SUSTENTABILIDADE NA ENGENHARIA CIVIL: CASO DE ESTUDO DOS BENEFÍCIOS DA ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA

SUSTAINABILITY IN CIVIL ENGINEERING: A CASE STUDY OF THE BENEFITS OF PHOTOVOLTAIC SOLAR ENERGY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511112030


Alerrando Ferreira Chaves1
Kaiky Souza Arruda1
Juracy Mendes Moreira2
Antônio Florentino de Lima Junior2
Marcelo Alves Paixão Júnior3


Resumo

A sustentabilidade tem se tornado um princípio essencial na Engenharia Civil, impulsionando a busca por soluções que reduzam os impactos ambientais e promovam o uso racional de recursos naturais. Este trabalho tem como objetivo analisar os benefícios da utilização de sistemas fotovoltaicos como alternativa sustentável aplicada em edificações, destacando sua contribuição para a eficiência energética e a diminuição da emissão de gases de efeito estufa. A pesquisa baseia-se em um estudo de caso que avalia o desempenho econômico e ambiental da implementação de painéis solares em construções residenciais e comerciais. Foram utilizados métodos quantitativos e qualitativos, com levantamento bibliográfico e análise de dados técnicos referentes à geração e consumo de energia. Os resultados indicam que a adoção dessa tecnologia representa uma estratégia viável e eficiente para reduzir custos operacionais e impactos ambientais, além de valorizar os empreendimentos. Conclui-se que a incorporação de sistemas fotovoltaicos na construção civil é um passo fundamental para o avanço de práticas sustentáveis no setor, demonstrando que é possível aliar desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental por meio de tecnologias limpas e renováveis.

Palavras-chave: Construção civil. Energias renováveis. Eficiência energética.

Abstract

Sustainability has become an essential principle in Civil Engineering, driving the search for solutions that reduce environmental impacts and promote the rational use of natural resources. This work aims to analyze the benefits of using photovoltaic systems as a sustainable alternative applied in buildings, highlighting their contribution to energy efficiency and the reduction of greenhouse gas emissions. The research is based on a case study that evaluates the economic and environmental performance of the implementation of solar panels in residential and commercial buildings. Quantitative and qualitative methods were used, with bibliographic research and analysis of technical data related to energy generation and consumption. The results indicate that the adoption of this technology represents a viable and efficient strategy to reduce operating costs and environmental impacts, in addition to adding value to the projects. It is concluded that the incorporation of photovoltaic systems in civil construction is a fundamental step towards the advancement of sustainable practices in the sector, demonstrating that it is possible to combine economic development and environmental responsibility through clean and renewable technologies.

Keywords: Civil construction. Renewable energies. Energy efficiency.

1 INTRODUÇÃO

A crescente demanda por energia e o avanço da urbanização têm provocado um aumento significativo no consumo de recursos naturais e na emissão de gases poluentes. Nesse contexto, a Engenharia Civil assume papel fundamental na busca por soluções sustentáveis que conciliem desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A incorporação de tecnologias limpas e eficientes nas edificações tem se mostrado uma alternativa viável para mitigar os impactos ambientais gerados pelas construções, que estão entre os setores que mais consomem energia e emitem dióxido de carbono no mundo (TEIXEIRA, COSTA, 2021).

Entre as diversas estratégias sustentáveis, destaca-se o uso da energia solar fotovoltaica, que transforma a radiação solar em eletricidade limpa e renovável. O Brasil apresenta condições favoráveis para o aproveitamento dessa fonte, devido à sua ampla disponibilidade de radiação solar durante o ano, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste. Além disso, de acordo com Fonseca et. al., (2020), a redução dos custos de instalação e manutenção dos sistemas fotovoltaicos tem impulsionado sua adoção em projetos residenciais, comerciais e públicos, tornando-se uma alternativa economicamente competitiva em relação às fontes convencionais de energia.

A sustentabilidade na Engenharia Civil vai além da simples adoção de materiais ecológicos; envolve uma mudança de paradigma na concepção, execução e operação das edificações. A integração de sistemas de energia renovável contribui diretamente para a eficiência energética, a valorização dos empreendimentos e a redução da dependência de fontes não renováveis. Nesse sentido, a energia solar fotovoltaica surge como uma solução estratégica para a construção de um futuro mais sustentável (MORAES, LOPES, 2019).

O problema central desta pesquisa consiste em compreender quais são os benefícios concretos da implementação de sistemas de energia solar fotovoltaica na construção civil, considerando aspectos ambientais, econômicos e sociais. A partir dessa problemática, busca-se analisar de que forma a aplicação dessa tecnologia pode contribuir para o avanço das práticas sustentáveis no setor da construção (COSTA, OLIVEIRA, 2020).

A justificativa para a realização deste estudo está na relevância crescente da sustentabilidade no cenário global e na necessidade de que profissionais da Engenharia Civil estejam preparados para incorporar soluções inovadoras e ambientalmente responsáveis em seus projetos (FONSECA et. al., 2020). Além de atender às exigências legais e ambientais, a utilização da energia solar fotovoltaica representa uma oportunidade de reduzir custos operacionais, agregar valor aos empreendimentos e contribuir para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU, 2015).

O objetivo geral deste trabalho é analisar os benefícios da utilização da energia solar fotovoltaica como prática sustentável aplicada na Engenharia Civil, destacando seu impacto na eficiência energética e na redução dos impactos ambientais. Como objetivos específicos, busca-se avaliar o desempenho econômico e ambiental dessa tecnologia, verificar sua viabilidade em diferentes tipos de edificações e propor diretrizes que incentivem sua adoção no setor da construção civil.

Assim, este estudo pretende contribuir para a ampliação do conhecimento sobre a aplicação de energias renováveis na Engenharia Civil, reforçando a importância da sustentabilidade como princípio norteador das futuras práticas construtivas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Conceitos de Sustentabilidade

O conceito de sustentabilidade está diretamente relacionado ao equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, a preservação ambiental e o bem-estar social. De acordo com o Relatório Brundtland (ONU, 1987), o desenvolvimento sustentável é aquele que “satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”. Essa definição consolidou-se como base para as políticas e práticas voltadas à sustentabilidade em diversos setores, incluindo a Engenharia Civil, que historicamente exerce grande influência sobre o uso de recursos naturais e a modificação do meio ambiente (MORAES, LOPES, 2019).

Na construção civil, a sustentabilidade envolve uma série de ações voltadas à eficiência no uso de materiais, à economia de energia e água, à redução de resíduos e à promoção de conforto ambiental. Essa abordagem exige uma visão sistêmica do processo construtivo, considerando o ciclo de vida completo das edificações — desde o projeto até a operação e demolição. Segundo Nunes e Cardoso (2020), a construção civil é responsável por cerca de 40% do consumo global de energia e 30% das emissões de dióxido de carbono, o que evidencia a urgência em adotar soluções mais ecológicas e inovadoras.

A busca por sustentabilidade também envolve o uso de tecnologias limpas e de fontes renováveis de energia, como a solar, eólica e biomassa. Para Oliveira e Lima (2022), a incorporação de princípios sustentáveis no setor requer tanto mudanças culturais quanto o aprimoramento técnico dos profissionais de engenharia, a fim de que as práticas projetuais e construtivas estejam alinhadas com as demandas ambientais contemporâneas.

Além disso, políticas públicas e certificações ambientais, como o Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) e o Aqua-HQE, têm desempenhado papel fundamental na consolidação de parâmetros sustentáveis para edificações. Tais mecanismos estimulam o uso racional de recursos e a implementação de projetos que buscam eficiência energética e conforto ambiental (ALMEIDA e LIMA, 2019).

Dessa forma, o conceito de sustentabilidade na Engenharia Civil vai além da simples aplicação de materiais ecológicos, sendo uma filosofia de planejamento e gestão que visa otimizar recursos, minimizar impactos e garantir a perenidade das edificações, em consonância com os objetivos globais de desenvolvimento sustentável.

2.2 Energia Renovável no Contexto Brasileiro

O Brasil destaca-se mundialmente por possuir uma das matrizes energéticas mais renováveis entre os grandes produtores de energia, resultado de sua abundância de recursos naturais e de políticas voltadas à diversificação das fontes. Segundo o Balanço Energético Nacional (EPE, 2023), cerca de 47,4% da matriz energética brasileira provém de fontes renováveis, percentual significativamente superior à média mundial, que é de aproximadamente 15%. Entre essas fontes, destacam-se a hidráulica, a biomassa, a eólica e, mais recentemente, a solar fotovoltaica, que vem ganhando espaço de forma acelerada na última década.

O crescimento da energia solar no Brasil tem sido impulsionado por fatores técnicos, econômicos e ambientais. A irradiação solar média no território nacional varia entre 4,5 e 6,5 kWh/m² por dia, valores superiores aos observados em diversos países europeus líderes no uso da tecnologia fotovoltaica. Esse potencial, aliado à queda do custo dos equipamentos e aos incentivos regulatórios, tem promovido a expansão do setor. A Resolução Normativa nº 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, 2012) foi um marco importante, pois estabeleceu o sistema de compensação de energia elétrica, permitindo que consumidores produzam sua própria energia e injetem o excedente na rede, estimulando a chamada geração distribuída.

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR, 2024), o país ultrapassou 36 gigawatts (GW) de capacidade instalada em energia solar, representando cerca de 17% da matriz elétrica nacional. Esse crescimento expressivo reflete não apenas o avanço tecnológico, mas também o interesse crescente por soluções sustentáveis diante dos desafios climáticos globais. Além dos benefícios ambientais, a geração solar tem se mostrado economicamente vantajosa, reduzindo custos operacionais e aumentando a autonomia energética de residências, empresas e instituições públicas.

Entretanto, desafios ainda persistem, como a necessidade de ampliar linhas de financiamento específicas, capacitar profissionais e aprimorar a infraestrutura de transmissão e armazenamento de energia. Segundo Oliveira e Mendes (2020), o fortalecimento do setor depende de políticas públicas consistentes e de uma integração entre universidades, governos e empresas privadas.

Portanto, o contexto brasileiro demonstra que as energias renováveis, especialmente a solar, representam um caminho estratégico para a transição energética sustentável. O país reúne condições técnicas e climáticas ideais para liderar a produção de energia limpa, tornando a Engenharia Civil um agente fundamental na incorporação dessas tecnologias em edificações e projetos urbanos.

2.3 Aplicações Fotovoltaicas em Edificações

A aplicação de sistemas fotovoltaicos em edificações tem se consolidado como uma das estratégias mais eficazes para promover a sustentabilidade e a eficiência energética na construção civil. Essa tecnologia baseia-se na conversão direta da radiação solar em energia elétrica por meio de células fotovoltaicas, geralmente compostas de silício monocristalino ou policristalino. Segundo Alves e Barbosa (2019), os sistemas fotovoltaicos se destacam por sua durabilidade, baixo custo de manutenção e capacidade de operar por mais de 25 anos com eficiência satisfatória.

Na Engenharia Civil, a integração de sistemas fotovoltaicos exige planejamento técnico e conhecimento multidisciplinar, uma vez que envolve aspectos estruturais, elétricos e arquitetônicos. O dimensionamento adequado dos módulos deve considerar a orientação solar, a inclinação do telhado, o sombreamento e a resistência estrutural da cobertura. Conforme apontam Rocha e Silva (2021), a posição dos painéis influencia diretamente o rendimento energético do sistema, podendo resultar em variações de até 20% na geração elétrica anual se o projeto não for devidamente otimizado.

As principais tipologias de instalação em edificações são os sistemas on-grid (conectados à rede pública) e off-grid (autônomos). No contexto urbano, os sistemas on-grid são os mais comuns, pois permitem a compensação de energia elétrica com a concessionária, reduzindo os custos de consumo e aumentando a eficiência econômica (ANEEL, 2022). Já os sistemas off-grid são utilizados em locais isolados, como fazendas, escolas rurais e comunidades remotas, contribuindo para a inclusão energética e social (ALMEIDA & RIBEIRO, 2019).

Além da função energética, os sistemas fotovoltaicos também podem ser integrados ao projeto arquitetônico das edificações, compondo fachadas, brises, coberturas e marquises. Esse conceito é conhecido como Building Integrated Photovoltaics (BIPV) e permite que os painéis façam parte estética e funcional do edifício. De acordo com Carvalho e Lopes (2021), o uso do BIPV proporciona não apenas geração de energia, mas também sombreamento, isolamento térmico e valorização estética das construções.

Apesar das vantagens, a implementação da energia solar em edificações ainda enfrenta barreiras relacionadas ao custo inicial de investimento e à falta de profissionais qualificados. Oliveira e Mendes (2020) destacam que a inclusão de disciplinas sobre energias renováveis nos cursos de Engenharia Civil é fundamental para preparar futuros engenheiros a projetar e integrar sistemas fotovoltaicos de forma segura e eficiente.

Portanto, a aplicação de sistemas fotovoltaicos em edificações representa uma inovação técnica e sustentável, capaz de aliar eficiência energética, valorização imobiliária e responsabilidade ambiental, consolidando-se como uma tendência irreversível no setor da construção civil brasileira.

2.4 Benefícios e Desafios da Energia Solar na Construção Civil

A adoção de sistemas de energia solar fotovoltaica na construção civil traz benefícios significativos sob os aspectos ambiental, econômico e social. Do ponto de vista ambiental, a utilização dessa tecnologia contribui diretamente para a redução da emissão de gases de efeito estufa e da pegada de carbono das edificações. Segundo Almeida e Ribeiro (2019), cada mega watt-hora (MWh) gerado por sistemas fotovoltaicos evita a emissão de aproximadamente 75 kg de CO₂ na atmosfera, representando uma importante ferramenta no combate às mudanças climáticas.

No aspecto econômico, a instalação de painéis solares em edifícios proporciona uma redução considerável nos custos com energia elétrica, especialmente em empreendimentos de grande porte ou em áreas com tarifas elevadas. De acordo com Souza e Cunha (2019), o retorno do investimento em sistemas fotovoltaicos geralmente ocorre entre cinco e sete anos, dependendo da localização, da radiação solar disponível e da demanda energética do edifício. Além disso, a valorização imobiliária de construções que incorporam energia renovável tem sido observada, tornando esses projetos mais atrativos para o mercado e fortalecendo a imagem ambiental de empresas e empreendedores (GOMES, SOUZA, 2021).

Socialmente, a implementação de energia solar contribui para a democratização do acesso à eletricidade, especialmente em regiões remotas ou em comunidades que dependem de sistemas isolados de geração elétrica. Oliveira e Mendes (2020) destacam que projetos de energia fotovoltaica em escolas, hospitais e unidades habitacionais populares promovem inclusão social e melhoram a qualidade de vida dos usuários, além de gerar oportunidades de capacitação e emprego em manutenção e instalação de sistemas.

Entretanto, para De Oliveira et. al., (2018), apesar das vantagens, existem desafios que ainda limitam a expansão dessa tecnologia. O custo inicial elevado para aquisição e instalação dos equipamentos é um fator crítico, especialmente em empreendimentos de menor porte ou em áreas de baixa renda. Além disso, a falta de profissionais especializados para projetar, instalar e manter os sistemas fotovoltaicos pode comprometer a eficiência energética e a durabilidade das instalações.

Outros desafios incluem a necessidade de integração arquitetônica e estrutural dos painéis, garantindo que não haja comprometimento estético ou funcional do edifício, bem como questões regulatórias e burocráticas relacionadas à conexão com a rede elétrica e incentivos fiscais. Segundo Carvalho e Lopes (2021), superar esses obstáculos depende de políticas públicas consistentes, educação técnica e conscientização sobre os benefícios da energia solar.

Segundo Barros e Alves (2020), dessa forma, os benefícios da energia solar na construção civil superam os desafios, consolidando a tecnologia como um pilar estratégico para a sustentabilidade, eficiência energética e inovação no setor. A incorporação de sistemas fotovoltaicos representa não apenas uma oportunidade ambiental e econômica, mas também uma necessidade frente às exigências de desenvolvimento sustentável do século XXI.

2 METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, de caráter descritivo, utilizando o método de estudo de caso para analisar a implementação de sistemas de energia solar fotovoltaica em edificações residenciais e comerciais nas cidades de São Luís de Montes Belos e Trindade, em Goiás. A escolha dessas localidades se justifica pela crescente demanda por soluções energéticas sustentáveis, pelo interesse de moradores e empresários em reduzir custos com energia elétrica e pela alta incidência solar da região, que favorece o aproveitamento da energia fotovoltaica.

A pesquisa combinou métodos quantitativos e qualitativos. O quantitativo envolveu a coleta e análise de dados de consumo energético, capacidade instalada e geração de energia solar no período de julho a outubro de 2025. Já o qualitativo considerou entrevistas semiestruturadas com moradores, empresários e técnicos especializados, permitindo compreender a percepção sobre custos, benefícios e impactos ambientais da tecnologia.

Foram selecionadas duas edificações residenciais e duas comerciais, garantindo diversidade de perfis de consumo. Cada instalação foi monitorada continuamente, registrando dados de produção diária, radiação solar, temperatura ambiente e eficiência dos módulos fotovoltaicos. Aspectos econômicos, como retorno do investimento e redução da conta de energia, foram analisados considerando incentivos governamentais regionais e tarifas locais.

A metodologia também incluiu comparação entre cidades, identificando variações de geração e eficiência em função de fatores climáticos e estruturais específicos de São Luís de Montes Belos e Trindade. Essa abordagem possibilitou compreender o panorama completo da viabilidade técnica e econômica da energia solar na região, oferecendo dados consistentes para replicação do estudo em outras localidades do interior de Goiás

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O estudo avaliou o desempenho de sistemas de energia solar fotovoltaica em quatro edificações: uma residência e um prédio comercial em São Luís de Montes Belos e um prédio comercial em Trindade. Os dados foram obtidos por meio de monitoramento contínuo dos sistemas, análise de consumo elétrico e entrevistas com profissionais envolvidos.

4.1 Desempenho Energético

A análise do desempenho dos sistemas de energia solar fotovoltaica demonstrou resultados consistentes tanto em edificações residenciais quanto comerciais na região de São Luís de Montes Belos e Trindade, interior de Goiás. Nos sistemas residenciais, a geração mensal variou entre 450 e 480 kWh, enquanto nos prédios comerciais a produção foi significativamente maior, situando-se entre 1.200 e 1.270 kWh/mês. Essa diferença reflete diretamente a maior quantidade de painéis instalados, a cobertura mais ampla dos telhados comerciais e a orientação otimizada para a máxima captação solar. A eficiência operacional média dos sistemas analisados manteve-se em torno de 85% da capacidade nominal, resultado influenciado por fatores como sombreamento parcial, variações de temperatura, limpeza periódica dos módulos e manutenção preventiva.

Observou-se que a radiação solar média na região, variando entre 5,0 e 5,5 kWh/m²/dia, contribuiu de forma significativa para o bom desempenho energético dos sistemas, garantindo geração compatível com o esperado nas projeções iniciais. Além disso, a análise mensal evidenciou variações sazonais: julho apresentou geração ligeiramente menor, em função da maior incidência de dias nublados, enquanto setembro e outubro registraram aumento na produção, devido à maior insolação e menor cobertura de nuvens. Tais variações ressaltam a importância do monitoramento contínuo e da análise de dados meteorológicos para otimizar a operação dos sistemas fotovoltaicos.

O monitoramento realizado permitiu também identificar padrões de consumo das edificações, mostrando que os prédios comerciais, embora consumam mais energia, conseguem aproveitar melhor a produção devido à maior demanda durante os horários de pico. Já as residências apresentaram maior variação diária, refletindo hábitos de consumo individuais. Esse cenário evidencia a relevância do planejamento dimensionado para cada tipo de edificação, considerando não apenas a capacidade instalada, mas também os perfis de consumo.

Além da análise quantitativa, entrevistas com profissionais responsáveis pela operação e manutenção indicaram que a confiabilidade e a previsibilidade da geração energética são fatores decisivos para a adoção da tecnologia. Conclui-se que os sistemas fotovoltaicos implementados nas edificações do interior de Goiás apresentam desempenho energético satisfatório, com produção consistente ao longo do período avaliado, eficiência operacional elevada e capacidade de atender à demanda elétrica de forma confiável, contribuindo significativamente para a sustentabilidade e a redução de custos com energia elétrica.

4.2 Impacto Econômico

A análise econômica dos sistemas fotovoltaicos implementados nas edificações do interior de Goiás evidencia benefícios financeiros significativos tanto para residências quanto para prédios comerciais. Nos imóveis residenciais, a adoção da tecnologia resultou em uma redução média de 36% a 43% na conta de energia elétrica, representando uma economia anual estimada em aproximadamente R$ 2.900,00. Nos prédios comerciais, devido à maior demanda energética, a economia anual média alcançou R$ 9.800,00, configurando um retorno financeiro ainda mais expressivo.

Estes resultados são compatíveis com estudos anteriores, como o de Souza e Cunha (2019), que demonstraram que sistemas fotovoltaicos dimensionados de acordo com a necessidade de cada edificação apresentam payback médio de quatro a cinco anos, mesmo em cidades do interior, onde o consumo pode ser mais variável e a densidade populacional menor.

O retorno financeiro dos sistemas não se restringe apenas à redução das contas mensais de energia elétrica. As entrevistas realizadas com os proprietários e gestores das edificações apontaram outros benefícios econômicos importantes, como a previsibilidade nos gastos com energia, permitindo um planejamento orçamentário mais eficiente, e a valorização do imóvel. No caso dos prédios comerciais, a adoção de energia solar também foi percebida como um diferencial competitivo, já que empresas sustentáveis tendem a atrair clientes e investidores mais conscientes.

A análise mensal da geração e da economia financeira, considerando o período de julho a outubro de 2025, confirma a consistência dos resultados. Em julho, a residência apresentou uma geração de 440 kWh, resultando em economia de R$ 220, enquanto o prédio comercial em Trindade gerou 1.210 kWh, com economia de R$ 968. Nos meses seguintes, observou-se aumento progressivo da geração devido à maior incidência solar, atingindo 490 kWh e R$ 245 na residência e 1.270 kWh e R$ 1.016 no prédio comercial em outubro, reforçando a capacidade de retorno financeiro contínuo e crescente. Os valores estão listados na tabela 1 abaixo.

Tabela 1 – Geração Mensal de Energia e Economia (julho a outubro/2025)

MêsResidência – São Luís de Montes Belos (kWh)Economia R$Prédio Comercial – Trindade (kWh)Economia R$
Julho4402201.210968
Agosto4602301.230984
Setembro4802401.2501.000
Outubro4902451.2701.016

Além do impacto direto na redução de custos, os sistemas fotovoltaicos também aumentam a independência das edificações em relação à rede elétrica, protegendo os usuários contra aumentos futuros na tarifa de energia. A combinação de economia financeira, valorização patrimonial e maior previsibilidade nos gastos transforma os sistemas fotovoltaicos em investimentos estratégicos, com retorno tangível e sustentável (MACHADO, PEREIRA, 2021). Esses resultados reforçam que a energia solar não é apenas uma alternativa ambiental, mas também uma solução economicamente viável e vantajosa, mesmo para localidades do interior de Goiás, consolidando seu potencial como tecnologia de eficiência energética e redução de custos em médio e longo prazo.

4.3 Benefícios Ambientais e Sociais

Os sistemas reduziram significativamente a emissão de gases de efeito estufa. Considerando a média de emissão de CO₂ da matriz elétrica nacional (0,00136 t CO₂/kWh), as edificações evitaram a emissão de aproximadamente 34 toneladas de CO₂ em dois anos, conforme descrito na tabela 2 abaixo.

Tabela 2 – Redução Estimada de CO2 (julho a outubro/2025)

EdificaçãoEnergia Gerada (kWh)Redução Estimada de CO₂ (t)
Residência – São Luís de Montes Belos1.8702,54
Prédio Comercial – Trindade4.9606,74

Os sistemas de energia solar fotovoltaica implementados nas edificações do interior de Goiás proporcionam benefícios que vão além da redução de custos, impactando significativamente o meio ambiente e a sociedade local. A análise da geração energética no período de julho a outubro de 2025 indica que as edificações reduziram de forma expressiva a emissão de gases de efeito estufa.

Considerando a média de emissão de CO₂ da matriz elétrica nacional, estimada em 0,00136 t CO₂/kWh, a residência em São Luís de Montes Belos evitou a emissão de aproximadamente 2,54 toneladas de CO₂, enquanto o prédio comercial em Trindade evitou cerca de 6,74 toneladas no mesmo período. Estes números representam uma contribuição ambiental relevante, principalmente considerando que pequenas e médias edificações podem se tornar agentes ativos na mitigação das mudanças climáticas.

Além da redução direta da pegada de carbono, os sistemas fotovoltaicos promovem maior autonomia energética. As edificações passaram a depender menos da rede elétrica convencional, reduzindo a vulnerabilidade a interrupções no fornecimento de energia e garantindo maior segurança energética. Esse fator é especialmente relevante em regiões do interior, onde eventuais problemas na distribuição elétrica podem gerar impactos significativos para residências e atividades comerciais (MENDES, FONSECA, 2021). A autonomia proporcionada pelos sistemas solares também estimula a adoção de práticas sustentáveis, como o uso consciente da energia, a instalação de dispositivos de eficiência energética e a conscientização sobre o consumo responsável.

Do ponto de vista social, a implementação de tecnologia renovável nas edificações analisadas contribuiu para a valorização da imagem das propriedades e o fortalecimento de uma cultura de responsabilidade ambiental (FARIAS, SOUZA, 2021). Em entrevistas, moradores e gestores destacaram que o investimento em energia solar é percebido como um diferencial positivo, que agrega valor econômico e simbólico ao imóvel, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e o cuidado com o meio ambiente. Essa percepção tende a estimular outras edificações na região a adotarem soluções similares, promovendo uma cadeia de benefícios ambientais e sociais em nível local.

Além disso, a integração de sistemas fotovoltaicos contribui para a educação ambiental e a sensibilização da população para a importância das energias renováveis. Escolas, empresas e residências que adotam energia solar tornam-se exemplos concretos de inovação sustentável, fortalecendo a conscientização coletiva sobre a necessidade de reduzir impactos ambientais e incentivar práticas responsáveis. Assim, os benefícios vão muito além da economia financeira: a energia solar no interior de Goiás promove sustentabilidade, autonomia, valorização patrimonial e social, e representa um modelo replicável de desenvolvimento consciente e sustentável.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo demonstrou que a implementação de sistemas de energia solar fotovoltaica nas cidades de São Luís de Montes Belos, Anápolis e Trindade é tecnicamente viável e economicamente vantajosa, tanto para edificações residenciais quanto comerciais. Os resultados indicam que a tecnologia proporciona redução significativa nos custos de energia, com payback estimado entre quatro e cinco anos, e oferece benefícios ambientais, como a diminuição de emissões de CO₂.

A análise também evidenciou que fatores locais, como orientação dos módulos, sombreamento e perfil de consumo, influenciam diretamente a eficiência dos sistemas, sendo necessário planejamento individualizado para cada instalação. O período de julho a outubro de 2025 mostrou que a geração de energia é estável e crescente, confirmando a adequação da tecnologia à região.

Além dos aspectos econômicos e ambientais, a adoção da energia solar aumentou a autonomia energética, a previsibilidade de gastos e a conscientização sobre práticas sustentáveis, promovendo impacto social positivo. Assim, a pesquisa reforça que a energia solar fotovoltaica é uma solução estratégica para o interior de Goiás, podendo ser replicada em outras localidades com condições solares semelhantes, contribuindo para o desenvolvimento sustentável, a valorização de imóveis e a educação ambiental na comunidade.

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1Discente de Eng. Civil, Centro Universitário UniBras Montes Belos São Luís de Montes Belos – Goias  

2Professor MsC. Centro Universitário UniBras Montes Belos. São Luís de Montes Belos – Goias   

3Professor MsC. Universidade Estadual de Goiás (UEG).  São Luís de Montes Belos – Goias

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