TIRZEPATIDE AS AN ADVANCED THERAPEUTIC STRATEGY FOR THE MANAGEMENT OF TYPE 2 DIABETES MELLITUS AND ITS SYSTEMIC BENEFITS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch102025110515
Jucélia Humenhuk Bilibio
Orientador: Paulo Luciano Sanquetta
RESUMO
Esta revisão sistemática teve como objetivo analisar a eficácia, a segurança e os benefícios metabólicos da tirzepatida no tratamento do diabetes mellitus tipo 2, considerando estudos publicados nos últimos cinco anos. As buscas foram realizadas nas bases PubMed/MEDLINE, ScienceDirect, SciELO, Web of Science e Google Scholar, utilizando combinações de descritores e operadores booleanos. Dez estudos atenderam aos critérios de inclusão e foram avaliados integralmente. Os resultados mostraram que a tirzepatida promove reduções significativas da hemoglobina glicada, frequentemente superiores a 2%, além de expressiva perda ponderal, que em alguns estudos ultrapassou 10% do peso corporal. Também foram identificados benefícios metabólicos adicionais, como melhora da resistência insulínica, redução da gordura visceral e impacto positivo no perfil lipídico. O perfil de segurança apresentou principalmente eventos gastrointestinais leves e transitórios, semelhantes aos observados com agonistas de GLP-1. Alguns estudos comparativos indicaram desempenho superior da tirzepatida em relação à semaglutida na redução da glicemia e do peso corporal. Conclui-se que a tirzepatida representa uma alternativa terapêutica promissora, com efeitos amplos e potencial para melhorar desfechos metabólicos relevantes, embora estudos de longa duração ainda sejam necessários para confirmar seus impactos cardiovasculares.
Palavras-chave: tirzepatida; diabetes mellitus tipo 2; agonista GIP/GLP-1; controle glicêmico; perda ponderal.
ABSTRACT
This systematic review aimed to analyze the efficacy, safety, and metabolic benefits of tirzepatide in the treatment of type 2 diabetes mellitus, based on studies published over the last five years. Searches were carried out in PubMed/MEDLINE, ScienceDirect, SciELO, Web of Science, and Google Scholar, using Boolean combinations of descriptors. Ten studies met the inclusion criteria and were fully evaluated. The findings demonstrated that tirzepatide leads to significant reductions in glycated hemoglobin, often exceeding 2 percent, and promotes substantial weight loss, with some reports showing reductions greater than 10 percent of body weight. Additional metabolic benefits were identified, including improved insulin sensitivity, reduced visceral fat, and favorable effects on the lipid profile. The safety profile was primarily characterized by mild and transient gastrointestinal events, similar to those observed with GLP-1 receptor agonists. Some comparative studies indicated that tirzepatide outperforms semaglutide in glycemic reduction and weight loss. It is concluded that tirzepatide represents a promising therapeutic option with broad metabolic effects, although long-term studies are still required to confirm its cardiovascular outcomes.
Keywords: tirzepatide; type 2 diabetes mellitus; GIP/GLP-1 agonist; glycemic control; weight loss.
INTRODUÇÃO
A diabetes mellitus tipo 2 é uma doença que cresce de forma contínua no mundo e está diretamente ligada ao aumento da obesidade e dos estilos de vida mais sedentários. Muitos pacientes convivem por anos com níveis altos de glicose, mesmo utilizando diversos medicamentos, e isso acaba elevando o risco de complicações como infarto, AVC e problemas renais. Esse cenário mostra como ainda existe uma grande dificuldade em alcançar um controle glicêmico adequado na prática clínica, reforçando a necessidade de terapias mais completas e eficazes (Nauck; D’Alessio, 2022).
Os avanços nos tratamentos baseados em incretinas trouxeram bons resultados nos últimos anos, mas mesmo assim uma parcela importante dos pacientes continua sem atingir as metas de HbA1c recomendadas. Além disso, muitos medicamentos disponíveis agem apenas na glicose e têm pouco impacto sobre o peso corporal, que é um fator central na evolução da doença. Por isso, a busca por terapias que consigam atuar ao mesmo tempo no controle glicêmico, na saciedade e no metabolismo ganhou cada vez mais destaque (Fontes; Souza, 2023).
Foi nesse contexto que a tirzepatida começou a chamar atenção na literatura científica. Ela combina a ativação dos receptores GIP e GLP-1, o que resulta em uma resposta metabólica mais completa. Estudos mostram reduções de HbA1c superiores a 2,0%, mesmo em pacientes difíceis de tratar, e perdas de peso que ultrapassam 10% a 15% do peso corporal em vários grupos. Nos estudos SURPASS, a tirzepatida chegou a reduzir o peso em valores próximos aos observados na cirurgia bariátrica em alguns pacientes, o que representa um marco importante na terapia farmacológica (Paiva; Siqueira, 2024).
Além disso, diferentes artigos relatam benefícios que vão além da glicemia. A tirzepatida reduz gordura visceral, melhora a sensibilidade à insulina, contribui para diminuir inflamações metabólicas e ainda melhora o perfil lipídico, incluindo triglicerídeos e colesterol. Esses efeitos são especialmente relevantes porque a maioria dos pacientes com diabetes tipo 2 apresenta um conjunto de fatores de risco que envolvem muito mais do que apenas o açúcar elevado no sangue (Sokary; Bawadi, 2025).
Outra informação importante encontrada nas revisões é que a tirzepatida apresenta um bom perfil de segurança. Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, como náuseas e desconforto abdominal, e tendem a diminuir com o tempo. Estudos não mostraram aumento significativo de eventos cardiovasculares maiores, e há indícios de que a terapia pode até contribuir para reduzir esse risco em longo prazo, especialmente em pacientes com obesidade e risco aumentado (Rodrigues et al., 2023).
Comparações diretas entre tirzepatida e semaglutida mostram resultados consistentes: a tirzepatida apresenta maior redução da hemoglobina glicada (HbA1c) e maior perda de peso, mesmo usando doses equivalentes às praticadas na clínica, por atuar nos dois receptores o GLP-1 e GIP. Enquanto a semaglutina atua apenas no hormônio GLP-1. Em estudos como o SURPASS-2, esses resultados se repetiram de forma clara. A posologia semanal também favorece a adesão, facilitando o uso em longo prazo e aproximando o tratamento da rotina real dos pacientes (Cunha et al., 2025).
Diante desses achados, este estudo tem como foco analisar a tirzepatida como uma estratégia terapêutica moderna para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, considerando seus efeitos no controle glicêmico, na perda de peso, nos benefícios sistêmicos e na segurança. Busca-se compreender como essa molécula pode melhorar o cuidado metabólico, quais são suas contribuições clínicas e quais perspectivas ela oferece para o manejo futuro das doenças cardiometabólicas (Sato et al., 2025).
MÉTODO
Este estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática da literatura, desenvolvida com o objetivo de identificar, selecionar e sintetizar evidências científicas recentes sobre a tirzepatida no tratamento do diabetes mellitus tipo 2. A busca foi conduzida levando em consideração o crescente número de estudos publicados sobre agonistas duplos GIP/GLP-1 e sua relevância no controle glicêmico e metabólico. Para garantir atualidade, definiu-se como recorte temporal os últimos cinco anos, contemplando publicações entre janeiro de 2020 e novembro de 2025.
As buscas foram realizadas nas bases PubMed/MEDLINE, ScienceDirect, SciELO, Web of Science e Google Scholar como fonte complementar. Foram utilizados descritores DeCS/MeSH combinados aos operadores booleanos “AND” e “OR”. As principais combinações aplicadas foram: “tirzepatide” OR “tirzepatida” AND “type 2 diabetes” OR “diabetes mellitus tipo 2” AND “efficacy” OR “effectiveness” AND “safety”, além dos termos adicionais “GIP/GLP-1 dual agonist”, “SURPASS”, “metabolic benefits”, “weight loss” e “clinical trial”. Todos os resultados encontrados foram exportados e organizados em planilha para evitar duplicidades.
Foram considerados elegíveis estudos que atendessem aos seguintes critérios: 1) artigos publicados nos últimos cinco anos; 2) pesquisas envolvendo adultos com diabetes mellitus tipo 2; 3) estudos clínicos, metanálises ou revisões sistemáticas e narrativas relevantes; 4) textos completos disponíveis na íntegra; e 5) estudos que apresentassem resultados sobre eficácia, segurança ou efeitos metabólicos da tirzepatida. Os critérios de exclusão abrangeram: 1) estudos com animais ou modelos experimentais; 2) pesquisas com diabetes tipo 1, gestantes ou população pediátrica; 3) artigos duplicados; 4) resumos simples, cartas ao editor ou editoriais; e 5) publicações que não apresentavam dados úteis aos desfechos avaliados.
A seleção dos estudos ocorreu em três etapas sequenciais: leitura dos títulos, análise dos resumos e leitura integral dos artigos potencialmente elegíveis. Após essa triagem, 10 estudos atenderam a todos os critérios e foram incluídos na revisão. Entre eles encontram-se ensaios clínicos da série SURPASS, revisões sistemáticas, revisões narrativas e análises de segurança e eficácia da tirzepatida, fornecendo um panorama consistente sobre seus efeitos clínicos. De cada estudo selecionado, foram extraídas informações como ano de publicação, delineamento metodológico, tamanho e características da amostra, doses utilizadas, duração do tratamento, resultados referentes à hemoglobina glicada, perda de peso, eventos adversos e efeitos cardiometabólicos adicionais. Os dados foram analisados de forma qualitativa, buscando identificar convergências, divergências e padrões consistentes entre os estudos incluídos.
Por se tratar de uma revisão sistemática baseada exclusivamente em dados secundários já publicados e disponibilizados em domínio público, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme orientação normativa para estudos deste tipo. Todo o processo foi conduzido de forma transparente e reprodutível, respeitando rigor metodológico e critérios previamente estabelecidos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Tabela 1 – Autores utilizados na pesquisa.
| Autor(es) e ano | Título | Tipo de estudo | Intervenção / Comparador | Desfechos avaliados | Principais resultados |
| Nauck; D’Alessio (2022) | Tirzepatide, a dual GIP/GLP-1 receptor co agonist for the treatment of type 2 diabetes | Revisão narrativa | Tirzepatida vs GLP-1 isolados | HbA1c, peso, segurança | Redução de HbA1c >2%, perda de peso significativa e perfil de segurança semelhante ao GLP-1. |
| Sato et al. (2025) | Tirzepatida no manejo do diabetes mellitus tipo 2 e obesidade | Revisão narrativa | Tirzepatida | Peso, metabolismo, parâmetros clínicos | Perda de peso entre 10% e 15%, melhora metabólica ampla e boa tolerabilidade. |
| Yu et al. (2022) | Optimal dose of tirzepatide for type 2 diabetes | Metanálise | Tirzepatida em diferentes doses | Dose-resposta, HbA1c, peso, eventos adversos | Relação dose dependente; maior dose = melhor eficácia, porém mais efeitos GI. |
| Sokary; Bawadi (2025) | The promise of tirzepatide: metabolic benefits | Revisão narrativa | Tirzepatida | Gordura visceral, triglicerídeos, resistência insulínica | Redução de gordura visceral, melhora da inflamação e sensibilidade à insulina. |
| Paiva; Siqueira (2024) | O uso da tirzepatida no tratamento da diabetes tipo 2 | Revisão | Tirzepatida | Controle glicêmico, peso | Reduções robustas de HbA1c, perdas de peso consistentes e ação metabólica ampliada. |
| Martins et al. (2024) | Tirzepatida (Mounjaro): eficácia e segurança | Resumo de congresso | Tirzepatida | Segurança, peso, HbA1c | Boa tolerabilidade, perda de peso relevante e melhora glicêmica progressiva. |
| Bridi et al. (2025) | Uso de Mounjaro no controle do DM2 | Revisão | Tirzepatida | HbA1c, adesão, peso | Resultados clínicos superiores, adesão facilitada pelo uso semanal. |
| Rodrigues et al. (2023) | Eficácia e segurança da tirzepatida em fatores de risco cardiovascular | Revisão sistemática | Tirzepatida | Risco cardiovascular, lipídios, HbA1c | Melhora do perfil lipídico, bom perfil de segurança e possível proteção cardiovascular. |
| Cunha et al. (2025) | Monjaro: benefícios e malefícios | Revisão | Tirzepatida vs Semaglutida | HbA1c, peso, segurança | Tirzepatida superior à semaglutida em HbA1c e peso, com perfil de segurança semelhante. |
| Fontes; Souza (2023) | Tirzepatida: uma nova farmacoterapia | Revisão | Tirzepatida | Mecanismo, glicemia, parâmetros metabólicos | Ação dual detalhada; forte impacto metabólico e controle glicêmico melhorado. |
Fonte: Elaborada pela autora (2025).
Ao analisar os estudos incluídos nesta revisão, fica claro que a tirzepatida representa um avanço importante na terapêutica do diabetes tipo 2. A magnitude da redução da hemoglobina glicada relatada nos ensaios e revisões avaliadas supera a observada com vários tratamentos atualmente disponíveis. Essa superioridade pode ser explicada pela combinação única do agonismo duplo GIP e GLP-1, que amplia o efeito incretinomimético e favorece uma resposta metabólica mais intensa, como descrito por Nauck e D’Alessio (2022). A literatura recente reforça esse achado ao demonstrar reduções consistentes acima de 2%, mesmo em populações com controle glicêmico difícil.
Os estudos também convergem ao mostrar que a tirzepatida promove uma perda de peso significativa, o que é especialmente relevante em um cenário onde a obesidade está intimamente ligada à progressão do diabetes tipo 2. Essa perda ponderal expressiva, frequentemente acima de 10% do peso corporal, foi observada em diferentes estudos nos últimos cinco anos, incluindo revisões nacionais e internacionais. O trabalho de Paiva e Siqueira (2024) reforça que esse efeito se mantém mesmo em pacientes com obesidade grave, indicando uma ação metabólica mais ampla que a observada com incretinomiméticos tradicionais.
A melhora do perfil cardiometabólico foi outro ponto consistente identificado nos artigos. Estudos como os de Sokary e Bawadi (2025) mostraram reduções de gordura visceral, melhora da resistência insulínica e efeitos positivos no perfil lipídico. Esses resultados ajudam a explicar porque a tirzepatida tem sido discutida não apenas como um medicamento para controle da diabetes, mas como uma terapia potencialmente útil para reduzir o risco cardiovascular. Autores internacionais, como Yang et al. (2024), destacam essa possibilidade ao demonstrar efeitos que vão além da glicemia, influenciando inflamação e função endotelial.
Quando os resultados são comparados com literatura recente sobre agonistas de GLP-1, observa-se uma diferença importante. Estudos comparativos mostram que, embora ambas as classes promovam benefícios metabólicos, a tirzepatida apresenta desempenho superior na maioria dos desfechos avaliados, especialmente no peso e na hemoglobina glicada. Isso foi confirmado por Cunha et al. (2025), que analisaram diretamente a tirzepatida e a semaglutida e observaram uma vantagem consistente para a tirzepatida em doses equivalentes às utilizadas na prática clínica.
O perfil de segurança encontrado nesta revisão está alinhado com os dados publicados internacionalmente. Os efeitos adversos gastrointestinais são os mais frequentes, porém tendem a diminuir ao longo do tratamento. Rodrigues et al. (2023) destacaram que a tirzepatida mantém um perfil de segurança semelhante ao dos agonistas de GLP-1, reforçando que a presença de efeitos adversos não reduz sua aplicabilidade clínica. A ausência de aumento significativo de eventos cardiovasculares maiores também é um ponto positivo apontado tanto por estudos nacionais quanto internacionais.
A literatura mais recente também destaca a adesão como fator determinante de sucesso terapêutico no diabetes tipo 2. Nesse ponto, a posologia semanal da tirzepatida foi amplamente citada como um facilitador para o paciente. Estudos como o de Bridi et al. (2025) mostram que o esquema semanal ajuda na continuidade do tratamento e reduz esquecimentos, uma barreira comum na prática clínica.
Os achados desta revisão também sugerem que a tirzepatida pode oferecer benefícios adicionais para pacientes com múltiplos fatores de risco metabólico. Essa interpretação se apoia em estudos como o de Yang et al. (2024), que mostraram impacto positivo na inflamação metabólica, no perfil lipídico e na gordura visceral. Tais efeitos indicam que a tirzepatida pode desempenhar um papel importante não apenas na glicemia, mas na melhoria global do metabolismo.
A consistência dos resultados entre os estudos analisados, independentemente do tipo de delineamento, demonstra a robustez das evidências disponíveis até o momento. Revisões narrativas, metanálises e estudos clínicos apontam para a mesma direção: a tirzepatida é uma terapia altamente eficaz, segura e com potencial de transformar o manejo do diabetes tipo 2.
Além disso, a literatura internacional dos últimos cinco anos reforça que o avanço da tirzepatida acompanha uma tendência maior na endocrinologia atual, que busca medicamentos capazes de tratar simultaneamente a hiperglicemia, a obesidade e fatores de risco cardiovasculares. Esse enfoque integrado está alinhado às necessidades reais da população com diabetes, que muitas vezes apresenta múltiplos fatores de risco simultaneamente.
Por fim, os resultados discutidos nesta revisão sugerem que a tirzepatida se destaca como uma terapia com potencial de redefinir estratégias de tratamento no diabetes tipo 2. Sua capacidade de atuar em diferentes vias metabólicas e seus efeitos amplos sobre glicemia, peso e risco cardiometabólico contribuem para uma abordagem mais completa do paciente, o que justifica seu crescente interesse em pesquisas e sua adoção progressiva por diferentes diretrizes internacionais.
CONCLUSÃO
Os estudos analisados nesta revisão demonstram que a tirzepatida se destaca como uma das terapias mais promissoras para o manejo do diabetes mellitus tipo 2 nos últimos anos. Sua ação dual nos receptores GIP e GLP-1 contribui para reduções expressivas da hemoglobina glicada, perda de peso clinicamente significativa e melhora consistente de parâmetros cardiometabólicos, resultados observados de forma repetida em diferentes desenhos de estudo e populações avaliadas (Nauck; D’Alessio, 2022; Yu; Zhang; Liu; Hu; Li; Wang, et al., 2022). Esses achados reforçam que a tirzepatida atua de maneira mais ampla do que muitas terapias atualmente disponíveis, impactando diretamente a resistência insulínica, a composição corporal e processos inflamatórios associados à progressão da doença.
Outro ponto importante evidenciado nos estudos é o perfil de segurança favorável da tirzepatida, com predominância de eventos gastrointestinais leves e autolimitados, semelhantes aos observados com agonistas de GLP-1. Não foram identificados aumentos significativos de eventos cardiovasculares maiores, e algumas publicações até sugerem possível benefício em longo prazo (Rodrigues; Alves; Pereira; Santos; Lima; Correia, et al., 2023). Esses dados fortalecem a aplicabilidade clínica do medicamento e indicam que seu uso pode ser seguro para grande parte dos pacientes, inclusive aqueles com múltiplos fatores de risco metabólico.
Os resultados também apontam que a tirzepatida apresenta desempenho superior ao de terapias consolidadas, como a semaglutida, especialmente quanto à redução da HbA1c e à perda de peso, conforme observado em estudos comparativos recentes (Cunha; Souza; Almeida; Vieira; Prado; Ramos, et al., 2025). Embora essa comparação não tenha sido o objetivo principal desta revisão, ela traz informações relevantes para a prática clínica atual, especialmente no contexto de pacientes com obesidade acentuada ou controle glicêmico inadequado.
Apesar dos resultados positivos, esta revisão apresenta limitações, incluindo a predominância de revisões narrativas entre os estudos incluídos, diferenças metodológicas entre as pesquisas analisadas e a ausência de ensaios clínicos de longo prazo que avaliem diretamente desfechos cardiovasculares robustos. Além disso, como os estudos mais recentes ainda estão em andamento ou em fase de publicação, alguns achados precisam ser confirmados em pesquisas futuras com maior duração e amostras mais diversificadas.
Diante das evidências disponíveis, a tirzepatida se apresenta como uma terapia moderna, eficaz e com impacto metabólico ampliado, oferecendo benefícios que ultrapassam o controle glicêmico tradicional. Sua utilização tende a crescer, e futuras pesquisas devem aprofundar seu papel na prevenção de complicações cardiovasculares, na modulação inflamatória e no manejo integrado da síndrome metabólica. Estudos comparativos diretos com outros agonistas de incretinas e investigações de longo prazo serão essenciais para definir seu posicionamento definitivo nas diretrizes clínicas.
REFERÊNCIAS
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1Graduanda em Farmácia da Uniguairacá Centro Universitário email: juhu1307@gmail.com
