ACOLHIMENTO DA FAMÍLIA ENLUTADA: ANÁLISE DOS PROTOCOLOS PÓS MORTE NO ÂMBITO HOSPITALAR

SUPPORTING BEREAVED FAMILIES: AN ANALYSIS OF POST-MORTEM PROTOCOLS IN HOSPITAL SETTINGS

ACOGIDA DE LA FAMILIA EN DUELO: ANÁLISIS DE LOS PROTOCOLOS POST-MUERTE EN EL ÁMBITO HOSPITALARIO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511171714


MALHEIRO, Ana Luisa Leite Alves1
SILVA, Kaio Vinicius Lavor2
Orientador: Prof. Dr. LIMA, Maurílio Batista3


RESUMO

O acolhimento da família enlutada no ambiente hospitalar constitui um componente essencial do cuidado humanizado, proporcionando suporte emocional e orientação diante da perda de um ente querido. Este estudo teve como objetivo analisar os protocolos existentes para o manejo da família após o óbito de pacientes, identificando estratégias que promovam conforto, segurança e dignidade durante o processo de luto. A pesquisa caracterizou-se como revisão integrativa da literatura, considerando artigos publicados em bases científicas relevantes nos últimos cinco anos. Os resultados demonstraram que os protocolos hospitalares apresentam variações significativas quanto à estruturação e aplicação, incluindo procedimentos de comunicação do óbito, acompanhamento psicológico imediato e orientações sobre direitos e documentação. Observou-se que práticas sistematizadas de acolhimento contribuem para reduzir o impacto emocional da perda, oferecendo suporte individualizado e fortalecendo o vínculo entre familiares e equipe de saúde. Além disso, a literatura ressaltou a importância da capacitação contínua dos profissionais para o manejo adequado do luto, considerando fatores culturais, sociais e emocionais da família enlutada. A análise indicou que, embora haja avanços na institucionalização de protocolos de acolhimento, ainda persistem lacunas na padronização das práticas e na efetividade do suporte oferecido. Conclui-se que a implementação de protocolos claros e humanizados é fundamental para promover cuidado integral, assegurando respeito, empatia e assistência emocional às famílias em luto. Tais medidas contribuem para a qualidade do atendimento hospitalar e para a mitigação dos efeitos psicológicos da perda.

Palavras-chave: Acolhimento familiar; Luto; Protocolos hospitalares.

ABSTRACT

Welcoming bereaved families in the hospital setting is an essential component of humane care, providing emotional support and guidance in the face of the loss of a loved one. This study aimed to analyze existing protocols for managing families after the death of patients, identifying strategies that promote comfort, safety, and dignity during the grieving process. The research was characterized as an integrative literature review, considering articles published in relevant scientific journals over the last five years. The results demonstrated that hospital protocols vary significantly in structure and application, including procedures for communicating the death, immediate psychological support, and guidance on rights and documentation. It was observed that systematic support practices contribute to reducing the emotional impact of loss, offering individualized support and strengthening the bond between family members and the healthcare team. Furthermore, the literature highlighted the importance of ongoing training for professionals in appropriate grief management, considering the cultural, social, and emotional factors of the bereaved family. The analysis indicated that, although progress has been made in institutionalizing reception protocols, gaps remain in the standardization of practices and the effectiveness of the support provided. It is concluded that the implementation of clear and humane protocols is essential to promote comprehensive care, ensuring respect, empathy, and emotional support for grieving families. Such measures contribute to the quality of hospital care and to mitigating the psychological effects of loss.

Keywords: Family reception; Bereavement; Hospital protocols.

RESUMEN

El apoyo a las familias en duelo en el ámbito hospitalario es un componente esencial de la atención humana, brindando apoyo emocional y orientación ante la pérdida de un ser querido. Este estudio tuvo como objetivo analizar los protocolos existentes para la gestión familiar tras el fallecimiento de pacientes, identificando estrategias que promuevan el confort, la seguridad y la dignidad durante el proceso de duelo. La investigación se caracterizó por ser una revisión bibliográfica integradora, considerando artículos publicados en revistas científicas relevantes durante los últimos cinco años. Los resultados demostraron que los protocolos hospitalarios varían significativamente en su estructura y aplicación, incluyendo los procedimientos para la comunicación del fallecimiento, el apoyo psicológico inmediato y la orientación sobre derechos y documentación. Se observó que las prácticas sistemáticas de apoyo contribuyen a reducir el impacto emocional de la pérdida, ofreciendo apoyo individualizado y fortaleciendo el vínculo entre los familiares y el equipo de atención médica. Además, la literatura destacó la importancia de la formación continua de los profesionales en la gestión adecuada del duelo, considerando los factores culturales, sociales y emocionales de la familia en duelo. El análisis indicó que, si bien se ha avanzado en la institucionalización de los protocolos de recepción, persisten lagunas en la estandarización de las prácticas y la eficacia del apoyo brindado. Se concluye que la implementación de protocolos claros y humanizados es esencial para promover una atención integral, garantizando el respeto, la empatía y el apoyo emocional a las familias en duelo. Estas medidas contribuyen a la calidad de la atención hospitalaria y a mitigar los efectos psicológicos de la pérdida.

Palabras clave: Acogida familiar; Duelo; Protocolos hospitalarios.

1. INTRODUÇÃO

A morte é um evento inevitável e universal, mas sua vivência pode variar conforme o contexto em que ocorre. No ambiente hospitalar, esse momento é frequentemente marcado por protocolos clínicos e burocráticos, que nem sempre incluem uma abordagem humanizada para os familiares do paciente falecido. A forma como essa comunicação é feita e o suporte oferecido pela equipe de saúde podem influenciar significativamente o processo de luto, tornando-o mais suportável ou, ao contrário, potencialmente traumático (Ribeiro et al., 2020).

No contexto hospitalar, a transição entre a perda do paciente e o início do luto da família exige sensibilidade por parte dos profissionais de saúde. No entanto, observa-se que muitos hospitais carecem de protocolos bem estruturados para orientar essa abordagem, o que pode resultar em atendimentos fragmentados e pouco acolhedores (Nascimento, 2020).

O luto é um fenômeno complexo, que envolve reações emocionais, psicológicas e sociais. Cada indivíduo o vivencia de maneira única, sendo influenciado por fatores como crenças pessoais, apoio social e a maneira como ocorreu a morte (Freitas; Melo; Pacheco, 2020). 

Os protocolos hospitalares pós-morte desempenham um papel essencial na humanização do atendimento, oferecendo diretrizes para que os profissionais lidem com os familiares de maneira empática e respeitosa. A comunicação clara, o suporte psicológico e o acompanhamento adequado são fatores que podem auxiliar os enlutados a enfrentarem essa fase de forma menos traumática (Cengiz et al., 2021). 

No entanto, observa-se que muitas instituições de saúde ainda possuem lacunas na implementação de práticas efetivas para esse momento crítico. Apesar da importância do tema, ainda há lacunas significativas na literatura e na prática hospitalar sobre a abordagem da família após o falecimento de um paciente (Ugioni, 2020). 

Muitas instituições priorizam os aspectos técnicos do atendimento, deixando em segundo plano o cuidado emocional com os familiares. Dessa forma, torna-se fundamental compreender como esses protocolos estão sendo aplicados e quais melhorias podem ser implementadas para otimizar essa assistência (Rochi, 2020).

O luto é um processo natural e inevitável que afeta profundamente os familiares de um paciente falecido. No ambiente hospitalar, a forma como os profissionais de saúde lidam com a comunicação da morte e o acolhimento da família pode impactar significativamente a vivência desse momento, influenciando a adaptação emocional dos enlutados. No entanto, muitos hospitais não possuem protocolos bem estruturados para orientar essa abordagem, o que pode resultar em experiências desumanizadas e sofrimento prolongado para os familiares.

Diante disso, este estudo justifica pela necessidade de investigar e aprimorar os protocolos hospitalares voltados ao acolhimento da família após a morte do paciente. Compreender como os hospitais lidam com esse momento crítico e propor estratégias mais humanizadas pode contribuir para minimizar impactos negativos, melhorar a atuação dos profissionais de saúde e oferecer um suporte mais eficaz às famílias enlutadas. Além disso, o tema tem relevância não apenas para a área da saúde, mas também para a sociedade como um todo, uma vez que uma abordagem mais sensível e estruturada pode facilitar o processo de luto e fortalecer a relação entre profissionais e familiares.

Dessa forma tem o seguinte problema: De que maneira os protocolos hospitalares influenciam a experiência da família enlutada? 

O estudo tem como objetivo principal: analisar os protocolos hospitalares relacionados ao acolhimento da família após a morte do paciente, identificando boas práticas e possíveis lacunas no suporte oferecido. E ainda como específico: identificar os protocolos existentes em hospitais para o atendimento à família pós-morte, investigar o impacto da abordagem hospitalar no processo de luto dos familiares e propor sugestões para a humanização e aprimoramento das práticas de acolhimento pós-morte no ambiente hospitalar.

2. METODOLOGIA

A pesquisa foi realizada por meio de uma busca estruturada nas principais bases de dados científicas, como PubMed, Scopus, Lilacs e Medline. Foram utilizados descritores específicos para a temática, como “luto”, “protocolos hospitalares”, “apoio familiar”, “morte hospitalar”, “abordagem pós-morte” e “saúde mental da família”. A busca foi restrita a artigos publicados nos últimos dez anos, garantindo que a pesquisa estivesse atualizada e refletisse as práticas e abordagens contemporâneas adotadas pelos hospitais. Além disso, os critérios de inclusão foram direcionados a estudos que abordaram protocolos formais ou informais implementados em unidades hospitalares para lidar com o luto dos familiares, estratégias de apoio psicológico e social e o impacto dessas abordagens na recuperação emocional e psicológica dos enlutados.

A seleção dos artigos foi realizada inicialmente pela leitura de títulos e resumos, com a exclusão daqueles que não tratavam diretamente das questões propostas pelo tema. Em seguida, os estudos selecionados foram lidos na íntegra, e dados relevantes foram extraídos, incluindo informações sobre os protocolos hospitalares implementados, os tipos de apoio oferecidos aos familiares após a morte e os resultados relacionados ao bem-estar psicológico dos familiares. A análise se concentrou nas variações de abordagem entre diferentes instituições e em como essas práticas influenciaram o processo de luto e a adaptação emocional dos familiares. A coleta de dados integrou evidências sobre diferentes aspectos da assistência hospitalar pós-morte, incluindo a presença de suporte psicológico, grupos de apoio e a comunicação hospitalar com os familiares.

A síntese dos resultados foi realizada de maneira narrativa, agrupando os dados de acordo com os temas mais relevantes, como os protocolos hospitalares, a intervenção psicológica e a percepção dos familiares sobre o apoio recebido. A análise crítica dos estudos incluiu a avaliação da qualidade metodológica dos artigos, considerando fatores como o desenho do estudo, tamanho da amostra e possíveis vieses. Também foi discutida a eficácia dos protocolos adotados, identificando pontos fortes e limitações nas abordagens existentes, além de sugerir direções para pesquisas futuras, como o desenvolvimento de modelos de intervenção mais integrados ou maior personalização no apoio aos enlutados.

Além disso, foi explorado o impacto do apoio hospitalar na saúde mental dos familiares, considerando fatores como a redução de transtornos de ansiedade, depressão e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento adequadas ao luto. A revisão integrativa proporcionou, portanto, uma análise aprofundada sobre as práticas de cuidado aos familiares após a morte de um paciente, permitindo a identificação de boas práticas e lacunas no atendimento. A conclusão da pesquisa contribuiu para a criação ou melhoria de protocolos mais sensíveis e eficazes, promovendo um cuidado integral e humanizado aos familiares enlutados.

3. RESULTADOS 

Os resultados deste estudo foram organizados em duas etapas. A primeira consistiu na caracterização dos estudos selecionados, enquanto a segunda abordou os objetivos da pesquisa, direcionados à análise das produções científicas capazes de elucidar a questão central investigada. Essa estratégia metodológica possibilitou uma organização sistemática e criteriosa dos achados, facilitando a compreensão e a interpretação dos resultados obtidos.

A caracterização dos estudos analisados (N=12) evidenciou que, em sua maioria, tratava-se de pesquisas de abordagem qualitativa, voltadas à compreensão do acolhimento e suporte prestado às famílias enlutadas no ambiente hospitalar. A análise, realizada a partir de bases de dados online, apontou predominância homogênea de publicações provenientes da base BVS. Em relação ao período, observou-se um aumento progressivo das publicações nos últimos anos, indicando crescente interesse sobre as práticas de acolhimento e os protocolos institucionais adotados após a morte de pacientes. Quanto ao idioma, houve maior concentração de estudos em língua portuguesa (n=9), todos abordando estratégias de apoio psicológico, social e emocional para famílias em luto no contexto hospitalar.

A maior parte dos estudos analisados investigou os protocolos pós-morte adotados em hospitais, com ênfase nas práticas de acolhimento, comunicação do óbito, acompanhamento psicológico imediato e orientação aos familiares sobre procedimentos administrativos e cuidados subsequentes. As pesquisas relataram os principais aspectos relacionados ao suporte emocional, grupos de apoio, estratégias de intervenção e sensibilização da equipe de saúde, além de discutir a eficácia dessas práticas e sugerir melhorias para o cuidado integral às famílias enlutadas, conforme apresentado no quadro 1 a seguir.

Quadro 1- Distribuição dos artigos incluídos nesta revisão de literatura segundo o ano de publicação, autor e título.

ANOAUTORTÍTULORELEVÂNCIA 
2022BÖGER, R.; BELLAGUARDA, M. L. R.; KNIHS, N. S.; MANFRINI, G. C.; ROSA, L. M.; SANTOS, M. J.; CARAVACA-MORERA, J. A.Palliative professionals: stressors imposed on the team in the death and dying process.Analisa o estresse e a sobrecarga emocional enfrentados por profissionais de cuidados paliativos, destacando a necessidade de suporte institucional e psicológico às equipes.
2021CENGIZ, Z.; TURAN, M.; OLMAZ, D.; ERCE, Ç.Care Burden and Quality of Life in Family Caregivers of Palliative Care Patients.Avalia o impacto do cuidado paliativo sobre a qualidade de vida dos familiares cuidadores, enfatizando a importância do apoio psicológico e social.
2021COSTA, B. M.; SILVA, D. A.Performance of the nursing team in palliative care.Descreve o papel da equipe de enfermagem nos cuidados paliativos e sua relevância na promoção do conforto e acolhimento dos pacientes e familiares.
2020FREITAS, D. do N.; MELO, T. E. A. de; PACHECO, K. H.Cuidados paliativos no Brasil: um olhar da psicologia sobre o familiar cuidador, paciente e equipe de saúde.Aborda a importância da psicologia nos cuidados paliativos, explorando o apoio emocional oferecido ao paciente, familiares e equipe.
2024NASCIMENTO, M. S.; FARAH, N. C.; FONSECA, A. D. G.; AMORIM, T. V.; FARÃO, E. M. D.; PAIVA, A. C. P. C.Cuidados paliativos à pessoa com ferida neoplásica: percepções e práticas da equipe de enfermagem.Evidencia práticas humanizadas no manejo da dor e do sofrimento, reforçando o papel da enfermagem no acolhimento e cuidado integral.
2020NASCIMENTO, P.Psicologia do luto em tempo de covid-19: Pequeno manual para o acompanhamento de pessoas em luto persistente.Discute estratégias psicológicas de apoio durante o luto, especialmente no contexto pandêmico, com foco na escuta ativa e na empatia.
2020RIBEIRO, C. B. N.; SOUZA, D. O. de; HORST, E. P. C.; ALVES, E. C.; ZAZATT, T. de A. L.; FITARONI, J. A.Atuação do psicólogo nos cuidados paliativos.Analisa a função do psicólogo na equipe multiprofissional, enfatizando o suporte emocional aos pacientes e familiares no processo de finitude.
2020ROCHI, M.A relevância do apoio psicológico para familiares das pessoas em cuidados paliativos.Enfatiza o valor do acompanhamento psicológico aos familiares durante e após o processo de morte, reduzindo sofrimento e favorecendo o enfrentamento.
2021RODRIGUES, M. A. M.A morte na perspectiva biológica e espiritual na relação de um fenômeno natural ce

Fonte: Autores, 2025.

4. DISCUSSÃO

4.1 Práticas institucionais de acolhimento à família enlutada

Os resultados desta pesquisa foram organizados para identificar as práticas de acolhimento da família enlutada adotadas em diferentes instituições hospitalares. A análise dos estudos evidenciou que a maioria das unidades possui protocolos formais ou informais para oferecer suporte psicológico e social às famílias, embora a sistematização ainda seja limitada em diversos contextos (Rochi, 2020).

Os protocolos hospitalares analisados incluem procedimentos de comunicação do óbito, acompanhamento psicológico imediato e orientações sobre direitos e documentação. Tais medidas são essenciais para garantir que a família receba informações claras e suporte adequado, diminuindo o impacto do luto (Silva et al., 2023).

Estudos indicaram que o suporte oferecido aos familiares varia conforme a cultura institucional, experiência da equipe e disponibilidade de recursos. A presença de grupos de apoio e acompanhamento contínuo é apontada como fator que melhora a adaptação emocional dos familiares (Freitas et al., 2020).

As práticas de acolhimento pós-morte também incluem orientações sobre cuidados paliativos e suporte ao paciente terminal, com impacto direto na experiência da família e na percepção de cuidado humanizado (Costa; Silva, 2021).

Desafios e preparo dos profissionais de saúde

A caracterização das práticas indicou que os profissionais de saúde enfrentam grande carga emocional ao lidar com a morte de pacientes, sendo necessário apoio institucional e estratégias de cuidado voltadas também para a equipe. Observou-se que enfermeiros e médicos frequentemente experimentam estresse ocupacional, que pode impactar a qualidade do atendimento aos familiares enlutados (Böger et al., 2022).

A atuação do psicólogo no contexto hospitalar mostrou-se fundamental para a mediação emocional, avaliação de vulnerabilidades e implementação de estratégias de enfrentamento para familiares em luto persistente. Profissionais capacitados contribuem para reduzir sintomas de ansiedade e depressão nos enlutados (Ribeiro et al., 2020).

Além disso, a literatura ressaltou que a formação acadêmica dos profissionais de saúde influencia diretamente na capacidade de acolher e apoiar famílias enlutadas. Estudantes de medicina e enfermagem relatam lacunas em sua preparação para lidar com a morte e o luto, evidenciando necessidade de treinamentos específicos (Siqueira et al., 2022).

O apoio interdisciplinar mostrou-se eficaz para garantir cuidado integral. Equipes compostas por psicólogos, enfermeiros, médicos e assistentes sociais permitiram a troca de informações e o desenvolvimento de estratégias mais completas de intervenção no luto familiar (Ugioni, 2020).

Humanização, comunicação e dimensões do luto

A comunicação empática e a humanização do atendimento emergem como elementos centrais nos protocolos analisados. Estruturas organizacionais que priorizam o diálogo e a escuta ativa favorecem o conforto emocional e a percepção de suporte pelos familiares (Cengiz et al., 2021).

O acompanhamento psicológico mostrou-se particularmente relevante durante crises sanitárias, como a pandemia de COVID-19, em que o luto persistente foi mais frequente e intensificado pela impossibilidade de despedidas presenciais (Nascimento, P., 2020).

Foi observado que fatores biológicos, espirituais e culturais influenciam a vivência do luto, sendo fundamental que os protocolos hospitalares considerem essas dimensões na abordagem aos familiares (Rodrigues, 2021).

Por fim, a análise dos estudos evidenciou que a implementação de protocolos claros, humanizados e baseados em evidências contribui para a redução do sofrimento emocional dos familiares e fortalece a prática clínica, garantindo atenção integral tanto ao paciente quanto à família (Nascimento et al., 2024).

5. CONCLUSÃO

A análise dos estudos indicou que o acolhimento da família enlutada constitui uma prática essencial para a promoção do cuidado humanizado no ambiente hospitalar. Os protocolos pós-morte, embora presentes em muitas instituições, ainda apresentam variações significativas quanto à aplicação, abrangência e sistematização, demonstrando a necessidade de maior uniformização e implementação de estratégias padronizadas.

Observou-se que o suporte psicológico, a comunicação empática e o acompanhamento contínuo são elementos centrais para minimizar o impacto emocional do luto, contribuindo para a adaptação emocional dos familiares e para a redução de sintomas de ansiedade, depressão e sofrimento prolongado. Além disso, o envolvimento interdisciplinar, com atuação conjunta de psicólogos, enfermeiros, médicos e assistentes sociais, mostrou-se eficaz na oferta de cuidado integral e na construção de experiências mais acolhedoras.

A formação acadêmica e a capacitação dos profissionais de saúde também se mostraram determinantes para a qualidade do acolhimento, evidenciando lacunas no preparo dos estudantes de medicina e enfermagem para lidar com situações de morte e luto. Tais achados reforçam a importância de incluir treinamentos específicos e contínuos sobre o manejo do luto e comunicação de óbitos nos currículos e programas de educação continuada.

Em síntese, os resultados indicam que a implementação de protocolos claros, humanizados e baseados em evidências favorece a atenção integral à família enlutada, promovendo suporte emocional adequado e fortalecendo a prática clínica. Recomenda-se que futuras pesquisas busquem avaliar a efetividade desses protocolos, identifiquem boas práticas e proponham estratégias que possibilitem maior uniformidade no acolhimento, garantindo que os familiares recebam cuidado humanizado e consistente em diferentes contextos hospitalares.

REFERÊNCIAS

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1,2Discente do curso de Medicina da UNICET – Teresina.
3Docente da UNICET – Teresina.