REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510312108
Talles Vinnícius Pontes Dos S. Silva1
Jucielle Ketille Souza Mariano2
Mirelle Kelly Machado Farias Centro3
RESUMO:
A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das afecções ortopédicas mais frequentes, podendo acometer indivíduos de diferentes faixas etárias e níveis de atividade física. Essa condição compromete de maneira significativa a estabilidade articular, a mobilidade funcional e, consequentemente, a qualidade de vida do paciente. A reabilitação pós- operatória desempenha papel fundamental nesse processo, e o uso de recursos eletroterapêuticos, como TENS, FES, NMES e HiToP, tem se destacado como estratégia eficaz na recuperação funcional e na redução da dor. O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, SciELO, BVS e Google Acadêmico, com recorte temporal de 2019 a 2025. Foram incluídos estudos nacionais e internacionais que abordaram a aplicação da eletroterapia no pós-operatório de reconstrução do LCA, totalizando oito artigos selecionados, sendo dois realizados no Brasil, dois nos Estados Unidos, dois na China, um em Israel e um na Polônia. Os resultados evidenciaram que o uso da eletroterapia promove melhora significativa na força do quadríceps, amplitude de movimento e controle da dor. As modalidades de estimulação elétrica funcional (FES) e neuromuscular (NMES) apresentaram os melhores resultados no fortalecimento muscular, enquanto a TENS demonstrou maior eficácia na analgesia e o HiToP destacou-se na recuperação da força e simetria muscular. Conclui-se que os recursos da eletroterapia são ferramentas relevantes e eficazes no processo de reabilitação pós-operatória do LCA, contribuindo para a recuperação funcional, o restabelecimento da força e a redução de complicações durante o processo de reabilitação.
PALAVRAS-CHAVE: eletroterapia; ligamento cruzado anterior; fisioterapia; reabilitação; pós-operatório.
ABSTRACT:
The anterior cruciate ligament (ACL) injury is one of the most frequent orthopedic conditions, affecting individuals of different age groups and levels of physical activity. This condition significantly compromises joint stability, functional mobility, and, consequently, the patient’s quality of life. Postoperative rehabilitation plays a fundamental role in this process, and the use of electrotherapeutic resources such as TENS, FES, NMES, and HiToP has stood out as an effective strategy for functional recovery and pain reduction. This study is characterized as an integrative literature review, carried out in the PubMed, SciELO, BVS, and Google Scholar databases, covering the period from 2019 to 2025. A total of eight studies were included, two conducted in Brazil, two in the United States, two in China, one in Israel, and one in Poland. The findings demonstrated that the use of electrotherapy promotes significant improvement in quadriceps strength, range of motion, and pain control. Functional electrical stimulation (FES) and neuromuscular electrical stimulation (NMES) showed the best results in muscle strengthening, while TENS proved to be effective for analgesia, and HiToP contributed to the recovery of strength and muscle symmetry. It is concluded that electrotherapy resources are relevant and effective tools in the postoperative rehabilitation process of ACL reconstruction, contributing to functional recovery, restoration of strength, and reduction of complications during rehabilitation.
KEYWORDS: electrotherapy; anterior cruciate ligament; physiotherapy; rehabilitation; postoperative.
1 INTRODUÇÃO
As lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) configuram-se como um relevante problema de saúde pública, devido à sua elevada incidência e ao impacto direto sobre a mobilidade, a estabilidade articular e a qualidade de vida dos indivíduos. O LCA exerce função essencial na estabilização do joelho e, quando lesionado, compromete de maneira significativa a funcionalidade dessa articulação, dificultando a execução de atividades cotidianas e aumentando a suscetibilidade a novos episódios de instabilidade (Fernandes et al., 2023).
A reconstrução cirúrgica do LCA é frequentemente indicada como forma de restabelecer a estabilidade articular e favorecer a recuperação funcional do joelho. Contudo, o período pós-operatório apresenta desafios importantes, como a perda de força muscular, alterações proprioceptivas, dor persistente, edema e inibição artrogênica. Tais fatores podem prolongar o tempo de recuperação e comprometer a reintegração plena às atividades da vida diária (Toth et al., 2020; Rodriguez et al., 2020; LI et al., 2025).
Nesse cenário, a fisioterapia assume papel central na reabilitação, com a finalidade de restaurar a função articular, prevenir complicações e reduzir limitações funcionais. Entre os recursos terapêuticos disponíveis, a eletroterapia se destaca por favorecer o alívio da dor (Ilfeld et al., 2019; Ohga et al., 2024), auxiliar no controle do edema, estimular o recrutamento muscular (Conley et al., 2021; TOTH et al., 2020), melhorar a circulação local e contribuir para a cicatrização tecidual (Song et al., 2022; Bobato et al., 2025).
Embora seja amplamente utilizada na prática clínica, ainda há uma lacuna de estudos que sistematizem de maneira consistente os benefícios da eletroterapia no tratamento pós-operatório do LCA, sendo necessária “uma comparação dos parâmetros de estimulação elétrica neuromuscular para força do quadríceps pós-operatória em pacientes após cirurgia no joelho” (Conley et al., 2021) e mais investigações sobre “os benefícios da eletroestimulação neuromuscular no quadríceps de indivíduos em pós-operatório de ligamento cruzado anterior” (Algoso, 2024). Nesse sentido, justifica-se a relevância de reunir e analisar as evidências disponíveis sobre os “efeitos da estimulação elétrica neuromuscular na força do músculo quadríceps femoral e na função articular do joelho em pacientes após cirurgia do LCA” (Li et al., 2025), de forma a subsidiar intervenções fisioterapêuticas mais seguras, eficazes e cientificamente embasadas.
Diante disso, este trabalho tem como objetivo geral realizar uma revisão integrativa da literatura sobre a utilização dos recursos da eletroterapia no tratamento pós-operatório de pacientes submetidos à cirurgia do LCA.
2 REFERÊNCIAL TEÓRICO
2.1 Fundamentos da Eletroterapia
A eletroterapia constitui como um dos modelos terapêuticos mais utilizados na fisioterapia, prática que foi inicialmente utilizada de forma empírica em tempos remotos ao utilizarem peixes elétricos. Dessa forma, seu uso científico teve início no início do século XVIII com Galvani, e tendo seu uso clínico de maneira estruturada no começo do século XIX, quando surgiram os primeiros aparelhos. Por conseguinte, a eletroterapia caracteriza-se como recurso que visa auxiliar nos processos de recuperação funcional bem como permite o alívio dos sintomas do paciente (Watson, 2023).
Nesse sentido, o paradigma da eletroterapia passou a usar correntes com níveis mais altos de energia, capazes de estimular de forma suave as células sem causar dor ou lesão tecidual, já que historicamente, eram utilizadas no passado altas tensões energéticas nos pacientes, causando excitação celular excessiva, tendo como resultado não o estímulo celular, mas causando danos teciduais, desconforto e em alguns casos complicações clínicas. Dessa forma, a partir dessas evidências houve a mudança da percepção de que a função do fisioterapeuta não é forçar os processos biológicos naturais do corpo, mas favorecer a capacidade intrínseca de autorregeneração do corpo (Watson., 2023).
Nesse contexto, o processo de tomada de decisão do profissional fisioterapeuta torna-se fundamental para uma aplicação efetiva da técnica. Esse raciocínio pode ser representado de maneira esquemática pelo modelo de tomada de decisão clínica simples, que ilustra a progressão do estímulo físico até a resposta terapêutica na Figura 1
Figura 1 – clinical decision-making model

Fonte: Watson, 2023.
Conforme a Figura 1, o profissional de fisioterapia ao utilizar o modelo clínico Clinical Decission deve primeiramente, identificar o problema clínico, como dor, inflamação ou até mesmo lesão, em seguida avaliar quais os processos fisiológicos associados precisam ser modulados para a devida recuperação, e por fim, selecionar o recurso que melhor se encaixe a necessidade do paciente, modulando parâmetros como a intensidade, frequência, duração e o tempo que será realizada a aplicação. Desse modo, o objetivo é realizar o estímulo do tecido lesionado, potencializando a resposta natural do organismo, respeitando os limites biológicos do corpo (Watson, 2023).
Segundo Telles et al., 2011, “A corrente elétrica é definida como a quantidade total de carga elétrica que atravessa uma seção transversal de um condutor, por um intervalo de tempo. Nesse sentido, após ajustar essas correntes com suas respectivas variações as harmonizando, esses ajustes de frequências permitem várias atuações em diferentes contextos nos cuidados paliativos como também terapêuticos”.
No contexto da fisioterapia, o uso dessa técnica funciona de modo que se faz o uso das correntes elétricas sob diferentes modulações para promover efeitos fisiológicos específicos, como a analgesia, fortalecimento muscular, melhora da circulação e estímulo para uma melhora no processo de cicatrização no tecido do indivíduo (Khan et al., 2023). Dentro dessa técnica terapêutica, o mesmo autor relata que há várias modalidades, de modo que tem sido empregas na prática clínica, dentre as principais técnicas destacam-se a Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS), a Estimulação Neuromuscular Funcional (FES), a Corrente Russa, a Corrente Aussie e a Corrente Galvânica, onde cada uma conta com seus respectivos protocolos de aplicações distintas, assim como suas indicações definidas para cada contexto. Para melhor visualização e comparação dessas modalidades, apresenta-se o Quadro 1.
Quadro 1 – Modalidades de eletroterapia: tipo de corrente, parâmetros, efeitos fisiológicos e indicações clínicas


Fonte: Adaptado de Telles et al., 2011; Khan et al., 2023; Ward, 2002; Bobato et al., 2025; Peñín- Franch et al., 2022.
Conforme o Quadro 1, foi sintetizado as principais modalidades, parâmetros, efeitos fisiológicos e indicações clínicas conforme os achados de cada autor. Nesse sentido, Telles et. 2021, destaca que o uso da modalidade TENS no contexto da reabilitação a melhora do quadro clínico de pacientes que tiveram LCA, como também diminuem os custos operacionais no âmbito financeiro em hospitais. Essa modalidade de baixa frequência, geralmente é bifásica, sendo aplicada junto a liberação de opioides endógenos (Telles et al., 2011; Khan et al., 2023; Ward, 2002; Bobato et al., 2025; Peñín-Franch et al., 2022).
A corrente Russa ou estimulação elétrica de média frequência modulada, é indicada em casos que seja necessário o fortalecimento muscular e redução da espasticidade. A utilização dessa modalidade é aplicada em programas de reabilitação neurológica, especialmente em pacientes apresentaram sequelas de AVC, já que essa modalidade é capaz de promover maior recrutamento de fibras musculares em comparação com de baixa frequência (Ward,2002).
Já a Corrente Galvânica, caracterizada por ser continua e de baixa intensidade atua na estimulação de fibras nervosas sensuais e motoras, além de permitir o favorecimento do processo de cicatrização tecidual, por meio da estimulação da migração celular além do aumento do aporte sanguíneo. No contexto clínico, essa modalidade é aplicada em lesões cutâneas e neuropatias periféricas (Peñín-Franch et al., 2022).
Dessa forma, no caso específico do pós-operatório do LCA, a modalidade TENS tem papel consolidado na analgesia imediata e no controle da dor, enquanto a FES e Corrente Russa e Aussie mostram-se mais indicadas em situações de fases posteriores, no processo de reabilitação, visando o fortalecimento muscular e a prevenção da atrofia do quadríceps, que é comum após tal procedimento cirúrgico (Moran et al., 2019).
Os mecanismos fisiológicos no contexto da analgesia são caracterizados como a redução da percepção e sensibilidade a dor onde o indivíduo não perde a consciência, esse objetivo é alcançado ao utilizar analgésicos para a redução da dor ou eliminar a sensação de parestesia. De forma semelhante, ao utilizar modalidades que se aplicam a Estimulação Elétrica Muscular (EMM), há o aumento no limiar de dor por pressão (PPT) na área específica que foi estimulada eletricamente. Dessa forma, a estimulação elétrica por si só pode ser capaz de promover efeito analgésico localizado sem necessidade do uso de medicamentos opioides (Ohga et al., 2024).
Nesse sentido, quando uma região de corpo é submetida a estimulação elétrica, vários mecanismos fisiológicos interagem para promover a analgesia, envolvendo tanto processos periféricos, medulares e os centrais. Por conseguinte, a ativação preferencial de fibras sensoriais de grande diâmetro (Aβ) tem função no mecanismo de Gate Control, proposto por Melack Wall, no qual destacam que a estimulação dessas fibras inibe a transmissão nociceptiva, oriundas das fibras Aδ no corno dorsal da medula espinhal, reduzindo a percepção dolorosa (Ohga et al., 2024).
O mesmo autor relata que, a eletroestimulação induz a liberação de opioides endógenas, como endorfinas e encefalinas, e as citocinas anti- inflamatórias como a IL-10, que medulam tanto a resposta periférica do indivíduo quanto a central da dor. Também há a ativação de vias descentes inibitórias, como projeções do núcleo da rafe, essa que se caracteriza como um conjunto de neurônios no tronco encefálico que secretam serotonina para todo o cérebro além da substância cinzenta periaquedutal, que reforçam a modulação central da nocicepção. Paralelamente, ocorrem adopções autonômicas, incluindo aumento do fluxo sanguíneo local e redução da inflamação, fatores que também contribuem indiretamente para o alívio da dor (Zulbaran-Rojas et al., 2021).
A estimulação elétrica além de trazer benefícios no âmbito da analgesia ao diminuir a percepção de dor do indivíduo também acelera o processo de cicatrização, já que estimula a proliferação de fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno e matriz extracelular, ambas essenciais para a formação do novo tecido. Desse modo, sinais bioelétricos funcionam como um sistema de comunicação que regula a resposta celular ao dano, coordenando a reparação tecidual de forma eficiente, consequentemente esses estímulos ampliam esses sinais, culminando em maior otimização no processo de cicatrização. Ela auxilia também no controle de edema, melhorando a perfusão tecidual, já que o estudo dessa modalidade, aumenta a liberação de oxido nítrico e outras substâncias que têm funções vasodilatadoras nos vasos sanguíneos. (Zulbaran-Rojas et al., 2021).
De acordo com Silveira (2008), para a aplicação efetiva da eletroterapia, é fundamental que o profissional conheça os principais parâmetros e dosimetrias utilizados em cada modalidade. Nesse sentido, a escolha adequada da frequência, largura de pulso, intensidade e o tempo de aplicação de cada uma influência de forma direta os efeitos terapêuticos, como analgesia, redução da espasticidade, recrutamento muscular e cicatrização tecidual. O Quadro 2 apresenta de forma sintetizada, os principais parâmetros utilizados nas modalidades mais comuns da eletroterapia, servindo como referência para a adaptação dos protocolos clínicos conforme a condição do paciente que está sendo cuidado.
Quadro 2 – Parâmetros típicos em modalidades de eletroterapia


Fonte: Silveira, (2008).
O Quadro 2, apresenta os principais parâmetros utilizados nas modalidades mais comuns da eletroterapia, esses dados são fundamentais para determinar a eficácia clínica do tratamento uma vez que influenciam diretamente os efeitos fisiológicos do indivíduo. Nesse sentido, a organização permite uma visão geral das dosimetrias (Silveira., 2008).
2.2 Lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA)
A lesão de ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das lesões de ligamento de joelho mais comuns, sendo uma das cirurgias mais frequentes pelo mundo, anualmente dados estatísticos relatam entre 129 mil e 200 mil casos de reconstruções de ligado cruzado anterior somente nos EUA, e no mundo 400 mil anualmente (Chaves., (2021).
Nesse sentido, conforme Pinheiro, Souza (2015, p.323),
“A lesão do LCA pode ocorrer por traumatismo direto ou indireto, ocorrendo habitualmente perante uma mudança súbita de direção, paragem repentina, queda incorreta de um salto ou então por contato direto. Estas lesões ocorrem maioritariamente por trauma indireto e podem ocorrer através de vários mecanismos: rotação externa, abdução e forças anteriores aplicadas na tíbia, rotação interna do fémur sobre a tíbia e hiperextensão do joelho”.
Por conseguinte, as lesões ligamentares podem ser classificadas em diferentes graus de gravidade, de acordo com a extensão do dano que ocorreu nas fibras e no nível que essa articulação teve de comprometimento. No Quadro 3, é possível observar a síntese dessa classificação.
Quadro 3 – Classificação das lesões ligamentares por grau


Fonte: adaptado de Pinheiro e li (2015).
Além disso, ainda não há evidencias que determinem o agravamento da lesão de LCA mesmo que ela acontece de forma natural, a hipótese é que a instabilidade que se deu anteriormente o avanço do grau suceda a próxima, essas progressões de grau aumentam a incidência de desenvolvimento de lesões degenerativas, o que consequentemente impacta a vida do paciente durante a realização de exercícios físicos (Pinheiro., 2015).
Segundo Toth et al. (2020, P.2),
“estimulação elétrica neuromuscular, que inicia a contração muscular através da passagem de corrente elétrica, é muitas vezes utilizada como um recurso adjunto às estratégias de reabilitação para superar déficits na ativação neural após lesão e cirurgia”.
Nesse sentido, a fase de reabilitação no pó cirúrgico do LCA procura tanto a melhora como a restauração do padrão de força muscular, bem como a função do quadríceps, entretanto, os estudos detalham que diversos pacientes mantêm fraqueza muscular considerável, mesmo após meses de recuperação, desenvolvendo um maior risco de limitação funcional e precoce osteoartrite (Toth et al., 2020).
A aplicação precoce da estimulação elétrica neuromuscular, foi definida como estratégia padrão ouro para preservar a integridade estrutural e a contratilidade das fibras musculares do quadríceps, concretizando diretamente sobre a base celular da fraqueza muscular, oferecendo suporte mecanicista a protocolos de reabilitação mais eficazes. Embora os efeitos sejam positivos os efeitos celulares, os resultados de ganhos de funcionalidade global não são integralmente inquestionáveis. Nesse viés, há a necessidade de estudos e pesquisas adicionais com amostras maiores, protocolos eficazes e prolongados para um vasto acompanhamento funcional, definindo uma avaliação de forma mais robusta do impacto da estimulação elétrica neuromuscular precoce sobre a força muscular, a funcionalidade e a satisfação dos pacientes a médio e longo prazo (Toth et al., 2020).
Quadro 4 – Impacto da estimulação elétrica neuromuscular em pacientes com lesão de LCA

Fonte: Toth et al.,2020)
Conforme o Quadro 4, a estimulação elétrica neuromuscular, apresenta um efeito significativo na fase inicial da reabilitação após a lesão do ligamento cruzado anterior, diminuindo uma grande quantidade da atrofia das fibras rápidas e preservando a contratilidade das fibras lentas, aspectos essenciais para potência, resistência e manutenção da função muscular. Entretanto, apesar dos benefícios evidenciados em nível celular, nenhumas diferenças estatísticas significativas na força global ou desempenho funcional foi observada entre os grupos avaliados, definindo que os efeitos podem não se refletir imediatamente em ganhos clínicos perceptíveis, reforçando a necessidade de investigações com maior tempo de acompanhamento e protocolos mais abrangentes (Toth et al., 2020).
2.3 Eletroterapia no contexto da LCA
O tratamento das lesões no ligamento cruzador anterior demanda por abordagem completa e multidisciplinar, visando a reabilitação do indivíduo (Conley et al., 2021). Nesse sentido, o diagnóstico precoce, bem como intervenções cirúrgicas e posteriormente cuidados pós-operatórios são essenciais para a recuperação do paciente. Dessa forma, a recomendação para um procedimento cirúrgico de reconstrução de ligamentos é indicada para restaurar a estabilidade e funcionalidade do joelho que foi comprometido por essa lesão (Fernandes et al., 2023).
A introdução da eletroterapia como forma de reabilitação principalmente no pós-operatório tem impacto significativo na melhora da condição do paciente (Santos et al., 2022). Conforme Rodriguez et al.,2020, a estimulação elétrica neuromuscular utilizada em altas cargas, tem bons resultados, já que direciona essa corrente para onde há falhas de ativação na região do quadríceps em paciente que teve LCA. De forma semelhante, a estimulação elétrica funcional também tem impactos positivos no âmbito da reabilitação, porém tendo melhores resultados em processos para ganho de força de membros superiores, de forma semelhante, a estimulação elétrica funcional teve maior destaque no processo de recuperação de força em comparação com estimulação elétrica neuromuscular (Moran et al., 2019).
2.4 Protocolos de Tratamento e Segurança
A efetividade do modelo de estimulação elétrica neuromuscular tem se mostrado eficaz no âmbito da melhoria da força do quadríceps após a recuperação do ligamento cruzado anterior, especialmente quando há combinação de exercícios terapêuticos, proporcionando ganhos significativos na força e na função física durante o período de pós-operatório imediato (Hauger et al.,2018). O Quadro 5 apresenta os principais parâmetros utilizados na aplicação de estimulação elétrica neuromuscular (NMES) no contexto da reabilitação do ligamento cruzado anterior (LCA).
Quadro 5: Parâmetros da NMES para Reabilitação do LCA

Fonte: Adaptado de Hauger et al., (2018).
O Quadro 5 apresenta os parâmetros sugeridos para a aplicação de NMES, incluindo frequência, largura de pulso, ciclo ON/OFF e intensidade, juntamente com a justificativa científica de cada parâmetro. Além dos benefícios associados, é importante considerar contraindicações e cuidados associados a NMES. A técnica não é indicada em pacientes com marcapasso, arritmias cardíacas graves, trombose venosa profunda ativa, feridas abertas ou infecções na área de aplicação. Além disso, há a necessidade de monitoramento para evitar fadiga muscular excessiva, desconforto ou lesões secundarias a estimulação (Hauger et al., 2018).
O processo de reabilitação pode ser associado a outras técnicas de diferentes modalidades a fim de ter melhores resultados. A combinação da eletroterapia com outras abordagens, como a termoterapia e a fotobiomodulação, tem tido bons resultados no processo de recuperação em pacientes que foram submetidos a cirurgia de LCA (Algoso; Rocha, 2024). Segundo Silva, Pereira e Costa (2024), a modalidade fototerapia modula processos inflamatórios, o que contribui para a recuperação mais eficiente. Dessa forma, a fototerapia pode acelerar o retorno as atividades, melhorando a função neuromuscular, sendo usada em fase tardia da recuperação.
O Quadro 6 sintetiza os resultados do estudo de Silva, Pereira e Costa (2024), que investigaram os efeitos da fototerapia em pacientes no pós- operatório tardio de reconstrução do ligamento cruzado anterior.
Quadro 6 – Resultados do estudo sobre fototerapia e Endurance muscular em pacientes pós-operatório de LCA.

Fonte: Adaptado de Silva, Pereira e Costa (2024)
Com base no Quadro 6, os resultados observados pelos autores evidenciam efeitos positivos significativos apenas no número de repetições do teste de Endurance. Nesse sentido, os autores trazem evidências, mesmo que de forma inicial de que a fototerapia pode contribuir para melhora da resistência muscular em pacientes no pós-operatório tardio de reconstrução do LCA. Mesmo com variáveis como de fadiga, níveis de CK, percepção de esforço e equilíbrio, não tenham sido significativos na amostra. Por fim, este estudo reforça a possibilidade de associação da fototerapia a outras modalidades terapêuticas, como a eletroterapia, a fim potencializar os resultados no processo de reabilitação (Silva, Pereira e Costa.,2024).
3 METODOLOGIA
3.1 Tipo e procedimentos da revisão
A presente pesquisa caracteriza como revisão integrativa de literatura, método adotado em pesquisas de ciências da saúde, que possibilita a reunião e análise de diferentes produções cientificas sobre um determinado tema. Esse tipo de revisão permite também a inclusão de estudos com variadas abordagens metodológicas, tanto pesquisas qualitativas como quantitativas, permitindo uma melhor compreensão e entendimento do fenômeno investigado e oferece suporte para práticas fundamentadas em evidências.
A investigação foi guiada pela seguinte questão norteadora: “Quais benefícios a utilização da eletroterapia pode proporcionar no processo de reabilitação pós-operatória de lesão do ligamento cruzado anterior?”
O percurso metodológico deste estudo foi estruturado em seis etapas conforme foram apresentadas no Quadro 7.
Quadro 7 – Etapas do percurso metodológico da revisão integrativa

Fonte: elaborado pelo autor (2025).
3.2 Estratégias de busca
Para o desenvolvimento da revisão integrativa, foram consultadas bases de dados científicas já consolidadas e conhecidas no meio acadêmico, a fim de garantir maior abrangência e qualidade das publicações selecionadas. Dessa forma, as buscas foram realizadas no Google Acadêmico, PubMed (US National Library Of Medicine), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e na ScELO (Scientific Eletronics Library Online).
Os descritores utilizados foram definidos a partir dos vocabulários controlados DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headigs), além de termos de uso livre pertinentes ao tema em questão. Entre os principais, destacam-se: “eletroterapia”, “reabilitação”, “ligamento cruzado anterior”, “pós-operatório”, “TENS”, “FES” e “ultrassom terapêutico”. Para melhorar a precisão e refinar a busca, os descritores foram combinados por meio dos operados booleanos “AND” e “OR”, na qual permite maior precisão e relevância na seleção dos artigos.
Foram incluídos estudos públicos entre 2019 e 2025, assegurando a análise de evidências cientificas atuais sobre o uso da eletroterapia na recuperação funcional de pacientes que foram submetidos à cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). O processo para a seleção ocorreu em duas etapas incialmente, a triagem de títulos e resumos, seguida de leitura dos estudos de forma integral considerados pertinentes aos objetivos da pesquisa.
Essa forma de organização metodológica possibilita reunir estudos de diferentes delineamentos, como ensaios clínicos, pesquisas observacionais, revisões sistemática e meta análises, o que favorece uma análise crítica e fundamenta sobre os efeitos e aplicabilidade dos recursos eletro terapêuticos no tratamento pós-operatório de LCA.
3.3 Critérios de inclusão e exclusão dos estudos
Visando assegurar os estudos mais relevantes incluídos na pesquisa, foram definidos critérios claros de inclusão e exclusão, dessa forma, foram consideradas para analise os artigos publicados em língua nativa o português bem como estudos em inglês, com recorte temporal de 2019 a 2025, que abordassem a utilização da eletroterapia na reabilitação pós-operatória do LCA. Além disso, foram aceitos estudos com diferentes métodos metodológicos, como ensaios clínicos, pesquisas observacionais, transversais, meta análise e de revisões, desde que publicados em bases de dados já reconhecidas, como Google Acadêmico, PubMed, BVS e SciELO.
Os critérios de exclusão foram trabalhos que não tratassem especificamente de eletroterapia aplicada ao pós-operatório do LCA, artigos duplicados nas bases de dados, publicações fora do período definido, textos sem revisão por pares ou indisponíveis para acesso completo.
A Figura 2 apresenta o fluxograma referente ao processo de seleção dos estudos.
Figura 2 – Fluxograma da seleção dos estudos.

Fonte: elaborado pelo próprio autor (2025)
3.4 Extração e síntese dos dados
Após a seleção dos estudos, foi realizada a extração dos dados mais relevantes, feita por meio da leitura detalhada de cada artigo incluído. Além disso, os dados extraídos comtemplaram autores, ano de publicação, título do estudo, objetivo, tipo de intervenção eletro terapêutica utilizada metodologia, principais resultados e por fim conclusão. Desse modo, todas as informações foram organizadas no Mendeley, o que permitiu uma gestão eficiente das referências bem como a análise comparativa entre os estudos e facilitando a síntese dos achados.
A síntese dos dados teve como objetivo reunir e apresentar evidências mais recentes sobre a utilização da eletroterapia pós-operatório do ligamento cruzado anterior (LCA), destacando seu benefício, limitações e protocolos mais empregados. Para isso, foi adotado uma abordagem qualitativa descritiva, considerando o foco em estudos publicados entre o período de 2019 e 2025, de modo a refletir as práticas atuais e fundamentar recomendações baseadas em evidências cientificas atualizadas.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 Caracterização dos estudos incluídos na revisão
A presente revisão integrativa teve como resultado a seleção de 8 estudos científicos, publicados no recorte temporal entre 2019 e 2025, com foco na utilização de eletroterapia na reabilitação pós-operatória do ligamento cruzado anterior. Além disso, os artigos foram obtidos exclusivamente nas bases de dados PubMed, SciELO, BVS e Google Acadêmico, considerando estudos recentes e relevantes para a prática clínica em fisioterapia.
Os tipos de estudos incluídos englobaram ensaios clínicas, pesquisas observacionais, estudos experimentais, revisões sistemáticas e relato de caso, contemplando tanto a aplicação prática da eletroterapia quanto a análise de seus efeitos sobre recuperação funcional, força muscular, amplitude de movimento e alicio da dor em pacientes submetidos a cirurgia de reconstrução do LCA.
Visando uma melhor compreensão e análise dos achados, os estudos foram organizados em três eixos temáticos: (1) protocolos de reabilitação com eletroestimulação neuromuscular, com foco no fortalecimento muscular, prevenção da atrofia e recuperação funcional; (2) comparação entre NMES convencional, eletroterapia de média frequência e High Tone Power Therapy (HiToP) na recuperação muscular pós-reconstrução do ligamento cruzado anterior (ACLR); e (3) aplicação da estimulação elétrica periférica no controle da dor e minimização do consumo de opioides após reconstrução do LCA.
A seguir, Quadro 2 sintetiza os principais estudos incluídos nesta revisão integrativa.
Quadro 2 – Dados identificadores dos estudos selecionados (2020–2025).




Fonte: elaborado pelo autor (2025)
Os resultados dos estudos analisados evidenciam que o uso da eletroterapia no tratamento pós-operatório do ligamento cruzado anterior (LCA) tem sido investigada, sobretudo em relação a sua eficácia na recuperação funcional, no fortalecimento muscular, como também no controle da dor do paciente. A aplicação de diferentes técnicas de estimulação elétrica, como a neuromuscular (NMES), a estimulação elétrica funcional (FES), a eletroterapia de média frequência e a High Tone Power Therapy (HiTop), mostraram-se essenciais na promoção da força do quadríceps e na aceleração do retorno as atividades funcionais de pacientes, especialmente quando associada a fisioterapia convencional.
4.2 Protocolos de reabilitação com eletroestimulação neuromuscular: fortalecimento, prevenção de atrofia e recuperação funcional
Lima et al. (2023), avaliaram os efeitos de diferentes protocolos de reabilitação no pós-operatória em pacientes submetidos a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA), comparando grupos com diferentes frequências e duração de sessões de fisioterapia.
Nesse estudo, todos os participantes iniciaram a reabilitação imediatamente após a cirurgia, seguindo protocolos padronizados. O grupo AC realizou sessões três vezes por semana, com duração média de quatro horas cada, durante seis meses, enquanto o grupo NAC participou de sessões duas vezes por semana, com duração aproximada de duas horas, durante oito meses. Também foi utilizado laser terapia de baixa intensidade (laser AsGa), aplicada pontualmente sobre o tendão do enxerto e por escaneamento da área, como parte do protocolo de eletroterapia.
Quadro 3 – Resultados da reabilitação pós-LCA


Fonte: Elaborado a partir de Pinheiro; Souza., (2023).
Os resultados apresentados no Quadro 3 mostram que pacientes submetidos a reconstrução do ligamento cruzado anterior que realizaram sessões de fisioterapia três vezes por semana apresentaram 230,5 NM no pré- operatório para 242,1 NM ao final do treinamento, e incremento de 17,5% no trabalho total de flexão, enquanto o grupo que realizou apenas duas sessões por semana não apresentou alterações significativas no pico de torque, como também teve redução de 2,9% no trabalho total de flexão (Pinheiro; Souza., 2023).
Reconstruções de ligamento cruzado anterior (LCA) podem provocar atrofia e fraqueza muscular do músculo quadríceps. Dessa forma, há a necessidade de protocolos e programas de reabilitação que promovam a melhora dessa lesão. Nesse sentido, o estudo de Toth et al. (2020) avaliou pacientes com ruptura aguda do ligamento cruzado anterior, utilizando estimulação elétrica neuromuscular (EENM) cinco vezes por semana, além de tratamento simulado na perna lesionada. Além disso, foi realizada Biopsia do vasto lateral por três semanas após a cirurgia para medir o tamanho e a contratilidade das fibras musculares dessa região, assim como a força do quadríceps, sendo avaliada seis meses após a cirurgia.
Dessa forma, três semanas após a cirurgia de reconstrução do LCA, o tamanho e a contratilidade de todas as fibras musculares na perna lesionada em comparação com a perna não lesionada (P < 0,01 a P < 0,001). O grupo que recebeu EENM teve como resultado (P < 0,01) nas fibras musculares. (Toth et al., 2020).
O estudo realizado por Lie et al (2024) teve como objetivo avaliar os efeitos da eletroterapia, em especial a técnica EENM. A metaanálise foi realiza pelos autores evidenciou que pacientes que receberam EENM associada a fisioterapia convencional apresentaram maior recuperação da força do quadríceps tanto em acompanhamentos de curto prazo (≤ 6 semanas) quanto de longo prazo (> 6 semanas) quando feita a comparação com pacientes que fizeram apenas fisioterapia por protocolos padrões. Os valores médios padronizados (SMD) foram de 0,53% (IC 95%: 0,27–0,79) para o acompanhamento de curto prazo e 0,59 (IC 95%: 0,18–0,99) para o de longo prazo, ambos com p < 0,001.
A aplicação da estimulação elétrica funcional (FES) sincronizada com a marcha foi comparada com a estimulação elétrica neuromuscular (NMES) convencional no contexto da reabilitação. Nesse sentido, ambos os grupos realizaram sessões de 10 minutos, três vezes por semana, associadas a um protocolo padrão de reabilitação. Dessa forma, após quadro semanas de protocolo, observou-se que o grupo FES recuperou 82% da força muscular do quadríceps em relação ao valor pré-operatório, enquanto o grupo NMES apresentou recuperação de 47%. Além disso a simetria da força entre os membros foi de 0,63 ± 0,15 no grupo FES e de 0,39 ± 0,18 no grupo NMES (Moran et al., 2019).
4.3 Comparação entre NMES convencional, eletroterapia de média frequência e HiToP na recuperação muscular pós-ACLR
O estudo retrospectivo analisou prontuários de 50 pacientes submetidos a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA), comparando os efeitos da reabilitação convencional, essa composta por exercícios ativos do quadríceps femoral, tração muscular frequência modulada por baixa frequência, direcionada ao musculo femoral medial por meio de eletrodos posicionados na coxa. Ademais, o foco do estudo foi a aplicação da eletroterapia com detalhamento dos paramentos técnicos utilizados, incluindo frequência entre 2000 e 4000 Hz, tempo de estimulação, localização dos eletrodos e intensidade tolerável. Foi utilizado o equipamento BA2008 III microcomputer bionic therapuetic instrument, e os protocolos de aplicação da corrente. Desse modo, o objetivo principal foi verificar como a modalidade influencia a recuperação, pacientes que receberam a eletroterapia apresentaram melhora na circunferência da coxa (44,57 ± 0,77 cm), na amplitude de movimento do joelho (66,33 ± 6,01°), no escore funcional de Lysholm (67,86 ± 6,28) e na redução da dor avaliada pela escala visual analógica (VAS: 4,03 ± 1,02), em comparação ao grupo controle, que obteve valores inferiores em todas as variáveis analisadas (Song et al., 2022).
Ogrodzka-Ciechanowicz et al. (2021) investigaram os efeitos da fisioterapia convencional associada a High Tone Power Therapy (HiToP), com corrente de média frequência modulada, foram usadas frequências que variaram entre 4.096 e 32.768 Hz, aplicadas em múltiplos pontos corporais para avaliar ganhos funcionais e metabólicos após a reconstrução do LCA. Dessa forma, o estudo randomizado teve como amostra 35 homens divididos em grupo controle e grupo experimental, amos submetidos a seis meses de realização padronizada. Os resultados obtidos no grupo experimental foram respectivamente (p = 0,041; ES = 3,71), circunferência do joelho (p = 0,039; ES = 1,65), circunferência da coxa (p = 0,049; ES = 1,26), extensão do joelho (p < 0,001; ES = 2,20) e escore funcional de Lysholm (p = 0,035; ES = 1,13) no grupo experimental.
4.4 Aplicação da estimulação elétrica periférica no controle da dor e minimização do consumo de opioides após reconstrução do LCA
Ilfeld et al. (2019) investigaram a eficácia da estimulação elétrica percutânea do nervo femoral por ultrassom como estratégia de analgesia no pós- operatório de pacientes submetidos a reconstrução ambulatorial do ligamento cruzado anterior (LCA). Por conseguinte, a amostra foi composta por 10 participantes adultos submetidos a reconstrução do LCA com enxerto patelar. Dessa forma, foi implantado eletrodo percutâneo anterior ao nevo femoral com orientação ultrassonográfica, abaixo do ligamento igual, antes da cirurgia. Os pacientes receberam cinco minutos de estimulação placebo de forma randomizada e mascarada, seguindo por cinco minutos de crossover, e posteriormente estimulação continua até a renovação do eletrodo entre os dias 14 e 28, no período já pós-operatórios. Durante os primeiros cinco minutos, o grupo estimulado apresentou redução de 7% na dor, enquanto o grupo placebo obteve aumento de 4%, revertido para queda de 11% após o crossover.
5. DISCUSSÃO
No estudo conduzido por Moran et al. (2019), foi avaliada a viabilidade e eficácia da aplicação da estimulação elétrica funcional (FES) sincronizada com a marcha. Tal estratégia visou o fortalecimento muscular no período de pós- operatório de reconstrução do ligamento cruzado anterior. Por conseguinte, os resultados demonstraram que, após quatro semanas de reabilitação, os pacientes que receberam FES recuperaram 82% da força muscular pré- operatória, enquanto aqueles submetidos a estimulação neuromuscular convencional (NMES) recuperaram apenas 47%. No mesmo sentido, o FES foi aplicado sincronizada com marcha dos indivíduos durante seu movimento natural do caminhar, os estímulos elétricos foram aplicados no momento exato em que o quadríceps deveria ser ativado durante a marcha, o que permitiu a estimulação em cadeia cinética funcional, como também favoreceu de forma mais efetiva o aprendizado motor, já que associa o estímulo a ação. Dessa forma, ao comparar os dois protocolos, observa-se que a FES, aplicada de forma sincronizada com a marcha, promoveu um efeito mais rápido na recuperação da força funcional do quadríceps, enquanto a NMES precoce mostrou-se eficaz na preservação estrutural das fibras musculares e prevenção da atrofia, especialmente nas fases iniciais do pós-operatório. Desse modo, embora os resultados se concentrem em diferentes desfechos, força funcional versus integridade muscular, ambas as modalidades de eletroterapia se mostram complementares, o que acaba sugerindo que essa combinação de estratégias pode otimizar a reabilitação pós-LCA, equilibrando ganho de força e manutenção da qualidade muscular.
Já o estudo de Toth et al, (2020) demonstrou que a aplicação precoce da estimulação elétrica neuromuscular (NMES), iniciada logo após a lesão e mantida até três semanas após o período de pós-operatório do LCA, foi capaz de reduzir de forma positiva a atrofia das fibras musculares de contração rápida (MHC II) como também houve a capacidade de preservar a contratilidade das fibras lentas (MHC I) do quadríceps. Além disso, não houve diferenças significativas no que diz respeito a aumento de força muscular global após o período de seis meses, assim essa modalidade NMES teve papel preventivo nas fases iniciais da reabilitação, atuando na manutenção da qualidade funcional do tecido muscular. Desse modo, o autor complementa Moran et al (2019), já que indica que, enquanto o FES melhora de forma eficiente a função muscular, a NMES quando aplicada de forma precoce mantem a estrutura do músculo, o que acaba por evitar perdas que poderiam comprometer tanto a força como função a longo e curto prazo.
Complementarmente, o estudo de Sousa et al. (2023) também corrobora com o estudo de Toth et (2020), onde é evidenciado que o aumento de volume semanal, ou seja, maior número de sessões semanais, são um fator que pode determinar melhores resultados funcionais. Nesse mesmo sentido, o grupo submetido ao protocolo acelerado com maior carga terapêutica semanal, apresentou melhora significa no pico de torque, potência e trabalho muscular, enquanto o grupo com menor volume de sessões não obteve os mesmos avanços. Dessa forma, a inclusão de recursos como o uso da laserterapia AsGa, teve efeito analgésico e modulador do processo inflamatório, já que essa favorece o alívio sintomático, ao estimular a liberação de endorfinas, essa ação analgésica permiti maior tolerância ao movimento, facilitando a execução dos exercícios de fortalecimento muscular como também pode ter favorecido a adesão ao tratamento e o desempenho muscular.
Li et al. (2025) demonstraram que a estimulação elétrica do tipo NMES, quando aplicada como complemento à fisioterapia convencional, promove ganhos significativos na força do quadríceps em pacientes submetidos à reconstrução do ligamento cruzado anterior. Os autores observaram que a aplicação precoce da NMES, iniciada até uma semana após a cirurgia, apresentou efeitos superiores na recuperação da força (SMD = 1,42) em comparação com intervenções tardias (SMD = 0,44), além de preservar a área transversal do músculo e reduzir a atrofia das fibras musculares. De forma complementar, Toth et al. (2020) evidenciaram que a NMES precoce, iniciada imediatamente após a cirurgia e mantida durante as três primeiras semanas do pós-operatório, atuou de maneira preventiva na preservação estrutural das fibras musculares e na redução da atrofia, mesmo sem alterações significativas na força global após seis meses. Essa convergência de achados reforça que a aplicação precoce da eletroterapia é fundamental para minimizar os efeitos deletérios da inibição muscular artrogênica e preservar a integridade estrutural do quadríceps, configurando-se como uma estratégia preventiva essencial nas fases iniciais da reabilitação pós-LCA. Dessa forma, a integração desses resultados sugere que a NMES precoce não apenas mantém a qualidade do tecido muscular, mas também estabelece bases estruturais que podem potencializar ganhos funcionais em fases subsequentes do processo de recuperação.
Em paralelo, estudos que utilizaram eletroterapia de média frequência e modalidades mais abrangentes corroboram essa lógica. Song et al. (2022) observaram que a estimulação de média frequência aplicada ao quadríceps femoral medial associada à fisioterapia convencional proporcionou melhoras em circunferência da coxa, amplitude de movimento do joelho, escores funcionais e redução da dor, indicando que a eletroestimulação localizada potencializa a ativação muscular de forma eficiente e confortável. De maneira análoga, Ogrodzka-Ciechanowicz et al. (2021) demonstraram que a High Tone Power Therapy (HiToP), com corrente de média frequência aplicada em múltiplos pontos musculares, promoveu ganhos mais amplos em circunferência de coxa e joelho, aumento do fluxo sanguíneo e ativação neuromuscular mais extensa, resultando em benefícios funcionais superiores aos observados em FES ou NMES convencional. Desse modo, o uso do modelo NMES, quando se aplica de forma precoce, tem como objetivo estimular a zona de média frequência e HiToP, essas apresentam efeitos complementes durante o processo de reabilitação pós LCA, enquanto NMES quando usada de forma precoce atua na preservação estrutural e prevenção da atrofia muscular.
Já no contexto da analgesia, a dor é um fator presente em pacientes que foram submetidos a reconstrução de ligamento cruzado anterior (LCA). Nesse sentido, o manejo da dor no contexto pós-operatório nesses indivíduos tem motivado investigações que evidenciem estratégias seguras e eficazes, e que tenham como objetivo a diminuição do uso de opioides. Conforme Ilfeld et al. (2019) realizaram um ensaio clínico com dez pacientes submetidos à reconstrução ambulatorial do LCA, utilizando estimulação elétrica percutânea do nervo femoral com eletrodo helicoidal guiado por ultrassom, por meio da técnica de Neuromodulação Periférica Elétrica Funcional (FES). A intervenção reduziu significativamente a dor e o consumo de opioides, já que a técnica FES promove analgesia sem causar déficits motores ou sensoriais, demonstrando-se segura e bem tolerada. Por conseguinte, o estudo de Ilfeld et al. (2019), não corrobora com nenhum outro autor anteriormente citado, já que o objetivo do estudo é o uso da técnica FES na promoção da analgesia em pacientes submetidos a reconstrução de LCA. Dessa forma, embora o estude não traga evidências sobre ganhos de força ou aplicação precoce, ele apresenta evidências quanto aos benefícios do uso do FES no contexto da recuperação funcional e na analgesia.
6. CONCLUSÃO
Os resultados desta pesquisa possibilitaram uma reflexão aprofundada sobre a eficácia e aplicabilidade dos recursos de eletroterapia no tratamento pós- operatório do ligamento cruzado anterior (LCA). A utilização da revisão integrativa da literatura permitiu identificar as principais modalidades eletroterapêuticas empregadas nesse contexto, como TENS, FES, NMES, correntes de média frequência, High Tone Power Therapy (HiToP) e ultrassom terapêutico, bem como seus benefícios clínicos e limitações no processo de reabilitação. Dessa forma, confirma-se que a eletroterapia constitui um recurso seguro, eficiente e aplicável no contexto fisioterapêutico, contribuindo significativamente para a recuperação funcional e fortalecimento muscular dos pacientes submetidos à reconstrução do LCA.
Os estudos analisados evidenciaram ganhos significativos na força do quadríceps, amplitude de movimento e desempenho funcional, especialmente quando a eletroterapia foi associada à fisioterapia convencional. Modalidades como FES e HiToP demonstraram resultados superiores na recuperação da simetria muscular e na redução da atrofia, enquanto a NMES precoce apresentou benefícios estruturais relevantes na preservação da contratilidade e do trofismo das fibras musculares. Além disso, a TENS destacou-se no controle da dor, permitindo maior tolerância ao exercício e melhor engajamento nas etapas iniciais da reabilitação. Assim, o uso combinado das técnicas reforça a importância de uma abordagem integrada e progressiva na fisioterapia pós- operatória.
Dessa maneira, o fisioterapeuta e a equipe multiprofissional devem estar capacitados para lidar com diferentes níveis de adaptação e resposta terapêutica, elaborando planos individualizados que priorizem o conforto, a segurança e a eficácia do tratamento. Faz-se necessário o investimento em educação em saúde, capacitação profissional e atualização científica, garantindo que a utilização dos recursos de eletroterapia seja conduzida de forma baseada em evidências e alinhada aos princípios da recuperação funcional de qualidade.
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3Universitário CESMAC Maceió – Alagoas
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