TERAPIAS REGENERATIVAS NO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

REGENERATIVE THERAPIES IN THE AGING PROCESS: ASYSTEMATIC REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511301923


Maria Eduarda Piaia Paulo1
Géssica Caroline da Silva2


Resumo

O avanço das terapias regenerativas na estética facial tem transformado a forma como se compreende o processo de envelhecimento cutâneo, permitindo intervenções que estimulam mecanismos biológicos de regeneração celular e remodelação tecidual. O objetivo deste trabalho, é analisar as principais terapias regenerativas aplicadas à harmonização facial, destacando sua eficácia no gerenciamento do envelhecimento. Este estudo justifica-se pela necessidade de reunir evidências científicas que orientem a escolha clínica das terapias mais adequadas e seguras, diante da crescente diversidade de métodos disponíveis. A metodologia adotada consiste em uma revisão sistemática, desenvolvida a partir de artigos científicos publicados nos últimos cinco anos, selecionados nas bases PubMed, LILACS e Google Scholar, segundo critérios de relevância e qualidade metodológica. Os resultados demonstram que terapias como plasma rico em plaquetas (PRP), fibrina rica em plaquetas, bioestimuladores de colágeno e células-tronco derivadas do tecido adiposo, promovem regeneração tecidual eficaz e resultados progressivos, variando conforme o perfil clínico do paciente. Também fica evidente na investigação que não existe uma terapia regenerativa única e universalmente superior, havendo a necessidade de adequação das técnicas ao perfil clínico de cada paciente. Fatores como idade, grau de flacidez, tipo de pele e características anatômicas influenciam diretamente na resposta terapêutica e nos resultados obtidos. As terapias regenerativas, quando aplicadas de forma individualizada e baseada em evidências, representam estratégias promissoras e seguras na harmonização facial, proporcionando rejuvenescimento natural e duradouro.

Palavras-chave: Rejuvenescimento facial. Estética facial. Bioestimulação. Células-tronco. Regeneração tecidual.

ABSTRACT

Advances in regenerative therapies in facial aesthetics have transformed the understanding of the skin-aging process by enabling interventions that stimulate biological mechanisms of cellular regeneration and tissue remodeling. This study aimed to analyze the main regenerative therapies applied to facial harmonization, highlighting their effectiveness in managing aging. The research is justified by the need to gather scientific evidence that guides the clinical selection of the most appropriate and safe therapies, given the growing diversity of available techniques. The methodology consisted of a systematic review based on scientific articles published in the last five years, selected from recognized databases (PubMed, LILACS and Google Scholar) according to relevance and methodological quality criteria. The results demonstrated that therapies such as platelet-rich plasma (PRP), platelet-rich fibrin (PRF), collagen biostimulators, and adipose-derived stem cells promote effective tissue regeneration and progressive results, varying according to the clinical profile of each patient. The investigation also showed that no single regenerative therapy is universally superior, underscoring the need for individualized approaches. Factors such as age, degree of skin laxity, skin type, and anatomical characteristics directly influence therapeutic response and the outcomes obtained. When applied in a personalized and evidence-based manner, regenerative therapies represent safe and promising strategies in facial harmonization, providing natural and long-lasting rejuvenation.

Keywords: Facial rejuvenation. Facial aesthetics. Biostimulation. Stem cells. Tissue regeneration.

1 INTRODUÇÃO

A regeneração tecidual aplicada à estética facial configura um campo de interesse científico crescente, pois permite compreender as alterações estruturais associadas ao envelhecimento cutâneo e a forma como intervenções biotecnológicas podem modular esses processos. O processo envolve um conjunto de alterações como a redução progressiva da síntese de colágeno, aumento do estresse oxidativo, glicação das fibras estruturais e desaceleração metabólica celular, resultando em perda de firmeza e qualidade da pele. A inserção de terapias regenerativas na harmonização facial oferece alternativas capazes de estimular reparo celular, síntese de matriz extracelular e reorganização tecidual, estabelecendo bases para análises comparativas entre diferentes métodos (Coimbra; Uribe; Oliveira, 2014).

A ampliação da demanda por procedimentos minimamente invasivos e biologicamente integrados motivou estudos sobre técnicas que utilizam derivados plaquetários, bioestimuladores e células-tronco como alternativas destinadas ao rejuvenescimento facial. Tais métodos se baseiam na ativação de mecanismos reparadores endógenos, permitindo resultados graduais e compatíveis com parâmetros de naturalidade procurados na prática clínica contemporânea.

A consolidação desses conhecimentos possibilita compreender a variedade de respostas clínicas observadas entre pacientes, considerando desde características individuais ate diferenças metodológicas entre técnicas. Essa variabilidade destaca a relevância de estudos que avaliem eficácia, segurança e aplicabilidade das terapias regenerativas em diferentes contextos estéticos (Biscaia; Pepes, 2025; Alecrim; De Oliveira; Leite, 2023).

O objetivo geral deste estudo centra-se na investigação comparativa das terapias regenerativas aplicadas à harmonização facial, com foco na identificação de abordagens mais eficazes diante de diferentes perfis clínicos, descrevendo seus fundamentos biológicos e os efeitos esperados sobre os tecidos cutâneos. A proposta é analisar como esses recursos atuam no estímulo da regeneração celular e na melhoria estrutural da pele, permitindo identificar suas contribuições para o rejuvenescimento facial dentro de uma perspectiva científica atualizada.

A diversidade de técnicas disponíveis e a heterogeneidade dos resultados encontrados na prática clínica geram questionamentos sobre a superioridade de determinados métodos, dessa forma o trabalho busca reunir evidências que auxiliem na escolha clínica de intervenções regenerativas fundamentadas em segurança, coerência fisiológica e resultados progressivos (Biscaia; Pepes, 2025; Alecrim; De Oliveira; Leite, 2023).

2 METODOLOGIA

Este estudo adota um delineamento descritivo e qualitativo, conduzido por meio de uma revisão sistemática que permite examinar de forma crítica o uso de terapias regenerativas aplicadas à harmonização facial.

A busca pelos estudos ocorre de maneira sistematizada em bases de dados reconhecidas, incluindo PubMed, LILACS e Google Scholar, possibilitando amplitude na coleta de informações. São empregados descritores em português e inglês, incluindo: “estética facial”, “bioestimulação”, “rejuvenescimento facial”, “regeneração celular”, “plasma rico em plaquetas”, “platelet rich plasma”, “platelet rich fibrin”, “collagen biostimulation” e “facial rejuvenation”. As buscas foram realizadas utilizando operadores booleanos, tais como AND e OR, para combinar os termos e ampliar a precisão dos resultados.

A seleção dos materiais considera publicações disponibilizadas nos idiomas português, inglês e espanhol, dentro do recorte temporal dos últimos cinco anos, assegurando atualidade nas evidências reunidas e alinhamento com práticas contemporâneas da medicina regenerativa aplicada à estética.

Os critérios de inclusão contemplam artigos originais e revisões que abordem diretamente terapias regenerativas aplicadas ao rejuvenescimento facial, com ênfase em modalidades como plasma rico em plaquetas, fibrina rica em plaquetas, ácido poli-L-láctico, hidroxiapatita de cálcio e células-tronco derivadas do tecido adiposo. Foram excluídos estudos duplicados, publicações com baixa consistência metodológica como a ausência de descrição da amostra, falta de detalhamento dos procedimentos, resultados inconclusivos, ausência de análise estatística, relatos sem validação clínica ou materiais que não apresentavam relação direta com protocolos regenerativos. Essa filtragem permite selecionar produções científicas que apresentam rigor técnico e descrição clara dos métodos empregados.

A amostragem obtida resulta da seleção que seguiu critérios pré-estabelecidos de relevância científica, clareza metodológica e aplicabilidade clínica, priorizando estudos com descrição detalhada dos procedimentos, características das amostras e desfechos avaliados. A análise comparativa entre os trabalhos escolhidos permitiu identificar convergências em mecanismos fisiológicos, divergências metodológicas e lacunas investigativas relacionadas à padronização de protocolos. A interpretação seguiu abordagem integrativa, articulando fundamentos biotecnológicos e resultados clínicos descritos, garantindo consistência na construção de uma síntese crítica sobre eficácia e segurança das diferentes terapias regenerativas.

A etapa analítica ocorre em duas fases complementares: na primeira, foi realizada a organização dos dados extraídos dos artigos selecionados, considerando aspectos como desenho do estudo, população avaliada, técnica utilizada e principais achados; na segunda, aplicaram-se os critérios de elegibilidade anteriormente definidos, assegurando inclusão apenas de publicações que demonstrassem coerência metodológica e relevância temática. A interpretação final baseou-se na avaliação crítica dos conteúdos, contemplando impacto clínico, bases fisiológicas e potenciais contribuições das terapias regenerativas para o manejo do envelhecimento facial em diferentes perfis de pacientes. A seguir o fluxograma referente ao processo de identificação, triagem, elegibilidade e seleção dos artigos incluídos na revisão sistemática (Figura 1).

Figura 1. Fluxograma PRISMA demonstrando as etapas de identificação, elegibilidade e inclusão dos artigos. Fonte: autoria própria, 2025.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A Tabela 1 reuniu os estudos utilizados neste estudo, organizando informações referentes aos títulos, autores, objetivos e principais resultados apresentados em cada investigação. A disposição sistemática dos dados permitiu visualizar de forma clara a diversidade metodológica e a amplitude das abordagens regenerativas analisadas, facilitando a compreensão comparativa entre terapias celulares, hemoderivados, bioestimuladores e biomateriais aplicados ao rejuvenescimento facial.

Tabela 1. Estudos sobre terapias regenerativas aplicadas à estética facial

Fonte: Autoria Própria, 2025.

Os estudos apresentados na Tabela 1 oferecem um panorama abrangente das principais abordagens, permitindo identificar tendências, avanços e lacunas ainda presentes na literatura. A partir dessa organização, torna-se possível aprofundar a análise sobre os mecanismos de ação, efeitos clínicos e aplicações específicas de cada modalidade terapêutica, conforme detalhado a seguir.

As terapias celulares revelam efeitos expressivos sobre parâmetros estruturais da pele ao estimularem síntese de matriz extracelular, modularem processos inflamatórios e estimularem o reparo tecidual após aplicação de células-tronco mesenquimais, com destaque para perfis secretômicos associados à angiogênese e ao reparo dérmico conforme descrito por Terranova et al. (2024). Palomba et al. (2025) reforçam tais resultados e salientam a necessidade de padronização de preparo celular, apontando variabilidade de resposta ligada à origem tecidual e ao método de processamento. Em ambos os relatos, a segurança clínica foi considerada satisfatória quando observados critérios rigorosos de seleção e controle de qualidade.. Silva Pereira, Dos Santos e Cerqueira (2025) observam aumento de elasticidade e vascularização cutânea, enquanto Guedes et al. (2025) registram ações imunomoduladoras que sustentaram a aplicação de células-tronco em protocolos regenerativos.

Hemoderivados apresentam resultados consistentes ao favorecerem reorganização dérmica e estímulo a fibras estruturais. Biscaia e Pepes (2025) documentam que o PRF promove melhora gradual da firmeza e textura com baixa incidência de intercorrências. Roque e Lima (2023) mostram que a ozonização do i-PRF intensifica a bioestimulação inicial mantendo tolerabilidade satisfatória. Torres e Tenório (2024) identificam aceleração da granulação e epitelização em feridas tratadas com matrizes de fibrina, evidência que reforçou a utilidade dessas estruturas no suporte regenerativo aplicável ao rejuvenescimento facial.

Bioestimuladores e biorremodeladores exibiram ganhos relevantes na espessura dérmica e no suporte profundo. Matos et al. (2023) verificaram que substâncias como PLLA e CaHA induziram neocolagênese progressiva decorrente de inflamação controlada. Feitosa (2021) relatou que técnicas de indução percutânea de colágeno aumentaram a densidade tecidual, embora exigissem padronização metodológica. Morato et al. (2024) demonstram que formulações específicas de ácido hialurônico exerceram reforço estrutural associado à hidratação sustentada. Amaral (2024) apresenta princípios regenerativos minimamente invasivos aplicáveis à reestruturação cutânea.

Biomateriais e princípios de engenharia tecidual ampliaram a compreensão sobre estratégias regenerativas. Barbosa et al. (2024) mostram que condições cardiovasculares associadas ao envelhecimento exigiram análise clínica ampliada antes de intervenções estimuladoras. Matias (2025) registrou alterações imunológicas que justificaram abordagens moduladoras, enquanto Araújo Pereira, Da Silva Toratti e Da Silva (2024) destacaram impactos do estresse oxidativo e da glicação na resposta terapêutica cutânea.

Evidências específicas para rejuvenescimento facial com células-tronco derivadas do tecido adiposo sugerem benefícios consistentes. Silva Pereira, Dos Santos e Cerqueira (2025) relatam melhora de elasticidade, densidade dérmica e vascularização capilar superficial, com manutenção de efeitos em segmentos de médio prazo. Guedes et al. (2025) ampliam a base translacional ao documentar, em doenças degenerativas, ações paracrinas imunomoduladoras e tróficas que sustentam o racional de uso em pele fotoenvelhecida. A convergência desses dados indica que protocolos autólogos, quando bem caracterizados, podem favorecer biorremodelação com baixo risco de reações adversas relevantes.

Resultados com hemoderivados mostram desempenho favorável em contextos estéticos e reparadores. Biscaia e Pepes (2025) sintetizam evidências de eficácia do PRF na melhora de textura e firmeza, com baixa taxa de intercorrências e resposta progressiva. Roque e Lima (2023) relatam que a ozonização do i-PRF potencializa a bioestimulação inicial sem comprometer a tolerabilidade tecidual. Torres e Tenório (2024), em feridas crônicas, observam que matrizes de fibrina leucoplaquetária autólogas aceleram granulação e epitelização, sugerindo aplicabilidade de arquitetura fibrinosa como suporte regenerativo, princípio alinhado às necessidades de remodelação cutânea facial.

A bioquímica do envelhecimento e a imunossenescência explicam variabilidade de resposta terapêutica e orientam combinações racionais. Araújo Pereira, Da Silva Toratti e Da Silva (2024) descrevem papéis do estresse oxidativo, glicação avançada e declínio enzimático na degradação de colágeno, sustentando intervenções que somem estímulo matricial e controle inflamatório. Matias (2025) detalha alterações do sistema imune cutâneo associadas a reparo tardio e inflamação de baixa intensidade, contexto no qual terapias autólogas e biossinalização dirigida apresentam vantagem biocompatível, os dados sustentam seleção individualizada baseada em fototipo, grau de flacidez e carga inflamatória subclínica.

Indutores de colágeno e biorremodeladores consolidam o espessamento dérmico e definição de contornos. Matos et al. (2023) documentam que PLLA e CaHA induzem neocolagênese por inflamação controlada, com ganhos graduais de firmeza e suporte. Feitosa (2021) reúne evidências de indução percutânea de colágeno no manejo de degradação cutânea, apontando necessidade de padronizar desfechos e tempos de seguimento. Morato et al. (2024) relatam que determinados ácidos hialurônicos exercem reestruturação da matriz e hidratação com perfil de segurança adequado. Amaral (2024) demonstra, em ginecologia regenerativa, princípios minimamente invasivos transponíveis à prática facial.

Integração com biomateriais e princípios de engenharia tecidual emerge como vetor de desempenho. Dias et al. (2024) identificam que a combinação entre biomateriais e terapias celulares intensifica processos reparadores, potencializando a vascularização e favorecendo tanto a regeneração óssea quanto o remodelamento dérmico; os autores ressaltam que a integração entre scaffolds biocompatíveis e sinalização celular oferece um paralelo conceitual aplicável ao desenvolvimento de composições dérmicas voltadas para estímulo tecidual. Barbosa et al. (2024) lembram que o envelhecimento cursa com alterações cardiovasculares relevantes, recomendando avaliação clínica ampliada ao planejar bioestimulação em pacientes com comorbidades, os resultados apontam que personalização, estratificação de risco e integração de tecnologias elevam previsibilidade e segurança.

A discussão dos resultados obtidos evidencia que as terapias regenerativas aplicadas à estética facial representam um avanço na abordagem clínica do envelhecimento cutâneo, integrando biotecnologia e medicina regenerativa. A análise das evidências disponíveis confirma que os métodos baseados em regeneração celular, bioestimulação e uso de biomateriais autólogos possuem capacidade comprovada de promover reestruturação tecidual e restauração funcional da pele. Terranova et al. (2024) e Palomba et al. (2025) demonstram que o uso de células-tronco mesenquimais derivadas do tecido adiposo exerce efeito direto sobre a regeneração dérmica, com estímulo à síntese de colágeno, angiogênese e modulação inflamatória, configurando como ferramenta promissora no rejuvenescimento facial.

A problemática inicialmente proposta referente à definição da terapia regenerativa mais eficaz na harmonização facial encontra respostas parciais e condicionais aos perfis clínicos dos pacientes. Os resultados sugerem que não existe uma técnica universalmente superior e sim abordagens complementares que devem ser selecionadas conforme fatores como idade, grau de flacidez e características fisiológicas individuais. Silva Pereira, Dos Santos e Cerqueira (2025) reforçam que o uso de células-tronco autólogas é mais indicado em pacientes com envelhecimento moderado e estrutura dérmica preservada, enquanto Matos et al. (2023) destacam que bioestimuladores particulados, como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio, apresentam melhor desempenho em casos de flacidez mais avançada. A análise comparativa entre as técnicas revelou ainda que os derivados plaquetários,

como PRP e PRF, constituem terapias seguras e de baixo custo, capazes de proporcionar melhora visível na textura e firmeza da pele. Biscaia e Pepes (2025) e Roque e Lima (2023) demonstram que a fibrina rica em plaquetas estimula a liberação de fatores de crescimento responsáveis pela regeneração tecidual, atuando sobre colágeno tipo I e III e promovendo regeneração progressiva. A introdução de variações tecnológicas, como o i-PRF ozonizado, amplia a eficácia clínica e acelera a resposta inicial, sendo especialmente útil em tratamentos de manutenção ou protocolos combinados. Tais evidências reforçam que a escolha da terapia deve considerar tanto a profundidade das alterações dérmicas quanto o objetivo estético almejado.

Araújo Pereira, Da Silva Toratti e Da Silva (2024) e Matias (2025) demonstram que a compreensão da bioquímica do envelhecimento e da imunossenescência é fundamental para o sucesso terapêutico pois tais processos determinam como a pele responde aos estímulos regenerativos. O envelhecimento cutâneo, marcado por degradação de colágeno e disfunção do sistema imune da pele, exige abordagens capazes de restaurar a homeostase celular e a integridade da matriz extracelular. Nesse contexto, a utilização de terapias autólogas, biorremodeladores e peptídeos biomiméticos mostra-se coerente com as alterações fisiológicas descritas, atuando tanto no estímulo matricial quanto na modulação da inflamação, favorecendo um reparo mais eficiente e reduzindo o risco de reações adversas. Assim, a eficácia está vinculada à capacidade de cada método em modular a resposta inflamatória e estimular processos fisiológicos intrínsecos de reparo.

Em relação à aplicabilidade clínica, as evidências apresentadas por Dias et al. (2024) e Torres e Tenório (2024) indicam que os princípios regenerativos, originalmente aplicados à regeneração óssea e cicatrização tecidual, podem ser transpostos com sucesso para a estética facial. O uso de matrizes de fibrina leucoplaquetária e biomateriais bioativos favorece a reparação controlada e o remodelamento estrutural, o que reforça a interconexão entre terapias estéticas e medicina regenerativa, a constatação confirma a hipótese alternativa (H₁), segundo a qual diferentes terapias apresentam eficácia variável conforme as condições anatômicas e biológicas dos pacientes, convergem na indicação de protocolos híbridos, que associam bioestimuladores, hemoderivados e técnicas celulares para alcançar resultados mais equilibrados e duradouros.

Ao comparar os resultados encontrados com os objetivos da pesquisa, verifica-se que o objetivo geral de descrever e analisar as principais terapias regenerativas utilizadas na estética facial foi plenamente atingido. A revisão permitiu identificar os mecanismos fisiológicos de ação e os efeitos clínicos das principais modalidades terapêuticas, atendendo também aos objetivos específicos de comparar resultados em diferentes perfis clínicos e compreender as variáveis que interferem na resposta cutânea. Os dados apontam que terapias baseadas em regeneração tecidual, quando aplicadas de forma individualizada, produzem efeitos cumulativos superiores aos métodos corretivos tradicionais, evidenciando avanço na harmonização facial contemporânea.

A escolha da terapia regenerativa mais eficaz deve seguir um raciocínio clínico baseado em evidências, integrando o conhecimento da fisiologia do envelhecimento, o perfil individual do paciente e o tipo de regeneração desejada, o futuro da estética facial está orientado para a personalização terapêutica e para a integração de técnicas que combinem resultados imediatos com estímulo biológico de longo prazo. Portanto, a problemática que norteou este estudo qual a melhor terapia regenerativa para diferentes situações clínicas na harmonização facial é respondida pela constatação de que a eficácia máxima é obtida por meio da associação estratégica de métodos, respeitando as particularidades biológicas de cada indivíduo e promovendo rejuvenescimento seguro, gradual e fisiologicamente sustentável.

4 CONCLUSÃO

A análise permitiu reconhecer queas terapias regenerativas aplicadas à harmonização facial incluindo células-tronco, hemoderivados, biomateriais, bioestimuladores e peptídeos biomiméticos apresentam potencial significativo para melhorar parâmetros estruturais da pele, modulando inflamação, estimulando síntese de matriz extracelular e favorecendo reorganização tecidual. A análise comparativa dos estudos demonstra que a eficácia clínica depende da compreensão dos mecanismos fisiológicos envolvidos no envelhecimento cutâneo, especialmente das alterações relacionadas à imunossenescência, à degradação do colágeno e à disfunção do microambiente celular.

De forma geral, as evidências apontam que diferentes abordagens regenerativas podem ser utilizadas de maneira complementar, respeitando características biológicas do paciente e critérios rigorosos de seleção e processamento. A integração entre achados científicos e protocolos clínicos atualizados reforça a importância de intervenções personalizadas e fundamentadas em segurança. Assim, este estudo contribui para a seleção mais precisa de técnicas regenerativas na prática estética facial, fortalecendo a tomada de decisão e a qualidade dos resultados clínicos. A integração entre ciência e prática clínica reafirma que a estética regenerativa restaura a aparência e promove a renovação biológica dos tecidos, contribuindo para uma abordagem mais segura, duradoura e alinhada ao conceito de envelhecimento saudável.

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1 Discente do Curso Superior de Biomedicina do Instituto UNIVEL Campus Cascavel – PR e-mail: mpiaiapaulo@gmail.com
2 Docente do Curso Superior de Biomedicina do Instituto UNIVEL Campus Cascavel – PR. Mestre em Ciências Farmacêuticas (UNIOESTE, 2021) – Especialista em Biomedicina Estética (NEPUGA). e-mail: