USE OF PROPRIOCEPTIVE NEUROMUSCULAR FACILITATION IN THE TREATMENT OF GAIT IN ELDERLY PEOPLE WITH PARKINSON´S DISEASE: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511091532
Maria Clara Silva de Pontes1
Nandara Oliveira da Silva1
Amanda Caroline de Andrade Ferreira2
Cícero Romão da Silva Santos2
Resumo
Introdução: A Doença de Parkinson (DP) é uma condição neurológica progressiva que compromete o sistema nervoso central e provoca sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão nos movimentos, desequilíbrio e alterações na marcha. Esses sintomas afetam diretamente a autonomia e a qualidade de vida dos idosos diagnosticados com a doença. Apesar de o tratamento medicamentoso ser essencial para o controle clínico, a fisioterapia exerce um papel indispensável na reabilitação e manutenção da funcionalidade. Entre as abordagens utilizadas, a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) tem ganhado destaque por utilizar movimentos direcionados e estímulos sensoriais que ativam os proprioceptores, contribuindo para a melhora do controle motor, da força e da coordenação muscular. Objetivo: Investigar, por meio de uma revisão bibliográfica integrativa, a eficácia da FNP na melhora da funcionalidade de idosos com Doença de Parkinson, com ênfase nas alterações da marcha. Metodologia: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, com base em artigos publicados nos últimos dez anos. A seleção dos estudos ocorreu a partir da leitura dos títulos, resumos e, posteriormente, da análise completa dos textos. As informações extraídas incluíram os objetivos, métodos, resultados e conclusões de cada artigo. Resultados: Os estudos indicaram que o uso da FNP contribuiu de forma significativa para a melhora da marcha, do equilíbrio e da mobilidade dos pacientes com DP. Além disso, a técnica mostrou potencial na prevenção da sarcopenia e na redução de quedas. Também foram observados benefícios emocionais, como aumento da autoconfiança e da segurança ao realizar as atividades do dia a dia, o que contribui para a autonomia do paciente. Conclusão: A FNP demonstrou ser uma técnica eficaz e promissora no tratamento da Doença de Parkinson, especialmente quando combinada à fisioterapia convencional. Contudo, ainda há necessidade de mais estudos que aprofundem e validem cientificamente sua aplicação.
Palavras-chave: Doença de Parkinson. FNP. Fisioterapia. Funcionalidade. Marcha.
1 INTRODUÇÃO
Compreende-se a senescência como um processo natural do envelhecimento, sendo contínuo e dinâmico, no qual existem alterações morfológicas, bioquímicas e funcionais, que permitem que o organismo esteja em maior susceptibilidade a agentes agressores. Ao decorrer do envelhecimento nota-se o aumento de diversas doenças, em especial doenças que causam alterações sensoriais e motoras. (Silva, 2017).
A Doença de Parkinson é uma condição degenerativa crônica progressiva e de causa multifatorial que afeta por sua vez o sistema nervoso, causando os sintomas de tremor, bradicinesia, rigidez, fraqueza muscular e instabilidade postural. Ademais, pode causar cãibras e parestesia nos membros, afetando sobretudo a capacidade funcional da marcha. Sendo a segunda patologia neurodegenerativa mais prevalente nos idosos, acometendo ambos os sexos a partir dos 50 anos de idade. (Alvarado, 2020).
O tratamento medicamentoso, é comumente utilizado para controlar os sintomas, mas além dele, a fisioterapia desempenha um papel crucial no manejo da doença. Através de exercícios de reabilitação específicos, como os voltados para a mobilidade, equilíbrio, força muscular e educação sobre prevenção de quedas são viáveis e contribuem para a diminuição da taxa de desabamento corporal em pacientes com Doença de Parkinson leve a moderada (Morris et, al. 2015).
Um tratamento proposto que atue na diminuição dos efeitos do envelhecimento é a técnica da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) sendo um método que emprega movimentos diagonais e tridimensionais, tendo em vista a facilitação, fortalecimento, ganho de controle e coordenação dos movimentos. Atuando também em proprioceptores que promovem uma evolução para a coordenação motora. (Almeida, 2017).
A técnica da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) é uma abordagem terapêutica empregada na reabilitação da marcha de pacientes com Parkinson. Elaborada por Herman Kabat em 1940, a princípio para tratar pacientes com poliomielite, a técnica foi posteriormente ampliada por Sedgewick Mead, que comprovou sua eficácia no tratamento de diversas condições neurológicas, oferecendo uma nova perspectiva para a reabilitação de pacientes com Parkinson. (de Carvalho, 2014).
A reabilitação por meio da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) tem sido reconhecida como uma abordagem relevante no contexto terapêutico da Doença de Parkinson (DP), uma vez que emprega padrões específicos de movimento funcional associados à resistência, a estímulos sensoriais e a comandos verbais, com o propósito de ativar e otimizar a resposta do sistema neuromuscular (de Carvalho, 2014).
Tal técnica visa promover aprimoramento da mobilidade e da força muscular, sendo que evidências científicas sugerem que a FNP pode contribuir para a atenuação de sintomas motores característicos da DP, como a bradicinesia e a rigidez. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão da literatura, a aplicação das técnicas de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva no tratamento das alterações da marcha em idosos com Doença de Parkinson.
O presente artigo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão da literatura, o uso das técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) no tratamento das alterações das alterações da marcha em idosos com doença de Parkinson. Além disso, pretende-se identificar os fundamentos teóricos e as aplicações práticas da FNP, destacando sua relevância no contexto da reabilitação neuromotora.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Doença de Parkinson
De acordo com Lopes et. al. (2023) A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa caracterizada pela destruição de neurônios, principalmente da substância negra, os neurônios dopaminérgicos, que produzem e liberam dopamina, neurotransmissor do movimento. Essa afirmação apresenta a DP como condição limitante no que se refere ao movimento, devido ao comprometimento da síntese de dopamina. A DP, tem etiologia em controversa, pode ser ocasionada por diversos fatores: fatores genéticos, exposição a neurotoxinas ambientais, estresse oxidativo, anormalidades mitocondriais e excitotoxidade. Além disso, apresenta sintomas característicos de tremor de repouso, rigidez muscular, bradicinesia, déficit de equilíbrio e alterações posturais.
2.2. Características da marcha
“A marcha humana é um dos assuntos mais estudados dentro da Biomecânica, motivado por curiosidade, necessidade ou constante evolução nos métodos e técnicas de investigação”. (Lessa et al. 2018, p 22)
Para Kınacı-Biber et. Al (2025) (apud Ouchi et al. 1999; Takakusaki 2013) a marcha origina-se de atividade sensório-motora e inclui uma rede de centros de locomoção na medula espinhal e tronco encefálico, e interage com outras estruturas: o cerebelo, gânglios da base, tálamo e áreas corticais no córtex cerebral, caso ocorra conexões neurais anormais nessas áreas pode afetar a funcionalidade.
Alvarado (2020) explica que na doença de Parkinson, há diminuição da dopamina e a funcionalidade da marcha é afetada, apresentando baixa ativação muscular e passos curtos. Diante disso, a reabilitação torna-se fundamental para estimular essa ativação, promover maior estabilidade e melhorar o desempenho funcional do paciente.
2.2.1. Marcha parkinsoniana
Segundo Oglouian (2016) marcha parkinsoniana é descrita com diminuição dos passos largos, da cadência, da velocidade e dos distúrbios associados na amplitude do movimento, o que traz a disfunção e essas alterações comprometem o controle motor e a coordenação, dificultando a locomoção e a estabilidade postural do paciente.
Silva et. Al (2020) afirma que as atividades dinâmicas, como a marcha, se tornam difíceis de executar, os movimentos que ocorrem entre tornozelo, quadril e tronco são perdidos e a coordenação é comprometida.
Sabe-se que o treinamento de força melhora a marcha, embora poucas medidas quantitativas tenham sido obtidas para garantir que este treino apresente evolução da marcha em pacientes portadores de Parkinson. (Oglouian, 2016)
Portanto, deve-se trabalhar continuamente para se obter bons resultados e não haver perda da evolução, já que a doença é progressiva. A partir disso, a FNP propõe levar um tratamento positivo, motivador e incentivador, sendo uma técnica de fácil acesso e pode oferecer resistência, como também seguir a capacidade do paciente e inicialmente ser realizada sem carga, promovendo, assim, tanto a potencialidade física do paciente, quanto sua saúde psicológica. (Silva et al, 2020)
2.3. Facilitação neuromuscular proprioceptiva
Criada por Herman Kabat em 1940, inicialmente para tratar pacientes com poliomielite, a técnica foi posteriormente ampliada por Sedgewick Mead, que comprovou sua eficácia no tratamento de diversas condições neurológicas, oferecendo uma nova perspectiva para a reabilitação de pacientes com Parkinson. (de Carvalho, 2014)
A palavra facilitação está relacionada ao conceito de tornar fácil, com relação à Fisioterapia, essa facilidade está ligada ao melhoramento e fluidez dos movimentos cinético- funcionais. Neuromuscular, significa que é trabalhado o sistema motossensorial, e o termo proprioceptivo refere-se à estimulação dos receptores neurais que influenciam no movimento e posicionamento corporal. (de Carvalho, 2014). Esse conceito enfatiza a importância de estratégias terapêuticas que promovam a facilitação neuromuscular proprioceptiva, pois essa abordagem favorece a melhora da coordenação, do controle motor e da eficiência dos movimentos, contribuindo diretamente para a reabilitação funcional do paciente.
Os padrões de movimento FNP têm direção diagonal e tridimensional e contribuem para a realização de movimentos funcionais na reabilitação das atividades de vida diária. (Silva et al, 2020)
Os procedimentos básicos para a facilitação são:
Resistência: auxilia a contração muscular e o controle motor, aumenta a força e incrementa a aprendizagem motora.
Irradiação e reforço: utilizam a propagação da resposta ao estímulo. Contato manual: aumenta a força e guia o movimento com toque e pressão.
Posição corporal e biomecânica: guiam e controlam o movimento ou a estabilização.
Comando verbal: utiliza palavras e tom de voz apropriados para direcionar o paciente.
Visão: guia o movimento e aumenta o empenho.
Tração e aproximação: o alongamento ou a compressão dos membros e do tronco facilitam o movimento e a estabilidade.
Estiramento: o alongamento muscular e o reflexo de estiramento facilitam a contração e diminuem a fadiga muscular.
Sincronismo de movimento: promove sincronismo normal e aumenta força da contração muscular através da sincronização para ênfase.
Padrões: movimentos sinérgicos em massa são componentes do movimento funcional normal.
(de Carvalho, 2014, p.8)
2.3.1. Efeitos da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva na marcha de idosos com mal de Parkinson
A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) tem se mostrado uma estratégia eficaz para promover ganhos funcionais em idosos e indivíduos com alterações neurológicas. Essa técnica atua estimulando receptores proprioceptivos, favorecendo a ativação das unidades motoras e a integração sensório-motora, o que melhora a força, a coordenação e a fluidez dos movimentos (de Carvalho, 2014; Chang et al., 2015). Em condições como a Doença de Parkinson, caracterizada por comprometimento da força muscular e instabilidade postural, a FNP se apresenta como recurso terapêutico relevante para otimizar o controle motor e a funcionalidade da marcha.
Estudos demonstram benefícios concretos da FNP em diferentes contextos. Silva et al. (2017) observaram melhora significativa no equilíbrio postural e redução do risco de quedas em mulheres idosas, enquanto Freitas et al. (2022) relataram ganhos na mobilidade funcional e na marcha de pacientes parkinsonianos. Tais resultados são atribuídos à utilização de padrões de movimento específicos que ativam diferentes grupos musculares e estimulam a plasticidade neural, favorecendo a autonomia e a qualidade de vida. Revisões como a de Silva et al. (2020) também indicam melhora da flexibilidade, força dos músculos isquiotibiais e quadríceps, além de avanços no autocuidado, locomoção e interação social em idosos submetidos à FNP associada à cinesioterapia.
Além do ganho funcional, a FNP influencia positivamente a postura. Assis (2018) avaliou pacientes com Parkinson submetidos a 12 semanas de intervenção com quatro padrões de movimento da FNP e verificou melhor alinhamento dos ombros e da cabeça, diminuição da curvatura lombar e aumento da extensão dos membros inferiores. Esses ajustes posturais contribuem diretamente para a melhora da qualidade da marcha, redução de riscos de quedas e maior funcionalidade no dia a dia.
Apesar dos resultados promissores, há escassez de estudos recentes que abordem especificamente a aplicação da FNP em idosos com Parkinson, devido à complexidade da doença e à variabilidade de sintomas e estágios entre os pacientes (Langeskov-Christensen, 2024). Ainda assim, as evidências existentes reforçam o potencial terapêutico da FNP, indicando a necessidade de novas pesquisas para consolidar protocolos padronizados e ampliar sua utilização como recurso fisioterapêutico eficaz na reabilitação motora e funcional de pacientes parkinsonianos.
3 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter integrativo, cujo objetivo é analisar a utilização da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) no tratamento das alterações da marcha em idosos com doença de Parkinson.
A pesquisa foi conduzida entre os meses de agosto e outubro de 2025, abrangendo publicações no período de 2015 a 2025, de modo a contemplar estudos recentes e relevantes para a temática. Foram considerados artigos publicados em língua portuguesa, espanhola e inglesa, disponíveis nas bases de dados Pubei/MEDLINE, Lilacs BVS, Web of Science, SciELO, PEDro (Physiotherapy Evidence Database).
Foram incluídos no estudo os trabalhos que atenderam aos seguintes critérios de elegibilidade: abordar a Doença de Parkinson em indivíduos idosos; descrever as alterações da marcha relacionadas à patologia; apresentar intervenções baseadas nas técnicas de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP); e estar disponíveis na íntegra, de forma gratuita, com metodologia explicitada de maneira clara. Foram excluídos artigos duplicados, resumos simples de eventos científicos, capítulos de livros, teses e dissertações não indexadas, bem como estudos que não abordassem diretamente a temática da FNP aplicada à marcha em idosos com Parkinson.
A busca utilizou descritores em português, inglês e espanhol, definidos a partir dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH), além de palavras-chave relacionadas. Foram empregados os seguintes termos, combinados por meio de operadores booleanos (AND/OR): Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, FNP, PNF, marcha parkinsoniana, Parkinson, parkinsonian gait, pathophysiology, fisiopatologia, tratamento, treatment, physiotherapy e fisioterapia.
Os artigos selecionados foram submetidos a leitura criteriosa, em duas etapas: leitura exploratória dos títulos e resumos para triagem inicial e, posteriormente, leitura integral para extração das informações pertinentes, considerando objetivos, métodos, principais achados e conclusões dos autores.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Tabela 1 – Artigos Selecionados



A aplicação da FNP em indivíduos com DP, com a utilização de diagonais específicas, apesar de não ter evidenciado significância estatística, gerou ganhos no que diz respeito à postura desses sujeitos.
A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) tem se mostrado uma abordagem eficaz na promoção de ganhos funcionais em idosos e em indivíduos com alterações neurológicas. Os estudos analisados oferecem contribuições relevantes para a compreensão do potencial terapêutico dessa técnica.
O trabalho de Chang et al. (2015) avaliou os efeitos do treinamento com FNP sobre a força muscular de mulheres idosas. Os resultados demonstraram um aumento significativo na força dos músculos flexores e extensores do joelho, sugerindo que a FNP pode ser útil na prevenção da sarcopenia e na manutenção da independência funcional em idosas. Essa melhora na ativação muscular está associada ao estímulo intenso de receptores proprioceptivos, que favorecem a ativação das unidades motoras. Essa característica torna-se ainda mais relevante em condições neurológicas como a Doença de Parkinson, onde o comprometimento da força muscular é frequentemente observado.
No estudo de Silva et al. (2017), o foco foi o impacto da FNP no equilíbrio postural de mulheres idosas, uma capacidade frequentemente prejudicada em indivíduos com Parkinson. Os achados apontaram para uma melhora significativa no controle postural e na redução do risco de quedas. Isso reforça a ideia de que a FNP, além de favorecer o ganho de força, contribui para a estabilidade corporal, fator essencial para a autonomia e a qualidade de vida na terceira idade. O protocolo adotado nesse estudo utilizou os padrões diagonais de movimento característicos da FNP, que ativam diferentes grupos musculares e favorecem a integração sensório-motora como também na marcha.
O artigo de Langeskov-Christensen M (2024) traz que a proposta do exercício está alinhado de forma preventiva, podendo atuar nas três atenções básicas: na atenção primária o exercício físico de forma moderada está ligado à redução do risco de desenvolvimento da doença de Parkinson, na atenção secundária ensaios clínicos traz o resultado que exercícios aeróbicos de alta intensidade estabilizam sintomas motores e atuam na conexão cerebral, e na atenção terciária comparado a medicamentos indicam que o exercício pode causar efeitos semelhantes ou até superiores em alguns aspectos.
Com base no artigo publicado por Freitas et al (2022) foram analisados os efeitos da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) como recurso fisioterapêutico no tratamento de pacientes com Doença de Parkinson. Os artigos que foram adicionados ao presente estudo indicaram que a FNP contribui significativamente para o equilíbrio, controle postural, ganho da mobilidade funcional e melhora da marcha. A FNP sendo abordado por meio de estímulos sensoriais e padrões de movimentos específicos, que por sua vez irá favorecer uma ativação neuromuscular e a plasticidade neural.
No estudo de revisão de Silva et al. (2020) foi apresentada melhora na flexibilidade e na força dos músculos isquiotibiais e quadríceps após 10 sessões de FNP. Além disso, outro estudo citado pelas autoras, realizado com sete pacientes, apresentou resultados significativos na melhora do autocuidado, equilíbrio, locomoção e interação social após dois meses de fisioterapia utilizando FNP associada à cinesioterapia. Também foi observado que idosos com média de 82 anos apresentaram melhora funcional em atividades do cotidiano após o uso da técnica, reforçando a aplicabilidade da FNP na reabilitação motora, principalmente da marcha de pacientes parkinsonianos.
O estudo de Assis (2018) tem como proposta avaliar os efeitos da técnica do FNP na postura de pacientes com Parkinson. A pesquisa realizada no artigo nos mostra que 11 pessoas com diagnostico de Parkinson idiopático, ou seja, sem doenças neurológicas associadas. Elas foram submetidas ao protocolo de tratamento fisioterapêutico que teve duração de 12 semanas, usando quatros padrões de movimentos da FNP, sendo dois voltados para MMII e dois para MMSS. Antes e após o protocolo, foi realizada avaliação postural com o uso do software SAPO (Sistema de Avaliação Postural) e análises estatísticas para que pudesse mensurar os resultados da pesquisa. Os resultados observados na pesquisa nos mostraram a redução na flexão dos membros superiores, teve um melhor alinhamento dos ombros e da cabeça assim como a diminuição da curvatura lombar, houve o aumento na extensão dos membros inferiores, indicando uma postura mais funcional e ereta, o que acarreta numa melhor qualidade da passada na função da marcha, devido maior extensão dos membros inferiores.
Durante a realização desta pesquisa, uma das principais dificuldades encontradas foi a escassez de estudos que abordassem de forma específica a aplicação da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) em idosos com Doença de Parkinson, dentro do recorte temporal proposto, que abrange os últimos dez anos. Essa limitação pode estar relacionada à complexidade da patologia, que, por se tratar de uma condição neurológica progressiva e multifatorial, ainda demanda avanços significativos no campo científico, especialmente no que se refere às abordagens terapêuticas complementares, como a FNP.
A variabilidade dos sintomas e dos estágios da doença entre os pacientes também dificulta a padronização de protocolos de intervenção, o que contribui para o número reduzido de publicações recentes e metodologicamente consistentes. Ainda assim, os estudos encontrados apresentaram resultados promissores, reforçando a necessidade de novas pesquisas que consolidem e ampliem o uso da FNP como recurso fisioterapêutico eficaz no tratamento da Doença de Parkinson.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva tem se mostrado ser uma técnica promissora para o tratamento da Doença de Parkinson, especialmente por auxiliar na melhora do equilíbrio e da marcha que é bem afetada pela patologia. Por meio de movimentos específicos e estímulos sensoriais, ocorre a ativação dos músculos de forma coordenada, estimulando o sistema nervoso e agindo na recuperação das funções motoras. Desse modo, proporcionando que os pacientes possam agir com maior independência e atribuindo a melhora da qualidade de vida nos idosos com DP.
Além dos benefícios físicos, o uso da técnica do FNP contribui de forma positiva no aspecto emocional do paciente. Ao decorrer dos avanços da mobilidade, autoconfiança e tendo uma maior segurança para realizar as atividades de vida diárias. Ressaltando dessa forma a importância da abordagem fisioterapêutica ter um olhar amplo, para além das queixas e limitações que o paciente venha a apresentar.
Os artigos que foram estudados para a realização do presente trabalho, nos mostram os benefícios da utilização da técnica para pacientes com DP, porém a maioria dos estudos ainda apresentam algumas limitações em pesquisas sobre o tema abordado, havendo a necessidade de estudos e pesquisas atualizadas para possamos aprofundar o conhecimento e a técnica sobre a aplicação da FNP nos pacientes com a doença de Parkinson.
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1Discentes do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Maurício de Nassau Campus Garanhuns-PE e- mail: mcfisionassau@hotmail.com nandaraoss@hotmail.com
2Docente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Maurício de Nassau Campus Garanhuns – PE. Mestre em Fisioterapia (UFPE). e-mail: amandacaroline.prof@gmail.com Docente estadual na escola Elpídio Barbosa Maciel, São Bento do Una – PE, Especialista em Língua portuguesa. e-mail: staytrue.com@hotmail.com
