A PRÁTICA DA ENFERMAGEM NO CONTEXTO DO HIV/AIDS: DA CAPACITAÇÃOTÉCNICA AO ACOLHIMENTO HOLÍSTICO.

NURSING PRACTICE IN THE CONTEXT OF HIV/AIDS: FROM TECHNICAL TRAINING TO HOLISTIC CARE

LA PRÁCTICA DE LA ENFERMERÍA EN EL CONTEXTO DEL VIH/SIDA: DE LA CAPACITACIÓN TÉCNICA AL CUIDADO HOLÍSTICO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511222019


Anna Carolina Santos Takei*
Orientador Prof. Dr. Thiarles Cristian Aparecido Tonon**


RESUMO:

Objetivo: Analisar o papel da enfermagem no cuidado integrado às pessoas que vivem com HIV/AIDS, abordando aspectos biológicos, clínicos e sociais. Organização: Revisão integrativa. Métodos: A pesquisa se apoia em uma revisão integrativa da literatura obtida em bases de dados como Scielo, PubMed, LILACS, BVMS e entre outras, dando preferência a estudos recentes que tratam da fisiopatologia, transmissão, diagnóstico, tratamento, estigmatização, infecção oportunista e o papel da enfermagem. A análise qualitativa dos dados permitiu detectar lacunas graves nas práticas de enfermagem, especialmente no que diz respeito ao combate ao estigma e à prevenção das infecções oportunistas. Conclusão: Ressalta-se a necessidade de estratégias integradas e humanizadas que ampliem o papel da enfermagem na prevenção, no cuidado contínuo e no apoio psicossocial, com o intuito de melhorar a qualidade de vida desse grupo populacional vulnerável.  

Palavras-chave: HIV, AIDS, PVHA, estigma e discriminação, papel da enfermagem, doenças oportunistas.

ABSTRACT:

Objective: To analyze the role of nursing in the integrated care of people living with HIV/AIDS, addressing biological, clinical, and social aspects. Organization: Integrative review. Methods: The research is based on an integrative review of the literature obtained from databases such as Scielo, PubMed, Lilacs, BVMS, among others, prioritizing recent studies that address pathophysiology, transmission, diagnosis, treatment, stigmatization, opportunistic infections, and the role of nursing. The qualitative analysis of the data revealed significant gaps in nursing practices, particularly regarding stigma reduction and the prevention of opportunistic infections. Conclusion: The need for integrated and humanized strategies that expand the role of nursing in prevention, continuous care, and psychosocial support is emphasized, aiming to improve the quality of life of this vulnerable population group.

Keywords: VIH, SIDA, PLWHA, stigma and discrimination, nursing role, opportunistic diseases.

RESUMEN:

Objetivo: Analizar el papel de la enfermería en el cuidado integral de las personas que viven con VIH/SIDA, abordando aspectos biológicos, clínicos y sociales. Organización: Revisión integrativa. Métodos: La investigación se basa en una revisión integrativa de la literatura obtenida en bases de datos como Scielo, PubMed, Lilacs, BVMS, entre otras, priorizando estudios recientes que tratan sobre fisiopatología, transmisión, diagnóstico, tratamiento, estigmatización, infecciones oportunistas y el papel de la enfermería. El análisis cualitativo de los datos permitió identificar importantes vacíos en las prácticas de enfermería, especialmente en lo que se refiere a la lucha contra el estigma y la prevención de infecciones oportunistas. Conclusión: Se destaca la necesidad de estrategias integradas y humanizadas que amplíen el papel de la enfermería en la prevención, el cuidado continuo y el apoyo psicosocial, con el fin de mejorar la calidad de vida de este grupo poblacional vulnerable. Palabras clave: VIH, SIDA, personas que viven con VIH, estigma y discriminación, papel de la enfermería, enfermedades oportunistas.

1 INTRODUÇÃO

O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que pertence à família dos retrovírus e à subfamília Lentivirinae, ataca principalmente os linfócitos T CD4+¹. Eles são responsáveis  por identificar antígenos que são apresentados por outras células do sistema imunológico e, em seguida, ativar várias frentes de defesa, como os macrófagos², os linfócitos B e as células T CD8+. A redução do número de LT CD4+ no sangue leva à interferência do sistema imunológico, resultando nas manifestações clínicas que caracterizam a AIDS³ (Hultmann et al., 2021).

A infecção por HIV é definida por uma replicação constante do vírus no corpo, resultando em uma diminuição gradual dos linfócitos T CD4+, o que torna o organismo mais suscetível a infecções oportunistas. (Alencar et al., 2022).

Segundo Pereira et al. (2024), o HIV continua sendo uma questão importante para a saúde pública mundial, devido à sua alta incidência. Segundo dados da UNAIDS, no final de 2023, cerca de 39 milhões de pessoas viviam com HIV no mundo, sendo 86% das quais tinham consciência de sua condição sorológica e 77% estavam em tratamento, o que torna essencial a implementação de estratégias integradas como: uso de preservativos, incentivo à testagem regular, uso da PrEP4 e PEP5, adesão ao TARV6 e educação em saúde para evitar novas infecções e mortes relacionadas à AIDS.

O HIV/AIDS permanece como um dos maiores desafios da saúde pública, com aproximadamente 46.495 casos de infecção pelo HIV no Brasil em 2023, representando um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior, segundo dados da UNAIDS – Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS. No entanto, esse aumento está ligado principalmente a uma maior capacidade de diagnóstico e testagem ampliada oferecida pelos serviços de saúde (Brasil, 2024).

 Ao longo do acompanhamento do tratamento, a equipe de enfermagem analisa a condição geral do paciente, observam os efeitos colaterais, detectam sinais de comorbidades e coinfecções, e planejam cuidados personalizados. No psicossocial, cria-se uma relação de confiança que permite ao paciente sentir a vontade de compartilhar seus medos, questionamentos e desafios, o que contribui para superar o estigma e a discriminação. O enfermeiro também pode promover grupos de apoio e encaminhar os pacientes para profissionais da saúde mental (Moura; Luna; Nascimento, 2024). 

Mesmo com alguns avanços na assistência às PVHA, o conhecimento e a prática de enfermagem ainda são limitadas. Estão ausentes, por exemplo, estratégias realmente eficientes para combater o estigma e a discriminação associados à doença. A relevância de investigar de que maneira os profissionais de enfermagem podem contribuir mais de forma eficaz na prevenção, no cuidado e na melhoria da qualidade de vida das pessoas que enfrentam HIV/AIDS.

Nesse contexto, a equipe de enfermagem emerge como um pilar de extrema importância no cuidado integral ao paciente, oferecendo não apenas suporte técnico, mas também um cuidado integral e acolhedor. Sua atuação vai além da realização de procedimentos clínicos, como testes rápidos para diagnóstico, incluindo ainda a educação em saúde, com orientações claras sobre a transmissão do vírus, formas de prevenção, adesão adequada à terapia antirretroviral e uso de medidas profiláticas (Moura; Luna; Nascimento, 2024).

A questão principal da pesquisa é: “Como a enfermagem pode atuar de maneira integrada no cuidado às pessoas que vivem com HIV/AIDS?”. Portanto, procura compreender de que maneira a enfermagem participa na assistência a esses indivíduos, levando em conta o que é biológico, clínico e social, especialmente no que diz respeito ao apoio a grupos vulneráveis  e ao combate ao estigma. 

Analisar essa atuação é fundamental para o progresso de políticas públicas e clínicas que busquem minimizar as disparidades e que possam resultar em melhores desenvolvimentos em saúde para as pessoas que vivem com HIV/AIDS. 

Essa pesquisa é especialmente importante porque justifica o reconhecimento de que a enfermagem está na linha de frente do cuidado contínuo às pessoas vivendo com HIV/AIDS. Os enfermeiros são o vínculo fundamental entre o paciente e o sistema de saúde, oferecendo não apenas suporte técnico especializado, mas também um cuidado holístico. Sua atuação é necessária para incentivar a adesão ao tratamento antirretroviral, proporcionar apoio emocional constante e garantir um acompanhamento integral e acolhedor.

Refere-se a uma Revisão Integrativa da literatura obtida em bases de dados como Scielo, PubMed, Lilacs, BVMS e entre outras, dando preferência a estudos recentes que tratam da fisiopatologia, transmissão, diagnóstico, tratamento, estigmatização, infecção oportunista e o papel da enfermagem. O artigo está estruturado em cláusulas que incluem o referencial teórico, a metodologia da revisão, os resultados com discussão e as considerações finais, apresentando um conjunto consolidado de evidências e orientações práticas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para entender melhor como a enfermagem cuida das PVHA, é essencial ter uma noção dos aspectos que envolvem a fisiopatologia, diagnóstico, transmissão, tratamento, quadro clínico e prevenção dessa condição.

Compreender esses processos possibilita uma assistência clínica mais eficiente e humanizada. Também é fundamental levar em conta os fatores sociais e psicológicos que envolvem a convivência com o vírus, como o estigma e as disparidades no acesso ao tratamento, que afetam significativamente a qualidade de vida das pessoas que vivem com o HIV.

2.1 Fisiopatologia

O HIV, que provoca a AIDS e pertence à família dos retrovírus, não consegue se reproduzir por conta própria. Por isso, ele precisa infectar uma célula para utilizar seu material genético e dar origem a novos vírus (Cunico; Gomes; Vellasco Jr., 2008).

O vírus causa, segundo Santana, da Silva e Pereira (2019), um processo de deterioração gradual do sistema imunológico. Ele ataca, em especial, os linfócitos T CD4+, mas também macrófagos e células dendríticas7, que são necessários para a defesa do corpo. O vírus penetra nas células de várias maneiras (relações sexuais desprotegidas, transmissão vertical, compartilhamento de agulhas injetáveis, amamentação e através de feridas cortantes), utilizando a Enzima Transcriptase Reversa8 para transformar seu RNA9 em DNA10, que se incorpora ao DNA da célula hospedeira.

Durante a infecção, a quantidade de LT CD4+ diminui devido a vários fatores, como a apoptose11 das células não infectadas, a eliminação direta das células infectadas pelo vírus e a ação dos LT citotóxicos CD8+, que eliminam as células contaminadas. Quando o número de LT CD4+ diminui para abaixo de um certo ponto, o sistema imunológico se torna incapaz de funcionar plenamente, diminuindo sua capacidade de combater infecções, tornando o corpo mais suscetível a infecções oportunistas (Pinto et al., 2021).

Segundo Dias et al. (2020), as modificações no sistema imune que ocorrem logo após a infecção inicial pelo HIV são cruciais, uma vez que a resposta imunológica gerada neste momento pode ser um indicativo de como a enfermidade irá progredir. 

Na infecção primária, há uma ativação maciça do sistema imunológico que rapidamente resulta na morte das células T resulta CD4+ e na liberação de citocinas pró-inflamatórias¹². Essas substâncias provocam inflamação no organismo e, de maneira paradoxal, favorecem a multiplicação do vírus e sua propagação pelos tecidos linfóides do corpo (Dias et al., 2020).

2.2 Transmissão

Evidencia-se que a maior concentração de HIV e AIDS está diretamente relacionada à falta de educação e informação. Quanto mais escolaridade, mais incentivo e acesso à informação sobre riscos à saúde e contágio de doenças. Para muitos, não é evidente que o HIV também pode ser transmitido durante o sexo oral, por meio da transmissão vertical (de mãe para filho) e através do leite materno. (Pereira et al., 2022).

Para Nunes (2022), é relevante levar em conta que a dinâmica entre os trabalhadores do sexo envolve não apenas o aspecto afetivo e sexual, mas também uma relação de caráter financeiro. Isso ocorre com regularidade em momentos de adversidade, como quando clientes oferecem dinheiro adicional para sexo desprotegido.

2.2.1 Formas de transmissão

O HIV só pode ser transmitido se estiver presente em fluidos corporais que contenham concentrações suficientes de vírus: sangue, sêmen, fluidos vaginais e leite materno. Para que a transmissão aconteça, é preciso que o fluido infectado, de uma pessoa, chegue a entrar no corpo de outra (Cunico, Gomes e Vellasco Jr., 2008).

E só é capaz de se espalhar durante as relações sexuais desprotegidas, o uso compartilhado de seringas, agulhas ou instrumentos cortantes contaminados, as transfusões de sangue infectado, e a transmissão vertical, que é quando uma mãe soropositiva, sem tratamento adequado, infecta seu filho durante a gestação, no momento do parto ou durante a amamentação. Pelo contrário, o vírus não se espalha por meio da saliva, suor, transfusões de sangue seguras ou picadas de insetos (Rios; Da Silva Camargo, 2025).

O quadro a seguir descreve as principais formas de propagação e não propagação do vírus HIV, o que é essencial para a prevenção eficaz da infecção.  Uma compreensão clara das situações específicas que permitem a propagação do vírus

Quadro 1: (Adaptado) Formas de Transmissão e Não Transmissão do Vírus HIV

TRANSMITENÃO TRANSMITE
Sexo vaginal sem proteçãoSexo com proteção e masturbação a dois
Sexo anal sem proteçãoBeijo no rosto ou na boca
Sexo oral sem proteçãoSuor e lágrima
Compartilhamento de seringas, alicates e outros materiais perfurocortantesAperto de mão e abraço
Transfusão de sangue contaminadoTalheres, copos, sabonete, toalha e lençóis
Da mãe para o filho durante a gravidez, no parto e na amamentaçãoPiscina, banheiro, ar e picada de inseto
Compartilhamento de objetos sexuaisDoação de sangue
Fonte: BRASIL, Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós Exposição (PEP) de Risco à Infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais. Brasília, 2021.


Este quadro ressalta a necessidade de informar a população sobre os modos efetivos de transmissão do HIV. Compreender que o vírus é predominantemente transmitido através do contato com fluidos corporais em circunstâncias específicas, e que não se propaga por gestos cotidianos como abraços ou beijos no rosto, enfatiza a necessidade de uma abordagem humanizada e fundamentada em evidências na prevenção do HIV.

2.2.2 Homem que faz sexo com homem (HSH)

Conforme exposto pelo Boletim epidemiológico do MS (2024), quando a epidemia da AIDS começou a se alastrar pelo mundo, no início dos anos 80, seu maior impacto foi sentido entre os homossexuais. Do início de 2007 até junho de 2024, o Brasil registrou 541.759 casos de HIV, com 70,7% dos diagnósticos ocorridos em homens. A dinâmica epidemiológica indica uma inversão na proporção entre os sexos, com 27 casos em homens para cada 10 em mulheres em 2023, o que revela um aumento mais significativo entre os homens.

Em 2023, o Brasil registrou 46.495 novos casos de infecção, o que representa um aumento de 4,5% em comparação ao ano anterior. Dentre esses casos, 53,6% ocorreram em HSH (Brasil, 2024).

A exposição masculina, na categoria mais significativa, foi a de homens que fazem sexo com homens, totalizando 52,8% dos casos, no período de 2007 até junho de 2024, entre pessoas com 13 anos ou mais. Isto acontece porque o sexo anal é mais arriscado para a transmissão, uma vez que a mucosa retal é bastante delicada, permitindo que o vírus entre com mais facilidade (Brasil, 2024). 

2.2.3 Mulher que faz sexo com mulher (MSM)

Entre as mulheres, a atividade sexual carrega um risco de transmissão bem menor do que entre os homens. Entretanto, entre mulheres que fazem sexo com mulheres e têm vulva, a procura pelo prazer do orgasmo foi relacionada a episódios de sangramento durante a relação sexual, o que eleva a vulnerabilidade ao HIV pela troca de fluidos e eventuais lesões na mucosa (Santos et al., 2024).

Santos et al. (2024), mencionam no artigo a detecção do vírus entre mulheres sorodiferentes e levantam a hipótese de que a transmissão poderia acontecer pelo compartilhamento de acessórios sexuais sem o uso de preservativo. Assim, os estudos ressaltam a infecção pelo HIV entre HSH e colocam em dúvida a segurança das práticas sexuais entre mulheres cisgêneras¹³.

2.2.4 Homem que faz sexo com mulher (HSM)

Segundo o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2024, os homens que fazem sexo com mulheres (HSM) são responsáveis por cerca de 27% dos casos de infecção pelo HIV entre homens. No que diz respeito ao sexo feminino, a principal categoria de exposição é a prática heterossexual, que corresponde a aproximadamente 86,4% dos casos. 

De acordo com os números do boletim, em 2023, o Brasil registrou 46.495 novos casos de infecção pelo HIV, sendo que a maioria (70,7%) das notificações foi feita para homens e 29,3% para mulheres. Dessa forma, a maior parte das infecções femininas está associada à atividade sexual com homens heterossexuais.

Evidencia-se a necessidade de estratégias intersetoriais de assistência.

2.3 Quadro Clínico 

A infecção por HIV ocorre em quatro etapas distintas: fase aguda, assintomática e avançada. A infecção aguda, que é a fase inicial da doença, ocorre em aproximadamente 50% a 90% dos pacientes e é caracterizada por uma carga viral elevada e uma resposta imunológica forte. O tempo entre a exposição e os sintomas é de cinco a 30 dias. No auge dessa etapa, há uma redução drástica nos LT CD4+, que se recuperam apenas parcialmente, sem retornar aos níveis normais (Rios; Da Silva Camargo, 2025).

2.3.1 Sintomas na fase aguda

A fase aguda do HIV tem uma apresentação clínica que pode variar bastante, e pode durar até 14 dias, que vai de sintomas gripais a manifestações semelhantes à mononucleose, como febre, astenia, faringite, mialgia, artralgia, cefaléia e linfadenopatia. Além disso, os pacientes podem manifestar candidíase oral, neuropatia periférica, meningoencefalite asséptica e a síndrome de Guillain-Barré (Dias et al., 2020).

2.3.2 Sintomas na fase assintomática

Após os primeiros sintomas, o vírus passa para uma fase conhecida como assintomática. Nessa etapa, o paciente não mostra sinais clínicos evidentes da doença, mas pode ter linfadenopatia14 indolor e intermitente, ocasionalmente. O sistema imunológico ainda é capaz de controlar o vírus, e a pessoa pode não mostrar sinais visíveis por muitos anos (Dias et al., 2020). 

2.3.3 Sintomas na Sintomática

Essa fase subdivide-se em precoce e tardia. É caracterizada por sudorese noturna, fadiga, emagrecimento, diarreia, sinusite, candidíase oral e vaginal, leucoplasia pilosa oral, gengivite, úlceras aftosas, herpes simples recorrente, herpes zóster e trombocitopenia15 (Rios; Da Silva Camargo, 2025).

Conforme mencionado por Rios e Da Silva Camargo (2025), a última etapa, subdividida em tardia, refere-se à AIDS propriamente dita, momento em que o sistema imunológico se encontra tão debilitado que permite a ocorrência de infecções oportunistas, estas causadas por vírus, bactérias, protozoários, fungos (TB, PNM), além de certas neoplasias que se instalam em função da imunidade enfraquecida do hospedeiro.

2.4 Principais Doenças Oportunistas

As doenças oportunistas (DO) são infecções que ocorrem no corpo humano quando há uma falha no sistema imunológico. Quando esse sistema de defesa se encontra debilitado, como é o caso de indivíduos infectados pelo HIV, que têm suas células imunológicas eliminadas, o corpo torna-se mais suscetível, uma vez que não tem defesas suficientes para lutar contra os patógenos responsáveis por essas infecções (Santana; da Silva; Pereira, 2019).

Em conformidade com Silveira et al. (2022), entre as principais DO, pode-se citar pneumonia, tuberculose, IST’s (sífilis, hepatite, herpes) e neoplasias raras (Sarcoma, Linfoma de Não Hodgkin). De um modo geral, a imunidade contra infecções virais é, em grande parte, mediada por linfócitos T CD4+ e CD8+ ativados. Mas para que o HIV se multiplique, ele precisa infectar essas células, o que diminui a quantidade de linfócitos T circulantes que ajudam a defender o corpo.

A PNM e TB  são, de longe, uma das principais responsáveis por doenças e óbito em pacientes imunodeprimidos, a qual se espalha pelo ar quando uma pessoa que está doente tosse, espirra ou fala, liberando gotículas que podem contaminar outras pessoas.  muitas vezes levando a encaminhamentos a pneumologistas para diagnóstico e manejo. Incluem-se aqui infecções pulmonares bacterianas, micobacterianas, fúngicas, virais e parasitárias relacionadas ao HIV (Huang; Crothers, 2009).

A hepatite B e C é uma infecção do fígado provocada pelo vírus da hepatite C (VHC). VHC pode se referir tanto ao vírus quanto à infecção que ele provoca. A transmissão do VHC ocorre, sobretudo, através do contato com sangue de um indivíduo infectado pelo vírus, mas também pode ocorrer por meio de relações sexuais. Ainda que a chance de transmissão por relações sexuais seja baixa, ela aumenta em indivíduos com HIV (Santana; da Silva; Pereira, 2019).

Santana, da Silva e Pereira (2019), afirmam que a sífilis é uma IST provocada pela bactéria Treponema pallidum, e se divide em três estágios: estágio primário, ocorre o cancro duro16, surgindo aproximadamente três semanas após a contaminação; o secundário se manifesta quando a primária não recebe tratamento, resultando na disseminação da bactéria e em lesões infecciosas na boca, faringe e área genital; e por fim, o terciário que pode ocorrer anos depois, provocando a destruição de tecidos e ossos, além de causar gomas e tumores, bem como complicações sérias como a sífilis cardiovascular e neurológica.

2.5 Diagnóstico

O sigilo é imprescindível no cuidado das PVHA, em especial na atenção básica, uma vez que sua falta pode comprometer de forma significativa tanto a procura pelos serviços quanto a adesão do usuário à equipe de saúde, o que pode inviabilizar o acesso desses usuários aos serviços. Esse cuidado tem tudo a ver com a responsabilidade ética dos profissionais encarregados, que é absolutamente necessária para assegurar e respeitar o direito dos pacientes à confidencialidade (Rios; da Silva Camargo, 2025).

O diagnóstico de infecção por HIV é considerado positivo quando dois testes, que utilizam metodologias distintas, apresentam resultados concordantes. Se o primeiro teste resultar negativo, não são feitos outros testes. Os testes rápidos de terceira geração, que são os mais comuns no SUS, têm uma janela imunológica de 30 dias (Pinto et al., 2021).

Os exames para detecção do HIV consistem inicialmente em testes de triagem, como o rápido ou o ELISA, que buscam anticorpos anti-HIV; se o resultado for positivo, um teste específico deve ser realizado, geralmente o Western blot (WB) ou de carga viral (Santana, da Silva, Pereira, 2019).

2.5.1 Testes Rápidos

Segundo o Ministério da Saúde (2022), o SUS disponibiliza testes rápidos que são simples e rápidos, utilizando apenas uma gota de sangue, e os resultados saem em até 30 minutos. No caso do teste de saliva, um cotonete é passado suavemente na gengiva e na bochecha para coletar células e líquido oral.

 Além de exames laboratoriais para confirmação e monitoramento da infecção, como a carga viral, que mede a quantidade de vírus no sangue; a contagem de linfócitos T-CD4+, que avalia o sistema imunológico; e a genotipagem do HIV, que identifica mutações do vírus para adequar o tratamento (Brasil, 2022).

2.5.2 Teste ELISA

O exame ELISA é usado para identificar anticorpos específicos contra o HIV no sangue. O processo envolve a adição de uma amostra de sangue do paciente em uma placa contendo antígenos virais fixados. Se a pessoa tiver anticorpos contra o HIV, eles se ligarão aos antígenos. Posteriormente, adiciona-se uma enzima que se liga aos anticorpos e um substrato que desencadeia uma reação química, resultando em uma alteração de cor na placa  (Brasil, 2022). 

A presença e a quantidade de anticorpos são confirmadas pela intensidade da coloração, o que indica exposição ao vírus. O ELISA é um exame altamente sensível e específico, usado principalmente para a triagem inicial do HIV. Se o teste der positivo, outros exames específicos, como o Western blot, devem ser realizados para confirmar o diagnóstico com precisão (Brasil, 2018).

2.5.3 Teste de Western Blot

Os autores Santana, da Silva e Pereira (2019) afirmam que o teste laboratorial conhecido como Western blot é usado para confirmar a infecção após um resultado positivo em testes de triagem, como ELISA ou teste rápido. Ele detecta anticorpos específicos que o corpo produz em resposta a proteínas diferentes do HIV presentes no soro sanguíneo.

Mahmood e Yang (2012), relatam que no final do procedimento, o resultado pode acusar como: negativo (sem anticorpos detectados), indeterminado (com alguns anticorpos detectados, mas em quantidade insuficiente para um diagnóstico fechado) ou positivo (indicando a presença de anticorpos e confirmando a infecção).

2.6 Tratamento

A implementação da TARV constituiu um marco significativo no manejo das infecções por HIV, uma vez que diminuiu a taxa de mortalidade, ampliou a expectativa e qualidade de vida dos pacientes e contribuiu para as estratégias de prevenção. Assim, torna-se imprescindível desenvolver estratégias que possibilitem a avaliação, o acompanhamento e a melhoria da adesão ao tratamento, assegurando, dessa forma, a qualidade de vida dos pacientes (Cazeiro; Leite e Gomes, 2024).

Todo PVHIV17 deve iniciar imediatamente a Terapia Antirretroviral ou “coquetel”, mesmo sem sintomas, independente do estágio clínico ou imunológico. A terapia inicial geralmente envolve três antirretrovirais: dois inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeos ou nucleotídeo (ITRNs) e um terceiro antirretroviral de uma classe diferente, que pode ser um inibidor da transcriptase reversa não análogo de nucleosídeo (ITRNNs), um inibidor da protease (IPs) reforçado com ritonavir, ou um inibidor de integrase (INSTIs) (Pinto et al., 2021).

Pinto et al. (2021) confirmam que, no Brasil, a combinação de lamivudina, tenofovir e dolutegravir é a alternativa de tratamento preferencial, que deve ser ingerida diariamente na forma de duas pílulas, as quais apresentam boa tolerância e eficácia comprovada. Além disso, esse sistema demonstra escassas interações medicamentosas, o que facilita sua aplicação e pode contribuir para uma maior adesão ao tratamento. 

Os antirretrovirais diminuem a carga viral do HIV a níveis indetectáveis nos testes, o que proporciona uma qualidade de vida significativamente superior para os pacientes. Entretanto, estes medicamentos não são capazes de eliminar o vírus do organismo (Martins et al., 2024).

O quadro abaixo traz os principais fármacos utilizados para o tratamento da infecção por HIV, organizados por classe e mecanismo de ação. 

Quadro 2: Principais medicamentos e seu mecanismo de ação

MEDICAMENTOINSTIsITRNsITRNNsIPs
Abacavir X  
DolutegravirX   
Doravirina  X 
Efavirenz  X 
Tenofovir X  
Lamivudina X  
Ritonavir   X
Fonte: SOBRAL, L. M.; SILVA, Y. A.; LIMA FILHO, A. C. M. HIV/AIDS: avanços e perspectivas das terapias antirretrovirais. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2025.


Diante dessa variedade de medicamentos, é possível perceber que a ciência trabalha para ampliar os medicamentos contra o HIV, visando não só suprimir o vírus, mas também melhorar a qualidade de vida dos pacientes. 

2.6.1 Esquemas atuais

Uma das abordagens inovadoras consiste na aplicação de terapias fundamentadas em células-tronco, as quais têm como objetivo reconstituir o sistema imunológico e, ao mesmo tempo, erradicar os reservatórios virais (Martins et al., 2024).

Conforme os autores citados anteriormente, as células-tronco hematopoiéticas (CTH) são encontradas na medula óssea, no sangue periférico e também no sangue do cordão umbilical, e são frequentemente empregadas em transplantes para o tratamento de doenças hematológicas, como leucemias e linfomas. Elas podem restaurar o sistema imunológico, ou seja, repor as células que foram comprometidas pela doença. Ao transplantar essas células, o sistema hematopoiético e imunológico do paciente é restaurado, permitindo que ele volte a produzir células sanguíneas saudáveis e a fortalecer sua resposta imunológica.

Um dos casos mais famosos sobre essa estratégia é o de Timothy Ray Brown, conhecido como “Paciente de Berlim”. Ele passou por um transplante de células-tronco de um doador que tinha uma mutação rara em um gene CCR5. Essa mutação dá resistência ao HIV. Depois do tratamento e da parada da terapia que combate o vírus, ele teve uma melhora que durou muito tempo. Durante mais de 12 anos, não apareceram sinais de que o vírus estava se multiplicando. Isso foi considerado uma cura funcional. O médico especialista em câncer Gero Hütter criou essa nova maneira de tratar em 2007 (Jensen et al., 2023).

O MS (2025), incorporou ao SUS em 2024 uma nova classe de ARV18 para pacientes vivendo com HIV multirresistentes ao antirretroviral, o Fostensavir. Ele age diretamente na glicoproteína gp120 do vírus, bloqueando a entrada do HIV-1 nas células do hospedeiro. Em estudos clínicos, mostrou-se eficaz na redução da carga viral e no aumento da contagem de  LT CD4+ em PVHA. Ademais, o seu perfil de segurança foi positivo e os efeitos colaterais que surgiram foram leves, como diarreia e dor de cabeça.

2.6.2 Perspectiva de cura

A latência viral, definida como a existência do DNA pró-viral integrado ao DNA humano sem se replicar, mas ainda suscetível à reativação, representa o principal desafio de cura. Vários mecanismos celulares, já reconhecidos, preservam o estado latente, inibindo a transcrição viral e mantendo o gene silenciado, o que dificulta a erradicação da infecção (Kallas e Donini, 2016).

De acordo com uma nota publicada pelo MS, encontrar a cura para o vírus da imunodeficiência humana (HIV) é, até hoje, um dos maiores desafios da ciência, mas, anualmente, os estudos avançam um pouco mais, trazendo esperança para médicos e pacientes. 

As vacinas de mRNA19 para HIV são uma inovação no combate ao vírus, empregando a mesma tecnologia utilizada nas vacinas contra a Covid-19 da Pfizer e Moderna. O método é basicamente injetar RNA mensageiro no sistema imunológico, particularmente nas células T CD4+, para que essas células criem proteínas virais específicas do HIV. Dessa forma, o sistema imunológico é preparado para identificar e combater o vírus, mesmo quando ele está latente, oculto nas células. As vacinas de mRNA contra HIV estão, no momento, em estágios iniciais de testes, que incluem experimentos pré-clínicos em animais antes que os testes em humanos comecem (Fortner e Bucur, 2022).

Em estudo de Martins et al. (2024), um indivíduo de Londres, em 2019, que foi agraciado com um transplante de células-tronco de um doador que apresentava a mutação CCR5. Tal como o paciente de Berlim, ele mostrou uma longa pausa na presença do vírus depois de descontinuar o tratamento antirretroviral, com uma falta duradoura de vírus que se deixou ver nos testes de laboratório. Esse caso mostra que ainda há esperança na cura do HIV usando transplante de células-tronco. Mas ainda são poucos os casos que foram registrados.

2.7 Prevenção

A política brasileira voltada para o combate ao HIV e à AIDS admite que nenhuma ação isolada de prevenção se revela eficaz para diminuir a incidência de novas infecções por HIV, sífilis e outras ISTs. Isto ocorre porque distintos fatores de risco associados à exposição, transmissão e infecção operam de maneira dinâmica em contextos sociais, econômicos, culturais e políticos diversificados (Brasil, 2025).

No ano de 2025, a prevenção do HIV/AIDS baseia-se em uma abordagem holística, que engloba múltiplas estratégias visando à diminuição da transmissão do vírus, chamadas de prevenção combinada. O emprego de preservativos, tanto do tipo masculino quanto feminino, aliado ao uso de gel lubrificante, é imprescindível para prevenir o contato direto com o vírus (Brasil, 2024). 

De acordo com Silveira et al. (2022), há intervenções biomédicas relevantes, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que consiste na utilização diária de medicamentos antirretrovirais direcionados a indivíduos com maior vulnerabilidade, e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), cuja implementação deve ocorrer em até 72 horas após uma possível exposição, a fim de prevenir a infecção.

O quadro a seguir resume as intervenções-chave na prevenção do HIV, divididas em estruturais, comportamentais e biomédicas, ilustrando a variedade de abordagens necessárias para um combate eficaz à epidemia. 

Quadro 3: Intervenções na prevenção do HIV.

INTERVENÇÕESO QUE ENVOLVE?
Estruturais– Enfrentamento ao racismo
– Combate à homofobia
– Combate ao machismo
– Promoção e defesa dos direitos humanos
– Campanhas educativas e de conscientização
Comportamentais– Estímulo ao uso de preservativos
– Acolhimento e aconselhamento sobre HIV, aids e outras ISTs
– Incentivo à testagem regular
– Adesão às intervenções biomédicas
– Redução de danos para pessoas que usam álcool e outras drogas
Biomédicas– Uso de preservativo e gel lubrificante
– Imunização para hepatite B e HPV
– Testagem regular para HIV e ISTs
– Tratamento do HIV como prevenção
– Exame preventivo de câncer do colo de útero e testagem de HPV oncogênico
– Conhecimento e acesso à anticoncepção e concepção planejada
– Profilaxia pré-exposição (PrEP)
– Profilaxia pós-exposição (PEP)
Fonte: UNAIDS. Prevenção combinada ao HIV. Brasília: UNAIDS Brasil, 2025.


Estes conjuntos de ações enfatizam que a prevenção do HIV demanda uma abordagem multissetorial e integrada, capaz de abordar diferentes dimensões da questão e as diversas necessidades das populações impactadas. A implementação dessas estratégias auxiliares é fundamental para incrementar a eficácia das políticas públicas e diminuir a ocorrência do vírus.

2.7.1 PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)

A profilaxia Pré-Exposição (PrEP, em inglês, pre-exposure prophylaxis), atualmente, o que se encontra disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) é a administração oral de antirretrovirais em dose fixa combinada (tenofovir/entricitabina) com o objetivo de diminuir o risco de transmissão do HIV (Brasil, 2021).

O Ministério da Saúde (2025) orienta que para indivíduos que utilizam PrEP sob demanda e que comecem a manter uma maior frequência de relações sexuais, adotar a modalidade de PrEP oral diária em casos de maior frequência. A dosagem recomendada na profilaxia pré-exposição sob demanda, conforme o esquema 2 + 1 + 1, consiste em:

  • Administração inicial de dois comprimidos, entre 2 e 24 horas antes da atividade sexual.
  • Um comprimido, 24 horas após a administração inicial de dois comprimidos
  • Um comprimido deve ser ingerido 24 horas após a administração da segunda dose.

Ainda sobre a orientação do MS (2025), se uma nova relação sexual acontecer no dia seguinte após a conclusão das doses de 2 + 1 + 1 indicam que a pessoa em uso de PrEP sob demanda deve ingerir um comprimido diariamente até 48 horas após o último ato sexual. Para aqueles que se encontram em situações de vulnerabilidade ao HIV, é indicado o uso diário e contínuo dos comprimidos, sendo o esquema: 2 comprimidos de tenofovir e emtricitabina no primeiro dia e um comprimido de cada diariamente.

A expansão da oferta da PrEP tem como objetivo reduzir a transmissão do HIV e contribuir para o alcance da meta definida pelo Ministério da Saúde (2025) de erradicar a epidemia. A respeito da AIDS como uma problemática de saúde pública até o ano de 2030.

Conforme a pesquisa realizada por Knupflemacher et al. (2025), a profilaxia pré-exposição (PrEP) oral diária foi analisada em homens cisgêneros que mantêm relações sexuais com outros homens e em mulheres transgênero. Os resultados indicaram que o uso da PrEP possibilitou uma diminuição de 44% no risco de contração do HIV, com uma eficácia de até 95%.

Sobre o tempo de efeito do PrEP, em estudo de Silveira et al. (2022), mulheres cis20 e qualquer pessoa em uso do hormônio à base de estradiol deve tomar o medicamento por pelo menos sete dias para atingir níveis eficientes de proteção. Já em casos de homens cis, o tempo para efeito seguro é de duas horas, pois não estão sob uso de hormônios à base de estradiol.

2.7.2 PEP (Profilaxia Pós-Exposição)

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) representa uma tecnologia integrante do conjunto de abordagens da Prevenção Combinada, cujo objetivo primordial é ampliar as opções de intervenção para satisfazer as necessidades individuais de cada pessoa ou, ainda, viabilizar a incorporação do método preventivo em sua rotina (Elliot, 2019).

A PEP é tratada como uma emergência, uma vez que há uma janela de tempo apertada para dar início ao tratamento preventivo com remédios. Ela fundamenta-se na utilização de antirretrovirais como Tenofovir ou Lamivudina combinado com Dolutegravir, visando diminuir a probabilidade de contágio em momentos em que há chance de contato com o vírus (Brasil, 2025).

O MS (2025) orienta que a profilaxia deve ser feita em até 72 horas depois do contato, com a sugestão de colocá-la em prática o mais cedo possível. A prevenção acontece durante 28 dias, e a pessoa deve estar sob a vigilância dos profissionais de saúde, até mesmo depois desse intervalo, realizando os exames que forem exigidos.

2.8 Estigma e Discriminação

A UNAIDS (2017) caracteriza o estigma como um processo de desvalorização, julgamento e discriminação que rebaixa consideravelmente um indivíduo aos olhos dos outros, ou seja, o indivíduo é rotulado.

A discriminação se manifesta, assim, na exclusão social, na violência, no estigma, nos estereótipos que são reproduzidos pela sociedade, pela família e até pelos próprios clientes das e dos profissionais. A rejeição e a insegurança, intensificadas pelo ambiente do trabalho sexual, fragilizam o estado psicológico, resultando em pensamentos suicidas e depressivos (Da Silva Santana, 2021).

A escassez de informações sobre a infecção por HIV desde a década de 1980 gerou estigmas e preconceitos em relação à comunidade homossexual no que diz respeito à doença. Um estigma semelhante foi formado em relação à população LGBT, aos trabalhadores do sexo e aos consumidores de drogas injetáveis (Silveiraet al., 2022).

Moura, Luna e Nascimento (2024) dizem que o preconceito e a discriminação sobre o HIV ainda atrapalham as pessoas a conseguirem cuidados de saúde logo no início. 

A doença é vista no contexto social como algo vergonhoso, repugnante e impregnado de pecado, gerando no indivíduo afetado uma notável reticência em abordar o tema. As doenças relacionadas ao comportamento sexual são vistas como algo errado. As pessoas culturalmente pensam que essas doenças são resultados de escolhas e que quem as tem merece passar por isso (Gonçalves, Bandeira e Garrafa, 2011).

Segundo a pesquisa de Cota e Cruz (2021), o receio, o constrangimento e a homofobia manifestam-se em todas as circunstâncias, desde a mera sugestão de diálogo sobre o assunto, até a concordância com a necessidade de se submeter ao teste e de iniciar o tratamento, caso o resultado seja positivo. As autoras relatam que os indivíduos apontam como obstáculos para a realização do teste a carência de profissionais qualificados, a dificuldade de acesso, a duração necessária para a realização do teste, o receio de enfrentar preconceito, o temor da exposição, a apreensão em relação ao resultado, a escassez de informações, além do estigma e da vergonha.

A linguagem configura as crenças e pode impactar os comportamentos. O UNAIDS (2017) sustenta que o uso cuidadoso de uma linguagem adequada pode fortalecer a resposta mundial à epidemia.

O próximo quadro mostrará uma lista de palavras sugeridas pelo UNAIDS. Essas palavras devem ser usadas em mensagens sobre o HIV. O objetivo é ter uma linguagem que inclua todos, seja correta e não cause preconceito. Essas orientações são muito importantes para garantir um jeito respeitoso e cuidadoso.

Quadro 4: Termos recomendados pelo UNAIDS (adaptado).

EVITAR DIZERDIZER
Contaminado ou pessoa contaminada com HIV Pessoas vivendo com HIV
Doença mortal, incurável; deficiência imunológicaSíndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS)
Doença venéreaInfecção Sexualmente Transmissível (IST)
Grupo de RiscoPopulação-chave
AidéticoPessoas vivendo com HIV
Transmissores de AIDSPessoas vivendo com HIV
Portadores de HIVPessoas vivendo com HIV
SoropositivaPessoas vivendo com HIV
Fonte: UNAIDS. Guia de terminologias. Brasília, 2017. 


Essa padronização linguística ajuda a diminuir preconceitos e dificuldades sociais. Assim, fica mais fácil para todos terem acesso a informações e serviços de saúde. Além disso, destaca a importância de ficar sempre atento e de atualizar as maneiras de se comunicar. 

2.9 Papel da Enfermagem

A atuação do enfermeiro é muito importante para ajudar as pessoas que vivem com HIV. Esse vírus pode causar a AIDS. Quando os cuidados certos são feitos e o diagnóstico é feito precocemente, esses indivíduos têm menos chances de adoecer por conta da doença. No entanto, esses profissionais da saúde enfrentam desafios. Um deles é conseguir que essas pessoas tenham acesso aos serviços de saúde. Outro desafio é ajudar os pacientes a continuarem tomando os ARV (Pereira et al., 2024).

A função da equipe de enfermagem no atendimento a PVHA envolve diversas facetas, tais como orientação, suporte emocional e instrução em saúde. Também desempenham funções cruciais como facilitadores para aprimorar a adesão à medicação, oferecer cuidados preventivos e suprir as necessidades (Moura, Luna e Nascimento, 2024).

Referente ao estudo de Oliveira et al. (2025), o  enfermeiro é o mediador de comunicação entre o paciente e a equipe multiprofissional, sendo capaz de intervir em conflitos e proporcionar apoio emocional, o que ressalta a importância de um cuidado que se baseia na empatia, no acolhimento e no sigilo.  Essa mediação, juntamente com a escuta ativa e o acompanhamento terapêutico, ajuda a estabelecer laços que aumentam a confiança do usuário nos serviços de saúde.

Costa (2024) relata que é fundamental a implementação da SAE no momento da consulta de enfermagem, que consiste em:

  1. Avaliação de enfermagem consiste na coleta de informações subjetivas e objetivas referentes à saúde do paciente (anamnese), abordando o histórico médico, os exames laboratoriais e a análise dos sintomas.
  2. Diagnóstico de enfermagem, no qual o profissional de enfermagem identifica os problemas presentes, as condições de vulnerabilidade ou as disposições para aprimorar os comportamentos de saúde daquele indivíduo.
  3. Planejamento em enfermagem consiste na elaboração de um plano de cuidados assistenciais voltado ao paciente, que abrange a priorização dos diagnósticos identificados, a definição dos resultados almejados e a prescrição das intervenções que devem ser implementadas.
  4. Implementação de práticas de enfermagem, na qual o enfermeiro realizará as intervenções programadas, observando as competências técnicas de cada profissional e os princípios legais da profissão.
  5. Evolução de enfermagem, na qual o enfermeiro procederá à avaliação dos resultados obtidos, possibilitando a análise e a revisão de todo esse processo.

Andrade et al. (2023) relataram em sua pesquisa que os profissionais da saúde ainda se consideram insuficientemente preparados para o manejo desses pacientes na Atenção Primária à Saúde, especialmente durante a revelação do diagnóstico. Assim, torna-se imprescindível uma reflexão acerca da atuação profissional no que diz respeito à abordagem do indivíduo com suspeita ou diagnóstico de HIV.  

Todavia, é recomendada a educação continuada e permanente na Atenção Primária, visando proporcionar um atendimento que seja integral, holístico e isento de preconceitos e julgamentos, o que possibilita a formação de vínculos e relações de confiança com o cliente (Andrade et al., 2023).

3 METODOLOGIA

Esta pesquisa é qualitativa, exploratória e descritiva, visando compreender o papel da enfermagem no cuidado integrado às pessoas que vivem com HIV/AIDS, considerando os fatores biológicos, clínicos e sociais.

A pesquisa será desenvolvida por meio de uma análise bibliográfica, utilizando fontes acadêmicas confiáveis, como estudos científicos, livros, dissertações e documentos oficiais, dando preferência a trabalhos recentes, com recorte temporal dos últimos cinco anos, que discutem a fisiopatologia do HIV, suas formas de prevenção, diagnóstico e tratamento, a atuação do enfermeiro, estigmas e políticas públicas pertinentes. 

Serão feitas revisões integrativas em bases digitais como Scielo, PubMed, Lilacs, BVMS e outras nacionais, utilizando palavras-chave como “HIV”, “AIDS”, “enfermagem”, “cuidados integrados”, “estigma”, “infecções oportunistas” e outros relacionados. 

Foram selecionados um total de 73 artigos, utilizando critérios de exclusão para descartar artigos que não cumpram os requisitos estabelecidos, como algumas publicações fora do período definido, duplicadas, fora do contexto ou que não estejam em português, inglês ou espanhol.

Os dados obtidos serão analisados  de forma qualitativa, utilizando a técnica de análise de conteúdo de Bardin, o que possibilitará a formação de categorias temáticas que ajudarão a elucidar como a enfermagem atua no cuidado a pessoas com HIV/AIDS e quais os desafios enfrentados no combate ao estigma e na prevenção das infecções oportunistas.

Serão respeitados os princípios éticos da pesquisa, com vistas à qualidade e ao rigor científico, mesmo sendo um estudo bibliográfico, respeitando a propriedade intelectual das obras consultadas e citadas de acordo com as normas da ABNT.

O desenvolvimento dessa metodologia possibilitará a construção de uma revisão integrativa sólida, fundamentada em evidências científicas recentes, apta a embasar propostas que melhorem as práticas de enfermagem e apoiem a formulação de políticas públicas e estratégias educativas práticas para a população em questão.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A atual revisão integrativa demonstra que a enfermagem desempenha uma função diversificada e essencial nos cuidados a indivíduos que vivem com HIV/AIDS, abrangendo desde a atenção clínica até a promoção da saúde e a intervenção social. A incorporação de conhecimentos científicos atualizados aos protocolos de enfermagem é imprescindível para aumentar a eficácia dos cuidados e aprimorar os indicadores de saúde dessa população.

Foram escolhidos 73 artigos em uma revisão integrativa da literatura, dos quais 35 foram de fato utilizados após rigorosa aplicação dos critérios de exclusão. Com essa seleção, foi possível construir um panorama contemporâneo e minucioso da atuação da enfermagem no cuidado integral de pessoas que vivem com HIV/AIDS, nos âmbitos biológico, clínico, social e psicossocial.

A figura abaixo sistematiza, de maneira clara, as fases do processo de seleção dos artigos que foram utilizados na pesquisa.  

Fluxograma 1: Etapas de seleção de artigos

Em conformidade com esse processo de seleção, foram selecionados 73 artigos. Destes, 36 atenderam a todos os critérios e foram usados na pesquisa. Já 37 artigos não foram selecionados. Essa escolha cuidadosa ajudou a formar uma base teórica forte, baseada em provas novas e importantes.

Os resultados indicam que o HIV permanece um desafio relevante para a saúde pública brasileira. Existem muitos novos casos. Isso mostra como é importante ter formas de ajuda que envolvam diferentes áreas. No Brasil, em 2023, foram contados 46.495 novos casos de HIV. A maioria das pessoas afetadas é do sexo masculino, sendo 70,7%. Entre os homens, 52,8% são gays e 27% são heterossexuais. Entre as mulheres, a maioria dos casos acontece por meio de relações sexuais com homens (86,4%).

No que diz respeito ao aspecto clínico, as pesquisas demonstram que a terapia antirretroviral (TARV) constitui um progresso relevante na trajetória da enfermidade, diminuindo a mortalidade e aprimorando a qualidade de vida dos indivíduos, ainda que não consiga erradicar totalmente o vírus do corpo. O progresso na terapia, que abrange a implementação de novos antirretrovirais com um perfil aprimorado para adesão e tolerância, é essencial para o êxito do tratamento.

As ações de prevenção combinada, que incluem medidas biomédicas, comportamentais e estruturais, são essenciais para diminuição da incidência da enfermidade, levando em conta suas variadas formas de transmissão e os diversos contextos sociais e culturais das populações impactadas. Salienta-se a importância essencial da enfermagem na promoção da educação em saúde, bem como na orientação sobre o uso adequado de preservativos, no estímulo à realização de testes e na adesão às profilaxias pré e pós-exposição, conhecidas como PrEP e PEP.

Além disso, a luta contra o preconceito e a discriminação é um grande desafio. Isso afeta de forma ruim o acesso e a continuidade nos cuidados. O trabalho dos enfermeiros, como mostrado nos textos que foram estudados, vai além do cuidado técnico. Esse trabalho também inclui questões psicológicas e culturais que são importantes para tornar o atendimento mais humano e fortalecer as redes de apoio.

O Quadro 5 mostrará os principais elementos em debate na atualidade da epidemia de HIV, tanto os biológicos quanto os sociais, permitindo uma visão ampla dos desafios e das possibilidades que configuram o entendimento contemporâneo da infecção.

Quadro 5: Aspecto e descrição da discussão sobre HIV.

ASPECTODESCRIÇÃO
Complexidade da epidemiaReflete a necessidade de intervenções multifacetadas devido a fatores biológicos e sociais diversos.
População-chaveHomens que fazem sexo com homens (HSH) são os principais afetados; vulnerabilidade ligada ao sexo anal.
TARVEficaz, mas enfrenta desafios em adesão, efeitos colaterais e resistência. Enfermeiros desempenham papel chave.
Novas tecnologiasVacinas de mRNA e transplantes de células-tronco são promissoras, mas requerem mais estudos clínicos.
Intervenções integradasEstruturais, comportamentais e biomédicas reconhecem aspectos biológicos e sociais da epidemia.
Estigma e discriminaçãoBarreiras cruciais que impactam políticas de saúde e acesso a serviços.
Fonte: TAKEI, A. C. S. A Prática da Enfermagem no Contexto do HIV/AIDS:da capacitação técnica ao acolhimento holístico. Cornélio Procópio, 2025.


Assim, o quadro revela que o combate ao HIV não pode ser pautado apenas pelo uso de tecnologias de ponta e terapias eficazes, mas deve incluir uma atuação que considere as vulnerabilidades sociais e as barreiras estruturais, como o estigma e a discriminação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A revisão integrativa revelou que o HIV/AIDS ainda é um dos problemas de saúde mais complexos e difíceis para a população, tanto no Brasil quanto no mundo. Apesar dos avanços tecnológicos — como a expansão dos testes, o acesso universal à terapia antirretroviral e a implementação de estratégias combinadas de prevenção — ainda existem lacunas significativas que comprometem a eficácia da resposta à epidemia. 

A enfermagem desempenha uma função diversificada e importante no atendimento a indivíduos que vivem com HIV/AIDS, abrangendo desde a assistência clínica até a promoção da saúde e a intervenção social. No entanto, constatou-se que persistem lacunas na formação profissional e na capacitação contínua, particularmente do que tange à abordagem humanizada, à educação em saúde e à gestão do cuidado em populações vulneráveis.

Ademais, tornou-se claro que o estigma e a discriminação persistem como obstáculos estruturais que comprometem a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. Do ponto de vista científico, este estudo expõe lacunas de pesquisa que requerem investigação futura, tais como: avaliação da eficácia das intervenções educativas implementadas por enfermeiros para aumentar a adesão à TARV; avaliação do impacto psicológico e social do estigma em diversos grupos populacionais (HSH, MSM, HSM, mulheres trans, usuários de drogas, entre outros); pesquisa sobre a integração entre saúde mental e atenção primária na linha de cuidado das PVHA; e pesquisa acerca de novas terapias e tecnologias de monitoramento, como a utilização de vacinas de mRNA e células-tronco, na perspectiva da prática de enfermagem.

Recomenda-se a implementação de programas contínuos de capacitação para os profissionais da enfermagem, os quais devem se concentrar não apenas em aspectos clínicos, mas, igualmente, na dimensão psicossocial e no enfrentamento do estigma. É imperativo que as políticas públicas fortifiquem o suporte às táticas de prevenção combinada, assegurando, dessa maneira, um acesso amplo e descomplicado aos tratamentos antirretrovirais, bem como às novas tecnologias que estão emergindo.

Concluiu-se que o papel da enfermagem é de suma importância não apenas na execução de procedimentos técnicos, mas, principalmente, como agente transformador na promoção da equidade, da aceitação e da humanização do cuidado. O aprimoramento da pesquisa e da formação crítica do enfermeiro representam um caminho promissor para o estabelecimento de práticas cada vez mais éticas, fundamentadas em evidências e dedicadas à dignidade das PVHA. 


¹Glóbulos brancos que coordenam a resposta imune do organismo.
²Células do sistema imune
³Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
4Profilaxia Pré-Exposição
5Profilaxia Pós-Exposição
6Terapia Antirretroviral
7Células imunitárias
8Enzima que tem a função de sintetizar DNA a partir de uma fita molde de RNA.
9Ácido Ribonucleico, responsável por traduzir as informações do DNA e sintetizar proteínas.
10Ácido Desoxirribonucleico, responsável por carregar e transmitir as informações genéticas.
11Morte programada das células.
¹²Proteínas do sistema imune que promovem a inflamação em resposta a infecções, ativando células imunes.
¹³Identidade de gênero correspondente ao sexo atribuído à nascença.
14Aumento dos gânglios linfáticos
15Diminuição das plaquetas
16Ferida indolor no sítio da infecção
17Paciente vivendo com HIV
18Antirretroviral
19RNA mensageiro
20Pessoa que nasceu com órgão sexual feminino

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* Discente graduanda em Enfermagem pela Faculdade Cristo Rei – FACCREI
** Docente graduado em Ciências Biológicas – Doutor e Mestre em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias. Atualmente, é professor universitário na Faculdade Cristo Rei – FACCREI