REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511171725
Joyce Kellen Santana Leite1
Iasmin Pinheiro Cantanhede2
Rebeca Caroline Santos dos Reis3
Ingrid Beatriz Costa Beckman4
RESUMO
A busca pela melhoria da autoimagem tem impulsionado o avanço em práticas estéticas, destacando-se a harmonização glútea como uma alternativa minimamente invasiva para aprimoramento estético e funcional dos glúteos. A crescente valorização da estética glútea reflete tendências culturais e sociais e a influência dos ideais de beleza contemporâneos. Este projeto de pesquisa, apresentado como requisito parcial para a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso de Bacharelado em Biomedicina , teve como objetivo analisar os impactos biomédicos e estéticos da harmonização glútea diante dos padrões de beleza atuais. A metodologia consistiu em uma revisão bibliográfica narrativa, com pesquisas em bases científicas como BVS, LILACS, SciELO e PubMed. Os principais biomateriais e técnicas identificados incluem os bioestimuladores de colágeno, como o ácido poli L-lático (PLLA) e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA), além do ácido hialurônico. Estes compostos promovem neocolagênese, melhorando a densidade dérmica e proporcionando aumento volumétrico gradual e natural. Técnicas complementares como a subcisão, carboxiterapia e terapia por ondas de choque também foram destacadas por potencializarem os resultados. Além dos ganhos físicos, a harmonização glútea apresenta impactos psicossociais relevantes, contribuindo significativamente para o fortalecimento da autoestima e da autoimagem corporal, elementos centrais na saúde mental e bem-estar subjetivo. A atuação de profissionais experientes e o domínio técnico são essenciais para a segurança do procedimento e para o alcance de resultados estéticos satisfatórios, que superem a dimensão técnica e promovam saúde emocional e social.
Palavras-chave: Harmonização Glútea, Bioestimuladores de Colágeno, Autoestima.
ABSTRACT
The pursuit of improved self-image has driven advancements in aesthetic practices, with gluteal harmonization emerging as a minimally invasive alternative for the aesthetic and functional enhancement of the buttocks. The growing appreciation for gluteal aesthetics reflects cultural and social trends and the influence of contemporary beauty ideals. This research project, presented as a partial requirement for the completion of the Biomedical Sciences degree, aimed to analyze the biomedical and aesthetic impacts of gluteal harmonization in the context of current beauty standards. The methodology adopted was a narrative bibliographic review, with searches conducted in scientific databases such as BVS, LILACS, SciELO, and PubMed. The main biomaterials and techniques identified include collagen biostimulators, such as poly-L-lactic acid (PLLA) and calcium hydroxyapatite (CaHA), in addition to hyaluronic acid. These compounds promote neocollagenesis, improving dermal density and providing gradual, natural-looking volume increase. Complementary techniques like subcision, carboxytherapy, and shockwave therapy were also highlighted for their role in enhancing results. Beyond physical gains, gluteal harmonization demonstrates relevant psychosocial impacts, significantly contributing to the strengthening of self esteem and body image, which are central elements of mental health and subjective well-being. The involvement of experienced professionals and technical mastery is essential for procedure safety and achieving satisfactory aesthetic outcomes that go beyond the technical dimension and promote emotional and social health.
Keywords: Gluteal Harmonization , Collagen Biostimulators , Self-Esteem
1 INTRODUÇÃO
A busca pela melhoria da autoimagem e do bem-estar tem impulsionado avanços significativos nas práticas de cuidados estéticos contemporâneos. Nesse contexto, a harmonização corporal, especialmente a harmonização glútea, emerge como uma área de destaque, ao oferecer alternativas minimamente invasivas para o aprimoramento estético e funcional dos glúteos, com impactos diretos sobre a autoestima e a percepção corporal feminina (Barbosa, 2024).
A crescente valorização da estética glútea reflete não apenas uma tendência cultural e social, mas também uma resposta aos ideais de beleza que moldam as identidades e experiências das mulheres na contemporaneidade. Nos últimos anos, observou-se uma evolução notável nas técnicas e nos materiais empregados na harmonização glútea, sobretudo com o advento dos bioestimuladores de colágeno reabsorvíveis, como o ácido poli-L-lático (PLLA) e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA).
Esses compostos representam um marco no campo da medicina estética, pois promovem a produção natural de colágeno, proporcionando resultados mais sutis e progressivos, além de contribuir para o fortalecimento da autoconfiança e satisfação pessoal das pacientes (Menegat, 2022).
A literatura científica tem consolidado evidências acerca da eficácia e segurança desses procedimentos. Estudos nacionais e internacionais ressaltam que os bioestimuladores de colágeno apresentam versatilidade de aplicação, podendo ser utilizados em diversas áreas corporais, e evidenciam benefícios psicológicos relevantes, associados à melhora da autoimagem e à percepção de rejuvenescimento (Bass, 2020).
Essas descobertas reforçam o papel interdisciplinar da estética, que abarca dimensões biomédicas, psicológicas e socioculturais. Paralelamente ao uso de bioestimuladores, novas tecnologias têm sido incorporadas à prática clínica, como a carboxiterapia e os dispositivos de massagem vibracional. Essas técnicas complementares objetivam melhorar o contorno corporal, reduzir a celulite e estimular a circulação sanguínea, promovendo uma abordagem estética mais integrada (Barbosa et al., 2024).
Tal integração entre ciência e tecnologia reflete o avanço de uma medicina estética cada vez mais pautada pela segurança, naturalidade e funcionalidade. No entanto, os debates sobre harmonização glútea extrapolam o domínio técnico. Pesquisadores têm enfatizado a necessidade de uma compreensão holística desses procedimentos, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também o impacto psicológico e emocional das intervenções estéticas (Lin et al., 2020).
A percepção corporal feminina é fortemente influenciada por fatores socioculturais, e a estética, nesse contexto, pode atuar tanto como ferramenta de empoderamento quanto como reflexo de pressões sociais internalizadas. No Brasil, a relevância do tema é acentuada por uma cultura que valoriza fortemente a aparência física e o cuidado com o corpo.
A harmonização glútea, nesse cenário, tem sido objeto de estudo e prática clínica crescente, impulsionada pela contribuição de profissionais e pesquisadores que aliam técnicas biomédicas a abordagens de valorização da autoestima feminina (Durán Vega, 2023). Essa realidade reforça a importância de compreender o fenômeno não apenas como tendência estética, mas como expressão sociocultural e identidade corporal.
Entre os materiais mais utilizados, o PLLA destaca-se pela sua ação bioestimuladora, promovendo aumento gradual de volume e firmeza, sendo indicado para regiões onde se busca rejuvenescimento e redefinição de contornos. Já a CaHA é preferida em casos que demandam resultados imediatos, proporcionando maior volumização e estruturação. A escolha entre os dois depende das necessidades específicas do paciente e da experiência do profissional, sendo essencial considerar riscos e intercorrências, como reações inflamatórias e formação de nódulos (Barbosa et al., 2024).
A problemática central que orienta este artigo reside na relação entre os avanços técnicos da harmonização glútea e seus impactos sobre a autoestima feminina. Compreender de que forma esses procedimentos influenciam a percepção de beleza, autoconfiança e bem-estar psicológico é fundamental para o desenvolvimento de abordagens mais éticas, seguras e humanizadas. Assim, investiga-se como a medicina estética contemporânea pode atuar não apenas como instrumento de modificação corporal, mas também como promotora de saúde emocional e social.
O objetivo geral deste estudo é analisar os impactos biomédicos e estéticos da harmonização glútea diante dos padrões de beleza atuais. Como objetivos específicos, busca se: identificar os principais biomateriais e técnicas aplicadas; examinar o papel dos bioestimuladores de colágeno na harmonização glútea; e investigar os aspectos psicossociais associados a tais procedimentos. A integração desses objetivos permitirá compreender a complexidade das práticas estéticas e seus reflexos sobre a construção da autoestima feminina.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 BIOMATERIAIS E TÉCNICAS UTILIZADAS NA HARMONIZAÇÃO GLÚTEA
A harmonização glútea constitui uma abordagem estética contemporânea caracterizada por um conjunto articulado de procedimentos destinados à otimização da simetria, proporção e contorno dos glúteos. Este conjunto de intervenções visa primordialmente a obtenção de uma silhueta corporal equilibrada, respeitando os princípios de naturalidade e harmonia anatômica (Barbosa et al., 2024).
No cerne dessa evolução técnica, observa-se a consolidação de práticas minimamente invasivas, com destaque para a aplicação de bioestimuladores de colágeno. Tais substâncias, ao induzirem a neocolagênese in situ, promovem resultados progressivos e duradouros, com evidente melhoria na qualidade tegumentar e incremento volumétrico com aparência fisiológica(Lin, 2020).
Historicamente, os procedimentos voltados à estética glútea eram majoritariamente cirúrgicos, como a gluteoplastia com implantes de silicone ou a lipoenxertia autóloga. Embora essas intervenções apresentassem boa capacidade de redefinição volumétrica, a variabilidade dos resultados, associada ao potencial significativo de complicações pós-operatórias, impunha limitações substanciais em termos de previsibilidade, segurança e bem-estar do paciente (De Oliveira et al., 2021).
2.1.1 PLLA
A introdução de agentes como o ácido poli-L-lático (PLLA) e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA) constitui, nesse contexto, uma inflexão importante no campo da medicina estética glútea. Essas substâncias, ao estimularem a produção endógena de colágeno, exercem duplo efeito: melhoram a elasticidade e densidade dérmica, ao mesmo tempo em que promovem um aumento volumétrico gradual e naturalmente integrado à morfologia glútea (Meline, 2022).
A progressiva consolidação de técnicas menos invasivas na harmonização glútea configura uma resposta adaptativa às demandas contemporâneas por procedimentos estéticos que minimizem o trauma tecidual, reduzam o desconforto e, simultaneamente, promovam resultados de elevada qualidade estética e durabilidade ( Nogueiroa et al., 2022).
Tal tendência é impulsionada não apenas por motivações clínicas, mas também por uma mudança na percepção dos próprios pacientes, que priorizam intervenções seguras, com menor tempo de recuperação e alinhadas à estética natural do corpo (Durán Vega, 2023).
Nesse contexto, o protagonismo de abordagens personalizadas é evidente: a adequação das técnicas às particularidades anatômicas e às expectativas individuais promove não apenas resultados mais autênticos, mas também uma elevação significativa na satisfação subjetiva do paciente (Silva et al., 2022).
Entre os avanços mais notáveis neste escopo, destaca-se a utilização do ácido hialurônico como agente de preenchimento na região glútea. Este polímero natural, reconhecido por sua biocompatibilidade e capacidade higroscópica, desempenha papel crucial na hidratação tecidual, ao mesmo tempo em que oferece incremento volumétrico imediato no local da aplicação (Duan, 2018).
2.1.2 CaHA
hidroxiapatita de cálcio (CaHA) é um biomaterial sintético composto por microesferas de fosfato e cálcio suspensas em um gel carreador de carboximetilcelulose. Estruturalmente semelhante ao mineral encontrado nos ossos e dentes humanos, apresenta excelente biocompatibilidade, sendo gradualmente biodegradável e bioestimulador. Após sua injeção, o gel oferece um preenchimento imediato que é progressivamente substituído por colágeno novo, graças à estimulação dos fibroblastos locais, promovendo uma melhora da firmeza e qualidade da pele (Nogueira, 2022).
Na medicina estética, a CaHA é utilizada principalmente para preenchimento e bioestimulação tecidual, sendo aprovada para o tratamento de rugas e perdas de volume facial. Contudo, seu uso também se estende ao contorno corporal, especialmente em procedimentos de preenchimento glúteo, embora essa aplicação ainda seja considerada off-label por órgãos reguladores como a FDA (Sadowski, 2020).
No preenchimento glúteo, a hidroxiapatita de cálcio é injetada nas camadas profundas do subcutâneo ou na fáscia muscular, utilizando cânulas de calibre apropriado. O objetivo principal não é apenas o aumento volumétrico, mas sobretudo a bioestimulação, promovendo uma remodelação progressiva da região tratada. O efeito imediato decorre do volume do gel carreador, enquanto os efeitos a médio e longo prazo resultam da formação de novas fibras de colágeno tipo I e elastina (Nogueira,2022).
Entre as vantagens da utilização de CaHA no preenchimento glúteo destacam-se a natureza minimamente invasiva do procedimento, a rápida recuperação, o baixo risco de complicações graves quando realizada por profissionais habilitados e a obtenção de resultados naturais e progressivos. Além disso, não há risco de rejeição imunológica, dada a biocompatibilidade do material (Nogueira,2022).
Por outro lado, é importante destacar que, como em qualquer procedimento estético, existem riscos, incluindo a possibilidade de formação de nódulos, granulomas, assimetrias ou infecções. Tais complicações são mais comuns quando a técnica é inadequada ou realizada por profissionais não qualificados (Barbosa,2024). Por esse motivo, o conhecimento profundo da anatomia glútea e das técnicas de aplicação é essencial para minimizar riscos.
2.1.3 ÁCIDO HIALURÔNICO
A aplicação do ácido hialurônico na harmonização glútea ultrapassa os ganhos meramente estéticos. Ao conferir forma, volume e simetria com aparência natural, contribui de maneira significativa para o fortalecimento da autoestima e da autoimagem corporal dos pacientes (Durán,2023).
Técnicas de aplicação estratégicas, cuidadosamente planejadas, permitem a obtenção de resultados que respeitam a anatomia individual, evitando o aspecto artificial por vezes observado em preenchimentos mal executados (Durán, 2023). Tais práticas evidenciam uma transição epistemológica na medicina estética, de procedimentos padronizados para intervenções sob medida, de alta precisão técnica.
Além de seu efeito volumizador, o ácido hialurônico da nova geração é também reconhecido por seu potencial bioestimulador, promovendo a neocolagênese e contribuindo, de maneira sustentada, para a melhora da qualidade dérmica e para a manutenção dos resultados ao longo do tempo (Menegat et al., 2022). Este efeito dual — preenchedor e bioestimulador — posiciona o ácido hialurônico como uma ferramenta terapêutica de alto valor na prática estética moderna.
A subcisão configura-se como uma técnica minimamente invasiva amplamente empregada no tratamento de irregularidades dérmicas, sobretudo depressões cutâneas associadas à celulite e cicatrizes(Bass, 2020).
O procedimento consiste na introdução controlada de uma agulha especialmente desenhada sob a pele, com o objetivo de seccionar as traves fibrosas do tecido conjuntivo que tracionam a derme em direção ao plano profundo, gerando as deformidades típicas, como os “furinhos” da celulite (Bass & Kaminer, 2020). Essa liberação mecânica permite a elevação da pele e, consequentemente, uma suavização das imperfeições superficiais.
Além do efeito físico imediato decorrente do rompimento das bandas fibróticas, a subcisão promove um relevante estímulo biológico. A lesão subdérmica induzida ativa o processo de reparação tecidual, estimulando a síntese de colágeno e elastina. Esses componentes estruturais da matriz extracelular são fundamentais para restaurar a firmeza, elasticidade e homogeneidade da pele, conferindo resultados progressivos e duradouros (Bunyatyan et al., 2018).
Nesse sentido, a técnica de subcisão não se restringe a uma intervenção corretiva, mas incorpora um componente bioestimulador que a diferencia de abordagens puramente mecânicas.
Quanto ao perfil de segurança, a subcisão apresenta baixo índice de complicações. Os efeitos adversos mais frequentemente relatados incluem hematomas autolimitados, edema transitório e desconforto leve no local da intervenção — manifestações esperadas do processo inflamatório agudo pós-procedimento, que tendem à resolução espontânea (Sadowski et al., 2020).
Para assegurar a máxima eficácia e segurança, é imperativo que a técnica seja executada por profissional habilitado, utilizando instrumentos apropriados, como a agulha Nokor ou variantes específicas. A inserção única da agulha, geralmente por um ponto estratégico, reduz o risco de infecções e promove um redesenho eficaz do tecido subcutâneo. Conforme salientado por Durán Vega (2023) e Sadala (2023), a avaliação prévia do tipo de pele, grau da celulite e características anatômicas é essencial para a individualização do tratamento e para a mitigação de riscos.
A aplicabilidade da subcisão mostra-se particularmente vantajosa em regiões amplas e mais resistentes, como glúteos e coxas — áreas onde a celulite tende a ser mais pronunciada e de difícil manejo. Nessas zonas anatômicas, a liberação das traves fibróticas proporciona um remodelamento cutâneo mais harmônico e natural, com manutenção prolongada dos resultados (De Oliveira et al., 2021).
Ao induzir mecanismos endógenos de regeneração tecidual, a subcisão transcende a função meramente estética, assumindo um papel restaurador da integridade e funcionalidade da pele. A incorporação dessa técnica em protocolos integrativos de harmonização corporal reflete uma evolução paradigmática na medicina estética, conforme discutido por Barbosa et al., (2024).
2.2 TECNOLOGIAS COMPLEMENTARES NA HARMONIZAÇÃO GLÚTEA
A harmonização glútea, enquanto abordagem estética contemporânea, não se restringe ao uso de técnicas invasivas ou à aplicação isolada de bioestimuladores, como o ácido poli-L lático e a hidroxiapatita de cálcio. O campo tem incorporado um leque cada vez mais amplo de tecnologias complementares que potencializam os resultados, ampliando as possibilidades terapêuticas e proporcionando maior conforto e eficácia para os pacientes. (Durán Vega, 2023).
Entre as tecnologias mais utilizadas no contexto da harmonização glútea está a carboxiterapia, técnica baseada na infusão subcutânea de dióxido de carbono medicinal. Ao promover uma melhora significativa na oxigenação e circulação tecidual, esse procedimento estimula a regeneração celular e favorece a elasticidade cutânea (Zhang et al., 2022)
Outra inovação amplamente incorporada é a terapia por ondas de choque, que utiliza pulsos acústicos de alta energia para gerar microtraumas controlados no tecido conjuntivo, esses estímulos desencadeiam processos de reparo tecidual e formação de novo colágeno, resultando em melhora da firmeza e textura da pele. Conforme observado por Bass & Kaminer (2020), essa técnica demonstrou resultados expressivos na redução da celulite, sendo considerada uma estratégia coadjuvante valiosa em protocolos integrativos.
Complementarmente, o uso de dispositivos de massagem vibracional tem se mostrado eficaz na otimização dos efeitos terapêuticos de preenchedores e bioestimuladores. Tais dispositivos atuam na microcirculação local e no relaxamento muscular, promovendo não apenas conforto, mas também potencializando a distribuição dos ativos aplicados. Em estudo conduzido por Sadowski et al. (2020), verificou-se uma redução significativa — tanto objetiva quanto subjetiva — da celulite após 24 semanas de uso contínuo desses dispositivos, evidenciando seu papel como ferramenta complementar de baixo risco.
Destaca-se ainda a tecnologia Hyaluron Pen, também chamada de caneta pressurizada, que permite a aplicação de ácido hialurônico e outros preenchedores sem o uso de agulhas. Este método, que se vale de pressão controlada para inserir substâncias na derme ou hipoderme, proporciona uma distribuição mais homogênea do produto, minimizando efeitos colaterais como hematomas e desconforto local(Silva,2023).
Como analisado por Barbosa et al. (2024), tais combinações são fundamentais para alcançar resultados superiores, duradouros e alinhados às expectativas dos pacientes contemporâneos. Essa integração de métodos favorece a individualização do tratamento e contribui para o fortalecimento da autoestima e do bem-estar subjetivo.
O uso de bioestimuladores tem se consolidado como uma estratégia eficaz e minimamente invasiva na harmonização glútea, sendo o ácido poli-L-lático (PLLA) e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA) os compostos mais utilizados nesse contexto. O PLLA é um polímero sintético biodegradável que atua estimulando a produção de colágeno no tecido subcutâneo, promovendo aumento de volume e melhora na textura da pele ao longo do tempo (Khorasani, 2020).
Apesar de seus benefícios estéticos e do fato de evitar os riscos associados a procedimentos cirúrgicos, o uso do PLLA exige domínio técnico preciso. A aplicação inadequada pode resultar em efeitos adversos, como nódulos palpáveis ou assimetrias visuais, o que reforça a importância da capacitação profissional na manipulação da substância (Nogueira & Silva, 2022).
Por sua vez, a hidroxiapatita de cálcio (CaHA) é um composto biocompatível, biodegradável e com propriedades distintas que a tornam extremamente eficaz tanto para preenchimento imediato quanto para estímulo contínuo da produção de colágeno. Uma de suas principais vantagens é a baixa probabilidade de provocar reações imunológicas indesejadas, o que aumenta significativamente a segurança do procedimento e o conforto do paciente( De Oliveira et al., 2021).
O Radiesse®, principal representante comercial da CaHA, é reconhecido por sua ação dupla: proporciona um efeito de volume instantâneo e estimula a melhora da qualidade da pele de forma prolongada (De Oliveira et al., 2021).
A literatura evidencia que a CaHA tem se mostrado altamente eficaz na região glútea, sendo capaz de proporcionar não apenas volume, mas também uma notável melhora na textura e firmeza da pele. Estudos apontam que os resultados obtidos com sua aplicação podem perdurar por até dois anos, o que representa uma vantagem expressiva em termos de durabilidade (De Oliveira et al., 2021).
Para que se obtenham os melhores resultados com o uso de bioestimuladores como o PLLA e a CaHA, é indispensável que a técnica de aplicação seja precisa. Isso inclui a escolha adequada dos pontos de inserção, o domínio da anatomia local, a correta diluição das substâncias e a habilidade em distribuí-las nos planos teciduais apropriados. Como reforçam Lin, Dubin & Khorasani (2020), a atuação de profissionais experientes é um fator determinante para a segurança do procedimento e para o alcance de resultados estéticos satisfatórios.
2.3 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA HARMONIZAÇÃO GLÚTEA
A harmonização glútea tem se consolidado como uma intervenção estética de relevância crescente, especialmente pelo seu impacto positivo na construção da autoimagem e na satisfação corporal de pacientes que buscam aprimoramento estético da região glútea. Mais do que uma transformação física, o procedimento opera também no campo simbólico e psicológico da percepção de si ( Barbosa,2024).
Ao redesenhar e valorizar o contorno dos glúteos, a harmonização estimula uma leitura mais positiva do próprio corpo, que reverbera diretamente na maneira como o indivíduo se vê e se posiciona diante do mundo (Barbosa et al., 2024).
Essa relação entre estética corporal e saúde emocional encontra respaldo em estudos que apontam uma correlação significativa entre a melhora da aparência glútea e o aumento da satisfação com o próprio corpo, sobretudo em contextos socioculturais onde essa parte anatômica é altamente valorizada. Nesses cenários, os efeitos da harmonização glútea ultrapassam os limites da epiderme, favorecendo sensações de bem-estar e autoconfiança que impactam positivamente diversas esferas da vida pessoal e social dos pacientes (Barbosa et al., 2024).
Além disso, é importante destacar o papel da autoestima como elemento central na saúde mental e no equilíbrio psicológico. Entre os diversos fatores que a moldam, a percepção positiva da própria aparência é frequentemente relatada como determinante. Intervenções estéticas bem sucedidas, como a harmonização glútea, tendem a produzir um efeito direto sobre a autoestima, sobretudo quando os resultados obtidos estão em consonância com as expectativas do paciente (Nogueira & Silva, 2022).
Diante disso, torna-se cada vez mais evidente que os procedimentos de harmonização glútea não devem ser compreendidos unicamente sob uma ótica estética. Trata-se de práticas que tocam dimensões subjetivas profundas, influenciando diretamente o modo como os pacientes experimentam sua própria imagem e existência. Assim, ao reconhecer o potencial psicossocial dessas intervenções, a medicina estética é chamada a adotar abordagens mais holísticas e integradas, nas quais o cuidado com a beleza exterior esteja aliado ao acolhimento (Silva, 2022).
Esse padrão, longe de surgir de forma espontânea, é construído e reforçado por múltiplas forças, incluindo a mídia, celebridades e, mais recentemente, as redes sociais digitais — todas atuando como catalisadores na consolidação de um imaginário coletivo sobre a estética corporal ideal (Barbosa et al., 2024).
Paralelamente, o impacto desse tipo de intervenção estética sobre a qualidade de vida das pacientes tem se tornado um objeto de estudo relevante no campo da saúde e da medicina estética. Pesquisas realizadas por Lin, Dubin e Khorasani (2020), assim como por Nogueira e Silva (2022), evidenciam que os efeitos da harmonização glútea extrapolam os ganhos meramente visuais, alcançando dimensões subjetivas profundas.
Esses dados revelam uma verdade importante: a construção de uma imagem corporal positiva tem implicações diretas sobre a vida cotidiana. Mulheres que passam por esse tipo de transformação relatam um fortalecimento nas interações sociais, um senso mais elevado de valorização pessoal e uma relação mais acolhedora com o próprio corpo. Ao alinhar a aparência física com os ideais de beleza — sejam eles individuais ou culturais —, a harmonização glútea possibilita o enfrentamento de inseguranças antigas, muitas vezes associadas a experiências de rejeição, comparação ou inadequação (Nogueira & Silva, 2022).
3 METODOLOGIA
A metodologia deste trabalho consistiu em uma revisão bibliográfica qualitativa, uma abordagem escolhida para permitir a síntese e a análise crítica de um panorama abrangente sobre os impactos biomédicos e estéticos da harmonização glútea. O objetivo central dessa revisão foi identificar os principais biomateriais e técnicas, examinar o papel dos bioestimuladores de colágeno e investigar os aspectos psicossociais associados a esses procedimentos.
A pesquisa foi realizada mediante consulta a documentações eletrônicas, abrangendo diversas bases científicas de alta relevância, como a BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO e PubMed. Para a busca sistemática na literatura, foram empregadas as palavras-chave: “Harmonização Glútea”, “Bioestimuladores de Colágeno” e “Autoestima”, visando uma investigação direcionada que conectasse os avanços técnicos (biomateriais) com o impacto subjetivo (psicossocial).
O processo de análise dos dados extraídos da literatura seguiu uma abordagem qualitativa, focada na síntese e comparação dos achados das diferentes fontes. Esse método permitiu a identificação dos principais biomateriais (Ácido Poli-L-Lático – PLLA, Hidroxiapatita de Cálcio – CaHA, e Ácido Hialurônico) e técnicas complementares (subcisão, carboxiterapia e terapia por ondas de choque), bem como o exame do mecanismo de ação desses compostos, como a neocolagênese promovida pelos bioestimuladores.
Por fim, a análise integrou a correlação entre a obtenção de resultados estéticos satisfatórios e o fortalecimento de aspectos psicossociais, como a autoestima e a autoimagem corporal, o que foi crucial para compreender a complexidade das práticas estéticas e seus reflexos sobre a construção da saúde emocional e social
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A revisão bibliográfica realizada permitiu observar consenso entre os autores quanto à consolidação da harmonização glútea como procedimento minimamente invasivo voltado à otimização do contorno, da simetria e da qualidade tegumentar dos glúteos. Essa tendência se apresenta como resposta às limitações impostas pelos métodos cirúrgicos tradicionais especialmente a gluteoplastia com implantes e a lipoenxertia (Torres 2022).
Os biomateriais identificados Ácido Poli-L-Lático (PLLA), Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA) e Ácido Hialurônico (AH) demonstraram desempenhos distintos e complementares. O PLLA atua predominantemente como bioestimulador, induzindo a neocolagênese e, consequentemente, o aumento gradual de volume e firmeza cutânea (Martins, Lopes, 2020).
Os autores como Rocha evidenciam que os resultados obtidos com os bioestimuladores podem perdurar por até dois anos, especialmente no caso da CaHA (Rocha, 2021). Silva ressalta que falhas nesses aspectos aumentam o risco de complicações como nódulos, granulomas ou assimetrias, evidenciando a importância da qualificação profissional e da padronização técnica (Silva et al, 2021).
O estudo demonstrou ainda que a integração de tecnologias complementares potencializa os efeitos dos biomateriais. A subcisão, por exemplo, é eficaz no tratamento de irregularidades dérmicas e celulite, promovendo liberação de traves fibrosas e estimulando a síntese de colágeno e elastina (Torres, 2022). A carboxiterapia, ao induzir vasodilatação e oxigenação tecidual, melhora o metabolismo local e favorece a regeneração celular (Barbosa et al., 2022).
Essas técnicas, quando combinadas, configuram protocolos híbridos que conciliam bioestimulação química e mecânica, resultando em maior uniformidade e durabilidade dos resultados. A literatura aponta que abordagens integradas favorecem não apenas o aspecto estético, mas também a funcionalidade tecidual, ampliando o escopo terapêutico da harmonização glútea (Rocha, 2021).
Os achados também revelam que os efeitos da harmonização glútea transcendem a dimensão física, alcançando o campo psicossocial. Intervenções estéticas bem-sucedidas estão associadas à melhora da autoestima, da autoimagem corporal e da confiança social, contribuindo para o bem-estar psicológico e emocional (Silva et al., 2021). Há, portanto, necessidade de pesquisas que contemplem parâmetros objetivos, como mensuração de colágeno neossintetizado, avaliação ultrassonográfica e análise histológica, além de instrumentos psicométricos validados para mensurar qualidade de vida e satisfação pós-procedimento (Rocha, 2021).
O procedimento alia ciência e estética, oferecendo resultados seguros, previsíveis e alinhados às expectativas dos pacientes. Contudo, o sucesso da intervenção depende da capacitação profissional, do planejamento técnico individualizado e da compreensão do corpo feminino como expressão cultural e emocional, não apenas como objeto de modificação física (Silva et al., 2022).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve como objetivo analisar os impactos biomédicos e estéticos da harmonização glútea diante dos padrões de beleza atuais , por meio de uma revisão bibliográfica narrativa. A pesquisa permitiu identificar os principais biomateriais e técnicas, examinar o papel dos bioestimuladores de colágeno e investigar os aspectos psicossociais associados a esses procedimentos.
No âmbito biomédico e estético, a harmonização glútea se consolidou como uma abordagem minimamente invasiva para aprimoramento do contorno e volume dos glúteos. Os principais biomateriais e técnicas identificados incluem o Ácido Poli-L-Lático (PLLA) , a Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA) e o Ácido Hialurônico. O PLLA e a CaHA, como bioestimuladores de colágeno, demonstraram ser cruciais por promoverem a neocolagênese, resultando em melhoria progressiva da qualidade dérmica, aumento de volume gradual e aparência fisiológica. Foi evidenciado que o PLLA proporciona aumento de volume e firmeza graduais , enquanto a CaHA oferece preenchimento imediato com estímulo contínuo de colágeno. Técnicas complementares como a subcisão, a carboxiterapia e a terapia por ondas de choque também são relevantes para otimizar os resultados, tratando irregularidades como a celulite.
Em relação aos aspectos psicossociais, a harmonização glútea demonstrou ter um impacto significativo que transcende a dimensão física. A obtenção de um resultado estético satisfatório, alinhado aos padrões de beleza culturais e expectativas individuais, correlaciona se com o fortalecimento da autoestima, melhora da autoimagem corporal e aumento da satisfação pessoal e autoconfiança. Esse efeito positivo reforça a necessidade de uma abordagem holística e humanizada na medicina estética, que considere não apenas o procedimento técnico, mas também a saúde emocional e social da paciente.
Conclui-se que a harmonização glútea, impulsionada pelos avanços em biomateriais, especialmente os bioestimuladores de colágeno, representa um marco na medicina estética contemporânea, oferecendo procedimentos mais seguros, minimamente invasivos e com resultados naturais. É fundamental, no entanto, que os procedimentos sejam conduzidos por profissionais habilitados, com domínio da anatomia e das técnicas de aplicação, para mitigar riscos de intercorrências. O estudo reitera a importância de se compreender a estética corporal não apenas como uma modificação física, mas como uma expressão sociocultural e um instrumento de empoderamento e bem-estar psicológico para a mulher.
Espera-se que este trabalho contribua para o avanço da prática clínica, fomentando a adoção de protocolos integrativos e a consolidação de um paradigma estético mais ético, humanizado e cientificamente fundamentado.
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1Acadêmica do curso de Bacharelado de Biomedicina na Faculdade Cosmopolita
2Acadêmica do curso de Bacharelado de Biomedicina na Faculdade Cosmopolita
3Acadêmica do curso de Bacharelado de Biomedicina na Faculdade Cosmopolita
4Prof. especialista Orientadora do Curso de Bacharelado de Biomedicina na Faculdade Cosmopolita
