CUIDADOS DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL DE ALTORISCO: UMA SÍNTESE DA LITERATURA SOBRE A SÍNDROME HELLP E MORTALIDADE MATERNA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511151217


Amanda Sá Sousa Silva; Kailane Morais Araújo; Lara dos Reis Sousa; Nausilene Barbosa da Silva; Simone Nascimento dos Santos; Orientador(a): Prof. Esp. Sandeyvison Oliveira da Silva; Prof. Esp. Pedro Henrique Rodrigues Alencar (Coorientador)


Resumo:

A Síndrome HELLP é uma complicação obstétrica grave associada à pré-eclâmpsia, caracterizada por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, representando importante causa de morbimortalidade materna e perinatal. Sua fisiopatologia envolve disfunção endotelial e inflamação sistêmica, podendo evoluir rapidamente e demandando diagnóstico e manejo imediatos. O presente estudo teve como objetivo analisar o papel da prática dos cuidados de enfermagem na redução da mortalidade materna decorrente da Síndrome HELLP em gestações de alto risco, com foco nas ações realizadas durante o pré-natal. Trata-se de uma pesquisa descritiva, de natureza qualitativa, do tipo síntese de literatura, realizada nas bases PubMed, Scopus, Web of Science, CINAHL, LILACS e SciELO, com uso dos descritores “Gravidez de Alto Risco”, “Síndrome HELLP”, “Enfermagem” e “Mortalidade Materna”. Foram incluídos estudos revisados por pares, publicados em português, inglês e espanhol. Os resultados apontam que a detecção precoce, o monitoramento contínuo e a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) são estratégias fundamentais para reduzir complicações e óbitos maternos. A atuação do enfermeiro no pré-natal de alto risco, aliada ao uso de protocolos baseados em evidências e à educação em saúde, mostrou-se essencial para a segurança materno-fetal. Conclui-se que o fortalecimento da SAE e a capacitação profissional são determinantes para o manejo eficaz da Síndrome HELLP e a redução da mortalidade materna.

Palavras-chave: Síndrome HELLP; Enfermagem; Gravidez de alto risco; Mortalidade materna; Sistematização da assistência de enfermagem.

Abstract:

The HELLP Syndrome is a severe obstetric complication associated with preeclampsia, characterized by hemolysis, elevated liver enzymes, and low platelet count, representing a major cause of maternal and perinatal morbidity and mortality. Its pathophysiology involves endothelial dysfunction and systemic inflammation, which can progress rapidly and require immediate diagnosis and management. This study aimed to analyze the role of nursing care practices in reducing maternal mortality resulting from HELLP Syndrome in high-risk pregnancies, focusing on prenatal care interventions. It is a descriptive, qualitative, literature synthesis study conducted in PubMed, Scopus, Web of Science, CINAHL, LILACS, and SciELO databases, using the descriptors “High-Risk Pregnancy,” “HELLP Syndrome,” “Nursing,” and “Maternal Mortality.” Peer-reviewed articles published in Portuguese, English, and Spanish were included. The results indicate that early detection, continuous monitoring, and implementation of the Nursing Care Systematization (NCS) are fundamental strategies to reduce complications and maternal deaths. The nurse’s performance in high-risk prenatal care, combined with evidence-based protocols and health education, proved essential for maternal and fetal safety. It is concluded that strengthening NCS and professional training are key factors for effective management of HELLP Syndrome and reduction of maternal mortality.

Keywords: HELLP Syndrome; Nursing; High-risk pregnancy; Maternal mortality; Nursing care systematization.

1 INTRODUÇÃO

A pré-eclâmpsia é uma complicação gestacional que contribui significativamente para a morbimortalidade materna e perinatal, caracterizada por hipertensão e disfunção orgânica. Fatores de risco incluem má placentação, doenças crônicas e idade avançada. A assistência de enfermagem, com monitoramento da pressão arterial e avaliação de proteinúria, é essencial para prevenir complicações graves (BATISTA et al, 2025).

O quadro clínico da doença é descrito por relatos de dor epigástrica no quadrante superior direito, mal estar e náuseas, porém as formas leves podem passar desapercebidas. Por esse motivo, é recomendado que as gestantes com pré-eclâmpsia realizem testes laboratoriais de triagem para Síndrome HELLP, afim de reduzir os riscos de morbimortalidade materna e fetal. (KREBS et al, 2021).

A mortalidade materna permanece como um desafio significativo para a saúde pública global e, em particular, no Brasil. As síndromes hipertensivas da gestação são reconhecidas como a principal causa de óbitos maternos, representando uma parcela substancial das mortes evitáveis (BRASIL, 2022). Este cenário ressalta a urgência de aprimorar as estratégias de cuidado e manejo de condições gestacionais de alto risco para mitigar desfechos adversos. Conforme Arduini et al. (2024), a atenção a essas síndromes é crucial para a redução da mortalidade materna, um problema ainda persistente na saúde pública. Krebs et al. (2021) reforçam a necessidade de intervenções eficazes para combater esses óbitos evitáveis.

Nesse contexto, a Síndrome HELLP (Hemólise, Elevação de Enzimas Hepáticas e Plaquetopenia) emerge como uma complicação obstétrica grave e potencialmente fatal, frequentemente associada à pré-eclâmpsia severa (COSTA et al., 2023). Ainda, Vitorino et al. (2021) e Arduini et al. (2024) também destacam a gravidade dessa síndrome. Embora sua incidência seja relativamente baixa, variando de 0,2% a 0,8% das gestações, e de 10% a 20% dos casos de pré-eclâmpsia grave, a Síndrome HELLP acarreta elevadas taxas de morbimortalidade materna e perinatal (COSTA et al., 2023; HARAM et al., 2009). Arduini et al. (2024) corroboram essa informação, enfatizando o impacto da síndrome. Caracterizada por uma tríade de alterações laboratoriais, a síndrome pode apresentar-se com sintomas inespecíficos como dor epigástrica, náuseas e vômitos, ou até mesmo de forma assintomática, o que dificulta seu diagnóstico precoce e manejo adequado (COSTA et al., 2023; VITORINO et al., 2021).

A complexidade de sua fisiopatologia, ainda não totalmente elucidada, e a rapidez com que o quadro clínico pode evoluir, tornam a Síndrome HELLP uma emergência obstétrica que demanda intervenção imediata e especializada (KREBS et al., 2021).

A assistência pré-natal de qualidade desempenha um papel fundamental na identificação e manejo de gestações de alto risco, sendo um fator protetor contra complicações e desfechos negativos (MARQUES et al., 2021; VITORINO et al., 2021). A importância do pré-natal é também sublinhada por Krebs et al. (2021) e Beer (2022), que apontam sua relevância na melhoria dos resultados materno-infantis. Nesse contexto, a atuação da equipe de enfermagem é crucial. O enfermeiro, por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), é capaz de planejar e executar cuidados individualizados, monitorar sinais de alerta, educar a gestante e sua família, e intervir precocemente diante de complicações como a Síndrome HELLP (MARQUES et al., 2021; VITORINO et al., 2021; ARDUINI et al., 2024). A relevância da SAE na prática da enfermagem é detalhada por Almeida (2011) e Corrêa (2024). A detecção precoce e o manejo eficaz da Síndrome HELLP são essenciais para reduzir a morbimortalidade associada, e a enfermagem, com suas ações de monitoramento contínuo e intervenção qualificada, é peça chave nesse processo (KREBS et al., 2021; ARDUINI et al., 2024).

A compreensão aprofundada da Síndrome HELLP e de sua correlação com a pré- eclâmpsia reforça a necessidade de qualificação contínua dos profissionais de enfermagem e da adoção de práticas baseadas em evidências no cuidado pré-natal Dessa forma, o cuidado sistematizado fortalece a vigilância clínica e amplia a capacidade de intervenção, reduzindo significativamente os riscos de morbimortalidade materna e perinatal associados à síndrome (Rocha et al., 2025) (Arduini et al., 2024).

Assim, diante da gravidade e da imprevisibilidade da Síndrome HELLP, torna-se imprescindível o fortalecimento das estratégias de prevenção, diagnóstico e manejo precoce no âmbito do pré-natal de alto risco. Dessa maneira, este estudo busca evidenciar a relevância da prática de enfermagem sistematizada como ferramenta essencial para a segurança materno-fetal e para a redução da mortalidade associada às complicações hipertensivas da gestação (Kuhn et al., 2024) (Rocha et al., 2025).

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 SÍNDROME HELLP: CONCEITO, FISIOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO

A Síndrome HELLP é uma complicação grave da gestação caracterizada por hemólise, elevação das enzimas hepáticas e plaquetopenia. Ela se manifesta frequentemente em associação com pré-eclâmpsia, sendo considerada uma de suas formas mais severas. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial, processos inflamatórios e coagulação intravascular disseminada, que comprometem múltiplos órgãos. Devido à sua rápida evolução e alta morbimortalidade, o diagnóstico precoce é essencial para a intervenção eficaz. O reconhecimento dos sinais clínicos e a realização de exames laboratoriais são as bases para confirmar a síndrome (COSTA et al., 2023).

Os sintomas da Síndrome HELLP podem ser inespecíficos, dificultando o diagnóstico inicial. Manifestações como dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e cefaleia são comuns, mas muitas vezes atribuídas a outros distúrbios gestacionais. A suspeita clínica deve ser reforçada em gestantes hipertensas, principalmente quando há alterações laboratoriais compatíveis. A falta de diagnóstico precoce pode levar a complicações severas, incluindo insuficiência hepática, hemorragias e falência múltipla de órgãos. Por isso, o acompanhamento rigoroso e a capacitação das equipes de saúde são indispensáveis para a prevenção da mortalidade (KATZ et al., 2008).

Os exames laboratoriais para a Síndrome HELLP incluem a dosagem da lactato desidrogenase (LDH), transaminases hepáticas e contagem de plaquetas. A hemólise é indicada pela elevação da LDH, enquanto o dano hepático se reflete nas enzimas hepáticas elevadas. A plaquetopenia, por sua vez, representa o comprometimento do sistema de coagulação. A interpretação conjunta desses dados permite o diagnóstico preciso e o monitoramento da progressão da doença. A realização periódica desses exames é recomendada para gestantes de alto risco, especialmente em quadros sugestivos (KHALID; TONISMAE, 2023).

Avanços tecnológicos têm permitido a implementação de protocolos clínicos para o diagnóstico e manejo da HELLP, promovendo a detecção mais precoce. O uso de ultrassonografia Doppler e exames laboratoriais em série são estratégias que auxiliam na avaliação da gravidade e no planejamento do parto. A atuação multidisciplinar é essencial para garantir intervenções seguras e oportunas. A capacitação contínua das equipes de saúde possibilita o emprego das melhores práticas baseadas em evidências científicas recentes. Esse esforço conjunto tem impactado positivamente na redução da mortalidade associada à síndrome (OLIVEIRA et al., 2025).

O manejo clínico da Síndrome HELLP demanda rápida avaliação e intervenção para evitar desfechos adversos. Em geral, o parto é indicado como tratamento definitivo, com suporte clínico intensivo para estabilização da paciente. O controle rigoroso da pressão arterial e a prevenção de complicações hemorrágicas são fundamentais no cuidado. A comunicação entre os profissionais e a gestante deve ser clara e contínua para garantir decisões compartilhadas. O monitoramento pós-parto também é crucial, pois complicações podem persistir ou surgir após o nascimento do bebê (HARAM; SVENDSEN; ABILDGAARD, 2009). A Síndrome HELLP é uma das principais causas de mortalidade materna em todo o mundo, principalmente em países com acesso limitado a serviços obstétricos especializados. A rápida progressão da síndrome e as complicações associadas, como hemorragias e insuficiência múltipla de órgãos, tornam o manejo um desafio clínico. Estudos indicam que a mortalidade pode ser reduzida significativamente com diagnóstico precoce e intervenções imediatas. A ausência de assistência adequada está diretamente ligada ao aumento das taxas de óbito materno. Portanto, investimentos em capacitação e infraestrutura são urgentes para reverter esse quadro (CONEJO et al., 2021).

Além da mortalidade direta, a HELLP pode ocasionar morbidade severa, com sequelas que comprometem a qualidade de vida da mulher. Insuficiência renal crônica, lesões hepáticas e disfunções hematológicas são complicações que demandam acompanhamento prolongado. O impacto emocional e psicológico decorrente da experiência também é relevante, muitas vezes negligenciado nos serviços de saúde. A integração do cuidado clínico com suporte psicossocial é necessária para o enfrentamento dessas consequências. Assim, a mortalidade materna é apenas a ponta do iceberg das implicações da síndrome (KHALID; TONISMAE, 2023).

A mortalidade materna por HELLP está relacionada, em grande parte, à demora na identificação e no tratamento adequado. Barreiras de acesso ao cuidado, falta de protocolos atualizados e insuficiência de profissionais capacitados são fatores determinantes. A educação continuada e a implementação de sistemas de alerta precoce são estratégias que têm mostrado eficácia na redução das mortes. A participação ativa da enfermagem é fundamental para que esses mecanismos funcionem plenamente. Além disso, a articulação entre os níveis de atenção é crucial para garantir a continuidade do cuidado (MANUAL DE GESTAÇÃO DE ALTO RISCO, 2022).

Estudos recentes mostram que o fortalecimento da rede de atenção à saúde materna, incluindo centros de referência para alto risco, reduz significativamente a mortalidade associada à Síndrome HELLP. Protocolos de transferência rápida e fluxos bem definidos agilizam o atendimento. O uso de tecnologias para monitoramento remoto também vem se mostrando promissor. A inclusão da mulher como protagonista do cuidado, através da educação e empoderamento, contribui para a busca precoce por assistência. O sucesso dessas estratégias depende da integração efetiva entre profissionais e políticas públicas (MELO et al., 2009).

Desse modo, a mortalidade materna relacionada à Síndrome HELLP destaca a importância da vigilância epidemiológica e das ações de saúde pública. O registro adequado dos casos e a análise dos determinantes sociais permitem direcionar políticas e recursos. A prevenção e o manejo adequado devem ser prioridades nos sistemas de saúde para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados à saúde materna. O fortalecimento das ações de enfermagem no pré-natal e na atenção hospitalar é uma estratégia comprovadamente eficaz (KREBS; SILVA; BELLOTTO, 2021).

2.2 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM (SAE)

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é um processo metodológico que organiza a prática profissional do enfermeiro, visando garantir uma assistência de qualidade, segura e eficaz aos pacientes. Esse processo é fundamental para a estruturação dos cuidados, pois permite o planejamento, a execução e a avaliação das ações de enfermagem de forma sistemática. A SAE contribui para a identificação das necessidades do paciente, favorecendo intervenções específicas e individualizadas. Além disso, a implementação adequada da SAE é essencial para o reconhecimento do papel do enfermeiro como profissional responsável pelo cuidado integral. Estudos demonstram que a aplicação da SAE melhora os resultados clínicos e a satisfação do paciente (OLIVEIRA et al., 2019).

Nessa ótica, ferramentas como NANDA, NOC e NIC são fundamentais para a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), pois oferecem uma linguagem padronizada e validada para o diagnóstico, a intervenção e a avaliação dos cuidados de enfermagem. A NANDA (North American Nursing Diagnosis Association) fornece uma classificação sistematizada de diagnósticos de enfermagem, que permite identificar e nomear as necessidades reais e potenciais dos pacientes de forma precisa (ALMEIDA, 2011).

Já para o NOC (Nursing Outcomes Classification), éestabelecido indicadores para medir os resultados esperados das intervenções, facilitando a avaliação do progresso do paciente ao longo do cuidado. Para as intervenções de enfermagem específicas temos o NIC (Nursing Interventions Classification), uma vez que descreve o que pode ser aplicado para alcançar os resultados desejados. O uso integrado dessas ferramentas contribui para a padronização, qualidade e efetividade da assistência, além de fortalecer a comunicação entre profissionais e a documentação dos cuidados prestados (ALMEIDA, 2011).

O desenvolvimento da Sistematização da Assistência de Enfermagem envolve etapas fundamentais, como coleta de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação. Cada etapa exige do enfermeiro habilidades técnicas e cognitivas para assegurar que as ações sejam fundamentadas em evidências científicas e em protocolos atualizados. A coleta de dados permite um levantamento detalhado do estado do paciente, servindo como base para o diagnóstico de enfermagem, que direciona as intervenções. A correta execução dessas etapas favorece a continuidade do cuidado e a comunicação eficaz entre a equipe multiprofissional (SHINKAI, 2024).

Conforme destaca Marques (2025), a SAE é um instrumento que fortalece a prática profissional e a gestão da enfermagem. A importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem transcende a organização das ações clínicas, abrangendo também o aspecto ético e legal da profissão. A SAE proporciona documentação detalhada e padronizada do cuidado prestado, o que é essencial para garantir a responsabilidade técnica do enfermeiro. Além disso, essa sistematização facilita auditorias, avaliações institucionais e a construção de indicadores de qualidade. A transparência e a rastreabilidade das ações de enfermagem são pilares para a segurança do paciente e para a melhoria contínua dos serviços de saúde.

Neste prisma, Almeida (2023), corroboram a afirmativa, uma vez que promover a cultura da SAE nas organizações de saúde é uma prioridade para garantir a efetividade do cuidado. A implementação da SAE enfrenta desafios, principalmente em ambientes com alta demanda e escassez de recursos humanos e materiais. Muitas vezes, a sobrecarga de trabalho limita o tempo que o enfermeiro pode dedicar ao processo sistematizado, prejudicando a qualidade da assistência. A falta de treinamento e de compreensão sobre a importância da SAE também compromete sua adoção plena nas instituições. Investir em capacitação e conscientização dos profissionais é uma estratégia essencial para superar essas barreiras.

Para Corrêa (2024), a integração da tecnologia na SAE potencializa a eficiência do trabalho do enfermeiro e aprimora a qualidade da assistência prestada. A tecnologia tem se mostrado aliada importante na Sistematização da Assistência de Enfermagem, especialmente com o uso de prontuários eletrônicos e sistemas informatizados de enfermagem. Essas ferramentas facilitam o registro, a organização e o compartilhamento das informações, além de permitir análises mais rápidas e precisas do estado do paciente. A informatização contribui para a padronização dos processos e para a redução de erros, além de possibilitar o acompanhamento longitudinal do cuidado.

Nesse contexto, o quadro 1 destaca os principais diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem com base na Síndrome HELLP, utilizando as ferramentas anteriormente descritas.

Quadro 1 – Diagnósticos, Intervenções e Resultados de enfermagem para Síndrome HELLP, com base nas ferramentas NANDA-I, NOC e NIC

Fonte: Elaborado pelo autor, 2025.

2.3 A IMPORTÂNCIA DA ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO PELA ENFERMAGEM

A assistência pré-natal de alto risco envolve o acompanhamento sistemático de gestantes que apresentam condições clínicas que aumentam os riscos maternos e perinatais. O profissional de enfermagem exerce um papel fundamental na vigilância desses casos, promovendo a identificação precoce de sinais de alerta. A consulta de enfermagem deve contemplar avaliação clínica, escuta ativa, orientação sobre sinais e sintomas e encaminhamento adequado quando necessário. Essa atuação contribui diretamente para a diminuição de complicações obstétricas e melhora da qualidade da assistência prestada. O acolhimento, a empatia e a comunicação efetiva são essenciais para fortalecer o vínculo com a gestante e garantir a adesão ao cuidado (CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SANTA CATARINA, 2016).

O enfermeiro, inserido na equipe multidisciplinar, é responsável por aplicar protocolos de cuidado, acompanhar exames, registrar alterações clínicas e promover a segurança da gestante e do feto. Estudos mostram que a presença ativa do enfermeiro nas consultas de alto risco eleva a qualidade do pré-natal, especialmente quando há escassez de médicos especialistas. A avaliação contínua das condições de saúde da mulher, associada a um planejamento terapêutico individualizado, permite decisões clínicas mais assertivas. Além disso, o enfermeiro atua na prevenção de intercorrências por meio de intervenções oportunas e fundamentadas em evidências. Essa atuação reduz internações emergenciais e melhora os desfechos obstétricos (REIS; ABI RACHED, 2017).

A presença da enfermagem no pré-natal permite um cuidado mais humanizado e sensível às especificidades de cada mulher. O enfermeiro é o profissional que mais tempo permanece ao lado da gestante, o que possibilita maior vínculo e confiança. Esse relacionamento facilita a escuta das queixas, a detecção de sintomas subjetivos e a abordagem integral da saúde da mulher. A atuação vai além da técnica: inclui suporte emocional, orientações educativas e mediação entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Em contextos de vulnerabilidade social, esse cuidado se torna ainda mais crucial para reduzir desigualdades e promover equidade (REIS, 2023).

Um dos pilares da atenção de enfermagem no pré-natal de alto risco é a educação em saúde. Através de orientações sobre os cuidados com o corpo, alimentação adequada, sinais de alerta e importância do acompanhamento contínuo, o enfermeiro capacita a gestante a tomar decisões informadas. Essa educação contínua contribui para melhorar o comportamento materno em relação à saúde e à adesão ao tratamento. Também favorece o empoderamento feminino, ao possibilitar maior autonomia diante do processo gestacional. Dessa forma, a enfermagem cumpre um papel preventivo e promotor de saúde, o que é essencial diante dos riscos envolvidos (MARQUES et al., 2021).

O cuidado prestado à gestante de alto risco precisa considerar aspectos emocionais e psicológicos frequentemente negligenciados. O enfermeiro, ao construir um espaço de confiança, possibilita que a gestante expresse suas inseguranças, medos e anseios. Essa abordagem fortalece o bem-estar emocional da mulher e repercute positivamente na evolução da gestação. A escuta qualificada e o acolhimento são instrumentos terapêuticos importantes no contexto do pré-natal. Quando bem conduzido, esse processo humaniza o cuidado e contribui para a redução do estresse e da ansiedade, fatores que podem agravar o risco gestacional (BATISTA et al., 2025).

No início de fevereiro de 2025, a cantora Lexa anunciou que deu à luz a sua filha Sofia às 25 semanas e 4 dias de gestação, após enfrentar um quadro de pré-eclâmpsia precoce, e que a bebê faleceu três dias depois do parto. Segundo reportagem da CNN Brasil, o caso incluiu também suspeita de Síndrome HELLP, que agravou o estado clínico materno, comprometendo fígado e rins, além da perfusão placentária do feto (CNN Brasil, 2025). Esse episódio evidencia como formas severas dessas síndromes hipertensivas podem evoluir de modo súbito e catastrófico, mesmo em contextos em que há acompanhamento pré-natal.

O relato midiático informa que a cantora havia adotado medidas preventivas, como uso de AAS (ácido acetilsalicílico) e cálcio durante a gestação, além de seguir protocolo de monitorização. No entanto, a progressão da doença foi rápida e exigiu intervenção hospitalar intensa “mais um dia e eu não estaria aqui para contar nem a minha história e nem a dela”, afirmou Lexa em sua postagem pública (UOL, 2025). Isso ilustra que, em casos de pré- eclâmpsia grave ou HELLP, mesmo condutas preventivas podem não ser suficientes diante de resistência fisiológica ou quadro fulminante.

A tragédia vivida por Lexa reforça a importância da atuação da equipe de enfermagem no reconhecimento precoce de sinais de alerta, no monitoramento rigoroso e na comunicação imediata com a equipe médica. No referencial teórico sobre síndromes hipertensivas gestacionais, esse caso serve como exemplo contemporâneo e nacional de como falhas (ou limitações) na progressão do cuidado podem culminar em perda fetal, reforçando a urgência de protocolos assistenciais eficazes e capacitação profissional constante.

2.4 PAPEL DO ENFERMEIRO NO MONITORAMENTO E MANEJO DA SÍNDROME HELLP

O enfermeiro é peça-chave no monitoramento contínuo de gestantes com suspeita ou diagnóstico confirmado da Síndrome HELLP. Sua função inclui a avaliação constante dos sinais vitais, acompanhamento dos resultados laboratoriais e observação de sinais clínicos que indiquem agravamento do quadro. A atuação rápida em casos de deterioração é essencial para minimizar riscos e garantir intervenções emergenciais. Além disso, o enfermeiro orienta a gestante e familiares sobre a importância do acompanhamento e do tratamento. Essa comunicação favorece o engajamento e a cooperação, que são vitais para o sucesso do manejo clínico (ARDUINI et al., 2024).

No monitoramento da síndrome, o enfermeiro deve estar atento a sinais de complicações como hemorragias, insuficiência renal e edema pulmonar. A avaliação detalhada e o registro cuidadoso das alterações clínicas auxiliam na tomada de decisão da equipe médica. O enfermeiro também deve garantir que os protocolos de cuidado sejam rigorosamente seguidos, assegurando a segurança do paciente. O papel educativo, voltado para a identificação precoce de sinais de alerta, também faz parte da sua rotina. Essa vigilância permanente é um diferencial no cuidado à gestante de alto risco (VITORINO et al., 2021).

A administração de medicamentos, incluindo anti-hipertensivos e corticosteroides, requer supervisão rigorosa do enfermeiro para assegurar a correta posologia e minimizar efeitos adversos. O enfermeiro é responsável por monitorar a resposta clínica e ajustar cuidados conforme orientações médicas. A atenção ao conforto e bem-estar da gestante é igualmente importante, incluindo medidas para controlar dor e ansiedade. O suporte emocional oferecido pelo enfermeiro pode influenciar positivamente na evolução clínica. Essas ações refletem a integralidade do cuidado de enfermagem na Síndrome HELLP (AVILA et al., 2020).

O enfermeiro também atua na organização do ambiente hospitalar para garantir condições adequadas de vigilância e segurança. A preparação da equipe para atendimento emergencial e o treinamento em protocolos específicos são responsabilidades compartilhadas. A comunicação efetiva entre os membros da equipe multiprofissional é facilitada pelo enfermeiro, que atua como articulador do cuidado. Essa coordenação é vital para respostas rápidas e eficazes em situações de risco. Assim, o enfermeiro contribui para a redução da morbimortalidade materna em ambientes hospitalares (OLIVEIRA; MADEIRA, 2011).

Ademais, o acompanhamento pós-parto da gestante que apresentou HELLP é fundamental para evitar sequelas e monitorar a recuperação. O enfermeiro deve garantir orientações claras sobre cuidados domiciliares, sinais de alerta e a necessidade de retorno ao serviço de saúde. A atenção à saúde mental também deve ser prioridade, visto o impacto emocional da experiência vivida. O suporte contínuo favorece a reintegração social e familiar da mulher. Assim, o papel da enfermagem ultrapassa o ambiente hospitalar, ampliando o cuidado integral à mulher (VITORINO et al., 2021).

2.5 ESTRATÉGIAS DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM PARA REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA EM CASOS DE HELLP

Para reduzir a mortalidade materna relacionada à Síndrome HELLP, a enfermagem deve adotar estratégias de cuidado baseadas em evidências e centradas na segurança do paciente. A vigilância rigorosa dos sinais vitais, a monitorização laboratorial constante e a pronta identificação de alterações são essenciais para intervenções oportunas. Protocolos clínicos padronizados auxiliam na organização das ações e na redução de erros. O registro detalhado e a comunicação eficiente entre os profissionais garantem continuidade e qualidade no cuidado. Essas práticas contribuem para o reconhecimento precoce de complicações e o manejo adequado (ARDUINI et al., 2024).

A capacitação dos profissionais de enfermagem em emergência obstétrica e cuidados de alto risco é fundamental para o sucesso das intervenções. Treinamentos periódicos e simulações clínicas preparam a equipe para situações críticas, aumentando a segurança e a confiança no atendimento. A atualização constante permite a aplicação de técnicas e protocolos modernos, alinhados às recomendações internacionais. A participação ativa dos enfermeiros na educação continuada reflete na qualidade do atendimento e nos resultados clínicos das gestantes (BRASIL, 2014).

O acolhimento e o suporte emocional ofertados pela enfermagem têm impacto direto na adesão ao tratamento e na recuperação da gestante. Técnicas de comunicação eficazes e escuta empática fortalecem o vínculo e reduzem a ansiedade materna. A orientação clara sobre procedimentos e sinais de alerta capacita a mulher e sua família para o autocuidado e para a busca imediata por ajuda em situações de risco. A humanização do cuidado é, portanto, uma estratégia de prevenção e promoção da saúde (PRATA; CINTRA, 2020).

O planejamento do cuidado deve considerar também as condições socioeconômicas da paciente, adaptando as orientações às suas realidades. A interdisciplinaridade e a articulação com serviços sociais são importantes para garantir suporte integral. A enfermagem atua como facilitadora nesse processo, identificando barreiras e buscando soluções que favoreçam o acesso e a continuidade do tratamento. Estratégias de cuidado comunitário e visitas domiciliares ampliam o alcance das ações e fortalecem a rede de suporte (SILVA et al., 2021).

Por fim, a avaliação contínua dos processos de cuidado e o uso de indicadores de qualidade são ferramentas essenciais para o aprimoramento das práticas de enfermagem. O feedback e a análise dos resultados possibilitam a identificação de pontos críticos e o desenvolvimento de melhorias. A cultura de segurança do paciente deve ser promovida em todos os níveis do serviço de saúde. Assim, a enfermagem contribui para a sustentabilidade dos avanços obtidos na redução da mortalidade materna associada à Síndrome HELLP (BEER, 2024).

3 METODOLOGIA

O presente estudo adota uma abordagem metodológica de revisão bibliográfica descritiva, estruturada no formato de revisão integrativa da literatura. O procedimento metodológico seguiu etapas distintas identificação, triagem, elegibilidade e inclusão, com o objetivo central de reunir e analisar criticamente publicações científicas que abordam os cuidados de enfermagem prestados a gestantes diagnosticadas com Síndrome HELLP. A ênfase recai sobre a identificação de protocolos assistenciais, condutas e estratégias de manejo que possam subsidiar práticas seguras e eficazes, contribuindo para a redução da morbimortalidade materna e perinatal.

A questão de pesquisa que norteia este estudo é: “Qual é o panorama documentado na literatura sobre os cuidados de enfermagem prestados a gestantes com Síndrome HELLP, e quais estratégias têm se mostrado mais eficazes no manejo dessa condição?”. Buscou-se compreender a produção científica recente que discute o papel da enfermagem diante dessa síndrome, destacando práticas clínicas, intervenções preventivas e processos de cuidado humanizado. Os critérios de inclusão envolveram artigos completos, disponíveis gratuitamente, em língua portuguesa, publicados entre 2019 e 2025, e com relevância direta ao tema. Foram excluídos trabalhos duplicados, incompletos, em outros idiomas, ou que não abordassem a atuação da enfermagem de forma explícita.

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados SciELO, LILACS, BDENF e BVS, entre os meses de Agosto e Outubro de 2025, utilizando os descritores combinados “Síndrome HELLP”, “pré-eclâmpsia” e “cuidados de enfermagem”, conforme os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Inicialmente, foram identificados 1.276 artigos, dos quais apenas oito atenderam aos critérios de elegibilidade e foram incluídos para análise final. Entre os autores recorrentes nas publicações selecionadas destacam-se Costa et al. (2023), Arduini et al. (2024) e Rocha et al. (2025), que contribuíram significativamente para o entendimento do tema.

Após a seleção e leitura crítica dos estudos, foi elaborado um quadro síntese contendo os principais protocolos, condutas e diretrizes relacionados à atuação da enfermagem frente à Síndrome HELLP. Este estudo visa compreender e consolidar o conhecimento existente, promovendo a formulação de estratégias assistenciais eficazes e o fortalecimento da prática clínica de enfermagem no contexto da atenção obstétrica de alto risco.

4 RESULTADOS

A busca bibliográfica realizada nas bases de dados SciELO, LILACS, BDENF e BVS, com os descritores “Síndrome HELLP”, “pré-eclâmpsia” e “cuidados de enfermagem”, resultou inicialmente em 1.276 artigos. Após a aplicação dos critérios de exclusão como duplicidade, idioma diferente do português, incompletude ou falta de relação direta com a atuação da enfermagem, 68 artigos foram selecionados para leitura do título e resumo. Desses, 22 foram avaliados na íntegra e, por fim, 7 artigos atenderam a todos os critérios de elegibilidade, compondo a amostra final desta revisão integrativa.

O processo de busca e seleção dos estudos seguiu as recomendações do protocolo PRISMA (PAGE et al., 2021), permitindo uma triagem sistemática e transparente das evidências. O Fluxograma 1 apresenta de forma resumida o percurso metodológico de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos que fundamentam esta pesquisa.

Após a etapa de seleção, seis (7) artigos foram incorporados, cada um desempenhando uma função significativa no âmbito desta investigação. Essa inclusão possibilitou a elaboração de uma tabela que expõe o grau de evidência de cada estudo, permitindo uma análise abrangente dos cuidados de enfermagem oferecidos nos serviços de emergência a pacientes queimados.

O QUADRO 1, APRESENTADO A SEGUIR, SINTETIZA ESSAS INFORMAÇÕES.

O quadro 2 clarifica tal distribuição e apresenta o nível de evidência, o autor(es), o ano de publicação, assim como o objetivo dos estudos e os principais achados.

Quadro 2. Quadro sinóptico com a distribuição e organização dos artigos selecionados considerando ano, autor(es), país, nível de evidência, população e/ou amostra, objetivo e principais achados

Fonte: Autoria própria, 2025.

5 DISCUSSÃO

Os resultados obtidos na presente revisão integrativa reforçam a relevância da atuação da enfermagem no reconhecimento precoce, monitoramento e manejo clínico da Síndrome HELLP. Observou-se que os estudos analisados convergem quanto à necessidade de capacitação contínua dos profissionais de enfermagem e à importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) como ferramenta essencial para qualificar o cuidado e reduzir os riscos de morbimortalidade materna e perinatal (ALMEIDA et al., 2023; ARDUINI et al., 2024). Esse achado corrobora a hipótese inicial do estudo, de que a enfermagem exerce papel determinante na prevenção e manejo das complicações associadas às síndromes hipertensivas gestacionais, especialmente a Síndrome HELLP.

Verificou-se também que a maioria dos estudos revisados aponta a assistência pré-natal qualificada como fator protetor crucial, favorecendo a identificação precoce de sinais clínicos e laboratoriais que indicam risco de evolução para HELLP (BATISTA et al., 2025; MARQUES et al., 2021). Pesquisas recentes, como a de COSTA et al. (2023) e OLIVEIRA et al. (2025), ressaltam que o diagnóstico precoce aliado à intervenção oportuna reduz significativamente os índices de mortalidade materna. Esses resultados estão em consonância com os protocolos do Ministério da Saúde (BRASIL, 2022), que enfatizam a vigilância clínica e laboratorial rigorosa durante o pré-natal e o parto.

Além disso, os dados evidenciam que falhas no reconhecimento dos sinais iniciais e no manejo adequado da síndrome ainda persistem em alguns contextos hospitalares, especialmente em regiões com menor acesso à tecnologia e à educação continuada (KREBS et al., 2021; CORRÊA, 2024). Esse cenário aponta para a necessidade de políticas públicas que ampliem a formação e o treinamento das equipes de enfermagem, conforme defendido por BEER (2024) e CARVALHO & NUNES (2021). Dessa forma, os resultados da presente revisão contribuem para reafirmar o papel da enfermagem como elemento-chave na rede de atenção obstétrica, promovendo cuidado seguro e humanizado.

Por fim, ao integrar os achados da literatura, observa-se que o fortalecimento da SAE e o investimento em estratégias de educação permanente podem aprimorar o raciocínio clínico e a tomada de decisão dos enfermeiros frente a emergências obstétricas, como a Síndrome HELLP. Assim, o estudo confirma que a assistência de enfermagem, quando guiada por protocolos baseados em evidências e sustentada por uma prática reflexiva, é fundamental para a redução da morbimortalidade materna e para a promoção da saúde integral da mulher e do recém-nascido (ARDUINI et al., 2024; VITORINO et al., 2021).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão integrativa permitiu compreender a relevância da atuação da enfermagem no reconhecimento precoce, manejo e acompanhamento de gestantes acometidas pela Síndrome HELLP. Os resultados obtidos evidenciaram que o enfermeiro exerce papel fundamental na detecção dos sinais clínicos, na monitorização dos parâmetros laboratoriais e na aplicação de condutas baseadas em protocolos assistenciais, contribuindo diretamente para a redução da morbimortalidade materna e perinatal. Dessa forma, os objetivos propostos neste estudo foram plenamente alcançados, uma vez que foi possível identificar práticas de enfermagem eficazes e alinhadas às diretrizes atuais de cuidado humanizado e seguro.

Observou-se ainda que a qualificação contínua dos profissionais e a implementação efetiva da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) são fatores determinantes para o fortalecimento do cuidado em saúde materna. A literatura recente demonstra que o uso de instrumentos clínicos e a aplicação do processo de enfermagem ampliam a capacidade de decisão e a autonomia profissional, refletindo em melhores desfechos para as gestantes com síndromes hipertensivas, em especial a HELLP.

Entre as limitações encontradas, destaca-se a escassez de estudos nacionais recentes com amostras amplas e metodologias padronizadas sobre o tema, o que indica a necessidade de novas pesquisas voltadas ao aprimoramento da assistência de enfermagem em contextos obstétricos complexos. Contudo, este estudo contribui para o avanço do conhecimento científico ao reafirmar o papel da enfermagem como agente essencial na prevenção, no cuidado e na reabilitação de mulheres acometidas por complicações hipertensivas durante a gestação, reforçando a importância da formação continuada e do cuidado centrado na paciente.

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