PRAÇA INTELIGENTE: TECNOLOGIA E SUSTENTABILIDADE NA REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA CENTRAL DE MOSSÂMEDES – GO

SMART SQUARE: TECHNOLOGY AND SUSTAINABILITY IN THE REVITALIZATION OF THE CENTRAL SQUARE OF MOSSÂMEDES – GO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511171143


Guilherme Henrique Ferreira Rodrigues1
Juracy Mendes Moreira2
Antônio Florentino de Lima Júnior2
Marcelo Alves Paixão Júnior3
Aurélio Ferreira Melo4
Diana Campos de Oliveira5
Tiago Martins Pereira5
Jose Marcelo de Oliveira6
André Mendes7
Elielton Olímpio da Silva Júnior8


RESUMO

A praça central de Mossâmedes (GO), fundada no século XVIII como aldeamento indígena e símbolo da resistência cultural liderada por Damiana da Cunha, enfrenta desafios como infraestrutura defasada e baixa atratividade turística. Este projeto propõe sua revitalização por meio da integração de tecnologias inteligentes — como iluminação LED solar, Wi-Fi público, mobiliário urbano modular e um aplicativo turístico com realidade aumentada, visando conciliar preservação histórica e modernização. A metodologia combina diagnóstico participativo (oficinas comunitárias e análise técnica in loco), prototipagem de soluções adaptadas à escala reduzida da cidade e implementação escalonada, priorizando baixo custo e uso de materiais locais. Os resultados esperados incluem redução de 40% no consumo energético, aumento de 30% no fluxo de visitantes e fortalecimento da identidade cultural através de narrativas digitais sobre a trajetória indígena e colonial do local. A relevância do trabalho reside em seu caráter inovador e oferece um modelo replicável para cidades históricas de pequeno porte, demonstrando que é possível harmonizar com eficiência técnica e autenticidade patrimonial. Além disso, promove inclusão digital com oficinas de capacitação para moradores, garantindo autonomia na gestão das tecnologias. O projeto contribui para debates acadêmicos sobre cidades inteligentes inclusivas e destaca o potencial de Mossâmedes como caso emblemático de revitalização que une passado e futuro.

Palavras-chave: Atratividade. Patrimônio. Histórico.

ABSTRACT

The central square of Mossâmedes (GO), founded in the 18th century as an indigenous settlement and a symbol of the cultural resistance led by Damiana da Cunha, faces challenges such as outdated infrastructure and low tourist appeal. This project proposes its revitalization through the integration of smart technologies—such as solar LED lighting, public Wi-Fi, modular urban furniture, and a tourist app with augmented reality—aiming to reconcile historical preservation and modernization. The methodology combines participatory diagnosis (community workshops and on-site technical analysis), prototyping of solutions adapted to the reduced scale of the city, and phased implementation, prioritizing low cost and the use of local materials. Expected results include a 40% reduction in energy consumption, a 30% increase in visitor flow, and the strengthening of cultural identity through digital narratives about the indigenous and colonial history of the site. The relevance of this work lies in its innovative nature and it offers a replicable model for small historical cities, demonstrating that it is possible to harmonize technical and heritage aspects efficiently. Furthermore, it promotes digital inclusion with training workshops for residents, ensuring autonomy in the management of technologies. The project contributes to academic debates on inclusive smart cities and highlights the potential of Mossâmedes as an emblematic case of revitalization that encompasses both past and future.

Keywords: Attractiveness. Heritage. History.

1. INTRODUÇÃO

A revitalização tecnológica de espaços públicos históricos tem ganhado relevância no debate sobre cidades sustentáveis e inteligentes, sobretudo em contextos urbanos que buscam conciliar preservação patrimonial com inovação funcional. Segundo (MORUZZI e CARRASCO 2021), intervenções em áreas históricas devem preservar as características originais do espaço, ao mesmo tempo em que se adaptam às necessidades contemporâneas de uso, acessibilidade e segurança. De acordo com (MEDEIROS e SILVA 2022), tecnologias de baixo impacto visual como iluminação LED autossuficiente, mobiliário urbano modular e conectividade digital vêm sendo empregadas em diversos centros urbanos como alternativas para requalificação de praças e ruas históricas, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural e estímulo ao turismo local.

Segundo (DELGADO 2005) no Brasil, iniciativas de revitalização tecnológica são mais frequentes em cidades com alto valor turístico consolidado, como Ouro Preto, Salvador e Paraty. Contudo, cidades pequenas com patrimônio histórico relevante permanecem à margem dessas políticas, muitas vezes pela escassez de recursos, pela invisibilidade institucional ou pela ausência de projetos adaptados à sua realidade. Nesse contexto, torna-se fundamental investigar como a engenharia urbana pode desenvolver soluções tecnológicas sustentáveis, de baixo custo e compatíveis com a estética patrimonial, é nesse panorama que se insere o presente trabalho, cujo foco é a cidade de Mossâmedes, no interior de Goiás. Fundada no século XVIII como aldeamento indígena de São José de Mossâmedes, a cidade possui uma praça central que reúne elementos simbólicos e arquitetônicos da formação histórica da região, como a Igreja Matriz e o traçado colonial simplificado, apesar de seu valor cultural, a praça encontra-se em estado de deterioração, com iluminação ineficiente, mobiliário degradado e baixa atratividade turística.

Mossâmedes é descrita como parte integrante do circuito de cidades que testemunharam a ocupação do Brasil Central, embora seja menos conhecida que patrimônios mundiais como Ouro Preto ou Goiás Velho, sua praça central e arquitetura colonial simplificada encapsulam séculos de história goiana, a cidade simboliza tanto a resistência cultural quanto a estagnação socioeconômica, tendo sido emancipada apenas em 1953. O tema principal desse estudo visa encontrar meios para ampliar estudos sobre tecnologia aplicada a patrimônios históricos, especialmente em municípios fora dos circuitos turísticos tradicionais, onde a escassez de pesquisas limita a replicabilidade de modelos bem-sucedidos, integrar teorias de engenharia urbana com antropologia cultural, e propor intervenções que valorizam a trajetória indígena e colonial de Mossâmedes, exemplificada pela atuação de Damiana da Cunha e pela resistência da Igreja Matriz. Oferecer um modelo replicável para cidades históricas de pequeno porte, combinando baixo custo operacional e preservação estética, adaptado às limitações geográficas e orçamentárias locais, fortalecendo o comércio e a autoestima da comunidade, promover inclusão digital, com Wi-Fi público e oficinas comunitárias, reduzindo a lacuna tecnológica em áreas periféricas. Em síntese, este trabalho não apenas propõe melhorias concretas para Mossâmedes, mas também preenche uma lacuna acadêmica, demonstrando que inovação e tradição podem coexistir em cidades pequenas, desde que adaptadas às suas singularidades. Em um estudo sobre cidade inteligente e sustentável (CORREIA e MARTINS, 2022), os autores utilizaram uma metodologia denominada de Smart City Laguna, além de uma abordagem qualitativa e uma pesquisa bibliográfica, os autores puderam concluir que a metodologia soma elementos básicos tanto do conceito de cidade inteligente quanto de cidade sustentável. 

De acordo com (SILVA et. al., 2020) em uma pesquisa que investigado uma cidade inteligente focou seu estudo em uma praça na cidade de Juazeiro do Norte (CE) como sendo um local de forte visibilidade e grande número de visitantes no decorrer do dia, sua metodologia para condução do estudo baseou em registros fotográficos e em entrevista com o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação do município.

2. METODOLOGIA 

A metodologia deste trabalho está organizada em etapas interligadas, combinando abordagens qualitativas e quantitativas, adaptadas às especificidades de Mossâmedes. Inicia-se com um diagnóstico participativo, envolvendo levantamento histórico-documental, análise de arquivos municipais, registros do IPHAN e fontes secundárias (ex.: site da AGM-GO) para mapear a trajetória da praça desde sua fundação no século XVIII, com ênfase nas transformações arquitetônicas e usos sociais ao longo do tempo. Realização de vistorias para identificar problemas estruturais (ex.: infraestrutura elétrica defasada, estado de conservação do mobiliário) e potencialidades (ex.: áreas com maior insolação para instalação de painéis solares), utilizando ferramentas como fotogrametria digital e medições de fluxo de pessoas. Oficinas participativas com moradores, comerciantes e lideranças locais para identificar demandas prioritárias (ex.: segurança, acessibilidade) e validar propostas tecnológicas, garantindo que as soluções respeitem a identidade cultural.

A metodologia adota um enfoque adaptativo, permitindo ajustes conforme os resultados parciais, assegurando que as soluções propostas sejam tanto tecnicamente robustas quanto culturalmente sensíveis, o projeto proposto será desenvolvido com base em um estudo teórico com previsão de execução simulada dividida em três etapas principais, ao longo de um período total estimado de 12 meses. Na sequência, a fase de projeto técnico-piloto incluirá uma prototipagem de tecnologias-chave, testes controlados de iluminação solar em um trecho da praça, em parceria com empresas locais, para avaliar eficiência energética e aceitação estética, desenvolvimento interativo do aplicativo turístico, criação de versões beta em colaboração com estudantes do Instituto Federal Goiano (Campus Morrinhos), incorporando feedbacks via questionários online e sessões de usabilidade com grupos focais. 

A implementação escalonada seguirá critérios de custo-benefício e complexidade, instalação de iluminação inteligente e Wi-Fi gratuito, priorizando áreas de maior circulação, introdução de mobiliário modular e sistema de monitoramento, com treinamento de moradores para operação básica.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A integração entre tecnologia, sustentabilidade e identidade cultural reforça a importância da engenharia urbana como agente de transformação social, apontando caminhos para um desenvolvimento mais equilibrado entre tradição e modernidade. De acordo (BARBOSA 2021) que em um trabalho de pesquisa sobre praças públicas, utilizou uma metodologia de caráter exploratório, sendo levantadas diversas teóricas relacionadas à pesquisa bibliográfica, com o objetivo de propor parâmetros que podem se aplicar a outros projetos semelhantes, o autor pode concluir como sendo essencial os aspectos sustentáveis aplicáveis aos espaços públicos de convívio comunitário. Segundo (CIVALE, 2015) que em um trabalho de revitalização da Praça XV de Novembro no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, o autor conclui destacando a importância da discussão do patrimônio cultural como política pública. Em um estudo sobre a revitalização da praça Santos Dumont no estado do Paraná (MARCHI e PEZZINI 2015), buscou fazer um resgate histórico da arquitetura, utilizado uma metodologia investigativa dos temas arquitetura, urbanismo e paisagismo, com o objetivo de elaborar um projeto que possa melhorar a qualidade de vida de todos os usuários, os autores puderam concluir a importância da arquitetura e tudo o que a ela se relaciona na preservação de um patrimônio histórico. Em um estudo sobre regeneração das praças Praça Mauá e Praça XV, Rio de Janeiro (TRICÁRICO et. al., 2023), segundo os autores as teorias da urbanização, e categorias de análise do espaço estão relacionadas, historicamente, à Geografia, de modo que, metodologicamente, poder-se-ia integrar teorias da urbanização. 

Em um estudo sobre a permanências na paisagem histórica a praça sete de setembro no centro histórico de Natal-RN os autores (QUEIROZ e NOBRE 2024) puderam concluir da necessidade de salvaguarda das áreas livres existentes no conjunto arquitetônico e paisagístico de Natal (RN), ainda segundo os autores o espaço pode influenciar e ser influenciado pelas mudanças que acontecem em seu entorno, os autores finalizam esperando que seu estudo possa contribuir para futuras intervenções de preservação no patrimônio histórico do estado. Segundo (OLIVEIRA e CASTILHO 2022) concluíram em seu estudo sobre revitalização urbana da área central de Campo Grande, MS, que a participação pública nos processos de tomada de decisão do plano ainda é realizada de forma insatisfatória, uma vez que ainda é regida pelos princípios neoliberais e resulta mais em um processo de consulta imposto de forma vertical do que em um diálogo ativo.

4. CONCLUSÃO

Podemos concluir que a revitalização tecnológica da Praça Central de Mossâmedes demonstra ser uma estratégia viável para unir preservação histórica e inovação urbana, promovendo inclusão digital e fortalecimento cultural. O projeto reafirma que é possível transformar pequenos centros históricos em espaços inteligentes, sustentáveis e socialmente participativos, sem comprometer sua autenticidade patrimonial. Além disso, o estudo evidencia o potencial de Mossâmedes como referência para outras cidades históricas de pequeno porte, ao propor soluções de baixo custo e impacto visual reduzido que valorizam a memória local.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Junior Adeildo. A avaliação dos aspectos sustentáveis em praças públicas – o caso da “praça da sé”, crato/ce. SBQP 2021 – Londrina, Brasil, 17 a 19 de novembro de 2021

CIVALE, Leonardo. Sobre Luzes e Sombras: A revitalização da Praça XV de Novembro no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro e o papel da paisagem urbana como patrimônio cultural (1982-2012). Caderno de Geografia, v.25, n.44, 2015

CORREIA, Arícia Fernandes; MARTINS, Robson. A cidade inteligente e sustentável: o exemplo da Smart City Laguna.  Revista Bras. de Dir. Urbanístico – RBDU | Belo Horizonte, ano 8, n. 14, p. 67-82, jan./jul. 2022

DELGADO, Andréa Ferreira. GOIÁS: A invenção da cidade “patrimônio da humanidade”. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 11, n. 23, p. 113-143, jan/jun 2005

MARCHI, Letícia de Melo; PEZZINI, Camila. Fundamentos arquitetônicos: revitalização da praça Santos Dumont – Santa Helena – PR. Anais do 13º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2015. ISSN 1980-7406

MEDEIROS, Rafael de; SILVA, Juliana Costa da. Cidades inteligentes e inclusão digital: um olhar para pequenas e médias localidades brasileiras. Revista de Engenharia Urbana, v. 15, n. 2, p. 45-63, 2022.

MORUZZI, Anelise Pereira; CARRASCO, Adriana. Inovação social e sustentabilidade urbana em espaços públicos históricos. Revista Brasileira de Planejamento Urbano e Regional, v. 14, n. 3, p. 98–117, 2021.

OLIVEIRA, Lina Yule Queiroz de; CASTILHO, Maria Augusta de. O plano de revitalização urbana da área central de Campo Grande, MS. INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 23, n. 1, p. 133-148, jan./mar. 2022

QUEIROZ, Ana Karla Pires de Sousa; NOBRE, Paulo José Lisboa. Transformações e permanências na paisagem histórica a praça sete de setembro no centro histórico de Natal-RN. Contemporânea – Revista de Ética e Filosofia Política, v. 3, n. 6, 2023. ISSN 2447-0961.

SILVA, Valéria Rozendo; SOUZA, Carlos Felipe; OLIVEIRA, Elane Abreu de. Uma praça inteligente? Apontamentos sobre o projeto piloto de smart place em Juazeiro do Norte-CE. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – VIRTUAL – 1º a 10/12/2020

TRICÁRICO, Luciano Torres; GARCIA, Thaís; TOMELIN, Carlos Alberto; Rossini, Diva de Mello. Sintaxe do espaço de praças como signo para regeneração urbana turística: Praça Mauá e Praça XV, Rio de Janeiro. INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 24, n. 1, p. 31-50, jan./mar. 2023


1Discente Eng. Civil – Centro Universitário Montes Belos (UniBras) – São Luís de Montes Belos – GO.
2Professor MsC. – Centro Universitário Montes Belos (UniBras) – São Luís de Montes Belos – GO.
3Professor MsC. Universidade Estadual de Goiás (UEG) – São Luís de Montes Belos – GO.
4Professor Dr. Faculdade de Gestão Integrada – FGI – Goiânia-GO.
5Professor Dr. Universidade Federal de Ouro Pretos, Campus Morro do Cruzeiro.
 6Professor MsC. Secretaria de Estado da Educação (SEDUC). Colégio Estadual Alvino Pereira Rocha.
7Professor Dr. Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Minas Gerais. Campus Ponte Nova.
8Professor Especialista. Centro Universitário UniBras Montes Belos. São Luís de Montes Belos – Goiás.

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