MOLECULAR DETECTION OF HEPATOZOON SPP. IN A DOG COINFECTED WITH LEISHMANIA SPP. IN BELO HORIZONTE: CASE REPORT AND CLINICAL IMPLICATIONS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511201201
Aline Bicalho Monteiro Batista¹
Ana Carolina da Cunha de Oliveira¹
Caroline Silva Barbalho Gonçalves¹
Giselle Pinheiro Mendanha¹
Marília Gabriella Medeiros de Brito¹
Felipe dos Santos Muniz2
RESUMO
A hepatozoonose canina é uma hemoparasitose causada por protozoários do gênero Hepatozoon, sendo H. canis a espécie mais prevalente no Brasil. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de carrapatos infectados, especialmente Rhipicephalus sanguineus, embora espécies de Amblyomma também possam atuar como vetores. A enfermidade não apresenta sinais patognomônicos; entretanto, a presença de coinfecções com outras hemoparasitoses pode dificultar o diagnóstico clínico e agravar o quadro. Entre os métodos de diagnóstico disponíveis, o esfregaço sanguíneo permanece como ferramenta rotineira, apesar da baixa sensibilidade, enquanto exames moleculares, como a Reação em Cadeia da Polimerase, destacam-se pela maior especificidade. Este trabalho tem por objetivo relatar a ocorrência de hepatozoonose em uma cadela adulta, coinfectada por leishmaniose, atendida em uma clínica veterinária em Belo Horizonte. Constatou-se que a hepatozoonose está presente em várias regiões do Brasil, no entanto, apresenta subnotificação significativa, em razão da baixa suspeita clínica, limitação dos métodos diagnósticos comumente utilizados além das possíveis coinfecções com outros hemoparasitos, como Leishmania infantum, Ehrlichia canis e Babesia vogeli. A escassez de publicações de registros clínicos em Belo Horizonte reforça a necessidade novos estudos na região que determinem a real prevalência da infecção, além de sua importância para a saúde animal.
Palavras-chave: hepatozoonose canina; leishmaniose canina; hemoparasitose; diagnóstico; carrapatos; coinfecção; cães; epidemiologia; Minas Gerais.
ABSTRACT
Canine hepatozoonosis is a hemoparasitic disease caused by protozoa of the genus Hepatozoon, with H. canis being the most prevalent species in Brazil. Transmission occurs mainly through the ingestion of infected ticks, especially Rhipicephalus sanguineus, although Amblyomma species can also act as vectors. The disease does not present pathognomonic signs; however, the presence of co-infections with other hemoparasitic diseases can hinder clinical diagnosis and worsen the condition. Among the available methods, blood smear remains a routine tool, despite its low sensitivity, while molecular tests, such as Polymerase Chain Reaction, stand out for their greater specificity. This work aims to report the occurrence of hepatozoonosis in an adult female dog, co-infected with leishmaniasis, treated at a veterinary clinic in Belo Horizonte. It has been found that hepatozoonosis is present in several regions of Brazil, however, it is significantly underreported due to low clinical suspicion, limitations of commonly used diagnostic methods, and possible co-infection with other hemoparasites, such as Leishmania infantum, Ehrlichia canis, and Babesia vogeli. The scarcity of published clinical records in Belo Horizonte reinforces the need for further studies in the region to determine the true prevalence of the infection, as well as its importance for animal health.
Keywords: canine hepatozoonosis; canine leishmaniasis; hemoparasitosis; diagnosis; ticks; coinfection; dogs; epidemiology; Minas Gerais.
1. INTRODUÇÃO
As doenças transmitidas por vetores representam um desafio crescente na clínica de pequenos animais, sobretudo em regiões endêmicas. Entre elas, destacam-se as hemoparasitoses causadas por protozoários, como a hepatozoonose canina e a leishmaniose visceral canina (LVC), que possuem relevância clínica, epidemiológica e, em alguns casos, zoonótica, contribuindo significativamente para a morbidade e mortalidade em cães (Baneth et al., 2015).
A hepatozoonose canina é uma hemoparasitose provocada por protozoários do gênero Hepatozoon, pertencente ao filo Apicomplexa e à classe Sporozoa, sendo Hepatozoon canis a espécie mais prevalente no Brasil. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de carrapatos infectados, especialmente Rhipicephalus sanguineus, embora espécies de Amblyomma também possam atuar como vetores (O’Dwyer, 2011). Após a ingestão, os oocistos se rompem no intestino, liberando esporozoítos que se disseminam para diversos órgãos, como medula óssea, baço, fígado e rins, podendo causar inflamações e lesões teciduais significativas (Assis et al., 2023).
Os sinais clínicos da hepatozoonose são inespecíficos e variam de infecções assintomáticas a quadros graves, com febre, anemia, mialgia, letargia, perda de peso e alterações hematológicas importantes (Forlano et al., 2007; Santos et al., 2019). Em infecções intensas, pode ocorrer periostite proliferativa, além de dor e inflamação articular. Coinfecções com outros hemoparasitos, como Ehrlichia canis, Babesia vogeli e Leishmania infantum, são frequentes e podem agravar o quadro clínico, dificultando o diagnóstico e o tratamento (Schneider et al., 2018; Paludo et al., 2021).
A LVC, causada por Leishmania infantum, é uma zoonose de grande relevância no Brasil, com ampla distribuição em Minas Gerais, especialmente em Belo Horizonte, onde há alta densidade do vetor Lutzomyia longipalpis (Silva et al., 2020). Os cães atuam como principais reservatórios urbanos, sendo a doença multissistêmica, progressiva e potencialmente fatal (Solano-Gallego et al., 2011).
O diagnóstico da hepatozoonose baseia-se em métodos parasitológicos, sorológicos e moleculares. O esfregaço sanguíneo ainda é amplamente utilizado, porém apresenta baixa sensibilidade, especialmente em casos de parasitemia leve. Métodos como Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), Ensaio Imunoabsorvente Ligado à Enzima (ELISA) e imunofluorescência indireta são mais eficazes para detecção e diferenciação de infecções múltiplas (Rubini et al., 2005; Oliveira et al., 2021).
O tratamento da hepatozoonose canina permanece desafiador, uma vez que nenhum protocolo terapêutico é capaz de eliminar completamente o patógeno. O uso de Dipropionato de imidocarb (ID) pode promover melhora clínica, embora sem cura definitiva (Sasanelli et al., 2010; Pasa et al., 2011; O’Dwyer, 2011).
Dessa forma, o diagnóstico molecular assume papel fundamental na detecção e confirmação de coinfecções, permitindo condutas terapêuticas mais adequadas e contribuindo para o controle epidemiológico dessas doenças em áreas endêmicas.
Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de coinfecção por Hepatozoon spp. e Leishmania spp. em uma cadela atendida em Belo Horizonte, destacando a importância do diagnóstico molecular e as implicações clínicas associadas a essa associação parasitária.
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO
As doenças parasitárias transmitidas por vetores apresentam destaque crescente na medicina veterinária e na saúde pública, principalmente em regiões tropicais, onde condições ambientais favorecem a circulação de vetores e agentes etiológicos (Baneth et al., 2015). No Brasil, cães domiciliados e errantes estão constantemente expostos à ação de carrapatos e flebotomíneos, o que contribui para elevadas taxas de infecções simples e coinfecções (Lima et al., 2017; Paludo et al., 2021).
Entre essas doenças, destaca-se a LVC, enfermidade zoonótica de grande impacto sanitário. Belo Horizonte é historicamente reconhecida como área endêmica, com altos índices de transmissão devido à ampla circulação do vetor Lutzomyia longipalpis e presença constante do reservatório canino (Silva et al., 2020). A LVC apresenta evolução crônica e compromete diversos sistemas orgânicos, podendo levar o animal a óbito quando não tratada adequadamente (Solano-Gallego et al.,2011).
Outra enfermidade relevante é a hepatozoonose canina, causada principalmente por Hepatozoon canis no território brasileiro. A transmissão ocorre pela ingestão de carrapatos infectados, especialmente Rhipicephalus sanguineus, vetor amplamente distribuído no país e adaptado ao ambiente urbano (O’Dwyer, 2011). Embora possa apresentar curso subclínico, quando sintomática pode causar alterações hematológicas severas e comprometimento sistêmico (Forlano et a 1., 2007).
Nas últimas décadas, a literatura tem demonstrado crescente atenção ao fenômeno da coinfecção parasitária em cães, que altera o comportamento biológico das doenças envolvidas e pode agravar o quadro clínico, dificultar o tratamento e aumentar o risco de evolução desfavorável (Cardoso et al., 2022). Coinfecções entre Hepatozoon spp. e Leishmania spp. já foram relatadas no Brasil, especialmente em áreas endêmicas para LVC, e exigem maior atenção diagnóstica e terapêutica (Paludo et al., 2021).
O diagnóstico convencional de hepatozoonose, baseado em esfregaços sanguíneos, pode falhar devido ao baixo parasitismo periférico, especialmente em coinfecções que influenciam a resposta imune do hospedeiro (Rubini et al., 2005). Nesse contexto, técnicas moleculares como a reação em cadeia da polimerase (PCR) tornam-se ferramentas indispensáveis para detecção sensível de Hepatozoon spp. e confirmação etiológica da infecção (O’Dwyer et al., 2004).
Diante da relevância epidemiológica e clínica dessas enfermidades, a coinfecção por Hepatozoon spp. e Leishmania spp. representa um importante desafio para a medicina veterinária. Compreender suas implicações contribui diretamente para a melhoria do manejo clínico e para estratégias mais eficientes de controle e vigilância em saúde animal e humana.
1.2 IMPORTÂNCIA DA DETECÇÃO MOLECULAR DE HEPATOZOON SPP.
O diagnóstico da hepatozoonose canina frequentemente apresenta desafios na rotina clínica, principalmente devido ao comportamento biológico do parasito. Em muitos casos, a infecção por Hepatozoon spp. é assintomática ou apresenta sinais clínicos inespecíficos, dificultando a suspeita clínica (Baneth et al., 2015). Além disso, o parasitismo eritrocitário pode ser baixo, comprometendo a visualização de gamontes em esfregaços sanguíneos, método considerado o exame de triagem tradicional (Forlano et al., 2007). Diante disso, técnicas moleculares, especialmente a reação em cadeia da polimerase (PCR), tornaram-se essenciais para a detecção sensível e específica do agente etiológico. A PCR permite identificar Hepatozoon spp. mesmo em infecções com baixa carga parasitária, compartilhadas principalmente por animais cronicamente infectados ou imunossuprimidos (Rubini et al., 2005). Além disso, possibilita a diferenciação entre espécies, como H. canis e H. americanum, o que contribui para a compreensão epidemiológica e para o manejo clínico dos casos (O’Dwyer, 2011).
Outro ponto relevante é que, em áreas endêmicas para outras doenças transmitidas por vetores, a hepatozoonose pode ocorrer em associação com agentes como Leishmania spp., Ehrlichia spp. e Babesia spp. (Paludo et al., 2021). Nessas situações, o quadro clínico tende a ser agravado, com alterações hematológicas mais severas e resposta terapêutica comprometida (Cardoso et al., 2022). A detecção molecular torna-se, portanto, uma ferramenta fundamental para o diagnóstico preciso de coinfecções, permitindo o direcionamento de condutas terapêuticas adequadas e melhorando o prognóstico do paciente.
Além do impacto clínico, o diagnóstico molecular possui papel relevante na vigilância epidemiológica. Estudos baseados em PCR têm revelado maior prevalência de Hepatozoon spp. do que aquela observada por microscopia tradicional, indicando subdiagnóstico e circulação silenciosa do parasito na população canina (O’Dwyer et al., 2004; Forlano et al., 2007). Isso contribui para o desenvolvimento de estratégias de prevenção mais eficientes, especialmente em regiões onde o vetor está amplamente distribuído.
1.3 COINFECÇÃO COM LEISHMANIA SPP.: IMPACTO CLÍNICO E EPIDEMIOLÓGICO
A coinfecção entre Hepatozoon spp. e Leishmania spp. tem sido registrada com frequência crescente em regiões endêmicas para LVC, especialmente no Brasil, onde há intensa circulação de vetores e ampla população canina suscetível (Paludo et al., 2021). A sobreposição geográfica de áreas de ocorrência das duas doenças contribui para que um mesmo animal possa ser exposto simultaneamente aos agentes, favorecendo quadros clínicos mais complexos (Cardoso et al., 2022).
O impacto clínico da coinfecção é particularmente relevante, pois a presença simultânea de ambos os protozoários tende a agravar as alterações hematológicas, imunológicas e sistêmicas. Cães coinfectados demonstram anemia mais severa, maior intensidade de lesões cutâneas, mialgia, hepatoesplenomegalia e perda progressiva da condição corporal, quando comparados à infecção única por Leishmania spp. (Mendonça et al., 2020). A resposta imunológica também pode ser prejudicada, facilitando a multiplicação parasitária e contribuindo para a cronicidade da leishmaniose (Baneth et al., 2015).
Além disso, a coinfecção pode interferir diretamente no sucesso terapêutico, aumentando o risco de recidivas e reduzindo a eficácia dos tratamentos utilizados para controle da LVC (Troncarelli et al., 2019). Isso ocorre porque a associação de agentes pode alterar o microambiente inflamatório e o estado imunológico do hospedeiro, dificultando a resolução clínica e prolongando a permanência do parasita (Silva et all., 2020).
No ponto de vista epidemiológico, cães coinfectados representam um risco ampliado para a manutenção da transmissão da leishmaniose. A presença de uma segunda infecção pode aumentar a carga parasitária de Leishmania spp. na pele, facilitando a infecção do vetor flebotomíneo e contribuindo para a expansão da doença em áreas urbanas (Dantas-Torres & Otranto, 2014). Dessa forma, esses animais podem atuar como reservatórios mais eficientes, ampliando o desafio na prevenção de casos humanos.
Em função desses fatores, torna-se indispensável a vigilância constante e a adoção de métodos diagnósticos sensíveis, como a PCR, para detecção precisa de coinfecções em cenários endêmicos. Profissionais devem considerar a possibilidade de múltiplas infecções em cães com sintomatologia exacerbada ou que não respondem adequadamente ao tratamento da leishmaniose (O’Dwyer et al., 2004).
2. RELATO DE CASO
Em julho de 2023, uma cadela da raça Poodle, com oito anos de idade, foi atendida em uma clínica veterinária localizada em Belo Horizonte, Minas Gerais. A paciente apresentava histórico de doença renal crônica (DRC) há aproximadamente seis meses. Sua alimentação era natural e suplementada conforme prescrição médica. Entretanto, em fevereiro, passou a apresentar apetite seletivo, aceitando apenas patê renal, que inicialmente era bem tolerado, mas que atualmente apresenta recusa.
A principal queixa dos tutores foi a ocorrência de episódios de vômito. No início do ano, a cadela recebeu diagnóstico de leishmaniose, sendo prescrito miltefosina, L-glutamina, cisteína e arginina. No entanto, o tratamento não foi iniciado. Consta no histórico de anamnese que, em outubro de 2022, houve diagnóstico de piometra, além de registros de luxação patelar e Leishmaniose visceral canina (LVC). As medicações em uso no momento do atendimento eram probiótico, ômega 3, domperidona e hidróxido de alumínio.
Em exames realizados em fevereiro de 2023, foram obtidos os seguintes parâmetros laboratoriais: hematócrito de 39%, hemoglobina de 13,6 g/dL, ureia de 433 mg/dL, creatinina de 2,73 mg/dL e fósforo de 9,86 mg/dL. A sorologia para hemoparasitoses apresentou resultado reagente para babesiose (IgG 1,53) e erliquiose (IgG 1,475). Para leishmaniose, os resultados foram RIFI 1:80 e ELISA 1,893. As vacinas polivalente e antirrábica, bem como a vermifugação, encontravam-se atrasadas.
No exame físico, a paciente apresentou temperatura corporal de 38,9 °C, escore corporal 3/5, mucosas normocoradas e desidratação inferior a 5%. Não foram observadas alterações nos sistemas respiratório, digestivo, nervoso, linfonodos e olhos. Identificou-se sopro cardíaco grau IV e pressão arterial elevada, de 240 mmHg.
Durante a consulta, foi realizada punção de medula óssea e coletada amostra para a realização do exame de PCR para hemoparasitoses. Após a análise laboratorial, foi detectada amplificação de DNA de Hepatozoon spp., com valor de Cycle Threshold (CT) de 34,72. Nos mesmos exames, não foram detectados outros hemoparasitas ou agentes infecciosos frequentemente associados, como Rangelia vitalii, Leishmania infantum, Ehrlichia spp., Babesia spp., Anaplasma spp., Mycoplasma spp., e Dirofilaria immitis.
Foi prescrito tratamento com dipropionato de imidocarb, na dose de 5 mg/kg, em duas aplicações com intervalo de 14 dias. Embora tenha sido orientado o retorno do paciente para acompanhamento clínico, a tutora não compareceu, impossibilitando a avaliação da resposta terapêutica e da resolução do quadro infeccioso, limitando, portanto, a análise sobre a eficácia do tratamento neste caso.
3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1.1 AGENTE ETIOLÓGICO E MORFOLOGIA
Hepatozoon spp. são protozoários do filo Apicomplexa, família Hepatozoidae. Em cães as duas espécies descritas mais importantes são H. canis e H. americanum; isolados brasileiros são intimamente relacionados a H. canis. Segundo (RUBINI et al., 2008) nos esfregaços sanguíneos os estágios circulantes detectáveis são gamontes localizados principalmente em neutrófilos/monócitos; em tecidos observam-se schizonts/cistos (estágios teciduais) em órgãos como baço e medula óssea, sendo descritas também formas monozoicas (medidas e descrição morfométrica em estudos necroscópicos).
3.2.1 HEPATOZOON SPP.
3.2.2 AGENTE ETIOLÓGICO E MORFOLOGIA
Hepatozoon spp. é um protozoário intracelular pertencente ao filo Apicomplexa e família Hepatozoidae. Em cães, a espécie de maior relevância é Hepatozoon canis, amplamente distribuída em regiões tropicais e subtropicais, incluindo o Brasil. O parasita apresenta diferentes estágios evolutivos no hospedeiro vertebrado, sendo o mais comumente observado no sangue o gamonte, localizado no citoplasma de neutrófilos e monócitos, geralmente sem causar deformação evidente da célula hospedeira (Morgado et ai., 2016).
3.2.3 CICLO BIOLÓGICO E TRANSMISSÃO
O ciclo de H. canis é heteróxeno, envolvendo cães como hospedeiros vertebrados e carrapatos, principalmente Rhipicephalus sanguineus, como hospedeiros intermediários. A transmissão ocorre predominantemente pela ingestão do carrapato infectado, diferentemente de outros hemoparasitas transmitidos pela picada. Após a ingestão, ocorre liberação de esporozoítos no trato gastrointestinal e disseminação pelo sistema circulatório, estabelecendo esquizogonia em órgãos como baço, fígado e medula óssea (Maia et al., 2019).
3.2.4 PATOGENIA E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A apresentação clínica é variável. Muitos cães podem permanecer assintomáticos, enquanto outros desenvolvem quadros inespecíficos como letargia, febre, perda de peso, anorexia, linfadenomegalia e anemia. A gravidade e o curso clínico podem ser influenciados por fatores como condição imune, carga parasitária, idade e coinfecções, especialmente com Leishmania spp., que podem agravar a evolução clínica (Morgado et al., 2016).
3.2.5 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS
Tradicionalmente, o diagnóstico é realizado pela observação de gamontes em esfregaço sanguíneo corado. Entretanto, esse método possui baixa sensibilidade. Atualmente, a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) é considerada o método de maior precisão, permitindo identificação da espécie e diferenciação entre infecções ativas e subclínicas. Além disso, técnicas como histopatologia e sequenciamento do gene 18S rRNA tornam o diagnóstico mais conclusivo (Maia et al., 2019; Gomes et al.2016).
3.3.1 LEISHMANIA SPP.
3.3.2 AGENTE ETIOLÓGICO E VETORES
As leishmanioses são causadas por protozoários do gênero Leishmania, destacando-se para o ciclo urbano brasileiro a espécie Leishmania infantum, responsável pela leishmaniose visceral. O cão doméstico atua como o principal reservatório em áreas urbanas. A transmissão ocorre por meio da picada de flebotomíneos do gênero Lutzomyia, especialmente Lutzomyia longipalpis (Alvar et al., 2012).
3.3.3 FISIOPATOLOGIA
Após a picada, promastigotas são fagocitadas por macrófagos, onde se transformam em amastigotas e se multiplicam. A gravidade da doença está relacionada à resposta imunológica do hospedeiro: respostas Th1 são protetoras, enquanto respostas Th2 favorecem a disseminação parasitária. Coinfecções, como com Hepatozoon spp., podem comprometer o sistema imunológico e intensificar a progressão clínica (Morgado et al., 2016).
3.3.4 DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
O diagnóstico é baseado na combinação de métodos clínicos e laboratoriais, incluindo sorologia, citologia, imuno-histoquímica e PCR. No Brasil, o tratamento inclui miltefosina ou antimoniato de meglumina, podendo ser associado à alopurinol para manejo a longo prazo. No entanto, o tratamento não elimina completamente o parasita, mantendo o cão como possível reservatório, o que reforça a importância de medidas de vigilância sanitária (Brasil, 2019).
3.3.5 IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE HEMOPARASITOS
O diagnóstico diferencial entre hemoparasitos em cães é fundamental devido à similaridade clínica entre diversas enfermidades transmitidas por vetores, como Hepatozoon spp., Babesia vogeli, Ehrlichia canis, Anaplasmas e Leishmania infantum. Essas infecções podem cursar com sinais clínicos inespecíficos, incluindo anemia, letargia, perda de peso, febre intermitente, esplenomegalia e alterações hematológicas, dificultando a distinção apenas com base em sinais clínicos e exames laboratoriais gerais (Maia et al., 2019). Além disso, coinfecções são frequentes em regiões onde há ampla circulação de vetores, como áreas urbanas e periurbanas no Brasil. A presença concomitante de mais de um hemoparasita, como observado na coinfecção entre Hepatozoon canis e Leishmania infantum, pode agravar o quadro clínico, aumentar a parasitemia e alterar parâmetros hematológicos, tornando o prognóstico mais reservado (Morgado et al., 2016). Nesses casos, manifestações clínicas podem ser mais severas e persistentes, dificultando a definição da etiologia primária e a conduta terapêutica adequada.
Por esse motivo, o uso de técnicas diagnósticas complementares é recomendado. O exame parasitológico direto por esfregaço sanguíneo, embora útil, possui sensibilidade limitada, especialmente em infecções crônicas ou subclínicas. Assim, métodos moleculares como a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) são essenciais para a detecção e diferenciação entre espécies, além de identificar coinfecções que não seriam evidenciadas por métodos tradicionais (Gomes et al., 2016). A confirmação molecular também permite caracterização genética dos agentes, contribuindo para o entendimento da epidemiologia local. Nesse contexto, o diagnóstico diferencial adequado possibilita condutas terapêuticas mais precisas, reduzindo o risco de tratamentos ineficazes e complicações decorrentes da evolução da doença. Sua importância é ainda mais evidente em regiões endêmicas, como Belo Horizonte, onde a circulação simultânea de vetores e reservatórios favorece a ocorrência de múltiplos hemoparasitos em um mesmo animal.
3. DISCUSSÃO
3.1 AGENTE ETIOLÓGICO E TRANSMISSÃO
A espécie Hepatozoon canis é descrita de forma mais frequente em cães domésticos no Brasil, enquanto H. americanum se mantém restrita ao continente norte-americano (O’DWYER, 201 1). A hepatozoonose canina, causada principalmente por Hepatozoon canis no Brasil, é uma enfermidade transmitida pela ingestão de carrapatos infectados, destacando-se o Rhipicephalus sanguineus como principal vetor reconhecido no país (FORLANO et al., 2005; LABRUNA et al., 2011; OTRANTO et al., 2011). Após a infecção, os esporozoítos disseminam-se pela circulação e atingem órgãos como baço, fígado, rins e medula óssea, onde se formam merontes e posteriormente gamontes que parasitam leucócitos, especialmente neutrófilos e monócitos, resultando em processo inflamatório sistêmico (OTRANTO et al., 201 1; LI et al.2008).
3.2 CASOS REGISTRADOS E DISTRIBUIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA
A partir de estudos realizados em diferentes regiões do Brasil, é possível evidenciar a ampla distribuição da doença. Em Minas Gerais, em 15% dos cães oriundos da zona urbana do município de Uberlândia detectou-se Hepatozoon SP. (GOMES et al., 2010) e em 24% dos cães analisados na zona rural de Abadia dos Dourados (SILVA et al., 2014). No Rio de Janeiro, o parasito também foi identificado em cães naturalmente infectados, reforçando a circulação do agente no Sudeste (FORLANO et al., 2005). No Espírito Santo, houve predomínio de 58,7% entre os cães testados através da PCR (SPOLIDORIO et al. 2009), enquanto no estado de São Paulo, a presença de H. canis foi confirmada em cães da zona rural através de análises moleculares e parasitológicas (RUBINI et al., 2008).
Estudos recentes demonstram que, além dos cães domésticos, Hepatozoon SP. também infecta animais carnívoros silvestres. No Pantanal sul-mato-grossense, a enfermidade foi identificada em 45% dos cães e em mais de 90% das raposas-caranguejeiras (Cerdocyon thous), enquanto gamontes de Hepatozoon sp., foram observados no líquido sinovial de um lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) atendido no estado de São Paulo, constituindo o primeiro relato desse achado em tecido sinovial (ANDRÉ et al., 2019). Achados como estes evidenciam a existência de um ciclo de transmissão envolvendo hospedeiros de ambiente silvestre e urbano (ANDRÉ et al., 2019; PINTO et al., 2017).
Embora existam evidências científicas da presença de Hepatozoon canis em diferentes regiões de Minas Gerais, a cidade de Belo Horizonte ainda não possui registros clínicos documentados da doença em publicações científicas. Casos da infecção já foram descritos em municípios mineiros como Uberlândia e Abadia dos Dourados (GOMES et al., 2010; SILVA et al., 2014), o que reforça a presença do parasito em diferentes contextos ambientais. Ainda assim, a ausência de relatos específicos na capital mineira revela uma lacuna importante no conhecimento científico e epidemiológico sobre a hepatozoonose canina.
No contexto de Minas Gerais e regiões próximas, estudos de detecção molecular revelam prevalências modestas, porém relevantes, de hemoparasitas em cães: em Abadia dos Dourados, MG, foi identificada a presença de hemoparasitos em cães das zonas urbana e rural, com percentuais expressivos de positividade via PCR e métodos moleculares (em torno de 5-10%) (SILVA et al., 2014). Em outro estudo realizado em três locais do estado, envolvendo 93 cães, foram positivos para Leishmania infantum/ chagasi (via PCR ou métodos moleculares) e 5,4% para Babesia spp., reforçando que múltiplos agentes hemoparasitários circulam simultaneamente em cães mineiros (VALENTE, 2014).
Essa falta de informações pode estar associada à subnotificação dos casos. Um dos principais fatores que contribuem para essa situação é o caráter predominantemente subclínico da infecção, visto que muitos cães permanecem assintomáticos, reduzindo a suspeita clínica por parte dos médicos-veterinários e, consequentemente, a realização de exames laboratoriais específicos (EIRAS et al., 2007; GOMES et al., 2010).
Além disso, a subnotificação também é agravada pela alta frequência de coinfecções com outros agentes, como Leishmania infantum, Babesia vogeli e Ehrlichia canis, que compartilham sinais clínicos semelhantes, dificultando a diferenciação entre as enfermidades e podendo levar ao subdiagnóstico da hepatozoonose (MORGADO et al., 2016; FERREIRA et al., 2015). Essa sobreposição clínica é especialmente relevante em Minas Gerais, onde a leishmaniose visceral canina é endêmica e recebe maior atenção nos programas de vigilância, em contraste com a hepatozoonose, que ainda é frequentemente negligenciada (VALENTE, 2014).
3.3 SINAIS CLÍNICOS
A apresentação clínica é bastante variável, podendo incluir letargia, febre, perda de peso, anemia, linfadenomegalia, mucosas pálidas, anorexia, atrofia muscular, poliúria e polidipsia (O’DWYER, 2010; OTRANTO et al., 201 1). No entanto, a paciente relatada neste estudo apresentou quadro clínico distinto, caracterizado apenas por episódios esporádicos de vômito, mantendo bom estado geral. A ausência dos sinais comumente descritos na literatura sugere um quadro subclínico ou de baixa intensidade parasitária, evidenciando a variabilidade clínica da doença.
3.4 DIAGNÓSTICO E IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE
As principais alterações hematológicas observadas incluem anemia normocítica, normocrômica e, notoriamente, eosinofilia — sendo esta a alteração mais prevalente em cães positivos (OTRANTO et al., 201 1). Alterações de leucócitos e hiperproteinemia podem ocorrer devido à inflamação crônica. Quando há coinfecções, especialmente com Ehrlichia, pode haver trombocitopenia acentuada e piora significativa do prognóstico, uma vez que essas infecções concomitantes predispõem a pancitopenia e hemorragias (VALENTE, 2014).
O diagnóstico parasitológico direto, realizado por meio de pesquisa de gamontes em esfregaço sanguíneo ou em camada leucocitária, apresenta alta especificidade, porém sensibilidade limitada, principalmente em fases iniciais da parasitemia (OTRANTO et al., 2011). A citologia da capa leucocitária deve ser preferida em relação ao esfregaço sanguíneo quando a PCR não estiver disponível.
O diagnóstico molecular é considerado o método mais sensível e específico, permitindo a detecção de baixa carga parasitária e possibilitando a diferenciação entre H. canis e H. americanum (LI et al., 2008; OTRANTO et al., 201 1). Em estudo comparativo, a associação entre PCR em sangue e capa leucocitária proporcionou sensibilidade de até 98%, sendo considerada a estratégia laboratorial ideal (OTRANTO et al. 201 1). A amostra de medula óssea coletada foi submetida à análise molecular por PCR, que revelou amplificação de DNA de Hepatozoon spp., com valor de Cycle Threshold (CT) de 34,72. Esse achado confirma a presença do agente infeccioso, mesmo diante de baixa parasitemia.
Exames de imagem, como radiografia e ultrassonografia, podem auxiliar em casos específicos. Alterações mais marcantes são observadas em infecções por H. americanum, com osteopatia proliferativa e miosite dolorosa, enquanto em infecções por H. canis as alterações ultrassonográficas podem se limitar à esplenomegalia e hepatopatia leve (LI et al., 2008).
3.5 TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
De acordo com Santos et al. (201 9), o tratamento de cães infectados por Hepatozoon spp. pode ser realizado com doxiciclina em associação ao dipropionato de imidocarb, seguido de duas aplicações com intervalo médio de 14 dias, sendo a segunda dose combinada com ID e atropina. Nesse protocolo, os hemoparasitas não foram detectados após o tratamento. No presente relato, a paciente recebeu apenas as duas aplicações de dipropionato de imidocarb, na dose de 5 mg/kg, conforme prescrição. Entretanto, a tutora não retornou para acompanhamento clínico, impossibilitando a avaliação da resposta terapêutica e a resolução do quadro infeccioso, limitando a análise sobre a eficácia do tratamento neste caso.
Apesar disso, cães com H. canis isolados geralmente apresentam boa resposta ao tratamento e evolução favorável. Entretanto, quadros com alta parasitemia, acometimento de medula óssea ou coinfecções apresentam prognóstico reservado, podendo resultar em maior morbidade e risco de óbito (OTRANTO et al., 2011; VALENTE, 2014). A literatura também sugere que a coinfecção por Hepatozoon spp. E Leishmania spp. pode exercer efeitos sinérgicos sobre a resposta imunológica, favorecendo maior carga parasitária e pior prognóstico clínico, por meio de mecanismos como modulação citocínica e supressão da resposta Th1 (MORGADO et al., 2016).
Assim, esse caso clínico reforça a necessidade de incluir Hepatozoon spp. no diagnóstico diferencial em cães de regiões endêmicas para leishmaniose, bem como de empregar métodos moleculares sensíveis, especialmente quando há suspeita de coinfecção. Os achados aqui relatados reforçam a importância de incluir a hepatozoonose no diagnóstico diferencial de hemoparasitoses, mesmo em casos com manifestações clínicas discretas.
4. CONCLUSÃO
O presente relato evidencia a infecção por Hepatozoon em uma paciente testada positiva para leishmaniose, configurando um quadro de coinfecção confirmado por exames laboratoriais. Apesar da presença de poucos sinais clínicos, a detecção da coinfecção reforça a importância de um diagnóstico diferencial detalhado, destacando que, frequentemente, exames são realizados apenas para Leishmania spp. e hemoparasitoses, deixando outras infecções pouco investigadas. A ausência de acompanhamento clínico impossibilitou a avaliação da resposta terapêutica, ressaltando a necessidade de monitoramento contínuo. Este caso evidencia também a relevância de relatar tais achados na região de Belo Horizonte, onde a frequência dessas coinfecções ainda é pouco conhecida, contribuindo para a compreensão da incidência do protozoário e do impacto da interação entre os agentes na imunidade e na carga parasitária dos animais.
Diante disso, o achado reforça a importância de incluir Hepatozoon spp. no diagnóstico diferencial de cães oriundos de áreas endêmicas para leishmaniose e de ampliar o uso de exames moleculares na rotina veterinária, contribuindo para a vigilância epidemiológica regional e para o desenvolvimento e fortalecimento das estratégias de controle e tratamento dentro do conceito de Saúde Única.
5. REFERÊNCIAS
AGUIAR, D. M.; RIBEIRO, M. G.; SILVA, W. B.; DIAS JR, J. G.; MEGID, J.; PAES, A. C. Hepatozoonose canina: achados clínico-epidemiológicos em três casos. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 56, n. 3, p. 411-413, 2004.
ALVAR, J. et al. Leishmaniasis worldwide and global estimates of its incidence. PLOS One, v. 7, n. 5, p. e35671, 2012.
ANDRÉ, M. R. et al. Gamontes de Hepatozoon sp. como achado acidental em líquido sinovial de lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) no sudeste do Brasil. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 28, n. 4, p. 779–785, 2019.
ASSIS JUNIOR, W. G.; COSTA, G. E. S.; GRASSI, J. B.; TOSATI, M. E. C.; ABOLIS, V. B.; SILVA, L. F.; ZAIDEN, L. C. Hepatozoonose canina no Brasil: revisão de literatura. Cuadernos de Educación y Desarrollo, v. 15, n. 10, p. 10356–10368, 2023.
BANETH, G. et al. Canine hepatozoonosis: two disease syndromes caused by different Hepatozoon spp. Trends in Parasitology, v. 31, n. 10, p. 581–590, 2015.
BANETH, G. et al. Enzyme-linked immunosorbent assay for detection of antibodies against Hepatozoon canis. Veterinary Parasitology, v. 122, p. 131–139, 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância da Leishmaniose Visceral. Brasília: MS, 2019.
CARDOSO, L. et al. Vector-borne coinfections in dogs: clinical impact and challenges. Parasites & Vectors, v. 15, n. 1, p. 1–15, 2022.
CHISU, V. et al. Molecular survey of Hepatozoon canis infection in domestic dogs from Sardinia, Italy. Veterinary Sciences, v. 10, n. 11, p. 640, 2023.
DANTAS-TORRES, F.; OTRANTO, D. Dogs, cats, parasites, and humans in Brazil: opening the black box. Veterinary Parasitology, v. 200, n. 1–2, p. 1–5, 2014.
DEMONER, L. C.; ANTUNES, J. M. A. P.; O’DWYER, L. H. Hepatozoonose canina no Brasil: aspectos da biologia e transmissão. Veterinária e Zootecnia, v. 20, n. 2, p. 193–202, 2013.
EIRAS, D. F. et al. Primeira caracterização molecular de Hepatozoon canis em cães da Argentina. Veterinary Parasitology, v. 149, p. 275–279, 2007.
FERREIRA, T. M. V. et al. Achados clínicos e laboratoriais em hepatozoonose canina no Estado do Ceará: relato de dois casos. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade Animal, v. 9, n. 1, p. 41–54, 2015.
FORLANO, M. et al. Clinical and hematological findings in dogs naturally infected with Hepatozoon canis in Brazil. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 16, n. 3, p. 135–140, 2007.
FORLANO, M. et al. Diagnóstico de Hepatozoon spp. em Amblyomma ovale e sua transmissão experimental em cães domésticos no Brasil. Veterinary Parasitology, v. 134, p. 1–7, 2005.
GOMES, L. A. et al. Molecular analysis reveals the diversity of Hepatozoon species naturally infecting domestic dogs in a northern region of Brazil. Acta Tropica, v. 164, p. 135–142, 2016.
GOMES, P. V. et al. Ocorrência de Hepatozoon sp. em cães na área urbana de um município do sudeste do Brasil. Veterinary Parasitology, v. 174, p. 155–161, 2010.
GONÇALVES, L. R. et al. Detecção molecular de agentes transmitidos por vetores em cães do Brasil. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 23, n. 3, p. 379–385, 2014.
LABRUNA, M. B. et al. Sobre o carrapato transmissor. Acta Tropica, v. 117, p. 51–55, 2011.
LIMA, L. V. et al. Epidemiological situation of visceral leishmaniasis in Brazil. Cadernos de Saúde Pública, v. 33, n. 1, p. 1–16, 2017.
MAIA, J. P. et al. Molecular survey of Babesia vogeli and Hepatozoon spp. in dogs from urban areas of Midwestern Brazil. Semina: Ciências Agrárias, v. 40, n. 1, p. 317–324, 2019.
MENDONÇA, L. L. et al. Coinfections in dogs with visceral leishmaniasis: clinical and laboratory changes. Frontiers in Veterinary Science, v. 7, p. 257, 2020.
MORGADO, F. N. et al. Coinfecção por Hepatozoon canis e Leishmania spp. em cães diagnosticados com leishmaniose visceral. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 25, n. 4, p. 450–458, 2016.
O’DWYER, L. H. Hepatozoonose canina brasileira: revisão. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 20, n. 3, p. 181–193, 2011.
O’DWYER, L. H. et al. Tissue stages of Hepatozoon canis in naturally infected dogs from São Paulo State, Brazil. Parasitology Research, v. 94, n. 1, p. 68–74, 2004.
OLIVEIRA, L. V. S. et al. Aspectos hematológicos, clínicos e epidemiológicos da infecção por Hepatozoon canis por detecção parasitológica em cães da zona rural de Sousa, Paraíba, Brasil. Ciência Rural, v. 51, n. 3, e20200233, 2021.
PASA, S.; VOYVODA, H.; KARAGENC, T. et al. Failure of combination therapy with imidocarb dipropionate and toltrazuril to clear Hepatozoon canis infection in dogs. Parasitology Research, v. 109, p. 919–926, 2011.
PINTO, P. C. E. A. et al. Molecular detection of Hepatozoon spp. in domestic dogs and wild mammals in southern Pantanal, Brazil. Veterinary Parasitology, v. 237, p. 37–46, 2017.
RUBINI, A. S. et al. Molecular characterization of canine Hepatozoon species from Brazil. Parasitology Research, v. 97, n. 2, p. 141–146, 2005.
SANTOS, C. M. dos; HALVERSON, M. M. de S.; OLIVEIRA, F. P. S. de. Hepatozoonose canina: relato de caso. UNICIÊNCIAS, v. 23, n. 1, p. 12–15, 2019.
SASANELLI, M. et al. Falha do dipropionato de imidocarbe na eliminação de Hepatozoon canis em cães naturalmente infectados com base em métodos de avaliação parasitológica e molecular. Parasitologia Veterinária, v. 171, n. 3–4, p. 194–199, 2010.
SCHNEIDER, M.; GUIMARÃES, R. T.; ZADINELO MOREIRA, P. A.; CUNHA, O.; SILVA, M. M. Hepatozoon spp.: relato de caso no Oeste do Paraná. Revista Científica de Medicina Veterinária, ano XV, n. 31, jul. 2018.
SILVA, L. A. et al. Visceral leishmaniasis in Belo Horizonte: epidemiology and challenges. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 53, p. 1–8, 2020.
SILVA, M. C. A. et al. Hemoparasitos em cães domésticos naturalmente infectados, provenientes das zonas urbana e rural do município de Abadia dos Dourados, MG. Bioscience Journal, v. 30, supl. 2, p. 892–900, 2014.
SOLANO-GALLEGO, L. et al. LeishVet guidelines for the practical management of canine leishmaniosis. Veterinary Parasitology, v. 181, n. 3–4, p. 252–264, 2011.
SPOLIDORIO, M. G. et al. Hepatozoon canis infectando cães no estado do Espírito Santo, sudeste do Brasil. Veterinary Parasitology, v. 163, p. 357–361, 2009.
TRONCARELLI, M. Z. et al. Clinical evolution of canine visceral leishmaniasis in dogs coinfected with Ehrlichia canis and Hepatozoon canis. BMC Veterinary Research, v. 15, p. 379, 2019.
VALENTE, T. C. Detecção de hemoparasitos em cães de áreas endêmicas de leishmaniose visceral no estado de Minas Gerais. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias) — Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2014.
1Discentes do curso de medicina veterinária da universidade Newton Paiva Wyden.
2Docente do curso de medicina veterinária da universidade Newton Paiva Wyden.
