EFICÁCIA DA HIDROCINESIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA ARTROSE NO JOELHO DE IDOSOS SEDENTÁRIOS: IMPACTO NA MOBILIDADE, DOR E QUALIDADE DE VIDA

EFFICIENCY OF HYDROKINESIOTHERAPY IN THE TREATMENT OF KNEE OSTEOARTHRITIS IN SEDENTARY ELDERLY INDIVIDUALS: IMPACT ON MOBILITY, PAIN, AND QUALITY OF LIFE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511112023


Maria Fernanda Ferreira Campos1
Misrael Leão Fermin1
Elizângela Fernandes Marques1
Mayara Guedes de Oliveira1
Jéssica Farias Macedo2


Resumo

Introducão: A hidrocinesioterapia gera uma sensação de alivio em casos crônicos de dor em pessoas idosas com diagnóstico de artrose na região do joelho, pois a água é um excelente fator na geração de fatores que diminuem o efeito das sobrecargas nas articulações, proporcionando uma qualidade na mobilidade e no fortalecimento dos músculos. Objetivo: A pesquisa tem como objetivo apresentar os métodos utilizados na hidroterapia, com intuito de possibilitar uma melhor qualidade de vida em relação às causas e consequências que a artrose de joelhos produz na vida dos idosos. Materiais e método: O método utilizado foi à busca nas bases de dados de artigos científicos da LILACS, MEDLINE, BIREME, Revista Brasileira de Fisioterapia, informações relacionadas ao assunto. Conclusão: Conclui-se que a hidrocinesioterapia produz excelentes resultados quanto ao alivio de dor e na redução das limitações de movimentos em idosos com osteoartrose. Portanto, afirma-se a importância da hidrocinesioterapia como um dos meios fisioterapêuticos eficaz para o tratamento da artrose.

Palavras-chaves: Hidroterapia. Idosos. Artrose. Joelho.

Abstratct

Introduction: Hydrokinesiotherapy generates a feeling of relief in chronic pain in elderly people diagnosed with osteoarthritis in the knee region, as water is an excellent factor in generating factors that reduce the effect of overload on the joints, providing quality mobility and strengthening of the muscles. Objective: The research aims to present the methods used in hydrotherapy, in order to enable a better quality of life in relation to the causes and consequences that knee osteoarthritis produces in the lives of the elderly. Materials and method: The method used was a search in the scientific article databases of LILACS, MEDLINE, BIREME, Brazilian Journal of Physiotherapy, for information related to the subject. Conclusion: It is concluded that hydrokinesiotherapy produces excellent results in terms of pain relief and reduction of movement limitations in elderly people with osteoarthritis. Therefore, the importance of hydrokinesiotherapy as one of the effective physiotherapeutic means for the treatment of osteoarthritis is affirmed.

Keywords: Hydrotherapy. Elderly. Osteoarthritis. Knee.

1. INTRODUÇÃO

A ampliação da expectativa de vida é um fator que contribui de forma muito relevante para a ampliação de serviços em saúde voltados aos idosos. Esse fenômeno demográfico é uma variante que trouxe novos desafios de saúde publica, sendo que o envelhecimento é ligado aos processos de transformações físicas e mentais que podem comprometer a estabilidade, e aumentam os índices de patologias crônicas, que reduzem a autonomia funcional dessas pessoas. Consequentemente, observa-se uma maior necessidade de atenção à saúde dessa população, especialmente em virtude de sua vulnerabilidade a condições patológicas que impactam diretamente sua qualidade de vida (Da Fonseca, 2021).

Segundo Da Fonseca (2012) a promoção de ações governamentais e a execução da promoção de políticas de prevenção, podem fazer a diferença na vida das populações idosas. O processo de envelhecimento da população é um fenômeno que merece uma observação mais eficaz quanto à cognição e fisiologia dessas pessoas, que se tornam mais suscetíveis á doenças degenerativas.

Por tanto, a dificuldade apontada no trecho anterior, não aborda apenas na esfera biológica, mas também na esfera psicossocial e funcional, fazendo com que surjam novos debates integrais e ainda mais interdisciplinares, no cuidado com a saúde da pessoa idosa. Assim, reconhecer a necessidade de atenção ampliada a essa população é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de intervenção que favoreçam a manutenção da autonomia, a prevenção de incapacidades e a melhoria da qualidade de vida, alinhando-se às diretrizes de promoção do envelhecimento saudável preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020).

Entre as alterações mais comuns decorrentes do envelhecimento, destacam-se a redução da mobilidade funcional e do equilíbrio corporal, frequentemente agravada por doenças osteoarticulares, como a osteoartrite (OA). (Caramanho, 2001; Zacaron, 2006). Por esse motivo tornam-se necessários estudos sobre como melhorar a qualidade de vida dos idosos por meio da fisioterapia e de suas disponibilidades técnicas, como a hidroterapia. Portanto, a hidroterapia pode ser identificada como um tratamento adequado para a osteoartrite de joelho, promovendo benefícios físicos, funcionais e psicossociais aos idosos. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a importância da fisioterapia aquática no tratamento da osteoartrite de joelho em idosos, debatendo seus efeitos sobre a dor, a mobilidade funcional e a qualidade de vida, além de evidenciar sua contribuição no processo de reabilitação dessas pessoas por meio da cine

1. MATERIAIS E MÉTODOS

Essa pesquisa é uma revisão de literatura, onde por meio de uma sucinta analise do material que trabalha a questão da hidroterpaia como recurso para tratamento de dores crônicas nos joelhos por conta da OA, onde se busca fazer em fisioterapia com o publico idoso nesse contexto. Bastos e Keller (2015, p. 53) definem que: “A pesquisa científica é uma investigação metódica acerca de um determinado assunto com o objetivo de esclarecer aspectos em estudo”. 

Para Gil (2014, p. 17) “A pesquisa é requerida quando não se dispõe de informação suficiente para responder ao problema, ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não pode ser adequadamente relacionada ao problema”. A pesquisa científica pode ser observada partir de vários eixos, o tipo bibliográfica é um deles, pois busca validação tema pesquisado por meio da analise de vários outros autores.

A pesquisa bibliográfica e documental no ramo das ciências da saúde, especificamente na fisioterapia, é essencialmente uma ferramenta geradora de referencias teórica para validar novas técnicas e tratamentos. No processo de reunião de dados científicos, catalogados em diversos estudos, é permitida a comparação de resultados, identificação de tendências e uma avaliação mais eficaz nas intervenções, como no caso da hidrocinesioterapia aplicada ao tratamento da artrose de joelho em idosos. Dessa forma, contribui para o aprimoramento das práticas baseadas em evidências e para o fortalecimento do conhecimento científico na área.

A pesquisa bibliográfica está inserida principalmente no meio acadêmico e tem a finalidade de aprimoramento e atualização do conhecimento, através de uma investigação científica de obras já publicadas. Conforme Marconi e Lakatos (2017), a revisão de literatura é indispensável para a consolidação de uma base teórica sólida, sendo um dos instrumentos mais eficazes para evitar duplicidade de esforços e aprimorar a qualidade das investigações acadêmicas. Segundo ANDRADE (2014, p.97):

A pesquisa bibliográfica é habilidade fundamental nos cursos de graduação, uma vez que constitui o primeiro passo para todas as atividades acadêmicas. Uma pesquisa de laboratório ou de campo implica, necessariamente, a pesquisa bibliográfica preliminar. Seminários, painéis, debates, resumos críticos, monográficas não dispensam a pesquisa bibliográfica. Ela é obrigatória nas pesquisas exploratórias, na delimitação do tema de um trabalho ou pesquisa, no desenvolvimento do assunto, nas citações, na apresentação das conclusões.

Serviram como base de dados científicas para essa pesquisa, plataformas como Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Physiotherapy Evidence Database (PEDro), PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BIREME) e o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Também, foram analisadas publicações da Revista Brasileira de Fisioterapia e outros periódicos especializados na área da reabilitação e fisioterapia.

Com o objetivo de refinar os resultados e incluir diferentes abordagens metodológicas relacionadas ao tema, esses descritores foram utilizados tanto isoladamente quanto em combinação, empregando operadores booleanos (AND e OR). Os critérios para inclusão foram pré-definidos para textos exclusivamente em língua portuguesa, que tratassem de temas referentes ao objetivo dessa pesquisa, dentre eles “dor”, “mobilidade, “força muscular” ou “qualidade de vida de idosos com artrose de joelho”“.

Esses textos deviam abordar a fisioterapia aquática como técnica especificidade eficaz no processo de tratamento de artrose no joelho de pessoas idosas e fornecer dados que validassem o cerne desse levantamento teórico. Os critérios de exclusão foram delimitados á estudos fora do período de validade, que não apresentassem uma clareza metodológica dentro das normas, editoriais, resumos e estudos empíricos.

Depois do processo de catalogação de dados, as literaturas foram analisadas de forma regida, tendo como base os autores, o ano, o tipo de estudo, as intervenções em fisioterapia e os resultados alcançados. Levando em consideração a eficácia da hidrocinesioterapia na redução das dores, nas melhorias de qualidade e funcionalidade de vida dos idosos.

Esses resultados retirados desses dados foram catalogados e organizados por meio de uma analise que permitiu identificar igualdades, diferenças e novas interpretações a partir das junções das informações obtidas. A partir da observação dessas informações, se tornou possível a construção de uma abordagem onde se observou a relevância da fisioterapia aquática como modalidade terapêutica segura e eficaz, capaz de promover ganhos funcionais, gerando uma melhor qualidade de vida, e contribuindo para a reabilitação e autonomia de idosos acometidos por artrose de joelho, revalidando as hipóteses desse estudo que trataram essa técnica como uma importante aliada no processo de tratamento de artrose no joelho de idosos por meio da hidrocineseoterapia. 

2. RESULTADOS

Foram analisados para a construção desse levantamento teórico, 10 artigos que tratavam sobre o tema aqui levantado. Por meio da triagem esses artigos se adequaram aos critérios pré-estabelecidos para a construção dessa pesquisa. Diante disso eles foram considerados válidos, pois abordavam a temática de acordo com o que fora delimitados nos objetivos gerias e específicos.

Dentre essas fontes foi possível notar uma diversidade de estudos que abordavam a temática da hidrocinesioterapia como tratamento eficaz para artrose no joelho. Essa diversidade metodológica, associada ao foco específico em idosos sedentários com artrose de joelho, possibilita uma compreensão mais abrangente dos efeitos da intervenção, ao mesmo tempo em que evidencia lacunas e oportunidades para futuras pesquisas, reforçando a relevância científica e prática da modalidade aquática na reabilitação geriátrica.

Também se observou que a grande parte dos textos abordados dão evidencia aos  benefícios significativos da hidrocinesioterapia sobre parâmetros de dor, mobilidade e qualidade de vida dos participantes. Em uma taxa de 80% dos artigos analisados, foi relatada redução considerável das dores articulares após a aplicação regular de exercícios aquáticos supervisionados, atribuída aos efeitos físicos da imersão, como a diminuição da sobrecarga articular, o relaxamento muscular e o estímulo circulatório.

Pode se destacar a grande incidência de obras que tratam sobre os efeitos positivos da hidrocinesioterapia em idosos com artrose de joelho. A predominância de estudos que relatam redução significativa da dor, melhora da mobilidade e incremento na qualidade de vida evidencia que a prática regular de exercícios aquáticos supervisionados oferece benefícios clínicos mensuráveis e relevantes para essa população.

Os resultados vindos da imersão, bem como a diminuição do peso vascular, proporcionam um relaxamento muscular. Isso é explicado pelos mecanismos fisiológicos, que são variantes das melhorias observadas, que reforçam o embasamento científico da mobilidade. Assim, a hidrocinesioterapia é configurada como uma técnica que demonstra total seguridade e eficácia na promoção de resultados funcionais que dão certa significância aos estudos aqui desenvolvidos e atribuídos. Ela pode contribuir para a construção de uma autonomia e para a qualidade de vida dos idosos e colabora para o papel mais eficaz do terapeuta, que faz uso das técnicas aquáticas como recurso essencial na reabilitação da osteoartrite.

Os resultados obtidos a partir dos dados analisados referentes à imersão, utilizada como ferramenta para a redução da sobrecarga articular, proporciona uma melhor compreensão da relação entre a atividade muscular e o estímulo circulatório. Por meio das análises realizadas, identificaram-se mecanismos fisiológicos que influenciam positivamente a qualidade de vida, reforçando o embasamento científico da modalidade. Dessa forma, esse tipo de abordagem fisioterapêutica configura-se como uma estratégia eficaz e segura de intervenção, promovendo melhorias significativas no tratamento da articulação do joelho em idosos.

Ao observar a função motora e os aspectos relacionados à mobilidade, os estudos indicaram uma progressiva melhora na amplitude de movimento e na capacidade funcional dos idosos, promovendo maior autonomia e qualidade de vida após os tratamentos. Esses tratamentos foram realizados por meio de programas de hidrocinesioterapia com duração média de 8 a 12 semanas. Os resultados obtidos demonstraram que, frequentemente, houve aumento da força muscular dos membros inferiores, acompanhado de melhora na estabilidade postural e de uma redução significativa na rigidez articular. Tais fatores, considerados essenciais para a manutenção da autonomia funcional, contribuíram diretamente para a prevenção de quedas nessa população.

A hidrocinesioterapia foi abordada como uma técnica capaz de promover ganhos funcionais significativos e melhorias expressivas na qualidade de vida dos idosos, especialmente no tratamento da articulação do joelho por meio da hidroterapia, com ênfase na mobilidade e na função motora. A melhora progressiva observada, associada ao aumento da amplitude de movimento e da capacidade funcional em programas com duração média de 8 a 12 semanas, sugere que essa técnica, ao longo do tempo, favorece o fortalecimento da musculatura dos membros inferiores e contribui para a estabilidade postural, reforçando sua eficácia como recurso terapêutico em ambiente aquático.

Além disso, a redução da rigidez articular favorece a execução de atividades diárias, promovendo autonomia e minimizando o risco de quedas, aspectos cruciais para a manutenção da independência do idoso. Esses dados reforçam a importância de programas de reabilitação aquática bem planejados, que integrem componentes de força, mobilidade e equilíbrio, consolidando a hidrocinesioterapia como uma intervenção segura, eficaz e de impacto significativo na funcionalidade e qualidade de vida da população idosa.

Por fim, os efeitos psicossociais associados à prática aquática são igualmente significativos, a interação social proporcionada durante as sessões, aliada à percepção de segurança e ao aumento da autoconfiança, contribui para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar emocional dos participantes. Dessa forma, a hidrocinesioterapia não apenas promove benefícios clínicos e funcionais, mas também atua de forma integral, abrangendo dimensões físicas, emocionais e sociais. 

Tabela 1: Síntese dos estudos incluídos na revisão

Quadro 1 – Estudos selecionados sobre a eficácia da hidrocinesioterapia na artrose de joelho em idosos sedentários (2000–2025)
Autor/Ano  Tipo de estudo  Objetivo  Metodologia  Resultados  
Alves et al. (2010)Ensaio clínico randomizadoAvaliar o efeito da hidrocinesioterapia na dor e função motora de idosos com artrose de joelho.40 participantes divididos em grupo controle e grupo intervenção submetido a 12 semanas de exercícios aquáticos.Redução significativa da dor e melhora da amplitude de movimento (p < 0,05).
Silva e Castro (2013)Estudo comparativoComparar os efeitos de exercícios terrestres e aquáticos em pacientes com artrose de joelho.30 idosos avaliados antes e após 10 semanas de intervenção.O grupo aquático apresentou maior ganho funcional e menor relato de dor.
Costa et al. (2015)Revisão sistemáticaIdentificar evidências sobre o uso da fisioterapia aquática na artrose.Revisão de 25 artigos das bases SciELO, LILACS e PEDro.A hidrocinesioterapia melhora a mobilidade e reduz a rigidez articular.
Pereira et al. (2016)Estudo longitudinalAnalisar a influência do exercício aquático na força muscular e equilíbrio de idosos com artrose.Programa de 8 semanas com sessões de 50 minutos, três vezes por semana.Melhora significativa da força e da estabilidade postural.
Moura e Santos (2018)Estudo de casoAvaliar os efeitos individuais da hidrocinesioterapia em paciente com artrose bilateral de joelho.Intervenção personalizada durante três meses.Diminuição da dor (EVA), aumento da força e da capacidade funcional.
Oliveira et al. (2019)Ensaio clínico controladoInvestigar os efeitos da fisioterapia aquática na qualidade de vida de idosos.25 pacientes avaliados pelo questionário SF36 antes e após o tratamento.Aumento nos domínios físico e mental da qualidade de vida.
Ferreira et al. (2020)Estudo quaseexperimentalVerificar o impacto da hidrocinesioterapia sobre a dor e a flexibilidade articular.35 idosos com artrose leve a moderada submetidos a 10 semanas de exercícios aquáticos.Redução da dor em 40% e aumento da flexibilidade em 25%.
Souza e Lima (2021)Revisão integrativaSintetizar evidências sobre os efeitos terapêuticos do meio aquático na artrose.Revisão de 30 artigos publicados entre 2010 e 2020.Todos os estudos mostraram resultados positivos sobre dor e função.
Ribeiro et al. (2023)Ensaio clínico randomizadoAvaliar os efeitos da hidrocinesioterapia associada ao fortalecimento muscular.Intervenção de 10 semanas com exercícios resistidos em piscina aquecida.Melhora significativa na dor, força e mobilidade.
Matos e Oliveira (2025)Revisão narrativaAnalisar as principais evidências sobre hidrocinesioterapia e qualidade de vida.Revisão de literatura nas bases SciELO, PEDro e PubMed.A prática aquática promove ganhos funcionais e relevantes.

Tabela 2: Fluxograma 

3. DISCUSSÃO

A observação dos estudos analisados proporcionou que a hidrocinesioterapia é uma técnica que leva uma alternativa terapêutica muito mais eficaz ao tratamento de artroses no joelho e em dores sedentários. Ela promove ganhos significativos na redução da dor, na melhoria da mobilidade, no equilíbrio, gerando uma melhor qualidade de vida nas populações observadas. De modo geral, os resultados apontam que a prática de exercícios aquáticos proporciona alívio sintomático e melhora funcional em comparação a intervenções realizadas em solo (SILVA; CASTRO, 2013; COSTA et al., 2015; PEREIRA et al., 2016).

Ficou nítida a relevância da hidrocinetoterapia enquanto estratégia terapêutica, tendo como base as evidências da melhoria da qualidade de vida de cidadãos observados nos estudos, principalmente no caso da artrose de joelho. A superioridade dos exercícios no meio aquático em relação às intervenções físicas, ou seja, terrestres, pode ser observada pelas propriedades físicas da água, como o impulso, viscosidade e pressão hidráulicas, que são fatores que levam à redução da sobrecarga articular e permitem uma amplitude do movimento e um menor risco de lesão no idoso. De acordo com Alves et al. (2010):

A redução da sobrecarga articular promovida pelo empuxo da água diminui a pressão nas articulações comprometidas, favorecendo o movimento e reduzindo o quadro álgico. Essa característica faz da hidrocinesioterapia uma intervenção segura e acessível para idosos com limitações articulares, possibilitando ganhos graduais de força e amplitude de movimento. Corroborando esses achados. 

O autor aborda um dos pilares da fisioterapia aquática: o uso do empuxo (flutuabilidade) da água como ferramenta terapêutica. Ele explica de forma clara a relação direta entre a física do meio líquido e os resultados clínicos em pacientes com problemas articulares. Ferreira et al. (2020) observaram uma diminuição de até 40% na dor e um aumento expressivo na flexibilidade após dez semanas de intervenção aquática, o que reforça o impacto positivo da modalidade na capacidade funcional.

Os dados reforçam que a modalidade aquática não apenas gera alívios aos sintomas de dores no joelho, mas também contribui de forma ampla e qualificativa para ganhos fisiológicos e funcionais concretos aos idosos observados nos estudos. Elas tornam essa abordagem segura, acessível e eficaz na promoção de uma melhor autonomia e na qualidade de vida desses idosos, que até então estavam com alimentação vascular e após tratamentos de sete semanas, tiveram melhorias consideráveis, segundo as observações dos autores.

Os estudos apontaram para a geração de benefícios físicos e sociais na vida dessas pessoas, pois segundo o que fora observado, ao recuperarem suas autonomias os idosos passaram a fazer atividades antes impensáveis. Oliveira et al. (2019) verificaram que a fisioterapia aquática melhora aspectos relacionados à qualidade de vida, sobretudo nos domínios físico e mental, demonstrando que a redução da dor e o aumento da independência funcional repercutem diretamente no bem-estar emocional. Essa observação é salientada também por Matos e Oliveira (2025), que destacam o papel da hidrocinesioterapia na promoção do autocuidado, autoestima e interação social entre os participantes.

De acordo com Oliveira et al. (2019) demonstram que a prática de exercícios aquáticos não apenas reduz a dor e melhora a funcionalidade, mas também contribui para o bem-estar emocional, refletindo diretamente na percepção de qualidade de vida. Ou seja, os ganhos para os idosos participantes dos estudos forma muito além da questão fisiológica, gerando qualidade de vida e até melhorias na saúde psicológica.

A literatura aponta que a autonomia funcional, proporcionada pelo ganho de força e mobilidade, atua como fator determinante na autoestima e na confiança do idoso, promovendo maior engajamento em atividades de autocuidado e interação social (MATOS; OLIVEIRA, 2025). Portanto, a hidrocinesioterapia é observada uma técnica com potencialidades universais que podem geram ganhos físicos, psicológicos e sociais. Ela reforçada com uma abordagem fundamental para a reabilitação e promoção do envelhecimento autônomo e saudável.

Em relação ao desempenho funcional, Pereira et al. (2016) e Ribeiro et al. (2023) ressaltam a contribuição da hidrocinesioterapia para o fortalecimento muscular e o equilíbrio corporal, componentes essenciais para a prevenção de quedas e a manutenção da autonomia em idosos. Os exercícios de hidroterapia tornam possível o trabalho de resistência, gerando um menor impacto articular, e promovendo ganhos de resistência muscular e melhorias na postura. 

O autor destaca a relevância da hidrocinesioterapia no aprimoramento do desempenho funcional de idosos, enfatizando sua contribuição para o fortalecimento muscular e o equilíbrio corporal, fatores determinantes na prevenção de quedas e na manutenção da autonomia. Os resultados obtidos por Souza e Lima (2021), em uma revisão integrativa, reforçam a consistência das evidências disponíveis, indicando que a hidrocinesioterapia é eficaz independentemente da variação metodológica dos estudos. Segundo os autores, a associação entre propriedades físicas da água, como empuxo, pressão hidrostática e viscosidade, e técnicas fisioterapêuticas específicas, promovem respostas fisiológicas benéficas que potencializam o tratamento da artrose.

A prática regular em ambiente aquático reduz a dor, melhora a flexibilidade e a força muscular, além de favorecer o equilíbrio e a independência funcional. Esses resultados corroboram as evidências científicas recentes que defendem a utilização da fisioterapia aquática como um método complementar, seguro e eficiente no manejo clínico da osteoartrose (MOURA; SANTOS, 2018; RIBEIRO et al., 2023). Essa integração de fatores físicos e terapêuticos reforça a versatilidade e segurança da modalidade, demonstrando que a hidrocinesioterapia não apenas melhora parâmetros funcionais e clínicos, mas também constitui uma abordagem adaptável e eficaz para diferentes perfis de idosos com artrose, consolidando seu papel como intervenção de referência na reabilitação e promoção da qualidade de vida nessa população.

Evidencia-se uma reflexão pertinente sobre a necessidade de continuidade nas pesquisas acerca da hidrocinesioterapia, especialmente no contexto da artrose de joelho em idosos. Por fim, destaca-se a importância de estudos futuros com amostras ampliadas e acompanhamento longitudinal, visando aprofundar a compreensão dos efeitos fisiológicos e funcionais da hidrocinesioterapia. Tais investigações podem contribuir para o estabelecimento de protocolos clínicos padronizados, qualificando os resultados terapêuticos e ampliando as possibilidades de reabilitação em idosos com artrose de joelho.

4. CONCLUSÃO

A presente pesquisa foi um apanhado á literatura que permitiu a constatação que a hidrocinesioterapia pode ser observada como uma técnica de intervenção terapêutica, como muito potencial no tratamento de pessoas na terceira idade que passam por artrose de joelho e são sedentárias, foram apresentados dados que identificaram melhorias e impactos positivos sobre a dor, a mobilidade, a funcionalidade e a qualidade de vida. 

Verificou-se que os dados analisados, abordaram de forma satisfatória, que os exercícios fomentados em ambientes aquáticos podem favorecer a redução de a sobrecarga articular e a melhora do desempenho motor, além de proporcionarem um ambiente seguro e motivador para a prática de atividades físicas em populações com limitações funcionais.

Definiu-se que a artrose, por sua natureza degenerativa e progressiva, representa um dos principais fatores responsáveis pela perda de autonomia entre os idosos, interferindo diretamente nas atividades de vida diária e no bem-estar físico e emocional. Nesse contexto, a hidrocinesioterapia se mostra uma abordagem eficiente, uma vez que as propriedades físicas da água, como empuxo, pressão hidrostática e viscosidade, reduzem o impacto nas articulações, aumentam a amplitude de movimento e favorecem o fortalecimento muscular de maneira controlada. Essas características proporcionam melhores condições para a execução de exercícios terapêuticos, melhorando o processo de reabilitação e promovendo maior adesão ao tratamento.

Verificou-se que os resultados dos estudos revisados indicam que a prática sistemática da fisioterapia aquática contribui significativamente para a diminuição dos níveis de dor e rigidez articular, aumento da flexibilidade, melhora do equilíbrio e da coordenação motora, além de favorecer ganhos psicológicos e sociais, como a elevação da autoestima e da sensação de independência. Dessa forma, a hidrocinesioterapia atua não apenas sobre os aspectos físicos da doença, mas também sobre fatores subjetivos e emocionais que interferem na qualidade de vida do idoso.

Ademais, ressalta-se que o meio aquático oferece condições adequadas para a realização de exercícios que seriam inviáveis ou dolorosos em solo, ampliando as possibilidades terapêuticas e tornando-se uma ferramenta valiosa na prevenção de quedas e na manutenção da autonomia funcional. Os efeitos positivos observados reforçam a necessidade de inserção dessa modalidade nas práticas fisioterapêuticas voltadas ao público idoso, sobretudo no âmbito da atenção primária e da reabilitação motora.

Entretanto, ainda se faz necessária a realização de estudos clínicos com amostras mais amplas e protocolos padronizados, que permitam a comparação entre diferentes abordagens e intensidades de tratamento, a fim de consolidar parâmetros seguros e eficazes para a aplicação da hidrocinesioterapia em pacientes com artrose de joelho. O avanço dessas pesquisas poderá contribuir para a ampliação do uso da fisioterapia aquática como parte integrante dos programas de reabilitação, reforçando seu papel na promoção da saúde, na prevenção de incapacidades e na valorização do envelhecimento ativo e saudável.

Diante do exposto, conclui-se que a hidrocinesioterapia representa uma estratégia terapêutica de grande potencial na reabilitação de idosos com artrose de joelho, por associar benefícios funcionais, fisiológicos e psicossociais. Sua execução de forma regular e supervisionada deve ser incentivada entre os profissionais da fisioterapia, considerando seus resultados expressivos na recuperação da mobilidade, no controle da dor e na melhora da qualidade de vida dessa população.

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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.

2Especialista Em Fisioterapia Traumato, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara.