TUBERCULOSE E HIV: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA COINFECÇÃO EM RESIDENTES DE PORTO VELHO-RO NO PERÍODO DE 2019 A 2023

TUBERCULOSIS AND HIV: EPIDEMIOLOGICAL ANALYSIS OF COINFECTION IN RESIDENTS OF PORTO VELHO-RO IN THE PERIOD FROM  2019 TO 2023

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510222111


Gabriel Sampaio Duran1
Endrio Neander Chaves Salton2
Maria do Carmo Lacerda Nascimento3


RESUMO 

A tuberculose é uma doença infecciosa e contagiosa transmitida de pessoa para  pessoa por meio de gotículas de aerossóis expelidas principalmente pela tosse, cujo  agente etiológico é o Mycobacterium tuberculosis. O intuito da pesquisa é analisar a  situação epidemiológica da tuberculose associada à coinfecção pelo HIV no município  de Porto Velho-RO, no período compreendido de 2019 a 2023. Neste trabalho foi aplicado um estudo descritivo de dados epidemiológicos secundários, retrospectivo,  quantitativo de todos os casos de tuberculose com coinfecção de HIV de indivíduos  residentes no município de Porto Velho/RO, diagnosticados, notificados e registrados  no período compreendido de 2019 a 2023 no Sistema de Informação de Agravos de  Notificação (SINAN) e no banco de dados disponível no Departamento de informática  do Sistema Único de Saúde (DATASUS-TabNet). Foram notificados 294 casos no  período analisado. A maior incidência se encontra no sexo masculino, na faixa etária  ajustada entre 20 e 39 anos e na raça parda. A forma pulmonar predominou entre os  casos registrados. Observou-se uma tendência de redução na taxa de cura, que se  encontra abaixo do recomendado, e um aumento na taxa de abandono do tratamento. Conclui-se que os padrões de incidência e proporção dos casos de tuberculose com  coinfecção por HIV estão acima do esperado, evidenciando a necessidade de  estratégias mais eficazes de controle e acompanhamento 

Palavra-chave: Incidência, Mycobacterium tuberculosis, TB/HIV coinfecção,  epidemiologia, Porto Velho. 

ABSTRACTS 

Tuberculosis is an infectious and contagious disease transmitted from person to  person through aerosol droplets expelled primarily by coughing. The etiological agent  is Mycobacterium tuberculosis. This study aims to analyze the epidemiological  situation of tuberculosis associated with HIV coinfection in the municipality of Porto  Velho, Rondônia, from 2019 to 2023. This study involved a descriptive, retrospective,  and quantitative study of secondary epidemiological data on all cases of tuberculosis  with HIV coinfection among individuals residing in the municipality of Porto Velho,  Rondônia, diagnosed, notified, and recorded from 2019 to 2023 in the Notifiable  Diseases Information System (SINAN) and in the database available at the Unified  Health System’s Information Technology Department (DATASUS-TabNet). A total of  294 cases were reported during the analyzed period. The highest incidence is found  in males, in the adjusted age range between 20 and 39 years, and in mixed race. The  pulmonary form predominated among the registered cases. A downward trend in the  cure rate was observed, which is below the recommended level, and an increase in  the treatment abandonment rate. It is concluded that the incidence patterns and  proportion of tuberculosis cases with HIV coinfection are higher than expected,  highlighting the need for more effective control and monitoring strategies. 

Keyword: Incidence, Mycobacterium tuberculosis, epidemiological profile, secondary data, Porto Velho. 

1. INTRODUÇÃO 

Tuberculose (TB), é uma doença altamente contagiosa transmitida pelo ar e  uma das principais causas de morte em todo o mundo. Embora a doença normalmente  afete os pulmões (conhecida como tuberculose pulmonar), ela também pode se  espalhar para outras partes do corpo, conhecida como tuberculose  extrapulmonar (Alsyed, Gunosewoyo, 2023). 

Em 2023, foram identificados 80.012 casos novos de TB no Brasil,  correspondendo a uma incidência de 37,0 casos por 100 mil habitantes. Dentre as  populações em situação de vulnerabilidade, a proporção de casos novos de  coinfecção TB-HIV passou de 8,6% em 2022 para 9,3% em 2023 (Brasil, 2024a). 

Segundo a organização mundial da saúde, estima-se que 39,9 milhões de  pessoas viviam com HIV no final de 2023, que 630.000 pessoas morreram de causas relacionadas ao HIV e cerca de 1,3 milhão de pessoas adquiriram o HIV (Organização  Mundial da Saúde, 2024). Especificamente em 2023, foram notificados 46.495 casos  de infecção pelo HIV no Brasil, representando um aumento de 4,5% em relação ao  ano anterior. Ademais, foi visto no estado de Rondônia mediante dados do SINAN,  que foram notificados 388 casos de HIV. (Brasil, 2024b) 

A relação entre tuberculose e HIV é forte devido à maior suscetibilidade das  pessoas afetadas pelo vírus ao desenvolvimento da forma ativa e desfechos  desfavoráveis da tuberculose, tornando-os um grupo prioritário para ações de  prevenção, tratamento e controle. Em 2021, foram registrados 6,4 milhões de casos  de tuberculose em todo o mundo, sendo 6,7% em pessoas vivendo com HIV e, destes,  187.000 resultaram em óbito, reiterando a alta mortalidade dessas infecções (Lima et  al., 2024). Em todo o mundo, a tuberculose é a principal causa de morte em HIV  positivos, representando um terço das mortes em decorrência da aids. As pessoas  HIV positivas têm 28 vezes mais chances de se infectar com a tuberculose e essa  coinfecção representa quase 29% das mortes no Brasil (Gioseffi; Batista; Brignol,  2022) 

O Brasil integra a lista de países prioritários da OMS para a tuberculose, por ter  um elevado número de pessoas afetadas pela TB e pela coinfecção TB-HIV. No nosso  país, cerca de 72,6 mil pessoas adoeceram por TB e 4,7 mil indivíduos morreram por  causa da doença em 2021. Como parte do esforço global para redução do coeficiente  de incidência e mortalidade, o Ministério da Saúde, decidiu elaborar o plano nacional  pelo fim da tuberculose com o objetivo de reduzir o coeficiente de incidência para  menos de 10 casos por 100 mil habitantes até o ano de 2035 e reduzir as mortes por  TB para menos de 230 óbitos por ano até 2035 (Brasil, 2021). 

Está preconizado pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose/MS cura  de 85% para os casos novos de tuberculose pulmonar, com comprovação laboratorial,  entretanto ainda se encontra longe do recomendado, visto que obteve 69,6% de cura  em 2022 (Brasil, 2019). 

Diante dessa realidade é de fundamental importância que se tenha estudos  com objetivo de analisar e conhecer a situação epidemiológica da tuberculose em  pessoas soropositivas para HIV, criando um perfil epidemiológico visando contribuir  com ações específicas e efetivas de controle da doença no município de Porto  Velho/RO. Ademais, a pesquisa possui o intuito de auxiliar no conhecimento de todos  os agentes de saúde sobre a perspectiva epidemiológica da tuberculose, e informar dados para o desenvolvimento de estratégias destinadas a melhorar o tratamento de  pacientes com TB em risco de coinfecção TB/HIV e promover o estado de saúde ideal  para pacientes com TB. 

Assim, o presente trabalho teve como objetivo analisar a situação  epidemiológica da tuberculose em Porto Velho/RO em pessoas convivendo com o  HIV, com ênfase na incidência da doença, formas clínicas, fatores de risco e a situação  dos casos no período em questão. Através dessa análise, buscou-se construir um  perfil epidemiológico mais abrangente da tuberculose no município de Porto  Velho/RO, destacando a interação entre as duas condições e suas implicações para  o controle da doença na região 

2. METODOLOGIA 

A pesquisa apresentada se trata de um estudo observacional descritivo  populacional de dados epidemiológicos secundários, retrospectivo, quantitativo que  utiliza dados extraídos do sistema DATASUS, acessados em 23 de julho de 2025  referente aos casos de tuberculose em indivíduos que contraíram a infecção pelo vírus  da imunodeficiência humana (HIV), em residentes de Porto Velho/RO, diagnosticados,  notificados e registrados no período compreendido de 2019 a 2023. 

O presente estudo foi realizado em Porto Velho, sendo este um município  brasileiro e capital do estado de Rondônia, situado na margem leste do Rio Madeira,  na Região Norte do Brasil. Porto Velho é o município mais populoso do estado de  Rondônia, se destacando também por ser a capital brasileira com maior área  territorial, estendendo-se por 34.090,952 km². 

A população estimada do município de Porto Velho, conforme o Censo  Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de  460.434 habitantes. A amostra do estudo compreende 294 casos notificados de  tuberculose em pacientes infectados pelo vírus HIV, sendo estes dados obtidos por  meio do sistema de informações do DATASUS no referido município durante o período  analisado. 

Estão incluídas informações dos casos de tuberculose em HIV positivos residentes no município de Porto Velho – Rondônia, entre os anos de 2019 e 2023 diagnosticados e notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação  (SINAN) e consultados a partir do banco de dados disponível no Departamento de informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS-TabNet), sendo considerados  indivíduos de todas as faixas etárias, sexos e raça/cor. 

Estão excluídos os registros que apresentavam dados inconsistentes ou  ausentes nas variáveis essenciais para a análise epidemiológica, bem como os casos  notificados fora do período delimitado ou cuja área de residência não correspondia ao  município definido. Ademais, foram desconsiderados os casos que apresentaram  alteração no diagnóstico final da patologia. 

Este estudo não foi submetido a um Comitê de Ética em Pesquisa por se tratar  da utilização de dados obtidos de fonte secundária, sem a identificação nominal dos  indivíduos. 

Para estimar a incidência dos casos de tuberculose em cidadãos com HIV no  município de Porto Velho, foi selecionado as variáveis: sexo e os casos totais. A  variável “tipo de entrada” foi considerada para identificar os casos novos, os quais  compuseram o numerador utilizado no cálculo da incidência. O denominador  considerou as estimativas populacionais anuais do IBGE para o município analisado  nos anos de 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023, no cálculo da incidência. Os dados foram  organizados em tabelas e submetidos à análise estatística descritiva. 

Para a análise da distribuição dos casos segundo a faixa etária, foi utilizada a  variável “Faixa Etária” sendo feita adaptação específica nesta variável, que foi  agrupada nos seguintes intervalos: 0 a 19 anos, 20 a 39 anos, 40 a 59 anos, 60 a 69  anos, 70 a 79 anos e ≥ 80 anos, a fim de otimizar a interpretação dos dados. Calculou se a proporção de casos em cada grupo etário ao longo do período do estudo (2019  a 2023), com a organização dos resultados em tabelas e gráficos para fins de análise  descritiva. 

Para a variável “raça/cor”, os casos foram analisados de forma proporcional,  considerando a distribuição dos indivíduos notificados segundo a categoria registrada  no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). 

Para a análise das formas clínicas da tuberculose em indivíduos com  coinfecção por HIV, foi utilizada a variável “Forma Clínica”, categorizada em pulmonar,  extrapulmonar e pulmonar + extrapulmonar. Foi calculada a proporção de casos  conforme a forma clínica e o período do estudo (2019 A 2023), com os dados  organizados em tabelas para análise descritiva. 

Para descrever a situação de encerramento dos casos de tuberculose em  indivíduos com HIV no período analisado, foi escolhido as categorias da variável “situação de encerramento”, classificadas como cura, abandono e óbito, os demais  desfechos foram classificados em outros. A proporção de casos em cada categoria foi  calculada com base no total de notificações, e os resultados foram apresentados em  tabelas para análise estatística descritiva, possibilitando a avaliação do desfecho  dessa população específica. 

A extração dos dados foi realizada em 10 de julho de 2025 do sistema de  Informação de Agravos de Notificação (SINAN), acessado pela plataforma TABNET,  disponibilizada pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde  (DATASUS), utilizando filtros específicos para o município de Porto Velho – RO,  abrangendo o período de 2019 a 2023, com seleção dos casos notificados de  tuberculose em indivíduos infectados pelo HIV. Os dados extraídos foram organizados  em planilhas eletrônicas no software Microsoft Excel®, onde foram realizadas a  limpeza, categorização e padronização das variáveis de interesse, conforme a  terminologia oficial do SINAN.  

Este estudo não apresenta riscos à integridade física ou moral dos  participantes, uma vez que utiliza exclusivamente dados secundários, provenientes  de bases públicas de livre acesso, disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, por meio  do DATASUS. As informações analisadas são agregadas e anonimizadas, não sendo  possível a identificação de indivíduos, domicílios ou qualquer informação sensível; os  resultados podem contribuir para o aprimoramento das estratégias de vigilância e  controle da coinfecção tuberculose/HIV no âmbito dos serviços públicos de saúde. 

3. RESULTADOS 

Segundo os dados coletados do Sistema de Informação de Agravos de  Notificação (SINAN), foram registrados 294 casos de tuberculose em pessoas vivendo  com HIV no município de Porto Velho/RO, no período de 2019 a 2023. Desses, 192  foram classificados como casos novos, correspondendo a 65,30% do total. Além  disso, foram notificados 71 casos de reingresso após abandono, 24 casos de recidiva,  6 transferências e 1 caso pós-óbito. Por meio da Figura 1, observa-se que, entre 2019  e 2023, houve variação na taxa de incidência, com queda acentuada em 2020  (5,41/100.000 hab.) em relação a 2019 (8,10/100.000 hab.), possivelmente  influenciada pela pandemia de COVID-19. A partir de 2021, verificou-se aumento  progressivo, culminando em 2023 com o maior valor da série (11,14/100.000 hab.)

Figura 1 – Taxa de incidência de tuberculose com HIV positivo, segundo ano de diagnóstico, em  residentes de Porto Velho/RO, período de 2019 a 2023.

Fonte: Brasil, 2025.

Entre os 294 casos de coinfecção TB/HIV notificados no período de 2019 a  2023, 225 ocorreram em indivíduos do sexo masculino e 69 no sexo feminino. A Figura  2 apresenta a distribuição da incidência segundo o sexo e o ano de diagnóstico.  Observou-se maior concentração de casos novos no sexo masculino, com 148  notificações, em comparação a 44 casos no sexo feminino. Em relação à incidência,  verificou-se tendência de aumento em ambos os sexos ao longo do período analisado,  mais expressiva no sexo masculino, cuja taxa passou de 13,36/100.000 habitantes  em 2019 para 17,31/100.000 em 2023. No sexo feminino, a incidência evoluiu de  2,83/100.000 em 2019 para 5,05/100.000 em 2023. 

Figura 2 – Taxa de incidência da coinfecção tuberculose e HIV, de acordo com o sexo e ano de  diagnóstico, em residentes de Porto Velho/RO, período de 2019 a 2023.

Fonte: Brasil, 2025.

Quanto à faixa etária dos casos notificados, dos 294 casos totais de coinfecção  TB/HIV, verificou-se que a maior concentração de casos ocorreu entre adultos jovens  de 20 a 39 anos, com 179 registros, correspondendo a 60,88% do total. Em relação  às demais proporções por faixa etária, a Figura – 3 apresenta os dados obtidos. A  segunda faixa mais acometida foi a de 40 a 59 anos, com 95 casos (32,3%). As demais  faixas apresentaram proporções reduzidas entre os anos estudados, sendo 0,68%  entre 10 a 19 anos, 4,08% entre 60 e 69 anos, 1,70% entre 70 e 79 anos e 0,34% entre  80 e mais anos. 

Figura 3 – Percentual de casos confirmados de tuberculose com HIV, de acordo com faixa etária e  ano de diagnóstico em residentes de Porto Velho/RO período de 2019 a 2023.

Fonte: Brasil, 2025.

Na análise dos casos de tuberculose em indivíduos vivendo com HIV no  município de Porto Velho, no período de 2019 a 2023, a Figura – 4 informa sobre o  percentual dos casos segundo raça/cor no período estudado. Verificou-se predomínio  da raça/cor parda nos casos de tuberculose em pessoas vivendo com HIV em Porto  Velho, representando 81,63% (n=240) do total de notificações. Os percentuais desse  grupo variaram de 71,66% (2019) a 90,90% (2022), mantendo-se elevados em todo o  período. Em seguida, observaram-se indivíduos de raça/cor branca, que totalizaram  10,20% (n=30), com maior proporção em 2019 (15,00%) e menor em 2022 (5,45%).  A raça/cor preta representou 4,08% (n=12), variando de 6,97% em 2020 a 3,65% em  2023. Os casos em indivíduos de raça/cor amarela foram pouco expressivos (0,68%;  n=2), restritos aos anos de 2019 e 2021, enquanto os registros classificados como  ignorado/branco corresponderam a 3,40% (n=10). 

Figura 4 – Percentual dos casos de todas as formas clínicas da tuberculose em indivíduos  convivendo com o HIV de acordo com raça/cor e ano de diagnóstico em residentes de Porto  Velho/RO no período de 2019 a 2023.

Fonte: Brasil, 2025.

Em relação às formas clínicas da doença, dentre os tipos notificados a Tabela– 1 mostra o quantitativo e o percentual dos casos de tuberculose em coinfecção ao HIV que foram registrados. Foi notado que a forma pulmonar predominou em todos os  anos do estudo, totalizando 202 casos (68,7%), com variação anual entre 66,6% em  2019 e 70,9% em 2022, mantendo-se como a principal apresentação clínica. A forma  extrapulmonar correspondeu a 62 casos (21,08%), com discreto aumento proporcional  ao longo do período, passando de 15% em 2019 para 28,04% em 2023. Já a forma  pulmonar + extrapulmonar representou 30 casos (10,2%), apresentando declínio  progressivo, especialmente em 2023, quando foi observada a menor proporção (2,4%). 

Tabela 1 – Casos confirmados de tuberculose em coinfecção com HIV e percentual segundo as  Formas clínicas e Ano Diagnóstico em residentes de Porto Velho/RO no período de 2019 a 2023.

Fonte: Brasil, 2025. 

A Tabela – 2 contém os dados encontrados sobre as situações de  encerramento da tuberculose em coinfecção com o HIV no período analisado. Observou-se que a situação de encerramento mais prevalente foi a cura,  correspondendo a 43,53% dos casos, seguida do abandono do tratamento em  39,11%. A categoria “outros”, que inclui transferências, mudanças de diagnóstico e  óbitos por outra causa, representou 16,32% enquanto os óbitos por tuberculose foram  menos frequentes, totalizando apenas 1,02%. Ao longo dos anos, verificou-se  variação nas proporções, o percentual de cura, que atingiu 51,66% em 2019,  apresentou queda progressiva, chegando a 37,80% em 2023; de forma oposta, o  abandono manteve-se elevado e relativamente estável, oscilando entre 38,18% e  40,24%. O grupo “outros” mostrou crescimento importante, de 10% em 2019 para  21,95% em 2023. Já os óbitos ocorreram apenas em 2020 e 2021, não sendo  registrados nos demais anos. 

Tabela 2 – Percentual de cura e abandono de acordo com o número de casos novos de tuberculose  em coinfecção com o HIV segundo a situação de encerramento e por ano de diagnóstico em residentes de Porto Velho/RO no período de 2019 a 2023.

Fonte: Brasil, 2025.

4. DISCUSSÃO 

A análise dos dados da coinfecção TB/HIV permitiu observar as taxas de  incidência e os percentuais conforme as variáveis selecionadas, possibilitando um  estudo detalhado dos casos registrados no município de Porto Velho ao longo de um  período de cinco anos. As variações identificadas durante o período analisado foram  destacadas e comparadas com os achados descritos em outros estudos da literatura,  contribuindo para uma compreensão mais ampla do comportamento epidemiológico  observado. 

De modo geral, no período analisado foi percebido crescimento na incidência  da coinfecção tuberculose e HIV no município estudado. Em paralelo com outros  estudos acerca da incidência, conforme Lima et al. (2024) elencou que coeficientes  mais elevados foram encontrados em municípios das regiões Sul, Centro-Oeste e  Norte, com importantes aglomerados de alto risco nas capitais, entretanto, em âmbito  global segundo a Organização Mundial da Saúde (2024), de todos os casos de  tuberculose em 2023, apenas 6,1% foram pessoas vivendo com HIV e que mortes  por tuberculose entre pessoas com HIV vêm caindo de forma constante há muitos  anos.  

Ademais, na pesquisa é notável o declínio substancial de incidência no ano  pandêmico da COVID-19. Houve o mesmo relato em outros estudos neste período como constatado na pesquisa de Kessel et al. (2023), mostrando que o impacto  colateral das medidas pandêmicas nos serviços de TB se manifestou imediatamente,  visto que, as interrupções nos serviços superam a redução da transmissão devido às  medidas de distanciamento social, o que resulta em TB não detectada e não tratada  com uma duração prolongada de infecciosidade, levando a um aumento tardio e  prolongado na incidência e mortes. Além disso, Jeong e Min (2023) destacam que a  redução nas notificações de tuberculose durante o período pandêmico também pode  estar relacionada à diminuição da cobertura vacinal por BCG, consequência da queda na procura por serviços de saúde e do receio da população em se expor ao  risco de infecção pela COVID-19. 

De maneira diferente aos achados na literatura, foi encontrado o predomínio do  sexo masculino nos casos de coinfecção tuberculose/HIV na região estudada, entrando em discordância com pesquisas como a de Sossen et al. (2025) que  demonstra que em âmbito global, as mulheres carregam uma carga  desproporcionalmente maior de TB-VIH do que os homens. Igualmente, este achado  foi descrito no estudo de Zhang et al. (2024), afirmando que foi relatado maior  incidência da coinfecção em mulheres do que em homens, mas ressaltou que houve  aumento da incidência em ambos os sexos.  

Foi constatado no estudo realizado na cidade de São Paulo por Bastos et al.  (2020) que a maior proporção dos casos de coinfecção TB/HIV é registrada em  pessoas brancas em idade adulta, sendo distinto do achado deste estudo realizado  em Porto Velho que exibiu esta maior concentração em indivíduos de cor/raça parda, porém a idade é semelhante ao do estudo citado. Além disso, há outros achados que  trazem a população parda como a maioria nos casos de coinfecção, porém sendo  estes relatados como sem residência fixa no estudo de Cavalin et al. (2020) realizado no município de São Paulo, certificando que as desigualdades raciais são  determinantes da desigualdade em saúde, uma vez que afetam as relações sociais, a  autoestima e o acesso aos cuidados de saúde. 

De acordo com a literatura, a forma pulmonar da tuberculose é a mais  frequentemente observada entre indivíduos coinfectados pelo HIV. Neste estudo,  realizado em Porto Velho/RO, verificou-se comportamento semelhante, com  predominância da forma pulmonar em 68,70% dos casos analisados, o que reforça a  tendência observada em diferentes contextos nacionais e internacionais. Reforçando  este dado o estudo de Magnabosco et al. (2019) aponta que a forma pulmonar foi  predominante na sua pesquisa com pacientes coinfectados, sendo desta forma mais  de 60% dos casos. Além disso, o relatório da Organização Mundial da Saúde (2024) elenca a forma pulmonar como mais comum nessa população e salienta que as  formas extrapulmonares também estão mais evidentes em pessoas vivendo com HIV  devido a condição de imunossupressão. 

Em última análise, a respeito do desfecho no tratamento foi obtido na pesquisa  uma redução constante na taxa de cura enquanto ocorria aumento da taxa de  abandono estando em concordância com achados na literatura como a pesquisa de Magnabosco et al. (2019) que diz em relação ao desfecho dos casos e o número de  tratamentos realizados, que houve, em geral, diminuição da cura e aumento de  abandono à medida que expandia a quantidade de tratamentos realizados, podendo  ser atribuída à vários aspectos: psicossociais, econômicos, ausência de vínculo com  a equipe, toxicidade dos fármacos, efeitos colaterais e/ou alcoolismo e drogadição.  Somando estes dados, O Boletim Epidemiológico de Tuberculose (Brasil, 2024c) evidencia variação negativa no desfecho de cura em pacientes coinfectados a partir  de 2019 até os dados preliminares de 2022, e de forma geral segundo O Plano  Nacional de Saúde (Brasil, 2024c) os dados preliminares da TB apresentaram 60,8%  de cura estando abaixo da meta preconizada enquanto houve ligeiro crescimento no  abandono sendo relatado. Concluindo sobre mortalidade e óbitos, nesta pesquisa não  foi elencado números significativos, porém, em outros estudos há maior correlação  entre as características clínicas como gravidade da doença e infecção pelo HIV de  estarem associados à morte e falha do tratamento sendo tal dado visto na análise de  Ridolfi et al. (2023), que observou desfechos malsucedidos, além de que órgãos  nacionais como a Organização mundial da Saúde também observam esta correlação. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A partir da análise dos dados apresentados, constatou-se que a coinfecção tuberculose e HIV ainda constitui um importante desafio para a saúde pública no  Brasil, especialmente em regiões como Porto Velho/RO. Ao longo do período  avaliado, observou-se variação nas taxas de incidência, com destaque para a redução  registrada durante a pandemia de COVID-19 e o subsequente aumento significativo  no período pós-pandêmico. 

O impacto da pandemia de COVID-19 na redução dos casos notificados de  tuberculose evidencia a priorização das ações voltadas ao enfrentamento do novo  coronavírus em detrimento de outras doenças endêmicas. Esse declínio nas  notificações reflete um cenário preocupante, marcado pela interrupção ou limitação  dos serviços de saúde voltados à tuberculose, pela redução da vigilância e pelo  receio da população em buscar atendimento médico durante o período pandêmico.  Além disso, tais fatores contribuíram para o atraso nos diagnósticos, a subnotificação  de casos e o aumento potencial da transmissão comunitária não detectada,  acarretando consequências negativas para o controle da doença nos anos subsequentes. Assim, reforça-se a necessidade de fortalecer a vigilância  epidemiológica, garantir a continuidade dos serviços essenciais e implementar  estratégias de recuperação pós-pandemia, a fim de minimizar os impactos  prolongados sobre o controle da tuberculose no país. 

Fatores socioeconômicos, que historicamente já exerciam grande influência,  continuam a desempenhar papel determinante na incidência e nos desfechos da  tuberculose. Observa-se a predominância de casos entre homens jovens, indivíduos  de cor parda e pessoas com menor nível de escolaridade, refletindo desigualdades  sociais persistentes. No contexto da coinfecção TB/HIV, esses fatores se tornam  ainda mais relevantes, pois a vulnerabilidade socioeconômica e educacional  contribui para o atraso no diagnóstico, o aumento da transmissibilidade e os piores  desfechos clínicos. 

As baixas taxas de cura e as elevadas taxas de abandono do tratamento  observadas são preocupantes, pois evidenciam falhas na efetividade das políticas  públicas e na adesão terapêutica, comprometendo o controle da tuberculose e da  coinfecção TB/HIV. Esse cenário reforça a urgência de fortalecer estratégias que  abordem não apenas os determinantes sociais da saúde, mas também os desafios  específicos enfrentados por pessoas vivendo com HIV, que apresentam maior  vulnerabilidade clínica e social. A ampliação do acesso aos serviços de saúde, o  acompanhamento contínuo dos pacientes, a integração entre os programas de  controle da TB e do HIV e as ações educativas voltadas à prevenção e ao tratamento  são medidas fundamentais para promover resultados mais efetivos e sustentáveis no  enfrentamento dessas doenças. 

Portanto, conclui-se que os padrões de incidência e a proporção dos casos de  tuberculose e da coinfecção TB/HIV no município permanecem elevados,  evidenciando a necessidade de intensificar as ações de controle. A identificação e  compreensão dos fatores que contribuem para esse aumento são essenciais para  fortalecer os esforços de enfrentamento, com ênfase na implementação de políticas  públicas integradas, no investimento em recursos e infraestrutura de saúde, e na  capacitação contínua de profissionais preparados para atuar de forma resolutiva.  Somente por meio de uma abordagem ampla e articulada será possível avançar de  maneira efetiva rumo à redução da incidência e ao controle sustentável da tuberculose  e da coinfecção TB/HIV.

REFERÊNCIAS 

ALSYED, S. S. R.; GUNOSEWOYO, H. Tuberculosis: Pathogenesis, Current  Treatment Regimens and New Drug Targets. International Journal of Molecular  Sciences, Basel, v. 24, n. 6, p. 5202, 2023. DOI: 10.3390/ijms24065202. Disponível  em: https://www.mdpi.com/1422-0067/24/6/5202. Acesso em: 04 maio. 2025. 

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1Discente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro universitário Aparício Carvalho Campus Fimca e mail: gabrielsduran@hotmail.com
2Discente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho Campus Fimca e mail: endriochavessalton@gmail.com
3Docente do Curso Superior de medicina do Instituto Centro Universitário Aparício Carvalho Campus Fimca.  Mestre em zootecnia e saúde pública e-mail: prof.Nascimento.maria@fimca.com