REABILITAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NA FASE PRÉ-PROTETIZAÇÃO DE PACIENTE COM AMPUTAÇÃO TRANSFEMORAL

PHYSIOTHERAPEUTIC REHABILITATION IN THE PRE-PROSTHETIZATION PHASE OF A PATIENT WITH TRANSFEMORAL AMPUTATION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511201218


Bárbara Costa Souza Pereira1
Nathália Francisco de Lima Santos1
José Gabriel Werneck2
Braz Perpetuo de Lima3


RESUMO: A amputação consiste na retirada total ou parcial do membro acometido, sendo realizada através de um procedimento cirúrgico podendo ser classificada como uma perda física e psíquica para o paciente. A amputação Transfemoral ocorre entre a articulação do quadril e o joelho podendo ser unilateral ou bilateral. O presente estudo tem como objetivo avaliar a evolução do paciente com diagnóstico de Amputação Transfemoral no membro inferior direito através de uma abordagem fisioterapêutica. A seguinte pesquisa consistiu um estudo de caso, realizado na Clínica de Ensino e Pesquisa em Fisioterapia, da graduação em Fisioterapia. Foi atendido um paciente do sexo masculino, com diagnóstico de Amputação Transfemoral do MID, onde o mesmo foi avaliado através da anamnese, exame físico, inspeção e palpação, sinais vitais e testes específicos, sendo também aplicado as condutas de alongamento muscular, dessensibilização tátil e proprioceptiva, enfaixamento compressivo, cinesioterapia, treino de equilíbrio, descarga de peso, terapia do espelho, treino de marcha com prótese e retorno às AVDs. Conclui-se que a intervenção fisioterapêutica na amputação transfemoral é indispensável para a reabilitação eficaz e o retorno às atividades de vida diária. O tratamento fisioterapêutico promove benefícios físicos, psicológicos e sociais, contribuindo para a reintegração do paciente à sociedade com maior independência e qualidade de vida.

Palavras-chave: Fisioterapia. Amputação Transfemoral. Fase pré-protética. 

ABSTRACT: Amputation consists of the total or partial removal of the affected limb, performed through a surgical procedure and can be classified as a physical and psychological loss for the patient. Transfemoral amputation occurs between the hip and knee joints and can be unilateral or bilateral. This study aims to evaluate the outcome of a patient diagnosed with transfemoral amputation of the right lower limb through a physical therapy approach. The following research consisted of a case study, conducted at the Physiotherapy Teaching and Research Clinic, of the Physiotherapy undergraduate program. A male patient diagnosed with transfemoral amputation of the lower limb was evaluated through history taking, physical examination, inspection and palpation, vital signs and specific tests. Muscle stretching, tactile and proprioceptive desensitization, compressive bandaging, kinesiotherapy, balance training, weight-bearing, mirror therapy, gait training with a prosthesis, and return to ADLs were also applied. It is concluded that physical therapy intervention in transfemoral amputation is essential for effective rehabilitation and return to activities of daily living. Physical therapy provides physical, psychological, and social benefits, contributing to the patient’s reintegration into society with greater independence and a better quality of life.

Keywords: Physiotherapy. Transfemoral amputation. Pre-prosthetic phase.

1. INTRODUÇÃO  

A amputação consiste na retirada total ou parcial do membro acometido, sendo realizada através de um procedimento cirúrgico podendo ser classificada como uma perda física e psíquica para o paciente já que impossibilita o desempenho esperado e adequado para a função física do membro afetado, se mostrando um desafio para os profissionais de saúde1,2.

O Censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, sendo 6,95% descrita como alguma deficiência motora. A incidência de amputações no Brasil é de 13,9 a cada 100.000 habitantes/ano, apresentando um alto número nos custos hospitalares. Em 2018, foram contabilizadas cerca de 59 mil amputações no Brasil, apresentando uma maior incidência na região Sudeste (48,6%), seguidos do nordeste (28,8%) e Sul (15,7%)3-5.

As principais causas de amputações realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são: Causas traumáticas (33,1%), doenças infecciosas e parasitárias (17,9%), doenças do aparelho circulatório (16,1%), Diabetes Mellitus (13,6%), quadros de gangrena (10,4%), doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo (6,0%), neoplasias (1,9%), doenças de pele e do tecido subcutâneo (0,5%) e malformações/deformidades congênitas e anomalias cromossômicas (0,4%)5,6.

A amputação pode ser classificada através dos seus níveis sendo nos membros superiores (MMSS) as amputações: Desarticulação de ombro, transumeral, desarticulação de cotovelo, transradial, desarticulação de punho e parcial da mão. Já nos membros inferiores (MMII) as amputações conhecidas são: hemipelvectomia, desarticulação de quadril, transfemoral, desarticulação de joelho, transtibial, desarticulação de tornozelo e parcial do pé, sendo as amputações de membros inferiores mais comuns em comparação aos membros superiores6,7.

As amputações em MMII geralmente são ocasionados por causas vasculares ou doença arterial degenerativa, já as amputações de MMSS raramente são causadas por patologias vasculares, sendo decorrentes de causas traumáticas ou tumorais7.

A amputação Transfemoral, também conhecida como amputação de coxa, ocorre entre a articulação do quadril e o joelho podendo ser unilateral ou bilateral. Unilateral ocorre quando apenas o osso do fêmur de uma das coxas é seccionado, já a bilateral ocorre com os ossos das duas pernas são amputados7,8.

A amputação ocasiona em alterações da biomecânica do paciente, limitando o desenvolvimento das atividades de vida diária como se locomover, realizar higiene, alimenta-se, vestir-se e outros, tornando o paciente incapacitado e gerando consequências negativas nos aspectos econômicos, sociais e psicológicos necessitando assim um tratamento multidisciplinar9,10.

O tratamento inicial do paciente amputado visa trabalhar a independência do paciente visto que a perda do membro se mostra um processo doloroso e inesperado acometendo a parte psicológica do paciente. Além de ser um processo complicado, a amputação também apresenta complicações decorrentes da retirada do membro, sendo eles a presença de dor e sensação fantasma, neuroma doloroso e perda de força muscular, nesses casos se indica a fisioterapia para tratar as complicações decorrentes das alterações biomecânicas do paciente10,11.

A fisioterapia no paciente amputado se mostra de extrema importância devido aos recursos utilizados para o tratamento, como a eletroterapia e a cinesioterapia no qual poderão auxiliar na diminuição da sintomatologia dolorosa, na adaptação do paciente a nova realidade como também a evolução do paciente, garantindo assim uma melhor independência funcional e reinserção à sociedade11,12  

Um aspecto crucial da reabilitação fisioterapêutica é a remodelagem do coto residual, que envolve a redução do edema, modelagem do tecido mole, prevenção de aderências e preparação adequada para o uso da prótese. Técnicas como massagem, exercícios de mobilização e compressão gradual são aplicadas para proporcionar um coto resistente, funcional e indolor, permitindo que o paciente realize atividades com maior conforto e segurança11.

A reabilitação fisioterapêutica é composta por exercícios cinesioterapêuticos como treino de marcha com dispositivos auxiliares, orientações pré e pós-operatório, treino de força, transferências e trocas posturais e ortostatismo. Os objetivos da fisioterapia no paciente amputado visam a melhora da cicatrização, diminuição do edema local, manutenção/ aumento de força, prevenção de disfunções articulares, melhora da funcionalidade, utilização correta de dispositivos auxiliares e progressão para o uso de prótese, se mostrando importante para o processo de reabilitação e a realização das atividades de vida diária do paciente12-14

O presente estudo tem como objetivo avaliar a evolução do paciente com diagnóstico de Amputação Transfemoral no membro inferior direito através de uma abordagem fisioterapêutica,sendo realizado em um paciente de 56 anos,tratado durante um período de 6 meses na Clínica de Ensino e Pesquisa em Fisioterapia da Universidade Iguaçu (UNIG). 

2. MATERIAIS E MÉTODOS

2.1. TIPO DE ESTUDO

A seguinte pesquisa consistiu um estudo de caso, realizado na Clínica de Ensino e Pesquisa em Fisioterapia, da graduação em Fisioterapia. Foi atendido um paciente do sexo masculino, com diagnóstico de Amputação Transfemoral do MID.

2.2. LOCAL DE REALIZAÇÃO 

O estudo foi realizado na Clínica de Ensino e Pesquisa em Fisioterapia, Universidade Iguaçu/Graduação de Fisioterapia, – Avenida Abílio Augusto Távora, 2134 – Jardim Nova Era, Nova Iguaçu, RJ, Cep: 26275-580, Tel.: (21) 2765-4053.

2.3. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

Este estudo foi realizado com o consentimento do paciente, que assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, permitindo a utilização dos dados para a descrição do relato de caso. De acordo com o CEP/CAAE: 51045021.2.0000.8044.

2.4. MÉTODOS

2.4.1. Métodos de Avaliação 

Os métodos de avaliação utilizados através de anamnese: Identificação do paciente, diagnóstico médico, queixa principal, história da doença atual, história da patologia pregressa, história familiar, história social, história medicamentosa, inspeção e palpação, sinais vitais e testes específicos.

2.4.2. Métodos de Tratamento

– Alongamento muscular;

Dessensibilização tátil e proprioceptiva;

Enfaixamento compressivo;

Cinesioterapia;Terapia do espelho;

– Descarga de peso corporal;

– Treino de marcha.  

2.5. MATERIAIS

2.5.1. Materiais para avaliação

– Esfignomanômetro e Estetoscópio (Premium e Bic);

Oxímetro (G-tech);

Termômetro (G-tech);

– Fita métrica (Macro life);  

2.5.2. Materiais para tratamento 

– Faixa compressiva;

Faixa elástica;

Esponjas;

Crioterapia;

– Bola cravo.  

3. APRESENTAÇÃO DO CASO CLÍNICO

3.1. ANAMNESE

O seguinte caso foi realizado na Clínica de Ensino em Fisioterapia na UNIG, contendo uma amostra de um único paciente com diagnóstico de Amputação Transfemoral no Membro Inferior Direito, sendo avaliado em Abril de 2025. 

Dados Pessoais: Paciente C. S. M., 56 anos, nascido em 25/11/1968, sexo masculino, aposentado.

Diagnóstico Médico: Amputação Transfemoral no membro inferior direito.  

Queixa Principal (QP): “Quero aprender a andar com a prótese e ter independência”.

História da doença atual: Paciente relata que trabalhava como motorista de caminhão, dirigia mais de 6 horas durante o dia e fumaça 1 maço de cigarro por dia. Em maio de 2022, observou que ao deambular o membro inferior direito ficava rígido e ao constatar que estava ocorrendo com frequência, um mês depois foi ao médico cirurgião vascular, que solicitou o exame de Ecodoppler. E ao retornar ao médico com o exame, foi diagnosticado que havia obstrução das artérias do membro inferior direito. O médico orientou ao paciente que parasse de fumar, porém o mesmo ignorou as recomendações médicas, segundo informações colhidas, e só retornou ao médico novamente em maio de 2023, onde foi passado outro exame de Ecodoppler e constatado que deveria ser feito uma cirurgia para reversão da trombose e isquemia do membro inferior direito. No dia 27/06/2023, o paciente internou no Hospital Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima, às 12 horas foi realizado a cirurgia de revascularização arterial ilíaco femoral e femoro-poplítea no membro inferior direito, e ao retornar da cirurgia se queixou de intenso quadro álgico em membro inferior direito. Foi medicado com morfina, não havendo melhora em quadro clínico. Paciente retornou no mesmo dia para segunda cirurgia, onde foi colocado um Stent em ilíaca externa direita e um Stent em femoral superficial e poplítea direita. No dia seguinte, ao passar visita o médico observou sinais de necrose, em membro inferior direito e comunicou ao paciente que teria que ser feito outra intervenção cirúrgica. Foi quando foi realizado a amputação transfemoral do membro inferior direito. Após a amputação, paciente relatou que teve a dor do membro fantasma. Em abril de 2024, comprou uma prótese e iniciou a fisioterapia (pré-protetização), em uma clínica em Nova Iguaçu, por 3 meses, 3 vezes na semana. Nesta clínica não conseguiram protetizá-lo e no dia 01/04/2025 o paciente procurou a Clínica de Ensino e Pesquisa de Fisioterapia, com o objetivo de ser protetizado.  

História da Patologia Pregressa (HPP): Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), arritmia cardíaca e Diabetes Mellitus tipo 2.  

História Familiar: Pai morreu de Infarto Fulminante.  

História Social: Paciente reside sozinho, em um lar de 5 cômodos, possui saneamento básico, não pratica nenhuma atividade física, mantém alimentação saudável com consumo de frutas e verduras.   

História Medicamentosa: Sinvastatina (40mg), Ecasil (81mg), dapagliflozina (10mg), bissulfato de clopidogrel (75mg), Cilostazol (100mg), cloridrato de diltiazem (30mg) e pregabalina (150mg).  

3.2. EXAME FÍSICO

3.2.1. Inspeção e Palpação

Inspeção: Se deslocando com auxílio de 2 muletas, diminuição do volume muscular no coto, cicatriz cirúrgica no coto de boa qualidade e bom equilíbrio de tronco.  

Palpação: Diminuição da tensão muscular na região do coto, sem aderência e sem quadro álgico. 

3.2.2. Sinais Vitais

Foram avaliados os sinais vitais do paciente, obtendo os seguintes resultados: 

Quadro 1 – Sinais Vitais 

 AvaliaçãoResultados
Frequência Cardíaca61 bpmNormocárdico
Frequência Respiratória19 irpmEupneico
Temperatura36.2ºCAfebril
Pressão Arterial140×80 mmHgHipertenso
Saturação98%Normosaturando
Fonte: Os autores

3.2.3. Testes Específicos

Teste articular

Quadro 2 – Avaliação do teste articular

SegmentoAvaliação
Quadril direito (coto)Flexão: 100º
Extensão: 10º
Abdução: 38º
Adução: 15º  
Quadril esquerdoFlexão: 130º
Extensão: 0º
Abdução: 30º
Adução: 25º  
Flexão de joelho esquerdo115º
Extensão de joelho esquerdo
Plantiflexão de tornozelo esquerdo15º
Dorsiflexão de tornozelo esquerdo30º
Inversão de tornozelo esquerdo15º
Eversão de tornozelo esquerdo12º
Fonte: Os autores

Teste de força muscular

Quadril direito (coto): Grau 5 para flexão, extensão, adução e abdução.

Quadril esquerdo: Grau 5 para flexão, extensão, adução e abdução.

Flexão de joelho esquerdo: Grau 5.

Extensão de joelho esquerdo: Grau 5.

Perimetria

Quadro 4 – Avaliação da Medida de comprimento de MMII

EIAS MID (16 cm)EIAS MIE (16 cm)
53 cm58 cm
45 cm53 cm
Fonte: Os autores

Teste de sensibilidade: Normoestesia para todos os segmentos. 

3.3 DIAGNÓSTICO CINÉTICO FUNCIONAL

Paciente apresenta diminuição da tensão muscular, diminuição de arco de movimento, hipotrofia e marcha com auxílio. 

3.4 PROGNÓSTICO FISIOTERAPÊUTICO

Favorável.

3.5 OBJETIVOS TERAPÊUTICOS

Curto Prazo: 

– Aumentar força muscular para sustentação do MIE e coto;

Melhora da cicatrização do coto;

Diminuição do edema local;

– Prevenção de disfunções articulares no quadril e joelho remanescente.

Médio Prazo

– Normalizar força muscular de MIE;

Aumentar arco de movimento de MIE;

Melhora da funcionalidade de MIE e tronco;  

– Ensinar a utilização correta de dispositivos auxiliares (muletas e prótese inicial);

– Aumentar trofismo da musculatura do coto, glúteo e quadríceps.

Longo Prazo

– Reeducar marcha com prótese transfemoral;

– Normalizar trofismo do coto, quadríceps e glúteo;

– Promover retorno as AVD’s.

3.6. CONDUTA TERAPÊUTICA

– Alongamento terapêutico passivo bilateral de isquiotibiais, íliopsoas, tensor da fáscia lata, glúteo médio, adutor longo, adutor curto, adutor magno, grácil e pectíneo – 3 séries de 20 segundos para cada grupamento muscular;

– Dessensibilização tátil, térmica e dolorosa do coto por meio de estímulos variados – 10 minutos;

– Cinesioterapia ativa livre para vasto medial do MIE – 3 séries de 10 repetições;

Cinesioterapia ativa livre para extensores, flexores, abdutores e adutores de quadril bilateral – 3 séries de 10 repetições;

Cinesioterapia ativa resistida com uso de bastão (cor vinho) em frente ao espelho para flexores de ombro, associado com inspiração profunda – 3 séries de 10 repetições;

Cinesioterapia ativa resistida com faixa elástica de cor verde para flexores, extensores, abdutores e adutores de quadril bilateralmente – 3 séries de 10 repetições;

Cinesioterapia ativa resistida com caneleira de 1kg para vasto medial esquerdo – 3 séries de 10 repetições;

Cinesioterapia ativa resistida com uso de halteres de 2kg para flexores e extensores de cotovelo bilateralmente – 3 séries de 10 repetições;

– Enfaixamento compressivo de técnica 8, visando modelagem do coto e controle de edema – 2 horas.

– Paciente orientado a retirar e recolocar o enfaixamento a cada 2 horas em domicilio;

 Paciente orientado a realizar exercícios domiciliares com faixa elástica direcionado para fortalecimento de flexores, extensores, abdutores e adutores de quadril bilateralmente associado ao controle respiratório durante a execução – 3 séries de 10 repetições;

Treino de equilíbrio e descarga de peso em ortostatismo;

– Terapia do espelho;

– Treino de marcha com prótese;

– Treino de retorno às AVDs.

4. DISCUSSÃO

O estudo de Silva, Tos e Fabiano15 descreve a importância da fisioterapia no tratamento de pacientes em fase de pré e pós protetização. Os autores indicam que a fisioterapia em pacientes amputados se mostra fundamental devido aos benefícios apresentados pelas técnicas e equipamentos utilizados durante o tratamento, que auxiliam no processo de recuperação funcional do paciente. 

Vieira et al.16 complementa a importância da fisioterapia no paciente amputado em fase de pré-protetização, tendo como princípio a redução do edema e diminuição do quadro álgico. São realizadas técnicas de dessensibilização de coto, alongamento e fortalecimento muscular, enfaixamento compressivo, treino de descarga de peso e ortostatismo, para o tratamento desses pacientes ocasionando uma melhora funcional e preparação para a protetização, onde os autores concluem serem técnicas eficientes para o objetivo do tratamento. 

Barreto, Menezes e Souza17 descreveu um tratamento fisioterapêutico de pré-protetização em um paciente amputado, sendo realizados exercícios de alongamento e fortalecimento muscular, dessensibilização e treino de enfaixamento compressivo. Os autores relataram que as técnicas utilizadas são de suma importância para o tratamento do paciente amputado e seu processo de protetização, para que o mesmo possa retornar as suas atividades de vida diária com uma maior independência funcional. 

Ziegler et al.18 completa que as condutas de alongamento e fortalecimento muscular apresenta resultados positivos na redução da dor, melhora do equilíbrio, fortalecimento do coto, extensibilidade e, consequentemente, melhora na qualidade de vida e da fase de protetização do paciente amputado, se mostrando técnicas bastante recomendadas. 

O estudo de Carvalho e Krumholz19 descreve as técnicas de cinesioterapia resistidas, enfaixamento compressivo, treino de AVD’s, além de orientações sobre posturas, posicionamento do coto, higienização e hábitos de vida, como condutas eficazes para a melhora da funcionalidade e qualidade de vida do paciente. 

Já Casasa et al.20 indica que a técnica de cinesioterapia é um protocolo de atendimento fisioterapêutico importante na fase pré-protética, onde são utilizadas diversas condutas capazes de prevenir e trata comprometimentos apresentados pelo paciente, onde pode ser incluído técnicas que promovam uma melhora no desempenho muscular, aumento da força e resistência, além da melhora da funcionalidade, redução dos fatores de risco e promovendo um bem estar e um melhor desempenho funcional nas realizações das atividades diárias.

Saiki et al.21 complementa o estudo acima indicando que a cinesioterapia tem influência direta na diminuição da dor, no equilíbrio postural e na funcionalidade do paciente amputado, já que a mesma proporciona um aumento da força, diminuição do risco de contraturas e encurtamentos musculares, conificação do coto para um melhor encaixe protético, proporcionando um retorno precoce a sociedade. 

Os estudos de Moreira et al.22 e Zonta et al.23 descrevem a terapia do espelho como uma técnica de reabilitação bastante utilizada em pacientes amputados, especialmente naqueles que apresentam dor do membro fantasma ou dificuldades na adaptação ao uso de prótese. A técnica promove um alívio da dor e uma reintegração da imagem corporal, facilitando a aceitação do novo esquema corporal e o processo de reabilitação. 

Por fim, Zanon24 descreve que a fisioterapia na fase de pré-protetização desempenha um papel fundamental no processo de reabilitação de pacientes amputados, pois prepara o corpo e o coto para o uso adequado da prótese. Dessa forma, a intervenção fisioterapêutica nessa etapa é essencial para otimizar o encaixe protético, reduzir complicações e garantir melhores resultados funcionais e de independência ao paciente.

5. RESULTADOS

O paciente deu entrada na Clínica de Fisioterapia após recesso acadêmico de aproximadamente 1 mês. Ao retornar, paciente não apresentou queixas álgicas e relatou não ter realizado o enfaixamento conforme orientado e nenhum exercício ou conduta fisioterapêutica durante o recesso. 

Ao comparar os dados da avaliação inicial com os da reavaliação, observa-se que o paciente manteve o mesmo quadro funcional, com poucas evoluções e algumas regressões em determinados aspectos. Durante o período de recesso acadêmico, o paciente relatou não ter seguido as orientações fisioterapêuticas, como o enfaixamento do coto e a realização dos exercícios prescritos, o que impactou diretamente na manutenção dos ganhos obtidos anteriormente. Essa falta de adesão ao tratamento contribuiu para a persistência da hipotrofia muscular, da limitação de movimento e da dependência do uso de muletas para a marcha.

No exame físico, a inspeção e palpação demonstraram pequenas alterações entre os dois momentos. Inicialmente, o paciente não apresentava dor à palpação e possuía uma cicatriz de boa qualidade, enquanto na reavaliação foi constatado quadro álgico à palpação profunda, possivelmente associado à falta de estímulo terapêutico e à consequente rigidez tecidual. O equilíbrio de tronco foi mantido como também a ausência de aderências e de alterações de sensibilidade, indicando que não houve comprometimento neural adicional durante o intervalo sem tratamento.

Quanto aos parâmetros articulares e de força muscular, os resultados revelam redução nos arcos de movimento, principalmente nos segmentos de quadril e joelho esquerdo, evidenciando perda de amplitude e flexibilidade. Embora a força muscular tenha permanecido dentro da normalidade (grau 5), a diminuição da mobilidade e da perimetria nos membros inferiores principalmente no coto, reforça o quadro de hipotrofia e desuso. 

A manutenção da marcha com auxílio também confirma a necessidade de continuidade e intensificação do processo fisioterapêutico. Assim, os resultados demonstram a importância da adesão ao tratamento e da realização contínua das condutas propostas, a fim de prevenir regressões funcionais e promover uma reabilitação efetiva.

Na reavaliação, o coto do membro inferior direito apresenta volume muscular reduzido, mantendo sinais de hipotrofia em relação ao membro contralateral. A cicatriz cirúrgica encontra-se íntegra e de boa qualidade, sem sinais de infecção ou aderências. À palpação profunda, observa-se quadro álgico localizado, possivelmente relacionado à rigidez tecidual e à ausência de estímulo fisioterapêutico durante o período de recesso. Não foram identificadas alterações de sensibilidade, indicando preservação neural no coto. Estes achados reforçam a necessidade de continuidade do tratamento fisioterapêutico, com enfoque em fortalecimento, alongamento e cuidados de enfaixamento, visando prevenir regressão funcional e promover adaptação à prótese.

6. CONCLUSÃO

O presente estudo evidenciou a importância da fisioterapia no processo de reabilitação de pacientes amputados, especialmente na fase de pré-protetização. As condutas fisioterapêuticas aplicadas, como alongamentos, cinesioterapia, dessensibilização, enfaixamento compressivo, terapia do espelho, treino de equilíbrio, descarga de peso, treino de marcha e orientações domiciliares, mostraram-se fundamentais para promover a força muscular, a flexibilidade, o equilíbrio postural e a adaptação do paciente à nova condição física. Esses recursos possibilitam a melhora da capacidade funcional e uma maior autonomia e confiança do indivíduo amputado.

Durante o tratamento, observou-se que a adesão às orientações fisioterapêuticas é um fator determinante para o sucesso do processo de reabilitação. A falta de continuidade nos exercícios domiciliares e nas condutas prescritas resultou em regressões nos ganhos funcionais, evidenciando que a constância e o comprometimento do paciente são essenciais para alcançar resultados duradouros. Assim, a fisioterapia desempenha também um papel educativo e motivacional, estimulando a participação ativa do paciente em seu próprio processo de recuperação.

Conclui-se que a intervenção fisioterapêutica na amputação transfemoral é indispensável para a reabilitação eficaz e o retorno às atividades de vida diária. O tratamento fisioterapêutico promove benefícios físicos, psicológicos e sociais, contribuindo para a reintegração do paciente à sociedade com maior independência e qualidade de vida. Dessa forma, reforça-se a necessidade de um acompanhamento contínuo, individualizado e multidisciplinar, que priorize a funcionalidade, o bem-estar e a adaptação plena do paciente amputado à sua nova realidade.

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1Discente do Curso de Fisioterapia da Universidade Iguaçu.
E-mail: barbaracosta242@yahoo.com.br

2Fisioterapeuta Especialista em Neuro Funcional; Docente do Curso de Fisioterapia da Universidade Iguaçu.

3Fisioterapeuta e Mestre em Ciências da Reabilitação; Docente do Curso de Fisioterapia da Universidade Iguaçu.