REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511151328
Giuliana dos Santos Tenório
Luigi Ventura de Souza
Maria Irinete da Silva Chagas
Orientadora: Márcia Regina Lima de Souza
RESUMO
A saúde bucal exerce papel fundamental na qualidade de vida, especialmente em pacientes edêntulos, pois a perda dentária total compromete funções essenciais e impacta aspectos psicossociais. A prótese total, embora seja a alternativa mais acessível e amplamente utilizada, ainda apresenta limitações relacionadas à adaptação e ao conforto dos usuários, o que repercute diretamente em sua aceitação e efetividade. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, a relação entre o uso de próteses totais e a qualidade de vida dos pacientes. A pesquisa foi conduzida nas bases Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), considerando publicações entre 2020 e 2025. Dos 25 artigos inicialmente identificados, apenas 4 atenderam aos critérios de inclusão e foram analisados criticamente. Os resultados evidenciaram que a adaptação à prótese total depende não apenas de aspectos técnicos, mas também de fatores individuais, socioeconômicos e emocionais. Constatou-se que, apesar dos avanços tecnológicos, persistem desafios quanto à satisfação e ao bem-estar dos usuários, ressaltando a necessidade de abordagens humanizadas e centradas no paciente. Conclui-se que a qualidade de vida de indivíduos reabilitados com próteses totais deve ser compreendida em uma perspectiva integral, que considere dimensões biológicas, psicológicas e sociais.
Palavras-chave: Prótese total; Saúde bucal; Qualidade de vida.
INTRODUÇÃO
A saúde bucal exerce um papel determinante na qualidade de vida das pessoas, visto que influencia funções essenciais como a mastigação, a deglutição, a fala e até mesmo aspectos relacionados à estética e à autoestima. Quando ocorre a perda dentária total, observa-se um impacto profundo não apenas no campo biológico, mas também no psicológico e no social. Esse fenômeno, conhecido como edentulismo, ainda se apresenta de forma expressiva, sobretudo em populações idosas, estando associado a limitações funcionais que comprometem o bem-estar geral. Paraguassu, Eber Coelho et al. (2023).
A prótese total surge como a alternativa mais acessível e amplamente utilizada para reabilitar pacientes edêntulos, com a finalidade de restaurar parcialmente as funções perdidas. No entanto, embora represente uma solução tradicional e consolidada na prática odontológica, a adaptação às próteses totais não é uniforme. Muitos pacientes enfrentam dificuldades de adaptação que repercutem diretamente em sua qualidade de vida, levantando questões sobre a real efetividade dessa reabilitação no contexto biopsicossocial. Paraguassu, Eber Coelho et al, (2023). A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 indica que cerca de 33% da população brasileira usa algum tipo de prótese dentária. Outras fontes estimam que 39 milhões de brasileiros usam próteses dentárias, o que se traduz em uma quantidade significativa de pessoas que necessitam deste tipo de tratamento. (Paraguassu, 2023).
Sobre a especialidade em prótese dentária, segundo dados do projeto Saúde Bucal Brasil (SB Brasil 2010), para a faixa etária de 65 a 74 anos, 63,1% dos examinados usavam prótese total, 7,6% das pessoas examinadas usavam prótese parcial removível e 3,8% dos examinados usavam uma ponte fixa. Quanto à necessidade de prótese, para a idade de 65 a 74 anos, 92% necessitavam de prótese dentária. (Paraguassu, 2023).
Um quinto das pessoas tinha necessidade de prótese parcial para dois maxilares, sendo que a maior necessidade estava na região Nordeste (26,0%) e as menores nas regiões Norte e Sul (15,4% e 14,3%). Observou-se a necessidade de prótese total em um maxilar em 17,9% dos indivíduos examinados, sendo a maior proporção na região Norte (23,4%) e a menor na região Sul (14,3%). Uma proporção de 15,4% necessitava de prótese total nos dois maxilares, sendo a maior necessidade na região Norte (17,6%) e a menor na região Sul (6,9%). (ANDRADE; MACEDO; AMARAL, 2023, p. 261).
A problemática que se apresenta, portanto, refere-se à relação entre o uso de próteses totais e a qualidade de vida dos pacientes. Apesar dos avanços científicos e tecnológicos na confecção de próteses, ainda há relatos frequentes de instabilidade durante a mastigação, dificuldades na fala, alterações no paladar e desconfortos que limitam a aceitação e o uso contínuo desses dispositivos. Essa realidade reforça a necessidade de compreender não apenas os aspectos técnicos da reabilitação, mas também a experiência subjetiva do usuário. (Batista, 2025)
Estudos destacam que a percepção de qualidade de vida em pacientes usuários de prótese total é influenciada por fatores individuais, como idade, tempo de edentulismo, condições socioeconômicas, estado de saúde geral, além de expectativas em relação ao tratamento. Dessa forma, o sucesso do uso da prótese não depende exclusivamente de critérios clínicos, mas também da interação entre as condições físicas e psicológicas de cada indivíduo. (Lopes, 2023; Batista, 2025).
A relevância desse debate reside na necessidade de ultrapassar uma visão meramente técnica da prótese total, reconhecendo o paciente como sujeito integral, com necessidades que vão além da substituição dentária. É fundamental considerar a satisfação e o conforto do usuário como indicadores de sucesso terapêutico, uma vez que a prótese, embora seja uma solução clínica, somente cumpre plenamente sua função quando proporciona benefícios perceptíveis para a vida cotidiana do indivíduo. (Araújo, 2024).
Assim, este estudo tem como objetivo geral analisar, por meio de uma revisão de literatura, a relação entre o uso de próteses totais e a qualidade de vida dos pacientes, evidenciando as principais dificuldades enfrentadas e os fatores que contribuem para a satisfação com o tratamento.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, cujo objetivo foi analisar a relação entre o uso de próteses totais e a qualidade de vida dos pacientes. A revisão integrativa é uma metodologia que possibilita reunir, organizar e sintetizar resultados de pesquisas previamente publicadas, permitindo uma compreensão abrangente sobre a temática e fornecendo subsídios para a prática clínica fundamentada em evidências científicas.
A coleta de dados foi realizada nas bases Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), contemplando publicações disponíveis entre os anos de 2020 e 2025, de modo a garantir a atualidade e relevância dos estudos selecionados. Para a busca, foram utilizados os seguintes descritores: Prótese total; Saúde bucal; Qualidade de vida.
Na etapa inicial, foram identificados 25 artigos que abordavam, de forma direta ou indireta, a temática proposta. Após a aplicação dos critérios de inclusão – artigos publicados no período delimitado, em língua portuguesa, inglesa ou espanhola, disponíveis na íntegra, e que apresentassem relação direta com a avaliação da qualidade de vida em pacientes usuários de prótese total – restaram 10 artigos selecionados para análise detalhada. Foram excluídos os estudos que tratavam exclusivamente de próteses parciais, implantes dentários ou que não abordavam a dimensão da qualidade de vida.
A seleção contemplou tanto estudos experimentais quanto observacionais e revisões sistemáticas, a fim de oferecer um panorama consistente e diversificado sobre os impactos do uso da prótese total na vida cotidiana dos pacientes. Esse recorte possibilitou identificar tanto as contribuições quanto às limitações relatadas na literatura, ampliando a compreensão do objeto de estudo.
A análise dos artigos selecionados foi conduzida por meio de leitura crítica, síntese e sistematização dos resultados, com enfoque nos principais aspectos discutidos: limitações funcionais e psicossociais decorrentes da perda dentária, fatores que influenciam na adaptação às próteses totais, percepções dos pacientes quanto à satisfação com o tratamento e estratégias que favorecem melhorias na qualidade de vida. A sistematização foi organizada em categorias temáticas, de modo a facilitar a compreensão e a comparação entre os diferentes estudos analisados.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
O tratamento com próteses totais é amplamente reconhecido pela literatura como fundamental para a reabilitação de indivíduos edêntulos, uma vez que proporciona não apenas a substituição dos dentes perdidos, mas também a restauração de funções essenciais, como mastigação, deglutição, fonação e estética facial (De Almeida, 2024).
Atualmente, observa-se um crescente interesse da Odontologia em compreender o impacto das diferentes modalidades de reabilitação oral sobre a qualidade de vida dos pacientes edêntulos. Nesse contexto, Paraguassu et al. (2023) apresentam uma revisão de literatura que compara o nível de satisfação e a percepção de bem-estar entre usuários de prótese total mucossuportada e prótese total implantossuportada, evidenciando uma clara superioridade das reabilitações ancoradas em implantes quanto à estabilidade, conforto e funcionalidade mastigatória.
O estudo destaca que a prótese total implantossuportadas promove melhor adaptação biomecânica e maior retenção durante a mastigação, fatores diretamente relacionados à melhora na autoconfiança e no convívio social do paciente. Essa constatação vai ao encontro de pesquisas que apontam o impacto positivo da estabilidade protética sobre a função mastigatória e a fonética, contribuindo significativamente para a recuperação da autoestima e da qualidade de vida (Paraguassu et al., 2023). Em contrapartida, usuários de próteses mucossuportadas relatam desconforto, dificuldade de retenção, dor durante a mastigação e menor satisfação estética, o que reforça a limitação desse tipo de reabilitação quando comparado às soluções implantossuportadas.
Do ponto de vista funcional, o artigo demonstra que a eficiência mastigatória obtida com as próteses implantossuportadas permite uma trituração mais completa dos alimentos, resultando em melhor digestão e nutrição. Tal aspecto tem implicações diretas na saúde sistêmica dos pacientes, sobretudo em idosos, nos quais a perda dentária está frequentemente associada à restrição alimentar e comprometimento nutricional. Assim, a reabilitação implantossuportada não apenas restaura a estética e a função oral, mas também contribui para o equilíbrio geral do organismo, o que justifica o maior índice de satisfação observado entre seus usuários.
Sob a ótica psicológica e social, Paraguassu et al. (2023) ressaltam que pacientes reabilitados com implantes demonstram maior segurança ao sorrir e falar, além de apresentarem melhor aceitação da própria imagem. A estabilidade oferecida pelos implantes reduz o receio de deslocamento da prótese durante interações sociais, o que impacta positivamente na autoestima e na qualidade das relações interpessoais. Por outro lado, a instabilidade das próteses convencionais, associada à reabsorção óssea contínua, tende a gerar frustração e insegurança, o que se reflete em uma percepção negativa da própria aparência.
Em síntese, o artigo de Paraguassu et al. (2023) evidencia que, embora as próteses mucossuportadas continuem sendo uma alternativa economicamente acessível, as próteses implantossuportadas proporcionam benefícios superiores em termos de funcionalidade, estética e satisfação subjetiva. A escolha entre as modalidades deve, portanto, considerar as condições anatômicas do paciente, sua capacidade financeira e suas expectativas quanto ao resultado estético e funcional, reforçando a importância de um planejamento clínico individualizado e fundamentado em evidências científicas.
No artigo de Araújo et al. (2024), a revisão integrativa enfatiza o impacto positivo do uso de prótese total convencional na qualidade de vida dos idosos, destacando ganhos em autoestima, reinserção social e melhoria das funções mastigatórias e fonéticas.
Os autores ressaltam que, embora o edentulismo ainda represente um problema de saúde pública, a prótese total continua sendo uma alternativa viável, acessível e eficaz para grande parte dessa população, desde que corretamente confeccionada e adaptada às condições anatômicas do paciente. Contudo, quando comparados ao artigo de Paraguassu et al. (2023), observa-se uma clara diferença quanto ao nível de satisfação e conforto proporcionados pelos diferentes tipos de prótese.
Enquanto Araújo et al. (2024) reconhecem os benefícios das próteses mucossuportadas na restauração estética e funcional, Paraguassu et al. (2023) demonstram que as próteses implantossuportadas superam as convencionais em aspectos essenciais, como retenção, estabilidade e eficiência mastigatória. Essa diferença se reflete diretamente na percepção de qualidade de vida dos usuários: pacientes reabilitados com implantes relatam maior segurança durante a mastigação e a fala, além de melhor adaptação psicológica e social.
No âmbito funcional, de Araújo et al. (2024) convergem parcialmente com o autor Paraguassu et al. (2023) ao reconhecerem que a prótese total convencional proporciona alívio da dor e melhora do desempenho mastigatório.
Entretanto, Paraguassu et al. (2023) vão além ao evidenciar que as próteses implantossuportadas oferecem uma mastigação mais eficiente e fisiológica, com melhor distribuição das cargas oclusais e menor reabsorção óssea residual. Tal diferença biomecânica explica o porquê de os usuários de implantes apresentarem níveis mais elevados de satisfação e menor incidência de desconforto ou instabilidade durante o uso cotidiano.
Sob a perspectiva psicológica e social, ambos os estudos destacam o impacto positivo da reabilitação oral sobre a autoestima e a qualidade das interações interpessoais. Araújo et al. (2024) salientam que a restauração do sorriso e da função estética proporciona ao idoso uma percepção renovada de si mesmo, reduzindo sentimentos de vergonha e isolamento social. Paraguassu et al. (2023), por sua vez, complementam essa análise ao demonstrar que o fator “segurança protética” — proporcionado pela estabilidade dos implantes — amplia significativamente a autoconfiança e o bem-estar emocional, uma vez que o paciente não teme deslocamentos da prótese durante a fala ou alimentação.
Do ponto de vista clínico, a revisão de Araújo et al. (2024) é possível observar que a adaptação às próteses convencionais depende fortemente de um processo de confecção preciso, respeitando os limites fisiológicos dos tecidos de suporte e o correto ajuste oclusal, o que é determinante para o conforto e longevidade do dispositivo. Ainda assim, Paraguassu et al. (2023) argumentam que, mesmo com técnicas refinadas, as próteses mucossuportadas apresentam limitações intrínsecas de retenção, tornando as implanto-suportadas uma alternativa mais previsível e duradoura.
Em síntese, ambos os estudos convergem ao apontar a importância da reabilitação oral na promoção da qualidade de vida, mas divergem quanto ao grau de eficácia entre os tipos de prótese. Araújo et al. (2024) enfatizam a relevância social e funcional da prótese total convencional como solução acessível para o idoso edêntulos, enquanto Paraguassu et al. (2023) reforçam o papel das próteses implantossuportadas como evolução tecnológica capaz de garantir maior conforto, estabilidade e satisfação geral. Assim, a literatura aponta que a escolha do tipo de prótese deve ser orientada por um planejamento individualizado, que leve em consideração as condições sistêmicas do paciente, sua capacidade financeira, e, sobretudo, suas expectativas funcionais e estéticas, consolidando a reabilitação oral como um fator essencial de saúde e dignidade na velhice.
O processo de adaptação individual ao uso de prótese total é um dos fatores mais determinantes para o sucesso da reabilitação oral, especialmente entre pacientes idosos.
No estudo de Araújo et al. (2024), a adaptação está diretamente associada ao conforto e à percepção de bem-estar, sendo fortemente influenciada pelo ajuste anatômico e pela qualidade da confecção protética. Já Paraguassu et al. (2023) destacam que os usuários de prótese implantossuportada apresentam uma adaptação mais rápida e estável, com menores índices de dor, inflamação e desconforto inicial. Esse achado é corroborado por Medeiros et al. (2019) e Martins et al. (2021), que associam a estabilidade mecânica proporcionada pelos implantes à redução do tempo de adaptação fisiológica. Por outro lado, Miranda et al. (2021) apontam que, mesmo com maior estabilidade, o fator psicológico desempenha papel essencial nesse processo, visto que a resistência emocional e a expectativa do paciente podem interferir na aceitação da prótese. Assim, observa-se que a adaptação não depende apenas da tecnologia empregada, mas também da interação entre fatores anatômicos, técnicos e emocionais.
Em relação às funções essenciais — mastigação, deglutição, fonação e estética facial —, Araújo et al. (2024) enfatizam que a prótese total convencional proporciona significativa melhora mastigatória e fonética, recuperando a harmonia facial e a autoconfiança dos idosos.
Entretanto, Paraguassu et al. (2023) demonstram que as próteses implantossuportadas apresentam desempenho superior nesses aspectos, principalmente quanto à eficiência mastigatória e à estabilidade durante a fala. Al-Ansari e Tantawi (2019) reforçam essa visão, afirmando que o contato firme entre o implante e o osso permite melhor distribuição das forças oclusais, reduzindo reabsorção óssea e desconforto muscular.
Em contrapartida, Alves et al. (2018) destacam que, em contextos de menor acesso a tecnologias, as próteses mucossuportadas ainda cumprem papel essencial na recuperação das funções básicas, desde que bem adaptadas. Dessa forma, o debate entre os autores revela que, embora as próteses implantossuportadas garantam maior desempenho biomecânico, as convencionais continuam sendo uma solução eficaz e funcional quando confeccionadas com rigor técnico.
Nos aspectos subjetivos — emocionais, sociais e psicológicos —, os dois estudos convergem ao reconhecer que o uso da prótese total está intimamente ligado à melhora da autoestima e da interação social. Araújo et al. (2024) afirmam que o simples ato de sorrir novamente sem constrangimento devolve ao idoso o sentimento de pertencimento e dignidade. Paraguassu et al. (2023), por sua vez, ampliam essa análise ao indicar que os usuários de próteses implantossuportadas sentem maior autoconfiança e segurança emocional, justamente pela estabilidade e naturalidade do sorriso. Esse ponto é reforçado por Miranzi et al. (2015), que observaram que o edentulismo pode gerar isolamento social e depressão, e que a reabilitação oral contribui para a reintegração emocional. Entretanto, Pesquero (2005) ressalta que a adaptação emocional nem sempre é imediata, dependendo de apoio psicológico e acompanhamento profissional. Portanto, a literatura evidencia que o impacto psicológico positivo da prótese está diretamente relacionado à segurança funcional do dispositivo e ao acompanhamento humanizado do paciente.
No tocante à técnica clínica do cirurgião-dentista, ambos os trabalhos evidenciam a importância do conhecimento técnico e da precisão no processo de confecção da prótese. Araújo et al. (2024) destacam que o sucesso da prótese mucossuportada depende de um protocolo clínico bem executado, respeitando a anatomia da cavidade oral e promovendo ajuste oclusal adequado.
Já Paraguassu et al. (2023) salientam que as próteses implantossuportadas exigem um planejamento cirúrgico mais complexo, com domínio de técnicas de osseointegração e controle biomecânico das cargas mastigatórias. Mendes et al. (2023) complementam essa perspectiva ao afirmar que o dentista precisa considerar fatores sistêmicos, como polimedicação e fragilidade óssea, especialmente em pacientes idosos. Em contrapartida, Batista e Kumada (2021) alertam que a carência de formação prática em implantodontia ainda é um desafio em muitos contextos clínicos, o que pode comprometer a qualidade dos resultados. Assim, o debate técnico reforça que a competência profissional e o rigor metodológico são determinantes para o sucesso terapêutico, independentemente do tipo de prótese utilizada.
Sob a ótica cultural, os estudos de Araújo et al. (2024) e Paraguassu et al. (2023) demonstram que o acesso à reabilitação oral está profundamente condicionado a fatores socioeconômicos e às políticas públicas de saúde bucal. O edentulismo, segundo o IBGE (2022), ainda é prevalente entre idosos de baixa renda, que muitas vezes recorrem a próteses convencionais por serem economicamente mais acessíveis. Miranzi et al. (2015) e Marcelino et al. (2023) reforçam essa realidade ao afirmar que a falta de políticas públicas voltadas à saúde bucal da população idosa perpetua desigualdades e limita o acesso a próteses de melhor qualidade. Por outro lado, programas de atenção básica, como o “Brasil Sorridente”, têm ampliado o acesso a reabilitações, embora ainda haja lacunas estruturais. Desse modo, as condições culturais e socioeconômicas moldam não apenas a escolha do tipo de prótese, mas também a percepção de dignidade e inclusão social associada ao uso dessas reabilitações.
Por fim, o sexto eixo de debate envolve o impacto da evolução tecnológica e científica na reabilitação oral. Paraguassu et al. (2023) demonstram que o avanço dos materiais odontológicos e das técnicas de implantodontia tem promovido maior previsibilidade clínica e satisfação dos pacientes. Araújo et al. (2024) complementam ao destacar que a modernização dos processos de moldagem e confecção digital de próteses convencionais tem permitido resultados mais precisos e confortáveis.
No entanto, Cronin e George (2023) alertam que a incorporação dessas tecnologias exige maior investimento e formação profissional continuada, o que nem sempre é viável em sistemas públicos de saúde. Assim, o debate contemporâneo revela que a inovação tecnológica é um fator determinante para elevar o padrão de qualidade das reabilitações orais, mas seu impacto social dependerá do equilíbrio entre custo, acesso e capacitação profissional.
O estudo de Gomes et al. (2024), publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, propõe uma análise comparativa entre a eficácia, o conforto e a durabilidade das próteses totais convencionais e das próteses sobre implantes, com ênfase na experiência do paciente e na qualidade de vida após a reabilitação oral. As autoras destacam que a perda dentária compromete funções essenciais — mastigação, fala e estética facial — afetando diretamente o bem-estar e a autoestima do indivíduo. O estudo reforça que as inovações tecnológicas permitiram à odontologia avançar de uma prática curativa para uma abordagem reabilitadora, na qual o foco principal é restaurar a função e o equilíbrio psicológico do paciente. Essa perspectiva dialoga com Araújo et al. (2024), que também enfatizam o impacto positivo das próteses na reinserção social e na autoestima dos idosos edêntulos. No entanto, difere do posicionamento de Paraguassu et al. (2023), que atribuem à prótese implantossuportada um papel mais efetivo na recuperação funcional e na percepção de conforto, argumentando que o simples uso da prótese convencional nem sempre é suficiente para garantir estabilidade e eficiência mastigatória.
De acordo com Gomes et al. (2024), tanto as próteses totais convencionais quanto as sobre implantes possuem vantagens e desafios, sendo a escolha influenciada por fatores anatômicos, financeiros e psicológicos do paciente. As autoras reconhecem que, apesar da popularidade e acessibilidade das próteses mucossuportadas, as reabilitações com implantes oferecem melhor retenção e conforto durante o uso diário. Essa constatação converge parcialmente com os achados de Araújo et al. (2024), que reconhecem os benefícios funcionais das próteses convencionais, desde que confeccionadas e ajustadas adequadamente às condições anatômicas do paciente. Contudo, ao serem comparados com os resultados de Paraguassu et al. (2023), percebe-se uma clara diferença no nível de satisfação: enquanto Gomes et al. (2024) descrevem ambas as modalidades como eficazes, Paraguassu et al. (2023) argumentam que as próteses implantossuportadas superam as convencionais em estabilidade, eficiência mastigatória e conforto psicológico, devido à melhor distribuição de cargas oclusais e menor reabsorção óssea.
Além disso, Gomes et al. (2024) destacam o papel das próteses na restauração da autoestima, ressaltando que a reabilitação oral proporciona aos pacientes maior segurança para sorrir, falar e interagir socialmente. Essa análise é reforçada por Araújo et al. (2024), que observam que o restabelecimento estético e fonético favorece a autoconfiança e reduz sentimentos de vergonha ou isolamento.
Entretanto, Paraguassu et al. (2023) ampliam essa discussão ao apontar que os benefícios emocionais são potencializados quando o paciente utiliza próteses fixas sobre implantes, justamente por eliminar o medo de deslocamento durante a fala ou mastigação. Assim, a comparação entre os três estudos evidencia uma gradação nos resultados: todos reconhecem o valor da reabilitação oral para a qualidade de vida, mas os níveis de conforto, estabilidade e satisfação são mais elevados nos tratamentos com implantes.
Por fim, o estudo de Gomes et al. (2024) contribui ao reafirmar a importância de um planejamento clínico individualizado e baseado em evidências. As autoras argumentam que a escolha entre prótese total convencional e sobre implante deve considerar as condições sistêmicas e anatômicas do paciente, bem como suas expectativas funcionais e estéticas.
Esse posicionamento é coerente com Araújo et al. (2024), que valorizam a adaptação personalizada e o acompanhamento clínico para o sucesso do tratamento. No entanto, Paraguassu et al. (2023) complementam essa visão ao defender que a previsibilidade e a durabilidade das próteses implantossuportadas tornam-nas uma alternativa superior, especialmente em pacientes que buscam resultados de longo prazo com menor desconforto. Dessa forma, o conjunto das evidências reforça que a escolha protética ideal depende de um equilíbrio entre viabilidade técnica, condições clínicas e o impacto subjetivo na vida do paciente, consolidando a reabilitação oral como um elemento essencial para a promoção da saúde e da dignidade humana.
O estudo de Corrêa e Araújo (2024) destaca que o processo de adaptação à prótese total é um fenômeno individual e complexo, influenciado tanto por aspectos funcionais quanto emocionais. As autoras enfatizam que essa fase requer um período de aceitação psicológica, já que o uso da prótese representa a reconstrução de uma parte significativa da identidade do paciente edêntulo. Paraguaçu et al. (2023) corroboram parcialmente essa visão, ao afirmarem que o sucesso da adaptação está diretamente relacionado ao conforto proporcionado pela prótese e ao suporte emocional recebido durante o tratamento. No entanto, Gomes et al. (2024) apresentam uma perspectiva mais técnica, apontando que os desafios de adaptação estão mais ligados à estabilidade e à retenção das próteses do que a fatores subjetivos. Dessa forma, percebe-se que, enquanto Corrêa e Araújo (2024) priorizam o aspecto emocional da adaptação, Gomes et al. (2024) e Paraguaçu et al. (2023) relacionam a experiência adaptativa ao desempenho biomecânico e funcional do dispositivo.
Em relação às funções essenciais, como mastigação, deglutição, fonação e estética facial, Corrêa e Araújo (2024) defendem que a reabilitação com prótese total devolve ao paciente não apenas funções fisiológicas, mas também a harmonia facial e a segurança para se expressar socialmente. As autoras ressaltam que a restauração do sorriso é percebida como um símbolo de rejuvenescimento e reintegração social.
Já Gomes et al. (2024) realizam uma análise comparativa entre próteses totais e implantossuportadas, concluindo que estas últimas apresentam resultados superiores em eficiência mastigatória e estabilidade oclusal. Paraguaçu et al. (2023) complementam essa análise ao apontar que os implantes distribuem melhor as forças mastigatórias, evitando reabsorção óssea e desconfortos frequentes em usuários de prótese total convencional. Contudo, Corrêa e Araújo (2024) argumentam que, mesmo diante de limitações funcionais, o simples fato de recuperar funções básicas já representa uma melhoria expressiva na autoestima e na percepção de qualidade de vida. Essa diferença de enfoque demonstra que a efetividade funcional deve ser avaliada também sob a ótica da satisfação e da experiência subjetiva do paciente.
Os aspectos subjetivos, como as dimensões emocionais, sociais e psicológicas, são o núcleo central da discussão de Corrêa e Araújo (2024), que afirmam que o uso da prótese total influencia diretamente o bem-estar e a autoestima do paciente. Segundo as autoras, o edentulismo acarreta sentimentos de vergonha e isolamento, e a reabilitação oral devolve ao indivíduo a confiança para interagir socialmente. Paraguaçu et al. (2023) reforçam essa perspectiva ao mostrar que pacientes reabilitados com próteses implantossuportadas relatam maiores índices de autoconfiança e satisfação, especialmente em situações sociais que exigem fala e alimentação. Em contrapartida, Gomes et al. (2024) consideram o bem-estar subjetivo como consequência do sucesso técnico e funcional da prótese, sugerindo que a estabilidade e o conforto são precursores do equilíbrio emocional. Assim, enquanto Corrêa e Araújo (2024) partem de uma abordagem humanizada e psicossocial, Paraguaçu et al. (2023) e Gomes et al. (2024) enfatizam que o bem-estar é uma resposta decorrente da eficiência do tratamento.
A técnica clínica do dentista também se revela um fator decisivo para a satisfação do paciente. Corrêa e Araújo (2024) salientam que a habilidade técnica precisa ser acompanhada por sensibilidade e empatia, visto que o paciente em reabilitação passa por fragilidades emocionais. O sucesso terapêutico, portanto, depende não apenas do domínio técnico, mas da capacidade de acolher as inseguranças do paciente.
Já Gomes et al. (2024) analisam a técnica clínica com enfoque na precisão e durabilidade das próteses, destacando que erros na moldagem e adaptação influenciam diretamente o desconforto e a rejeição do dispositivo. Paraguaçu et al. (2023) propõem uma visão integradora, ressaltando que a humanização do atendimento, somada à competência técnica, favorece a adesão ao tratamento e reduz as taxas de insatisfação. Dessa comparação, observa-se que Corrêa e Araújo (2024) abordam o fator clínico sob uma perspectiva ética e emocional, enquanto os demais autores buscam equilibrar técnica e acolhimento como pilares do sucesso reabilitador.
Os aspectos culturais e socioeconômicos são igualmente relevantes para compreender o impacto do uso da prótese total na qualidade de vida. Corrêa e Araújo (2024) apontam que o edentulismo é frequentemente naturalizado em contextos de baixa renda, sendo visto como uma consequência inevitável do envelhecimento. As autoras defendem a importância de políticas públicas que promovam prevenção e educação em saúde bucal, reduzindo a desigualdade no acesso aos tratamentos reabilitadores. Paraguaçu et al. (2023) acrescentam que fatores culturais e financeiros influenciam diretamente a escolha entre próteses convencionais e implantossuportadas, sendo os implantes, em geral, inacessíveis para a maioria da população brasileira. Já Gomes et al. (2024) reforçam que cabe ao profissional orientar o paciente quanto às opções mais adequadas às suas condições clínicas e econômicas. Assim, os três estudos convergem ao reconhecer que os determinantes culturais e estruturais moldam tanto a experiência de perda dentária quanto às possibilidades de reabilitação, refletindo diretamente na percepção de qualidade de vida.
CONSIDERAÇÕES
Com base na análise realizada, é possível compreender que o uso da prótese total exerce influência direta sobre a qualidade de vida dos pacientes edêntulos, atendendo de forma significativa ao objetivo proposto de identificar as implicações funcionais, emocionais e sociais desse tipo de reabilitação. A prótese total possibilita a recuperação de funções essenciais, como mastigação, fala e estética, mas também devolve ao indivíduo a sensação de normalidade e pertencimento social. Esse processo de reabilitação não se restringe apenas à dimensão física, mas envolve um resgate da autoconfiança e da autonomia, aspectos fundamentais para o bem-estar geral do paciente.
Além das funções fisiológicas, observou-se que a prótese total possui papel fundamental na reconstrução da autoestima e na integração social dos indivíduos. A adaptação ao uso da prótese, embora possa exigir um período de ajustamento, representa uma etapa de superação e de aceitação pessoal. Quando o tratamento é acompanhado por acolhimento, empatia e orientação adequada por parte do cirurgião-dentista, o paciente tende a vivenciar uma experiência mais positiva, favorecendo sua saúde mental e emocional. Assim, o processo de reabilitação vai além do aspecto técnico, tornando-se uma vivência transformadora que contribui para a dignidade e a valorização da própria imagem.
Por fim, destaca-se que o impacto da prótese total na qualidade de vida depende também de fatores socioculturais e do acesso às políticas públicas de saúde bucal. A democratização dos tratamentos e a ampliação de programas de prevenção e reabilitação oral são fundamentais para garantir que todos os indivíduos possam desfrutar dos benefícios que a prótese proporciona. Portanto, conclui-se que a reabilitação com prótese total é um instrumento essencial de inclusão e reconstrução pessoal, capaz de restaurar não apenas a funcionalidade oral, mas também a autoestima, o convívio social e a dignidade humana.
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