ULTRASSOM TERAPÊUTICO ASSOCIADO A OUTRAS INTERVENÇÕES PARA REDUÇÃO DE FIBRO EDEMA GELÓIDE EM REGIÃO DE GLŨTEO: REVISÃO  DE LITERATURA

THERAPEUTIC ULTRASOUND COMBINED WITH OTHER INTERVENTIONS FOR THE REDUCTION OF FIBRO EDEMA GELÓIDE IN THE GLUTEAL REGION: LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI:  10.69849/revistaft/ch10202511160746


Ana Clara dos Santos Costas1
Eliana Rubia Lima da Silva1
Sebastiana Cicera Cezar Guimarães1
Orientadora: Thaiana Bezerra Duarte2


Resumo 

Introdução: O Fibro Edema Gelóde (FEG) é uma alteração estético-funcional caracterizada por irregularidades no tecido subcutâneo, resultando em alterações circulatórias, inflamatórias na estrutura da pele. Dentre os recursos utilizados na Fisioterapia Dermatofuncional, o Ultrassom terapêutico é amplamente aplicado por seus efeitos mecânicos e térmicos. Entretanto, sua maior eficácia tem sido relatada quando associada a outras técnicas fisioterapêuticas. Objetivo: Analisar os efeitos do Ultrassom terapêutico associado a outras técnicas fisioterapêuticas em região de glúteos. Materiais e método: Trata-se de uma revisão de literatura em que todas as buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, Scielo, LILACS, PEDro e CAPES, foram realizadas nos meses de agosto a outubro de 2025. Utilizaram-se descritores em português e inglês relacionados ao uso do Ultrassom em associação com outras terapias em área de glúteos, foram excluídos os textos não disponíveis na íntegra, textos duplicados, conteúdo de avaliação, conteúdo de revisão, conteúdo limitado, texto com outra área de tratamento, também foi excluído artigo descritivo não experimental. Resultados: Foram selecionados e incluídos 4 estudos que abordaram associações com Ultrassom terapêutico, são eles: Corrente Russa, Fonoforese, Eletrolipoforense e géis de contato com ativos lipolíticos. As combinações demonstraram melhora significativa na textura e firmeza da pele, redução dos graus de FEG e satisfação das pacientes, dentre os estudos, destacou-se associação de Ultrassom e Corrente Russa, esse efeito positivo foi atribuído graças ao mecanismo térmico, mecânico e elétrico, onde promoveu mobilização tecidual, aumento da circulação e estímulo à lipólise local. Entretanto foi observado limitações como baixo número de amostras, falta de padronização nos protocolos e poucos estudos de maior escala. Conclusão: Associação do Ultrassom terapêutico e Corrente Russa apresentou maiores resultados em benefícios visíveis pelas participantes do estudo e pela equipe que realizou os tratamentos em pesquisas, no entanto ainda são necessários maiores estudos neste segmento com maiores amostras e padronização de tratamentos.

Palavras-chave: Ultrassom Terapêutico. Fibro Edema Gelóide. Celulite. Fisioterapia Dermatofuncional. Lipodistrofia.

Abstract 

Background:Fibro Edema Gelóide (FEG) is an aesthetic-functional alteration characterized by irregularities in the subcutaneous tissue, resulting in circulatory and inflammatory changes in the skin structure. Among the resources used in Dermatofunctional Physical Therapy, therapeutic ultrasound is widely applied for its mechanical and thermal effects. However, greater efficacy has been reported when it is combined with other physiotherapeutic techniques.. Pourpose: To analyze the effects of therapeutic ultrasound associated with other physiotherapeutic techniques in the gluteal region.. Methods: This is a literature review in which all searches were conducted in the PubMed, SciELO, LILACS, PEDro, and CAPES databases between August and October 2025. Descriptors in Portuguese and English related to the use of ultrasound in association with other therapies in the gluteal area were used.. Exclusion criteria included texts not available in full, duplicates, evaluation reports, review articles, limited-content studies, studies addressing other treatment areas, and descriptive nonexperimental articles.. Results: The selected studies addressed the association of therapeutic ultrasound with Russian current, phonophoresis, electrolipophoresis, radiofrequency, and vacuum therapy. These combinations showed significant improvements in skin texture and firmness, reduction of FEG degrees, and increased patient satisfaction. Among the studies, the combination of ultrasound and Russian current stood out, with positive effects attributed to thermal, mechanical, and electrical mechanisms that promoted tissue mobilization, increased circulation, and stimulated local lipolysis. However, limitations were observed, such as small sample sizes, lack of standardized protocols, and few large-scale studies. Conclusion: The association of therapeutic ultrasound with Russian current demonstrated the most significant results, providing visible benefits for both study participants and treatment teams. Nonetheless, further studies with larger samples and standardized treatment protocols are needed in this field.

Keywords: Therapeutic Ultrasound. Fibro Edema Gelóide. Cellulite. Derm atofunctional. Lipodystrophy.

1  INTRODUÇÃO  

O Fibro Edema Gelóide (FEG) acomete cerca de 90% das mulheres, sendo mais frequente nas regiões do abdômen, glúteos e coxas. Sua origem é considerada multifatorial, envolvendo aspectos estruturais, vasculares, linfáticos, hormonais e inflamatórios (Afonso et al., 2010).

A manifestação clínica do FEG pode ser classificada em quatro graus de evolução. No grau I, a condição é assintomática e não apresenta alterações visíveis, embora a análise histológica possa revelar espessamento da camada areolar, aumento da permeabilidade capilar e pequenas micro – hemorragias. No grau II, surgem alterações cutâneas discretas, como palidez hipotermia local, diminuição da elasticidade e relevo cutâneo irregular, perceptível apenas com contração muscular ou compreensão. O grau III é caracterizado pelo aspecto de “casca de laranja”, dor à palpação, rigidez tecidual e formação de micro nódulos devidos à neoformação de fibras colágenas que envolvem áreas de adipócitos degenerados. Por fim, o grau IV apresenta nódulos visíveis e dolorosos, ondulações acentuadas na pele e textura semelhante a “sacos de nozes” (Smalls et al,. 2005).

Segundo Borges (2006), o ultrassom terapêutico (US) tem a capacidade de amolecer estruturas mais densas, convertendo substâncias de maior consistência em um estado mais gelatinoso. Esse efeito ocorre pela absorção das ondas ultrassônicas pelos tecidos, o que gera energia térmica e aumenta a vibração molecular, favorecendo o aquecimento local.

O equipamento de ultrassom opera por vibrações mecânicas de alta frequência, que sofrem reflexão, absorção e atenuação ao atravessar os tecidos. Os aparelhos mais utilizados na Fisioterapia Dermatofuncional possuem frequências de 1 MHz e 3 MHz, sendo o 3 MHz o mais indicado para tratamentos superficiais. Entre seus principais efeitos fisiológicos estão o aumento da circulação sanguínea, a melhora da extensibilidade das fibras colágenas e o incremento da permeabilidade celular. Dessa forma, as ondas ultrassônicas atuam nos tecidos subcutâneos, promovendo aquecimento localizado e estimulando processos lipolíticos (Borges, 2006).

Além do uso do ultrassom terapêutico, outras modalidades de eletroterapia são comumente combinadas para melhorar os resultados no tratamento do fibro edema gelóide, destacando-se a corrente russa e a fonoforese. A corrente russa melhora o aspecto da pele por gerar fortalecimento, consiste em uma técnica de estimulação melhorando a circulação e auxiliando área tratada (Rodrigues et al., 2018). Por sua vez, a fonoforese utiliza o ultrassom como veículo para facilitar a absorção de substâncias ativas através da pele, permitindo a penetração de agentes com propriedades lipolíticas e anti-inflamatórias, o que potencializa os efeitos terapêuticos de energia ultrassônica minimizando possíveis efeitos colaterais sistêmicas (Borges, 2006).

Embora o Ultrassom terapêutico apresente resultados positivos quando corretamente aplicado, sua efetividade depende do entendimento dos diferentes graus de FEG e da individualização dos parâmetros terapêuticos, como frequência, intensidade, modo de emissão (contínuo ou pulsado) e tempo de aplicação. Dessa forma, torna-se essencial a definição de protocolos claros, seguros e personalizados, capazes de promover melhores resultados clínicos e impacto positivo na qualidade de vida das pacientes. 

Sendo assim, este estudo tem como objetivo compreender a eficácia do Ultrassom terapêutico associado a outras intervenções para a redução de Fibro Edema Gelóide em região glútea, ampliando o conhecimento na área da Fisioterapia Dermatofuncional. 

2  MATERIAIS E MÉTODO 

Este estudo foi definido como uma revisão de literatura, tendo como objetivo analisar e compilar informações sobre o efeito do Ultrassom associado à outras técnicas na redução do Fibro Edema Gelóide na região glútea.Foi desenvolvido uma busca por referências em bases de dados como PubMed, Scielo, LILICS, PEDro, Periódicos da Capes, com descritores: (DeCS/MeSH): “Ultrassom Terapêutico” “Fibro Edema Gelóide”, “celulite”, “Fisioterapia Dermatofuncional” e “lipodistrofia”. Para estratégia de busca foram utilizados os descritores em inglês e português: (“celulite” or “fibro edema gelóide”) and (“ultrassom terapêutico” or “therapeutic ultrasound”) and “dermatological physiotherapy”. A busca nas bases de dados foram realizadas em agosto e outubro de 2025 que incluíssem a utilização do Ultrassom associado a outras técnicas para tratamento da FEG na região glútea.

Optou-se por utilizar os estudos de forma clássica por suas referências centrais na definição e fundamento teórico apesar das datas de publicações. Foram excluídos estudos não disponíveis na íntegra e duplicados.

O processo de seleção dos estudos seguiu estas etapas: leitura de títulos e resumos, análises de texto incluindo a descrição da metodologia utilizada nos artigos. Todas as análises de dados foram realizadas de forma qualitativa buscando identificar os principais achados referentes ao efeito do US na FEG em área de glúteos, incluindo associações de técnicas, mecanismo de ação e seus parâmetros de aplicação, assim como impacto na qualidade de vida dos pacientes, bem como satisfação nos resultados.

Os resultados foram compilados por meio de fluxograma e quadros explicativos com suas definições.

3  RESULTADOS 

A partir da pesquisa inicial usando as palavras-chave, deu-se início a triagem em larga escala nas bases de dados, foram encontrados 25 artigos relacionados ao tema. Em seguida, houve a exclusão de 4 artigos duplicados, permanecendo 21 estudos selecionados para leitura de títulos e resumos. Ainda também, foram aplicados os critérios de inclusão, priorizando artigos que abordaram o ultrassom e técnicas associadas, como Corrente Russa, Fonoforese e

Eletrolipoforese, no contexto terapêutico e estético. Os critérios de exclusão, aplicaram-se em 16 artigos por apresentarem conteúdo de revisão, avaliação, abordagem limitada, tratamento em outras áreas fora do contexto ou temáticas distintas do tema proposto. 

Após a triagem, foram selecionados 5 artigos para a leitura na íntegra. Dentre eles, 1 artigo foi excluído por se tratar de um artigo descritivo, não experimental, resultando em 4 artigos incluídos para revisão.

A figura 1 é essencial para visibilidade clara e explicativa de todas as etapas com inclusão, análises, exclusões e escolhas dos artigos com critérios ideais.

Figura 1: Fluxograma do estudo.

Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão

Nesta revisão de literatura, a tabela a seguir reúne os estudos identificados sobre associação do US com outras técnicas, essa organização permite comparar e analisar autor/ano, tipo de estudo, objetivo, metodologia e resultados para melhor compreensão de estudos.

AUTOR/ANO  TIPO DE                  ESTUDOOBJETIVOMETODOLOGIA  RESULTADOS  
 Rodrigues et al. (2018)Experimental     Verificar o efeito do Ultrassom associado à Corrente Russa e comparar o efeito da fonoforese associado à Corrente Russa.Estudo realizado em 19 voluntárias de idade entre 25 e 26 anos. Tratamento realizado em 10 sessões distribuídas em 3x por semana, aplicação em glúteos e posteriores de coxas. Foi realizada a técnica da Corrente Russa associada ao Ultrassom terapêutico e fonoforese.Ambas as
terapias
apresentaram
resultados na
diminuição da
FEG, porém, a
fonoforese
associada à
Corrente Russa
mostrou
superioridade em
relação a
efetividade do
tratamento.
Cruz et al. (2015)  Experimental      Analisar o comparativo de Ultrassom terapêutico e Fonoforese com gel de Cafeína.Estudo realizado em 16 voluntárias de idade entre 18 e 44 anos, o tratamento foi realizado em 5 sessões, 2x por semana em área de glúteos.Ambas as
técnicas foram
eficazes na
diminuição dos
graus da FEG,
contribuindo
com satisfação
de tratamento em
comparação com
pré e pós
procedimentos,
porém não houve
diferença no
tratamento por
escolha dos géis,
foi sugerido
maiores estudos
para esse
comparativo de
técnica.
Machado et al. (2011)Experimental      Avaliar os efeitos do Ultrassom terapêutico e da Eletrolipoforese nas alterações da FEG.Estudo foi realizado em 22 voluntárias com idade entre 17 e 35 anos, tratamento realizado em 10 sessões em 3x por semana em área de glúteos.Dentro do estudo
em ambas as
técnicas não
houve diferença
significativa nos
resultados de
perimetria,
adipometria e
bioimpedância,
porém, na
avaliação
fotográfica os
resultados foram
satisfatórios
assim como
melhora no
aspecto visual, o
que levou
satisfação
pessoal e
melhora da
autoestima em
ambos os grupos.
Figueiredo et al.  (2018)Experimental      Analisar o Ultrassom terapêutico associado à ação do gel de Ginkgo Biloba e lecitina de soja no tratamento de Fibro Edema Gelóide.Estudo realizado em 8 mulheres com idade entre 20 e 30 anos, foram 30 atendimentos 3x por semana, em região glúteaForam divididos
em 2 grupos de 4
participantes.
Um dos grupos
teve resultado na
redução do FEG,
em que foi
utilizado
ultrassom
associado ao gel
Ginkgo Biloba.
No outro grupo,
apenas 2
voluntárias
tiveram
resultado
visíveis, com
associação de
ultrassom e gel
carbopol.

Foram estudadas 65 pacientes do sexo feminino, com idade entre 16 e 44 anos, apresentando média etária de aproximadamente 16,25 anos, dentro dos estudos experimentais que envolveram ouso do Ultrassom e suas associações no tratamento do Fibro Edema Gelóide em região de glúteos. As participantes apresentaram diferentes graus de FEG e tiveram avaliações físicas com fichas de anamnese, exames pré e pós-tratamentos comparativos, fotos e questionários com perguntas sobre bem-estar e satisfação após fim das sessões das terapias. As modalidades fisioterapêuticas dermatofuncionais analisadas incluíram o uso do Ultrassom em diferentes associações como Corrente Russa, Fonoforese, Eletrolipoforese e ativos de condução específicos lipoativos. De forma geral, os estudos apresentaram melhora significativa na textura e firmeza da pele, redução dos graus de FEG e melhora do relevo cutâneo, com resultados satisfatórios observados em todas as combinações, especialmente nas associações de Ultrassom com Corrente Russa em uso de fonoforese onde houve melhora e maior eficácia na diminuição do aspecto “casca de laranja”.

As evidências foram visíveis em fotografias e satisfação pessoal de cada paciente, considerando os efeitos mecânicos e térmicos que melhoram a circulação em vasos linfáticos e vasculares, foi possível reforçar a importância do tratamento em associação com outras técnicas dentro dos recursos usados.

4  DISCUSSÃO 

Os estudos analisados demonstram que as diferentes associações de recursos fisioterapêuticos dermatofuncionais aplicadas ao tratamento do Fibro Edema Gelóide apresentam respostas satisfatórias tanto para o profissional que executou a técnica quanto para as pacientes que participaram dos tratamentos, embora tenha variações na eficácia conforme o tipo de técnica e o protocolo escolhido dentro de cada tratamento individual. Foram incluídas nos estudos 65 mulheres com idade entre 16 e 44 anos, a média etária é de 16, 25 anos, o que mantém ênfase do público jovem entre as mulheres que buscam tratamento para a FEG, mesmo sendo condição comum na fase adulta.

Entre as técnicas avaliadas, a associação entre Ultrassom em Fonoforese e Corrente Russa destacou-se como uma das mais eficazes na melhora dos graus de FEG, conforme demonstrado porRodrigues et al. (2018). Essa combinação promoveu uma redução mais acentuada do aspecto de “casca de laranja” quando comparada ao uso isolado do Ultrassom. O autor atribui esse resultado ao uso de géis termoativos, que potencializam a absorção de princípios ativos lipolíticos, favorecendo o metabolismo local e intensificando os efeitos do tratamento.

Contudo, Cruz et al. (2015), ao comparar o uso doUltrassom terapêutico com gel neutro e da fonoforese com gel de cafeína, não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, ainda que ambos apresentassem melhora visual e na textura da pele. Essa divergência em relação a Rodrigues et al. (2018) pode ser justificada pelas diferenças nos parâmetros de aplicação, na frequência e na quantidade de sessões, bem como pela variação na composição e concentração dos ativos utilizados nos géis, fatores que interferem diretamente na absorção e nos efeitos fisiológicos esperados. Em concordância parcial com esses achados, Figueiredo et al. (2018) observaram que o Ultrassom associado a géis de Ginkgo Biloba e Lecitina de Soja apresentou bom desempenho na melhora da textura e firmeza da pele resultados atribuídos à ação térmica e lipoativa desses ativos, que estimulam a oxigenação tecidual e favorecem a reorganização do colágeno. 

Esses dados reforçam a hipótese de que a qualidade e o tipo de gel utilizado exercem papel determinante na resposta terapêutica, especialmente quando associados a modalidades como o Ultrassom e a fonoforese. Assim, ao comparar Figueiredo et al. (2018) e Cruz et al. (2015), nota-se que, embora ambos utilizem o Ultrassom como recurso principal, a diferença nos princípios ativos justifica a superioridade observada por Figueiredo et al. (2018). Por outro lado, Machado et al. (2011), ao investigar a associação entre Ultrassom terapêuticoe Eletrolipoforese, verificou melhora perceptível do aspecto da FEG, mas sem alterações significativas em medidas objetivas, como perimetria e adipometria. Assim como Cruz et al. (2015), os autores indicam que a percepção de melhora estética pode ocorrer mesmo sem correspondência em parâmetros mensuráveis, o que sugere que parte dos benefícios pode estar relacionada à resposta visual e subjetiva das pacientes, e não necessariamente a mudanças estruturais profundas nos tecidos.

Ao considerar o conjunto dos estudos, percebe-se que as técnicas que combinam Ultrassom com géis ativos, especialmente quando associadas à Corrente Russa, tendem a apresentar maior valor terapêutico e impacto clínico. O Ultrassom e a Corrente Russa atuam em mecanismos filosóficos distintos, porém complementares com o mesmo objetivo terapêutico: o Ultrassom promove aumento da circulação local, estimula as fibras musculares por meio de contrações elétricas, favorecendo o tônus, gasto energético, fluxo sanguíneo e linfático. A combinação dessas terapias potencializa a oxigenação e a regeneração tecidual, além de favorecer a eliminação de toxinas locais (Rodrigues et al., 2018). 

Segundo Rodrigues et al. (2018), as pacientes submetidas a essa combinação de tratamento apresentaram redução visível da FEG em avaliações clínicas e fotográficas, além da satisfação com o resultado. Entretanto, a variação nos resultados entre os autores reforça a necessidade de padronização de protocolos e de estudos adicionais que controlem variáveis como tempo de aplicação, frequência, concentração dos ativos e número de sessões, há poucas publicações que combinem Ultrassom a outras técnicas, os protocolos variam, precisam de atualizações, as revisões integrativas alertam que embora haja melhora, são necessários maiores estudos. (Fonseca et al., 2023).

A contribuição destes estudos para a Fisioterapia Dermatofuncional é notável, reforça a importância da combinação e associação que juntem e mesclam mecanismos diferentes de tecnologias em prol do tratamento da FEG, essa combinação favorece a mobilização dos tecidos, oxigenação, ação lipolítica, termoativa, géis de indução com ativos próprios para este tipo de tratamento, todo esse conjunto leva à melhora do tecido cutâneo em relação ao Fibro Edema Gelóide, além disso, Cruz et al (2015), destaca que o número de sessões e a frequência do tratamento são determinantes para a eficácia terapêutica com resultados melhores, foi indicado que um tratamento contínuo mais prolongado pode gerar efeitos mais duradouros. Os tratamentos dermatofuncionais abrem caminho para maior desenvolvimento de atuação que partem das pesquisas e avaliações como estas, os protocolos baseados em evidências certamente trarão aprimoramento na prática clínica fortalecendo atuação desta especialidade, levando maior índice de autoestima, confiança e bem-estar das pacientes que tem incômodos e dores fisiológicas dependendo dos graus da FEG.

CONCLUSÃO

Com base na análise dos estudos incluídos, conclui-se que o Ultrassom terapêutico, quando associado a outras técnicas fisioterapêuticas, especialmente à Corrente Russa apresenta resultados positivos e potencializa o tratamento do Fibro Edema Gelóide na região glútea. Essa combinação atua em diferentes mecanismos fisiológicos: o Ultrassom promove efeitos térmicos mecânicos que aumentam a circulação e o metabolismo local, enquanto a Corrente Russa estimula as fibras musculares, melhora o tônus e favorece drenagem linfática. Juntas essas técnicas proporcionam melhora visível da textura e firmeza da pele, redução do aspecto de “casca de laranja” e satisfação estética e funcional das pacientes.

Apesar dos resultados satisfatórios relatados, observa-se diversidade entre os protocolos utilizados nos estudos, com variações em parâmetros como frequência, intensidade, número de sessões e tipos de ativos empregados nos géis condutores. Essa falta de padronização limita a comparação entre resultados e reforça a necessidade de novas pesquisas experimentais controladas, com amostras maiores e métodos padronizados com o mesmo objetivo de resultado seguro e eficaz na aplicação clínica.

Do ponto de vista da Fisioterapia Dermatofuncional, o presente estudo evidencia que a associação de recursos em Ultrassom e Eletroterapia amplia o potencial no resultado de tratamento da FEG, demonstrando ser uma estratégia promissora para a reabilitação estética e funcional dos tecidos cutâneos e subcutâneos. Além dos benefícios fisiológicos, observa-se impacto positivo na autoestima, confiança e bem-estar das pacientes, aspectos fundamentais na qualidade de vida.

Portanto, a utilização do Ultrassom em combinação com outras técnicas de tratamento, quando fundamentadas em protocolos individualizados e baseados em evidências científicas, representam uma abordagem eficaz, segura e integrativa no tratamento do Fibro Edema

Geĺóide, contribuindo para o avanço da prática clínica e para o fortalecimento do papel da Fisioterapia Dermatofuncional como área essencial no cuidado estético e terapêutico.  

REFERÊNCIAS  

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 1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE;
2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara