COMPARATIVE ANALYSIS BETWEEN CHEMICAL PEELS AND MICRONEEDLING IN THE TREATMENT OF THE ACNEE VULGARIS: A SYSTEMATIC REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511222058
Hemily da Silva Dombroski1
Maria Eduarda Pereira Lourenço1
Orientadora: Géssica Caroline da Silva2
Resumo
A acne vulgar é uma condição inflamatória da unidade pilossebácea que compromete a integridade cutânea e afeta a autoestima dos indivíduos, exigindo terapias que associem eficácia clínica e segurança estética. Entre os procedimentos utilizados, o microagulhamento e o peeling químico têm se destacado por promoverem regeneração dérmica e renovação celular, configurando alternativas minimamente invasivas no manejo da doença. Este estudo teve como objetivo, analisar e comparar evidências científicas recentes sobre a aplicação dessas técnicas no tratamento estético da acne vulgar, considerando seus mecanismos de ação, eficácia e segurança. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, realizada a partir das bases de dados: PubMed, Scopus, ScienceDirect e SciELO, abrangendo artigos originais publicados entre 2020 e 2025. Dos 102 registros iniciais, 15 atenderam aos critérios de inclusão. Os resultados evidenciaram que o microagulhamento estimula a síntese de colágeno e melhora a firmeza e elasticidade da pele, enquanto o peeling químico atua na descamação e no controle da oleosidade, apresentando boa tolerância e baixo índice de complicações. A associação entre ambos demonstrou efeito sinérgico na reparação tecidual. Conclui-se que os dois procedimentos são eficazes, seguros e complementares, desde que aplicados de forma individualizada e sob acompanhamento multidisciplinar.
Palavras-chave: Dermatologia. Tratamento estético. Terapêutica. Procedimentos estéticos.
ABSTRACT
Acne vulgaris is an inflammatory condition of the pilosebaceous unit that compromises skin integrity and affects individuals’ self-esteem, requiring therapies that combine clinical efficacy with aesthetic safety. Among the procedures used, microneedling and chemical peels have stood out for promoting dermal regeneration and cellular renewal, representing minimally invasive alternatives in the management of the condition. This study aimed to analyze and compare recent scientific evidence on the application of these techniques in the aesthetic treatment of acne vulgaris, considering their mechanisms of action, efficacy, and safety. This systematic literature review was conducted using the PubMed, Scopus, ScienceDirect, and SciELO databases, including original articles published between 2020 and 2025. Of the 102 initial records, 15 met the inclusion criteria. The results showed that microneedling stimulates collagen synthesis and improves skin firmness and elasticity, whereas chemical peels promote controlled exfoliation and oiliness reduction, demonstrating good tolerability and a low incidence of complications. The combination of both procedures demonstrated a synergistic effect on tissue repair. It is concluded that the two techniques are effective, safe, and complementary, provided they are applied in an individualized manner and under multidisciplinary supervision.
Keywords: Dermatology. Aesthetic treatment. Therapeutics. Esthetic procedures.
1 INTRODUÇÃO
A acne vulgar é uma das afecções cutâneas mais recorrentes na prática clínica, caracterizada pela inflamação crônica da unidade pilossebácea, envolvendo fatores hormonais, microbianos e genéticos que interferem na regulação sebácea e na queratinização folicular (Adamski et al., 2021). Essa condição manifesta-se por lesões inflamatórias e não inflamatórias, que variam desde comedões até pústulas e nódulos, com predomínio em adolescentes e adultos jovens. Sua etiologia complexa exige terapêutica ampla, considerando fatores endócrinos, imunológicos e ambientais que influenciam a gravidade das manifestações clínicas (Chilicka et al., 2022).
A fisiopatologia da acne envolve a hiperprodução de sebo pelas glândulas sebáceas, a colonização bacteriana por Cutibacterium acnes e uma resposta inflamatória subsequente que resulta na obstrução dos folículos pilosos (Adamski et al., 2021). O excesso de sebo, aliado à retenção de queratina, cria um microambiente propício para a proliferação microbiana, o que leva à formação de lesões visíveis e, em casos graves, à ocorrência de cicatrizes permanentes (Lucchetti et al., 2023). Além dos fatores biológicos, há ainda componentes psicossociais relevantes, visto que as marcas visíveis na pele podem gerar impactos emocionais e sociais significativos, afetando autoestima e qualidade de vida (Chilicka et al., 2022).
O tratamento da acne vulgar tem evoluído significativamente, incorporando tanto terapias medicamentosas quanto intervenções estéticas e dermatológicas (Adamski et al., 2021). Entre as abordagens farmacológicas, destacam-se os retinoides, antibióticos e agentes antiandrogênicos, indicados conforme o grau e o tipo de lesão. Contudo, as terapias estéticas ganharam notoriedade por promoverem melhora na textura cutânea, estimularem a regeneração tecidual e reduzirem a inflamação residual, favorecendo resultados visíveis e duradouros (Lucchetti et al., 2023). A integração dessas técnicas com o acompanhamento clínico permite uma resposta mais individualizada, ajustando-se à necessidade de cada paciente (Chilicka et al., 2022).
Nos últimos anos, a evolução de tecnologias voltadas ao tratamento estético da acne trouxe alternativas menos invasivas e com boa aceitação clínica (Lucchetti et al., 2023). Procedimentos como o microagulhamento e os peelings químicos tornaram-se estratégias amplamente utilizadas para o manejo das cicatrizes e lesões inflamatórias, atuando por mecanismos que estimulam a renovação celular e a síntese de colágeno (Adamski et al., 2021). Além desses métodos, terapias complementares, como a aplicação de luz LED (Light Emitting Diode), têm sido empregadas com o objetivo de modular a atividade sebácea e reduzir a proliferação bacteriana, potencializando os resultados obtidos (Lucchetti et al., 2023).
Apesar dos avanços obtidos, persistem divergências sobre a efetividade comparativa entre os diferentes procedimentos estéticos disponíveis (Chilicka et al., 2022). A heterogeneidade dos protocolos utilizados e a variabilidade dos resultados clínicos dificultam a padronização de condutas e a definição de critérios universais de eficácia (Adamski et al., 2021). Essa lacuna evidencia a necessidade de estudos que sistematizem e analisem criticamente as evidências científicas recentes, de modo a orientar profissionais e pacientes na escolha de terapias mais seguras e adequadas ao perfil cutâneo (Lucchetti et al., 2023).
A escolha do presente tema justifica-se pela relevância clínica e estética da acne vulgar e pela crescente utilização de técnicas não farmacológicas, que buscam minimizar os efeitos adversos e otimizar o resultado terapêutico (Adamski et al., 2021). A problemática central refere-se à necessidade de identificar quais procedimentos estéticos apresentam maior eficácia e segurança no tratamento da acne, especialmente o microagulhamento e o peeling químico, considerando os diferentes graus de severidade da doença (Chilicka et al., 2022). Compreender essa relação é essencial para aprimorar os protocolos clínicos e oferecer alternativas terapêuticas mais precisas e duradouras (Lucchetti et al., 2023).
Diante disso, o presente estudo teve como objetivo, analisar e comparar dois procedimentos estéticos empregados no tratamento da acne vulgar: o microagulhamento e o peeling químico, buscando compreender de que maneira essas intervenções contribuem para a melhora clínica e estética da pele. Especificamente, pretende-se descrever os mecanismos de ação desses tratamentos, identificar suas indicações e contraindicações conforme o tipo e o grau da acne, avaliar sua eficácia e segurança, além de destacar a importância do acompanhamento multidisciplinar para resultados mais completos e duradouros.
2 METODOLOGIA
O presente estudo caracterizou-se como uma revisão sistemática da literatura, elaborada com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas sobre os tratamentos estéticos aplicados à acne vulgar, com ênfase no microagulhamento e no peeling químico, avaliando sua eficácia, segurança e aplicabilidade clínica. O delineamento seguiu princípios metodológicos de rigor científico, permitindo uma síntese crítica dos resultados disponíveis nas publicações recentes.
A pesquisa foi conduzida utilizando-se bases de dados científicas reconhecidas, como PubMed, Scopus, ScienceDirect e SciELO. Foram aplicados descritores em português e inglês, definidos a partir dos vocabulários controlados DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headings): “acne vulgar”, “acne inflamatória”, “microagulhamento”, “microneedling”, “peeling químico” e “chemical peel”. Os descritores foram combinados com os operadores booleanos AND e OR, formando o seguinte conjunto de busca: (“acne vulgar” OR “acne inflamatória”) AND (“microagulhamento” OR “microneedling” OR “peeling químico” OR “chemical peel”).
Foram incluídos artigos originais publicados no período de 2020 a 2025, sem restrição de idioma, que abordassem diretamente os tratamentos estéticos voltados à acne vulgar. Consideraram-se elegíveis estudos clínicos e experimentais realizados com populações humanas, de ambos os sexos, que apresentaram dados quantitativos ou qualitativos sobre a eficácia, segurança, mecanismos de ação e resultados clínicos dos procedimentos analisados. Excluíram-se revisões de literatura, teses, dissertações, editoriais e resumos de eventos científicos, além de estudos in vitro ou com modelos animais. Trabalhos duplicados entre diferentes bases também foram descartados.
O processo de triagem seguiu as diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Inicialmente, os títulos e resumos foram avaliados quanto à relevância temática. Em seguida, os artigos potencialmente elegíveis foram analisados na íntegra, observando-se a coerência metodológica e a adequação aos critérios de inclusão. Após a leitura completa, foram selecionados os estudos que apresentaram resultados consistentes com o objetivo da pesquisa.
A análise final foi realizada de forma qualitativa e descritiva, permitindo compreender as principais evidências científicas acerca da aplicação do microagulhamento e do peeling químico no manejo da acne vulgar. O conjunto de resultados obtido forneceu subsídios para a discussão crítica, destacando as contribuições e limitações de cada técnica estética no contexto clínico e multidisciplinar do tratamento da doença.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Inicialmente, foram identificados 102 registros por meio das bases de dados PubMed, Scopus, ScienceDirect, SciELO e Google Acadêmico. Após a exclusão de 27 registros duplicados, restaram 75 publicações para triagem de títulos e resumos. Destas, 47 foram excluídas por não abordarem diretamente o tema proposto. Assim, 28 artigos foram selecionados para leitura na íntegra. Durante essa fase, 13 estudos foram descartados por não atenderem aos critérios de inclusão quanto ao tipo de desenho metodológico, recorte temporal ou ausência de dados comparativos. Ao final do processo, 15 artigos foram incluídos na revisão, conforme demonstrado no fluxograma PRISMA (Figura 1).
Figura 1. Fluxograma PRISMA demonstrando as etapas de identificação, elegibilidade e inclusão dos artigos

Os estudos selecionados abordaram de forma abrangente o emprego do microagulhamento e do peeling químico no tratamento estético da acne vulgar, explorando parâmetros de eficácia, segurança, indicações e possíveis complicações. Observou-se predominância de pesquisas publicadas entre 2021 e 2025, evidenciando o crescente interesse científico na aplicação de terapias minimamente invasivas para a reabilitação cutânea. De modo geral, as investigações combinaram análises clínicas, observacionais e comparativas, com amostras variando de casos isolados a ensaios controlados randomizados, como descrito na Tabela 1.
Tabela 1. Síntese dos estudos utilizados na revisão, separados por autor/ano, título, objetivos e resultados principais
| AUTOR / ANO | TÍTULO | OBJETIVOS | RESULTADOS |
|---|---|---|---|
| Muthu, Kannan e Muthu (2020) | Salicylic acid peel and fusion peel with salicylic & mandelic acid peel for treatment of acne scars: a comparative study | Comparar a eficácia de dois tipos de peeling químico no tratamento de cicatrizes de acne. | Ambos os peelings demonstraram eficácia, com boa tolerabilidade geral. |
| Chandrashekar, Vadlamudi e Shenoy (2021) | Safety of performing superficial chemical peels in patients on oral isotretinoin for acne and acne-induced pigmentation | Avaliar a segurança da aplicação de peelings químicos em pacientes em uso de isotretinoína oral. | Peelings superficiais mostraram-se seguros em pacientes usando isotretinoína oral. |
| Adamski, Z. et al. (2021) | Acne – therapeutic challenges to the cooperation between a dermatologist and a cosmetologist | Discutir os métodos atualmente usados por dermatologistas na terapia local de formas leves e moderadas de acne vulgaris; além de apresentar uma visão geral das possíveis atividades preventivas e de cuidados no consultório de cosmetologistas; e indicar possíveis direções de cooperação entre dermatologista e cosmetologista para prevenção de recidiva e tratamento de complicações. | Tratamentos dermatológicos e cuidados estéticos complementares apresentaram bons desfechos clínicos. |
| Craveiro e Silva (2022) | Microagulhamento para correção de erros estéticos | Descrever o uso do microagulhamento para correção de cicatrizes atróficas de acne. | O microagulhamento mostrou melhora clínica em cicatrizes atróficas. |
| Mohan et al. (2022) | Combination of glycolic acid peel and microneedling for treatment of acne scar in an Asian male skin: a case report | Avaliar o efeito da combinação de microagulhamento e peeling glicólico no tratamento de cicatrizes de acne. | A combinação entre microagulhamento e peeling glicólico resultou em evolução clínica positiva. |
| Odrzywołek et al. (2022) | Quantitative evaluation of the effectiveness of chemical peelings in reducing acne lesions based on GLCM | Analisar quantitativamente a eficácia de peelings químicos na redução de lesões acneicas. | Peelings químicos reduziram lesões acneicas em análises quantitativas. |
| Wu et al. (2022) | Eczema herpeticum following skin microneedling plus platelet-rich plasma therapy in a patient with atrophic acne scars | Relatar um caso clínico de complicação após microagulhamento associado ao PRP. | Relatado um evento adverso raro após microagulhamento associado ao PRP. |
| Rahimi et al. (2023) | Enhancing acne vulgaris treatment: innovative non-medication approaches and advanced pain management strategies | Explorar novas abordagens não medicamentosas para o tratamento da acne. | Procedimentos estéticos foram apontados como opções eficazes e seguras no manejo da acne. |
| Takharya et al. (2023) | Comparison of efficacy of 40% mandelic acid with 30% salicylic acid peels in mild-to-moderate acne vulgaris | Comparar o efeito de dois ácidos em peelings para acne leve a moderada. | Ambos os ácidos foram eficazes; com boa tolerância geral entre os pacientes. |
| Jankowska e Zujko (2023) | The effectiveness of pyruvic acid peeling in improving the quality of life of patients with acne vulgaris | Avaliar o impacto do peeling de ácido pirúvico na acne e na qualidade de vida dos pacientes. | Peeling de ácido pirúvico demonstrou benefícios clínicos e impacto positivo relatado pelos pacientes. |
| Demir et al. (2024) | Elastography findings in acne scar patients who were treated with microneedling | Avaliar a resposta cutânea ao microagulhamento por elastografia. | Microagulhamento aumentou firmeza e elasticidade em avaliações por elastografia. |
| Medhat, Moftah e Rezk (2024) | Unlocking the potential of microbotox compared with fractional carbon dioxide laser in the treatment of postacne scars | Comparar eficácia de microbotox e laser fracionado em cicatrizes de acne. | Ambos os métodos avaliados apresentaram bons resultados no tratamento das cicatrizes. |
| Sadeghzadeh‐Bazargan et al. (2024) | Combination of topical phenytoin and microneedling vs microneedling alone in atrophic acne scars: a trial | Comparar microagulhamento isolado x associado à difenilhidantoína tópica. | Associação entre microagulhamento e difenilhidantoína tópica apresentou melhora adicional. |
| Handayani e Luziani (2025) | The effectiveness of Hybrid Peel in treating acne-prone skin: a presentation of 4 cases | Avaliar peelings híbridos em casos de acne inflamatória. | Peelings híbridos mostraram boa resposta clínica e tolerabilidade adequada. |
| Ehsani et al. (2025) | Microneedling side effects and complications: a cross-sectional study | Identificar eventos adversos associados ao microagulhamento. | Foram observadas complicações leves quando o microagulhamento não seguiu parâmetros adequados |
Fonte: Autoria própria (2025)
O microagulhamento foi amplamente estudado quanto à sua capacidade de estimular a produção de colágeno e melhorar a textura da pele. Craveiro e Silva (2022) destacaram que o método proporciona reparação tecidual por meio da formação de microcanais dérmicos, os quais ativam fatores de crescimento e promovem a reorganização das fibras colágenas. Corroborando essa evidência, Demir et al. (2024) utilizaram elastografia para comprovar aumento da firmeza e elasticidade da pele após sessões seriadas, enquanto Ehsani et al. (2025) relataram baixo índice de complicações, restritas a irritações leves e eritemas temporários, desde que a técnica fosse executada com assepsia adequada.
Em relação ao peeling químico, os resultados mostraram eficácia significativa na redução de lesões ativas e cicatrizes superficiais, especialmente em protocolos com ácidos salicílico, mandélico e pirúvico. Jankowska e Zujko (2023) evidenciaram melhora expressiva na coloração e textura da pele, associada à redução da inflamação e das hiperpigmentações pós-acne. De modo semelhante, Muthu, Kannan e Muthu (2020) e Takharya et al. (2023) constataram que o ácido salicílico é eficaz em peles oleosas, enquanto o mandélico apresenta melhor tolerância em peles sensíveis. Handayani e Luziani (2025) relataram ainda bons resultados com peelings híbridos, que combinam Spongilla spicules e beta-hidroxiácidos, destacando maior conforto e menor descamação.
O cruzamento de dados entre os estudos revelou tendência crescente à associação entre microagulhamento e peelings químicos, estratégia considerada promissora para casos de cicatrizes atróficas e acne moderada. Mohan et al. (2022) observaram melhora acelerada na uniformidade cutânea com o uso combinado, enquanto Sadeghzadeh‐Bazargan et al. (2024) confirmaram superioridade da combinação terapêutica na regeneração tecidual sem elevação de eventos adversos.
Os achados sugerem que tanto o microagulhamento quanto o peeling químico são procedimentos eficientes, seguros e complementares, capazes de promover rejuvenescimento dérmico, redução das lesões inflamatórias e melhora estética global da pele acneica. Esses resultados serviram de base para o início da discussão, na qual as evidências foram confrontadas e analisadas criticamente, considerando os aspectos de eficácia, limitações metodológicas e relevância clínica das abordagens investigadas (Adamski et al., 2021).
A análise das publicações evidenciou uma visão comum entre os autores sobre a acne vulgar como uma afecção inflamatória que compromete a unidade pilossebácea e exige terapias que atuem não apenas no controle das lesões, mas também na reparação estrutural e estética da pele. Os estudos destacam que as abordagens estéticas, especialmente o microagulhamento e o peeling químico, representam estratégias eficazes de reabilitação cutânea, capazes de restaurar a uniformidade e a vitalidade do tecido afetado. Ainda que existam diferenças metodológicas e nos parâmetros de aplicação, há consenso quanto ao potencial regenerativo e à necessidade de acompanhamento clínico especializado para garantir segurança e resultados duradouros (Rahimi et al., 2023).
O microagulhamento foi descrito por Craveiro e Silva (2022) como um procedimento que utiliza microperfurações controladas para estimular a síntese de colágeno e elastina, induzindo remodelação dérmica progressiva. Essa técnica, segundo os autores, mostrou-se eficaz na correção de cicatrizes atróficas decorrentes da acne, além de melhorar a textura e o tônus cutâneo. Em consonância, Demir et al. (2024) comprovaram, por meio de elastografia, o aumento da firmeza e elasticidade da pele após sessões seriadas de microagulhamento, evidenciando melhora significativa na densidade dérmica. Já Ehsani et al. (2025) alertaram para a importância da técnica adequada e do controle de assepsia, pois, apesar de ser um método seguro, pode ocasionar irritações e foliculites quando aplicado de forma incorreta.
A combinação do microagulhamento com outras terapias também foi objeto de análise. Mohan et al. (2022) relataram resultados positivos ao associar o procedimento com peeling de ácido glicólico, observando uma melhora mais rápida no relevo das cicatrizes e na uniformidade da pele. De forma semelhante, Sadeghzadeh‐Bazargan et al. (2024) compararam o microagulhamento isolado ao combinado com uso tópico de difenilhidantoína, verificando que a associação potencializou a regeneração tecidual sem aumento de efeitos adversos. Esses achados sugerem que o uso combinado de técnicas favorece a sinergia entre os estímulos mecânicos e químicos, otimizando a resposta de cicatrização e regeneração dérmica.
Quanto à aplicação de peeling químico, os estudos convergem em reconhecer sua eficácia na remoção das camadas superficiais da pele, promovendo descamação controlada e renovação epidérmica. Muthu, Kannan e Muthu (2020) compararam o desempenho de peelings de ácido salicílico e mandélico, concluindo que ambos reduzem a oleosidade e as lesões inflamatórias, com melhor tolerância do ácido mandélico em peles sensíveis. Resultados semelhantes foram encontrados por Takharya et al. (2023), que verificaram eficácia significativa dos dois agentes na acne leve a moderada, ressaltando a importância da escolha do ácido conforme o tipo e a reatividade cutânea do paciente.
Jankowska e Zujko (2023) acrescentaram que o peeling de ácido pirúvico, além de reduzir a inflamação, contribui para o clareamento de manchas residuais e melhora da autoestima, demonstrando impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes com acne. Por outro lado, Handayani e Luziani (2025) destacaram a ação dos peelings híbridos, compostos por Spongilla spicules e beta-hidroxiácidos, que apresentam resultados satisfatórios em peles acneicas sem provocar irritação intensa, ampliando as opções terapêuticas para diferentes fototipos. A pesquisa de Odrzywołek et al. (2022) reforçou esses resultados, utilizando análises quantitativas que comprovaram redução expressiva nas lesões e melhoria no relevo cutâneo após múltiplas aplicações.
As comparações entre o microagulhamento e o peeling químico mostram que ambos possuem eficácia comprovada, porém com mecanismos e indicações distintas. Enquanto o microagulhamento atua de forma mais profunda, estimulando a regeneração dérmica, o peeling exerce efeito mais superficial, promovendo descamação e renovação celular. Demir et al. (2024) observaram que a associação entre os dois métodos potencializa a melhora estética, principalmente nas cicatrizes atróficas, já que o peeling remove células mortas e o microagulhamento estimula a produção de colágeno. Mohan et al. (2022) e Craveiro e Silva (2022) sustentam que essa combinação permite resultados mais rápidos e uniformes, com maior satisfação dos pacientes e tempo reduzido de recuperação.
Apesar dos benefícios evidenciados, alguns autores destacaram limitações e riscos potenciais. Ehsani et al. (2025) identificaram complicações leves, como eritema e descamação persistente, quando o microagulhamento foi realizado sem parâmetros adequados. Wu et al. (2022) relataram um caso raro de eczema herpético após o procedimento combinado com plasma rico em plaquetas, evidenciando a necessidade de avaliação prévia de predisposições infecciosas. Esses dados reforçam a importância do conhecimento técnico e da adoção de protocolos seguros para minimizar eventos adversos.
No que se refere à segurança dos peelings, Chandrashekar, Vadlamudi e Shenoy (2021) demonstraram que o uso de peelings superficiais pode ser realizado com segurança até mesmo em pacientes que utilizam isotretinoína oral, desde que os protocolos sejam adaptados e supervisionados por profissionais habilitados. Essa constatação confronta antigas recomendações que contraindicam o procedimento durante o tratamento com retinoides, mostrando que a prática clínica tem evoluído para maior flexibilidade, desde que acompanhada de controle rigoroso e monitoramento dermatológico.
A literatura também indica que a escolha entre as técnicas deve considerar fatores como o grau da acne, tipo de pele, fototipo e tolerância individual. Medhat, Moftah e Rezk (2024) salientaram que terapias alternativas, como microbotox e laser de dióxido de carbono fracionado, apresentam eficácia comparável ao microagulhamento e ao peeling, mas requerem maior investimento e tempo de recuperação. Assim, os métodos analisados se mantêm como opções de destaque por aliarem boa relação custo-benefício, simplicidade técnica e previsibilidade de resultados.
Os estudos convergem quanto à importância da abordagem interdisciplinar no manejo da acne, especialmente em casos de cicatrizes e alterações pigmentares. Craveiro e Silva (2022) e Rahimi et al. (2023) destacaram que a integração entre profissionais da biomedicina estética, dermatologia e psicologia proporciona um tratamento mais abrangente, capaz de atender às necessidades físicas e emocionais dos pacientes. Esse modelo de cuidado amplia a eficácia das terapias e reduz o risco de frustração estética, sobretudo em indivíduos com histórico de acne severa.
Ao comparar os resultados gerais, nota-se que tanto o microagulhamento quanto o peeling químico compartilham o objetivo de induzir a regeneração tecidual e equilibrar os processos inflamatórios, embora utilizem mecanismos distintos. As divergências observadas entre os estudos referem-se principalmente aos parâmetros técnicos e à frequência das sessões, variáveis que influenciam diretamente a resposta clínica. Ainda assim, todos os autores reconhecem que o sucesso do tratamento depende da avaliação individual e da adequação do protocolo às características da pele e à gravidade da acne (Sadeghzadeh‐Bazargan et al., 2024; Medhat, Moftah e Rezk, 2024).
De modo geral, as evidências reunidas demonstram que o microagulhamento e o peeling químico são procedimentos seguros, eficazes e complementares no tratamento estético da acne vulgar. As variações nos resultados decorrem de diferenças metodológicas, mas o consenso indica melhora significativa da textura cutânea, da densidade dérmica e da aparência geral da pele. A combinação dessas técnicas, associada a acompanhamento especializado e interdisciplinar, apresenta potencial para consolidar-se como uma das abordagens mais promissoras na reabilitação estética da pele acneica (Sadeghzadeh‐Bazargan et al., 2024; Medhat, Moftah e Rezk, 2024).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta revisão sistemática evidenciou que tanto o microagulhamento quanto o peeling químico apresentam eficácia na melhora da textura cutânea, na redução de cicatrizes e no manejo da acne vulgar. O microagulhamento destacou-se pela estimulação da neocolagênese, enquanto o peeling químico mostrou bons resultados na renovação celular e no controle da oleosidade.
A associação entre métodos revelou-seos métodos revelaram-se promissora, promovendo efeito sinérgico e potencializando os resultados clínicos e estéticos. Apesar da eficácia comprovada, os estudos indicaram a necessidade de padronização de protocolos e acompanhamento multidisciplinar para garantir segurança, minimizar riscos e assegurar resultados duradouros.
REFERÊNCIAS
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1 Discentes do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel – Cascavel – PR e-mail: eduardalorenco830@gmail.com/hemilydom@gmail.com
2 Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel – Cascavel PR. Mestre em Ciências Farmacêuticas (UNIOESTE) – Especialista em Biomedicina Estética (NEPUGA). e-mail: gessica.silva@univel.br
