USE OF NON-INVASIVE MECHANICAL VENTILATION (NIMV) IN THE MANAGEMENT OF CARDIOGENIC ACUTE PULMONARY EDEMA (CAPE): AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202508311731
Daiara Dalmaso da Silva1
Valério Bortolini2
Haroldo Junior Bianchini Moreno3
Vitor Pereira de Albuquerque4
Ezequiel Kleber Carpes Menezes5
Resumo
Este artigo investiga o uso da ventilação mecânica não invasiva (VMNI) no manejo do edema agudo pulmonar cardiogênico (EAPC), uma condição grave associada à insuficiência cardíaca congestiva. A problemática central do estudo reside na necessidade de discutir a eficácia e a aplicabilidade clínica da VMNI nesse contexto. O objetivo é analisar os benefícios das duas principais modalidades de VMNI, considerando seus efeitos fisiológicos, indicações e impacto clínico. Metodologicamente, trata-se de uma revisão bibliográfica baseada em estudos clínicos e diretrizes publicadas entre os anos de 2019 e 2025. Os resultados indicam que a VMNI contribui para a redução da sobrecarga cardíaca, melhora da troca gasosa e diminuição do tempo de internação hospitalar, além de reduzir complicações associadas à ventilação invasiva. Entretanto, observou-se escassez de estudos clínicos recentes e originais sobre o tema, o que evidencia a necessidade de mais pesquisas aplicadas para consolidar os achados. Conclui-se que o uso precoce e criterioso da VMNI representa uma abordagem segura e eficaz no tratamento do EAPC, desde que aplicada com base em protocolos bem definidos e monitoramento adequado.
Palavras-chave: Edema pulmonar cardiogênico. Ventilação mecânica não invasiva. Insuficiência cardíaca. Manejo clínico. Insuficiência respiratoria.
1. INTRODUÇÃO
O sistema cardiovascular é composto pela circulação pulmonar (que vai do coração aos pulmões e volta ao coração) e pela circulação sistêmica (que vai do coração aos tecidos e retorna ao coração). A Insuficiência cardíaca congestiva é uma condição clínica complexa em que o coração não consegue funcionar adequadamente como uma bomba sanguínea para atender às necessidades metabólicas dos tecidos e órgãos essenciais, ou só consegue fazê-lo quando as pressões de enchimento estão muito elevadas, podendo levar ao acúmulo de líquidos em diversas partes do corpo (Araújo; De Assis, 2020).
De acordo como Protocolo Clínico e as Diretrizes Terapêuticas para Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida, que tem o CID 150.0, os sinais e sintomas clínicos não são exclusivos dessa condição. Entre eles, destacam-se a dispneia, o aumento da frequência respiratória, o cansaço, a taquipneia e a tosse, os quais devem ser avaliados por meio de exames complementares(Brasil, 2024).
O edema agudo pulmonar cardiogênico (EAPC) é uma condição clinica grave que ocorre por acúmulo de líquido no espaço intersticial pulmonar e dos alvéolos, devido aumento da pressão dos capilares causado pela insuficiência cardíaca, esse acúmulo de fluido compromete a troca gasosa, causando dificuldades respiratórias significativas, podendo levar à insuficiência respiratória. Os sinais clínicos da EAPC são: dispneia, tosse seca ou secreção espumosa que pode ser rosácea, cianose, dor torácica, agitação, ansiedade, depressão respiratória, dor precordial até torpor, na ausculta pulmonar apresenta eventuais crepitações (Brasil, 2020).
A ventilação não invasiva (VNI) é uma estratégia terapêutica que utiliza pressão positiva para auxiliar na respiração sem a necessidade de intubação endotraqueal. Dentre as modalidades de VNI, duas são amplamente utilizadas: CPAP- Continuous Positive AirwayPressure e BiPAP- Bilevel Positive AirwayPressure (Laforga; Nacata, 2020).
O CPAP fornece uma pressão contínua nas vias aéreas durante todo o ciclo respiratório, ajudando a manter as vias respiratórias abertas, especialmente em pacientes com apneia obstrutiva do sono e insuficiência respiratória aguda. Esse método é útil para tratar condições como edema pulmonar cardiogênico, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e outras formas de insuficiência respiratória. O CPAP não varia a pressão ao longo do ciclo respiratório, mantendo-a constante durante a inspiração e expiração. O BiPAP, por outro lado, oferece duas pressões distintas: uma pressão mais alta durante a inspiração (IPAP – Inspiratory Positive AirwayPressure) e uma pressão mais baixa durante a expiração (EPAP – Expiratory Positive AirwayPressure). Isso facilita a troca gasosa, reduz a resistência das vias aéreas e melhora a ventilação alveolar. O BiPAP é frequentemente utilizado em pacientes com insuficiência respiratória crônica ou aguda, como em casos de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), exacerbações graves e em pacientes com dificuldades em manter a ventilação por si mesmos (Madoxx et al.,2021).
É fundamental que os profissionais compreendam os mecanismos de ação da Ventilação Não Invasiva (VNI) no tratamento do edema agudo de pulmão cardiogênico (EAPC), por apresentar uma resposta terapêutica favorável, bem como qual modo ventilatório apresenta maior eficácia. Diante disso, este estudo tem como propósito enfatizar a relevância da utilização da VNI no manejo do EAPC.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Edema Agudo Pulmonar Cardiogênico (EAPC)
O Edema Agudo Pulmonar Cardiogênico (EAPC) é caracterizado como uma emergência médica decorrente do acúmulo súbito de líquido nos espaços intersticiais e alvéolos pulmonares, resultante do aumento abrupto da pressão hidrostática nos capilares pulmonares, causado pela disfunção do ventrículo esquerdo. Essa falha no bombeamento sanguíneo leva ao aumento da pressão na circulação pulmonar, promovendo a transudação de líquido para o tecido pulmonar (Brasil, 2020).
Entre as principais causas e fatores de risco para o EAPC destacam-se a isquemia miocárdica, que compromete a função ventricular esquerda, as doenças valvares, como estenose ou insuficiência mitral, emergências hipertensivas, que elevam abruptamente a pós-carga cardíaca, e arritmias que prejudicam a eficiência do bombeamento sanguíneo. Outros fatores adicionais incluem hipertensão arterial sistêmica, doenças cardíacas pré-existentes e idade avançada (Brasil, 2024).
O impacto do EPAC nas funções cardiovasculares como a diminuição do débito cardíaco, a hipotensão, e o choque cardiogênico causado pela sobrecarga imposta ao coração, ou seja, o coração não consegue suprir as necessidades metabólicas impostas pelo corpo. Conforme Neri et al., (2022), o aumento da pré-carga leva o coração a intensificar sua força de contração, de acordo com a Lei de Frank. Contudo, esse aumento contínuo da pré-carga sobrecarrega o coração, reduzindo sua capacidade de contração e dificultando o bombeamento do sangue para fora do ventrículo. Quando ocorre falha no ventrículo esquerdo, o sangue não é completamente bombeado para a circulação sistêmica, resultando no retorno do sangue aos pulmões, o que aumenta a pressão nas artérias pulmonares e capilares. Esse processo inicial causa edema intersticial e, com a progressão, leva ao extravasamento de líquidos para os alvéolos, provocando o edema pulmonar agudo de origem cardiogênica, o que prejudica a oxigenação e a eliminação de CO2, afetando a hematose.
O conhecimento aprofundado sobre as definições, causas e fatores de risco do EAPC é essencial para os profissionais de saúde, pois favorece o diagnóstico precoce e possibilita intervenções imediatas, reduzindo a mortalidade associada à condição. Além disso, permite a escolha adequada do tratamento, como o uso da ventilação mecânica não invasiva (VNI), cuja eficácia será abordada na próxima seção. A identificação dos fatores de risco também é crucial para a implementação de medidas preventivas, como o controle rigoroso da pressão arterial e o manejo adequado das doenças cardíacas subjacentes, reforçando a importância da VNI como alternativa terapêutica (Brasil, 2024; Neri, et al., 2022).
2.2 Modalidades da Ventilação Mecânica Não Invasiva (VNI) e benefícios para além do Edema agudo pulmonar.
Para a defesa da ventilação mecânica não invasiva no tratamento da EAPC partimos de sua definição. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina Intensiva (Amib, 2023) trata-se de um tipo de suporte ventilatório que utiliza um ventilador mecânico para administrar pressão positiva nas vias aéreas através de uma interface não invasiva, como uma máscara nasal ou facial, ela se diferencia da ventilação mecânica invasiva por que não requer a intubação endotraqueal do paciente. Ademais, trata-se de um método de suporte ventilatório que emprega pressão positiva administrada por meio de um ventilador e aplicada através de uma máscara. Seu principal objetivo é otimizar a função respiratória, melhorar a oxigenação e reduzir a necessidade de intubação, desempenhando um papel fundamental no manejo do edema agudo de pulmão de origem cardiogênica.
Diversos estudos indicam a eficácia da VNI no tratamento do EAPC, especialmente na melhora dos parâmetros respiratórios e hemodinâmicos. Urganci (2025) destaca que a VNI promove aumento do débito cardíaco e melhora da capacidade residual funcional, resultando em menor esforço respiratório e melhor oxigenação. Neri, et al.,(2022) complementam que as principais modalidades da VNI são o CPAP (Continuous Positive AirwayPressure) e o BiPAP (Bilevel Positive AirwayPressure), cada uma com suas características específicas.
O CPAP mantém uma pressão positiva contínua durante todo o ciclo respiratório, favorecendo a permeabilidade das vias aéreas, a melhora da oxigenação e a redução do esforço respiratório. É indicado classicamente para apneia do sono e edema pulmonar cardiogênico, atuando também em outras insuficiências respiratórias (Neri et al., 2022; Laforga; Nocata, 2020).
Já o BiPAP oferece dois níveis distintos de pressão: maior na inspiração (IPAP) e menor na expiração (EPAP), facilitando tanto a ventilação quanto a oxigenação, com redução significativa do trabalho respiratório. É recomendado em insuficiência respiratória aguda e em pacientes com hipercapnia, podendo evitar a necessidade de intubação orotraqueal (Neri, et al., 2022; zanza, 2023).
A eficácia da VNI está associada à melhora das trocas gasosas, evidenciada pelo aumento da pressão parcial e saturação de oxigênio, redução da hipercapnia e correção da acidose respiratória. Além disso, a VNI diminui a frequência e o trabalho respiratório, atenua a fadiga muscular, melhora a ventilação alveolar e aumenta a complacência pulmonar (De Miranda, et al., 2022). Abaixo apresentamos um quadro para elucidar as duas modalidades:
Quadro 1– Modalidades de Ventilação Não Invasiva (VNI): CPAP e BiPAP

Elaborado pela autora (2025)
Laforga e Nocata (2020) ressaltam que o CPAP é uma opção segura e eficaz para o manejo do EAP, pois promove a remoção do fluido alveolar, melhora o desempenho cardíaco e reduz a sobrecarga pulmonar, resultando na melhora dos sintomas e da função pulmonar. Porém, Neri et al., (2022) alertam que o CPAP não é indicado em pacientes com instabilidade hemodinâmica ou obstrução das vias aéreas superiores, devido ao risco de agravamento do quadro.
Zanza (2023) destaca que a oxigenoterapia deve ser utilizada apenas em casos de hipoxemia, evitando efeitos adversos em pacientes normoxêmicos. Ainda segundo o autor, tanto o CPAP quanto a VNI de dois níveis apresentam melhora clínica significativa no EAPC, embora o impacto na mortalidade ainda demande mais estudos. Em caso de falha da VNI em até duas horas, a ventilação mecânica invasiva deve ser considerada (Zanza, 2023).
Comparada à ventilação invasiva, a VNI, especialmente o CPAP, apresenta vantagens como menor risco de infecções nosocomiais, maior conforto e mobilidade do paciente, além de facilitar a recuperação (Martins, et al., 2024). Entretanto, o uso da VNI requer monitoramento contínuo dos sinais vitais e exames complementares para assegurar a efetividade do tratamento e evitar complicações (Martins; Baptista; Teixeira, 2024).
A escala HACOR é um instrumento clínico que permite prever precocemente o risco de falha da VNI em insuficiência respiratória aguda, auxiliando na tomada de decisões sobre a necessidade de ventilação invasiva e contribuindo para a redução da mortalidade (Chong, 2024).
Além do EAPC, a VNI tem sido aplicada com sucesso em outras condições respiratórias. Spadari e Gardenghi (2020) discutem a eficácia da VNI no contexto da COVID-19, destacando sua capacidade de melhorar a oxigenação, reduzir o trabalho respiratório e diminuir a necessidade de intubação, especialmente em ambientes com recursos limitados. Lima et al., (2021) comparam a VNI e a cânula nasal de alto fluxo (CNAF) no pós-operatório de cirurgias cardíacas pediátricas, evidenciando que a VNI permite melhor controle da pressão das vias aéreas e redução do dióxido de carbono.
Estudos complementares indicam que a VNI pode minimizar procedimentos invasivos, reduzir shunts intrapulmonares, melhorar a relação ventilação-perfusão, ampliar a capacidade residual funcional e contribuir para a redução do tempo de internação e da mortalidade (Madoxx et al., 2021; Araújo; Assis, 2020).
As Diretrizes da EuropeanRespiratory Society e da American Thoracic Society (ERS/ATS, 2017) reforçam o uso da VNI para insuficiência respiratória aguda em diversas condições, incluindo o EAP, enfatizando a importância do julgamento clínico aliado à monitorização cuidadosa.
Assim, a ventilação mecânica não invasiva, especialmente nos modos CPAP e BiPAP, consolida-se como uma abordagem segura, eficaz e menos invasiva no manejo do EAPC, promovendo melhora clínica significativa, redução da necessidade de intubação e desfechos positivos (Rodríguez; García; Maceo, 2021).
3. METODOLOGIA
Este estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa, cujo objetivo é descrever e discutir a eficácia da ventilação mecânica não invasiva no manejo do edema agudo pulmonar cardiogênico (EAPC). A revisão foi conduzida com base na análise crítica de artigos científicos publicados entre os anos de 2019 a 2025. A coleta dos dados ocorreu entre os meses de março a maio de 2025, por meio das plataformas Google Acadêmico, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), SciELO e Periódicos CAPES.
Para a busca, foram utilizados os seguintes descritores: “Ventilação Não Invasiva”, “Edema Pulmonar Cardiogênico”, Ventilação Mecânica Continuous Positive AirwayPressure e Bilevel Positive AirwayPressure, “aplicação de ventilação mecânica não invasiva” “tipos de ventilação mecânica não invasiva”, “Insuficiência Respiratória”. Como critério de inclusão, foram selecionados estudos publicados no período de 2019 a 2025, que estivessem em português e/ou em inglês, om texto completo disponível e que abordassem diretamente a temática proposta. Foram excluídos estudos repetidos, incompletos ou que não apresentassem relação direta com o objeto de investigação.
A princípio foram encontrados 6542 artigos, após a aplicação dos filtros de data e tema, restaram 550 artigos, dos 480 foram excluídos com base na leitura dos títulos e resumos. Ao final da triagem, foram selecionados 70 para leitura completa, resultando em 10 artigos utilizados na composição desta revisão.
Embora não tenha sido adotada uma ferramenta formal de avaliação da qualidade metodológica dos estudos (como CASP ou PRISMA), os artigos foram analisados quanto à relevância temática, consistência metodológica, atualidade e aplicabilidade clínica. Os dados extraídos foram organizados em uma matriz de evidências, a fim de facilitar a comparação entre os achados dos diferentes estudos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
De acordo com o exposto no quadro 02, são apresentadas informações a respeito dos 10 artigos contidos na discussão desta revisão de literatura. Foram interpretados e sintetizados todos os resultados, através de uma comparação dos dados evidenciados na análise dos artigos.
Quadro 2- Matriz de coleta de dados principais sobre o uso da VMNI no EAPC (2019–2024).


Elaborado pelos autores (2025)
A Ventilação Mecânica Não Invasiva (VNI) tem se mostrado uma estratégia eficaz no manejo do Edema Agudo Pulmonar Cardiogênico (EAPC), promovendo melhora significativa na oxigenação, redução da dispneia e diminuição da necessidade de intubação orotraqueal. Diversos estudos como os De Miranda, et al., (2022) Neri et al., (2022), Laforga; Nocata (2020) destacam que o uso do CPAP e do BiPAP impacta diretamente na redução da pressão transmural do ventrículo esquerdo, diminuindo o retorno venoso e melhorando a função cardiorrespiratória.
O CPAP, ao manter uma pressão positiva constante nas vias aéreas, previne o colabamento alveolar, reduzindo o esforço respiratório e otimizando a troca gasosa. Estudos demonstram que pacientes tratados com CPAP apresentam melhora clínica rápida, com redução da taquipneia e do desconforto respiratório em poucos minutos após a sua aplicação. O BiPAP, por sua vez, tem sido indicado para casos de EAPC em que há sinais de fadiga muscular respiratória. A pressão inspiratória positiva intermitente fornecida pelo BiPAP auxilia na ventilação alveolar e na eliminação do dióxido de carbono, sendo particularmente benéfico para pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) associada ao quadro de insuficiência cardíaca (Dias, et al., 2020).
Os estudos conduzidos e trazidos por para as discussões no presente artigo abordam o uso de CPAP e BiPAP em pacientes com EAPC e concluiu que ambos os métodos são eficazes na redução dos sintomas respiratórios. No entanto, os estudos apresentados mostram que a BiPAPapresenta maior eficácia em pacientes com retenção de CO2 e fadiga respiratória, enquanto o CPAP foi mais eficiente na melhora hemodinâmica e na redução do trabalho respiratório.
Apesar dos benefícios comprovados da VNI, sua aplicação deve ser criteriosa e individualizada, considerando-se o quadro clínico do paciente e a presença de contraindicações, como instabilidade hemodinâmica grave, alteração do nível de consciência e secreção excessiva nas vias aéreas. Ademais, a adesão do paciente ao método é essencial para o sucesso da terapia, sendo necessária uma monitorização contínua por parte da equipe multiprofissional.
6. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
As evidências reunidas neste estudo reforçam a relevância da ventilação mecânica não invasiva (VNI) como estratégia terapêutica eficaz no manejo do edema agudo pulmonar cardiogênico (EAPC). A VNI, ao promover melhora da oxigenação, redução do esforço respiratório e diminuição da necessidade de intubação orotraqueal, consolida-se como uma abordagem segura e eficiente, especialmente quando iniciada precocemente e com monitoramento adequado.
Dentre as modalidades analisadas, o CPAP (Continuous Positive AirwayPressure) demonstrou benefícios expressivos na redução da sobrecarga pulmonar e na manutenção da permeabilidade das vias aéreas, sendo especialmente indicado em casos clássicos de EAPC. Já o BiPAP (Bilevel Positive AirwayPressure) mostrou-se mais apropriado em situações associadas à hipercapnia e fadiga muscular respiratória, por proporcionar suporte ventilatório mais dinâmico.
Além do EAPC, a literatura revisada aponta a aplicabilidade da VNI em outros contextos clínicos, como no pós-operatório de cirurgias cardíacas, em quadros de insuficiência respiratória aguda e em pacientes com COVID-19. Essas evidências reforçam a versatilidade da técnica e sua contribuição para a melhoria dos desfechos clínicos.
Como limitação deste estudo, destaca-se a escassez de ensaios clínicos atualizados e originais específicos sobre a utilização da VNI no EAPC. A predominância de estudos de revisão e dados secundários pode comprometer a generalização dos resultados às práticas clínicas contemporâneas, o que evidencia a necessidade de mais pesquisas empíricas, com metodologias e recortes temporais recentes.
Conclui-se que a VNI representa um meio eficaz para a prática clínica em unidades de emergência e terapia intensiva. Sua eficácia, entretanto, depende da correta indicação, da capacitação da equipe multiprofissional e da individualização da conduta terapêutica. Recomenda-se, portanto, a ampliação de protocolos clínicos baseados em evidências, assim como o incentivo à realização de estudos atualizados que aprofundem o conhecimento sobre os benefícios e limites dessa modalidade ventilatória no tratamento do EAPC.
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1Residente de Fisioterapia do Programa de Residência Multiprofissional em Urgência e Emergência- Pronto Socorro- HEURO. E-mail: daiaradalmaso@hotmail.com.
2Especialista em Fisioterapia Intensiva Adulto. E -mail: valeriobortolini@hotmail.com.
3Fisioterapeuta Especialista em Terapia Intensiva do Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Hospitalar- HEURO. E-mail: haroldojbm@gmail.com.
4Médico Especialista em Clínica Médica do Programa de Residência Médica- HRC. E -mail: vi_@hotmail.com.
5Enfermeiro Especialista em Enfermagem na UTI pelo Centro Universitário Venda Nova do Imigrante. E-mail: ezequielcarpes1998@gmail.com.
