REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511101947
Marcela Santos Ferreira Rocha
Luís Fernando Barbosa Gomes
Aurino Ricardo de Sousa Silva
Maria Eduarda da Silva Santos
Orientadora: Profª. Msc. Karla Rakel Gonçalves Luz
RESUMO
Introdução: A plagiocefalia é caracterizada pelo achatamento unilateral do crânio (cabeça chata). O lactante é considerado com essa deformidade quando a largura do crânio (distância entre as orelhas) excede 81% do comprimento da frente. Objetivo: Analisar a atuação fisioterapêutica no acompanhamento de pacientes com plagiocefalia, e elencar os critérios e diagnósticos que indicam o uso de órteses craniana. Método: Refere-se a uma revisão bibliografia com levantamentos de Dados através das bases eletrônicas Scielo, PubMed, LILACS, BDENF e Google acadêmico, relativo a um período de 6 anos (2019 – 2025), que tratem respeito de uso de órtese craniana no tratamento da plagiocefalia. Resultados: Foram selecionados 35 estudos, No entanto somente 10 incluídos neste trabalho e revela que o uso de órtese craniana no tratamento da plagiocefalia em bebês é eficaz e eficiente para sanar as deformidades que a plagiocefalia pode deixa no bebê e livrando de tratamentos invasivos como cirurgias, dando o conforto no tratamento sem tira a qualidade de vida qualidade de vida. Conclusão: O uso de órtese craniana no tratamento da plagiocefalia, usar o capacete de forma adequada e respeita as visitas a fisioterapia para ajustar as órteses e com o olhar e exames físicos o fisioterapeuta pode ajustar a órtese com cuidado e dedicação para corrigir alguma assimetria existente e dar qualidade de vida esteticamente e motora.
Palavras – chave: Órtese craniana, fisioterapia, plagiocefalia, crânio, bebê.
ABSTRACT
Introduction: Plagiocephaly is characterized by unilateral flattening of the skull (a flat head). Infants are considered to have this deformity when the width of the skull (distance between the ears) exceeds 81% of the frontal length. Objective: To analyze the role of physical therapy in the management of patients with plagiocephaly and to identify the criteria and diagnoses that indicate the use of cranial orthoses. Method: This is a literature review with data collected from the electronic databases Scielo, PubMed, LILACS, BDENF, and Google Scholar, covering a 6-year period (2019–2025), addressing the use of cranial orthoses in the treatment of plagiocephaly. Results: Thirty-five studies were selected. However, only 10 were included in this study. The study reveals that the use of cranial orthoses in the treatment of plagiocephaly in babies is effective and efficient in correcting the deformities that plagiocephaly can cause, eliminating the need for invasive treatments such as surgery. This provides comfort during treatment without compromising quality of life. Conclusion: The use of cranial orthoses in the treatment of plagiocephaly involves wearing a helmet properly and respecting physical therapy appointments for orthosis adjustments. Through observation and physical examinations, the physical therapist can adjust the orthosis with care and dedication to correct any existing asymmetry and improve aesthetic and motor quality of life.
Keywords: Cranial orthosis, physical therapy, plagiocephaly, skull, baby.
1. INTRODUÇÃO
As deformidades cranianas mais comuns são a plagiocefalia, caracterizada pelo achatamento unilateral do crânio (cabeça chata). O lactante é considerado com essa deformidade quando a largura do crânio (distância entre as orelhas) excede 81% do comprimento da frente (Santos, 2015). Já a braquicefalia resulta no achatamento bilateral, podendo ser confundida com a plagiocefalia.
A Lei nº 9.656/98, junto com a Resolução Normativa 465/2021 da ANS, garante o direito dos bebês com plagiocefalia de terem acesso ao tratamento com órtese craniana através dos planos de saúde (BRASIL, 2021). No entanto, muitos pais ainda enfrentam desafios legais para garantir esse direito, sendo necessário recorrer aos tribunais para assegurar o tratamento adequado (Silva, 2019).
As órteses cranianas são dispositivos ortósios eficazes para a correção da assimetria da cabeça (Jung e Yun, 2020). As órteses cranianas podem ser de dois tipos: remodelação e projeção. (Santos, 2015). Estas devem ser usadas 23 horas por dia, de acordo com a indicação médica. O tratamento dura cerca de 3 a 6 meses ou de acordo com a necessidade do paciente. O uso da órtese craniana (capacete ou capacetinho) tem ganhado mais visibilidade e tem se mostrado como um tratamento seguro, sem efeitos colaterais, para as crianças (Aihra et al., 2014).
Os indícios comprovam que as assimetrias cranianas, como a plagiocefalia, podem causar distúrbios no processo auditivo, Déficit na visão, comprometimento do desenvolvimento motor, deformidade congênita do pescoço. Desvio lateral da coluna vertebral, desalinhamento e deformidade do septo nasal, influencia negativamente a força e o controle motor do bebê (BG Botelho · 2024). A avaliação pode ser feita com a utilização do craniômetro, instrumento destinado a medição do crânio, permite, por meio de cálculos específicos, identificar o valor correspondente aos critérios estabelecidos da assimetria do craniana.
Existe também a tecnologia do escaneamento 3D, que é muito utilizado atualmente, apesar do alto custo. Em situações de assimetria posicional, o tratamento consistirá no reposicionamento cefálico, na fisioterapia e na utilização de órtese craniana. (Sakemi et al., 2022).
Alguns parâmetros devem ser observados durante o processo avaliativo do paciente, como uma inspeção física, movimentos da cabeça e análise da flexibilidade e mobilidade do pescoço, sendo este fundamental, principalmente em casos associados ao torcicolo congênito, que pode ser um fator determinante no desenvolvimento da plagiocefalia (Graham e Schultz, 2018) (Holmes, M. 2019).
O tratamento clínico da deformidade craniana é tipicamente estratificado por gravidade, com múltiplas modalidades disponíveis para tratar vários graus de plagiocefalia. As estratégias de tratamento são ainda divididas em modalidades passivas (reposicionamento) e ativas (fisioterapia, terapia de remodelação craniana e cirurgia) (Watt, 2022).
Em casos mais simples de plagiocefalia, a terapia manual auxilia na restauração do movimento normal do pescoço, contribuindo para um ajuste adequado da postura cervical, podendo ser combinada com o uso de órtese para potencializar os resultados de forma mais eficiente (Smith et al., 2019). Pode ser útil para corrigir as assimetrias cranianas, enquanto a fisioterapia de alongamento passivo pode ser indicada para melhorar a mobilidade do pescoço e evitar o agravamento da deformidade (Martins et al., 2020) Aumentar a flexibilidade do pescoço, permitindo que o bebê movimente a cabeça com maior liberdade.
Dessa forma, o estudo proposto buscou não apenas aprofundar o conhecimento sobre as alternativas terapêuticas disponíveis, mas também oferecer um olhar mais atualizado sobre a implementação de tratamentos eficazes para a plagiocefalia, visando a recuperação ideal da criança e o fortalecimento do apoio à saúde.
2. METODOLOGIA
Este trabalho tratou-se de uma revisão de literatura sistemática com abordagem qualitativa, de caráter descritivo e com método de análise crítico reflexivo, utilizando-se de fontes secundárias referente à temática em questão.
A revisão sistemática é um tipo de pesquisa que utiliza a literatura de um determinado tema como base, que aplica métodos explícitos e sistemáticos com o objetivo de identificar, selecionar, avaliar e sintetizar estudos relevantes (Galvão e Pereira, 2014).
Para realização do presente estudo, houve uma busca nas bases de dados: SciELO (Scientific Electronic Library Online), PubMed (U.S. National Library of Medicine), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), BDENF (Base de Dados de Enfermagem) e Google acadêmico. Sendo utilizado nas linguagens inglês e português os seguintes descritores: plagiocephaly, cranial orthosis, helmet therapy, infant, positional skull deformity, órtese craniana, bebês, plagiocefalia posicional.
Após essa primeira triagem, foram utilizados como critérios de inclusão artigos publicados entre 2019 e 2025, estudos que abordavam o uso de órtese craniana em bebês de 0 a 24 meses com diagnóstico de plagiocefalia e abordagem de plagiocefalia de origem sindrômica ou craniossinostose. Já os critérios de exclusão foram artigos incompletos, revisões sem dados clínicos, estudos duplicados e os que fugiam do tema. Com isso foram encontrados 30 artigos, mas apenas 10 demonstraram relação com os critérios propostos.
Os resultados foram organizados em quadros, facilitando a apresentação e análise dos dados. Nos quadros constarão as seguintes informações: Autor, características da amostra, tipo de intervenção, principais variáveis e resultados esperados.
3. RESULTADOS
Quadro 01. Critérios de inclusão e exclusão
| BANCOS DE DADOS | NÚMEROS DE ARTIGOS ENCONTRADOS | ARTIGOS LIDOS | ARTIGO PUBLICADO EM 2019 Á 2025 | ARTIGO INCLUÍDO | ARTIGO EXCLUÍDO |
| SCIELO | 5 | 3 | 2 | 2 | 3 |
| LILACS | 7 | 4 | 3 | 2 | 5 |
| PUBMED | 10 | 5 | 5 | 2 | 8 |
| BDENF | 8 | 4 | 4 | 2 | 6 |
| GOOGLE ACADEMICO | 5 | 3 | 2 | 2 | 3 |
Quadro 02. Análise de autores
| AUTORES/ANO | CARACTERÍSTICA DA AMOSTRA | TIPO DE INTERVENÇÃO | PRINCIPAIS VARIÁVEIS | RESULTADO ESPERADO |
| Botelho, B. G. et al. (2024) | Revisão de literatura com relato de caso clínico de lactente com torcicolo e plagiocefalia postural | Fisioterapia manual e motora, uso de órtese craniana e reposicionamento postural | Amplitude de movimento cervical, tempo de uso da órtese e resposta ao tratamento | A combinação entre o uso da órtese e a fisioterapia apresentou melhora significativa na mobilidade cervical e simetria craniana |
| Sousa, C. C. P. de et al. (2025) | Revisão sistemática | Fisioterapia preventiva e corretiva | Início e duração de intervenção, alongamentos e indicação de órtese craniana | Melhor resultado em casos tratados precocemente com a fisioterapia |
| Aquino, M. S. N. (2023) | Revisão integrativa | Fisioterapia manual direcionada ao alongamento do esternocleidomastoideo | Amplitude de movimento cervical, medidas cranianas e período de reabilitação | As técnicas melhoram a amplitude cervical e reduzem a deformidade craniana |
| Rocha, A. B. et al. (2025) | Revisão integrativa de literatura | Avaliação fisioterapêutica e reposicionamento postural | Severidade da assimetria, início e duração do tratamento | Diagnóstico precoce e início da fisioterapia evitam a progressão da doença |
| Oliveira, C. M. et al. (2023) | Revisão sistemática | Uso de órtese craniana | Idade e tempo de uso, gravidade e adesão dos pais | Melhores resultados quando iniciados antes dos 6 meses, e acompanhamento fisioterapêutico |
| Atallah, H. et al. (2025) | Lactentes tratados com órteses cranianas feitas com impressão 3D | Uso de órtese personalizada em 3D | Proporção da assimetria craniana, tempo de uso, conforto | Redução da assimetria, menor custo benefício, melhor adesão à fisioterapia |
| van Cruchten, C. et al. (2022) | Estudo de crianças acompanhadas por até 5 anos com uso da órtese | Órtese craniana com ajustes periódicos | Correção de assimetria craniana e manutenção a longo prazo | Melhora significativa se iniciado precocemente, e com acompanhamento fisioterapêutico. |
| Gonçalves, R. (2019) | Estudos com 60 lactentes em um período de 24 meses | Uso de prótese continuo com reajuste mensal | Nível de assimetria craniana, início e tempo de uso | Correção duradoura, e melhores resultados nos que iniciaram antes do 6 meses |
| Ferreira, A.; Costa, L.; Souza, M. E. (2017) | 45 lactentes diagnosticados com plagiocefalia | Uso de órtese craniana em um período de 4 a 6 meses e fisioterapia | Nível de assimetria craniana, início e tempo de uso | Melhora significativa das assimetrias, e reforça o acompanhamento da fisioterapia |
| Jung, B. K.; I. S. (2020) | Revisão narrativa | Comparação entre tratamento fisioterapêutico, reposicionamento e uso de órtese craniana | Severidade, tempo de tratamento e adesão familiar | A órtese é eficaz em casos mais graves, já a fisioterapia nas formas mais leves |
4. DISCUSSÃO
O uso da prótese craniana em pacientes com plagiocefalia nos últimos anos tem sido cada vez mais estudado, isso se dá devido ao aumento de sua incidência, e como isso afeta esteticamente e funcionalmente o desenvolvimento dos crânios do acometidos. Segundo Botelho et al. (2024), o diagnóstico precoce, aliado ao uso da órtese craniana e o acompanhamento integrado entre fisioterapeuta e ortopedista, são mais eficazes para a correção das deformidades.
Sousa et al. (2025) reforçam a importância da intervenção fisioterapêutica de maneira precoce, voltada principalmente para o reposicionamento postural e alongamento muscular. Os autores destacam que o acompanhamento fisioterapêutico gera resultados satisfatórios, mas estes acompanhados do uso da órtese craniana, potencializa seus efeitos, desde que iniciados antes dos 6 meses de idade.
Na mesma linha de pensamento de Sousa et al., Aquino (2023) aponta que a terapia manual e exercícios de alongamentos apresentam melhora na amplitude de movimento cervical e correção de assimetrias leves e moderadas. Para tanto, seu estudo refere que o uso de órtese deve ser indicado quando há uma limitação na resposta fisioterapêutica.
Rocha et al. (2025) ampliam essa discussão quando refere que deve ser feita uma avaliação multidimensional, levando em consideração diversos fatores como idade, grau de assimetria e adesão familiar ao tratamento. E que a atuação fisioterapêutica não deve se restringir apenas aos fatores motores, mas também a orientação dos pais e o acompanhamento da evolução craniana.
Ao se levar em consideração a ortetização, ou seja, o uso da órtese por uma criança, Oliveira et al. (2023) apresenta em sua revisão sistemática, os fatores que influenciam o uso da órtese durante o tratamento, onde conclui que a idade em que se inicia o tratamento, o tempo que essa órtese será utilizada diariamente e a gravidade da deformidade apresentada, serão determinantes no processo terapêutico. O estudo também refere à adaptação do bebé ao uso da órtese, que deve ser feita pelo fisioterapeuta, onde deve assegurar conforto e alimento durante o seu uso.
Estudos internacionais, como o de Atallah et al. (2025), podemos observar avanços tecnológicos no processo de produção de órteses, com o uso da impressão 3D para a confecção. Isso permite que haja um melhor ajuste à anatomia do paciente, diminuição dos custos de produção e melhor adesão ao tratamento. A atuação do fisioterapeuta continua sendo primordial, para se ter um melhor alinhamento postural e diminuição nas compensações posturais ocasionadas pelo uso da órtese.
Van Cruchten et al. (2022), observaram que os efeitos positivos do uso da órtese são mais longínquos quando realizados de maneira precoce, e junto ao tratamento fisioterapêutico. O acompanhamento a longo prazo, ou seja, aqueles que fizeram o tratamento combinado de uso de órtese e acompanhamento fisioterapêutico por cinco anos, apresentaram melhor simetria craniana, e menor chances de recidiva.
Assim como Van Cruchten et al. (2022) em seu estudo Gonçalves (2019), investigou os efeitos que o uso da órtese craniana tem a longo prazo, e constatou que além da correção estética, que é a principal motivação para seu uso, há também os benefícios funcionais e de desenvolvimento motor. Nisso, a fisioterapia exerce papel fundamental na reabilitação motora e prevenção de posturas inadequadas.
Ferreira, Costa e Souza (2017) reforçam a importância e benefícios do uso da órtese craniana, destacando o acompanhamento fisioterapêutico na otimização da resposta ao tratamento. O estudo também reforça a importância da interação de fisioterapeuta, pediatras e ortopedistas para que haja o sucesso clínico.
Por fim, Jung e Yun (2020) consideram que o diagnóstico e abordagem precoce são fatores determinantes para o sucesso no tratamento, onde destacam a fisioterapia como peça essencial tanto na identificação quando na manutenção da simetria craniana.
Em resumo, ao analisar os dez estudos, é notório que o tratamento da plagiocefalia se torna mais eficaz quando realizado de forma interdisciplinar, principalmente com o acompanhamento precoce do fisioterapeuta. A combinação do uso de órteses craniana, terapias manuais e exercícios guiados oferecem resultados satisfatórios tanto esteticamente quanto funcionalmente, colaborando assim para o desenvolvimento saudável do bebé.
5. CONCLUSÃO
A plagiocefalia é uma condição de alta prevalência na primeira infância, e exige intervenção terapêutica precoce e multidisciplinar. A literatura corrobora que a atuação fisioterapêutica é de fundamental importância no diagnóstico e acompanhamento durante o tratamento do bebé, realizando as avaliações posturais, técnicas manuais e orientação aos familiares. A intervenção precoce influi diretamente no tratamento, contribuindo nas correções assimétricas e prevenção de deformidades.
O uso de órteses cranianas apresenta-se como um recurso complementar, sendo importante principalmente em casos moderados e graves, onde a resposta ao tratamento isolado da fisioterapia é limitada. O acompanhamento do fisioterapeuta na adaptação do bebé à órtese garante um maior conforto, segurança e modelagem adequada. Além disso, a combinação entre fisioterapia e uso de órtese promove melhores resultados estéticos e funcionais ao bebé.
Por fim, vemos que o sucesso no tratamento da plagiocefalia depende de uma intervenção integrada entre diversos profissionais, e que todos tenham conhecimento técnico, realizem acompanhamento constante e estejam sempre orientando os familiares. O fisioterapeuta como profissional de linha de frente nesse processo, consolida-se como profissional indispensável na reabilitação e desenvolvimento infantil.
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