REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301153
Samara da Costa Veras de Albuquerque
Julia Moreira Buccos
Jayane Verdam Ricardo
Fernanda Lyra Silva
Daniele Ferreira da Silva
Yasmim de Souza Valverde
Darciane Vinuto
RESUMO
A toxoplasmose é uma zoonose amplamente distribuída, causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii, capaz de infectar mamíferos e aves, incluindo seres humanos e animais domésticos. Os felinos são os únicos hospedeiros definitivos, responsáveis pela eliminação ambiental de oocistos, enquanto todas as demais espécies atuam como hospedeiros intermediários. Este trabalho tem como objetivo revisar aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos da toxoplasmose, com base em literatura especializada. A infecção ocorre principalmente por ingestão de oocistos presentes no ambiente ou de cistos teciduais em carnes cruas ou mal cozidas. No Brasil, estudos sorológicos revelam alta prevalência em cães e gatos, que podem atuar como sentinelas da contaminação ambiental. Em pequenos ruminantes, a doença é relevante por causar perdas reprodutivas, como abortos e mortalidade neonatal. Em cães e gatos, a doença clínica ocorre principalmente em animais imunossuprimidos, com manifestações neurológicas, respiratórias e oculares. O diagnóstico baseia-se em métodos sorológicos, parasitológicos e moleculares. Conclui-se que a toxoplasmose permanece como importante zoonose, exigindo ações integradas de vigilância sanitária e manejo adequado de animais domésticos.
Palavras-chave: Toxoplasma gondii; zoonose; felinos; pequenos animais; saúde pública.
1. INTRODUÇÃO
A toxoplasmose é uma das zoonoses mais importantes em medicina veterinária e saúde pública, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, pertencente ao filo Apicomplexa. Infecta naturalmente animais selvagens e domésticos, além do ser humano, havendo ampla distribuição geográfica influenciada por fatores climáticos, culturais e socioeconômicos.
A relevância da enfermidade decorre da possibilidade de causar abortos em diversas espécies, alterações congênitas em humanos, manifestações clínicas severas em indivíduos imunossuprimidos e impacto produtivo em ruminantes. Em pequenos animais, especialmente cães e gatos, a diversidade de sinais clínicos torna o diagnóstico desafiador, reforçando a importância da compreensão epidemiológica e clínica da infecção.
2. METODOLOGIA
Este artigo consiste em revisão narrativa, baseada nos seguintes documentos científicos:
Aspectos da toxoplasmose na clínica de pequenos animais (Galvão et al., 2014)
Ações de vigilância continuada: papel do cão como animal sentinela para toxoplasmose (Ullmann et al., 2008)
Toxoplasmose animal no Brasil (Fialho; Teixeira; Araújo, 2009)
3. ETIOLOGIA E CICLO BIOLÓGICO
O agente etiológico, Toxoplasma gondii, é um coccídeo intracelular obrigatório com três formas evolutivas:
Taquizoítos: replicação rápida durante fase aguda.
Bradizoítos: presentes em cistos teciduais na fase crônica.
Oocistos: eliminados apenas por felinos, tornando-se infectantes após esporulação no ambiente.
Felinos jovens, em primo-infecção, eliminam grandes quantidades de oocistos, que podem persistir no ambiente por meses devido à alta resistência.
4. EPIDEMIOLOGIA
A toxoplasmose apresenta elevada soroprevalência em animais domésticos no Brasil. Estudos mostram prevalências de 20% a mais de 80% em cães e gatos, dependendo da região e condições de manejo. Cães podem atuar como sentinelas, indicando contaminação ambiental por oocistos, visto que podem carrear o parasito mecanicamente ou apresentar soropositividade devido à exposição contínua.
Em ruminantes, especialmente ovinos e caprinos, a enfermidade é associada a importantes perdas reprodutivas, incluindo aborto, natimortalidade e mortalidade neonatal.
5. ASPECTOS CLÍNICOS
5.1 Pequenos animais (cães e gatos)
A maioria dos animais infectados permanece assintomática. Contudo, manifestações clínicas ocorrem principalmente em indivíduos jovens ou imunossuprimidos. Os sistemas mais afetados incluem:
Nervoso: convulsões, ataxia, paralisia.
Respiratório: pneumonia intersticial.
Ocular: uveíte, corioretinite.
Musculoesquelético: dor e fraqueza muscular.
Hepático e gastrointestinal: icterícia, diarreia.
Em gatos, infecções congênitas podem causar mortalidade neonatal e graves alterações sistêmicas.
5.2 Ruminantes
Em ovinos e caprinos, o parasito é causa frequente de aborto e problemas neonatais. Achados incluem linfadenite, encefalite, pneumonia e lesões hepáticas, além de alta mortalidade perinatal.
6. DIAGNÓSTICO
Os principais métodos diagnósticos incluem:
6.1 Sorológicos
RIFI, HAI e ELISA;
Utilizados para detectar anticorpos IgM (infecção recente) e IgG (infecção crônica). São amplamente empregados em monitoramento epidemiológico, especialmente em cães sentinelas.
6.2 Parasitológicos
Visualização de oocistos ou formas do parasito em tecidos ou fluídos corporais.
6.3 Moleculares
Técnicas de PCR permitem alta sensibilidade e especificidade.
7. MEDIDAS DE CONTROLE E PREVENÇÃO
Evitar oferta de carne crua a cães e gatos.
Impedir acesso de felinos a áreas de criação de ruminantes.
Higienizar ambientes contaminados com fezes felinas.
Educar populações sobre higiene alimentar e manejo de animais.
Monitorar cães como sentinelas em programas de vigilância ambiental.
Não existe vacina disponível para humanos; a vacina comercial é restrita a ovinos.
8. CONCLUSÃO
A toxoplasmose é uma zoonose de grande relevância sanitária, devido à ampla distribuição, variedade de hospedeiros e potencial de causar agravos clínicos e reprodutivos. Estudos mostram que cães e gatos desempenham papéis significativos na cadeia epidemiológica, sendo os felinos essenciais para a manutenção do parasito no ambiente. A doença continua representando desafio para saúde pública e produção animal, reforçando a necessidade de vigilância contínua, educação sanitária e manejo adequado das espécies domésticas.
REFERÊNCIAS
GALVÃO, A. L. B. et al. Aspectos da toxoplasmose na clínica de pequenos animais. Semina: Ciências Agrárias, v. 35, n. 1, p. 393-410, 2014.
ULLMANN, L. S. et al. Ações de vigilância continuada: papel do cão como animal sentinela para toxoplasmose. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 17, supl. 1, p. 345-347, 2008.
FIALHO, C. G.; TEIXEIRA, M. C.; ARAÚJO, F. A. P. Toxoplasmose animal no Brasil. Acta Scientiae Veterinariae, v. 37, n. 1, p. 1-23, 2009.
Afiliação: Universidade de Vassouras, Campos Saquarema – E-mail para correspondência: samaravalbuquerque@gmail.com
