REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511151958
Levi Coelho Moreira de Azevedo1
Luma Luar de Pádua Sousa Lopes2
Maurilio Batista Lima3
Resumo
Estudantes de medicina enfrentam ansiedade significativa devido às pressões acadêmicas, o que pode comprometer seu desempenho acadêmico. Esta revisão integrativa analisou 13 estudos das bases LILACS, SciELO e PubMed (2020-2025) para examinar o impacto da ansiedade nos resultados acadêmicos. A metodologia seguiu um rigoroso processo de seleção em duas fases, com 78 registros iniciais triados conforme critérios de inclusão focados em estudantes de medicina, instrumentos validados de ansiedade e medidas de desempenho acadêmico. Os resultados demonstraram que estudantes ansiosos apresentaram consistentemente notas mais baixas em todos os tipos de avaliação, com déficits particulares em exames teóricos que exigem recuperação da memória e avaliações práticas envolvendo habilidades técnicas. A prevalência de ansiedade atingiu picos durante os anos clínicos e transições para estágios práticos, com taxas significativamente mais altas entre estudantes do sexo feminino. A discussão destaca como os efeitos cognitivos da ansiedade – incluindo comprometimento da concentração e memória – prejudicam diretamente o desempenho acadêmico, enquanto fatores institucionais como métodos de avaliação exacerbam esses impactos. Esses achados fundamentam a necessidade de intervenções direcionadas que abordem as diversas manifestações da ansiedade nos contextos acadêmicos, sugerindo que o apoio à saúde mental é crucial para manter a qualidade da educação médica e o bem-estar discente.
Palavras-chave: Ansiedade. Estudantes de Medicina. Desempenho Acadêmico. Saúde Mental. Educação Médica.
Abstract
Medical students face significant anxiety due to academic pressures, potentially impairing their academic performance. This integrative review analyzed 13 studies from LILACS, SciELO, and PubMed (2020-2025) to examine anxiety’s impact on academic outcomes. The methodology followed a rigorous two-phase selection process, with 78 initial records screened against inclusion criteria focusing on medical students, validated anxiety instruments, and academic performance measures. Results demonstrated that anxious students consistently showed lower grades across assessment types, with particular deficits in theoretical exams requiring memory retrieval and practical assessments involving technical skills. Anxiety prevalence peaked during clinical years and transitions to practical stages, with significantly higher rates among female students. The discussion highlights how anxiety’s cognitive effects— including impaired concentration and memory— directly undermine academic performance, while institutional factors like evaluation methods exacerbate these impacts. These findings substantiate the need for targeted interventions addressing anxiety’s varied manifestations across academic contexts, suggesting that supporting mental health is crucial for maintaining medical education quality and student wellbeing.
Keywords: Anxiety; Medical Students; Academic Performance; Mental Health; Medical Education.
1 INTRODUÇÃO
A jornada universitária é um período de ampliação de conhecimentos e experiências, especialmente na formação técnica e profissional dos estudantes de medicina. No entanto, essa fase também é marcada por fatores estressores importantes, como o medo de falhar, as exigências do mercado de trabalho e as pressões familiares. Esses fatores podem levar a um desgaste biopsicossocial, afetando a saúde mental dos acadêmicos e resultando em manifestações de sintomas ansiosos, que muitas vezes são subestimados (Sacramento et al., 2021).
Esses sintomas ansiosos se agravam quando associados a predisposições individuais e ao ambiente altamente competitivo da faculdade de medicina. Os estudantes enfrentam uma carga intensa de estudos, pressões para manter um desempenho elevado e o desafio de conciliar responsabilidades pessoais e acadêmicas. Esse cenário pode culminar em quadros de ansiedade e outros transtornos mentais, levando os universitários a desenvolverem um comportamento de evitação e a experimentarem altos níveis de estresse, especialmente próximo ao internato (Mendes; Dias, 2021).
A ansiedade, por sua vez, pode ter um impacto direto no desempenho acadêmico, refletindo-se na redução das notas. A dificuldade de concentração, a apreensão diante de avaliações e o próprio sofrimento mental podem prejudicar a capacidade do estudante de reter informações e demonstrar seu conhecimento de forma eficaz. Como apontam Costa et al. (2020), a alta carga de estudos e a dificuldade na gestão do tempo são grandes fontes de ansiedade entre os estudantes de medicina, o que certamente interfere na sua performance nas avaliações e, consequentemente, em seu histórico acadêmico.
Estudos recentes revelam que muitos estudantes de medicina relatam sintomas ansiosos. Segundo a pesquisa de Costa et al. (2020), 58,2% dos estudantes apresentam sintomas clínicos relacionados ao estresse, sendo a carga de estudos e a dificuldade na gestão do tempo as principais fontes de ansiedade. Essa problemática é preocupante, pois sentimentos de desvalorização e impotência são comuns entre os estudantes, o que pode impactar não apenas sua saúde mental, mas também suas decisões em relação à continuidade no curso e à saúde geral ao longo da formação (Montenegro-Pires; Sousa, 2022).
Nesse contexto, os sintomas ansiosos se agravam, não apenas pela quantidade de estresse e cobranças, mas também pela forma de avaliação desses estudantes, que muitas vezes é focada apenas no conteúdo ministrado e não na integração dos saberes ou capacidade dos alunos de correlacionarem o conteúdo com a prática médica, o que resulta em acúmulo de estresse e surgimento de sintomas ansiosos e sofrimento mental (Santiago et al., 2021).
A ansiedade configura-se como um fator potencialmente impactante no rendimento acadêmico de estudantes de medicina, justificando-se esta investigação pela alta prevalência do transtorno nesse público e suas possíveis consequências na formação profissional.
O presente estudo tem como objetivo geral revisar as evidências sobre o impacto da ansiedade no desempenho acadêmico. Especificamente, busca-se avaliar se estudantes ansiosos apresentam notas inferiores, observar o prejuízo em diferentes modalidades de avaliação (teóricas, práticas e orais), registrar a flutuação da ansiedade em momentos críticos do curso e categorizar sua variação de acordo com sexo, ano curricular e tipo de avaliação.
2 METODOLOGIA
Foi conduzida uma revisão integrativa da literatura. Inicialmente, definiu-se o problema de pesquisa como a relação entre a presença de ansiedade e a redução do desempenho acadêmico em estudantes de medicina, com o objetivo de sintetizar as evidências existentes. A busca de artigos foi realizada nas bases de dados LILACS, SciELO e PubMed, utilizando combinações de palavras-chave e descritores em português, espanhol e inglês, como “ansiedade”, “estudantes de medicina” e “desempenho acadêmico”. Serão utilizados artigos publicados de 2020 a 2025.
Foram incluídos nesta revisão estudos que investigaram a relação entre ansiedade e desempenho acadêmico em estudantes de medicina de graduação, que utilizaram instrumentos validados para avaliar a ansiedade e apresentaram medidas objetivas ou subjetivas de desempenho acadêmico. Incluíram-se artigos publicados em português, espanhol ou inglês.
Foram excluídos estudos que focaram em outras populações (como profissionais de saúde ou estudantes de outras áreas), que investigaram a relação entre ansiedade e outros desfechos não acadêmicos (como burnout), que não apresentaram dados primários (revisões, editoriais) ou que utilizaram instrumentos não validados para avaliação da ansiedade. Artigos duplicados também foram excluídos.
O processo de seleção dos artigos foi conduzido em duas etapas sequenciais. Inicialmente, 78 estudos foram identificados e submetidos à triagem independente por dois revisores, que avaliaram títulos e resumos. Desses, 42 foram excluídos devido à duplicação ou por não atenderem aos critérios de inclusão preliminares. Na fase de elegibilidade, os 36 artigos remanescentes tiveram seus textos completos analisados, resultando na exclusão de 23 publicações.
Os dados dos estudos incluídos foram extraídos utilizando dados coletados e informações sobre características do estudo, amostra, instrumentos de avaliação, medidas de desempenho e principais resultados. A análise dos dados foi realizada de forma integrada, por meio de uma síntese narrativa dos achados, agrupando os resultados por temas relevantes. A heterogeneidade metodológica dos estudos impediu a realização de uma metanálise. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada de acordo com a adequação dos artigos ao desenho de estudo.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Constata-se que o estudo recorreu a um total de 13 artigos para fundamentar sua discussão, demonstrando uma consistente revisão da literatura sobre a temática. O ano de 2024 emergiu como o período de maior produtividade científica sobre o assunto, com 5 publicações, o que representa aproximadamente 38% do corpus bibliográfico analisado, refletindo a atualidade e relevância crescente do tema no cenário acadêmico recente. Quanto à distribuição temática, o assunto “Ansiedade em Estudantes de Medicina” mostrou-se predominante, sendo abordado de forma direta ou tangencial pela grande maioria dos estudos, com destaque para pesquisas que investigaram especificamente sua prevalência durante a pandemia, fatores preditores e de proteção, interface com a síndrome de burnout, impacto no desempenho acadêmico e variações conforme o ano curricular e gênero dos discentes. Esta concentração temática evidencia que a ansiedade se configura como o eixo central das principais preocupações sobre a saúde mental na formação médica.
3.1 A Ansiedade como Fator Determinante no Desempenho Acadêmico de Estudantes de Medicina
A formação médica configura um cenário paradoxal, onde a busca pela excelência profissional convive com a produção sistemática de adoecimento psíquico. Enquanto Lobo; Rieth (2021) propõem que a saúde mental pode ser preservada mediante desafios, sustentando que o equilíbrio biopsicossocial seria alcançável mesmo em contextos demandantes, Ardison et al. (2021) demonstram que a estrutura curricular médica opera na direção contrária, minando sistematicamente os pilares de resiliência psicológica através de uma carga horária extenuante, pressão por desempenho e cultura da perfeição.
Esta contradição fundamental se manifesta de forma particularmente aguda quando examinamos a interface entre ansiedade e desempenho acadêmico, revelando um problema complexo que exige análise multidimensional. A visão otimista de preservação da saúde mental, quando confrontada com os dados empíricos sobre a prevalência de transtornos ansiosos entre estudantes de medicina, sugere que o modelo formativo atual pode estar criando condições incompatíveis com o bem-estar psicológico.
A análise desse paradoxo revela que a ansiedade, longe de ser uma resposta adaptativa, transforma-se em um mecanismo disfuncional com impacto direto no processo de aprendizagem. Andrade et al. (2020) descrevem como a ansiedade patológica compromete funções cognitivas essenciais, como a memória operacional e a capacidade de concentração, criando uma barreira invisível ao rendimento acadêmico. No entanto, Morais et al. (2025) acrescentam uma camada importante de complexidade ao demonstrar que esse impacto não é homogêneo, variando significativamente conforme o gênero e o ano curricular. Enquanto Pedra et al. (2025) identificam picos de ansiedade nos anos clínicos, relacionados às demandas de estágio e contato com pacientes, Oliveira Dos Santos et al. (2024) observam padrões distintos de sofrimento psíquico nos anos básicos, associados à adaptação à carga teórica e à competitividade inicial. Esta heterogeneidade desafia abordagens generalizantes e exige intervenções específicas.
A tensão entre as diferentes perspectivas se intensifica quando consideramos os fatores institucionais versus individuais. Amorim et al. (2024) argumentam que a estrutura do curso e os contextos de crise, como observado durante a pandemia, funcionam como determinantes primários do adoecimento, responsáveis por índices de ansiedade 40% superiores à população geral. Por outro lado, Tofanelli et al. (2024) e Araújo et al. (2024) demonstram que variáveis individuais, como qualidade do sono e estratégias de enfrentamento, moderam significativamente essa relação, sugerindo que a vulnerabilidade não é uniforme. Esta aparente contradição entre determinantes estruturais e fatores individuais aponta para a necessidade de um modelo integrado de compreensão, onde as pressões institucionais interagem com recursos pessoais, produzindo resultados diversos tanto na saúde mental quanto no desempenho acadêmico.
3.2 A Arquitetura Institucional do Adoecimento
O conceito de saúde mental como estado de bem-estar completo, conforme proposto pela OMS, mostra-se particularmente frágil no contexto médico-acadêmico. Enquanto Oliveira Lima; Rocha; Dantas (2023) defendem que a saúde mental pode coexistir com diagnósticos psiquiátricos, sustentando que o bem-estar psicológico não equivaleria à ausência de desafios emocionais, os dados empíricos de Amorim et al. (2024) revelam uma realidade mais complexa: 68% dos estudantes de medicina desenvolveram ansiedade clinicamente significativa durante a pandemia, índice que supera em 40% os registros da população geral.
Esta disparidade quantitativa não apenas questiona a aplicabilidade universal do conceito da OMS, mas também expõe a natureza estrutural do problema – a formação médica parece operar como um fator de risco independente, onde elementos como a pressão por desempenho e a carga horária extenuante atuam como catalisadores do sofrimento psíquico, criando condições que ultrapassam os limites da resiliência individual.
A tensão entre o conceito idealizado de saúde mental e a realidade do ambiente acadêmico torna-se ainda mais evidente quando se analisa a progressão temporal do adoecimento. Se por um lado Lobo; Rieth (2021) argumentam que a saúde mental envolveria a capacidade de administrar demandas e desenvolver resiliência, os estudos de Pedra et al. (2025) demonstram que a ansiedade entre estudantes de medicina segue um padrão epidemiológico específico, com picos nos anos clínicos que contradizem a noção de adaptação progressiva. Esta progressão não aleatória do sofrimento psíquico sugere que o próprio desenho curricular atua como vetor de desequilíbrio, transformando o ambiente de aprendizagem em um espaço de vulnerabilização sistemática, onde a pressão institucional constante mina os fundamentos mesmo do conceito mais flexível de saúde mental proposto por Oliveira Lima; Rocha; Dantas (2023).
3.3 Dinâmicas Temporais e de Gênero na Manifestação da Ansiedade
A análise temporal revela padrões distintos de adoecimento ao longo da graduação. Pedra et al. (2025) identificam picos de ansiedade nos anos clínicos (3º-4º anos), enquanto Oliveira Dos Santos et al. (2024) registram maior prevalência depressiva nos anos básicos. Esta flutuação exige cronogramas específicos de intervenção. Paralelamente, Morais et al. (2025) demonstram que estudantes do sexo feminino apresentam risco 2,3 vezes maior de desenvolver ansiedade severa, desafiando abordagens homogeneizantes e demandando estratégias diferenciadas por gênero.
3.4 Impacto Cognitivo e Avaliativo da Ansiedade
Os prejuízos cognitivos associados à ansiedade manifestam-se de forma heterogênea conforme o tipo de avaliação. Andrade et al. (2020) descrevem comprometimento da memória operacional, que se traduz em notas inferiores em provas teóricas que demandam recuperação mnêmica sob pressão. Já Tofanelli et al. (2024) estabelecem correlação direta entre privação de sono e pior desempenho em exames práticos, enquanto Araújo et al. (2024) documentam que estudantes ansiosos cometem 25% mais erros em procedimentos simulados. Estas evidências confirmam que o prejuízo acadêmico varia significativamente conforme a modalidade avaliativa.
3.5 A Sinergia entre Burnout e Ansiedade
A interface entre burnout e ansiedade merece atenção especial. Araújo et al. (2024) demonstram que 45% dos estudantes com burnout desenvolvem comorbidades ansiosas, criando um ciclo vicioso de deterioração. O esgotamento emocional reduz a capacidade de enfrentamento da ansiedade, que por sua vez potencializa o burnout, estabelecendo uma espiral de adoecimento que impacta múltiplas dimensões do desempenho acadêmico.
A identificação de fatores protetores por Morais et al. (2025) – onde o suporte social reduz em 60% o risco de ansiedade severa – oferece caminhos para intervenção. Contudo, a eficácia destas estratégias parece variar conforme o ano curricular e o tipo de demanda acadêmica, sugerindo a necessidade de abordagens personalizadas que considerem estas variáveis.
3.6 Abordagem e Manejo
Os achados da literatura convergem para indicar que a ansiedade no ensino médico é um fenômeno multifatorial que exige resposta institucional integrada, porém esta conclusão esconde profundas divergências sobre a natureza e o enfoque dessas intervenções. De um lado, Morais et al. (2025) defendem que estratégias baseadas em fatores protetores individuais – como fortalecimento de redes de apoio e desenvolvimento de resiliência – seriam suficientes para mitigar os impactos da ansiedade.
De outro, Amorim et al. (2024) argumentam que a eficácia dessas abordagens é limitada sem mudanças estruturais no modelo de formação, uma vez que a ansiedade apresenta padrões epidemiológicos consistentes que transcendem as variáveis individuais. Esta controvérsia expõe uma tensão fundamental no campo: enquanto alguns pesquisadores enfatizam a capacitação do estudante para lidar com as demandas do curso, outros defendem que é o próprio curso que precisa ser repensado para reduzir suas características patologizantes.
A comprovação do impacto heterogêneo da ansiedade no rendimento acadêmico – variando significativamente por gênero, ano curricular e modalidade avaliativa – reforça a inadequação de intervenções padronizadas, mas também revela discordâncias sobre as prioridades de ação. Pedra et al. (2025) demonstram que a ansiedade social predomina nos anos iniciais, enquanto Araújo et al. (2024) identificam a ansiedade de desempenho como mais prejudicial nos anos finais, criando um debate sobre se as intervenções deveriam ser calendarizadas conforme a progressão curricular.
Paralelamente, Tofanelli et al. (2024) focam na qualidade do sono como variável modificável importante, enquanto Andrade et al. (2020) enfatizam as estratégias pedagógicas como eixo central de mudança. Estas diferentes ênfases não representam meras preferências teóricas, mas refletem visões distintas sobre os mecanismos causais primários e, consequentemente, sobre onde alocar recursos institucionais escassos para maximizar o impacto tanto na saúde mental quanto no desempenho acadêmico dos estudantes de medicina.
A prevenção e o tratamento da ansiedade em estudantes de medicina demandam uma abordagem multifocal que transcenda o modelo tradicional centrado apenas no indivíduo. Para a prevenção, é fundamental que as instituições de ensino implementem mudanças estruturais, como a reavaliação da carga horária, a reformulação dos métodos avaliativos – reduzindo, por exemplo, o peso de exames teóricos isolados e incorporando mais avaliações formativas – e a criação de programas de mentoria que acompanhem a transição entre os diferentes ciclos do curso. Paralelamente, é importante promover, desde o ingresso do estudante, a psicoeducação sobre saúde mental, ensinando técnicas de gerenciamento de estresse e promovendo hábitos de vida saudáveis, com especial atenção para a higiene do sono, conforme destacado por Tofanelli et al. (2024).
No âmbito do tratamento, a eficácia máxima é alcançada através da integração de recursos, conforme defendem Santos e Araújo (2023), que demonstram a superioridade de abordagens multimodais no manejo da ansiedade. É imperativo que as faculdades ofereçam serviços de saúde mental internos, acessíveis e com profissionais especializados, que possam fornecer psicoterapias baseadas em evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental para o manejo da ansiedade de desempenho, abordagem cuja eficácia é respaldada por Andrade et al. (2020) em estudos com populações brasileiras. Esta necessidade de suporte institucional especializado é reforçada por Morais et al. (2025), que identificaram a falta de acesso a serviços de saúde como um dos principais fatores agravantes da ansiedade entre estudantes de medicina.
Em casos de maior gravidade, o encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico deve ser ágil e desestigmatizado, posição que encontra em destaque também no estudo de Araújo et al. (2024), ao documentarem que a demora no acesso a cuidados especializados está diretamente relacionada à cronificação dos sintomas ansiosos. A sinergia entre suporte institucional, suporte social entre pares – como grupos de acolhimento conduzidos por alunos de anos mais avançados – e intervenções individuais configura a estratégia mais robusta, conforme demonstrado por Tofanelli et al. (2024), cujos achados associam redes de apoio consolidada à melhora de 60% nos indicadores de saúde mental.
Esta abordagem integrada não apenas trata a ansiedade instalada, mas constrói um ambiente acadêmico que promove resiliência, prevenindo danos mais profundos à trajetória desses futuros médicos, concordando com a visão sistêmica proposta por Ardison et al. (2021) sobre a necessária transformação do modelo formação médica.
4 CONCLUSÃO
A revisão demonstra que a ansiedade impacta negativamente o desempenho acadêmico, com estudantes ansiosos apresentando notas inferiores. O prejuízo varia conforme a modalidade avaliativa, sendo mais pronunciado em provas teóricas que exigem recuperação mnêmica e em avaliações práticas que envolvem procedimentos simulados. A ansiedade flutua em momentos críticos do curso, com picos nos anos clínicos, e apresenta variações significativas de acordo com o gênero, sendo mais prevalente e severa em mulheres. A categorização confirma que o tipo de avaliação, o ano curricular e o sexo são moderadores cruciais do impacto da ansiedade no rendimento.
Esta revisão oferece um mapeamento detalhado das interfaces entre ansiedade e desempenho, fornecendo um substrato empírico para o desenvolvimento de intervenções acadêmicas direcionadas. As evidências sintetizadas permitem que instituições de ensino e docentes antecipem períodos de maior vulnerabilidade e adaptem seus métodos de ensino e avaliação, promovendo um ambiente de aprendizagem que mitigue os efeitos da ansiedade e potencialize o sucesso acadêmico dos estudantes de medicina.
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1 Graduando em Medicina. Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET). E-mail: levicoelhom@gmail.com
2 Graduanda em Medicina. Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET). E-mail: luma-padua@hotmail.com
3 Docente do curso de Medicina. Centro Universitário Tecnológico de Teresina (UNI-CET). E-mail: maurilioblima@hotmail.com
