REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511232240
Tatiane dos Santos1
Erica Piovam de Ulhoa Cintra2
RESUMO
A família constitui-se como o primeiro espaço de formação do ser humano, onde se estruturam valores, caráter e referências sociais, emocionais e educacionais. Este estudo tem como objetivo refletir a trajetória histórica da família, seu papel no desenvolvimento infantil e a relevância do apoio familiar no processo de aprendizagem do aluno nos anos iniciais da escolarização. A pesquisa foi desenvolvida por meio de abordagem qualitativa e descritiva, com autores como Ariès, Vygotsky, Montessori, Pestalozzi, Bronfenbrenner, Caetano e Yaegashi, além de documentos oficiais do Ministério da Educação (MEC), confrontadas com observações oriundas do estágio supervisionado na rede pública de ensino. Os resultados apontam que o envolvimento da família, e demais redes de apoio exercem influência significativa, por meio da empatia, do acolhimento, e da afetividade, no desempenho escolar e socioemocional dos estudantes. Destaca-se também o compromisso e papel da escola para estabelecer a parceria com a família na promoção do sucesso educacional. A reflexão é ainda enriquecida com uma perspectiva de valores éticos universais culturais transmitidos no ambiente familiar. O estudo reforça a cooperação entre escola e família como rede de apoio essencial para a garantia da aprendizagem plena, saudável e significativa no ensino fundamental.
Palavras-chave: Família; Apoio familiar; Ensino fundamental; Redes de apoio; Desenvolvimento do aluno; Pedagogia humanizadora.
ABSTRACT
The family constitutes the primary space for human formation, where values, character, and social, emotional, and educational references are structured. This study aims to reflect on the historical trajectory of the family, its role in child development, and the relevance of family support in the student’s learning process during the initial years of schooling. The research was developed using a qualitative and descriptive approach, utilizing authors such as Ariès, Vygotsky, Montessori, Pestalozzi, Bronfenbrenner, Caetano, and Yaegashi, in addition to official documents from the Ministry of Education (MEC), confronted with observations arising from supervised internships in the public school system. The results indicate that the involvement of the family and other support networks exerts a significant influence, through empathy, welcoming, and affectivity, on the students’ school performance and socio emotional development. The commitment and role of the school in establishing a partnership with the family to promote educational success is also highlighted. The reflection is further enriched with a perspective of universal cultural ethical values transmitted in the family environment. The study reinforces the cooperation between school and family as an essential support network to guarantee full, healthy, and meaningful learning in elementary school.
Keywords: Family; Family support; Elementary school; Support networks; Student development; Humanizing pedagogy.
1. Introdução
O presente artigo está vinculado ao projeto de pesquisa Histédiice – História da educação: instituições, intelectuais, culturas escolares, em desenvolvimento, no curso de Pedagogia da Unespar.
A educação da criança constitui-se em um processo contínuo e dinâmico, que ultrapassa os limites da escola e que já se inicia no convívio familiar. É nesse lugar e instituição que se estabelecem as primeiras experiências de socialização, a transmissão de valores, a formação de atitudes e a construção das bases cognitivas e afetivas que acompanharão o indivíduo ao longo da vida.
Conforme destaca Ariès (1981), a família desempenhou historicamente papel central na constituição da infância como categoria social, sendo, até hoje, referência fundamental para o desenvolvimento humano. Portanto, o ingresso da criança na escola não representa o início da aprendizagem, mas a continuidade de um processo que já se iniciou desde cedo no seio da família.
Para Durkheim (1978), a educação é um fenômeno social que depende da interação entre diferentes instituições, e a família ocupa lugar privilegiado nesse processo ao fornecer suporte emocional, cultural e moral. Essa cooperação é ainda mais necessária quando se reconhece que a formação da criança é também um fenômeno coletivo, que exige a participação integrada de diferentes esferas de convivência.
Freire (1996) reforça que a educação é, antes de tudo, um ato de diálogo e de construção coletiva, no qual a presença da família pode potencializar a autonomia e a criticidade dos educandos. Do mesmo modo, Vygotsky (1991) destaca que o desenvolvimento cognitivo e socioemocional é inseparável do contexto social em que a criança está inserida, o que coloca a rede familiar como um dos pilares do aprendizado. E, nessa mesma perspectiva, Bronfenbrenner (1996), em sua teoria ecológica e sistêmica do desenvolvimento humano, evidencia que o microsistema familiar exerce influência direta e decisiva na formação integral da criança.
Mais do que discutir modelos de organização familiar, importa aqui reconhecer que é a qualidade do apoio à criança e da presença a ela oferecida que favoreceram o sucesso escolar e o desenvolvimento global da mesma. Ações realizadas na intimidade doméstica, como o acompanhamento das tarefas, o incentivo ao estudo, a valorização da escola e o suporte emocional constituem práticas que fortalecem a autoconfiança dos pequenos e ampliam as possibilidades de aprendizagem, além de contribuir para o equilíbrio psicossocial e a saúde mental a longo prazo. A cooperação entre família e escola, portanto, torna-se condição indispensável para que a educação da criança se realize com plenitude.
O presente estudo busca refletir a trajetória histórica da família, enquanto instituição social, e sua relevância no processo educacional, destacando de que forma o apoio familiar influencia o rendimento, o comportamento e o desenvolvimento socioemocional dos estudantes no ensino fundamental. Soma-se a isso, as reflexões oriundas de um relato de experiência vivenciado em estágio supervisionado ao longo do curso, evidenciando como práticas pedagógicas humanizadas e fundamentadas no diálogo podem contribuir de modo fundamental para a transformação da realidade escolar.
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa e descritiva, de natureza bibliográfica e de campo, realizada no contexto do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR, campus de Paranaguá.
A pesquisa bibliográfica abrangeu autores clássicos e contemporâneos da educação, como Philippe Ariès, Vygotsky, Montessori, Bronfenbrenner e Faria Filho, além de documentos oficiais do Ministério da Educação. A etapa empírica, por sua vez, baseou-se em observações sistemáticas realizadas durante o estágio supervisionado obrigatório em escolas da rede pública municipal de Paranaguá, no ano de 2025, atendendo o ensino fundamental.
A metodologia adotada buscou articular teoria e prática, promovendo uma análise interpretativa sobre o papel da família no processo de aprendizagem, com enfoque nas relações afetivas, sociais e institucionais que sustentam o desenvolvimento do estudante no ensino fundamental.
Assim, o objetivo geral desta pesquisa é evidenciar a importância da rede de apoio familiar na formação da criança, demonstrando, sob fundamentos teóricos e de vivências práticas, que a parceria entre família e escola constitui fator decisivo para a qualidade do processo educacional e para o pleno desenvolvimento dos alunos.
2. A história da família e seu papel na formação da criança
Ao longo da história, a instituição familiar passou por profundas transformações que impactaram diretamente a forma como a sociedade compreende a infância e o papel da família na formação dos indivíduos. Conforme o historiador francês Philippe Ariès (1981), durante a Idade Média, a infância não era reconhecida como uma fase distinta da vida. As crianças eram tratadas como “pequenos adultos”, convivendo em ambientes comuns de trabalho e lazer, sem atenção diferenciada para suas necessidades de cuidado e educação. Foi apenas a partir da modernidade, com as mudanças sociais, culturais e econômicas, que se consolidou uma nova concepção de infância, reconhecendo-a como uma etapa singular do desenvolvimento humano.
Essa transformação, ao valorizar esse período específico da infância, trouxe à tona a necessidade de proteção, do cuidado e do acompanhamento das crianças. A família passou a ser vista como núcleo essencial para o desenvolvimento emocional, moral e intelectual da criança, configurando-se como a primeira instituição de socialização e aprendizagem. Donzelot (1998) também ressalta que, nesse período, a família assumiu funções ligadas ao cuidado e à educação, fortalecendo sua ligação com a escola e com outras instituições sociais.
No contexto brasileiro, por sua vez, Oliveira (2002) destaca que a família sofreu mudanças significativas ao longo do século XX, influenciados por processos acelerados de urbanização, de industrialização e de transformações culturais. Apesar disso, permanece a centralidade da família como espaço de formação e socialização dos pequenos, pois é no ambiente familiar que a criança encontra suas primeiras referências de modelos de vida, e onde desenvolve vínculos afetivos e aprende valores que orientarão sua convivência social. De acordo com, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022) confirmam essa relevância ao apontar que a família brasileira, apesar das alterações de sua conformação ao longo da última década, em que o arranjo familiar mais comum ‘com ambos os pais e filhos’ correspondeu a 30,7 % dos domicílios, demonstrando uma queda em relação aos 41,3 % registrados em 2010, continua sendo a principal rede de apoio e proteção da infância no Brasil. Mais do que a configuração em si, das variações familiares, o que se mostrará decisivo para a criança é a qualidade das relações estabelecidas no lar: o diálogo, a presença ativa dos responsáveis e o acompanhamento escolar da criança exercem influência direta em seu desenvolvimento acadêmico, emocional e social (TIBA, 2006).
A valorização da infância e o fortalecimento da família como espaço de proteção e formação também se refletem nas políticas públicas do Brasil. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 227, estabelece que é dever “da família, da sociedade e do Estado”, e nessa ordem, assegurar à criança o direito à vida, à educação, à saúde e ao lazer. Essa concepção é reafirmada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), que reconhece “a família como núcleo fundamental para a garantia de direitos” e para a construção de uma infância plena e digna.
Compreender a história da família e suas transformações ao longo do tempo é reconhecer sua importância perene na formação da criança ainda hoje. Muito embora as mudanças sociais que ocorreram ao longo dos séculos possam ter algum reflexo no seio da família, ela ainda permanece como o primeiro espaço de referência, afeto e cuidado para as crianças. E é nesse ambiente que se formam as bases para o desenvolvimento humano, revelando-se como a principal rede de apoio, talvez a primeira, no processo de aprendizagem e de socialização. Ainda que o papel da família se mantenha essencial ao longo do tempo, é importante compreender historicamente como se construiu a relação entre a família e a escola.
Conforme Faria Filho (2000), a consolidação da instituição escolar no Brasil, sobretudo a partir do século XIX, implicou o deslocamento progressivo da família de suas funções tradicionais de formação moral e intelectual das crianças. A escola passou a assumir o lugar central do saber e da educação formal, enquanto a família foi sendo vista como coadjuvante ou até incapaz de educar adequadamente, especialmente nas camadas populares.
Essa mudança gerou, nas décadas seguintes, uma tentativa de reaproximação da escola com as famílias, porém sob uma lógica hierárquica, em que a escola orientava os pais sobre como deveriam agir na educação dos filhos.
Como destaca o autor, essa intenção colonizadora da escola em relação à família evidencia que as tensões atuais entre ambas têm raízes históricas profundas, resultantes de uma cultura escolar que se legitimou como detentora do saber pedagógico (FARIA FILHO, 2000).
Assim, compreender a evolução das relações entre família e escola permite reconhecer que o desafio da cooperação efetiva não é apenas contemporâneo, mas parte de um longo processo histórico de disputas por autoridade sobre a formação das novas gerações.
3. A rede de apoio familiar e seus desafios educacional no ensino fundamental
A infância é um período marcado por intensas transformações cognitivas, emocionais e sociais, nas quais a criança constrói vínculos, aprende valores e desenvolve sua identidade. Nesse processo, a família constitui o primeiro espaço de socialização e de aprendizagem, exercendo papel indispensável na formação integral do sujeito. É no convívio familiar que a criança adquire suas primeiras referências culturais, éticas e afetivas, estabelecendo bases para o desenvolvimento de suas competências cognitivas e socioemocionais.
Durkheim (2011) afirma que a educação não se restringe à transmissão de conhecimentos, mas depende essencialmente dos vínculos afetivos e morais construídos no núcleo familiar. Esse pensamento reforça que a família não apenas prepara a criança para a vida social, mas atua como a primeira instituição educativa, transmitindo valores e comportamentos que servirão de alicerce para sua trajetória escolar e cidadã. A afetividade familiar, portanto, não é um complemento, mas um pilar estruturante da educação, influenciando diretamente o desenvolvimento cognitivo, social e moral da criança. Contudo, a contemporaneidade tem imposto novos desafios às famílias. As mudanças nas estruturas sociais, o ritmo acelerado da vida moderna e as condições econômicas instáveis muitas vezes comprometem a disponibilidade de tempo e a qualidade da convivência familiar. Pais e responsáveis, sobrecarregados por extensas jornadas de trabalho, enfrentam dificuldades para acompanhar de perto o cotidiano escolar dos filhos, o que pode gerar lacunas no processo de aprendizagem. Nessas circunstâncias, a escola assume papel ainda mais relevante, funcionando como elo mediador entre o estudante e o seu contexto familiar, fortalecendo laços de pertencimento e cooperação.
Segundo Vygotsky (1991), o desenvolvimento humano se dá por meio da interação social, sendo a mediação dos adultos essencial para que a criança avance em suas potencialidades. A família, nesse sentido, é o primeiro mediador das experiências infantis, oferecendo suporte emocional e estímulo para o aprendizado. Essa compreensão é perceptível em situações práticas do contexto escolar. Durante o estágio supervisionado, ao trabalhar o tema “profissões”, a professora propôs que os alunos construíssem maquetes e cartazes. Quando souberam que seus pais estariam presentes para observar as produções, as crianças demonstraram maior entusiasmo e dedicação. Esse episódio evidencia que a presença e o reconhecimento da família potencializam a motivação e o envolvimento dos alunos, tornando a aprendizagem mais significativa e prazerosa.
A rede de apoio familiar, nesse contexto, ultrapassa a presença física dos pais. Ela se estende às relações afetivas, emocionais e comunitárias que contribuem para o bem-estar e o sucesso educacional da criança. De acordo com um estudo apresentado por Moraes (2024), publicado no blog da Revista Educação & Sociedade, a adaptação social e o desempenho acadêmico estão intimamente ligados à capacidade do indivíduo de interagir harmoniosamente em diferentes contextos sociais, construindo relações interpessoais saudáveis e equilibradas. As redes de apoio constituídas pela família, amigos, vizinhos, escola e comunidade fortalecem o equilíbrio psicológico, a autoestima e a sensação de pertencimento, aspectos fundamentais para o sucesso escolar.
Essa ideia é reforçada por Silva, Narciso e Moraes (2024), que destacam, em pesquisa publicada na Revista da Amazônia, o papel transformador do incentivo familiar na trajetória escolar de crianças em contextos de vulnerabilidade. O relato da participante ilustra essa força:
Encontrei em um dos meus irmãos o estímulo para estudar, pois, quando tinha um tempinho, ele me auxiliava com a lição de casa. Lembro-me que quando meu irmão dizia: quero lhe ver formada em alguma profissão, eu me sentia incapaz, por causa das dificuldades.
Os meus pais não estavam tão presentes na minha infância, pois trabalhavam na roça, fazendo farinha para vender, e por esse motivo não tinham tempo. Mas mesmo sem estarem presentes, meus pais sempre me motivaram a seguir, buscando melhorias para os estudos. (SILVA; NARCISO; MORAES, 2024, p. 237).
O trecho revela que, mesmo diante de condições materiais precárias e da ausência cotidiana dos pais, o apoio simbólico e emocional foi suficiente para manter viva a motivação e o compromisso com os estudos. O exemplo mostra que a rede de apoio não depende apenas de presença física ou de recursos financeiros, mas da construção de vínculos afetivos que geram sentido e esperança. Quando a família valoriza o estudo e incentiva o aprendizado, transmite à criança a mensagem de que o conhecimento é um caminho de superação e de dignidade.
Nesse mesmo entendimento, Martínez-Otero e Gaeta (2024), em estudo realizado entre Espanha, México e Brasil, apontam que a força das relações familiares é um dos fatores determinantes para o êxito acadêmico e pessoal dos estudantes. Os autores ressaltam que a presença de laços afetivos estáveis e de uma rede de apoio sólida é capaz de atenuar os impactos das desigualdades sociais e emocionais, contribuindo para o bem-estar psicológico e o equilíbrio emocional dos alunos. Assim, a rede de apoio familiar deve ser entendida como uma estrutura de sustentação social e emocional, indispensável ao desenvolvimento pleno da criança e à permanência escolar.
Desse modo, a construção dessa rede de apoio exige cooperação entre escola, família e comunidade, com base em relações dialógicas e de corresponsabilidade. A escola precisa reconhecer que, embora nem todas as famílias consigam participar ativamente da rotina escolar, há sempre potencial para o fortalecimento dos vínculos afetivos e comunicativos. A promoção de encontros, rodas de conversa e projetos integradores pode favorecer a escuta, o diálogo e a confiança mútua, criando um ambiente educativo mais acolhedor e participativo.
Ao refletir sobre essas dimensões, compreende-se que o fortalecimento da rede de apoio familiar é uma das estratégias mais eficazes para superar as desigualdades e os desafios educacionais contemporâneos. É no trabalho conjunto entre família e escola que a criança encontra estabilidade emocional, segurança e incentivo para aprender. Essa articulação, quando efetiva, transforma a escola em um espaço de convivência humanizadora e de partilha de responsabilidades, rompendo com o isolamento institucional e promovendo uma educação mais significativa. Em síntese, reconhecer a importância da rede de apoio familiar é compreender que a educação é um processo coletivo, sustentado pelo diálogo, pela afetividade e pela cooperação entre diferentes fatores sociais. Essa visão amplia o papel da escola e reposiciona a família como parceira ativa e corresponsável pela formação da criança.
Diante do exposto, é possível questionar:
Como a rede de apoio familiar se articula com a escola na superação dos desafios educacionais e no fortalecimento do processo de aprendizagem das crianças? Essa questão será aprofundada no tópico a seguir, que discute o papel da família no apoio escolar e os desafios enfrentados nessa relação.
3.1 O papel da família no apoio escolar e os desafios enfrentados na relação família e escola
Como destaca Libâneo (2001), a prática educativa é um fenômeno social que não pode ser reduzido ao espaço escolar, visto que a formação da criança exige a cooperação de diferentes instâncias sociais, especialmente da família.
Estudos mais recentes também ampliam essa reflexão ao mostrar que, apesar do reconhecimento legal da importância da família na escola, essa participação ainda é frágil e marcada por tensões. Rocha et al. (2012), em uma análise bibliográfica de trabalhos apresentados na ANPEd e no CONPE, identificaram que a parceria entre escola e família é frequentemente limitada a encontros formais e esporádicos, como reuniões bimestrais.
Embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/1996) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990) garantam a participação dos pais na vida escolar, a efetivação desse direito ainda enfrenta obstáculos. Segundo as autoras, muitas instituições mantêm uma cultura autoritária e hierárquica, em que os pais são convidados a participar apenas quando há problemas com o comportamento ou o rendimento dos filhos. Isso reforça a ideia de que a escola ocupa posição de superioridade em relação à família, desconsiderando o saber e a experiência que os pais também possuem no processo educativo (ROCHA et al., 2012).
Essa constatação revela que a construção de uma relação colaborativa e horizontal entre escola e família é um dos grandes desafios da educação contemporânea, exigindo mudanças na cultura institucional e na gestão escolar.
Assim, quando os pais ou responsáveis participam ativamente, demonstram interesse e estabelecem uma rotina de diálogo, a criança tende a desenvolver maior motivação, autoconfiança e compromisso com os estudos. Por outro lado, a ausência de suporte familiar pode ocasionar efeitos negativos, como baixo rendimento escolar, desmotivação, repetência e até evasão. Tiba (2006) afirma que a falta de acompanhamento adequado abre espaço para que a criança busque referências em ambientes externos, muitas vezes pouco saudáveis, o que compromete não apenas o desempenho escolar, mas também a formação ética e social.
O acompanhamento familiar das rotinas escolares, portanto, vai muito além da simples supervisão de tarefas escolares. Ele envolve escuta, incentivo e valorização da aprendizagem. Durante o estágio ao longo do curso, observei um caso de aluno do 5º ano do ensino fundamental, com dificuldades rudimentares em matemática, e que, mais tarde, apresentou boa evolução da aprendizagem quando a mãe passou a acompanhá-lo efetiva e diariamente nas tarefas em casa enviadas pela professora. Como se vê neste exemplo, que é uma amostra de tantos outros casos que temos neste exato momento no decurso escolar em todo o país. E corrobora o que os estudos acadêmicos e pesquisas têm informado, que o apoio familiar exerce influência direta no desenvolvimento de qualquer estudante, seja do ensino fundamental ao ensino superior, como outrora consideramos pontualmente (Martínez-Otero e Gaeta, 2024).
Embora a importância da família no desenvolvimento da criança seja inegável, diversos fatores dificultam a presença ativa dos adultos na vida escolar da criança, como as questões socioeconômicas, que muitas vezes obrigam pais e mães a jornadas extensas de trabalho, reduzindo o tempo disponível para acompanhar os filhos. A ausência de competência pedagógica pode gerar insegurança dos adultos ao se propor a ajudar nas tarefas e nos processos de aprendizagem da criança.
Não se pode subestimar, por exemplo, o quanto os conflitos familiares, que afetam o ambiente emocional da criança, refletem diretamente em seu comportamento escolar. O distanciamento entre família e escola, causado por barreiras comunicativas, ou pela falta de estratégias institucionais que favoreçam essa aproximação também é um fator em desfavor da aprendizagem da criança.
Esses desafios exigem da escola uma postura ativa, que não se limite a responsabilizar os pais, mas que busque caminhos de aproximação. Nesse sentido, Paro (2000) aponta que a gestão democrática da escola deve promover canais de diálogo permanentes com a comunidade, reconhecendo que a educação é um processo coletivo e que a participação da família é direito e dever constitucional estabelecidos. A esse respeito, pude observar no período do estágio supervisionado, uma situação significativa que evidencia a importância de uma postura humanizada da escola diante de diferentes situações das famílias atualmente.
Durante os dias de inverno, um estudante do 3º ano apresentou ausências frequentes, o que despertou a atenção da professora e da equipe pedagógica. Diante dessa ausência prolongada, a pedagoga, que me relatou o caso, entrou em contato, exercendo a busca ativa, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, entrando em contato com a família do aluno, que identificou uma situação de vulnerabilidade. Nesse diálogo, a equipe pedagógica foi informada que o aluno não comparecia às aulas devido à falta de roupas adequadas para enfrentar o frio! Sendo pertinente esse diálogo entre escola e família, resultando em uma ação solidária que garantiu o retorno do estudante às aulas, evidenciando o papel da escola como rede de proteção e garantindo o direito à educação.
As barreiras impostas por fatores familiares, como limitações socioeconômicas, insegurança em relação ao acompanhamento pedagógico, ou conflitos internos, revelam obstáculos significativos à participação efetiva dos estudantes na vida escolar. Essa responsabilidade entre escola e família reafirma que o processo educativo não depende de uma única parte, mas da união de esforços e da construção de vínculos de confiança. Quando ambas as instituições dialogam, a aprendizagem torna-se mais significativa e humana.
A articulação entre a escola e a família podem ajudar a ultrapassar as dificuldades e a contribuir para a aquisição ou a melhoria dos hábitos de estudo ao longo de toda a escolaridade. Valorizar a escola, demonstrar interesse pelas atividades lá realizadas, ajudar a organizar o espaço e o tempo de estudo, elogiar os pequenos/grandes sucessos obtidos e não deixar criar desânimo perante as dificuldades, estar em contato permanente com a escola, são diversas formas de os pais ajudarem os seus filhos a sentirem se valorizados e acompanhados e a adquirirem hábitos e gosto pelo estudo. (PICANÇO, 2012, p. 46).
Dessa forma, a autora destaca o papel ativo da família no acompanhamento escolar, evidenciando que o sucesso educativo não depende unicamente da escola, mas da cooperação entre ambos os contextos. A valorização das conquistas da criança e o estímulo constante ao estudo fortalecem o vínculo afetivo e contribuem para o desenvolvimento de atitudes positivas em relação à aprendizagem.
Diante de situações em que o aluno se encontra em vulnerabilidade social ou emocional, a escola tem o dever de agir como espaço de acolhimento. Isso significa estabelecer projetos que aproximem a família, como a promoção de reuniões formativas e a criação de ambientes de escuta respeitosa. Tardif (2002) lembra que a prática pedagógica é construída em interação com diferentes saberes e contextos, e, portanto, o professor deve estar atento às dimensões familiares que influenciam o aprendizado.
Mais do que transmitir conteúdos, a escola deve fortalecer a relação com a comunidade, oferecendo não apenas conhecimento, mas também apoio às famílias. Nesse sentido, políticas públicas educacionais também têm papel essencial, pois podem oferecer programas de incentivo à participação familiar, bem como suporte a famílias em condições de vulnerabilidade. A escola, ao perceber situações de vulnerabilidade, deve atuar como rede de apoio, buscando estratégias para integrar a família ao processo educativo, sempre com respeito e empatia.
Durante o estágio identifiquei um aluno que apresentava baixo desempenho escolar e ao dar mais atenção à causa desse insucesso junto à professora, ela percebeu que o aluno apresentava dificuldades relacionadas à visão. Em conjunto com a pedagoga, a equipe escolar entrou em contato com a família, estabelecendo diálogo e parceria. A partir dessa observação, foi possível providenciar a realização de exames oftalmológicos gratuitos aos alunos, identificando e solucionando a debilidade visual não apenas deste estudante, mas também de ainda outros que apresentavam algumas limitações. Essa intervenção demonstra que, ações periódicas de rotina na escola, é possível atuar de maneira preventiva e proativa quanto a algumas limitações visuais ou até mesmo auditivas, garantindo-lhes o acesso ao conhecimento e, também, o bem-estar e o desenvolvimento integral dos alunos.
4. A família como espaço de formação de valores e aprendizagem
De modo geral, filósofos, historiadores, antropólogos, psicólogos, e muitas outras áreas do conhecimento humano e das sociabilidades, reconhecem, ao longo da história, a importância da família no processo de formação da criança. Desde Comênio (1996), considerado o pai da Didática Moderna, defende-se que a educação deve começar cedo, cabendo à família o papel de cultivar bons hábitos, disciplina e valores. Pestalozzi (2006) reforça essa ideia ao afirmar que o desenvolvimento moral e afetivo nasce do exemplo e da convivência no lar.
A valorização da formação moral e do ensino desde a infância é uma preocupação antiga na história da humanidade. Diversos registros culturais e literários expressam essa ideia, como no Livro de Provérbios (22:6), texto da tradição judaico-cristã que orienta: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velha não se desviará dele. ” Essa referência, analisada sob um olhar histórico e cultural, expressa a importância atribuída ao papel formador da família desde os primeiros anos de vida uma concepção que dialoga com o pensamento pedagógico de Comênio, Pestalozzi e Montessori, ao defenderem que a educação deve começar no lar e ser conduzida com amor, disciplina e exemplo.
Maria Montessori (1965) enfatiza que a criança aprende pela observação e pela interação com o ambiente. A família, portanto, é o primeiro espaço de socialização, onde se constroem valores éticos universais com respeito, empatia, solidariedade e responsabilidade que orientarão o desenvolvimento humano.
A família é o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como vêm se estruturando. É a família que propícia os aportes afetivos e sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários, e onde se aprofundam os laços de solidariedade. É também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais. (PICANÇO, 2012, p. 44)
É fundamental que a família como rede de apoio ajude essa criança a alcançar um melhor desenvolvimento para sua vida social. Desta forma entende-se que a criança possui autonomia para aprender, mas depende de um ambiente cuidadosamente preparado para ela. Esse espaço inclui adaptações ao seu tamanho tanto na escola como em casa, a família atua como mediadora das primeiras experiências de vida.
Essas reflexões permitem compreender que a formação ética e o desenvolvimento de virtudes não pertencem a uma tradição religiosa específica, mas constituem um patrimônio moral da humanidade, indispensável à convivência social e à educação humanizadora, evidenciando transmissão de valores ao estímulo às aprendizagens que acompanharão o indivíduo ao longo de sua trajetória.
5. Relato de experiência: por uma pedagogia humanizadora
No curso de pedagogia, o estágio supervisionado constituiu-se num espaço privilegiado para observar, de forma atenta e com alguma intervenção prática supervisionada, como a parceria entre escola e família transforma a realidade de crianças em situação de vulnerabilidade. Durante as atividades realizadas em uma escola municipal de tempo integral em Paranaguá – PR, foi possível identificar o papel ativo dos profissionais da educação no fortalecimento dessa rede de apoio à criança em fase de escolarização.
Um caso específico que marcou profundamente minha formação: dois irmãos apresentaram dificuldades significativas de aprendizagem e permaneciam além do horário escolar, devido à ausência dos familiares no momento da saída da escola. A pedagoga responsável, com um olhar empático, ao invés de se restringir aos protocolos burocráticos, buscou compreender a realidade familiar, realizando uma visita domiciliar. Essa atitude revelou um contexto de vulnerabilidade onde a única figura familiar, a mãe, enfrentava problemas relacionados ao uso de entorpecentes. A partir desse olhar humanizado, a pedagoga fez o acolhimento junto à essa família, promovendo o encaminhamento da mãe ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Lá ela iniciou o tratamento, e o subsequente controle da situação, que resultou em melhora significativa no desempenho escolar e no comportamento das crianças.
Esse episódio registra, na prática, o que Montessori (1965) afirmava: a criança aprende e se desenvolve em interação constante com o ambiente que a cerca; e, quando esse ambiente é frágil, cabe à escola atuar como mediadora da rede de apoio familiar, garantindo segurança, afeto e acompanhamento.
A experiência relatada também encontra correspondência com a perspectiva contemporânea da BNCC (2017) que orienta para uma educação integral, considerando os aspectos cognitivos, sociais e emocionais dos estudantes. Quando a escola se posiciona de forma humanizada, acolhendo a família e compreendendo seus desafios, contribui para romper ciclos de exclusão e passa a oferecer às crianças novas possibilidades de futuro.
O relato vivido, pois, demonstra que a educação não se restringe à transmissão de conteúdo, mas se constitui em um processo de escuta, empatia e cooperação entre família, escola e sociedade. A atenção sensível da pedagoga, observado neste caso, revelou que a transformação educacional começa pela valorização da dignidade da criança e pelo fortalecimento dos vínculos que a cercam, por uma pedagogia humanizadora.
O esforço do presente artigo é compreender a relevância histórica, social e pedagógica da família na formação da criança, especialmente nos anos iniciais. A família permanece como núcleo de referência, responsável pela transmissão de valores, pela construção das primeiras aprendizagens e pelo suporte emocional indispensável ao desenvolvimento integral da criança.
A parceria entre família e escola é a condição necessária para a consolidação de uma educação humanizada e eficaz. A experiência relatada no estágio demonstrou que quando a escola se abre ao diálogo e acolhe a realidade das famílias, em especial àquelas diante de vulnerabilidades, é possível gerar mudanças profundas no percurso educacional das crianças, pois se a família sofre, a criança também sofre.
O desenvolvimento da criança é profundamente influenciado pelas interações que ocorrem em seus ambientes imediatos, como a família e a escola. Quando há conflito ou fragilidade nesses sistemas, os efeitos se manifestam no bem-estar emocional e no desempenho da criança. (Bronfenbrenner, 1996, p. 23).
Autores como Comênio, Montessori, Pestalozzi, e, mais recentemente, Bronfenbrenner, ajudam a compreender que a formação da criança deve ser intencional, contínua e atenta ao ambiente em que ela está inserida. O ensinamento presente em Provérbios 22:6 reforça, de maneira simbólica e ativa, a importância da orientação precoce e da formação de valores desde a infância, perspectiva que encontra eco nas práticas pedagógicas modernas e nos documentos normativos nacionais contemporâneos, demonstrando, com isso, uma permanência duradoura da importância da família e do desenvolvimento da criança, dos relatos bíblicos aos dias atuais.
E o desafio qual é?
O desafio contemporâneo da educação está em consolidar uma rede de apoio sólida, capaz de integrar escola, família e comunidade visando o bem-estar da criança e o seu desenvolvimento integral, como temos discutido desde o início. A escola, nesse processo, deve assumir uma postura de acolhimento, construindo vínculos de confiança que ultrapassem os limites da sala de aula.
Para isso, é imprescindível que novas pesquisas aprofundem a relação entre família e escola, identificando estratégias que potencializam essa parceria. E cabe aos educadores o compromisso de olhar para cada criança como uma história em construção, pois a educação, quando pautada em valores, afetividade e cooperação, torna-se capaz de transformar vidas e de abrir caminhos para uma sociedade justa, solidária e inclusiva, como demanda a carta constitucional de 1988.
Caetano e Yaegashi (2014, p.1) afirmam que: “As famílias necessitam de ajuda da escola, especialmente garantindo o acesso ao conhecimento a respeito das fases do desenvolvimento moral das crianças e a conquista da função fundamental da escola como cooperativa na possibilidade de evolução moral da criança.” Em outro estudo, ainda, as autoras complementam que o caminho é a construção da parceria na relação escola e família, e que “a escola como instituição responsável pela formação de cidadãos, deve assumir a iniciativa da construção da parceria com a família.” (Caetano e Yaegashi, 2011, p.65).
Dessa forma, a criança não se desenvolverá de forma isolada, mas como parte de diferentes contextos que interagem entre si. E qualquer fragilidade na relação família e escola, seja pela ausência de diálogo, pela falta de acompanhamento familiar ou pela desarticulação pedagógica, impactará diretamente o percurso escolar e emocional dos estudantes, como temos visto até aqui.
Por isso, é preciso investir na construção dessa parceria, como Caetano e Yaegashi orientam em seus estudos: a escola, como instituição responsável pela formação, deve tomar essa iniciativa. No estágio supervisionado, constatei que quando a escola percebe a importância do diálogo e acolhe a realidade das famílias, mesmo diante de vulnerabilidades sociais tão distintas, acontecem mudanças, e ocorre maior engajamento dos adultos na formação das crianças.
Nesse sentido, a parceria entre as duas instituições, escola e família, torna-se condição essencial para a promoção de uma educação humanizadora, capaz de oferecer conhecimento, e, também, suporte afetivo e social para o pleno desenvolvimento do estudante.
As análises teóricas de Faria Filho (2000) e de autores contemporâneos como Caetano e Yaegashi (2014) evidenciam que a relação entre escola e família permanece um campo fértil para novas investigações. Compreender as transformações históricas desse vínculo possibilita fundamentar práticas pedagógicas mais dialógicas e humanizadas, em que o protagonismo das famílias não seja reduzido, mas reconhecido como parte constitutiva do processo educativo.
Portanto, este estudo também se propõe a servir de base para outras pesquisas que investiguem como as redes de apoio familiar podem ser fortalecidas nas escolas públicas brasileiras, a partir de perspectivas interdisciplinares que envolvam pedagogia, psicologia e sociologia da educação.
6. Considerações finais
As análises realizadas ao longo deste estudo permitem reafirmar que a relação entre família e escola constitui um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento integral da criança, especialmente no período do ensino fundamental. Mais do que apontar falhas ou atribuir responsabilidades, é essencial reconhecer que ambos os contextos educacionais, o familiar e o escolar possuem papéis complementares na formação do indivíduo e devem atuar em conjunto, com diálogo e cooperação. A união entre esses segmentos potencializa a aprendizagem, promove o fortalecimento dos vínculos afetivos e cria um ambiente propício para o crescimento acadêmico e emocional dos estudantes.
O fortalecimento dessa parceria exige um olhar sensível e aberto, capaz de valorizar as experiências e saberes que cada parte traz, superando barreiras históricas e institucionais. Quando família e escola caminham juntas, estabelecendo uma rede de suporte sólida e colaborativa, propiciam o desenvolvimento de valores, a construção de autonomia e a garantia de um ambiente acolhedor para a criança.
Essa articulação, baseada no respeito mútuo e na corresponsabilidade, é o caminho para uma educação humanizadora que transcende o ensino formal e promove o bem-estar social e emocional dos alunos.
Portanto, fortalecer a cooperação entre família e escola é investir no futuro das crianças, pois a educação torna-se, assim, um projeto coletivo que integra saberes, afetos e ações conjuntas. Este desafio é uma oportunidade para transformar práticas educativas, promovendo uma cultura de diálogo, inclusão e apoio mútuo, onde a criança encontra na escola e na família espaços complementares de proteção, aprendizado e formação cidadã.
REFERÊNCIAS
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. 2.ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
BRONFENBRENNER, Urie. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos naturais e planejados. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
CAETANO, Luciana Maria; YAEGASHI, Solange Franci Raimundo. A relação escola e família: reflexões teóricas. In: CAETANO, Luciana Maria; YAEGASHI, Solange Franci Raimundo (Orgs.). Relação escola e família: diálogos interdisciplinares para a formação da criança. São Paulo: Paulinas, 2014.
______. A obediência e a relação escola e família. Rev. Teoria e Prática da Educação (online), v.14, n.3, p.57-66, set./dez.2011.
COMÊNIO, João Amós. Didática Magna. São Paulo: Martins Fontes, 1996. DONZELOT, Jacques. A polícia das famílias. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
DURKHEIM, Émile. Educação e Sociologia. 11.ª ed. São Paulo: Melhoramentos, 1978.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 2.ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.
MARTÍNEZ-OTERO, V. and GAETA, M.L. Estudio Educativo Sobre La Adaptación Social De Universitarios Iberoamericanos. Educação & Sociedade [online]. 2024, vol. 45, e280131. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/ES.280131> Acesso em: 6 set.2025.
MONTESSORI, Maria. A criança. 3.ª ed. Lisboa: Portugália Editora, 1965.
MORAES, Rosa Emília. Redes de apoio emocional e familiar são vitais para a adaptação social de estudantes universitários. SciELO em Perspectiva: Humanas, São José dos Campos, 29 nov. 2024. Disponível em: <https://humanas.blog.scielo.org/blog/2024/11/29/redes-de-apoio-emocional-e-familiar-universitarios/> Acesso em: 6 set. 2025.
OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. 4.ª ed. São Paulo: Scipione, 2002.
PARO, Vitor Henrique. Escola: gestão, prática e cultura. 3ª. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
PICANÇO, Ana Lusa Bibe. A relação entre escola e família: as suas implicações no processo de ensino-aprendizagem. 2012. Dissertação (Mestrado em Ciências da Educação – Supervisão Pedagógica) – Escola Superior de Educação João de Deus, Lisboa, 2012.
SAMADI, Mozhdeh; SOHRABI, Nadereh. Mediating role of the social problem solving for family process, family content, and adjustment. Procedia. Social and Behavioral Sciences [online]. 2016, vol. 217, pp. 1185-1188. Disponível em: <https://doi.org/10.1016/j.sbspro.2016.02.141> Acesso em 6 set.2025.
SILVA, Luiz Eduardo Paulino da; NARCISO, Rivane Figueiredo; MORAES, Tatiane Gomes. O papel da família e da escola no processo de ensino e aprendizagem sob o olhar de acadêmicas indígenas, Oiapoque, Amapá. Revista das Amazônias, v. 7, n. 2, p. 233-256, jul./dez. 2024.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.
TIBA, Içami. Disciplina: limites sem trauma. São Paulo: Saraiva, 2006.
VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
FARIA FILHO, Luciano Mendes de. Para entender a relação escola-família: uma contribuição da história da educação. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, v.14, n.2, p.44–48, 2000.
ROCHA, Maria Silvia Pinto de Moura Librandi da; ALVES, Leandro Gaspareti; SANTOS, Tatiana Cristina dos. Relações escola-família: estudo bibliográfico na ANPEd e CONPE. Educação & Linguagem, Goiânia, v.15, n.1, p.113–130, jan./jun. 2012.
FONTES
BÍBLIA Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da Educação, 2017.
_____. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
_____. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 1990.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estatísticas sociais. Brasília: IBGE, 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/.
1Aluna do curso de Pedagogia,Unespar
2Professora do curso de Pedagogia, Unespar
