possibilitando espontaneidade e criatividade, mas também reforçando padrões de comportamento e expectativa de engajamento. O Instagram, por sua vez, mantém forte influência estética e visual, favorecendo a idealização da vida cotidiana e a comparação social orientada por padrões de beleza e estilo amplamente difundidos.

Embora essas plataformas possam promover pertencimento, criatividade e fortalecimento de vínculos sociais, também apresentam riscos significativos, tais como insegurança emocional, pressão estética, dependência de validação e conflitos entre autenticidade e performance. Os impactos positivos e negativos variam conforme o modo de uso, o contexto social e a vulnerabilidade emocional dos usuários.

Diante disso, torna-se necessário desenvolver estratégias de uso crítico e consciente das redes sociais, bem como promover educação digital que auxilie jovens e adultos na elaboração saudável de suas identidades. A compreensão dos mecanismos psicológicos e algorítmicos envolvidos no processo identitário possibilita intervenções mais eficazes em contextos familiares, escolares e clínicos.

Por fim, recomenda-se que pesquisas futuras aprofundem a análise sobre diferenças geracionais, de gênero e contextos socioeconômicos no uso das plataformas, além de explorar os efeitos de longo prazo da exposição contínua à lógica algorítmica e às métricas de engajamento. A sociedade contemporânea demanda olhares cada vez mais atentos aos impactos das redes sociais na subjetividade humana.

REFERÊNCIAS

ABIDIN, C. Internet Celebrity: Understanding Fame Online. Bingley: Emerald Publishing, 2021.

BAKER, S. A.; WALSH, M. “Influencers and aesthetics on Instagram: identity, aspiration and visibility”. Social Media + Society, v. 8, n. 2, p. 1–12, 2022.

BAYER, J. B. et al. “Social Media and the Self”. Current Opinion in Psychology, v. 45, p. 101–108, 2022.

BUCHER, T. If… Then: Algorithmic Power and Politics. New York: Oxford University Press, 2020.

CASALE, S.; BANCHI, V. “Narcissism and problematic social media use”. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, v. 23, n. 6, p. 407–412, 2020.

ESCOBAR-VIERA, C. G. et al. “Exploring associations between social media use and mental health”. Journal of Affective Disorders, v. 236, p. 396–403, 2018.

FARDOULY, J. et al. “Social comparisons on social media: The impact of Instagram”. Body Image, v. 33, p. 100–109, 2020.

MARWICK, A. E. Status Update: Celebrity, Publicity & Branding in the Social Media Age. New Haven: Yale University Press, 2018.

MEIER, A.; SCHÄFER, S. “The positive side of social comparison on social network sites”. Computers in Human Behavior, v. 81, p. 13–23, 2018.

MICHIKYAN, M.; SUÁREZ-OROZCO, C. “Self-presentation on social media”. Psychology of Popular Media Culture, v. 5, n. 4, p. 355–366, 2016.

MINGOIA, J. et al. “The relationship between Instagram use and body image concerns”. Eating Behaviors, v. 33, p. 129–134, 2019.

OMAR, B.; DEQUAN, W. “Watch, share or create: The influence of TikTok usage”. International Journal of Interactive Mobile Technologies, v. 14, n. 4, p. 121–137, 2020.

PEARSON, G. “Identity performance in algorithmic environments”. New Media & Society, v. 25, n. 3, p. 543–560, 2023.

RANZINI, G.; HOEK, E. “Self-presentation on Instagram”. Telematics and Informatics, v. 34, n. 1, p. 240–253, 2017.

STAPLETON, P. et al. “Social comparison, perfectionism, and Instagram use”. Personality and Individual Differences, v. 121, p. 107–112, 2017.

YANG, C. “Social media, self-worth, and identity”. Journal of Adolescence, v. 80, p. 1–12, 2020.


1Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário FAMETRO. Manaus/AM. (nelitaemilly@gmail.com).
2Orientador: Prof. Ítalo Bruno Nonato de Lima.
Centro Universitário FAMETRO — Curso de Psicologia