EFEITOS DO TREINAMENTO INTERVALADO DE ALTA INTENSIDADE (HIIT) NA FUNÇÃO CARDIOVASCULAR DE ATLETAS E PRATICANTES RECREATIVOS

EFFECTS OF HIGH-INTENSITY INTERVAL TRAINING (HIIT) ON CARDIOVASCULAR FUNCTION IN ATHLETES AND RECREATIONAL PRACTITIONERS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511211737


Eryca Andreza Maria Oliveira da Silva1
Samira Beatriz Soares Ciríaco1
Mirelle Kelly Machado Farias2


Resumo 

O exercício físico é reconhecido como um importante fator de promoção e manutenção da saúde cardiovascular. O Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) destaca-se por induzir adaptações fisiológicas significativas em curto período de tempo, porém seus efeitos específicos sobre a função cardiovascular ainda geram controvérsias na literatura, especialmente quando comparados a outros métodos de treino. O objetivo geral deste estudo foi analisar, por meio de uma revisão bibliográfica, os efeitos do HIIT sobre a função cardiovascular de atletas e praticantes recreativos, identificando as principais adaptações fisiológicas observadas em diferentes níveis de condicionamento físico. Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica realizada nas bases PubMed, SciELO e Google Scholar, onde foram incluídos artigos publicados entre 2019 e 2025. Os estudos revisados demonstraram que o HIIT promove melhora significativa da capacidade cardiorrespiratória, aumento do VO₂máx, redução da pressão arterial e aperfeiçoamento da função contrátil e diastólica do ventrículo esquerdo. Em contrapartida, alguns autores observaram ausência de diferenças expressivas quando comparado ao treinamento contínuo de intensidade moderada, especialmente em indivíduos saudáveis e bem condicionados. Apesar dos benefícios amplamente descritos, os efeitos do HIIT podem variar conforme o nível de condicionamento, o protocolo utilizado e o controle da carga de treino. A prática inadequada e sem acompanhamento pode ocasionar respostas autonômicas desfavoráveis e aumentar o risco de sobrecarga cardíaca. Portanto, o monitoramento dos parâmetros cardiovasculares e a prescrição individualizada são fundamentais para garantir segurança e eficácia. O HIIT é um método eficaz para melhorar a função cardiovascular e o desempenho físico, desde que aplicado de forma adequada e supervisionada. No entanto, a delimitação entre adaptações fisiológicas e possíveis efeitos patológicos ainda carece de investigações mais aprofundadas, reforçando a importância de estudos futuros com delineamentos experimentais e acompanhamento longitudinal. 

Palavras-chave: Treinamento intervalado de alta intensidade, Função cardiovascular, VO₂máx, Atletas, Exercício físico. 

1. INTRODUÇÃO 

A prática de exercício físico é um fator de prevenção e promoção da saúde, capaz de retardar as alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento e às doenças crônico-degenerativas. Isso ocorre porque a atividade física regular induz adaptações morfológicas e funcionais positivas no músculo cardíaco (Filho et al., 2020).  

Contudo, os efeitos e as alterações resultantes dependem de variáveis como o tipo, a intensidade e a duração do exercício, frequentemente seguindo uma relação de “dose-efeito”. Dessa forma, há mais de um século que as modificações cardíacas estruturais e/ou funcionais induzidas pelo exercício físico são objeto de estudo. Descrições iniciais sobre o aumento do coração e a diminuição da frequência cardíaca já eram relatadas desde o final do século XIX e começo do século XX (Mancuso, 2023).  

Embora o treinamento de alta intensidade seja reconhecido por induzir adaptações cardiovasculares benéficas, tais como o incremento da capacidade aeróbica, a otimização da função endotelial e a redução da pressão arterial, descobertas recentes sugerem que o exercício em níveis extremos pode elevar o risco de alterações cardíacas, tanto funcionais quanto estruturais. Estas alterações incluem a hipertrofia ventricular esquerda, a fibrose miocárdica e a ocorrência de arritmias cardíacas (Eijsvogels; Thompson, 2015).  

Eventos cardiovasculares associados ao exercício ocorrem majoritariamente em indivíduos com doenças subjacentes que não foram previamente diagnosticadas. Contudo, o exercício físico também pode gerar efeitos prejudiciais em pessoas que não apresentam alterações cardíacas prévias. Portanto, a monitorização e a manutenção da saúde cardiovascular de atletas e de indivíduos submetidos a treinamentos de alta intensidade assumem importância crucial. Tais ações são essenciais para a prevenção de anomalias cardíacas futuras (Garcia; Ghorayeb, 2014; Sharma et al., 2018).  

Diante desse cenário, esse estudo possui como pergunta norteadora: Quais são os efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) sobre a função cardiovascular de atletas e praticantes recreativos? Para responder a essa questão, o presente trabalho tem como objetivo analisar por meio de uma revisão bibliográfica, os efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) sobre a função cardiovascular de atletas e praticantes recreativos, identificando as principais adaptações fisiológicas observadas em diferentes níveis de condicionamento físico, e como objetivos específicos: Investigar os principais parâmetros cardiovasculares avaliados em estudos sobre o HIIT (como frequência cardíaca, pressão arterial, variabilidade da frequência cardíaca e consumo máximo de oxigênio, VO₂máx), descrever as adaptações cardiovasculares decorrentes da prática do HIIT em atletas e descrever as adaptações cardiovasculares decorrentes da prática do HIIT em praticantes recreativos.  

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 

2.1 Treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) 

2.1.1 Contexto histórico 

O treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) tem uma longa história, sendo aplicado em esportes de competição há mais de um século (Tschakert; Hofmann, 2013). Atletas de elite em corridas de média e longa distância, como os finlandeses Hannes Kolehmainen (tricampeão olímpico em Estocolmo, 1912, nas provas de 5.000m, 10.000m e 3.000m Cross Country por equipe) e Pavoo Nurmi (nove vezes campeão olímpico entre 1920 e 1928), já utilizavam o treinamento intervalado para alcançar velocidades próximas ou superiores às de competição. No entanto, o método ganhou popularidade global e passou a ser amplamente adotado após o sucesso do tchecoslovaco Emil Zatopek, que conquistou três medalhas de ouro na mesma Olimpíada em Helsinque (1952), nas provas de 5.000m, 10.000m e Maratona (Billat, 2001b; Tschakert; Hofmann, 2013).  

Originalmente, a prescrição do Treinamento Intervalado (TI) pelos treinadores baseava-se nas velocidades específicas de provas de competição, variando de 800 a 5.000 metros, sem considerar parâmetros fisiológicos (Billat, 2001b; Tschakert; Hofmann, 2013).  O Treinamento Intervalado (TI) foi introduzido em 1959 por Reindell e Roskamm. Em 1960, surgiram estudos relacionando o TI ao exercício físico, analisando lactato, consumo de oxigênio e frequência cardíaca. Desde então, o método ganhou destaque no meio esportivo. Hoje é amplamente utilizado e pesquisado por atletas, técnicos e cientistas (Billat, 2001b; Laursen; Jenkins, 2002; Lucas et al., 2009).  

2.1.2 Conceito e caracterização 

O treinamento intervalado se define pela alternância entre períodos de exercício de intensidade relativamente alta e períodos de menor esforço ou repouso total (recuperação/alívio) (Gillen; Gibala, 2014). A principal justificativa para esses programas é que eles permitem um tempo total acumulado de exercício vigoroso superior ao que seria atingido em uma sessão contínua na mesma intensidade até a exaustão (Macdougall; Sale, 1981; Tschakert; Hofmann, 2013).  

O Treinamento Intervalado (TI) é amplamente reconhecido como um dos métodos mais eficazes para otimizar a função cardiorrespiratória e metabólica, impactando diretamente o desempenho físico de atletas (Buchheit; Laursen, 2013a).  Ele é indicado para atletas de corridas de endurance deve focar no aprimoramento das variáveis essenciais para a melhoria do desempenho esportivo (Alvero-Cruz et al., 2020; Mooses et al., 2013). Nesse contexto, sugere-se que diferentes modelos de TI possam ser prescritos para gerar adaptações específicas. Por exemplo, o MIIT (Treinamento Intervalado de Intensidade Moderada) é frequentemente associado à melhora do limiar de lactato (Lucas et al., 2009); o HIIT (Treinamento Intervalado de Alta Intensidade) e o SIT (Treinamento de Sprint Intervalado) visam o aprimoramento do VO2máx e da vVO2máx (KORAL et al., 2018; Midgley; Mc Naughton, 2006); e o RST (Treinamento de Sprint Repetido) é relacionado à economia de corrida (Gojanovic et al., 2015; Nummela et al., 2006).   

É importante destacar que, para simplificação neste trabalho, focaremos no Treinamento Intervalado de Alta Intensidade, comumente referido nos estudos como “HIIT”. Para uma discussão mais detalhada sobre as diversas definições de TI, recomenda-se a leitura do estudo de Macinnis e Gibala (2017). A prescrição do Treinamento Intervalado (TI) envolve a manipulação de componentes fisiológicos essenciais para o desempenho de endurance, como: VO2máx, velocidade no VO2máx (vVO2máx), tempo limite (Tlim), frequência cardíaca (FC) e concentração de lactato sanguíneo (Billat et al., 1994; Lucas et al., 2009; Tschakert; Hofmann, 2013).  

Além disso, o processo de prescrição inclui o ajuste de diversas variáveis, tais como: intensidade e duração do trabalho, intensidade e duração do intervalo de alívio, modalidade do exercício, número de intervalos e de séries, e recuperação e intensidades de recuperação entre as séries (Buchheit; Laursen, 2013b; Viana et al., 2018).  

A literatura científica ainda não estabeleceu totalmente as combinações ideais de trabalho e recuperação para maximizar o desempenho de endurance em cada modelo de Treinamento Intervalado (TI) (Rosenblat et al., 2021). Contudo, no contexto dos programas de Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) de corrida, um protocolo que inclui 60 segundos de esforço seguidos por 60 segundos de recuperação desponta como uma alternativa particularmente promissora (Gibala, 2015; Vourimaa; Vasankari; Rusko, 2000).  

Geralmente, a recuperação ativa é recomendada (Kemi et al., 2020), pois pode auxiliar na redução das concentrações de lactato sanguíneo e, consequentemente, prolongar o tempo de exercício até a exaustão (Billat, 2001b; Billat et al., 2001). Estudos pioneiros indicaram que a recuperação ativa é mais eficiente na remoção de lactato em comparação com a recuperação passiva (Bonen; Belcastro, 1976; Taoutaou et al., 1996). Em intervalos de corrida, sugere-se que a intensidade de 50% da velocidade aeróbica máxima seja um parâmetro adequado para a recuperação ativa (Ben Abderrahman et al., 2013; Midgley; Mc Naughton, 2006).  

Em relação à intensidade do Treinamento Intervalado (TI), Gentil e Del Vecchio (2017) destacam que a eficiência não está relacionada à maximização do volume, mas sim à seleção da intensidade apropriada. Sob essa ótica, é relevante considerar que muitos atletas de endurance podem não estar acostumados com o TI em suas rotinas. Nesses casos, uma estratégia de inclusão pode começar com a incorporação do Treinamento Intervalado de Moderada Intensidade (MIIT), que geralmente é realizado em intensidades mais baixas. O MIIT serviria, assim, como uma fase preparatória para o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT), promovendo adaptações e maior aderência ao programa (Jiménez-Pavón; Lavie, 2017).  

Uma das grandes vantagens do Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) é a sua adaptabilidade, permitindo infinitas combinações de intensidade, duração e recuperação para atender às necessidades individuais (Olney et al., 2018). Planos de treinamento de corrida que combinam duas a três sessões semanais de HIIT com sessões de corrida contínua demonstraram efeitos positivos no desempenho de corredores de endurance. Tais efeitos incluem melhorias no consumo máximo de oxigênio e na economia de corrida, além de adaptações musculares e metabólicas (García-Pinillos; Soto-Hermoso; Latorre-Román, 2016). Adicionalmente, a combinação de Treinamento Intervalado (TI) e Treinamento Contínuo (TC) pode gerar aumentos de desempenho na ordem de 2% a 4% em atletas bem treinados, mesmo em períodos curtos de duas a quatro semanas (Laursen, 2010). Além de aprimorar a performance de endurance, o treinamento intervalado também exerce diversos efeitos benéficos sobre parâmetros sanguíneos, respiratórios e cardíacos dos atletas (Mazoochi; Fateminezhad; Mazoochi, 2013).  

2.2 Parâmetros laboratoriais (cardíacos, hematológicos e bioquímicos) associados ao exercício físico  

A segurança na participação em esportes e exercícios físicos exige triagem pré participação e um controle de rotina regular da saúde dos atletas, por meio de acompanhamento médico e da realização de exames clínicos e laboratoriais (Gerling, 2020; Heinrich et al., 2006). A avaliação médica e os exames complementares são fundamentais para o diagnóstico precoce de possíveis doenças, o que contribui significativamente para a redução de riscos à saúde, incluindo a morte súbita cardíaca durante a prática esportiva (Leyk et al., 2008; Winkelmann; Crossway, 2017).  

A prática regular de exercícios físicos reduz o risco de eventos cardiovasculares agudos (Mittleman et al., 1993; Siscovick et al., 1984). Contudo, muitos corredores podem desconhecer ou desenvolver condições de risco preexistentes ao longo de sua vida esportiva (Schwabe et al., 2018; Sharma et al., 2018). O treinamento de endurance, quando realizado de forma assídua, impõe grandes exigências cardiovasculares. Essa sobrecarga crônica pode levar a alterações estruturais e elétricas adaptativas no coração, a longo prazo, caracterizando o que é conhecido como “coração de atleta” (Abulí; De La Garza; Sitges, 2020; Brosnan; Rakhit, 2018; ParryWilliams; Sharma, 2020).  

Essas adaptações frequentemente resultam em um aumento harmônico de todas as câmaras cardíacas e no tônus vagal (Galderisi et al., 2015). No entanto, em atletas mesmo experientes e bem treinados, podem surgir alterações estruturais cardíacas significativas. Nestes casos, investigações mais aprofundadas podem ser necessárias para distinguir tais mudanças de cardiopatias reais (Brosnan; Rakhit, 2018; Gerling, 2020; Parry Williams; Sharma, 2020).  

A cardiologia do esporte é um campo desafiador e, por vezes, surpreendente, pois a participação em esportes competitivos pode desencadear ou acelerar a progressão de arritmias e outras cardiopatias (Heidbuchel, 2018). Alguns atletas de endurance, ao longo da vida, desenvolvem aumentos nos escores de cálcio nas artérias coronárias, fibrose miocárdica, disfunção ventricular direita, fibrilação atrial e doença do nó sinusal, cujas causas e consequências permanecem, muitas vezes, desconhecidas (Parry-Williams; Sharma, 2020; Sharma et al., 2018). Assim, é crucial que a avaliação cardíaca de rotina desses atletas seja conduzida por um cardiologista e inclua, inicialmente, exames como o eletrocardiograma (ECG) e o ecocardiograma (ECO) (Alattar; Maffulli, 2014; Heinrich et al., 2006; Winkelmann; Crossway, 2017).  

A investigação de atletas com suspeita de doenças cardíacas deve incluir o ECG de esforço. Se o resultado for inconclusivo, é necessário considerar a ecocardiografia sob estresse, a tomografia ou ressonância magnética cardíaca e outros exames que o médico responsável julgar pertinentes (Angelini et al., 2018; Galderisi et al., 2015; Grazioli et al., 2017). Embora o exercício físico regular seja comprovadamente benéfico para a saúde cardiovascular (Myers, 2003; Pedisic et al., 2020), há preocupações quanto aos possíveis prejuízos cardíacos associados ao exercício extenuante de alta intensidade (Neumayr et al., 2001; Parry-Williams; Sharma, 2020).  

A prática de exercícios físicos pode, em algumas situações, levar à liberação de biomarcadores cardíacos na corrente sanguínea de atletas (Donaldson et al., 2019; Richardson et al., 2018). Na medicina, esses biomarcadores são ferramentas diagnósticas cruciais, frequentemente empregadas na avaliação de pacientes com suspeita de condições como o infarto agudo do miocárdio (IAM) (Aydin et al., 2019; Wang et al., 2020). Entre eles, a troponina T cardíaca (cTnT) é o biomarcador de escolha (padrão ouro) para a detecção de lesão miocárdica (Arslan et al., 2020; Katrukha, 2013; Mcrae et al., 2017). No contexto esportivo, a resposta da cTnT ao exercício físico tem sido amplamente investigada, particularmente após provas de endurance de longa duração (Baker et al., 2019b; Richardson et al., 2018) e sessões de treinamento intervalado de alta intensidade (Donaldson et al., 2019; Li et al., 2020; Nie et al., 2018).  

Apesar de a maioria desses estudos indicarem alterações na cTnT após a realização dos exercícios mencionados, ainda não há um consenso sobre os potenciais efeitos adversos para o sistema cardiovascular (Li et al., 2021; Parry-Williams; Sharma, 2020). Nesse contexto, a creatinofosfoquinase (CK) é uma proteína fundamental no metabolismo muscular, e sua concentração plasmática é frequentemente utilizada como um marcador de estresse físico (Moghadam-Kia; Oddis; Aggarwal, 2016). Três isoenzimas de CK ocorrem naturalmente nos tecidos humanos: CK-MM (músculo esquelético), CK-MB (músculo cardíaco) e CK-BB (cérebro) (Schneider et al., 1995).  

A Creatina Quinase (CK) e sua isoforma CK-MB são amplamente utilizadas na rotina laboratorial bioquímica enzimática para o diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) (Guzy, 1977; Jarros; Junior, 2014). No entanto, a prática de exercícios físicos também pode induzir alterações nesses mesmos marcadores (Apple et al., 1984; Carmona et al., 2019; Noakes et al., 1983). Embora as modificações, particularmente o aumento da CK-MB após exercício físico extenuante, se assemelhem às observadas em eventos de IAM com necrose muscular, evidências sugerem que essas alterações pós-exercício são consideradas “falsas” (López-López; Pareja-Galeano, 2018). Indícios apontam que o aumento nos níveis de CK-MB pode ser resultado da degradação de fibras musculares que contêm pequenas concentrações dessa enzima (Stãubli et al., 1985).  

Em relação à creatina quinase (CK) total, o conhecimento sobre seu aumento transitório após atividades físicas esportivas de grande esforço já está bem estabelecido (Brancaccio; Maffulli; Limongelli, 2007; Cerqueira et al., 2020). Além disso, atletas de endurance podem apresentar alterações hematológicas relacionadas ao treinamento e competições. Um estudo investigou corredores bem treinados após um aumento drástico (cerca de três vezes) no volume diário de corrida, identificando uma redução no número de glóbulos vermelhos, hemoglobina e hematócrito, em aproximadamente 6,5%, 5,1% e 6,7%, respectivamente (Santos, 2018).  

Outro estudo comparou o desempenho de corredores de nível regional e nacional, especialistas em 10 km e meia maratona, submetidos a dois modelos de periodização de treinamento de 12 semanas (divididos em três blocos de quatro semanas: alto volume, alta intensidade e taper) para analisar alterações hematológicas. Os modelos comparados foram o “bloco” (alto volume, alta intensidade, taper) e o “reverso” (alta intensidade, alto volume, taper). Apenas o modelo de periodização reversa resultou em aumento da performance de corrida anaeróbica. Contudo, ambos os programas se mostraram estratégias eficazes para melhorar o desempenho de corrida aeróbica, com a manutenção dos valores hematológicos (eritrócitos, hematócrito, hemoglobina, ferritina, glicose e triglicerídeos) (Gómez Martín; Clemente Suárez; Ramos-Campo, 2020).  

Neste contexto, alguns marcadores bioquímicos, como creatina quinase (CK), lactato desidrogenase e cortisol, são considerados confiáveis para o monitoramento e gerenciamento da carga de exercício em atletas (Palacios et al., 2015; Reichelet al., 2020). Além disso, a proporção entre os hormônios cortisol e testosterona pode servir como um indicador do equilíbrio entre processos anabólicos e catabólicos. Contudo, é importante considerar que essa relação pode ser influenciada pela intensidade e duração do exercício físico, bem como pelo elevado volume de competições e treinamentos intensos (Hackney, 1989; Houmard et al., 1990; Urhausen; Gabriel; Kindermann, 1995).  

A análise da variação dos parâmetros hematológicos em atletas por longos períodos, especialmente ao longo de uma temporada competitiva, ainda é escassa na literatura (Banfi et al., 2011). No entanto, prevalece a ideia de que o treinamento extenuante, mesmo com um aumento significativo no volume e intensidade, não induz alterações hematológicas clinicamente relevantes em atletas bem condicionados (Rietjens et al.,  2005).  

Estudos que investigaram a influência do HIIT nos parâmetros cardíacos indicam que a maioria das adaptações e implicações são transitórias. Dentre elas, destacam-se: o aumento do débito cardíaco (Astorino et al., 2017; Astorino et al., 2018), a melhoria da função contrátil do ventrículo esquerdo (Huang et al., 2019), o incremento da variabilidade do intervalo RR (Kiviniemi et al., 2014), a redução da pressão arterial (PA) (García-Suárez et al., 2020; Way et al., 2019) e o aumento da fração de ejeção (Tucker et al., 2019). Adicionalmente, o HIIT tem demonstrado grande eficácia, inclusive em ambientes de reabilitação cardíaca (Dun et al., 2019; Guiraud et al., 2012; Ito, 2019).  

O Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) em atletas de endurance de alto nível pode induzir adaptações cardíacas consideradas saudáveis e não patológicas (SanchisGomar et al., 2016). Em relação às alterações hematológicas agudas, um estudo com homens jovens sedentários demonstrou que a aplicação de HIIT provocou aumentos imediatos na porcentagem de hematócrito, nos valores de hemoglobina, na contagem de glóbulos vermelhos, no volume celular médio, na contagem de plaquetas e na contagem total e em subgrupos de leucócitos. Esses valores começaram a retornar aos níveis de repouso após três horas do exercício, com a normalização completa observada após seis horas (Belviranli; Okudan; Kabak, 2017).  

Por outro lado, um estudo em atletas bem treinados investigou se 11 sessões de HIIT, realizadas ao longo de três semanas, alteravam as adaptações hematológicas – especificamente a massa total de hemoglobina, o volume sanguíneo e o volume plasmático – e o VO2máx, mas não encontrou mudanças significativas em nenhum dos aspectos analisados (Menz et al., 2015). Embora a maioria das adaptações fisiológicas induzidas pelo exercício físico, incluindo o HIIT, seja considerada benéfica para a saúde (Buchheit; Laursen, 2013a; Gibala; Jones, 2013), é importante notar que, nesse processo, pequenas alterações, agudas ou crônicas, podem causar desequilíbrios. Se não corrigidos, esses desequilíbrios podem levar a prejuízos à saúde e a uma perda progressiva de performance (Lee et al., 2017b).  

Dessa forma, o monitoramento constante desses parâmetros por atletas e técnicos é essencial. Nesse contexto, a ciência aplicada ao esporte desempenha um papel crucial, mobilizando equipes de pesquisa interdisciplinares. O objetivo dessas equipes é identificar as melhores estratégias para otimizar o desempenho atlético por meio de metodologias de treinamento inovadoras, ao mesmo tempo em que zelam pela saúde física e mental dos esportistas. Com isso, os atletas são capacitados a executar e alcançar o limite máximo de suas habilidades (Brocherie; Beard, 2021; Hodson, 2021; Lippi et al., 2012; Pujalte; Maynard, 2020).  

3. METODOLOGIA  

O presente trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica cujo objetivo consiste em analisar e sintetizar as evidências científicas disponíveis acerca dos efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) sobre a função cardiovascular de atletas e praticantes recreativos. Optou-se por este delineamento em virtude de sua adequação à proposta de reunir, organizar e discutir o conhecimento produzido sobre o tema em diferentes contextos e populações.  

A pesquisa foi conduzida nas bases de dados científicas PubMed, SciELO e Google Acadêmico, por serem amplamente reconhecidas na literatura científica e apresentarem abrangência em estudos das áreas da saúde, fisiologia do exercício e educação física. As buscas foram realizadas entre os meses de agosto e novembro de 2025.  

Foram utilizados descritores em português e em inglês, combinados por meio de operadores booleanos (“AND” e “OR”), a fim de ampliar a sensibilidade e a especificidade da busca. As palavras-chave empregadas foram: “treinamento intervalado de alta intensidade”, “HIIT”, “função cardiovascular”, “aptidão cardiorrespiratória”, “adaptações cardiovasculares”, “atletas”, “praticantes recreativos”, “cardiovascular function”, “cardiorespiratory fitness” e “recreational exercisers”.  

As combinações utilizadas incluíram, entre outras: (“High-Intensity Interval Training” OR HIIT) AND (“cardiovascular function” OR “cardiorespiratory fitness”) AND (“athletes” OR “recreational exercisers”).  

 Tabela 1: Estratégia de busca usada para a pesquisa de revisão integrativa e as bases de dados utilizadas

Bases de dados Estratégia de busca Estudos encontrados Selecionados  para o estudo 
BVS “ High-intensity interval training (HIIT)” 12 
SciELO “ High-intensity interval training (HIIT)” 39 7   
PEDro “ High-intensity interval training (HIIT)” 3  2   
Pubmed “High-intensity interval training (HIIT)” 43 

Foram incluídos na revisão os estudos que atenderam aos seguintes critérios: Publicação entre os anos de 2019 e 2025, estudos realizados com indivíduos adultos saudáveis (atletas ou praticantes recreativos), pesquisas que analisassem parâmetros cardiovasculares (como frequência cardíaca, pressão arterial, variabilidade da frequência cardíaca, consumo máximo de oxigênio, VO₂máx e outras medidas de função cardiorrespiratória) e artigos publicados em português ou inglês e disponíveis em texto completo.  

Foram excluídos os estudos realizados com populações clínicas (portadores de doenças cardiovasculares, metabólicas ou respiratórias), trabalhos duplicados, resumos de congressos, dissertações e teses sem acesso ao texto integral e pesquisas que não abordassem especificamente o HIIT ou que não apresentassem dados relativos à função cardiovascular.  

Após a realização das buscas nas bases de dados selecionadas, os artigos foram inicialmente analisados por meio da leitura dos títulos e resumos, com o objetivo de identificar aqueles que se enquadravam no tema proposto. Em seguida, os estudos considerados pertinentes foram lidos na íntegra para confirmar sua relevância e adequação aos critérios de inclusão previamente estabelecidos.   

Ao final da seleção, resultaram 10 artigos para a discussão desta revisão pelas estratégias usadas com os descritores, e, os resultados deste processo em cada etapa segue ilustrado na tabela 2 

Tabela 2 – Estratégia de busca.

Fonte: Dados da pesquisa, Novembro de 2025.

Os materiais selecionados foram organizados de acordo com o ano de publicação, a população investigada (atletas ou praticantes recreativos), o protocolo de treinamento intervalado utilizado e a conclusão. Os dados foram analisados de forma descritiva e comparativa para identificar os efeitos do HIIT na função cardiovascular. As semelhanças e diferenças entre os grupos foram avaliadas e os resultados sintetizados a partir de uma interpretação crítica da literatura.  

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES  

A tabela 1 contempla informações referentes aos autores e respectivos anos de publicação, à população investigada, aos protocolos de treinamento empregados e a conclusão. Essa organização visa proporcionar uma análise comparativa entre os diferentes delineamentos metodológicos, permitindo uma apreciação crítica dos efeitos do treinamento intervalado sobre as variáveis analisadas e contribuindo, assim, para a consolidação das evidências científicas disponíveis na literatura. 

Tabela 1- Síntese dos estudos incluídos na revisão.

Autor/AnoPopulação InvestigadaProtocolo de Treinamento Intervalado UtilizadoConclusão
Morlin et al., 
(2023)
4 atletas do sexo masculino do HIITCE (CrossFit) [HG: n = 18; 30,6 ± 4,8 anos] e atletas de endurance 
(triathlon) [TG.: n = 16; 32,8 ± 3,6 anos]
Treinamento intervalado de alta intensidade combinado com diferentes exercícios (como o CrossFit)Atletas saudáveis que praticam
exclusivamente treinamento
intervalado de alta intensidade
combinado com diferentes
exercícios (ou seja, CrossFit) em
repouso (supino) apresentaram
redução da modulação
parassimpática e simpática
aumentada, baixa reatividade
após a mudança postural e FCR
prejudicada em comparação com
o GT. No entanto, o desenho
observacional transversal não
permite afirmar que a resposta
autonômica cardíaca observada
no GH durante a análise (atividade, reatividade e
reativação) foi uma resposta que
se inicia a partir de um estado de
adaptação autonômica crônica de
HIITCE (ou seja, característico
dessa modalidade).
Tao (2022)Um grupo de dez
voluntárias
saudáveis, cinco
mulheres com
idades entre 25 e
35 anos
Corrida de 45 minutosA corrida tem um bom efeito protetor cardíaco e seus seguidores estão altamente conscientes da saúde esportiva. Devido ao efeito benéfico da prática esportiva, sua disseminação é recomendada como forma de atividade terapêutica física e social.
Huang et  al., 
(2019)
Cinquenta e
quatro homens
sedentários
saudáveis
HIIT e Treinamento Contínuo de
Intensidade Moderada (MICT)
O HIIT, mas não o MICT, induz hipertrofia miocárdica excêntrica. Além disso, o HIIT melhora efetivamente a mecânica do VE durante o exercício, aumentando as funções contráteis e diastólicas.
Aborleda Serna et al., (2019) Adultos jovens  saudaveis Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) e Treinamento Contínuo de Intensidade Moderada (MICT). Quarenta e quatro voluntários foram randomizados para HIIT (n=22) ou MICT (n=22). A análise intragrupo mostrou um aumento no VO2máx de 3,5 ml/kg/min [intervalo de confiança (IC) de 95% 2,02 a 4,93; p=0,0001] no HIIT e 1,9 ml/kg/min (IC 95% -0,98 a 4,82; p=0,18) na MICT. No entanto, a diferença entre os dois grupos não foi estatisticamente significativa (1,01 ml/kg/min. IC 95% -2,16 a 4,18, p=0,52). O MICT gerou maior redução da pressão arterial sistólica em relação ao HIIT (mediana de 8 mm Hg; p<0,001). Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos para PAD.  
Collins et al., (2023) Sessenta e dois homens sedentários de meia-idade MICT e P-HIT O HIT provoca melhorias significativas na aptidão cardiorrespiratória e modulação autônoma após uma intervenção de exercícios três vezes por semana em 12 semanas entre homens sedentários de meia-idade.  
Oliveira et al., 2019 16 participantes, com idade média de 32,11 ± 6,44 anos, 10 (62, 5%) homens, praticantes de CrossFit  CrossFit Praticantes de CrossFit possuem leve predomínio da atividade simpática, especialmente do sexo masculino.  
Medeiros (2022) Atletas treinados na modalidade corrida de rua. Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) e testes de corrida  O programa de HIIT realizado em esteira ergométrica é aplicado a atletas corredores de rua foi eficiente para a melhora do desempenho de corrida no teste de 2.400 metros, evidenciado pelo aumento da velocidade média de corrida, pela redução significativa no tempo do teste e pela diminuição da concentração de lactato sanguíneo pós-teste. O HIIT também foi efetivo para a manutenção do VO2máximo, do Tlim e dos níveis de lactato, não prejudicando as medidas de desempenho. que o programa de HIIT realizado, além de eficiente para a redução significativa do percentual de gordura, do peso corporal total e IMC, se mostrou seguro do ponto de vista fisiológico, cardiovascular e metabólico. 

Fonte: Elaborado pela autora (2025). 

O Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) envolve exercícios que recrutam grandes grupos musculares, caracterizando-se por um alto volume de treino. Essa intensidade é crucial para provocar as adaptações fisiológicas desejadas (cardiovasculares, respiratórias e musculares). Contudo, um repouso adequado é essencial para permitir os ajustes fisiológicos e a reparação muscular necessários (Oliveira et al., 2019).  

No estudo de Morlin et al., (2023) foi demonstrado que atletas saudáveis que praticam exclusivamente treinamento intervalado de alta intensidade combinado com diferentes exercícios (como o CrossFit) apresentaram, em repouso (posição supina), uma redução da modulação parassimpática e um aumento da modulação simpática. Além disso, observou-se uma baixa reatividade após a mudança postural e uma recuperação da frequência cardíaca pós-exercício (HRR) prejudicada, quando comparados a um grupo de triatlo.  

Nesse  cenário, os autores Huang et  al., (2019)  demonstraram  que  o  HIIT  supera  o  Treinamento  Contínuo  de  Intensidade  Moderada (MICT) em  relação  ao  remodelamento  da  estrutura  do  ventrículo  esquerdo  (VE)  e  à  melhoria  da  mecânica  do  VE.  Isso  ocorre  pelo  aumento  das  funções  contráteis  e  diastólicas,  principalmente  na  direção  radial.  O  HIIT  promoveu  um  aumento  significativo  da  massa  do  VE  e  ampliou  o  Diâmetro  Interno  do  Ventrículo  Esquerdo  (LVID)  na  diástole,  indicando  uma  forma  de  hipertrofia  miocárdica  excêntrica.  Em  contrapartida,  o  MICT  resultou  em  apenas  um  aumento  modesto  da  massa  do  VE  e  não  alterou  o  LVID  na  diástole.  

No entanto, uma pesquisa divulgada por Aborleda-Serna et al., (2019) envolvendo adultos jovens aparentemente saudáveis sugere que as intervenções baseadas em Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT), independentemente de suas características, não resultaram em melhorias significativas no desempenho da aptidão cardiorrespiratória em comparação com os protocolos de Treinamento Contínuo de Intensidade Moderada (MICT). Os protocolos HIIT demonstraram ser mais vantajosos que os MICT para o aumento do VO2máx apenas em indivíduos com deficiências de saúde, como fatores de risco cardiovascular clássicos (obesidade, hipertensão e distúrbios da glicemia, entre outros), doença cardíaca coronária e insuficiência cardíaca.  

Na pesquisa de  Tao (2022) foi enfatizado que  a  corrida  oferece  vantagens  únicas  para  a melhoria  da  função  cardíaca,  pois permite que o coração mantenha o fornecimento de oxigênio dentro de uma faixa de pressão sustentável por um longo período, resultando no aumento da resistência cardíaca e na otimização da capacidade do corpo de captar e utilizar oxigênio. De maneira similar, Collins et al., (2023) publicaram um artigo que demonstrou que 12 semanas de exercício aeróbico foram suficientes para aprimorar a aptidão cardiorrespiratória, a função endotelial e o equilíbrio autônomo em homens sedentários de meia-idade, sem que o treinamento ou o modo de recuperação fossem fatores limitantes.  

Um estudo conduzido por Medeiros (2022) empregou um programa de Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) em esteira ergométrica, seguindo os princípios estabelecidos por autores como Billat (2001a, 2001), Blondel et al., (2001), Gibala (2007) e Gillen e Gibala (2014). O objetivo foi preencher lacunas de conhecimento na literatura sobre os efeitos do HIIT no desempenho e na saúde. Em todas as sessões de HIIT na esteira, os atletas foram pesados antes e depois do treinamento. Não foram observadas diferenças significativas no peso corporal (kg) ao comparar a primeira semana, com a segunda semana, nas intensidades de 90% e 110%. No entanto, na semana de taper (TP) a 110%, houve uma diferença estatisticamente significativa. No teste incremental pré e pós-intervenção HIIT na esteira, não foram identificadas diferenças significativas nos valores médios de velocidade de Pico. 

Por outro lado, Medeiros (2022), realizou comparações entre os dois testes de corrida de 2.400 metros realizados na pista, antes e após a intervenção HIIT, revelaram diferenças estatisticamente significativas nas seguintes variáveis: Tempo de corrida para 2.400 metros (Min/Seg/Cen): Pré (08:26,8 ± 00:50,2) vs. Pós (08:12,8 ± 00:49,3) (p = 0,00). VO₂ máximo (mL/kg/min): Pré  (57,38 ± 5,40) vs. Pós (58,89 ± 4,84) (p = 0,00). Velocidade média do teste (km/h): Pré (17,21 ± 1,62) vs. Pós (17,66 ± 1,45) (p = 0,00) (Medeiros, 2022).  

O mesmo autor, também fez medição de pressão arterial (sistólica e diastólica) dos voluntários foi medida em todos os testes e sessões de treinamento (antes da corrida, em repouso, e imediatamente após). Não houve diferenças significativas nas comparações pré e pós-intervenção nos valores obtidos nos testes Incremental, Tlim e Pista. Da mesma forma, não foram encontradas diferenças nas medições de PA realizadas nos treinamentos de HIIT, ao comparar S1 e S2 na mesma intensidade de Vpico. A frequência cardíaca dos atletas também foi monitorada em todos os testes e treinamentos, sendo encontradas diferenças estatisticamente significantes apenas nas medições de repouso. 

Para Tao (2022), para determinar de forma segura e científica a intensidade do exercício e evitar sobrecarga cardíaca decorrente de atividades vigorosas e inadequadas, os entusiastas do esporte, especialmente aqueles com condições cardíacas preexistentes, devem buscar orientação de profissionais competentes, como médicos e educadores físicos. Essa consulta é essencial para definir uma faixa de exercícios razoável e a melhor quantidade de aumento da carga cardíaca, corroborando com  Morlin et al., 2023, que enfatizou que essas práticas têm o potencial de, não apenas otimizar a função cardíaca e evitar treinos ineficazes por baixa intensidade, mas também de reduzir o risco de eventos graves, como morte súbita e trombose, frequentemente associados a exercícios de alta intensidade. Desse modo, contribui-se para o propósito da aptidão científica. 

5. CONCLUSÃO 

Os resultados desta revisão bibliográfica indicam que o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) promove importantes adaptações cardiovasculares tanto em atletas quanto em praticantes recreativos, destacando-se o aumento da capacidade cardiorrespiratória, a melhora da função contrátil e diastólica do ventrículo esquerdo, a elevação do VO₂máx e a redução da pressão arterial. Tais benefícios reforçam o potencial do HIIT como estratégia eficiente para otimização do desempenho físico e promoção da saúde cardiovascular.  

Contudo, observou-se que as respostas ao HIIT podem variar de acordo com o nível de condicionamento físico, o tipo de protocolo adotado e o tempo de exposição ao treinamento. Embora os efeitos positivos predominem, há evidências de que cargas excessivas, quando aplicadas de forma inadequada ou sem monitoramento adequado, podem gerar respostas cardíacas indesejáveis, como sobrecarga autonômica e risco aumentado de arritmias.  

Dessa forma, recomenda-se que o HIIT seja prescrito com acompanhamento  profissional, respeitando as individualidades fisiológicas e os limites de cada praticante. A implementação de protocolos personalizados e o monitoramento contínuo de parâmetros cardiovasculares são fundamentais para garantir a segurança e maximizar os benefícios do método.  

Por fim, ressalta-se a necessidade de novas pesquisas, especialmente de caráter longitudinal e experimental, que aprofundem a compreensão sobre os limites entre as adaptações fisiológicas e as possíveis alterações patológicas decorrentes do HIIT, contribuindo para uma prática esportiva mais segura, eficaz e baseada em evidências.  

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1Discente do Curso Superior de Fisioterapia, do Centro Universitário Cesmac; e-mail: erycaoliveira29@gmail.com,  soaressbeatriz250@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Fisioterapia, do Centro Universitário Cesmac. Mestre do Curso de Fisioterapia  do Centro Universitário Cesmac. e-mail: mirellefarias1@gmail.com