VIDAS EM COLAPSO: A COMPLEXIDADE DO SUICÍDIO NA SEGURANÇA PÚBLICA

LIVES IN COLLAPSE: THE COMPLEXITY OF SUICIDE IN PUBLIC SECURITY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509251013


Neuton Jose Simplicio Gomes Filho1
Sheila Nascimento de Paula e Silva Oliveira2
Wayne Paiva Vale3
José Luiz Jaborandy Neto4
Elena Bessa Magaldi Alves5
Dorli João Carlos Marques6
Izaura Rodrigues Nascimento7
Luciano Balbino dos Santos8


Resumo

Este artigo analisa o fenômeno do suicídio entre profissionais da segurança pública no Brasil, reconhecendo sua complexidade e a necessidade de uma abordagem interdisciplinar que articule dimensões psicológicas, sociais e institucionais. A pesquisa adotou o método de revisão integrativa da literatura, contemplando estudos publicados entre 2020 e 2025. Os resultados evidenciam a escassez e a concentração regional da produção científica, além da predominância de investigações sobre policiais militares, em detrimento de outros segmentos da segurança pública. Destacam-se como fatores críticos o estresse ocupacional, a precarização das condições de trabalho, a desvalorização social e a ausência de políticas consistentes de prevenção e posvenção. A análise, sustentada em referenciais teóricos de Durkheim, Bauman, Bourdieu e Amartya Sen, demonstra que o suicídio nesse grupo resulta da interação entre fragilidades individuais e estruturas sociais opressivas. Conclui-se que enfrentar essa realidade demanda políticas públicas intersetoriais, baseadas em evidências, que promovam ambientes institucionais mais humanizados e garantam a valorização da vida e da dignidade desses profissionais, essenciais para a proteção social.

Palavras-chave: suicídio policial; saúde mental; segurança pública; políticas de prevenção; análise interdisciplinar.

Abstract

This article analyzes the phenomenon of suicide among public security professionals in Brazil, acknowledging its complexity and the need for an interdisciplinary approach that articulates psychological, social, and institutional dimensions. The study adopted the integrative literature review method, covering publications between 2020 and 2025. The results highlight the scarcity and regional concentration of scientific production, as well as the predominance of studies on military police officers, to the detriment of other segments of public security. Critical factors include occupational stress, precarious working conditions, social devaluation, and the absence of consistent prevention and postvention policies. The analysis, grounded in theoretical contributions from Durkheim, Bauman, Bourdieu, and Amartya Sen, demonstrates that suicide in this group results from the interaction between individual vulnerabilities and oppressive social structures. It concludes that addressing this issue requires intersectoral public policies, evidence-based actions, and institutional environments that promote humanization, while ensuring the protection of life and dignity of these professionals, who are essential for social protection.

Keywords: police suicide; mental health; public security; prevention policies; interdisciplinary analysis.

1. INTRODUÇÃO 

O suicídio entre profissionais da segurança pública no Brasil constitui um fenômeno complexo que exige análise interdisciplinar, articulando fatores psicológicos individuais com determinantes socioculturais e econômicos. Este estudo parte da inquietação acerca de como os contextos contemporâneos — socioculturais e econômicos —, interpretados à luz das teorias de segunda geração sobre o suicídio, bem como das contribuições de Bauman, Bourdieu, Durkheim e Amartya Sen9, podem auxiliar na compreensão das mortes autoinfligidas nesse grupo profissional, conforme evidenciado por estudos analisados por meio de revisão integrativa.

A relevância da investigação torna-se evidente diante da escassez de pesquisas abrangentes sobre o tema, marcadas ainda por concentração geográfica desigual. Os estudos existentes se concentram principalmente nas regiões Sul e Nordeste, com notável ausência de trabalhos na região Norte, o que deixa lacunas importantes quanto às realidades regionais.

As teorias psicológicas oferecem instrumentos relevantes para compreender os mecanismos individuais do comportamento suicida. Contudo, revelam-se insuficientes quando desconsideram uma análise crítica das estruturas sociais e institucionais que configuram o cotidiano desses profissionais. Nesse sentido, os aportes de Bauman sobre a modernidade líquida e a fragilização dos laços sociais, as reflexões de Bourdieu acerca da violência simbólica nas instituições, a tipologia durkheimiana do suicídio e a teoria das capacidades de Sen fornecem um arcabouço teórico essencial. Tais perspectivas permitem compreender como a precarização laboral, a desvalorização social e a restrição de liberdades substantivas criam condições estruturais para o adoecimento psíquico.

Dessa forma, a presente revisão integrativa propõe uma síntese crítica que articula dimensões micro e macroanalíticas do fenômeno, com o objetivo de analisar de que maneira os contextos psicossocioculturais e econômicos contemporâneos contribuem para a compreensão dos suicídios entre profissionais da segurança pública no Brasil. A investigação justifica-se pela urgência em enfrentar este grave problema, que afeta profissionais essenciais para a segurança e o bem-estar social, frequentemente submetidos a condições de trabalho e de vida que os colocam em situação de extrema vulnerabilidade.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

A compreensão do suicídio entre profissionais da segurança pública no Brasil demanda uma abordagem multidisciplinar que articule perspectivas psicológicas e sociológicas. O fenômeno revela-se particularmente complexo quando examinado à luz das transformações sociais contemporâneas e das condições institucionais específicas desses trabalhadores. Nesse sentido, a análise teórica proposta estrutura-se em três eixos fundamentais: as teorias clássicas e contemporâneas sobre o suicídio, os aportes da sociologia crítica para compreensão das instituições modernas e a perspectiva das capacidades humanas como marco analítico para políticas públicas.

As contribuições de Durkheim (1897/2014) permanecem essenciais para compreender como as estruturas sociais moldam comportamentos individuais extremos. Sua tipologia do suicídio — egoísta, altruísta, anômico e fatalista — continua oferecendo um instrumental analítico valioso, sobretudo para examinar as condições dos profissionais da segurança pública em contextos de desregulação social, de anomia ou de controle institucional excessivo.

No campo da psicologia, observa-se uma evolução das teorias unidimensionais para abordagens integrativas, capazes de distinguir os fatores predisponentes daqueles que precipitam o ato suicida (Yoyen; Kele, 2024). As teorias de primeira geração, também chamadas tradicionais, foram fundamentais na construção dos primeiros referenciais explicativos sobre o comportamento suicida. Entre elas, destaca-se a Teoria Psicodinâmica, formulada por Menninger (1938), que compreende o suicídio como um ato de agressão voltado contra o self, geralmente em resposta à perda de um objeto amado. A Teoria da Aprendizagem Social, desenvolvida por Lester (1992), propõe que o comportamento suicida pode ser aprendido a partir da observação de modelos e reforçado pela atenção social recebida. Já a Teoria da Desesperança, formulada por Beck et al. (1974), identifica a desesperança como variável mediadora crucial para a ideação suicida, ressaltando a importância das crenças negativas sobre o futuro. A contribuição de Shneidman (1985) é igualmente relevante, ao introduzir o conceito de “psicache”, definido como dor psicológica intolerável que constitui o núcleo motivacional do ato suicida. Por fim, Baechler (1975), por meio da Teoria da Fuga, interpreta o suicídio como uma tentativa de escapar de autopercepções dolorosas e de fracassos percebidos.

As teorias de segunda geração ampliaram essa compreensão ao diferenciarem os fatores que conduzem à ideação suicida daqueles que levam à sua concretização (Yoyen; Kele, 2024). Nesse campo, destaca-se a Teoria Interpessoal do Suicídio, de Joiner (2005), que sustenta que o desejo de morrer surge da interação entre a percepção de não pertencimento e a sensação de ser um fardo, exigindo, para a consumação do ato, que o indivíduo adquira capacidade de agir letalmente. A Teoria dos Três Estágios, de Klonsky e May (2015), introduz a dor psicológica e a desesperança como precursores iniciais e ressalta a influência de fatores práticos que tornam a tentativa possível. O Modelo Motivacional-Deliberativo Integrativo, proposto por O’Connor (2011), enfoca o processo de tomada de decisão ao incorporar aspectos motivacionais — como derrotas e humilhações — e deliberativos, como o acesso a meios letais. Por fim, a Teoria da Predisposição Variável, de Rudd (2010), compreende o suicídio como resultado da interação entre predisposições psicológicas, como traços de personalidade e vulnerabilidades genéticas, e fatores situacionais adversos.

A análise sociológica contemporânea, sobretudo a partir das contribuições de Bauman (2008) e Bourdieu (1989), evidencia como as transformações da modernidade líquida e os mecanismos de dominação simbólica agravam a vulnerabilidade do indivíduo enquanto ser social. Para Bauman (2008), a sociedade de consumo constitui um ambiente produtor de insegurança existencial crônica, no qual os indivíduos são permanentemente avaliados em função de sua utilidade e desempenho. Já Bourdieu (1989), ao discutir o poder simbólico, demonstra como as instituições reproduzem formas sutis de dominação que naturalizam o sofrimento psíquico, consolidando estruturas sociais que reforçam desigualdades e fragilidades individuais.

Nessa mesma direção, a teoria das capacidades de Amartya Sen (2010) oferece um marco normativo fundamental para repensar políticas públicas voltadas aos profissionais da segurança pública. Ao conceber o desenvolvimento como a expansão das liberdades substantivas, Sen propõe uma perspectiva que transcende abordagens meramente patologizantes ou assistencialistas, valorizando a dignidade, a autonomia e a possibilidade de escolha dos sujeitos. Essa leitura amplia os horizontes para a formulação de políticas de prevenção mais eficazes, baseadas na justiça social e no reconhecimento do valor humano desses trabalhadores.

3. METODOLOGIA

Este estudo adotou a revisão integrativa da literatura como método de investigação, conforme as etapas propostas por Whittemore e Knafl (2005). A escolha desse método justifica-se por sua capacidade de reunir e analisar, de forma crítica e abrangente, estudos teóricos e empíricos de diferentes delineamentos metodológicos, permitindo construir uma visão integrada sobre o fenômeno investigado.

A primeira etapa consistiu na identificação do problema de pesquisa, pautada pela constatação do aumento dos casos de suicídio entre profissionais da segurança pública no Brasil (IPPES, 2024) e pela necessidade de compreendê-los à luz de referenciais teóricos contemporâneos já discutidos, como Durkheim, Bauman, Bourdieu e Sen, além das teorias psicológicas de primeira e segunda geração.

Na sequência, foram estabelecidos os critérios de inclusão e exclusão. Incluíram-se estudos publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês ou espanhol, que abordassem o suicídio de profissionais da segurança pública em diálogo com teorias contemporâneas do comportamento suicida e com os contextos socioculturais e econômicos. Excluíram-se trabalhos anteriores a 2020, duplicados, de natureza opinativa sem embasamento teórico ou empírico e aqueles que não apresentassem relação direta com os objetivos da pesquisa.

A busca foi realizada na base de dados do Portal de Periódicos da CAPES, utilizando combinações de descritores como suicídio, policiais, segurança pública, teorias psicológicas do suicídio e fatores socioeconômicos. Após a triagem inicial, os artigos selecionados foram submetidos à leitura integral.

Os dados extraídos foram organizados em categorias temáticas — tais como abordagens gerais, especificidades do suicídio na segurança pública, descritores, temáticas, regiões dos pesquisadores e do objeto de estudo, e metodologias empregadas — com o intuito de identificar padrões e lacunas da literatura. A interpretação dos resultados foi orientada pelo diálogo entre os achados empíricos e os referenciais teóricos selecionados.

Por fim, a síntese integrativa foi apresentada de forma descritiva e analítica, complementada por gráficos, quadros comparativos e categorização temática, destacando as principais tendências e lacunas da produção científica, que fundamentam as discussões subsequentes.

4. RESULTADOS

Os resultados obtidos a partir da revisão integrativa são apresentados em forma de gráficos e quadros, de modo a sintetizar quantitativamente os achados e facilitar a visualização das tendências identificadas. Nesta seção, expõem-se os dados coletados sem análises interpretativas, reservadas para a seção de discussão.

Gráfico 1 – Proporção de artigos científicos sobre suicídio em geral e em profissionais da segurança pública

Fonte: elaborado pelos autores

Gráfico 2 – Distribuição dos artigos científicos sobre suicídio em profissionais da segurança pública segundo as regiões brasileiras

Fonte: elaborado pelos autores

Gráfico 3 – Distribuição dos artigos científicos sobre suicídio em profissionais da segurança pública segundo a temática abordada

Fonte: elaborado pelos autores

Gráfico 4 – Distribuição dos artigos científicos sobre suicídio em profissionais da segurança pública por descritor de busca

Fonte: elaborado pelos autores

Gráfico 5 – Direcionamentos das pesquisas sobre suicídio em profissionais da segurança pública segundo a unidade da federação

Fonte: elaborado pelos autores

Gráfico 6 – Métodos utilizados nos artigos científicos sobre suicídio em profissionais da segurança pública

Fonte: elaborado pelos autores

Quadro 1 – Síntese dos artigos incluídos na revisão integrativa

Autores/AnoTítulo do artigoObjetivoPrincipais resultados
Santos Silva, 2021O suicídio entre os policiais militares na BahiaAnalisar mortalidade por suicídio entre PMs da BahiaIdentificado predomínio do uso de arma de fogo; evidenciado risco elevado de vitimização autoprovocada
Pereira et al., 2020Suicídios em uma organização policial-militar do Sul do BrasilExaminar características socio-ocupacionais dos casos de suicídio em uma corporação policial-militarVerificada associação entre fatores ocupacionais e maior risco; recomendada implementação de programas preventivos estruturados
Cavagnolli; Machado, 2024Entre a farda e o desesperoInvestigar fatores de risco psicossociais relacionados ao suicídio em policiaisApontados níveis elevados de estresse ocupacional e ausência de apoio institucional como elementos críticos para vulnerabilidade
Dias da Rocha et al., 2021Suicídio no meio policial militar: fatores e políticas na PMMGAvaliar fatores associados ao suicídio e as políticas preventivas na Polícia Militar de Minas GeraisConstatadas taxas elevadas de suicídio e fragilidades nas medidas de prevenção; reforçada a necessidade de intervenções contínuas e estruturadas
Milani; Lima, 2024Esforços para a prevenção do suicídio na Polícia Militar do ParanáAnalisar os esforços institucionais de prevençãoEvidenciado estigma institucional; destacada a necessidade de mudanças culturais e ações permanentes
Vieira, 2023Estresse policial e a síndrome de burnoutAnalisar a relação entre estresse policial e síndrome de burnoutIdentificada alta prevalência de burnout; estigma dificulta tratamento; recomendadas ações institucionais preventivas
Zacarias, 2023O suicídio entre policiais militares e os esforços para prevençãoDiscutir fatores de risco e ações de prevençãoIdentificada escassez de estudos; reforçada a necessidade de políticas de prevenção e valorização profissional
Souza et al., 2024A saúde da trabalhadora e do trabalhador policial militar: uma revisão integrativaSintetizar a produção científica sobre saúde de policiais militaresProdução ainda incipiente; necessidade de políticas e pesquisas mais abrangentes
Poutk; Guimarães, 2024Análise acerca das consequências advindas da falta de uma cultura de controle financeiro pessoal por parte dos policiais militaresAnalisar as consequências da ausência de uma cultura de controle financeiro pessoal entre policiais militaresIdentificado impacto negativo do endividamento na saúde mental; destacada a necessidade de políticas de educação financeira institucional
Lima et al., 2023Os danos, efeitos adversos e agravos à saúde mental gerados pela atividade policialAnalisar os danos e efeitos adversos da atividade policial sobre a saúde mentalIdentificados estresse organizacional, efeitos adversos e agravos; reforçada necessidade de políticas institucionais permanentes de cuidado
Shikida et al., 2020Suicídio policial: percepções empíricas no Oeste do ParanáAnalisar percepções empíricas de policiais sobre o fenômeno do suicídio no Oeste do ParanáIdentificada elevada prevalência de ideação suicida; evidenciada a necessidade de apoio psicológico contínuo e de políticas institucionais de prevenção
Cruz, 2023O policial que mata dentro de casa: uma análise dos feminicídios e feminicídios seguidos por suicídio cometidos por profissionais de segurança pública em 2021Analisar casos de feminicídios seguidos de suicídio cometidos por profissionais de segurança públicaIdentificada ocorrência de feminicídios-suicídio em 2021; discussão sobre violência de gênero e necessidade de reformas institucionais
Oliveira; Prado, 2024A saúde mental na Polícia Militar do Paraná: o impacto do estresse e da violência na realidade policialAnalisar os impactos do estresse e da violência na saúde mental de policiais militares do ParanáIdentificados altos índices de TEPT e depressão; reforçada necessidade de prevenção e acolhimento institucional
Feitosa et al., 2021Depressão, risco de suicídio e transtorno de estresse pós-traumático em policiais militares de Maceió, Alagoas, BrasilAvaliar saúde mental de policiais militares de MaceióIdentificada prevalência de TEPT (9,5%), depressão (11,6%) e risco de suicídio (11,6%)
De Oliveira et al., 2023Representações sociais e ancoragens do suicídio e ideação suicida por profissionais de segurança públicaApreender as representações sociais e as ancoragens relacionadas ao suicídio/ideação em profissionais de segurança públicaIdentificadas ancoragens e campos semânticos associados à ideação suicida; destaque para fatores ocupacionais e emocionais
Souza; Irigaray, 2024Desmistificando um tabu: o suicídio na PMERJAnalisar fatores e peculiaridades do suicídio na Polícia Militar do Estado do Rio de JaneiroIdentificada subnotificação e impacto da hierarquia rígida; reforçada a necessidade de políticas preventivas
Cruz; Rastrelli; Miranda, 2022Luto por suicídio e posvenção na PMAnalisar o processo de luto de familiares de policiais militares diante do suicídioEvidenciados estigmatização e abandono social das famílias; destacada a necessidade de políticas institucionais de posvenção e apoio psicossocial
Santos et al., 2021Fatores de risco para o suicídio em policiais e membros das Forças Armadas associados à importância da prevenção no contexto da saúde pública no BrasilIdentificar fatores de risco e discutir a importância da prevenção no contexto da saúde públicaIdentificados múltiplos fatores ocupacionais e psicológicos associados ao suicídio; reforçada a urgência de políticas preventivas em saúde pública
Abrahão, 2020Mecanismos para a prevenção de suicídio de policiais militares do Distrito FederalAnalisar mecanismos de prevençãoIdentificadas vulnerabilidades entre 35–49 anos; necessidade de sistemas de registro e estratégias institucionais de prevenção
Guimarães, 2022Religião como instrumento de prevenção ao suicídio na polícia militarAnalisar a religião como instrumento de prevenção ao suicídio na Polícia MilitarPráticas religiosas mostraram-se fator protetivo; sugeridas parcerias e ações institucionais

Fonte: elaborado pelos autores

5. DISCUSSÃO

A baixa produção científica sobre suicídio policial representa uma lacuna significativa, uma vez que apenas 1% dos estudos sobre suicídio no Portal de Periódicos da CAPES se dedicam ao tema. Além disso, a literatura disponível concentra-se majoritariamente nas polícias militares da região Sul, com ausência de dados referentes à região Norte, o que limita a compreensão das especificidades regionais. Nota-se também uma tendência à generalização, desconsiderando diferenças institucionais e contextuais, sendo a Polícia Militar do Paraná a mais analisada (Pereira et al., 2020; Shikida et al., 2020).

Outro aspecto relevante é a insuficiente exploração das interseccionalidades. Embora o gênero tenha sido mencionado como categoria analítica em alguns estudos, poucos abordaram de forma sistemática as relações entre gênero, classe, raça e orientação sexual. Essa lacuna pode estar associada à predominância masculina nas corporações, mas não deve justificar a ausência de pesquisas que contemplem tais dimensões. Estudos como os de Souza (2024) reforçam a necessidade de investigações que incorporem perspectivas interseccionais para compreender os impactos do trabalho policial sobre diferentes grupos.

Do ponto de vista metodológico, grande parte das pesquisas analisadas apresenta amostras restritas e limitações de escopo, o que compromete a elaboração de diagnósticos abrangentes. Essa fragilidade evidencia a baixa prioridade atribuída ao tema no campo acadêmico (Zacarias, 2023) e dificulta a formulação de políticas públicas eficazes. Como observa Abrahão (2020), no caso do Distrito Federal, as estatísticas são frequentemente opacas devido a barreiras culturais e institucionais, o que impede um enfrentamento adequado do problema.

Abrahão (2020) observa que as estatísticas sobre suicídio entre policiais militares do Distrito Federal são escassas e frequentemente ocultadas por barreiras culturais e institucionais. Essa opacidade não apenas dificulta o enfrentamento do problema, mas também compromete o acesso a cuidados adequados, resultando na fragilidade das estratégias preventivas.

Durkheim (1897/2014), em sua obra clássica O Suicídio, sustenta que a morte voluntária não deve ser compreendida unicamente como ato individual, mas como fato social, condicionado por duas dimensões estruturantes: a integração e a regulação social. A tipologia proposta pelo autor — suicídio egoísta, altruísta, anômico e fatalista — oferece instrumental analítico para interpretar os casos entre profissionais da segurança pública. Dentre essas categorias, destacam-se o suicídio anômico, associado à fragilidade das normas que orientam a vida social, e o suicídio fatalista, vinculado à opressão exercida por instituições ou normas sociais excessivamente rígidas.

No contexto das corporações policiais, observa-se a presença de ambos os fenômenos. A precariedade salarial, somada à pressão por manter determinado padrão de vida, conduz muitos agentes ao endividamento e ao sofrimento psíquico. Potuk e Guimarães (2024) demonstram que a ausência de uma cultura de controle financeiro pessoal intensifica os impactos emocionais negativos, favorecendo quadros de ansiedade, depressão e risco de suicídio. Essa instabilidade aproxima-se do suicídio anômico descrito por Durkheim, marcado pela perda de referenciais normativos e pela dificuldade de regulação da vida social. Paralelamente, a rigidez hierárquica e as estruturas repressivas das corporações, que silenciam manifestações de sofrimento e anulam a individualidade, correspondem ao suicídio fatalista, no qual a opressão institucional extrema elimina a perspectiva de mudança e leva o indivíduo a perceber o suicídio como única saída.

Yoyen e Kele (2024), ao revisitar a teoria interpessoal do suicídio de Joiner (2005), destacam a importância de compreender a passagem da ideação para a tentativa suicida como processos distintos, com explicações próprias. Segundo os autores, a teoria de Joiner fundamenta-se em quatro fatores centrais: dor, desesperança, comprometimento e capacidade adquirida para o ato suicida. Essa perspectiva possibilita compreender como o sofrimento psíquico evolui da mera ideação para a ação, especialmente em contextos laborais marcados por intensa pressão emocional e social.

No âmbito das instituições policiais, a rigidez hierárquica e o estigma em torno da saúde mental intensificam o isolamento social e reforçam sentimentos de inutilidade entre os agentes. Esse cenário foi evidenciado no estudo de Shikida et al. (2020), realizado com policiais militares do oeste do Paraná, no qual 47% dos participantes relataram ideação ou tentativas de suicídio associadas a tais fatores.

Esse ciclo de sofrimento tende a evoluir do estresse para o desejo suicida e, subsequentemente, para a tentativa, processo potencialmente acelerado pelo fácil acesso a meios letais, sobretudo armas de fogo. Pereira et al. (2020), ao analisarem dados de uma organização policial-militar do Sul do Brasil, registraram crescimento de 49,8% nos suicídios cometidos com arma de fogo entre 1980 e 2012, evidenciando o risco acrescido associado à disponibilidade desse meio.

Santos et al. (2021) identificam que policiais e militares das Forças Armadas apresentam taxas de suicídio superiores à média nacional, associadas principalmente a fatores como baixa escolaridade, isolamento social e ausência de tratamento adequado para transtornos mentais. Nos casos consumados, os métodos mais recorrentes são o enforcamento e o uso de armas de fogo, o que reflete tanto a disponibilidade quanto a alta letalidade desses meios.

Nesse sentido, a teoria interpessoal do suicídio, proposta por Joiner (2005), oferece importante aporte explicativo ao postular que o desejo suicida resulta da confluência de três elementos centrais: a percepção de não pertencimento, a sensação de ser um fardo para os outros e a capacidade adquirida para autoviolência.

Na análise de Santos Silva (2021) sobre o suicídio entre policiais militares na Bahia, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam uma taxa de 17,4 suicídios por 100 mil policiais ativos em 2019, quase três vezes superior à da população geral (6 por 100 mil). Ainda nesse período, as mortes por suicídio entre policiais militares superaram os óbitos decorrentes de confrontos, evidenciando a gravidade do fenômeno. Esse quadro é atribuído a uma combinação de fatores ocupacionais — como estresse crônico e rotina de risco — e pessoais, incluindo conflitos familiares e uso problemático de álcool (Dias da Rocha et al., 2021).

Oliveira e Prado (2024) destacam que o suicídio entre profissionais de segurança pública constitui um fenômeno multifatorial, no qual se entrelaçam causas psicopatológicas, como depressão e outros transtornos mentais, sofrimento emocional expresso em solidão e angústia, e contextos adversos, incluindo violência, abuso de substâncias, conflitos profissionais e familiares. Além disso, a própria natureza da profissão — marcada pela exposição constante à violência e à morte — intensifica esse quadro. Esses fatores, somados à desvalorização institucional e à baixa remuneração, resultaram em níveis de tensão excessiva em 52% dos profissionais estudados, evidenciando a complexidade do problema.

À luz da teoria motivacional-deliberativo integrativo, proposta por O’Connor (2011) e retomada por Yoyen e Kele (2024), observa-se que o processo suicida resulta da interação entre fatores motivacionais — como desesperança, dor psicológica e humilhação — e fatores deliberativos, como planejamento e acesso a meios letais. Nesse sentido, contextos laborais opressivos e a ausência de suporte institucional atuam como catalisadores, potencializando a transição da ideação para a tentativa e consumação do suicídio.

O modelo motivacional-volitivo, desenvolvido por O’Connor (2011; 2018), descreve o processo suicida em três estágios: pré-motivacional, motivacional e volitivo. No primeiro, situam-se os fatores de risco de fundo e desencadeadores, como vulnerabilidades biológicas, cognitivas ou genéticas, desigualdades socioeconômicas e eventos de vida estressores. No estágio motivacional, o foco recai sobre os processos psicológicos que favorecem a ideação suicida, entre eles sentimentos de frustração, humilhação e aprisionamento. A passagem desse ponto para a intenção suicida é mediada por fatores auto-orientados, como a ruminação, e por fatores motivacionais, como o pertencimento frustrado e a percepção de ser um fardo para os outros. Finalmente, no estágio volitivo, os fatores decisivos para a tentativa são impulsividade, tolerância à dor e destemor da morte, que aumentam a probabilidade de efetivação do ato (O’Connor, 2018; Yoyen; Kele, 2024).

Esse modelo dialoga com achados recentes sobre profissionais da segurança pública, cuja rotina intensifica a dor psicológica e a desesperança, elementos centrais do processo suicida. Pesquisas como a de Oliveira e Prado (2024) evidenciam a combinação de sofrimento psicopatológico, baixa remuneração e desvalorização institucional como gatilhos de tensão e risco suicida. Da mesma forma, Feitosa et al. (2021) apontam prevalência de TEPT, depressão e risco de suicídio entre policiais militares em Maceió. Esses achados reforçam que a ausência de suporte institucional e os contextos laborais opressivos funcionam como catalisadores que aceleram a transição da ideação para a tentativa, em consonância com a estrutura motivacional-volitiva proposta por O’Connor (2011; 2018).

A síndrome de Burnout exerce papel central na compreensão do processo suicida entre profissionais da segurança pública. Trata-se de um estresse crônico resultante de condições laborais extenuantes — físicas, emocionais e psicológicas — que culmina em estados de desesperança. Essa síndrome manifesta-se de forma mais intensa em profissões com elevado contato interpessoal e situações de risco, como as corporações policiais, conforme descrito por Freudenberger10 (1974) e retomado por Vieira (2023). Em paralelo, a Teoria da Predisposição Variável associa o suicídio a vulnerabilidades neurobiológicas agravadas por estressores ambientais, reforçando a necessidade de considerar a precariedade das condições de trabalho e a ausência de políticas institucionais de saúde mental no setor de segurança pública.

Entre os fatores agravantes, destaca-se o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), amplamente relacionado ao risco de suicídio. Oliveira e Prado (2024) identificaram que um em cada sete policiais militares apresenta sintomas de TEPT, intensificados pela desumanização institucional e pela exposição contínua à violência. Em Maceió (AL), Feitosa et al. (2021) observaram prevalência de 9,5% de TEPT entre policiais militares, frequentemente associado a quadros de depressão e risco suicida. Na PMERJ, Souza e Irigaray (2024) apontam que o estado permanente de alerta, a rigidez hierárquica e a ausência de suporte institucional, somados a conflitos familiares e dificuldades financeiras, ampliam o sofrimento psíquico e favorecem a cronificação do transtorno.Quando se observa a problemática pela ótica de teorias sociais, a obra Vida para Consumo, de Bauman (2008), interpreta a fragilização dos laços sociais na modernidade líquida, marcada por instabilidade e exigência de desempenho, transformando o ser humano policial em mercadoria, em máquinas mortíferas seguindo roteiros hollywoodianos. 

Bauman (2008), ao refletir sobre a modernidade líquida, argumenta que a noção de progresso linear e acumulativo já não se sustenta em um cenário marcado pela instabilidade e pela fragilidade dos laços sociais. No contexto da segurança pública, essa lógica intensifica a distância entre a idealização heroica da profissão e a realidade de sua desvalorização. A falta de reconhecimento institucional contribui para a negação do caráter ocupacional do adoecimento psíquico. Nessa perspectiva, Cruz, Miranda e Rastrelli (2022) evidenciam que o suicídio de policiais militares produz estigmatização e abandono de seus familiares, agravados pela ausência de políticas consistentes de prevenção e posvenção, o que acaba por reduzir o profissional a uma condição de objeto descartável dentro da lógica institucional.

De modo complementar, Bourdieu (1989) demonstra que as instituições exercem formas de dominação simbólica que naturalizam o sofrimento e perpetuam relações de poder. Esse processo, fundamentado na aceitação inconsciente das regras impostas, sustenta práticas autoritárias que, no caso das corporações policiais, intensificam a pressão sobre os agentes e projetam seus efeitos para além do espaço de trabalho, alcançando também as relações familiares e pessoais.

O estresse crônico e a cultura autoritária presentes nas corporações policiais influenciam diretamente comportamentos violentos no ambiente doméstico. Essa estrutura militarizada reforça padrões de masculinidade tóxica, marcados pela rigidez emocional e pela dominação. Cruz (2023), ao investigar feminicídios seguidos de suicídio cometidos por policiais, confirma essa relação ao demonstrar que, em muitos casos, a violência se desenvolve de forma progressiva, partindo de agressões verbais até culminar em feminicídio e autoextermínio. A autora identificou que a não aceitação do término de relacionamentos, a suspeita de infidelidade e a tentativa de ocultar traições foram fatores recorrentes nesses episódios, os quais também têm sido apontados em outros estudos como elementos que aumentam a vulnerabilidade de mulheres a situações de homicídio-suicídio.

A Teoria das Capacidades, de Sen (2010), contribui para compreender esse cenário ao indicar que a privação de liberdades substantivas limita as possibilidades de desenvolvimento humano. Entre os profissionais da segurança pública, a restrição do acesso à saúde mental, a falta de reconhecimento profissional e a baixa qualidade de vida reduzem o conjunto de escolhas possíveis para uma existência digna. Nesse sentido, a teoria evidencia que a liberdade não se resume à ausência de restrições, mas corresponde à efetiva capacidade de realizar diferentes estilos de vida. A falta dessas condições compromete a autonomia dos agentes e amplia a vulnerabilidade ao sofrimento psíquico e ao suicídio.

Nesse cenário, Lima e Milani (2024) ressaltam a importância de promover transformações institucionais nas corporações policiais, defendendo a criação de ambientes organizacionais acolhedores, não punitivos e que favoreçam o diálogo sobre fragilidades emocionais. Tal proposta busca romper com paradigmas culturais que ainda estigmatizam a saúde mental, dificultando que os profissionais tenham acesso adequado a apoio psicológico. Reconhecer as vulnerabilidades psíquicas dos agentes como legítimas constitui passo essencial para a construção de políticas preventivas mais efetivas.

Além disso, estudos indicam que práticas religiosas e espirituais podem atuar como fatores de proteção diante do sofrimento psíquico profundo, inclusive em situações de ideação suicida. Nessa perspectiva, Guimarães (2022) destaca que tais práticas dialogam com a Teoria das Capacidades de Amartya Sen (2010), a qual compreende o desenvolvimento como expansão das liberdades substantivas e do bem-estar individual. Assim, o fortalecimento de recursos espirituais pode ser entendido como uma estratégia que amplia as possibilidades de enfrentamento, favorecendo a resiliência e a preservação da vida.

De forma integrada, a análise evidencia que o suicídio entre profissionais da segurança pública no Brasil é um fenômeno multifatorial, condicionado por fatores psicossociais, ocupacionais e institucionais. Os resultados da revisão apontam para a escassez e fragilidade da produção científica, bem como para a concentração de estudos em determinadas regiões, o que limita a compreensão das especificidades locais. As teorias psicológicas, como as de Joiner (2005) e O’Connor (2011; 2018), contribuem para explicar a transição da ideação para a tentativa de suicídio, enquanto os referenciais sociológicos de Durkheim (1897/ 2014), Bauman (2008) e Bourdieu (1989) elucidam como processos de anomia, opressão institucional e violência simbólica reforçam a vulnerabilidade desses profissionais. Ao mesmo tempo, a Teoria das Capacidades de Sen (2010) amplia a discussão ao destacar a privação de liberdades substantivas e de condições de vida digna como dimensões estruturais do problema. Nesse sentido, torna-se urgente o desenvolvimento de políticas públicas intersetoriais, que considerem as especificidades da profissão policial, fortaleçam o cuidado em saúde mental e promovam transformações culturais e institucionais que reconheçam e legitimem as fragilidades psíquicas desses trabalhadores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O suicídio entre agentes da segurança pública no Brasil configura-se como um fenômeno multifacetado, em que fatores psicológicos individuais, como desesperança, isolamento e acesso a meios letais, interagem com estruturas institucionais e sociais precárias, ampliando a vulnerabilidade dessa população. A presente revisão integrativa evidenciou que, apesar da relevância do tema, a produção científica nacional ainda é escassa, concentrada em determinadas regiões e com predomínio de recortes metodológicos limitados. Essas lacunas restringem a compreensão abrangente do fenômeno e apontam para a necessidade de aprofundamento teórico e empírico.

Entre as limitações do estudo, destaca-se a dependência da literatura disponível nos últimos cinco anos, o que pode ter restringido o alcance histórico e a diversidade metodológica das pesquisas. Além disso, a ausência de estudos em algumas regiões do país compromete a generalização dos achados e reforça a necessidade de investigações que contemplem realidades locais, interseccionalidades de gênero, raça e classe, bem como as especificidades institucionais de cada corporação.

Para o futuro, recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas interdisciplinares que articulem as dimensões psicológicas, sociológicas e institucionais do fenômeno, além da ampliação dos estudos empíricos em diferentes contextos regionais. Também se faz necessária a avaliação da efetividade de políticas públicas já implementadas e a proposição de novos programas de prevenção, intervenção e posvenção, baseados em evidências e adaptados às especificidades da profissão policial.

A superação desse quadro exige um compromisso coletivo entre academia, Estado e sociedade, voltado ao fortalecimento de redes de apoio psicossocial, à humanização das instituições e à valorização profissional. Mais do que prevenir mortes, trata-se de assegurar a dignidade e o reconhecimento daqueles que dedicam suas vidas à proteção da sociedade, constituindo um imperativo ético, político e social.


9Economista e filósofo indiano, laureado com o Nobel de Economia (1998), defensor da liberdade como motor do progresso, transformou abordagens sobre desenvolvimento, justiça social e pobreza, impactando políticas globais.

10Herbert J. Freudenberger, foi um dos primeiros a descobrir os sintomas de esgotamento profissional e levar a um amplo estudo sobre a síndrome de burnout.

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1Pesquisador em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos. Mestrando em Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania pela UEA. Bacharel em Direito e em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda), com especializações em Segurança Pública, Marketing e Docência do Ensino Superior; desenvolve pesquisas em saúde mental e defesa dos direitos dos Povos Indígenas, com interesse em políticas públicas orientadas à cidadania, valorização cultural e direitos humanos | njsgf.msp25@uea.edu.br | http://lattes.cnpq.br/3343169618723619
2Mestranda em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos pela Universidade do Estado do Amazonas; Especialista em Farmácia Clínica pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Israelita Albert Einstein; Farmacêutica pela Universidade Federal de Alfenas; Oficial Farmacêutica do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas | sheilanascimento.farma@gmail.com|http://lattes.cnpq.br/6601938956601895 | https://orcid.org/0009-0006-1352-3494
3Mestrando em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Amazonas; Especialista em Direito Penal e Direito Processual Penal; Graduado em Enfermagem pela Universidade do Estado do Amazonas | waynepaiva.wv@gmail.com | http://lattes.cnpq.br/6040437130133047 | https://orcid.org/0009-0005-2347-7631
4Mestrando em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos pela Universidade do Estado do Amazonas; Especialista em Gestão Pública; Graduado em Ciências Econômicas pela União Pioneira de Integração Social; Gerente de Análise do Centro Integrado de Análise de Imagens de Segurança Pública SSP/AM; Policial Civil no Estado do Amazonas | jaborandynt@gmail.com | http://lattes.cnpq.br/9939175457542253 | https://orcid.org/0009-0002-5988-6929
5Mestranda em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos pela Universidade do Estado do Amazonas; Especialista em Direito Público pela Universidade Anhanguera-Uniderp; Graduada em Direito pela Universidade Federal do Amazonas | eleenabessa@gmail.com | http://lattes.cnpq.br/0890904737678752 | https://orcid.org/0009-0008-0153-5265
6Doutor em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas; Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia; Especialista em Administração e Planejamento para Docentes pela Universidade Luterana do Brasil; Graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; Professor da Escola Superior de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Amazonas e docente permanente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos | dmarques@uea.edu.br | http://lattes.cnpq.br/6294095748214528 | https://orcid.org/0000-0002-2009-0897
7Doutora em Relações Internacionais e Desenvolvimento Regional; Mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas; Graduada em Ciências Sociais; Professora da Universidade do Estado do Amazonas no Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos e no curso de graduação em Ciências Econômicas | irnascimento@uea.edu.br | http://lattes.cnpq.br/3909167647909530 | https://orcid.org/0000-0001-5508-8730
8Doutor e Mestre em Economia de Empresas pela Universidade Católica de Brasília; Especialista em Planejamento Governamental e Orçamento Público pela Universidade do Estado do Amazonas; Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal da Paraíba; Professor Adjunto da UEA e docente credenciado no Mestrado em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos | lbsantos@uea.edu.br | http://lattes.cnpq.br/6816989555111810 | https://orcid.org/0000-0002-3675-9065