THERAPEUTIC USE OF PSILOCYBIN: AN INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510080531
Maurício Pedro Luciano Da Costa
Pedro Bruschi Peiretti
Pedro Vinicius Rodrigues Silveira Silva
Rafael Gomes Kricheski
Orientador: Dr. Rodrigo Ramires Ferreira
RESUMO
Observa-se um renascimento do interesse científico e clínico nas terapias assistidas com psicodélicos, com destaque para a Psilocibina. Este trabalho apresenta uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de identificar as contribuições científicas, potenciais benefícios e limitações do uso terapêutico da psilocibina em saúde mental.
O estudo seguiu um protocolo rigoroso. As buscas foram realizadas nas bases de dados Google Acadêmico,Sage Journals, SciELO e PubMed, no período de 2013 a 2025, para publicações em língua portuguesa. Os descritores controlados utilizados foram: “psilocibina” AND “saúde mental” AND “terapêutico” AND “terapia”. Foram incluídos artigos completos, revisões de literatura, trabalhos acadêmicos (TCCs, dissertações e teses) e periódicos revisados por pares, sendo excluídos textos opinativos e materiais sem acesso integral.
A análise revelou um aumento significativo das pesquisas recentes, predominando revisões e estudos exploratórios. Os resultados indicam efeitos terapêuticos promissores em quadros refratários, como a depressão resistente, ansiedade, dependência (álcool e tabaco) e no cuidado paliativo de pacientes terminais. O mecanismo de ação central envolve o agonismo dos receptores serotoninérgicos 5HT2A, induzindo alterações no estado de consciência que, quando associadas à psicoterapia, favorecem a plasticidade neural e promovem insights terapêuticos duradouros.
Apesar do potencial, foram identificadas lacunas metodológicas, como a escassez de ensaios clínicos randomizados (ECRs) e estudos de longa duração, refletindo a recente retomada do interesse após décadas de proibicionismo. Conclui-se que a psilocibina possui potencial terapêutico relevante e é um tema emergente na psiquiatria. Sua incorporação clínica, no entanto, exige regulamentação ética rigorosa, formação profissional adequada e políticas de acesso equitativas, a fim de evitar que o tratamento se torne elitizado e restrito. Sugere-se a necessidade de novas pesquisas, com maior rigor metodológico (como ECRs) e abordagens interdisciplinares, para consolidar as evidências e ampliar a compreensão dos seus efeitos clínicos, sociais e culturais.
PALAVRAS-CHAVE: Psilocibina; Terapia assistida por psicodélicos; Saúde mental; Uso terapêutico.
ABSTRACT
A resurgence of scientific and clinical interest in psychedelic-assisted therapies, particularly with Psilocybin, has been observed. This paper presents an integrative literature review aiming to identify the scientific contributions, potential benefits, and limitations of the therapeutic use of psilocybin in mental health.
The study followed a rigorous protocol. Searches were conducted in the Google Scholar, Sage Journals, SciELO, and PubMed databases for Portuguese-language publications between 2013 and 2025. The controlled descriptors used were: “psilocybin” AND “mental health” AND “therapeutic” AND “therapy.” Inclusion criteria encompassed full articles, literature reviews, academic works (undergraduate theses, dissertations, and doctoral theses), and peer-reviewed journals, while opinion pieces and materials without full access were excluded.
The analysis revealed a significant increase in recent research, predominantly comprising reviews and exploratory studies. The results indicate promising therapeutic effects for treatment-resistant conditions, such as depression, anxiety, substance dependence (alcohol and tobacco), and in palliative care for terminally ill patients. The central mechanism of action involves agonism of serotonergic 5-HT2A receptors, inducing altered states of consciousness that, when combined with psychotherapy, foster neural plasticity and promote lasting therapeutic insights.
Despite its potential, methodological gaps were identified, including a scarcity of randomized controlled trials (RCTs) and long-term studies, reflecting the recent revival of interest after decades of prohibition. It is concluded that psilocybin has significant therapeutic potential and is an emerging topic in psychiatry. However, its clinical integration requires rigorous ethical regulation, adequate professional training, and equitable access policies to prevent the treatment from becoming elitist and restricted. There is a clear need for further research with greater methodological rigor (such as RCTs) and interdisciplinary approaches to consolidate the evidence and broaden the understanding of its clinical, social, and cultural effects.
KEYWORDS: Psilocybin; Psychedelic-assisted therapy; Mental health; Therapeutic use.
INTRODUÇÃO
A psilocibina é um alcaloide conhecido por sua ação psicodélica, sendo uma substância natural produzida por fungos, principalmente os do gênero Psilocibe, popularmente chamados de “cogumelos mágicos”. Seu estudo e uso terapêutico fazem parte do renascimento das terapias psicodélicas, ao lado de substâncias como LSD, mescalina, MDMA e Ayahuasca (SANTOS; MEDEIROS, 2021).
O uso de psicodélicos em terapia tem se revelado promissor no tratamento de diversos transtornos mentais, apresentando potencial para uma abordagem segura, eficaz e de baixa toxicidade (FARIA, 2017). A Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP), definida por Schenberg (2018) como uma potencial mudança de paradigma na Psiquiatria, busca integrar e promover experiências de tratamento significativas. Para o autor, a PAP implica o uso de psicodélicos produzidos sob controle de qualidade, aplicados por profissionais de saúde certificados, seguindo protocolos cientificamente validados e sempre com acompanhamento supervisionado.
Após um período de intensa investigação entre as décadas de 1950 e 1970, os estudos com psicodélicos foram abruptamente interrompidos devido à proibição legal e ao estigma social. Essa pausa durou cerca de quatro décadas, sendo revertida apenas recentemente pelo movimento conhecido como “renascimento psicodélico” (SANTOS; MEDEIROS, 2021; LEITE, 2021). Essa retomada representa uma tentativa de recuperar conhecimentos, agora com maior rigor metodológico e respaldo ético, favorecendo um novo olhar sobre o potencial terapêutico da psilocibina.
A psilocibina, ao ser ingerida, é rapidamente convertida em psilocina, o composto ativo responsável pelos efeitos psicodélicos. Estruturalmente semelhante ao neurotransmissor serotonina, a psilocina atua principalmente como um agonista dos receptores serotoninérgicos 5HT2A (COUTO, 2017). Essa ação modifica a função cerebral, alterando o estado de consciência e possibilitando o acesso a memórias, o elicimento de emoções e a melhora do raciocínio quando associada à terapia (SCHENBERG, 2018).
A experiência psicodélica é marcada por alterações na percepção, no pensamento e nas emoções, incluindo alucinações visuais, mudanças na percepção de tempo e espaço, e o surgimento de conteúdos imaginativos (ESCOBAR; ROAZZI, 2010). Muitos usuários descrevem estas como experiências intensas, profundas e com significado pessoal ou espiritual.
Estudos apontam o potencial terapêutico da psilocibina, particularmente no tratamento de transtornos de humor e de ansiedade. Um estudo robusto realizado na Universidade Johns Hopkins com 51 participantes que apresentavam ansiedade e depressão associadas ao câncer demonstrou que o grupo que recebeu psilocibina (22 or 30 mg/70 kg) com psicoterapia obteve melhora significativa no humor, comportamento e diminuição da ansiedade, em comparação ao grupo controle (1 or 3 mg/70 kg) (GRIFFITHS et al., 2016). Outras pesquisas e revisões sugerem que a substância pode reduzir os sintomas de depressão, estresse e traumas (SANTOS; MEDEIROS, 2021; FARIA, 2017).
Diante deste panorama e do crescente interesse científico no tema, o presente trabalho se propôs a responder à seguinte pergunta norteadora: “quais as contribuições científicas acerca do uso terapêutico da psilocibina em saúde mental?”.
Portanto, o objetivo deste estudo é realizar uma revisão integrativa da literatura sobre o tema, demonstrando a emergência das pesquisas e os resultados atuais apresentados pela ciência.
METODOLOGIA
O presente trabalho adotou a metodologia de revisão integrativa da literatura, uma modalidade que, com maior flexibilidade em relação às revisões sistemáticas, possibilita a reunião, análise e síntese sistemática e abrangente de resultados de pesquisas já publicadas (GALVÃO; PEREIRA, 2014).
A pergunta norteadora da pesquisa foi: “Quais as contribuições científicas acerca do uso terapêutico da psilocibina em saúde mental?”.
As buscas foram realizadas nas bases de dados Google Acadêmico, Sage Journals, SciELO e PubMed, no período de 2013 a 2025. Os descritores controlados (DeCS/MeSH, se aplicável, ou termos livres) utilizados foram: “psilocibina” AND “saúde mental” AND “terapêutico” AND “terapia”, com restrição a publicações em língua portuguesa.
Os critérios de inclusão foram: artigos completos disponíveis online, publicações em periódicos científicos revisados por pares, trabalhos acadêmicos (Trabalhos de Conclusão de Curso, dissertações e teses) e revisões de literatura relacionadas ao tema. Foram excluídos textos opinativos, capítulos de livros e materiais sem acesso integral.
Reconhece-se como limitações metodológicas a língua portuguesa, portanto, a escolha de bases de dados específicas e a predominância de artigos de revisão, o que pode reduzir a robustez da análise. No entanto, esta delimitação permitiu mapear como o tema tem sido discutido na literatura nacional, contribuindo para a compreensão de tendências emergentes e lacunas de pesquisa.
Segue abaixo o diagrama do processo de seleção da amostra.

Figura 1: Diagrama do processo de seleção da amostra.
DISCUSSÃO
A análise dos artigos selecionados revela um crescimento expressivo das pesquisas sobre psilocibina no contexto da saúde mental nos últimos cinco anos, predominando revisões de literatura e estudos exploratórios (SILVA et al., 2022; LINARTEVICHI et al., 2021). Esse aumento se insere no contexto do “renascimento psicodélico,” um movimento marcado pela retomada do interesse científico após décadas de estagnação causada pelo proibicionismo e pela “Guerra às Drogas” (BURGIERMAN, 2011).
Ao analisar individualmente os trabalhos incluídos nesta revisão (conforme Tabela 1), é possível observar a convergência de achados relevantes. REICHET et al. (2022) destaca a escassez de ensaios clínicos e aponta a microdosagem como uma possibilidade promissora em transtornos psiquiátricos resistentes. BORGES et al. (2023) identificam efeitos positivos no tratamento da dependência de álcool e tabaco, reforçando a necessidade de associar a experiência psicodélica ao processo terapêutico. Além disso, COSTA et al. (2022) ressaltam a segurança do uso controlado da psilocibina em ambiente clínico, com redução significativa de sintomas de ansiedade e depressão em pacientes com risco de vida. Achados complementares sugerem que a psilocibina pode contribuir para reduzir o sofrimento existencial em pacientes com doenças terminais (GRIFFITHS et al., 2016 apud SILVA et al., 2021), enquanto LINARTEVICHI et al. (2021) enfatizam seus efeitos rápidos e duradouros em casos de depressão resistente.
De forma geral, a literatura aponta para benefícios terapêuticos potenciais em diversos quadros clínicos. Contudo, a falta de ensaios clínicos randomizados (ECRs) em larga escala permanece como um obstáculo importante para a consolidação das evidências. O predomínio de revisões e estudos preliminares limita a generalização dos resultados, reforçando a necessidade de pesquisas longitudinais com maior rigor metodológico (SANTOS; MEDEIROS, 2021).
Além da dimensão científica, é fundamental considerar as implicações sociais e políticas desse renascimento. A proibição histórica dos psicodélicos, imposta a partir da década de 1980, foi motivada não apenas por critérios de saúde pública, mas também por interesses políticos e ideológicos, culminando na interrupção de avanços científicos promissores e na estigmatização das substâncias. O proibicionismo reforçou a criminalização seletiva, especialmente sobre populações negras e periféricas (BURGIERMAN, 2011).
O movimento de revalorização atual das mesmas substâncias, mediado por pesquisas biomédicas e financiamento de grandes empresas, abre espaço para um crucial debate ético. Se a regulamentação ocorrer predominantemente na lógica da saúde privada, há o risco de que as terapias com psilocibina se tornem um tratamento elitizado, restrito a clínicas privadas e inacessível para a maioria da população.
Portanto, o avanço científico corre o risco de reproduzir desigualdades históricas caso não venha acompanhado de uma agenda robusta de descriminalização, equidade no acesso e regulação ética. A discussão sobre os usos terapêuticos da psilocibina deve estar vinculada à garantia de acesso universal aos tratamentos e evitar que sua potencialidade seja capturada exclusivamente pelo mercado farmacêutico.
Assim, os achados desta revisão não apenas evidenciam o potencial terapêutico da psilocibina, mas também convocam à reflexão sobre como a ciência, a política de drogas e a economia da saúde moldam os rumos de sua aplicação clínica.
Com a seleção dos artigos, procedemos à análise dos mesmos. A Tabela 1, abaixo, apresenta algumas informações dos trabalhos selecionados na pesquisa.
Tabela 1. Artigos analisados sobre o tema
| Referência (Autor e Ano) | Periódico/Qualis | Desenho do Estudo | Escopo e Bases de Dados (do Artigo Citado) | Principais Achados e Conclusões |
| REICHET, N. L. et. al. (2022) | Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria / QUALIS B4 | revisão da literatura quantitativo | 13 artigos, publicados entre 2019 a 2021 (SciELO, PubMed e Periódicos CAPES) | Estudo indica a escassez de ensaios clínicos, adversidades decorrentes da prescrição do uso do LSD e psilocibina no Brasil, uma crescente adesão a microdosagem com psicodélicos em transtornos psiquiátricos. Mesmo que a utilização de substâncias químicas possua uma literatura limitada. |
| BORGES, E. M. et. al (2023) | SMAD, Rev Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog / QUALIS B1 | Revisão integrativa | 14 artigos, publicados entre 2011 a 2019. (LILACS, Medline, SciELO, EBSCO e PubMed) | Foco da pesquisa são artigossobre uso de agentes psicodélicos no tratamento de dependência de álcool e tabaco, e apontam que seu uso não é conclusivo no tratamento da dependência química como terapêutica única, contudo, indicam os autores que sua utilização pode ser uma inovação eficaz para os modelos atuais de tratamentos, de modo que engloba a experiência psicodélica do paciente e a relação desta com o tratamento. |
| COSTA, B. F. De M, et. al. (2022) | CADERNOS DE GRADUAÇÃO: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE / | revisão sistemática de literatura qualitativa | 20 artigos dos bancos de dados PubMed e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) | O estudo indica que existem limitações e escassez de materiais comparando os tratamentos convencionais e a terapia psicodélica, o que não permite determinação da sua real segurança e eficácia em condições de tratamento, entretanto, os alucinógenos, como a psilocibina, demonstraram ser seguros se usados em doses baixas em ambiente clínico controlado, proporcionando reduções nos sintomas de ansiedade e depressão, principalmente de pacientes com risco de vida, melhorando sua qualidade e bem-estar. |
| GRIFFITHS, R. R. et al. (2016) | Journal of Psychopharmacology / Qualis A1 (na área de Psicologia/Psiquiatria) | Ensaio Clínico Randomizado Duplo-Cego Controlado | 51 pacientes com ansiedade e depressão relacionados a diagnóstico de câncer com risco de vida. | Estudo Observacional do Tipo Série de Casos Uma única dose moderada alta de psilocibina, com suporte psicológico, produziu reduções substanciais e duradouras (até 6 meses) nos sintomas de depressão e ansiedade. Os efeitos foram superiores ao controle com dose muito baixa (placebo ativo). A intervenção foi segura e bem tolerada em ambiente controlado. |
| SANTOS; MEDEIROS, 2021 | Research, Society and Development / QUALIS A3 | revisão integrativa da literatura | 7 artigos pesquisados na base de dados eletrônica (PubMed)e (Scielo), publicados entre 2017 a 2019. | Autores indicam um renascimento da terapia psicodélica como um novo e promissor paradigma para o tratamento das psicopatologias, no entanto, constatam a necessidade de mais ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais. Através da pesquisa os autores apresentam dados sobre a terapia psicodélica e suas potencialidades, sugerindo estudos para a eficácia dos tratamentos ou seus mecanismos de ação. |
| LINARTEVICHI, V. F. et. al. 2021 | Brazilian Journal of Development / QUALIS B2 | pesquisa bibliográfica exploratória | 10 artigos publicados entre 2006 a 2020 | Autores indicam que evidências provenientes das pesquisas com psilocibina tem demonstrado efeitos terapêuticos positivos duradouros em pacientes com depressão, podendo se estabelecer como uma nova opção para o alívio rápido dos sintomas de pacientes que não são adequadamente tratados por métodos convencionais, ou que não apresentaram resultados quanto a diversos tratamentos. |
O conjunto de artigos selecionados demonstra uma clara emergência de pesquisas sobre a psilocibina no Brasil, concentrada notavelmente no período entre 2021 e 2025. Esse pico recente de publicações, aliado ao aumento significativo da produção acadêmica (incluindo Trabalhos de Conclusão de Curso, Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado) a partir de 2018, reforça de maneira contundente a tese do “renascimento psicodélico” na literatura científica nacional.
Esse movimento de redescoberta e interesse ocorre após uma longa e forçada interrupção imposta pela Guerra às Drogas e pelo proibicionismo que se estabeleceu em nível global a partir da década de 1980. Essa política repressiva, conforme criticado por BURGIERMAN (2011, p. 11), não apenas falhou em seus objetivos, mas também foi geradora de violência, racismo e desigualdade social. Seu efeito mais imediato na ciência foi o de estagnar o avanço de pesquisas promissoras no campo da saúde mental por mais de quatro décadas. A retomada atual dos estudos, portanto, não é apenas um avanço científico, mas também um resgate histórico que indica um caminho promissor para novas abordagens no tratamento de transtornos psíquicos.
Os resultados revisados, extraídos da literatura mais recente, oferecem um panorama amplamente favorável e multifacetado sobre o potencial terapêutico da psilocibina:
Segurança e Baixa Toxicidade
Em relação à segurança, o uso prolongado e controlado da psilocibina não está associado ao desenvolvimento de dependência ou uso compulsivo, um dado crucial para seu avanço clínico (REICHET et al., 2022).
Eficácia Clínica Específica
● Evidenciam-se efeitos terapêuticos positivos duradouros em pacientes com depressão, caracterizados pelo alívio rápido dos sintomas (LINARTEVICHI et al., 2021).
● Também foram observados resultados promissores na promoção da abstinência do fumo (BORGES et al., 2023), por meio da integração da experiência psicodélica ao processo terapêutico.
● Adicionalmente, o potencial para reduzir a angústia psicológica e o sofrimento existencial em pacientes terminais representa uma aplicação ética e relevante da substância (GRIFFITHS et al., 2016 apud SILVA et al., 2021).
Contudo, a amostra selecionada aponta para limitações significativas que precisam ser superadas para a consolidação da terapia. A exclusividade de artigos de revisão de literatura e a escassez de Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) e estudos de caso clínico de alto rigor metodológico no cenário nacional impedem a determinação conclusiva da segurança e eficácia plena da psilocibina como terapêutica única. Autores como SANTOS e MEDEIROS (2021), em consonância com a comunidade científica internacional, constatam a necessidade urgente de mais ECRs e estudos observacionais robustos para firmar as evidências clínicas.
Reconhece-se que a presente pesquisa, por se limitar a artigos majoritariamente em Língua Portuguesa e a bases de dados específicas, apresenta um limite metodológico que deve ser explicitado. Para que o conhecimento e a robustez da análise sobre a psilocibina sejam ampliados, seria fundamental que futuras pesquisas superem essas barreiras, notadamente incluindo artigos em Língua Inglesa, que concentram o corpus central da produção científica. É igualmente importante mapear a produção acadêmica em diversas áreas correlatas, como Farmácia, Neurociência, Psiquiatria e Psicologia, visando uma visão mais interdisciplinar do fenômeno. O potencial terapêutico da psilocibina é inegável, mas sua plena e ética integração à prática clínica dependerá diretamente da superação dessas lacunas metodológicas e do avanço de pesquisas com maior rigor e abrangência internacional.
CONCLUSÃO
A presente revisão evidenciou que a psilocibina possui um forte potencial terapêutico no tratamento de transtornos de humor, ansiedade, dependência química e no cuidado paliativo de pacientes terminais, notavelmente na redução do sofrimento psíquico e existencial. Embora os achados sejam promissores, a produção científica nacional ainda é marcada pela escassez de ensaios clínicos robustos, prevalecendo revisões e estudos exploratórios. Essa prevalência é particularmente notável quando comparada à maturidade de estudos exploratórios e clínicos no Norte Global, indicando uma lacuna que precisa ser superada pela pesquisa brasileira.
As contribuições práticas desta revisão apontam para a necessidade premente de formação de profissionais de saúde capacitados em terapias assistidas por psicodélicos, bem como para a urgência na criação de protocolos clínicos seguros que integrem acompanhamento psicológico e médico.
No campo político e ético, destaca-se que a discussão sobre a psilocibina não pode se limitar a aspectos biomédicos. É crucial articular sua regulamentação dentro de uma política de drogas mais justa e menos repressiva, que priorize a redução de danos, a descriminalização e o acesso equitativo ao tratamento. Caso contrário, corre-se o sério risco de sua apropriação pelo mercado, transformando uma prática terapêutica promissora em um produto de elite.
Para o avanço do conhecimento, futuras pesquisas devem ampliar o escopo metodológico, incluindo bases internacionais, estudos randomizados controlados e investigações interdisciplinares que contemplem não apenas os efeitos clínicos, mas também as dimensões sociais, culturais e subjetivas do uso da psilocibina.
Assim, o debate sobre o uso terapêutico da psilocibina deve ser compreendido não apenas como um avanço científico na psiquiatria, mas também como parte de uma transformação social e política mais ampla em torno das drogas e da saúde mental.
REFERÊNCIAS
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