ESCLEROSE MÚLTIPLA: DADOS EPIDEMIOLÓGICOS DE INTERNAÇÕES E ÓBITOS ENTRE OS ANOS DE 2020 A 2024 NAS REGIÕES BRASILEIRAS 

MULTIPLE SCLEROSIS: EPIDEMIOLOGICAL DATA ON  HOSPITALIZATIONS AND DEATHS BETWEEN 2020 AND 2024  IN THE BRAZILIAN REGIONS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510292115


João Alberto Dalla Vechia1
Eveline Alana Seidel2


Resumo 

Introdução: A esclerose múltipla é uma doença autoimune, crônica e progressiva,  caracterizada por processos inflamatórios e degenerativos que acometem o sistema  nervoso central. Ela provoca desmielinização e pode levar a danos neurológicos  permanentes nos pacientes. Objetivo: Analisar e comparar o perfil epidemiológico das  internações por esclerose múltipla nas regiões do Brasil no período de 2020 a 2024.  Metodologia: Foram analisados dados epidemiológicos das internações por esclerose  múltipla no período 2020-2024 obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do  Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), por meio da plataforma TABNET, disponibilizada  pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Resultados: Os resultados  evidenciaram que entre 2020 e 2024, o Brasil registrou aumento de 53,5% nas  internações, com predominância de casos na Região Sudeste e entre mulheres de 30 a 39  anos. Apesar da alta taxa de urgência, a mortalidade geral permaneceu baixa, com queda  em 2024 (0,43%). Conclusão: Os resultados indicam necessidade de políticas focadas  em redução de urgências evitáveis, qualificação no acompanhamento clínico dos  pacientes. Além disso, requer monitoramento contínuo, diagnóstico precoce e tratamento  adequado a fim de reduzir principalmente os índices de internações hospitalares pela  doença. 

Abstract  

Introduction: Multiple sclerosis is a chronic, progressive autoimmune disease  characterized by inflammatory and degenerative processes that affect the central nervous  system. It causes demyelination and can lead to permanent neurological damage in  patients. Objective: To analyze and compare the epidemiological profile of  hospitalizations due to multiple sclerosis across the regions of Brazil from 2020 to 2024.  Methods: Epidemiological data on hospitalizations for multiple sclerosis from 2020 to  2024 were analyzed using the Hospital Information System of the Brazilian Unified  Health System (SIH/SUS), accessed via the TABNET platform, provided by the  Department of Informatics of the Unified Health System (DATASUS). Results: The  findings showed that between 2020 and 2024, Brazil recorded a 53.5% increase in  hospitalizations, with a predominance of cases in the Southeast region and among women  aged 30 to 39 years. Despite the high rate of urgent admissions, overall mortality  remained low, with a decrease in 2024 (0.43%). Conclusion: The results indicate the  need for policies focused on reducing avoidable urgent admissions and improving the  clinical follow-up of patients. Additionally, continuous monitoring, early diagnosis, and  appropriate treatment are required to reduce, above all, hospitalization rates due to the  disease.  

Keywords: Epidemiology. Multiple Sclerosis. Hospital Admissions. Health.

Palavras-Chave: Epidemiologia. Esclerose Múltipla. Internações Hospitalares. Saúde. 

1. Introdução 

A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso  central e é caracterizada por inflamação, desmielinização, gliose e perda neuronal (TAFTI  & EHSAN & XIXIS, 2024). 

É uma doença neuroimunológica crônica e complexa que afeta milhões de pessoas  em todo o mundo (Diniz et al., 2023). 

No Brasil, a EM afeta aproximadamente 35 mil pessoas, com uma  prevalência que varia de região para região. (COELHO et al., 2023).

 É uma das principais causas de sintomas neurológicos em adultos jovens, sem cura  conhecida, que afeta predominantemente pacientes com idade entre 20 e 40 anos.  (MOREIRA & TELLES & JUNIOR, 2022). 

Segundo estudo de (COMPANHONI et al., 2025) a maior incidência de  internações por esclerose múltipla ocorreu entre adultos de 30 a 49 anos, padrão o que  reflete o perfil epidemiológico global da doença. 

 A esclerose múltipla se manifesta clinicamente por episódios de surtos intercalados  com remissões, o que influencia diretamente os sintomas apresentados e o nível de  incapacidade funcional dos pacientes. A forma como a doença se apresenta, bem como a  gravidade dos surtos, varia de pessoa para pessoa, o que torna difícil prever sua evolução. 

 O diagnóstico da esclerose múltipla (EM) é um processo complexo. Conforme  (NAPOLI & BAKSHI, 2005), a ressonância magnética (RM) tem desempenhado um  papel central no tratamento clínico e na investigação científica da esclerose múltipla (EM)  e se tornou a ferramenta auxiliar mais importante para o diagnóstico e monitoramento da  doença. 

Os avanços no diagnóstico e tratamento da EM têm sido fundamentais para  proporcionar uma melhor compreensão da doença e, consequentemente, oferecer opções  de manejo mais eficazes (Diniz et al., 2023). 

Embora a esclerose múltipla seja considerada uma condição de baixa prevalência  no Brasil, observa-se um aumento na taxa de diagnósticos e internações hospitalares nos  últimos anos, o que ressalta a importância de estudos epidemiológicos que permitam  compreender sua distribuição e impacto nos serviços de saúde pública. Diante disso, o  presente estudo tem como objetivo analisar o perfil das internações hospitalares por  esclerose múltipla no Brasil entre os anos de 2020 e 2024, a fim de contribuir com  informações relevantes para o planejamento e aprimoramento das políticas públicas de  saúde voltadas ao manejo da doença. 

O objetivo principal deste estudo é analisar o perfil epidemiológico das  internações por esclerose múltipla nas regiões brasileiras, no período de 2020 a 2024,  com base em dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Além disso,  busca-se examinar o total de óbitos, as internações por sexo e por faixa etária em cada  região do Brasil. Por fim, pretende-se propor recomendações para o aprimoramento das  estratégias de diagnóstico e tratamento da esclerose múltipla, com base nos resultados  obtidos.

2. Metodologia 

Estudo epidemiológico, qualiquantitativo, descritivo e retrospectivo, com o  objetivo de analisar as internações hospitalares por esclerose múltipla no Brasil, no  período de janeiro de 2020 a dezembro de 2024. Os dados utilizados são secundários,  públicos e anonimizados, obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema  Único de Saúde (SIH/SUS), por meio da plataforma TABNET, disponibilizada pelo  Departamento de Informática do SUS (DATASUS), vinculado ao Ministério da Saúde. 

Foram selecionados os registros de internações cuja causa principal foi  classificada sob o código G35 da Classificação Internacional de Doenças, 10ª Revisão  (CID-10), correspondente à esclerose múltipla. A extração dos dados considerou o recorte  temporal estabelecido e as informações disponíveis na base pública. 

As variáveis consideradas para análise incluíram: ano da internação, região  geográfica, sexo, caráter da internação, faixa etária, taxa de mortalidade e caráter da  internação. Os dados foram organizados em forma de gráficos, com o intuito de facilitar  a visualização e a interpretação dos achados. 

Conforme a Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016, do Conselho Nacional de  Saúde, que dispensa a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa de estudos que utilizam  dados secundários de domínio público, esta pesquisa não requer apreciação ética, uma  vez que não envolve seres humanos de forma direta e não permite a identificação dos  sujeitos. 

3. Análise de Dados 

Ano 2024

Em 2024, o Brasil registrou um total de 8.375 internações, com uma distribuição  bastante desigual entre as regiões. Em números absolutos, a região Sudeste concentrou a  grande maioria dos casos, representando 72,4% do total nacional com 6.060 internações,  seguida pela Região Nordeste com 1.372 casos, representando 16,4%. As demais regiões  apresentaram números significativamente menores: Região Sul com 717 internações,  sendo 8,6%; Região Centro-Oeste com 139 casos, sendo 1,7% e Região Norte com apenas  87 internações 1,0%. Esse fato se  dá devido ao Sudeste e Nordeste ter a maior concentração  populacional em relação às  demais regiões. Em números  proporcionais, o Brasil  apresentou uma internação para  cada 25.380 pessoas (1:25.380),  segundo a estimativa  populacional do IBGE para o ano.  

Na divisão por regiões brasileiras,  obteve-se a seguinte proporção: região Sudeste (1:14.620); região Nordeste (1:41.620),  região (1:143.390), região Centro Oeste (1:122.817 pessoas e região Norte 1 internação  para cada 214.590 pessoas (1:214.590). 

Quando analisamos o perfil por sexo, observa-se uma predominância feminina em  todas as regiões, representando 72,4% do total nacional (6.062 casos) contra 27,6% de  casos masculinos (2.313). A Região Norte apresentou a maior proporção de casos  femininos (75,9%), enquanto a Região Sul teve a maior proporção de casos masculinos  (29,3%). 

Em relação à urgência dos atendimentos, houve grande variação regional. A  Região Centro-Oeste apresentou o maior percentual de casos de urgência (97,1%),  seguida pela Região Norte (85,1%) e Região Sul (84,5%). Por outro lado, a Região  Nordeste registrou apenas 27,7% de casos de urgência, e a Região Sudeste 48,2%,  sugerindo diferentes padrões de acesso aos serviços de saúde ou características distintas  dos casos entre as regiões. 

A distribuição por faixa etária mostrou que os adultos jovens e de meia-idade  foram os mais afetados. Nacionalmente, a faixa de 30-39 anos concentrou o maior número  de casos (29,0% – 2.430 internações), seguida pela faixa de 40-49 anos (24,9% – 2.085 casos) e 20-29 anos (23,5% – 1.967 casos). As faixas etárias mais avançadas apresentaram  menor incidência: 50-59 anos com 13,0% (1.090 casos) e 60+ anos com 5,8% (484  casos). 

Quanto à mortalidade, foram registrados 36 óbitos em todo o país, representando  uma taxa de mortalidade geral de 0,43%. No entanto, houve variações significativas entre  as regiões: a Região Norte  apresentou a maior taxa de  mortalidade (5,75% – 5 óbitos em  87 casos), seguida pela Região Sul  (1,26% – 9 óbitos em 717 casos),  Região Nordeste (0,73% – 10  óbitos em 1.372 casos) e Região  Centro-Oeste (0,72% – 1 óbito em  139 casos). A Região Sudeste,  apesar de concentrar o maior  número absoluto de casos, apresentou a menor taxa de mortalidade (0,18% – 11 óbitos em  6.060 casos), o que pode indicar melhor acesso a cuidados especializados ou diagnóstico mais precoce. 

Ano 2023 

Em 2023, o Brasil registrou um total de 6.481 internações, apresentando uma  distribuição regional semelhante à de 2024, mas com algumas diferenças importantes. A  Região Sudeste manteve sua posição dominante em números absolutos, concentrando  73,5% do total nacional com  4.765 internações, seguida pela Região Nordeste com 858 casos  (13,2%). As demais regiões  apresentaram participações  menores: Região Sul com 615  internações (9,5%), Região  Centro-Oeste com 150 casos  (2,3%) e Região Norte com  apenas 93 internações (1,4%).  

Em números proporcionais à população brasileira e de cada estado, observa-se que a média brasileira ficou em 1  internação para cada 1:31.200 pessoas (1:31.200), enquanto a distribuição por estado  respeitou a seguinte proporção: sudeste 1:18.810, sul 1:49.532, nordeste 1:66.869, centro  oeste 1:109.963 e região norte 1 internação para cada 209.382 pessoas (1:209.382). Em  números percentuais, a região Sul passou para segundo lugar, ficando o Nordeste em  terceiro, Centro Oeste em quarto e região Norte em última posição. 

O perfil por sexo manteve a predominância feminina observada em 2024,  representando 70,6% do total nacional (4.576 casos) contra 29,5% de casos masculinos  (1.909). A Região Norte apresentou novamente a maior proporção de casos femininos  (73,1%), enquanto a Região Sul teve a maior proporção de casos masculinos (32,0%). 

Quanto à urgência dos atendimentos, os padrões regionais foram similares aos de  2024, mas com algumas variações. A Região Centro-Oeste manteve o maior percentual  de casos de urgência (96,0%), seguida pela Região Norte (93,5%) e Região Sul (91,4%).  A Região Nordeste registrou 39,4% de casos de urgência, e a Região Sudeste 55,8%,  indicando consistência nos padrões de acesso aos serviços de saúde entre os anos. 

A distribuição etária em 2023 mostrou que a faixa de 30-39 anos foi a mais afetada  nacionalmente (26,4% – 1.710 internações), seguida pela faixa de 20-29 anos (24,3% – 1.575 casos) e 40-49 anos (24,1% – 1.562 casos). As faixas etárias mais avançadas  apresentaram menor incidência: 50-59 anos com 13,1% (849 casos) e 60+ anos com 7,0%  (456 casos). 

Em relação à mortalidade, foram registrados 36 óbitos em todo o país,  representando uma taxa de mortalidade geral de 0,56%, ligeiramente superior à de 2024.  A Região Norte apresentou  a maior taxa de mortalidade  (2,15% – 2 óbitos em 93  casos), seguida pela Região  Sul (1,79% – 11 óbitos),  Região Centro-Oeste  (1,33% – 2 óbitos), Região  Nordeste (0,47% – 4 óbitos)  e Região Sudeste (0,36% – 17 óbitos).

Em 2022 

Em 2022, o Brasil registrou 7.299 internações distribuídas de forma  significativamente desigual entre as cinco regiões geográficas. A Região Sudeste  concentrou a grande maioria dos casos com 5.469 internações, representando 74,9% do  total nacional, seguida pela Região Centro-Oeste com 607 casos (8,3%) e Região Sul com  613 internações (8,4%). A Região Nordeste apresentou 543 casos (7,4%), enquanto a  Região Norte registrou apenas 67 internações (0,9% do total nacional). Em números  relativos, o Brasil apresentou a proporção de 1 caso de internação para cada 28.462  pessoas residentes no país (1:28.462), a região Sudeste teve a maior proporção (1:15.971),  seguido pela região Sul (1:50.058), Centro Oeste (1:91.251), Nordeste (1:102.006) e a  com menor proporção  de casos foi a região norte (1:266.190). A  análise comparativa do  triênio 2022-2024 revela uma trajetória  interessante na  evolução das  internações, após o  registro de 7.299 casos  em 2022, houve uma redução significativa em 2023 para 6.481 internações (-11,2%),  seguida de um crescimento expressivo em 2024 para 8.375 casos (+29,2% em relação a  2023). O crescimento total do período foi de 14,7%, mas com padrão não linear. 

Na variável por sexo, o perfil epidemiológico nacional de 2022 revelou uma  predominância feminina expressiva, com 5.102 casos femininos (69,9%) contra 2.197  masculinos (30,1%). A Região Centro-Oeste destacou-se pela maior proporção feminina  (75,3%), seguido pelo Norte (73,1%), Nordeste (71,3%), Sudeste (69,7%) e o Sul com a  maior proporção masculina entre todas as regiões (35,2%). A predominância feminina  manteve-se consistente e crescente ao longo do período, passando de 69,9% em 2022 para  70,6% em 2023 e atingindo 72,4% em 2024. Este padrão sugere fatores epidemiológicos  específicos que afetam desproporcionalmente a população feminina. 

A taxa de urgência foi de 49,3% com 3.598 casos, a Região Sul apresentou o maior  percentual de casos de urgência (88,7%). A Região Norte, apesar do menor volume absoluto, demonstrou alta taxa de urgência (80,6%), seguido pelo e o Nordeste (70,5%).  A Região Sudeste, além de concentrar o maior número absoluto de casos, apresentou taxa  de urgência moderada (43,1%). A Região Nordeste caracterizou-se pela menor taxa de  urgência (39,8%) comparada às demais regiões. Paralelamente, a taxa de urgência  apresentou aumento significativo entre 2022 e 2023, saltando de 49,3% para 58,5%,  mantendo-se estável em 2024 com 58,4%. 

A distribuição etária mostrou maior concentração na faixa de 30-39 anos com  1.984 casos (27,2%), seguida pela faixa de 40-49 anos com 1.747 casos (23,9%) e 20-29  anos com 1.682 casos (23,0%). 

A taxa de mortalidade geral do país foi de 0,45% com 33 óbitos registrados. A  região nordeste apresentou a maior taxa de mortalidade (1,66%), seguido pelo Sul  (1,63%), Norte (1,49%), Sudeste (0,22%) e a menor taxa de mortalidade foi evidenciada  pela região Centro-Oeste (0,16%). Observa-se que no triênio 2022-2024 apresentou  variações discretas na taxa de mortalidade, iniciando em 0,45% em 2022, elevando-se  para 0,56% em 2023 (o  pico do período) e  reduzindo para 0,43%  em 2024, representando  a menor taxa dos três  anos analisados. Esta  redução pode indicar melhorias na qualidade  do atendimento ou  mudanças no perfil de  gravidade dos casos. 

Ano 2021 

A inclusão dos dados de 2021 na análise epidemiológica proporciona uma  perspectiva mais ampla sobre a evolução das internações no Brasil ao longo dos quatro  anos. Em 2021, o país registrou 5.456 internações, estabelecendo a linha de base para um  período de crescimento significativo que culminaria com 8.375 casos em 2024,  representando um aumento total de 53,5%. O panorama nacional de 2021 apresentou  características distintivas que se tornaram padrões consistentes ao longo do período.

A distribuição regional em 2021 já evidenciava o padrão de concentração que  persiste nos anos subsequentes. A Região Sudeste dominava com 4.129 internações  (75,7% do total nacional), seguida pela Região Sul com 502 casos (9,2%), Região  Nordeste com 453 casos (8,3%), Região Centro-Oeste com 308 casos (5,6%) e Região  Norte com apenas 64 internações (1,2%). Esta distribuição refletia não apenas diferenças  populacionais, mas também disparidades no acesso aos serviços de saúde e na capacidade  diagnóstica regional. O crescimento explosivo observado entre 2021 e 2022 (+33,8%) merece análise detalhada por região. A Região Centro-Oeste experimentou o crescimento  mais dramático, praticamente dobrando seus casos de 308 para 607 internações (+97,1%).  Este crescimento pode refletir melhorias na capacidade de diagnóstico, expansão da rede  de saúde ou mudanças nos padrões de notificação. A Região Sudeste, mantendo sua  posição dominante, cresceu 32,5% (4.129 para 5.469 casos), enquanto as Regiões Sul e  Nordeste apresentaram crescimentos mais moderados de 22,1% e 19,9%,  respectivamente. A Região Norte, apesar do menor crescimento absoluto (+4,7%),  manteve sua trajetória ascendente. Em 2021, o Brasil apresentou uma taxa relativa de 1  internação para cada 39.097 pessoas residentes no país (1:39.097), com a maior taxa  sendo o Sudeste (1:21.708), seguido pelo Centro-Oeste (1:54.244), Sul em 2021  (1:60.562), com números significativamente menores no Nordeste (1:127.302) e Norte  (1:295.421). Quanto a distribuição por sexo, observou-se predominância do sexo  feminino, com 3.772 casos (69,1%), padrão que se manteve consistente e progressivo ao  longo do quadriênio, passando  de 69,1% em 2021 para 72,4%  em 2024. Regionalmente, a  maior proporção de casos  femininos foi registrada no  Norte, com 76,6%. Esse aumento sustentado sugere a  influência de fatores epidemiológicos que afetam desproporcionalmente as mulheres, possivelmente  relacionados a características biológicas, comportamentais ou ao acesso aos serviços de  saúde. 

A taxa de urgência em 2021 foi de 51,2% (2.794 casos). A Região Sul apresentou  a maior taxa (91,2%), sugerindo casos de maior gravidade ou deficiências no diagnóstico  precoce. A Região Norte teve a segunda maior taxa (85,9%), porém com mortalidade zero. A Região Centro-Oeste apresentou taxa intermediária (74,0%). O Nordeste  caracterizou-se por uma taxa moderada (45,9%), similar à observada no Sudeste (44,7%),  o que pode indicar melhor acesso a cuidados ambulatoriais ou diagnóstico mais precoce.  A evolução ao longo do quadriênio revela tendências preocupantes: após uma ligeira  redução da taxa de urgência entre 2021 (51,2%) e 2022 (49,3%), houve um salto para  58,5% em 2023, mantendo-se estável em 58,4% em 2024. Esse aumento pode refletir  deterioração no acesso a cuidados preventivos, diagnóstico mais tardio ou mudanças na  gravidade dos casos apresentados ao sistema de saúde. 

A distribuição etária manteve-se estável ao longo do período analisado, com a  faixa de 30–39 anos concentrando 1.475 casos (27,0%) e consistentemente representando  a maior proporção de casos (27,0% em 2021 e 27,2% em 2022). Observou-se ainda que  a população economicamente ativa (20–49 anos) respondeu por aproximadamente 73–74% dos casos em todos os anos, evidenciando o impacto socioeconômico significativo  dessa condição. 

A taxa de mortalidade foi particularmente baixa em 2021, atingindo 0,48% (26 óbitos), o  menor valor de todo o quadriênio. Regionalmente, a Região Sul apresentou uma das  maiores taxas (1,99%), sugerindo casos de maior gravidade ou deficiências no  diagnóstico precoce, enquanto a Região Norte não registrou óbitos em 2021, resultando  em mortalidade zero. No  Centro-Oeste, observou-se  baixa mortalidade (0,65%),  padrão que se manteve  relativamente estável nos  anos seguintes. Ao longo do  período, a mortalidade  apresentou flutuações leves,  com pico em 2023 (0,56%) e  redução para 0,43% em 2024, o menor valor do quadriênio, o que pode indicar melhorias  na qualidade do atendimento, adoção de protocolos terapêuticos mais eficazes ou  mudanças no perfil de gravidade dos casos. 

Em 2020 

No Ano de 2020, o Brasil apresentou 3.972 internações por Esclerose Múltipla. A  região sudeste concentrou a imensa maioria dos casos, sendo 3.062. Em segundo lugar vem a Região Sul com 512 internações pela doença, seguido pelo Nordeste 243 casos. Já  a Região Centro-Oeste contabilizou 90 internações e a região Norte 65. Em números  relativos, o Brasil apresentou 1 caso de internação por Esclerose Múltipla a cada 53.312  pessoas (1:53.312). Em  dados proporcionais, o Sudeste também  concentrou a maior  taxa (1:29.069), seguido  pela região Sul (1:59.969),  região Centro Oeste  (1:183.381). A região  Nordeste apresentou a  segunda menor taxa proporcional (1:236.107), enquanto a região Norte apresentou a  menor de todas (1:287.270) 

Na distribuição por sexo, registraram-se 1.314 homens e 2.658 mulheres em todo  Brasil, totalizando 3.972 casos, com predominância do sexo feminino. Entre as regiões,  o Sudeste foi a mais acometida, com 1.018 homens e 2.044 mulheres. Em seguida, a  Região Sul apresentou 180 homens e 332 mulheres. No Nordeste, foram 72 homens e 171  mulheres. No Centro-Oeste, registraram-se 26 homens e 64 mulheres. A Região Norte foi  a menos acometida, com 18 homens e 47 mulheres. 

O total de casos de urgência em 2020 foi de 2.011 em todo Brasil. A região  Sudeste concentra a maior parte, com 1.225 casos de urgência, seguida pela região Sul,  com 472. Em terceiro lugar está o Nordeste, com 173 casos, seguido pelo Centro-Oeste,  com 88. A menor quantidade foi registrada no Norte, com 53 casos de urgência. 

Quanto à faixa etária, em 2020 no Brasil, foram registradas 3.404 internações  entre pessoas com 20 anos ou mais, distribuídas em 985 casos na faixa de 20 a 29 anos,  1.207 entre 30 e 39 anos, 876 entre 40 e 49 anos, 450 entre 50 e 59 anos e 286 entre  indivíduos com 60 anos ou mais, evidenciando maior concentração nas faixas de 30 a 39  e 20 a 29 anos, com redução progressiva nas idades superiores. 

Quanto ao número de óbitos por Esclerose Múltipla em 2020, o Brasil registrou  26. A distribuição regional mostrou maior concentração no Sudeste, com 14 óbitos, seguido pelo Norte, com 7, e  pelo Sul, com 3. O Nordeste  contabilizou 2 óbitos,  enquanto no Centro-Oeste  não houve registros no  período. 

4. Discussão 

A análise epidemiológica das internações no Brasil entre 2020 e 2024 revela um  panorama marcado por desigualdades regionais, predominância feminina e concentração  de casos na população economicamente ativa. Ao longo do quadriênio, observou-se um  crescimento expressivo no número total de internações, com aumento de 53,5% entre  2021 e 2024, evidenciando maior demanda por serviços de saúde relacionados à condição  analisada. A Região Sudeste manteve-se como epicentro das internações em todos os  anos, reflexo não apenas de sua densidade populacional, mas também de sua maior  capacidade diagnóstica e de atendimento. 

 A predominância de mulheres nos registros foi consistente e crescente, passando de  69,1% em 2021 para 72,4% em 2024, sugerindo vulnerabilidades específicas dessa  população que merecem investigação mais aprofundada, tanto do ponto de vista biológico  quanto social. A distribuição etária permaneceu relativamente estável, com maior  concentração entre 20 e 49 anos, o que aponta para importantes impactos sociais e  econômicos, dado o comprometimento da força de trabalho ativa. 

 As taxas de urgência também apresentaram variações significativas entre as regiões e  ao longo do tempo. O aumento observado entre 2022 e 2023, com estabilização em 2024,  pode indicar agravamento na gravidade dos casos atendidos ou dificuldades no acesso  precoce ao sistema de saúde. Apesar disso, a taxa de mortalidade apresentou tendência de  queda no último ano analisado, sugerindo avanços na qualidade do atendimento e manejo  clínico dos casos, especialmente nas regiões com maior infraestrutura, como o Sudeste. 

As disparidades regionais foram um traço marcante em todo o período, tanto no  volume de internações quanto nos indicadores de gravidade e mortalidade. A Região  Norte, por exemplo, apesar de apresentar baixo número absoluto de casos, registrou  frequentemente as maiores taxas de mortalidade, revelando limitações na capacidade de  resposta do sistema de saúde local.

Em suma, os dados apontam para a necessidade de políticas públicas regionais  mais equitativas, voltadas à ampliação do acesso, ao diagnóstico precoce e ao  fortalecimento da rede de atenção, com especial atenção às populações femininas e de  maior vulnerabilidade. A continuidade do monitoramento sistemático desses indicadores  é essencial para subsidiar ações eficazes e reduzir as desigualdades persistentes no  sistema de saúde brasileiro. 

5. Conclusão 

 A análise das internações no Brasil entre 2020 e 2024 revela um cenário marcado  por crescimento expressivo, desigualdade regional e predominância de casos entre  mulheres e adultos em idade produtiva. A Região Sudeste concentrou a maior parte das  internações, refletindo tanto sua densidade populacional quanto maior capacidade  diagnóstica. Em contraste, regiões como o Norte e Centro-Oeste apresentaram números  absolutos baixos, mas com taxas de mortalidade mais elevadas, indicando fragilidades no  acesso e na qualidade do atendimento. 

 Ao longo dos anos, a faixa etária mais afetada manteve-se estável, com maior  incidência entre 30 e 49 anos, o que implica impactos significativos na produtividade e  no sistema de saúde. A predominância feminina, crescente no período, sugere possíveis  vulnerabilidades específicas que demandam investigação mais aprofundada. Além disso,  a elevação nas taxas de atendimentos de urgência pode apontar para diagnóstico tardio ou  barreiras no acesso precoce aos serviços de saúde. 

 Por fim, a queda na taxa de mortalidade em 2024, mesmo com o aumento no número  de internações, é um sinal positivo e pode indicar avanços na rede de atenção e tratamento.  No entanto, as disparidades regionais persistem como um desafio central. Políticas  públicas direcionadas, com foco em equidade e regionalização dos serviços, são  fundamentais para melhorar os indicadores e garantir um sistema de saúde mais justo e  eficiente em todo o país.

Referências 

COELHO, Vitoria Bouchardet Carvalho Pinto et al. Análise dos aspectos epidemiológicos da Esclerose Múltipla no Brasil durante o período de 2012  a 2022. Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 6, p. 27513-27527, 2023. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/64693. Acesso em  25 set. 2025. 

COMPANHONI, Maria Gabriela; CAMARGO, Anna Beatriz Willemann; MATIUSSO,  Camila Cristina; PEIXOTO, Mariana Martins; BUCIOLI, André Luis Pretti. Mapa das  internações por esclerose múltipla no Brasil: tendências, perfil dos pacientes e  inequidades no SUS, Brazilian Journal of Health Review, Maringá, v.8, n.4, p. 01-13,  jul./aug., 2025. Disponível em:  https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/81701. Acesso em  22 set. 2025. 

DINIZ, Renata Silva et al. Esclerose Múltipla: Avanços no Diagnóstico e Tratamento:  Uma análise das técnicas de diagnóstico, como a ressonância magnética, e as terapias  imunomoduladoras utilizadas no tratamento da esclerose múltipla. Brazilian Journal of  Implantology and Health Sciences, v. 5, n. 5, p. 188 – 201, 2023.  Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/584. Acesso em 23 set.  2025. 

MOREIRA, Claudio Eduardo Aguiar; TELLES, Isadora Rosa; JUNIOR, Carlos  Barone. Análise das características da Esclerose Múltipla: revisão de literatura. Revista  Eletrônica Acervo Médico, v. 20, p. e11194 – e11194, 2022. Disponível em:  https://acervomais.com.br/index.php/medico/article/view/11194. Acesso em 24 set.  2025. 

NAPOLI, S. Q.; BAKSHI, R. Ressonância magnética na esclerose múltipla. Rev. Neuro Dis., Summer 2005, v. 2, n. 3, p. 109–116. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16400309/. Acesso em 28 set.2025. 

TAFTI, Dawood; EHSAN, Moavia; XIXIS, Kathryn L. Multiple Sclerosis. In:  STATPEARLS [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2024.  Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499849/. Acesso em 28 set.  2025. 


1Médico pela Universidade Católica de Pelotas,
E-mail: jadallavechia@hotmail.com
2Médica pela Universidade Católica de Pelotas 
E-mail: eveseidel@gmail.com

Rolar para cima