CONTRIBUIÇÕES DA FISIOTERAPIA NO DESENVOLVIMENTO MOTOR DE CRIANÇAS COM TEA EM IDADE PRÉ-ESCOLAR.

CONTRIBUTIONS OF PHYSIOTHERAPY TO THE MOTOR DEVELOPMENT OF CHILDREN WITH ASD AT PRESCHOOL AGE.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510212042


Orientador: Bruno Silva Lomazzi¹; Coorientador: Iara Gomes Montes²; Ana Paula Galvão Montelo³; Carla Nascimento de Souza⁴; Claudiane Nascimento de Souza⁵; Herika Dias Santos Pimentel⁶; Sanielly Ferreira Mamedio⁷.


RESUMO

Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades de comunicação, interação social e padrões de comportamento restritos e repetitivos em crianças. Essas crianças frequentemente enfrentam desafios no desenvolvimento motor, limitando sua autonomia e atividades diárias. A fisioterapia desempenha um papel crucial na intervenção precoce para estimular o desenvolvimento motor, melhorar as habilidades posturais, a coordenação motora global e fina. Este estudo teve como objetivo analisar as contribuições da fisioterapia para o desenvolvimento motor de crianças com TEA, destacando sua importância na melhoria da qualidade de vida e na promoção da inclusão social. A revisão da literatura mostrou que a fisioterapia, por meio de métodos específicos e abordagens interdisciplinares, pode melhorar significativamente a funcionalidade, reduzir as limitações e expandir o potencial motor dessas crianças.

Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista. Desenvolvimento motor. Fisioterapia. Reabilitação. Comportamento infantil. 

ABSTRACT

Autism spectrum disorder (asd) is a neurodevelopmental condition characterized by difficulties with communication, social interaction, and restricted and repetitive behavior patterns in children. These children often face challenges in motor development, limiting their autonomy and daily activities. Physical therapy plays a crucial role in early intervention to stimulate motor development, improve postural skills, and improve gross and fine motor coordination. This study aimed to analyze the contributions of physical therapy to the motor development of children with asd, highlighting its importance in improving quality of life and promoting social inclusion. The literature review showed that physical therapy, through specific methods and interdisciplinary approaches, can significantly improve functionality, reduce limitations, and expand the motor potential of these children.

Keywords: Autism Spectrum Disorder. Motor development. Physical therapy. Rehabilitation. Child behavior.

1 INTRODUÇÃO

 De acordo com Costa (2017) O autismo é um transtorno neurológico que afeta a comunicação e as relações com os seres humanos e o ambiente, com restrições por atividades e sintomas complexos. Um diagnóstico é necessário, pois um tratamento precoce pode influenciar o desenvolvimento da pessoa com deficiência.

Indivíduos com autismo vivenciam mudanças qualitativas nas interações sociais, na comunicação verbal e não verbal, caracterizadas por movimentos, interesses e atividades estereotipados. (ORRÚ, 2012). 

Para Cunha (2010), O autismo pode começar nos primeiros anos de vida da criança, mas suas manifestações se tornam aparentes ao longo dos três anos, caracterizadas pela ausência de habilidades sociais, emocionais e de comunicação satisfatórias, levando à tríade de dificuldades, como comunicação, interação social e uso da imaginação.

Desvantagens na interação social podem impactar negativamente o aprendizado da comunicação, particularmente na função social da linguagem, dificultando a capacidade de iniciar e manter diálogos, compartilhar ideias, gerenciar emoções, demonstrar empatia e tomar decisões. (LOPATA et al. 2018; PARSONS et al., 2018; REIS; PEREIRA; ALMEIDA, 2016).

 A fisioterapia no Transtorno do Espectro Autista (TEA) visa promover o desenvolvimento motor adequado, melhorar a progressão e a estabilidade postural, além de facilitar a participação ativa da criança em suas atividades diárias. Através de técnicas terapêuticas específicas, como exercícios de fortalecimento muscular, treinamento de equilíbrio, estimulação sensorial e atividades lúdicas, os fisioterapeutas buscam melhorar a qualidade de vida e a independência das crianças com TEA. SANTOS et al., (2021).

2 JUSTIFICATIVA

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento e do comportamento estudado há várias décadas. O primeiro estudo, conduzido pelo professor de psiquiatria pediátrica Kenner em 1943, identifica o TEA como um transtorno do neurodesenvolvimento e do comportamento caracterizado por dificuldade de interação social e comunicação, movimentos repetitivos e um padrão de interesse restrito. Outros estudos sugerem que anormalidades neurológicas podem prejudicar a aprendizagem motora.

As causas genéticas do TEA podem ser classificadas como anormalidades cromossômicas e diferenças genéticas distantes, como o FMR1 na síndrome de Xfrágil. Fatores ambientais como idade, uso de medicamentos durante a gravidez, pressão arterial, diabetes gestacional, hipóxia neonatal, pré-eclâmpsia, infecções virais e algumas doenças maternas ainda são debatidos. A maioria dos casos de TEA envolve alteração genética, o que não permite determinar o prognóstico ou tratamento mais adequado. (FIGUEIREDO, 2014; FUENTES et al., 2006). 

Dados epidemiológicos mostram uma prevalência de um caso a cada 68 nascimentos, que tem aumentado nas últimas décadas devido à expansão dos critérios diagnósticos, ao aumento dos serviços de saúde relacionados à transição e às mudanças na idade do diagnóstico, entre outros fatores. (FOMBONNE, 2009).

De acordo com Magagnin et al. (2019), Crianças autistas têm dificuldades com interação social, compartilham desejos e emoções, raramente prestam atenção a objetos ou eventos, não têm fixação visual espontânea e têm dificuldade em realizar atividades em grupo.

A escolha deste tema justifica-se pela necessidade de compreender como a intervenção fisioterapêutica contribui para o desenvolvimento global de crianças com TEA em idade pré-escolar, visto que a literatura destaca benefícios significativos. (Silva & Santos, 2019). A Fisioterapia é uma parte importante da equipe multiprofissional, promovendo práticas evidenciais para a qualidade de vida e autonomia para crianças e suas famílias.

5 OBJETIVOS

5.1 Objetivo Geral

Compreender como a intervenções fisioterapêuticas contribui para o desenvolvimento global de criança com TEA em idade pré-escola, avaliando habilidades de memória, força muscular, comunicação, autocuidado, comportamento social, mudança de postura, movimento e atividades diárias para identificar níveis de dependência, orientando assim a avaliação das atividades de vida diária.

5.2 objetivos específicos

  • Identificar os principais atrasos e dificuldades motoras presentes em crianças com TEA;
  • Descrever as intervenções fisioterapêuticas voltadas ao desenvolvimento motor dessas crianças;
  • Analisar os benefícios da fisioterapia para a melhora da coordenação motora, do equilíbrio e do controle postural;
  • Discutir a importância da atuação interdisciplinar no processo terapêutico de crianças com TEA;
  • Evidenciar como a fisioterapia contribui para a inclusão social e para a promoção da autonomia funcional infantil.

6 MÉTODOS

Trata-se de uma revisão integrativa sistemática, organizada e abrangente que fornece conhecimento científico para discussão pertinente com o objetivo de promover contribuições acadêmicas e sociais ao tema mencionado. Este estudo foi construído através de pesquisas por: Artigos Científicos, Livros, Revista, consultadas nas bases dados, Pubmed, Scielo, Google Scholar.

Foram utilizadas as seguintes palavras-chave: Fisioterapia, Transtorno do Espectro Autista; TEA, Comportamento infantil, desenvolvimento infantil. Fisioterapia motora. Transtorno do neurodesenvolvimento.

 Selecionamos 32 artigos científicos para a montagem do trabalho e aproveitados 28, visando alcançar o debate. Para obter resultados mais precisos no estudo, a busca foi iniciada com os seguintes filtros: busca avançada com os itens e um período específico, escolhendo os últimos 20 anos.

Os artigos mais recentes, disponíveis online no idioma português, receberam maior destaque e textos compreensíveis que facilitassem a compreensão, incluindo relatos, vivências sociais, diagnósticos, terapias, papel multidisciplinar e abordagem fisioterapêutica voltadas para o TEA.

As diretrizes do Health Sciences (DeCS) focaram no tratamento fisioterapêutico para Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Espectro Autista (TEA) e terapia neurofuncional para TEA. Elas buscaram artigos que proporcionassem um entendimento mais aprofundado do assunto e que estivessem diretamente ligados aos objetivos do tópico 2007 a 2025. O foco foi em artigos atuais, disponíveis, em português, com textos claros e inteligíveis, abordando experiências sociais, diagnósticos, tratamentos, papel multidisciplinar e uma abordagem fisioterapêutica específica para o Transtorno do Espectro Autista.

7 RESULTADOS  

7.1 Conceituando O Transtorno Do Espectro Autista

O termo autismo deriva das palavras gregas “autos”, que significa “próprio”, e “ismo”, que se refere a um estado ou orientação.  Portanto, compreende-se que o autismo é uma condição onde a pessoa está isolada em seu próprio universo (ONZI, GOMES, 2015).

O conceito sofreu diversas alterações ao longo dos anos, sendo oficialmente reconhecido em 2013 pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em sua quinta edição como Transtorno do Espectro Autista (FERNANDES, POLLI, MARTINES, 2021).

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurodesenvolvimento que envolve alterações significativas no desenvolvimento motor, cognitivo, social, emocional e sensorial. Essas alterações são identificadas como padrões de movimentos estereotipados. Essas mudanças resultam em ansiedade, hiperatividade e problemas gastrointestinais (ALMEIDA, 2018).

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista é feito por meio de avaliações clínicas, possibilitando a identificação do nível de complexidade e das razões comportamentais. Neste sentido, podemos identificar nos primeiros 2 anos de vida. É crucial que a família busque informações sobre o TEA, incluindo suas alterações e manifestações, para que se possa fazer um diagnóstico antecipado (ALMEIDA, 2018).

7.2 Níveis Do Autismo

Eventualmente, podemos detectar três níveis de autismo, que requerem uma avaliação completa da necessidade de todo o apoio. No entanto, para um diagnóstico preciso, é imprescindível o envolvimento familiar para que um profissional habilitado reconheça todo o histórico, notando quaisquer sinais e sintomas que compliquem a vida diária do indivíduo. Além disso, é necessário examinar e usar um manual conhecido como DMS-V para o diagnóstico de distúrbios mentais, desenvolvido pela American Psychiatric Association (DE CARVALHO MANSUR et al., 2017).

As características e manifestações do autismo podem diferir de uma pessoa para outra. Existem algumas expressões que podem ser notadas, como na comunicação, quando a criança mostra um atraso ou total inatividade no desenvolvimento da fala. Conforme Magagnin et al. que (2019).

Os comportamentos de crianças ou adultos com TEA são estereotipados, involuntários e bastante característicos, incluindo: birras exageradas, comportamentos agressivos como morder, chutar, arranhar ou bater com a cabeça, além de uma obsessão persistente por certos objetos, usando-os repetidamente. No que se refere à interação social, não há compartilhamento de objetos ou dificuldade em interar a atividade em andamento; escassa habilidade emocional; frequentemente não consegue identificar ou perceber emoções (transtornos de atenção); contato visual mínimo ou inexistente, assim como interação; frequentemente não responde ao ser chamado pelo nome ou não consegue memorizar nomes de outras pessoas (ZANON; BACKES; BOSA, 2017).

Tabela 1 – Níveis do Autismo e Tratamentos

Referências Instituto NeuroSaber – “Quais os níveis de intensidade no autismo? Disponível em: https://institutoneurosaber.com.br/artigos/quais-os-niveis-de-intensidade-noautismo/?utm_source=chatgpt.com  Acesso em: 14 mai. 2025.

Tratamentos Comuns para o TEA

Terapia Comportamental (ABA): Técnica amplamente utilizada para ensinar comportamentos desejáveis e reduzir os indesejáveis por meio de reforços e recompensas.

Terapia Ocupacional: Visa ajudar a criança a melhorar as habilidades motoras finas e a capacidade de realizar atividades diárias de forma mais independente.

Fonoaudiologia: Ajuda a melhorar a comunicação, seja verbal ou não verbal, trabalhando a linguagem expressiva e receptiva.

Psicoterapia (Terapia Cognitivo-Comportamental): Para crianças mais velhas, visa ajudar a entender e modificar pensamentos e comportamentos.

Medicação: Em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos para controlar sintomas relacionados, como ansiedade, agressividade ou hiperatividade.

Tabela 2 – Fisioterapia em Crianças com TEA de 2 a 6 Anos

Referência: Santos et al. 2021 Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação Disponível em: https://www.scielo.br/j/ensaio/a/zktd46XZbpNscsKd6WqctCg/?format=pdf&lang=pt Acesso 25 ago. 2025.
Referência: Oliveira Costa 2020 Atraso desenvolvimento motor Disponivel em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/1629 acesso 25 ago. 25
Referência: Pereira e Almeida 2022 Revisão sistemática marcha equilíbrio crianças Disponivel em: https://www.scielo.br/j/acr/a/HcTmLCgcXSGWJH3X8Nvxdgw/?format=html&lang=pt  acesso em 25 ago. 25.

Objetivo: Avaliar os efeitos de exercícios fisioterapêuticos em crianças com TEA de 2 a 6 anos em termos de habilidades motoras, equilíbrio e comportamento.

8 DISCUSSÃO 

8.1 Função Da Fisioterapia 

A função do fisioterapeuta, em colaboração com a equipe, é crucial, pois auxilia no desenvolvimento da autonomia e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes (COSTA; ROLIM, 2016).

Segundo Fernandes et al. (2020), Enfatizam que “a capacidade funcional da criança com TEA sofre influência direta do seu nivel de gravidade. Nos casos mais graves, podem-se observar crianças mais dependentes de seus cuidadores”, salientando a importância de intervenções, como a fisioterapia, para reduzir essa dependência.

A fisioterapia tem contribuído positivamente para essa situação, reduzindo a dependência ou até mesmo conquistando a independência em crianças. Ela desempenha um papel crucial no desenvolvimento motor, contribuindo para a independência funcional nas atividades diárias e auxiliando no progresso da interação com o ambiente. (AZEVEDO; GUSMÃO, 2016). 

De acordo com Segura Nascimento e Klein (2011), acreditam que a fisioterapia é uma atividade que ajuda o autista a desenvolver habilidades motoras e autocontrole corporal, auxiliando na melhora dos movimentos atípicos e da concentração, além de favorecer a autonomia, a interação social e a qualidade de vida da criança.

8.2 Intervenções Fisioterapêuticas No Tratamento Do TEA

 A fisioterapia envolve atividades lúdicas como bolas coloridas, passos de dança, movimentos corporais, dinâmicas de integração, exercícios de relaxamento, associados à música, danças que trabalham o equilíbrio e o tato, envolvendo motricidade fina, atividades de coordenação, equilíbrio e mobilidade. (TOMÉ, 2007).

Hidroterapia, musicoterapia e outras atividades auxiliam no desenvolvimento de crianças com TEA, mas a equoterapia se destaca entre as diversas terapias. Ela abrange diversas áreas de reabilitação para ajudar crianças a superar desafios sensoriais, comportamentais e motores. Contribui no diálogo, na autonomia, na autoconfiança, na postura, na interação social. Também colabora na psicomotricidade, mobilidade torácica, equilíbrio, lateralidade, sensação corporal. (SOUZA, SILVA, 2015).

A hidroterapia proporciona variados estímulos sensoriais, dentre eles a pressão hidrostática, a sensação da água no corpo, a temperatura e a flutuabilidade. Esses estímulos favorecem a sensibilidade sensorial das crianças autistas e promovem benefícios positivo. (SILVA et al., 2020). 

A resistência à água e a flutuabilidade desempenham um papel fundamental no controle motor na coordenação, contribuindo para o fortalecimento da musculatura, além de promover estabilidade no equilíbrio e na postura. (PAN et al., 2017).

A equoterapia é um método de tratamento que utiliza uma abordagem interdisciplinar por meio do cavalo, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento global de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais, O Uso do cavalo ocorre devido ser um animal dócil, de porte e força, que se deixa manusear e montar. Dessa forma, o cavalo e o praticante criam um relacionamento afetivo importante, estabelecendo uma relação harmoniosa. (BECHEVA et al., 2016).

Além de ser usada como uma terapia alternativa para crianças com TEA, a equoterapia pode ser vista como uma terapia complementar para essas crianças, efetivo na reabilitação (STEINER & KERTESZ, 2015). Desenvolver e participar de atividades terapêuticas em parceria com outros.

O cavalo oferece uma experiência não verbal de atenção, contribuindo para aprimorar comportamentos e competências comunicação social dos pequenos participantes (Gabriel e colaboradores, 2015). Em termos estruturais, a equitação terapêutica oferece benefícios significativos melhoria da marcha, aprimorando a coordenação e a orientação em movimentos cinéticos e cinemáticos (Steiner & Kertesz, 2015).

O método Bobath, originário da Inglaterra, é uma técnica de fisioterapia usada para observar, interpretar e examinar o desenvolvimento motor, tratando indivíduos com problemas de controle postural devido a lesões nervosas no sistema nervoso central (SNC). O objetivo é iniciar atividades reflexas para restaurar o tônus muscular e o movimento normal. (CAMARGO et al., 2020).

De acordo com De Andrade et al. (2022) em seu estudo concluiu que o conceito Bobath tem uma eficácia importante dentro da fisioterapia, pois ao utilizar esse recurso terapêutico temos uma melhora significativa na funcionalidade motora em indivíduos com Paralisia Cerebral. 

Através do método Bobath, a fisioterapia consegue trabalhar a mobilidade desses pacientes onde contribui para gerar equilíbrio, descarga de peso, movimentos assimétricos com inibição de tronco e melhorando a capacidade motora e sensorial dos movimentos. (PEREIRA, 2021).

9 CONCLUSÃO

Portanto, chegou-se à conclusão que a fisioterapia é crucial para o desenvolvimento motor e sensorial de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Deve ser iniciada precocemente e adaptada às necessidades individuais, respeitando a necessidades  de cada criança. Na idade pré-escolar, desempenha um papel crucial na aquisição de habilidades motoras e cognitivas, permitindo a estimulação adequada durante um período de maior plasticidade neural.

Considerando as características examinadas, podemos enfatizar metas fundamentais para o tratamento fisioterapêutico de indivíduos com TEA. É crucial que o estímulo sensório-motor seja o alicerce para o desenvolvimento e implementação de comportamentos. Esses comportamentos devem promover a interação social, mantendo um contato físico e visual mínimo, para que haja uma interação e, dessa forma, o autista possa compreender o funcionamento de seu corpo e mente.

E necessário incorporar ao tratamento métodos que aprimorem a coordenação motora, devido à sua funcionalidade. Da mesma forma, é crucial trabalhar o equilíbrio, a propriocepção e a força muscular de forma abrangente, com o objetivo de melhorar a marcha. É vantajoso combinar tais técnicas motoras com estímulos cognitivos.

A fisioterapia também pode se beneficiar de ferramentas como a musicoterapia e a gameterapia para o mesmo propósito, além de ter acesso a recursos como a equoterapia e a hidroterapia. Dessa forma, reforça-se a importância de estratégias terapêuticas contínuas e bem direcionadas promovendo maior autonomia e qualidade de vida.  

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¹Orientador. Docente do Curso de Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP);
²Coorientador. Docente do Curso de Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP);
³Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP);
⁴Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP);
⁵Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP);
⁶Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP);
⁷Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP).