FACEBOOK ACCESSIBILITY TOOLS FOR VISUALLY IMPAIRED USERS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510151904
Camilla de Paula Pereira Uzam1
Francisco Xavier Martins Bessa2
Resumo
O estudo teve como propósito analisar as ferramentas de acessibilidade do Facebook voltadas a usuários com deficiência visual, considerando seu impacto na promoção da inclusão digital e na garantia do direito à comunicação. A investigação partiu do reconhecimento de que a acessibilidade digital constitui elemento essencial para a participação social e cultural das pessoas com deficiência, especialmente em um contexto marcado pela centralidade das redes sociais. O objetivo geral consistiu em examinar como os recursos disponíveis na plataforma contribuem para a autonomia, a interação e o pertencimento desses usuários, identificando também as limitações existentes. Metodologicamente, tratou-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa e descritiva, realizada entre janeiro e setembro de 2025. As buscas foram conduzidas em bases como SciELO, ResearchGate, PubMed e BVS, utilizando os descritores “acessibilidade digital”, “inclusão digital”, “Facebook”, “deficiência visual” e “tecnologias assistivas”. Foram incluídos 27 estudos publicados entre 2020 e 2025. Os resultados evidenciaram que, embora o Facebook apresente recursos como leitores de tela, legendas automáticas e descrições alternativas, persistem falhas na padronização das interfaces e na efetividade dos mecanismos de navegação. Verificou-se que a inclusão digital requer integração entre tecnologia, educação e cultura, com participação ativa dos usuários nos processos de desenvolvimento. Conclui-se que a acessibilidade nas redes sociais deve ser compreendida como política permanente e colaborativa, voltada à equidade e à autonomia das pessoas com deficiência visual.
Palavras-chave: Acessibilidade digital. Deficiência visual. Redes sociais. Inclusão digital. Facebook.
1 INTRODUÇÃO
A expansão das tecnologias digitais transformou as formas de comunicação, interação e acesso à informação, criando novas possibilidades de participação social para grupos historicamente marginalizados. A inclusão digital tornou-se requisito essencial para o exercício da cidadania e da igualdade de oportunidades no século XXI, já que a internet e as plataformas sociais mediam grande parte das relações sociais e profissionais contemporâneas. Nesse contexto, a acessibilidade digital passou a ser compreendida como condição indispensável para o direito à comunicação e à informação, especialmente entre pessoas com deficiência (BAUMGARTNER, ROHRBACH e SCHÖNHAGEN, 2023).
O conceito de acessibilidade digital envolve o desenvolvimento de tecnologias, plataformas e conteúdos utilizáveis por qualquer pessoa, independentemente de limitações sensoriais, motoras ou cognitivas. No ambiente virtual, essa perspectiva exige que os recursos digitais sejam compatíveis com tecnologias assistivas, como leitores de tela, ampliadores de caracteres e softwares de reconhecimento de voz. Essas adaptações favorecem a autonomia e a inclusão social, permitindo que usuários com deficiência visual participem ativamente de espaços online e exerçam o direito de expressão, educação e lazer em condições equitativas (SILVA, 2025).
O debate sobre acessibilidade digital articula-se às políticas públicas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência. No Brasil, marcos legais como o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) e o Decreto nº 10.098/2000 reforçam a obrigatoriedade de eliminar barreiras tecnológicas que restrinjam a participação social. Essas normativas reconhecem o acesso à tecnologia como direito humano e instrumento de democratização da informação, promovendo equidade no uso das ferramentas digitais. Compreender a acessibilidade como direito implica reconhecer que a exclusão tecnológica constitui também forma de desigualdade social (SILVA, 2025).
Entre as deficiências sensoriais, a deficiência visual apresenta desafios específicos à interação com ambientes digitais. A ausência de recursos adequados em plataformas sociais e aplicativos pode limitar a navegação, o compartilhamento de conteúdo e a comunicação. Nesse sentido, as tecnologias assistivas atuam como mediadoras entre a pessoa e o ambiente digital, traduzindo elementos visuais em estímulos auditivos ou táteis. Essa adequação é essencial para o exercício da autonomia e para a superação de barreiras impostas por interfaces geralmente desenvolvidas sem considerar a diversidade de usuários (SANTOS et al., 2024).
O Facebook, uma das redes sociais mais utilizadas no mundo, representa um espaço significativo para a observação da inclusão digital. A plataforma oferece ferramentas de acessibilidade, como descrições automáticas de imagens, navegação por teclado e compatibilidade com leitores de tela. Contudo, a eficácia desses recursos depende de aprimoramentos constantes e da conscientização de desenvolvedores e usuários sobre a importância da comunicação inclusiva. A simples presença de mecanismos técnicos não assegura acessibilidade plena, pois persistem desafios relacionados à usabilidade e à experiência dos usuários com deficiência visual (BITMAN, 2022).
A interação de pessoas com deficiência nas redes sociais não se restringe ao uso funcional das ferramentas, mas se relaciona à construção de identidades e à expressão subjetiva. Nas mídias digitais, esses indivíduos produzem conteúdos, compartilham vivências e participam de comunidades virtuais, redefinindo noções de pertencimento e de representatividade. As plataformas, nesse sentido, tornam-se espaços de socialização e de reconhecimento, possibilitando a formação de redes de apoio e a valorização da diversidade comunicacional (SWEET et al., 2020).
A perspectiva da inclusão digital deve considerar aspectos tecnológicos e socioculturais da acessibilidade. A criação de interfaces inclusivas requer a participação direta de pessoas com deficiência nos processos de design, garantindo que suas experiências orientem soluções eficazes. Promover uma cultura digital acessível envolve engajamento coletivo — de instituições públicas, privadas e usuários — para assegurar que o acesso à informação seja um direito compartilhado, e não privilégio de poucos (SANTOS et al., 2024).
A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade de compreender como as ferramentas de acessibilidade do Facebook contribuem, ou deixam de contribuir, para a inclusão de usuários com deficiência visual. Embora a plataforma apresente recursos específicos, ainda existem dificuldades na interpretação de conteúdos visuais, na interação por meio de vídeos e no uso de comandos de navegação. Essa problemática revela uma lacuna entre o avanço tecnológico e a efetiva acessibilidade, apontando para a importância de avaliar a experiência do usuário cego ou com baixa visão, bem como as barreiras que persistem no ambiente digital (BAUMGARTNER, ROHRBACH e SCHÖNHAGEN, 2023).
Assim, este estudo tem como objetivo geral analisar as ferramentas de acessibilidade disponibilizadas pelo Facebook e sua eficácia na promoção da inclusão digital de usuários com deficiência visual. Os objetivos específicos consistem em: identificar os principais recursos de acessibilidade do Facebook voltados a pessoas com deficiência visual; avaliar como essas ferramentas contribuem para a interação, comunicação e participação social de usuários cegos ou com baixa visão; e investigar as limitações e desafios enfrentados por esses usuários na utilização das plataformas digitais.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 ACESSIBILIDADE DIGITAL E INCLUSÃO SOCIAL
A acessibilidade digital representa um conjunto de práticas e princípios que visam garantir o uso equitativo das tecnologias por todas as pessoas, independentemente de suas condições físicas, sensoriais ou cognitivas. No contexto contemporâneo, em que a comunicação, a educação e o trabalho são amplamente mediados por plataformas digitais, assegurar o acesso a conteúdos e serviços online constitui um requisito ético e social. A inclusão digital, nesse sentido, transcende o simples acesso à internet e envolve a criação de ambientes digitais projetados de forma universal, considerando as múltiplas formas de interação e percepção do usuário (GESSI et al., 2025).
O conceito de acessibilidade digital, quando relacionado à inclusão social, pressupõe uma perspectiva democrática do uso da tecnologia. Essa visão entende o ambiente digital como espaço de exercício da cidadania e de efetivação de direitos, na medida em que o acesso à informação é condição para a participação plena na sociedade. As barreiras virtuais — sejam elas estruturais, de design ou de usabilidade — funcionam como mecanismos de exclusão, reforçando desigualdades já existentes no mundo físico. Dessa forma, promover a acessibilidade digital é reconhecer o direito de todos à comunicação, à educação e à interação em condições equitativas (JÚNIOR, MOURA e SOUZA, 2025).
A acessibilidade deve ser entendida como processo contínuo de adaptação tecnológica, pedagógica e comunicacional. Não se limita à inserção de recursos assistivos, mas à criação de sistemas digitais projetados desde sua concepção com base no design universal. Esse princípio defende o desenvolvimento de produtos e serviços que possam ser utilizados pelo maior número possível de pessoas, sem necessidade de adaptações posteriores. Quando aplicada ao meio digital, essa abordagem amplia as oportunidades de participação de pessoas com deficiência visual, auditiva ou motora, promovendo a inclusão por meio de soluções tecnológicas mais empáticas e responsivas (MARINHO e ROCHA, 2024).
No campo das políticas públicas, a acessibilidade digital tem sido gradualmente reconhecida como um direito humano fundamental. O poder público, ao adotar medidas de inclusão tecnológica, assume responsabilidade pela remoção de barreiras que dificultam a interação de cidadãos com serviços digitais. No Brasil, a implementação de normas de acessibilidade em portais governamentais e plataformas educacionais tem avançado, ainda que de forma desigual. Tais iniciativas reforçam o entendimento de que a inclusão digital é parte integrante da construção de uma sociedade mais justa e participativa (GESSI et al., 2025).
A deficiência visual, em particular, evidencia desafios singulares no uso das tecnologias digitais. Usuários cegos ou com baixa visão dependem fortemente de softwares de leitura de tela, que interpretam o conteúdo textual e o convertem em áudio. No entanto, muitos sites e aplicativos permanecem incompatíveis com esses recursos, devido à ausência de padrões acessíveis de codificação. Essa limitação não decorre da incapacidade do usuário, mas da falta de sensibilidade de desenvolvedores e instituições quanto às necessidades específicas desse público. Assim, a acessibilidade digital deve ser concebida como um compromisso coletivo entre tecnologia, sociedade e políticas públicas (DABI e GOLGA, 2024).
As tecnologias assistivas, nesse contexto, atuam como instrumentos de mediação que viabilizam o acesso à informação e à comunicação. Compreendem uma variedade de dispositivos e softwares projetados para compensar limitações funcionais, como ampliadores de tela, teclados virtuais, sintetizadores de voz e sistemas de comando por reconhecimento auditivo. O uso dessas tecnologias não apenas facilita o acesso aos ambientes digitais, mas também amplia as possibilidades de inserção social e profissional das pessoas com deficiência visual, permitindo-lhes autonomia e independência em atividades cotidianas (MAHMOUDI-DEHAKI, NASR-ESFAHANI e VASAN, 2025).
Além de sua função instrumental, as tecnologias assistivas têm valor simbólico e social, pois representam a materialização do direito à acessibilidade e à dignidade humana. A incorporação de recursos acessíveis em plataformas públicas e privadas reflete um compromisso com a diversidade e com a democratização da tecnologia. Essa perspectiva implica compreender que a deficiência não reside apenas nas limitações do indivíduo, mas na falta de adequação do ambiente. Portanto, promover acessibilidade é também transformar paradigmas culturais e tecnológicos, deslocando o foco da deficiência para a inclusão (POMPUTIUS, 2020).
A educação digital inclusiva desponta como campo estratégico para a efetivação desses princípios. O ambiente educacional, ao integrar recursos digitais acessíveis, contribui para a formação de cidadãos críticos e tecnologicamente participativos. Essa abordagem reconhece que a exclusão digital é uma forma contemporânea de desigualdade social e que o acesso à informação deve ser garantido desde os primeiros níveis de ensino. A criação de materiais didáticos acessíveis, o uso de plataformas compatíveis com leitores de tela e a capacitação docente são práticas essenciais para consolidar uma cultura de inclusão no espaço virtual (JÚNIOR, MOURA e SOUZA, 2025).
No âmbito da cultura e do patrimônio digital, a acessibilidade também se manifesta como eixo de democratização do conhecimento. A criação de exposições virtuais e acervos online acessíveis permite que pessoas com deficiência visual explorem conteúdos culturais por meio de descrições sonoras, interfaces adaptadas e recursos táteis. Essa iniciativa amplia o direito à fruição estética e à participação cultural, rompendo com a exclusão simbólica imposta pela predominância da linguagem visual nas artes e nos espaços museológicos (MARINHO e ROCHA, 2024).
As barreiras digitais, por sua vez, ainda são evidentes em muitos ambientes virtuais. Sites sem estrutura semântica adequada, imagens sem descrição textual e menus incompatíveis com leitores de tela limitam o alcance das tecnologias assistivas. Essas falhas de design não decorrem apenas de omissões técnicas, mas também da ausência de políticas de incentivo e fiscalização da acessibilidade digital. A ausência de padrões unificados compromete a navegação de usuários com deficiência visual, tornando a internet um espaço excludente. Assim, a acessibilidade deve ser incorporada como critério essencial de qualidade e não como requisito opcional (SILVA et al., 2025).
As experiências de pessoas com deficiência visual revelam que a inclusão digital é mais efetiva quando há colaboração entre usuários, desenvolvedores e instituições. O diálogo entre esses agentes permite identificar obstáculos práticos e propor melhorias na usabilidade das plataformas. Além disso, a adoção de metodologias participativas no desenvolvimento de tecnologias assistivas garante que as soluções resultem de necessidades reais, e não de suposições externas. A construção coletiva da acessibilidade amplia sua eficácia e contribui para a formação de um ambiente digital mais equitativo (DABI e GOLGA, 2024).
A acessibilidade digital, portanto, deve ser compreendida como parte de um processo contínuo de transformação social, tecnológica e ética. Ao promover ambientes digitais inclusivos, garante-se o reconhecimento da diversidade humana como valor e não como exceção. A efetividade da inclusão depende do comprometimento de governos, empresas e sociedade civil em assegurar que as tecnologias sejam desenvolvidas e aplicadas com base na equidade e no respeito às diferenças (GESSI et al., 2025).
2.2 FERRAMENTAS DE ACESSIBILIDADE EM REDES SOCIAIS DIGITAIS
As redes sociais digitais se consolidaram como ambientes de socialização, expressão e aprendizado, tornando-se também espaços de reivindicação por inclusão e acessibilidade. No caso das pessoas com deficiência visual, o uso dessas plataformas está diretamente relacionado à existência de recursos tecnológicos que possibilitem sua navegação e interação. O Facebook, em especial, ocupa posição de destaque nesse processo, pois é uma das redes mais utilizadas no mundo e apresenta constante investimento em ferramentas acessíveis. A experiência de seus usuários com deficiência visual, contudo, revela que a presença desses recursos não elimina as dificuldades de acesso, exigindo aprimoramentos contínuos nas interfaces e na compatibilidade com tecnologias assistivas (QUAINOO, SERWORNOO e HAMMOND, 2023).
Os recursos de acessibilidade no Facebook e em outras plataformas digitais foram criados com o intuito de reduzir barreiras sensoriais e promover uma experiência de navegação mais inclusiva. Entre os mecanismos disponíveis, destacam-se o uso de descrições automáticas de imagens, a navegação por teclado e a compatibilidade com leitores de tela como TalkBack (Android) e VoiceOver (iOS). Tais ferramentas convertem elementos visuais em descrições sonoras, permitindo ao usuário compreender o conteúdo exibido e interagir com publicações, comentários e mensagens. Apesar de seu valor social, essas funcionalidades ainda apresentam limitações, especialmente na precisão das descrições automáticas e na falta de padronização entre diferentes dispositivos móveis (KLAUCH et al., 2024).
A utilização de leitores de tela é fundamental para que pessoas com deficiência visual acessem redes sociais. No entanto, a eficácia desses softwares depende da forma como o conteúdo é estruturado no código da plataforma. Quando as imagens não possuem textos alternativos (alt text) ou quando os botões e menus não estão devidamente rotulados, o leitor de tela não consegue interpretar as informações corretamente. Essa limitação reforça a importância do design acessível desde o desenvolvimento das aplicações, e não como adição posterior. A experiência do usuário torna-se satisfatória apenas quando há sinergia entre tecnologia assistiva, design inclusivo e consciência digital dos criadores de conteúdo (KHASAWNEH, 2023).
A usabilidade, conceito central na interação humano-computador, refere-se à facilidade com que uma pessoa utiliza determinado sistema para alcançar seus objetivos. No caso de usuários com deficiência visual, a usabilidade é diretamente impactada pela clareza da interface, pela organização dos comandos e pela resposta auditiva das ações realizadas. A ausência desses elementos compromete a autonomia do usuário, tornando a navegação fragmentada e dependente. As redes sociais, portanto, precisam integrar práticas de user-centered design — design centrado no usuário — para garantir que a acessibilidade seja uma característica estrutural, e não um complemento opcional (GALLARDO et al., 2025).
O desenvolvimento de interfaces acessíveis demanda também uma revisão dos padrões de interação tradicionais. As redes sociais, ao priorizarem a experiência visual, acabam reproduzindo modelos excludentes que dificultam o engajamento de pessoas com deficiência visual. O uso de ícones sem legendas, a ausência de contraste adequado e o excesso de elementos gráficos são exemplos de barreiras invisíveis que comprometem a navegação. Além disso, recursos automáticos de reconhecimento de imagem ainda enfrentam dificuldades na tradução de contextos complexos, como humor, ironia ou emoção, aspectos fundamentais na comunicação mediada por redes sociais (RAYMOND, SMITH e CARLSON, 2024).
As ferramentas de acessibilidade também estão associadas à personalização da experiência digital. Aplicativos e plataformas permitem configurar o tamanho das fontes, o contraste de cores e o feedback sonoro, tornando a navegação mais confortável. Esses recursos, contudo, não substituem a necessidade de uma estrutura acessível por padrão. A personalização deve funcionar como complemento a um design universal e não como mecanismo de compensação. A adoção de diretrizes internacionais, como as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), contribui para uniformizar práticas e elevar o nível de acessibilidade das redes sociais digitais (GLEASON et al., 2020).
O Facebook, ao longo dos anos, incorporou diversas dessas diretrizes, buscando compatibilidade com tecnologias assistivas e ampliando a interação de usuários cegos e com baixa visão. Ainda assim, o relato de estudantes com deficiência visual demonstra que o uso da plataforma pode ser frustrante quando se trata de criar e consumir conteúdo multimídia. Muitos usuários relatam dificuldades em postar fotos, participar de transmissões ao vivo e compreender vídeos sem audiodescrição. Esses desafios revelam que, embora a rede apresente avanços técnicos, ainda há um distanciamento entre o desenvolvimento tecnológico e a real necessidade dos usuários (QUAINOO, SERWORNOO e HAMMOND, 2023).
Além da questão técnica, a acessibilidade digital também envolve aspectos comunicacionais e sociais. Os usuários com deficiência visual enfrentam não apenas barreiras de interface, mas também obstáculos culturais, como o desconhecimento ou desinteresse de outros usuários em tornar o conteúdo acessível. Poucos produtores de conteúdo utilizam textos alternativos, legendas descritivas ou linguagem inclusiva. Essa lacuna reforça a importância de políticas de sensibilização e educação digital que estimulem boas práticas de acessibilidade entre os participantes das redes (PEREIRA et al., 2021).
A tecnologia assistiva móvel tem se destacado como ferramenta indispensável para o uso das redes sociais. Aplicativos como TalkBack e VoiceOver proporcionam autonomia ao usuário, permitindo-lhe explorar interfaces complexas, ler mensagens e publicar conteúdos. Essas ferramentas transformaram o celular em uma extensão sensorial, tornando possível interagir com ambientes digitais de forma independente. A portabilidade e a integração com assistentes virtuais, como Siri e Google Assistant, ampliam ainda mais as possibilidades de interação, convertendo comandos de voz em ações e facilitando o acesso contínuo à informação (KLAUCH et al., 2024).
Contudo, a acessibilidade não se limita ao uso de leitores de tela. Outras dimensões da interação digital precisam ser consideradas, como o feedback auditivo, a consistência dos comandos e o tempo de resposta do sistema. Erros nesses aspectos geram frustração e reduzem o engajamento de pessoas com deficiência visual nas plataformas sociais. O desenvolvimento de ferramentas de correção automática, descrição inteligente e legendas auditivas constitui avanço importante, mas sua efetividade depende da participação ativa dos usuários no processo de avaliação e aprimoramento (KIM, 2022).
A análise das plataformas de redes sociais revela uma dualidade entre potencial inclusivo e exclusão persistente. Embora as tecnologias assistivas tenham ampliado o alcance da comunicação digital, ainda existem lacunas significativas em relação à plena acessibilidade. Estudos apontam que muitos usuários com deficiência visual adaptam-se às limitações por meio de estratégias próprias, como memorização de comandos e uso seletivo de funções. Essa autoadaptação, embora demonstre resiliência, não deve substituir a responsabilidade das empresas de tecnologia em desenvolver ambientes verdadeiramente inclusivos (KHASAWNEH, 2023).
As redes sociais, quando projetadas com base em princípios inclusivos, podem atuar como ferramentas poderosas de empoderamento e pertencimento. A interação mediada por tecnologia permite que pessoas com deficiência visual compartilhem experiências, expressem opiniões e participem de movimentos sociais. Essa dimensão social da acessibilidade amplia o significado da conectividade, transformando o espaço digital em território de reconhecimento e de exercício de cidadania. A interação entre tecnologia e inclusão não é apenas uma questão técnica, mas também ética e cultural (GLEASON et al., 2020).
O futuro das redes sociais acessíveis exige integração entre pesquisa, desenvolvimento e prática. As tendências apontam para o uso crescente de inteligência artificial, aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural na criação de soluções acessíveis. Essas tecnologias podem aprimorar descrições automáticas de imagens, ajustar interfaces em tempo real e oferecer recomendações personalizadas para usuários com deficiência visual. Entretanto, sua implementação deve respeitar princípios de transparência, segurança e respeito à diversidade humana (GALLARDO et al., 2025).
A consolidação de ambientes digitais inclusivos requer, portanto, uma abordagem colaborativa, envolvendo engenheiros, designers, educadores e usuários. A acessibilidade nas redes sociais não deve ser tratada como inovação pontual, mas como política permanente de inclusão digital. O compromisso com o acesso universal à informação é também um compromisso com a equidade e com o reconhecimento da pluralidade dos modos de existir e comunicar no mundo contemporâneo (RAYMOND, SMITH e CARLSON, 2024).
2.3 DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA INTERAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL NAS MÍDIAS DIGITAIS
A interação de pessoas com deficiência visual nas mídias digitais é um campo em constante transformação, impulsionado pela evolução tecnológica e pela crescente conscientização social sobre acessibilidade. Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, persistem barreiras que dificultam a plena inclusão desses usuários no ambiente online. O uso de dispositivos móveis, softwares assistivos e interfaces adaptadas contribuiu para ampliar o acesso, mas as limitações técnicas e estruturais ainda restringem a experiência digital. O desafio reside em equilibrar inovação tecnológica, design inclusivo e participação ativa de pessoas com deficiência na construção das soluções digitais (PANDEY et al., 2021).
As barreiras enfrentadas pelos usuários com deficiência visual podem ser classificadas em três dimensões principais: tecnológica, comunicacional e social. A dimensão tecnológica envolve problemas de compatibilidade entre plataformas e leitores de tela, bem como interfaces complexas e mal estruturadas. A comunicacional refere-se à ausência de descrições alternativas e de recursos multimodais, o que impede a compreensão completa do conteúdo. Já a dimensão social decorre do desconhecimento e da falta de empatia dos produtores de conteúdo, que muitas vezes não consideram a diversidade de seus públicos. Essa combinação de fatores gera uma exclusão silenciosa, em que a presença digital das pessoas cegas ou com baixa visão é limitada por obstáculos invisíveis (NINO et al., 2024).
A usabilidade das interfaces é um dos elementos mais determinantes para a inclusão digital de pessoas com deficiência visual. As plataformas digitais frequentemente são projetadas com base em parâmetros visuais, negligenciando aspectos de navegabilidade e feedback auditivo. Quando botões, ícones e menus não possuem etiquetas ou descrições textuais, os leitores de tela não conseguem interpretar corretamente a informação. Isso torna a navegação fragmentada, exigindo esforço cognitivo adicional do usuário. Assim, a acessibilidade digital depende não apenas da adoção de tecnologias assistivas, mas também da reformulação das interfaces gráficas e da estrutura semântica dos sites e aplicativos (NEVES et al., 2024).
Os leitores de tela — ferramentas que convertem textos em áudio — são os principais mediadores da navegação de pessoas com deficiência visual. Apesar de serem amplamente utilizados, ainda enfrentam limitações na interpretação de elementos multimídia e na leitura de códigos mal estruturados. Além disso, variações nos sistemas operacionais e navegadores dificultam a padronização da experiência. A integração entre leitores de tela e dispositivos móveis tem avançado, mas requer constante atualização para acompanhar a evolução das linguagens de programação e das interfaces web. A ausência de suporte técnico adequado e a escassez de treinamento para usuários também impactam negativamente a eficácia desses recursos (SENJAM, MANNA e BASCARAN, 2021).
O avanço das tecnologias móveis ampliou o acesso das pessoas com deficiência visual às redes sociais, à educação e ao trabalho remoto. Os smartphones, por meio de aplicativos acessíveis, tornaram-se ferramentas essenciais para comunicação e autonomia. No entanto, a dependência de aplicativos de terceiros e a falta de integração entre sistemas limitam o uso pleno desses dispositivos. A qualidade das descrições automáticas, o tempo de resposta e a precisão dos comandos por voz são aspectos que ainda demandam aprimoramento. Esses fatores influenciam diretamente o nível de confiança e o engajamento dos usuários, determinando sua permanência nos espaços digitais (KAUR e SAUKKO, 2022).
Outro desafio recorrente diz respeito à acessibilidade em aplicativos e plataformas de comunicação síncrona, como voice chat e videoconferência. Embora esses recursos tenham se tornado comuns em contextos educacionais e profissionais, sua estrutura frequentemente prioriza a interação visual, dificultando a participação de usuários cegos. A ausência de legendas descritivas, sinalizações sonoras e feedback tátil cria um ambiente de comunicação desigual. A inclusão plena nas mídias digitais requer, portanto, que as tecnologias incorporem múltiplas formas de interação, permitindo que todos os participantes tenham acesso às mesmas informações em tempo real (MACK et al., 2020).
A acessibilidade em plataformas sociais deve ser entendida não apenas como adaptação técnica, mas como direito à interação e à representatividade. As mídias digitais desempenham papel relevante na construção de identidades e na formação de comunidades, e a exclusão das pessoas com deficiência visual desses espaços perpetua desigualdades simbólicas. A ausência de recursos inclusivos reduz a visibilidade dessas experiências e limita o compartilhamento de perspectivas diversas. Por outro lado, quando as plataformas adotam práticas acessíveis, criam-se oportunidades de empoderamento e fortalecimento da autonomia, possibilitando que essas pessoas se tornem produtoras de conteúdo e agentes de transformação (KAUR e SAUKKO, 2022).
O design centrado no usuário surge como alternativa para minimizar as barreiras enfrentadas nas mídias digitais. Essa abordagem prioriza a participação ativa das pessoas com deficiência no processo de desenvolvimento tecnológico, valorizando suas percepções e experiências como base para soluções reais. Ao incorporar o ponto de vista dos usuários desde as etapas iniciais, as empresas e desenvolvedores conseguem antecipar falhas de acessibilidade e criar sistemas mais intuitivos. Essa prática fortalece a ideia de que a acessibilidade não é uma característica opcional, mas um componente intrínseco à qualidade tecnológica e social das plataformas (NEVES et al., 2024).
A colaboração interdisciplinar também é fator decisivo para o avanço da acessibilidade. Projetos que reúnem especialistas em tecnologia, design, psicologia e educação tendem a produzir resultados mais efetivos, pois combinam diferentes perspectivas sobre o uso das ferramentas digitais. Essa integração possibilita compreender a experiência do usuário de maneira holística, considerando aspectos sensoriais, cognitivos e emocionais da interação. O desafio é transformar essas colaborações em práticas permanentes e sustentáveis, que orientem políticas públicas e estratégias de inovação inclusiva (PANDEY et al., 2021).
As experiências de pessoas com deficiência visual revelam que as barreiras digitais não são apenas técnicas, mas também culturais. A percepção social da deficiência ainda é marcada por estigmas que associam limitação à incapacidade, ignorando o potencial das tecnologias assistivas em promover a independência. A ausência de representatividade e a falta de conteúdos voltados a esse público reforçam o sentimento de invisibilidade. Superar essa lacuna exige que a inclusão digital seja acompanhada de uma mudança de paradigma, em que o valor da diversidade humana seja reconhecido como elemento estruturante da sociedade conectada (NINO et al., 2024).
Os desafios enfrentados na interação digital também apontam para oportunidades de aprimoramento tecnológico. O uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina permite otimizar a descrição de imagens, ajustar contrastes automaticamente e identificar padrões de navegação que indiquem necessidades específicas do usuário. Essas inovações têm potencial para tornar as interfaces mais adaptativas e responsivas, reduzindo as barreiras de acesso. Contudo, seu desenvolvimento deve ser orientado por princípios éticos, garantindo que a automação não reproduza vieses de exclusão já existentes (PANDEY et al., 2021).
A avaliação da acessibilidade nas mídias digitais requer metodologias específicas que considerem tanto aspectos técnicos quanto subjetivos da experiência do usuário. As análises devem incluir testes com usuários reais, observando a fluidez da navegação, a clareza das informações e a eficiência das ferramentas de feedback. Essa abordagem participativa permite identificar lacunas de acessibilidade e desenvolver soluções mais contextualizadas. Além disso, o monitoramento contínuo da usabilidade assegura que as atualizações tecnológicas não comprometam recursos já existentes, mantendo a coerência das melhorias implementadas (NEVES et al., 2024).
A perspectiva futura da interação de pessoas com deficiência visual nas mídias digitais depende da articulação entre políticas inclusivas, educação tecnológica e inovação ética. É essencial investir na formação de profissionais capacitados para desenvolver soluções acessíveis e na conscientização social sobre a importância da diversidade digital. A tecnologia, quando orientada por princípios de equidade, tem o potencial de redefinir as formas de comunicação e participação, eliminando as fronteiras simbólicas entre usuários. Dessa maneira, a acessibilidade deixa de ser uma exigência técnica e passa a constituir valor humano compartilhado, que sustenta o ideal de uma sociedade digital verdadeiramente inclusiva (SENJAM, MANNA e BASCARAN, 2021).
3 METODOLOGIA
O presente estudo caracterizou-se como uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa e descritiva, voltada à análise das ferramentas de acessibilidade do Facebook para usuários com deficiência visual. Esse tipo de investigação foi escolhido por possibilitar a síntese crítica de conhecimentos teóricos e empíricos já publicados, favorecendo a compreensão do tema a partir de diferentes perspectivas conceituais e metodológicas.
A pesquisa foi conduzida entre janeiro e setembro de 2025, utilizando-se de bases de dados reconhecidas pela produção científica nacional e internacional, como SciELO, BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), Google Scholar, PubMed e ResearchGate. Foram empregados descritores em português e inglês, combinados por meio do operador booleano AND, entre eles: “acessibilidade digital”, “inclusão digital”, “deficiência visual”, “Facebook”, “tecnologias assistivas” e “social media accessibility”.
Os critérios de inclusão consideraram estudos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra e que abordassem a acessibilidade digital de pessoas com deficiência visual em redes sociais, especialmente o Facebook. Foram aceitos artigos científicos, capítulos de livros, dissertações e documentos institucionais. Os critérios de exclusão abrangeram publicações duplicadas, resumos expandidos, materiais sem revisão por pares e estudos que tratavam apenas de outras deficiências sem relação com o público-alvo deste trabalho.
A seleção dos materiais foi realizada em três etapas sequenciais. Na primeira, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para identificação da pertinência ao tema. Na segunda etapa, os textos potencialmente relevantes foram analisados integralmente, observando-se os objetivos, metodologias e resultados apresentados. Na terceira, as produções que atendiam aos critérios estabelecidos foram incluídas no corpus final de análise.
Ao todo, foram selecionadas vinte e sete referências, distribuídas conforme os eixos temáticos definidos: introdução contextual (cinco estudos), acessibilidade digital e inclusão social (sete estudos), ferramentas de acessibilidade em redes sociais digitais (nove estudos) e desafios e perspectivas na interação de pessoas com deficiência visual nas mídias digitais (seis estudos). Essa divisão permitiu organizar a discussão teórica em torno dos objetivos específicos propostos.
A análise dos materiais foi conduzida de forma interpretativa e crítica, buscando identificar convergências, divergências e lacunas no conhecimento existente. Foram examinados os conceitos centrais, a aplicabilidade das ferramentas de acessibilidade, as barreiras identificadas pelos usuários e as possíveis soluções sugeridas pelos autores. A leitura foi sistemática e acompanhada de fichamentos analíticos, que possibilitaram o agrupamento das informações de acordo com a relevância temática.
Para garantir a consistência metodológica, empregou-se um processo de categorização baseado nos tópicos da fundamentação teórica. Cada grupo de estudos foi associado aos objetivos do trabalho, de modo que a análise contribuísse diretamente para responder ao problema de pesquisa. A abordagem qualitativa permitiu uma reflexão integrada sobre os aspectos tecnológicos, pedagógicos e sociais da acessibilidade digital.
As informações obtidas foram organizadas em forma de síntese narrativa, priorizando a clareza conceitual e a coerência entre os achados. O foco recaiu sobre a compreensão das experiências de usuários com deficiência visual e a avaliação crítica das soluções tecnológicas implementadas pelo Facebook e outras plataformas digitais.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise das produções científicas revela convergência na compreensão de que a acessibilidade digital deve ser tratada como um direito fundamental e um instrumento de equidade social. Os estudos ressaltam que a inclusão digital de pessoas com deficiência visual depende da interação entre tecnologia, políticas públicas e conscientização social. Essa integração é essencial para transformar o ambiente digital em espaço de cidadania. Gessi et al. (2025) argumentam que o acesso igualitário à informação na esfera virtual representa um pilar democrático, pois permite que todos os indivíduos exerçam sua participação política e social de maneira efetiva. De forma semelhante, Júnior, Moura e Souza (2025) apontam que a educação digital inclusiva é indispensável à consolidação de uma sociedade participativa, na qual o conhecimento e a tecnologia são distribuídos de forma equitativa (GESSI et al., 2025; JÚNIOR, MOURA e SOUZA, 2025).
Ao confrontar as perspectivas de Gessi et al. (2025) e Júnior, Moura e Souza (2025), observa-se que ambos os trabalhos enfatizam a necessidade de articulação entre acessibilidade e cidadania digital, mas diferem quanto à ênfase das estratégias. Enquanto o primeiro foca na estruturação de políticas públicas e na obrigatoriedade legal de acessibilidade em portais governamentais, o segundo destaca o papel formativo das instituições educacionais na difusão da cultura digital acessível. Essa diferença evidencia que a inclusão digital não depende apenas de ferramentas tecnológicas, mas também da capacitação de docentes, desenvolvedores e gestores, de modo a internalizar práticas acessíveis nas rotinas educacionais e institucionais (JÚNIOR, MOURA e SOUZA, 2025).
Marinho e Rocha (2024) contribuem para esse debate ao ampliar o conceito de acessibilidade para além da esfera funcional, inserindo-o também no campo cultural. As autoras analisam o uso de recursos acessíveis em museus e exposições on-line, enfatizando que o direito ao acesso à informação também se estende ao patrimônio simbólico e artístico. Essa perspectiva complementa as abordagens de Gessi et al. (2025) e Júnior, Moura e Souza (2025), ao demonstrar que a exclusão digital não se restringe à falta de infraestrutura tecnológica, mas à negação de experiências culturais e cognitivas mediadas pelo ambiente digital. Assim, a acessibilidade deve ser concebida como prática ampla, que engloba tanto o acesso a conteúdos informativos quanto à participação plena na vida cultural e educativa (MARINHO e ROCHA, 2024).
As pesquisas também convergem quanto à necessidade de aperfeiçoar o design das plataformas digitais. Silva et al. (2025) destacam que a acessibilidade digital está diretamente relacionada à forma como os sistemas são projetados, sendo essencial adotar princípios de design universal, que considerem desde o início a diversidade dos usuários. Essa visão é corroborada por Neves et al. (2024), que identificam falhas recorrentes em interfaces gráficas e estruturas de navegação, muitas vezes produzidas sem observância das diretrizes de acessibilidade. Os autores defendem que a solução está em incorporar testes com usuários com deficiência visual nas etapas de desenvolvimento, assegurando que a experiência digital seja funcional e intuitiva. Ao confrontar essas abordagens, percebe-se uma crítica comum à lógica de correção posterior, em que a acessibilidade é tratada como adendo, e não como requisito intrínseco de qualidade tecnológica (SILVA et al., 2025; NEVES et al., 2024).
A aplicação prática dessas diretrizes é visível em experiências de inclusão digital promovidas por instituições públicas. Gessi et al. (2025) analisam o portal gov.br, evidenciando que, embora o site apresente avanços na adoção de descrições alternativas, navegação por teclado e compatibilidade com leitores de tela, ainda persistem problemas na padronização e no contraste das interfaces. Essa constatação reforça que a presença de recursos técnicos não assegura acessibilidade plena, pois a efetividade depende da manutenção contínua e da validação pelos próprios usuários com deficiência visual. A convergência entre a abordagem de Gessi et al. (2025) e a de Silva et al. (2025) está em compreender a acessibilidade como processo dinâmico, que deve acompanhar as atualizações tecnológicas e as necessidades do público (GESSI et al., 2025; SILVA et al., 2025).
Já Mahmoudi-Dehaki, Nasr-Esfahani e Vasan (2025) ampliam o debate ao situar as tecnologias assistivas como fatores determinantes na melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. Os autores apontam que tais recursos não apenas garantem autonomia funcional, mas também promovem inclusão social, educacional e profissional. Essa perspectiva se diferencia da análise de Gessi et al. (2025), centrada em políticas públicas, e de Júnior, Moura e Souza (2025), voltada à educação, ao considerar a dimensão subjetiva da acessibilidade, isto é, a percepção de pertencimento e reconhecimento social propiciada pelas tecnologias. Essa abordagem evidencia que a acessibilidade digital é também um instrumento de empoderamento e valorização da identidade das pessoas com deficiência (MAHMOUDI-DEHAKI, NASR-ESFAHANI e VASAN, 2025).
Pomputius (2020) complementa essa discussão ao destacar que o desenvolvimento de softwares acessíveis requer um compromisso ético entre desenvolvedores e usuários. O autor argumenta que a ausência de padronização nos códigos-fonte, a falta de compatibilidade entre navegadores e a negligência na implementação de recursos auditivos ainda constituem entraves significativos para a efetividade das tecnologias assistivas. Esse diagnóstico converge com as observações de Neves et al. (2024) e Silva et al. (2025), que ressaltam a importância da validação contínua das ferramentas acessíveis. Contudo, Pomputius (2020) adota uma abordagem mais técnica, ao passo que os outros autores enfatizam dimensões sociais e educacionais da inclusão. Essa diferença de enfoque reforça a necessidade de abordagens interdisciplinares para compreender e solucionar as lacunas existentes na acessibilidade digital (POMPUTIUS, 2020; NEVES et al., 2024; SILVA et al., 2025).
Dabi e Golga (2024) contribuem com uma perspectiva empírica ao investigar as experiências de estudantes com deficiência visual no acesso a informações baseadas na web. Os resultados apontam que, mesmo em instituições que dispõem de tecnologias assistivas, muitos alunos enfrentam barreiras técnicas, como sites incompatíveis com leitores de tela e falta de legendas descritivas. Essas dificuldades afetam o desempenho acadêmico e a autonomia desses estudantes. Ao comparar essa realidade com o contexto abordado por Gessi et al. (2025), nota-se que as barreiras digitais se manifestam tanto em ambientes educacionais quanto em espaços governamentais, revelando um problema estrutural de acessibilidade digital. Ambos os estudos indicam que a inclusão depende de políticas integradas que unam desenvolvimento tecnológico, capacitação de profissionais e fiscalização normativa (DABI e GOLGA, 2024; GESSI et al., 2025).
Em síntese, os autores analisados convergem ao reconhecer que a acessibilidade digital deve ser compreendida como eixo estruturante da inclusão social, e não como benefício adicional. Suas divergências residem na ênfase das soluções: enquanto Gessi et al. (2025) defendem políticas públicas de regulamentação, Júnior, Moura e Souza (2025) apostam na educação como via de conscientização, e Mahmoudi-Dehaki, Nasr-Esfahani e Vasan (2025) destacam a tecnologia assistiva como fator de transformação social. A articulação dessas perspectivas demonstra que o avanço da acessibilidade depende da cooperação entre Estado, instituições de ensino, setor privado e comunidade científica (JÚNIOR, MOURA e SOUZA, 2025; MAHMOUDI-DEHAKI, NASR-ESFAHANI e VASAN, 2025).
A análise das pesquisas voltadas às ferramentas de acessibilidade em redes sociais digitais demonstra que o Facebook tem assumido papel de destaque na oferta de recursos destinados à inclusão de pessoas com deficiência visual, embora ainda apresente limitações estruturais. Quainoo, Serwornoo e Hammond (2023) identificam que os usuários cegos ou com baixa visão valorizam as oportunidades de interação e pertencimento proporcionadas pela plataforma, mas enfrentam dificuldades relacionadas à ausência de descrições adequadas em imagens e à navegação por elementos visuais não rotulados. Esses fatores reduzem a autonomia e exigem estratégias adaptativas por parte dos usuários, como o uso de leitores de tela e comandos de voz, para contornar barreiras de usabilidade (QUAINOO, SERWORNOO e HAMMOND, 2023).
De modo semelhante, Khasawneh (2023) aponta que as redes sociais apresentam um paradoxo: ao mesmo tempo em que promovem inclusão simbólica, perpetuam exclusões técnicas. Segundo o autor, a presença de recursos como textos alternativos (alt text) e compatibilidade com softwares de leitura não garante uma experiência fluida, pois a implementação desses mecanismos é irregular e depende do comprometimento dos desenvolvedores e dos próprios usuários que produzem conteúdo. Essa visão dialoga com Quainoo, Serwornoo e Hammond (2023), ao reconhecer que o Facebook oferece instrumentos de acessibilidade, mas ainda não assegura igualdade plena de participação digital, especialmente em ambientes visuais intensos, como vídeos e transmissões ao vivo (KHASAWNEH, 2023).
Em contrapartida, Gleason et al. (2020) ampliam o debate ao discutir que a acessibilidade nas mídias sociais deve ir além da correção de falhas técnicas, integrando o conceito de inclusão colaborativa. Essa abordagem sugere que o desenvolvimento das plataformas deve envolver a participação direta de pessoas com deficiência em todas as etapas de design, teste e avaliação. Assim, as redes sociais não seriam apenas adaptadas, mas construídas com base nas experiências de seus usuários diversos. Essa proposta contrasta com a visão de Khasawneh (2023), que destaca a dimensão técnica, ao enfatizar que a acessibilidade é também um processo social e político que requer escuta ativa e coautoria (GLEASON et al., 2020).
A percepção do uso das tecnologias assistivas em dispositivos móveis também é explorada por Klauch et al. (2024), que analisam o impacto das ferramentas TalkBack e VoiceOver em dispositivos Android e iOS, respectivamente. Segundo os autores, esses aplicativos ampliaram significativamente a autonomia dos usuários com deficiência visual, tornando possível navegar em redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas educacionais. No entanto, apontam que o desempenho dessas ferramentas varia conforme a atualização dos sistemas operacionais e a estrutura das interfaces. Essa análise converge com Khasawneh (2023) e Quainoo, Serwornoo e Hammond (2023), ao demonstrar que, embora a tecnologia represente avanço notável, sua eficiência ainda depende da integração entre software assistivo e design de plataforma (KLAUCH et al., 2024).
Raymond, Smith e Carlson (2024) abordam a questão sob uma perspectiva de consumo digital, afirmando que a inclusão só se concretiza quando a experiência é igualmente satisfatória para todos os públicos. Para os autores, a falta de acessibilidade nas mídias sociais não é apenas uma limitação técnica, mas uma forma de exclusão mercadológica, que restringe o acesso de milhões de consumidores com deficiência visual. A inclusão, portanto, deve ser compreendida também como fator de competitividade e responsabilidade social das empresas de tecnologia. Esse entendimento complementa o de Gleason et al. (2020), ao propor que o desenvolvimento de plataformas acessíveis não é apenas dever ético, mas também estratégico, uma vez que amplia o alcance de mercado e promove reputação corporativa positiva (RAYMOND, SMITH e CARLSON, 2024).
Outro aspecto relevante diz respeito à relação entre acessibilidade e experiência de usuário. Kim (2022) investigou a percepção de pessoas com deficiência visual sobre o uso de aplicativos assistivos e constatou que a satisfação está fortemente associada à previsibilidade e à consistência dos comandos. Quando os recursos de navegação são instáveis ou mudam de posição entre as atualizações, os usuários perdem tempo tentando localizar funções básicas, o que gera frustração e reduz o engajamento. Essa constatação reforça o argumento de Klauch et al. (2024) de que a acessibilidade deve ser acompanhada de manutenção constante e feedback dos usuários, para garantir que a evolução tecnológica não produza novos obstáculos (KIM, 2022; KLAUCH et al., 2024).
LILJESTRÖM, BERN e FERATI (2024) analisam as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência visual em plataformas de áudio e voice chat, destacando que mesmo ambientes predominantemente sonoros podem ser inacessíveis quando não oferecem feedback tátil ou comandos auditivos claros. Essa constatação amplia o conceito de acessibilidade, mostrando que não basta substituir estímulos visuais por auditivos: é necessário considerar a usabilidade e a ergonomia da interação. Tal perspectiva converge com as discussões de Gleason et al. (2020), que defendem uma abordagem holística da acessibilidade, baseada em múltiplos canais sensoriais e na personalização da experiência do usuário (LILJESTRÖM, BERN e FERATI, 2024).
Pereira et al. (2021) introduzem um ponto de divergência relevante ao discutir a autoria de conteúdo acessível nas redes sociais. Para os autores, embora plataformas como o Facebook ofereçam ferramentas para a inclusão, como legendas automáticas e reconhecimento de imagem, a responsabilidade pela acessibilidade é compartilhada entre os desenvolvedores e os produtores de conteúdo. No entanto, observam que poucos usuários têm conhecimento técnico ou consciência suficiente para utilizar corretamente esses recursos, o que perpetua lacunas no acesso. Essa observação difere de Quainoo, Serwornoo e Hammond (2023), que focam nas falhas da plataforma, ao sugerir que parte do problema também decorre da falta de alfabetização digital e da ausência de políticas de conscientização (PEREIRA et al., 2021).
A relação entre design de interface e funcionalidade é aprofundada por Gallardo et al. (2025), que examinam as tendências recentes no desenvolvimento de sistemas acessíveis de interação humano-computador. Os autores destacam que a aplicação de princípios de user experience (UX) acessível requer integração entre estética, simplicidade e responsividade. As soluções mais eficazes são aquelas que equilibram elementos visuais com descrições textuais e sinalizações auditivas, permitindo que o mesmo conteúdo seja compreendido por diferentes perfis de usuários. Essa visão converge com as análises de Raymond, Smith e Carlson (2024), ao enfatizar que a acessibilidade não deve comprometer a estética, mas integrá-la de forma orgânica, tornando-se parte da identidade funcional das plataformas (GALLARDO et al., 2025).
Quando confrontadas, as abordagens de Gleason et al. (2020) e Gallardo et al. (2025) revelam uma complementaridade significativa: enquanto o primeiro grupo de autores propõe um modelo participativo de desenvolvimento acessível, o segundo oferece subsídios técnicos para sua implementação. Ambas as perspectivas reforçam que a acessibilidade não pode ser compreendida isoladamente como requisito tecnológico, mas como prática social mediada pela experiência do usuário e pelo engajamento coletivo. Essa convergência evidencia a maturação do debate acadêmico, que evoluiu do diagnóstico de barreiras técnicas para a formulação de propostas integradas de acessibilidade e inclusão digital (GLEASON et al., 2020; GALLARDO et al., 2025).
Ao relacionar as discussões apresentadas, é possível perceber que os autores analisados compartilham a compreensão de que as ferramentas de acessibilidade nas redes sociais representam conquistas significativas, mas ainda insuficientes diante das demandas dos usuários com deficiência visual. As divergências concentram-se nas responsabilidades atribuídas: para Quainoo, Serwornoo e Hammond (2023), o foco deve recair sobre o aperfeiçoamento das plataformas; para Pereira et al. (2021), é essencial promover a educação digital e o engajamento dos produtores de conteúdo; enquanto Gleason et al. (2020) e Gallardo et al. (2025) defendem a coparticipação entre usuários e desenvolvedores. Essa pluralidade de perspectivas reforça a natureza multidimensional da acessibilidade digital e sua dependência da colaboração entre tecnologia, educação e cultura.
Em síntese, os resultados apontam que, embora as redes sociais tenham avançado em termos de recursos assistivos e adaptação tecnológica, ainda há uma distância significativa entre o potencial das ferramentas e sua efetiva utilização. A acessibilidade nas mídias digitais, especialmente no Facebook, permanece condicionada a fatores estruturais, como padronização de interfaces, compatibilidade de softwares e formação digital dos usuários. A superação dessas limitações requer um esforço coletivo, no qual o compromisso ético e técnico das empresas se una à participação ativa das pessoas com deficiência visual na construção de ambientes digitais realmente inclusivos (KHASAWNEH, 2023; QUAINOO, SERWORNOO e HAMMOND, 2023).
A discussão sobre os desafios e perspectivas da interação de pessoas com deficiência visual nas mídias digitais evidencia que, embora existam avanços consideráveis na criação de recursos assistivos, as barreiras estruturais e conceituais ainda limitam a plena inclusão. Pandey et al. (2021) destacam que a acessibilidade digital não pode ser reduzida à inserção de ferramentas tecnológicas, mas deve ser compreendida como um processo colaborativo que envolve programação inclusiva, design participativo e compreensão das necessidades reais dos usuários. Os autores argumentam que a acessibilidade depende da cooperação entre profissionais de tecnologia e pessoas com deficiência visual, a fim de garantir que os sistemas reflitam experiências concretas de uso (PANDEY et al., 2021).
Nino et al. (2024) corroboram essa perspectiva ao analisarem tecnologias assistivas de navegação na internet, como leitores de tela e ampliadores de conteúdo. Embora reconheçam os avanços na precisão e na velocidade desses sistemas, os autores observam que persistem limitações quanto à interpretação de elementos gráficos e de linguagem não textual. Essa constatação reforça o que Pandey et al. (2021) apontam: o sucesso da acessibilidade depende tanto do desenvolvimento de softwares sofisticados quanto da adequação do conteúdo produzido pelos usuários e instituições. Os autores convergem ao afirmar que a acessibilidade digital deve ser encarada como responsabilidade compartilhada, que envolve tanto os criadores das plataformas quanto os produtores de informação (NINO et al., 2024).
Neves et al. (2024) avançam na discussão ao abordarem o papel do design de interface na inclusão digital, argumentando que a acessibilidade precisa ser incorporada desde o início do desenvolvimento dos sistemas, e não tratada como ajuste posterior. Para eles, a experiência de navegação das pessoas com deficiência visual depende de uma arquitetura de informação clara, com botões rotulados, descrições precisas e feedback auditivo consistente. Essa posição converge com Pandey et al. (2021), ao defender que o user interface/user experience (UI/UX) deve ser construído com base em testes participativos, envolvendo diretamente o público-alvo. No entanto, Neves et al. (2024) ampliam a discussão ao ressaltar que o design acessível também é uma questão de ética profissional, uma vez que a ausência de usabilidade adequada reforça a exclusão digital (NEVES et al., 2024).
A dimensão social das mídias digitais acessíveis é discutida por Kaur e Saukko (2022), que observam como o uso das redes possibilita a construção de vínculos e pertencimento entre jovens com deficiência. Segundo as autoras, a interação mediada pela tecnologia contribui para romper o isolamento e criar comunidades de apoio. No entanto, advertem que a precariedade dos recursos de acessibilidade e a falta de sensibilidade dos demais usuários ainda dificultam a integração plena. A análise de Kaur e Saukko (2022) complementa as abordagens de Nino et al. (2024) e Neves et al. (2024), ao enfatizar que a inclusão digital não se limita à acessibilidade técnica, mas requer também transformação cultural, pautada em empatia e reconhecimento da diversidade. Essa perspectiva revela que a acessibilidade é tanto um desafio tecnológico quanto relacional (KAUR e SAUKKO, 2022).
O papel das tecnologias móveis na autonomia das pessoas com deficiência visual é explorado por Senjam, Manna e Bascaran (2021), que destacam o impacto dos aplicativos baseados em smartphones para o cotidiano dos usuários. Esses autores apontam que os sistemas de voz, leitores de tela e assistentes virtuais contribuíram para aumentar a independência em tarefas cotidianas e na navegação em redes sociais. Contudo, observam que a eficácia desses recursos depende da configuração dos dispositivos e da alfabetização digital dos usuários. Em consonância com Pandey et al. (2021), Senjam, Manna e Bascaran (2021) afirmam que o uso efetivo das tecnologias assistivas exige treinamento contínuo e políticas públicas de inclusão digital, que promovam o acesso à informação e à capacitação técnica (SENJAM, MANNA e BASCARAN, 2021).
O estudo de Mack et al. (2020), embora centrado em pessoas surdas, apresenta reflexões relevantes sobre a acessibilidade em aplicativos sociais, reforçando que a falta de padronização e a ausência de feedback visual ou auditivo consistente prejudicam a comunicação entre os usuários. Os autores demonstram que a mesma lógica excludente observada entre surdos também se aplica às pessoas com deficiência visual, já que as interfaces das redes são projetadas para a norma da visão e da audição, ignorando as especificidades sensoriais. A contribuição de Mack et al. (2020) complementa as análises de Neves et al. (2024) e Kaur e Saukko (2022), ao evidenciar que o design acessível deve considerar múltiplas formas de percepção e interação, indo além da simples adaptação tecnológica (MACK et al., 2020).
Os autores também divergem quanto ao ritmo e às estratégias de avanço na acessibilidade digital. Enquanto Pandey et al. (2021) e Nino et al. (2024) defendem uma abordagem de desenvolvimento colaborativo, em que o usuário participa diretamente da criação das soluções, Neves et al. (2024) e Kaur e Saukko (2022) enfatizam a necessidade de sensibilização social e cultural para que a tecnologia seja de fato emancipatória. Essa diferença de enfoque demonstra que a acessibilidade digital é uma questão interdisciplinar, que demanda o envolvimento simultâneo de áreas como tecnologia, psicologia, design e educação. A complementaridade entre esses campos é essencial para a consolidação de práticas inclusivas e sustentáveis (NINO et al., 2024; KAUR e SAUKKO, 2022).
Um ponto de consenso entre os autores é a importância de incorporar inteligência artificial e aprendizado de máquina no aprimoramento das tecnologias assistivas. Pandey et al. (2021) sugerem que o uso de algoritmos de reconhecimento de imagem e processamento de linguagem natural pode melhorar a interação entre pessoas com deficiência visual e sistemas digitais. Nino et al. (2024) corroboram essa ideia ao destacar o potencial dessas tecnologias em gerar descrições mais precisas e contextuais de conteúdos visuais. Contudo, alertam que o desenvolvimento automatizado deve ser acompanhado por supervisão humana, para evitar a reprodução de vieses que prejudiquem a interpretação de dados e perpetuem estigmas. A integração entre inteligência artificial e ética digital surge, portanto, como caminho promissor, mas que exige regulação e responsabilidade compartilhada (PANDEY et al., 2021; NINO et al., 2024).
No que se refere à experiência do usuário, Senjam, Manna e Bascaran (2021) e Kaur e Saukko (2022) convergem ao afirmar que a autonomia digital depende tanto da funcionalidade das ferramentas quanto da acessibilidade simbólica. A falta de representação de pessoas com deficiência nas campanhas de marketing e nas narrativas midiáticas reforça a sensação de invisibilidade e inferioridade social. Assim, a inclusão digital deve ser acompanhada da inclusão comunicacional, garantindo visibilidade e protagonismo às experiências de deficiência. Essa análise amplia as conclusões de Pandey et al. (2021), que já reconheciam o papel do discurso social na legitimação da acessibilidade tecnológica. O desafio contemporâneo, portanto, não é apenas construir ferramentas acessíveis, mas assegurar que essas tecnologias estejam integradas a uma cultura digital verdadeiramente plural (SENJAM, MANNA e BASCARAN, 2021; KAUR e SAUKKO, 2022).
A síntese das análises mostra que a evolução da acessibilidade digital nas mídias sociais requer um duplo movimento: o aprimoramento técnico das ferramentas e a transformação das relações humanas mediadas pela tecnologia. Pandey et al. (2021) apontam que o primeiro depende da integração entre engenheiros, programadores e especialistas em acessibilidade, enquanto o segundo exige ações educativas que promovam empatia e valorização da diversidade. Essa dualidade confirma a tese de Neves et al. (2024), para quem a acessibilidade só se efetiva quando a tecnologia é concebida como expressão de um valor social, e não como simples produto de consumo. O conjunto dos estudos analisados evidencia que as soluções técnicas e pedagógicas devem caminhar lado a lado, sustentadas por políticas públicas inclusivas e por um compromisso ético das plataformas digitais (NEVES et al., 2024; PANDEY et al., 2021).
Observa-se que os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência visual nas mídias digitais são resultado da combinação de fatores tecnológicos, educacionais e culturais. As divergências entre os autores refletem diferentes ênfases — ora técnicas, ora sociais —, mas todos convergem na ideia de que a acessibilidade deve ser contínua, participativa e humanizada. A partir dessa constatação, emerge a necessidade de novas agendas de pesquisa que articulem inovação tecnológica e inclusão social, garantindo que as redes digitais, como o Facebook, cumpram sua função de conectar pessoas sem excluir pela diferença. A acessibilidade, portanto, deve ser compreendida não como adaptação, mas como princípio constitutivo da comunicação digital contemporânea (KAUR e SAUKKO, 2022; NINO et al., 2024; SENJAM, MANNA e BASCARAN, 2021).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A revisão narrativa realizada permitiu compreender que as ferramentas de acessibilidade do Facebook para usuários com deficiência visual representam avanços significativos, porém ainda insuficientes diante das demandas de inclusão plena. As análises evidenciaram que a acessibilidade digital vai além da disponibilização de recursos técnicos, exigindo planejamento, participação dos usuários e compromisso institucional. Constatou-se que as limitações persistem principalmente na padronização das interfaces, na capacitação dos produtores de conteúdo e na ausência de políticas efetivas de manutenção e atualização das plataformas.
Os autores convergem ao apontar que a inclusão digital requer integração entre tecnologia, educação e cultura, a fim de promover autonomia, equidade e pertencimento social. A cooperação entre desenvolvedores, gestores públicos e usuários com deficiência visual constitui elemento essencial para o aprimoramento das práticas digitais acessíveis.
Conclui-se, portanto, que a acessibilidade no Facebook e em outras redes sociais deve ser concebida como política contínua, associada a princípios éticos, pedagógicos e tecnológicos. Somente por meio dessa articulação será possível construir ambientes digitais verdadeiramente inclusivos, que garantam não apenas o acesso à informação, mas também a participação ativa e o reconhecimento das pessoas com deficiência visual como protagonistas no espaço digital.
REFERÊNCIAS
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1 Doutoranda na área de Educação, Centro Internacional de Pesquisa, Integralize e-mail: camilla.uzam@unicid.edu.br
2 Orientador de doutorado, Centro Internacional de Pesquisa, Integralize e-mail: bessa@expressalimentacso.com.br
