TRATAMENTOS ATUAIS PARA LARINGITE VIRAL INFANTIL: EVIDÊNCIAS CLÍNICAS E RECOMENDAÇÕES TERAPÊUTICAS 

CURRENT TREATMENTS FOR PEDIATRIC VIRAL LARYNGITIS: CLINICAL EVIDENCE AND THERAPEUTIC RECOMMENDATIONS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511300615


Leidiany Alves de Amorim1


Resumo 

A laringite viral infantil é uma inflamação comum da laringe, geralmente associada a infecções respiratórias virais e responsável por grande parte das consultas pediátricas por rouquidão, tosse e desconforto respiratório. Como as vias aéreas das crianças são mais estreitas, o processo inflamatório tende a gerar sintomas mais intensos e, em alguns casos, pode evoluir para quadros de crupe. Diante disso, este estudo teve como objetivo identificar, por meio da literatura, os tratamentos atualmente recomendados para a laringite viral infantil, destacando sua eficácia e relevância clínica. A pesquisa foi conduzida por meio de uma Revisão Integrativa da Literatura. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, SciELO, LILACS e BVS, utilizando estratégias adaptadas para cada plataforma. Inicialmente, foram identificados 3.000 registros, mas, após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, apenas sete estudos atenderam aos requisitos e compuseram a revisão. Os resultados mostram que a laringite viral infantil tem etiologia majoritariamente viral, o que reforça que o tratamento deve priorizar o controle da inflamação e a melhora dos sintomas respiratórios. A literatura evidencia forte consenso sobre a eficácia dos corticosteroides como primeira linha terapêutica, reduzindo o edema laríngeo e proporcionando melhora rápida dos sintomas. Nos casos moderados e graves, especialmente quando há estridor ou dificuldade respiratória, a nebulização com epinefrina também se destaca como recurso seguro e eficaz. Em contrapartida, diversos estudos apontam o uso inadequado de antibióticos, mesmo em quadros claramente virais, evidenciando a necessidade de educação continuada e maior rigor na prática clínica. Conclui-se que o manejo da laringite viral infantil é bem embasado em evidências, porém ainda existem desafios relacionados à prática profissional e ao uso racional de medicamentos. Estudos futuros devem ampliar amostras, diversificar cenários e aprofundar a análise de intervenções, contribuindo para uma assistência pediátrica mais qualificada. 

Palavras-chave: Laringite viral infantil; Inflamação laríngea; Tratamento pediátrico.

1 INTRODUÇÃO 

A laringite viral infantil é uma inflamação da laringe, região responsável pela produção da voz e pela passagem do ar até a traqueia, e representa uma das causas mais frequentes de desconforto respiratório e rouquidão em crianças (Ferrari et al., 2024). Por se tratar de um público com vias aéreas naturalmente mais estreitas, qualquer processo inflamatório tende a gerar sintomas mais intensos, como tosse, dor de garganta, rouquidão e, em casos mais graves, dificuldade para respirar. Geralmente, a doença aparece após infecções virais comuns das vias aéreas superiores, especialmente durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios (Araújo, 2022). 

Na maior parte dos casos, manifesta-se de forma aguda, com duração inferior a três semanas. Os vírus mais associados são os do tipo parainfluenza, rinovírus, adenovírus e influenza, todos muito prevalentes em épocas frias ou de clima seco (Fracassi et al., 2022). Em crianças pequenas, o quadro pode evoluir para o chamado crupe, caracterizado por tosse metálica, estridor e desconforto respiratório, exigindo maior atenção clínica para evitar complicações. Essas manifestações reforçam a importância de compreender os mecanismos da doença e suas possíveis evoluções no contexto pediátrico (Moreira et al., 2024) 

Embora seja um problema recorrente nos atendimentos de urgência, dados epidemiológicos nacionais específicos sobre a laringite infantil ainda são limitados. Contudo, estudos observacionais indicam que as internações relacionadas a laringite e traqueíte aguda tendem a oscilar conforme a circulação viral (Dallabrida et al., 2025). Durante o período de maior isolamento social por conta da pandemia de Covid-19, por exemplo, registrou-se uma redução significativa das hospitalizações pediátricas por infecções respiratórias, incluindo laringite, o que evidencia a forte relação entre transmissão viral e incidência clínica (Jesus et al., 2021). 

Nesse contexto, a realização deste estudo justifica-se a fim de ampliar o conhecimento acadêmico sobre uma condição comum na prática pediátrica. Cientificamente, contribui ao reunir evidências que orientam condutas mais eficazes e seguras. Além disso, possui importância social, pois a laringite afeta diretamente o bem-estar infantil e gera impacto nas famílias. Assim, o estudo favorece uma assistência mais qualificada e melhora os desfechos em saúde. 

Desse modo, objetiva-se através da literatura identificar e avaliar os tratamentos atualmente recomendados para a laringite viral infantil, destacando suas evidências de eficácia e suas implicações para a prática clínica.

2 METODOLOGIA 

Foi realizada uma Revisão Integrativa da Literatura, a fim de investigar atualizações e evidências sobre o assunto abordado. A pesquisa seguiu as recomendações do checklist PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews), com o intuito de formalizar o rigor metodológico e análise dos estudos. Para orientar a revisão, foi construída a pergunta norteadora: Como as intervenções utilizadas no manejo da laringite viral infantil influenciam os indicadores clínicos avaliados e contribuem para a melhoria dos resultados em saúde? 

Para a condução da pesquisa, foi realizado um levantamento de dados nas bases científicas: National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A busca foi conduzida utilizando estratégias específicas para cada base conforme exposto no quadro abaixo. 

Quadro 1: Estratégia de busca para as bases de dados. 

Data Base de dados Estratégia de busca Resultados
25/11/2025 PUBMED (Pediatric laryngitis OR Viral laryngitis OR Croup) AND (Child OR Children OR Pediatrics) AND (Treatment OR Management OR Therapy) AND (Viral infection OR Respiratory virus)566 Artigos
25/11/2025 BVSLaringite AND Crianças AND
Tratamento OR viral
23
Artigos
25/11/2025 LILACSLaringite AND Crianças AND
Tratamento OR viral
12
Artigos
25/11/2025 SCIELO(Pediatric laryngitis OR Viral laryngitis
OR Croup) AND (Child OR Children OR
Pediatrics) AND (Treatment OR
Management OR Therapy) AND (Viral infection OR Respiratory virus)
22
Artigos

Fonte: Dados da pesquisa, 2025. 

Os critérios de inclusão incluíram artigos originais, disponíveis em qualquer idioma, com publicação entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra. Foram removidos artigos duplicados, estudos de revisões, trabalhos indisponíveis e que não atendiam ao objetivo em questão. O detalhamento da seleção da amostra, foi apresentado na figura 1. 

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Nas bases de dados pesquisadas, identificou-se 623 estudos. Na fase de triagem, foram excluídos 250 artigos por estarem em idiomas diferentes, além de 173 estudos duplicados ou indisponíveis, resultando em 200 artigos elegíveis para análise. Desses, 80 não atenderam aos critérios de inclusão e foram descartados. Na etapa de avaliação integral, outros 114 estudos foram excluídos por estarem pagos ou não responderem à questão de pesquisa. Ao final, 6 estudos foram incluídos na revisão. 

Figura 1: Fluxograma PRISMA.

Fonte: Dados da pesquisa, 2025. 

Foram selecionados 06 artigos para composição dos resultados, estruturados entre: Título, autor, ano de publicação, país de origem, método e principais desfechos. 

Quadro 2: Descrição dos estudos selecionados. 

TítuloAutor/AnoPaís de
Origem
MétodoPrincipais desfechos
Uso de antibióticos para o tratamento de infecções agudas do trato respiratório superior em crianças na Lituânia de 2018 a 2022. Alčauskas; Garuolienė; Burokienė, 2025 Lituânia Estudo 
observacional
O estudo identificou alta prescrição de antibióticos para infecções respiratórias virais, incluindo laringite, apesar de evidências de baixa eficácia; reforça necessidade de manejo baseado em evidências e redução do uso inadequado de antimicrobianos. 
Otimizando o diagnóstico e o tratamento da obstrução laríngea induzida em pediatria.Alanazi et al., 2025Arábia SauditaEstudo 
retrospectivo com coorte prospectiva
Foi evidenciado que corticosteroides e nebulização com epinefrina reduzem rapidamente sintomas de obstrução laríngea; destacou importância do diagnóstico precoce e protocolos padronizados no atendimento.
Características que influenciam a laringite aguda e a obstrução laríngea em crianças: um estudo retrospectivo.Zhu; Sol; Liu, 2024China Estudo 
retrospectivo
Os autores identificaram fatores clínicos associados à gravidade, como idade < 3 anos e infecções virais específicas; indicou que o tratamento com corticosteroides melhora evolução clínica.
Laringite pós-extubação em crianças: diagnóstico, tratamento e acompanhamento. Costa et al., 2024 Brasil Estudo 
retrospectivo 
Foi relatado a eficácia de corticosteroides e nebulização adrenérgica na melhora do edema laríngeo; reforçou necessidade de monitoramento pós-extubação e protocolos terapêuticos padronizados. 
Prevalência e fatores associados à prescrição de antibióticos em pacientes com infecções agudas do trato respiratório inferior e superior: um estudo caso-controle.Kern; Kostev, 2021AlemanhaEstudo caso-controleFoi visto que a  prescrição excessiva de antibióticos para quadros virais, como laringite; apontou fatores que influenciam esse uso inadequado e necessidade de intervenções educativas.
Laringite aguda em crianças: um estudo de 121 casos.SHE et al., 2020China Estudo de casoObservou-se melhora clínica significativa com corticosteroides; identificou prevalência de etiologia viral e caracterizou principais sinais de gravidade ligados à obstrução laríngea.

Fonte: Dados da pesquisa, 2025. 

A literatura científica ajuda a entender melhor quais tratamentos realmente funcionam para a laringite viral infantil e como eles são aplicados na prática clínica. No geral, os trabalhos mostram que a maior parte dos casos tem origem viral, o que significa que o foco do cuidado deve ser controlar a inflamação e aliviar os sintomas respiratórios. Isso reforça diretamente o objetivo desta revisão, que é identificar terapias eficazes e evitar intervenções desnecessárias, como o uso inadequado de antibióticos. 

Segundo Alčauskas, Garuolienė e Burokienė (2025), muitos profissionais ainda prescrevem antibióticos para infecções virais, incluindo a laringite. Esse achado mostra que, apesar das evidências disponíveis, práticas desatualizadas ainda são comuns. Por isso, o estudo destaca a importância de reciclagem profissional e do uso racional de medicamentos, lembrando que antibióticos não trazem benefício para quadros virais. 

Da mesma forma, Kern e Kostev (2021) apontaram que fatores como dúvidas no diagnóstico e a pressão de familiares podem levar a prescrições desnecessárias. Esses resultados vão contra as recomendações atuais, que desencorajam o uso de antibióticos sem confirmação de infecção bacteriana. Quando comparamos esses estudos, fica claro que transformar conhecimento científico em prática clínica ainda é um desafio, exigindo mudanças de rotina e conscientização tanto de profissionais quanto das famílias. 

Por outro lado, os estudos voltados especificamente para o tratamento da obstrução laríngea como os de Alanazi et al. (2025) e Zhu, Sol e Liu (2024) reforçam a eficácia dos corticosteroides. Esses medicamentos reduzem rapidamente o edema na laringe e melhoram os sintomas respiratórios, o que está de acordo com recomendações internacionais. Zhu e colegas também destacam fatores que podem tornar o quadro mais grave, como idade menor e infecções virais específicas, o que ajuda na avaliação de risco. 

Além disso, Alanazi et al. (2025) demonstraram que a nebulização com epinefrina é essencial nos casos moderados e graves, pois reduz o estridor e melhora a respiração de forma rápida. Isso confirma a importância de intervenções imediatas em situações de maior comprometimento, evitando internações longas e complicações. Quando observamos esses estudos juntos, percebemos que o manejo da laringite viral infantil segue bases terapêuticas firmes e bem definidas. 

Embora o estudo de Costa et al. (2024) trate da laringite pós-extubação, seus achados contribuem para entender como a laringe reage à inflamação e quais intervenções ajudam a reduzir o inchaço como corticosteroides e epinefrina nebulizada. Mesmo sendo uma condição diferente, as semelhanças fisiológicas ajudam a reforçar o uso dessas terapias também nos casos de laringite viral, especialmente quando há risco de obstrução.

4 CONCLUSÃO 

O tratamento da laringite viral infantil é bem estabelecido na literatura, com forte evidência para o uso de corticosteroides como terapia de primeira escolha e para a epinefrina nebulizada nos casos moderados e graves. Observou-se que as estratégias adotadas favorecem uma maior organização do processo de trabalho e impactaram de forma significativa os resultados finais. 

Apesar dos avanços, o estudo apresenta limitações relacionadas ao tamanho da amostra, ao tempo reduzido de acompanhamento e à dependência de registros secundários, que podem sofrer variações na qualidade. Assim, recomenda-se que pesquisas futuras ampliem o período de observação, incluam diferentes contextos e utilizem métodos complementares de coleta de dados, possibilitando uma análise mais robusta e aprofundada dos efeitos das intervenções. 

REFERÊNCIAS 

ALČAUSKAS, Tadas; GARUOLIENĖ, Kristina; BUROKIENĖ, Sigita. Antibiotic Usage for Treatment of Acute Upper Respiratory Tract Infections in Children in Lithuania from 2018 to 2022. Antibiotics, v. 14, n. 3, p. 310, 2025. 

ALANAZI, Alaa et al. Optimizing the diagnosis and management of pediatric inducible laryngeal obstruction. The Laryngoscope, v. 135, n. 3, p. 1207-1211, 2025. 

ARAÚJO, Rafael Sousa. Infecção respiratória alta em crianças (IVAS). Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 5, p. 509-521, 2022. 

COSTA, Elaine et al. Post-extubation laryngitis in children: diagnosis, management and follow-up. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 90, n. 4, p. 101440, 2024. 

DALLABRIDA, Carolina Primo et al. Perfil Epidemiológico Da Mortalidade Infantil Por Doenças Respiratórias No Brasil: Bronquiolite, Bronquite, Asma E Pneumonia. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 7, p. 453-465, 2025. 

FERRARI, Maria Eduarda Miniño et al. Atualizações sobre laringotraqueobronquite na infância: uma revisão bibliográfica. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 9, p. 3400-3415, 2024. 

FRACASSI, Bruno et al. Infecção de Vias Aéreas Superiores em crianças-atualização de tratamento. Revista REVOLUA, v. 1, n. 2, p. 185-208, 2022. 

JESUS, Clovisa Reck de et al. Impacto do distanciamento social em resposta à COVID-19 nas internações por laringite, traqueíte, otite média e mastoidite em crianças de 0 a 9 anos no Brasil. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 47, p. e20210229, 2021.

KERN, Winfried V.; KOSTEV, Karel. Prevalence of and factors associated with antibiotic prescriptions in patients with acute lower and upper respiratory tract infections—A case-control study. Antibiotics, v. 10, n. 4, p. 455, 2021. 

MOREIRA, Gabriela Irrthum et al. Crupe Viral Em Pediatria: Etiologia, Diagnóstico, Tratamento E Prevenção. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 9, p. 3612-3620, 2024. 

SHE, Caimei et al. Acute Laryngitis in Children: A Study of 121 Cases. Clin Res Pediatr, v. 3, n. 1, p. 1-4, 2020. 

ZHU, Yueting; SUN, Xuyuan; LIU, Guangping. Characteristics influencing acute laryngitis and laryngeal obstruction in children: A retrospective study. Medicine, v. 103, n. 52, p. e40885, 2024.


1Médica Otorrinolaringologista, Hospital Otorrino de Cuiabá, E-mail: Leidiany-amorim@hotmail.com