UTILIZAÇÃO DA TERMOGRAFIA NO FUTEBOL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

USE OF THERMOGRAPHY IN FOOTBALL: A SYSTEMATIC REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202509272330


Vítor Antônio Ribeiro Soares
Orientadora: Raíssa Caroline Brito Costa


RESUMO 

A incidência de lesões em jogadores profissionais de futebol apresenta uma  alta taxa, comprometendo de forma significativa o desempenho do atleta. A  termografia infravermelha é um método não invasivo que cada vez mais está  sendo aplicada na área esportiva com o intuito de prevenir lesões musculares  nos campeonatos, monitorar a temperatura corporal e avaliar a carga interna  destes jogadores. O objetivo do estudo foi analisar a aplicabilidade da  termografia infravermelha no futebol. Trata-se de uma revisão de literatura,  onde utilizou-se artigos científicos em bases de dados eletrônicos (PEDRO,  SCIELO, PUBMED), livros e revistas no período de 2013 a 2023 e adotando  critérios de inclusão e exclusão. A coleta nos bancos de dados para a revisão,  resultou na seleção de 28 artigos, contudo apenas 8 entraram neste estudo  específico após a elegibilidade das pesquisas encontradas. Foram excluídos os  artigos duplicados, as publicações não decorrentes de pesquisa científica como  editoriais, relato de experiências ou artigos sem relação com o tema. Pode-se  concluir que a termografia infravermelha é efetiva na detecção de lesões de  jogadores de futebol profissional, sendo utilizada para avaliação da carga  interna e auxilia no acompanhamento da reabilitação dos atletas lesionados.  Apesar dos benefícios apontados, ainda é necessário maiores publicações  científicas referente ao tema para atingir resultados mais fidedignos desta  ferramenta na área esportiva. 

Palavras-chave: futebol, termografia infravermelho, saúde do atleta.

ABSTRACT 

The incidence of injuries in professional soccer players is high, significantly  compromising the athlete’s performance. Infrared thermography is a non invasive method that is increasingly being applied in the sports area with the  aim of preventing muscle injuries in championships, monitoring body  temperature and assessing the internal load of these players. The objective of  the study was to analyze the applicability of infrared thermography in soccer.  This is a literature review, which used scientific articles in electronic databases  (PEDRO, SCIELO, PUBMED), books and magazines from 2013 to 2023 and  adopted inclusion and exclusion criteria. The collection in the databases for the  review resulted in the selection of 28 articles, however, only 8 entered this  specific study after the eligibility of the research found. Duplicate articles, publications not resulting from scientific research such as editorials, experience  reports or articles unrelated to the topic were excluded. It can be concluded that  infrared thermography is effective in detecting injuries in professional soccer  players, being used to assess internal load and assisting in monitoring the  rehabilitation of injured athletes. Despite the benefits indicated, more scientific  publications on the subject are still needed to achieve more reliable results from  this tool in the sports area. 

Key Words: soccer, infrared thermography, athlete health.

INTRODUÇÃO 

O futebol é o esporte mais popular do mundo por diversos aspectos  como cultural, social, político e econômico segundo Giulianotti (2012). Além do  futebol ser o mais popular e mais praticado esporte do mundo, ele também é o  mais estudado entre as modalidades, dito por Kirkendall (2020).  

O nível esportivo do futebol exige altas demandas, com seus  movimentos multidirecionais de alta intensidade e resistência, Gallo (2024)  relatou que essas características citadas predispõem a lesões nos atletas. 

Segundo Gómez-Carmona et al., (2020) o desempenho dos jogadores  de futebol é afetado decorrente da alta prevalência de lesões por temporada,  onde há diversos programas multifacetados aplicados na área esportiva com o  intuito de prevenir tais danos e analisar a performace destes profissionais. A  detecção da sobrecarga e fadiga do músculo esquelético nos jogadores de  futebol pode ser avaliada por meio da termografia infravermelha, que é uma  ferramenta que identifica um possível risco de lesão referente à sobrecarga de  treinamento. 

Cuevas (2015) mencionou que termografia infravermelha é uma técnica  segura, que permite a captura rápida e não invasiva das radiações liberadas  pelo corpo humano. E Ring (2014) já havia declarado que mesmo com essas  vantagens, a termografia só será mais aceita se os estudos publicados forem  de forma responsável. 

A termografia infravermelha vem ganhando destaque no mundo do  futebol, a ferramenta de avaliação fornece à equipe médica informações sobre  e termorregulação dos tecidos moles que são avaliados com a finalidade de  prevenir lesões, conforme Górmez-Carmona (2020). 

A termografia no futebol é bastante utilizada para nos guiar na prevenção de lesões. É um método que nos auxilia para detectar sobrecarga e até mesmo fadiga em algum segmento do músculo, como  previsto por Côrte (2018). 

Justifica-se a escolha do tema devido à alta prevalência de lesões em  jogadores profissionais de futebol, ocasionando comprometimento na carreira  do atleta. A termografia infravermelha é uma alternativa apontada como viável  para detecção de lesões e monitoramento da recuperação destes profissionais.  Diante deste problema, questiona-se: qual a aplicabilidade da termografia  infravermelha nos jogadores profissionais de futebol? O objetivo do presente  estudo foi analisar a aplicabilidade da termografia infravermelha no futebol. 

MÉTODO 

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura que seguiu os critérios  recomendados pela Declaração PRISMA – Preferred Reporting Items for  Systematic Reviews and Meta-Analyses.  

A busca pelos estudos foi feita nas bases de dados eletrônicas  relacionadas às Ciências do Esporte e Exercício Físico e Fisioterapia: SciELO  (Scientific Electronic Library Online), PubMed (National Library of Medicine and  National Institutes of Health), Journal of Thermal Biology, Infrared Physics &  Technology e o Journal of Biomechanics. As pesquisas dos estudos ocorreram  entre agosto até meados de outubro de 2024. Para incluir os estudos nesta  atual produção, os temas nas bases de dados selecionadas se restringiram a  termografia e futebol.  

Critérios de elegibilidade dos estudos 

Foram considerados para análise somente artigos originais sobre  termografia como atletas de futebol sendo as amostras, incluindo estudos com  abordagem quantitativa, qualitativa ou mista, com resumos e textos completos  disponíveis na íntegra pelo meio on-line até outubro de 2024. O limite temporal  dos estudos foi de 14 anos, entre 2013 até 2024. Foram excluídos resumos de  congresso, editoriais e cartas. A elegibilidade dos estudos ocorreu por meio  dos critérios PICOS e estão detalhados na Tabela 1.

Tabela 1. Critérios de inclusão dos estudos selecionados para a revisão

Seleção dos estudos e extração de dados  

Os estudos foram selecionados inicialmente através dos títulos, resumos  e conclusões. Posteriormente foi realizada a análise completa dos artigos  através das metodologias, resultados e discussões. Para estabelecer o perfil da  pesquisa, realizou-se uma análise de dados em que foram consideradas as  seguintes categorias: termografia no futebol como método de prevenção,  termografia como instrumento de avaliação no esporte, comparação de  resultados no atleta e eficácia da avaliação.  

Resultados 

A busca resultou em 28 registros. Após exclusão dos duplicados (n=2) e  leitura do título, foram selecionados 14 artigos para a leitura do resumo. Nessa  etapa, excluíram-se outros 1, restando 13 para leitura na íntegra. Por fim, 8 estudos fizeram parte da revisão final (Figura 1).

Figura 1. Fluxograma do processo dos estudos incluídos

Quadro 1. Principais informações dos artigos analisados

DISCUSSÃO 

Pode-se evidenciar nos estudos de Rodrigues Júnior et al., (2021) que a  associação do teste de salto com contramovimento e termografia infravermelha  pode ser apontada como recursos positivos para prevenção de lesões  musculares em jogadores de futebol. O estudo com 20 jogadores profissionais  de futebol analisou detalhadamente o desempenho antes e depois de uma  temporada competitiva. Corroborando com as pesquisas de Gómez-Carmona et al., (2020) que também apontam que a termografia infravermelha é útil para  fins de prevenção de lesões. Tal estudo transversal e prospectivo com 33  jogadores foram analisados e a implementação da técnica indicou uma redução  na incidência de lesões de 15 na temporada para 6 lesões. Na pesquisa, foi  comparado que na 1a temporada teve como método um programa convencional  de prevenção de lesão (CPP), e na 2a temporada um programa de prevenção  de lesões por termografia infravermelha (IRTPP). O CPP era utilizado somente  quando o jogador relatasse dor, desconforto ou fadiga, enquanto o IRTPP era  aplicado nos atletas que obtiveram diferença bilateral na temperatura da pele  acima e/ou igual a 0,5ºC. Enfatiza-se que a termografia foi utilizada somente na  segunda temporada, onde foi determinado 15 minutos de aclimatação para o  atleta, em uma sala com temperatura média de 20°C e umidade relativa de  39,8%. Foram capturadas duas imagens, anterior de posterior, da região  lombar, abdominal e MMII. Para determinar assimetrias, o estudo determinou  que: normal (0°-0,29°), acompanhamento (0,30°-0,49°C), prevenção (0,50° – 0,99°C), alerta (1°-1,49°C) e grave (≥1/50°C). 

A termografia infravermelha é uma ferramenta não invasiva, sem  radiação e de baixo custo que permite auxiliar no diagnóstico preventivo e  potencializar o desempenho esportivo dos jogadores de futebol. Ela realiza o  monitoramento das variações da temperatura corporal, detecta de forma  preventiva as lesões musculares e avalia a recuperação muscular após o treino  dos profissionais. Diante disso, a termografia tem se tornado imprescindível na  detecção destas patologias através das temperaturas da superfície da pele,  usando uma câmera infravermelha de alto desempenho. (Maior, 2010) 

Segundo Silva et al., (2022) após as análises dos biomarcadores de  dano muscular (CK e proteína C- reativa) e da percepção de dor tardia  associada com a termografia em um estudo de caso de um jogador de 17 anos,  os autores apontaram que no protocolo de simulação de futebol não foram  constatados comprometimentos musculares pelos valores de CK. A eficácia da  monitorização da recuperação muscular em jovens jogadores foi considerada  satisfatória com a realização da termografia. O atleta fez a aclimatação numa  sala durante 10 minutos, onde o ambiente se encontrava com temperatura  média de 20,5°C, umidade em aproximadamente 60,5°C. Em controvérsia, nas  pesquisas de Maior et al., (2017) não foi encontrado alta correlação entre os níveis de Ck e a termografia. Este estudo inclui a análise de 30 jogadores de  futebol profissionais saudáveis do sexo masculino, tendo a implicação das  imagens térmicas dos membros inferiores (coxas e pernas) que indicaram  valores baixos de associação entre a temperatura da pele e os níveis de CK. 

A termografia infravermelha é uma técnica que estuda a distribuição de  temperatura da superfície do corpo humano, auxiliando no diagnóstico e no  tratamento de diversas patologias. Na medicina esportiva, esta ferramenta é  fundamental para realização de análise de riscos e prevenção de lesões. A  descoberta do infravermelho ocorreu no ano de 1.800 pelo cientista William  Hershell, baseada em teorias já documentadas pelo médico Hipócrates. (Cortê;  Hernandez, 2016) 

Nos estudos de De Andrade Fernandes et al., (2017) pode-se constatar  que decorrente da temperatura da pele dos membros inferiores analisada pela  termografia infravermelha e a resposta da creatina quinase, os jogadores de  futebol apresentam maiores microlesões musculares relacionadas às respostas  inflamatória local aguda. Esta pesquisa avaliou um jogador profissional de  futebol de 27 anos e 1, 83 cm de altura, onde foi ressaltado que a termografia  se mostrou positiva como auxílio na prevenção de lesões em campeonatos  para indicar danos musculares. O atleta ficou na sala para aclimatação durante  10 minutos, com temperatura média em 24,2°C e umidade relativa em média  de 55,3°C. Segundo Côrte et al., (2018) o monitoramento termográfico também  se mostrou efetivo na redução da incidência das lesões musculares em um  grupo de jogadores profissionais. Esta pesquisa longitudinal consistiu na  análise de 28 jogadores utilizando a termografia infravermelha duas vezes por  semana (48 horas após o jogo). O atleta era encaminhado a uma sala para  aclimatação durante 15 minutos onde as condições estavam, em média, com a  temperatura em 23°C, umidade de 40% – 60%. Entretanto, apesar dos  resultados positivos encontrados ainda são necessários outros estudos  científicos referente a aplicabilidade desta técnica para estabelecer diretrizes  práticas e potencializar a sua utilização. 

Para Silva et al., (2022) a termografia infravermelha fornece medições  precisas da temperatura da pele com o intuito de detectar inflamação muscular  e fadiga residual, beneficiando os atletas. Esta ferramenta inovadora pode ser  aplicada também como uma avaliação de disfunções musculoesqueléticas, otimização de treinamento e monitorização da recuperação muscular. Desse  modo, sendo fundamental para analisar de forma detalhada a carga de  treinamento conforme o estado de recuperação do jogador que se encontra. 

A prevenção das lesões musculares no futebol pode ser apontada por  meio da termografia infravermelha, que utiliza imagens termográficas que  apontam o processo inflamatório em sua fase inicial. O mapeamento e  identificação dos gradientes e padrões térmicos corporais devem ser  analisados por profissionais capacitados. (VIEIRA et al., 2021) Os jogadores  profissionais de futebol estão expostos a uma alta incidência de lesões,  afetando de modo significativo o desempenho físico desses atletas. Eles estão  suscetíveis à contusões, rupturas de ligamento, estiramento muscular,  equimose e fraturas. A segurança das equipes esportivas requer maior práticas  que realizam ações preventivas a estes profissionais. (Drummond et al., 2021) 

As câmeras infravermelhas usam um sensor com resposta na faixa do  infravermelho (comprimento de onda entre 0,75 a 1000 μm) na conversão da  radiação térmica, propagada pela superfície cutânea, em sinais elétricos. Os  sinais elétricos são quantizados e retratados em imagem, onde uma pessoa  saudável possui simetria térmica, entre o lado esquerdo e direito. Na imagem  em escala cinza, as regiões mais quentes são representadas frequentemente  com tons de cinza-claros e as regiões mais frias são com tons de cinza escuros. Há alterações funcionais no organismo quando ocorrem assimetrias  térmicas, visto que, em uma imagem termográfica, cada pixel é relacionado a  um valor de temperatura. Regiões de vascularização anormal são identificadas  na termografia como pontos quentes (hot spots), que apontam regiões de maior  circulação sanguínea local, sendo consequentes de processos inflamatórios.  Enquanto, os pontos frios (cold spots) retratam as regiões de vascularização  acometida ou necrosada, por exemplo, a presença de uma trombose vascular  ou a presença de tecido cicatricial. (Sanches et al., 2013) 

Aponta-se que a termografia infravermelha possa analisar o nível  inflamatório pelo gradiente de temperatura, tendo em vista que uma fase de  inflamação ocorre no corpo após a realização de exercícios físicos diante da  resposta de recuperação. Esta ferramenta tem sido utilizada na determinação  da carga de treinamento, na área fisioterapêutica e medicina esportiva (Afonso  et al., 2022)

De acordo com Menezes et al., (2018) um programa mais intensivo de  tratamento com a termografia infravermelha pode ser uma opção positiva para  potencializar o desempenho dos jogadores de futebol. A pesquisa sugere que a utilização da técnica também pode ser viável na prevenção de lesões, onde  houve uma diminuição das taxas quando comparadas nos últimos anos. Este  estudo consistiu no mapeamento das lesões de 26 jogadores de futebol  examinando um programa de treinamento de força periodizado e o uso de  termografia infravermelha. Os atletas permaneceram durante 15 minutos para  aclimatação, em uma sala, com temperatura média de 23°C. Em controvérsia  com os resultados, De Carvalho et al., (2021) aponta em seu estudo com 22  jogadores de futebol que a termografia infravermelha não houve relação com  os níveis de queratina quinase no sangue, dor, percepção de recuperação, de  fadiga e desempenho do atleta no momento da realização do jogo. Tais  resultados foram criteriosamente analisados em 19 partidas com intervalo de 7  dias entre as partidas. A avaliação termográfica foi realizada em um ambiente  controlado, com a temperatura em média de 23°C. 

A incapacidade física na área esportiva decorrente de lesões musculares  apresenta uma alta incidência, principalmente referente aos esportes de alto  desempenho. A incidência destas lesões depende do estilo do jogo, quantidade  das partidas dos campeonatos e o tempo. (Batista; Costa, 2019) De Carvalho  et al., (2021) diversas alterações fisiológicas ocorrem no corpo dos atletas  quando estão expostos a sobrecargas físicas, apresentando maior risco de  lesões. A elevação do fluxo sanguíneo, da concentração de enzimas pró inflamatórias, dor e fadiga surgem com os constantes exercícios. O  acompanhamento destas mudanças na rotina do profissional é fundamental  para verificar possíveis lesões. 

CONCLUSÃO 

Pode-se concluir que a termografia infravermelha aplicada no futebol  pode ser usada como uma ferramenta complementar no âmbito esportivo por  ser um método não invasivo, sem efeitos colaterais, com sensibilidade  considerável e confiabilidade. Entretanto, novos estudos ainda são essenciais  para resultados mais fidedignos quanto a este exame com amostras maiores. 

A termografia infravermelha utilizada nos jogadores profissionais de  futebol foi considerada positiva na monitorização dos danos musculares,  prevenção de lesões em campeonatos, melhora no desempenho e na detecção  de microlesões musculares. 

Ressalta-se a necessidade de pesquisas adicionais referentes a  utilização da termografia infravermelha nos jogadores profissionais de futebol,  visto que, em estudos controversos indicaram que esta ferramenta não  apresentou relação significativa com níveis de queratina quinase no sangue,  dor, percepção de recuperação, de fadiga e desempenho no momento da  partida. 

REFERÊNCIAS 

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