ANÁLISE DA PERMEABILIDADE SUPERFICIAL NA SUB-BACIA DO CÓRREGO ACABA MUNDO

ANALYSIS OF SURFACE PERMEABILITY IN THE SUB-BASIN OF THE ACABA MUNDO STREAM

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511302016


Mateus Oliveira Claudino1
Cynara Fielder Bremer2


Resumo: A avaliação da permeabilidade do solo é um componente-chave para entender como a expansão urbana tem alterado o comportamento hidrológico da sub-bacia do Córrego Acaba Mundo. A conversão de áreas vegetadas em superfícies pavimentadas e edificadas diminui de forma expressiva a capacidade de infiltração, intensificando o escoamento superficial e ampliando o risco de alagamentos e inundações. Essa transformação modifica o equilíbrio hídrico local, reduz a recarga subterrânea e pressiona ainda mais o sistema de drenagem, sobretudo em setores com grande adensamento urbano e topografia inclinada.

Neste trabalho, a análise da permeabilidade foi realizada por meio de imagens de alta resolução e técnicas de classificação espectral, permitindo diferenciar áreas impermeáveis de superfícies com vegetação e atribuir índices relativos de infiltração. Essa metodologia possibilitou localizar espacialmente os pontos mais críticos de impermeabilização e estimar o potencial de infiltração em distintos cenários de ocupação. Também foram simuladas intervenções baseadas em Soluções Baseadas na Natureza (SBN), como corredores ecológicos, canteiros verdes e parques urbanos, a fim de projetar ganhos de permeabilidade e a consequente diminuição do coeficiente de escoamento superficial.

Os achados demonstram como a configuração urbana influencia diretamente o comportamento das águas pluviais e evidenciam o papel das infraestruturas verdes na recuperação das funções naturais do solo. Assim, a investigação da permeabilidade e do escoamento urbano torna-se indispensável para orientar propostas integradas de drenagem sustentável e adaptação climática para a bacia do Acaba Mundo.

Palavras-chave: Soluções Baseadas na Natureza (SBN), Urbanização Sustentável, Resiliência Climática, Qualidade de Vida Urbana

Abstract: Understanding surface permeability is essential to assess the impacts of urbanization on the hydrological dynamics of the Acaba Mundo Stream sub-basin. The progressive replacement of vegetated cover by pavements and buildings has significantly reduced the soil’s infiltration capacity, increasing surface runoff and the vulnerability to floods and inundations. This process alters the local water balance, compromises groundwater recharge, and intensifies the overload of stormwater drainage systems, especially in areas of high building density and steep slopes.

In this study, the analysis of permeability was carried out using high-resolution imagery and spectral classification of land cover, allowing the distinction between impermeable and vegetated surfaces and the attribution of relative infiltration values. This approach enabled the spatial identification of critical impermeable zones and the quantification of infiltration potential under different land-use scenarios. In addition, interventions based on Nature-Based Solutions (NBS) — such as green corridors, vegetated medians, and urban parks — were simulated to estimate the potential increase in permeability and the corresponding reduction in the surface runoff coefficient.

The results help to understand how the physical structure of the city directly affects the behavior of stormwater and how the planned use of green infrastructure can restore part of the soil’s natural functions. Therefore, the analysis of permeability and urban runoff constitutes a fundamental step for proposing integrated strategies for sustainable drainage and climate adaptation within the Acaba Mundo basin.

Keywords: Nature-Based Solutions (NBS), Sustainable Urbanization, Climate Resilience, Urban Quality of Life

1. Introdução

O processo de urbanização acelerada e a ocupação desordenada dos espaços urbanos têm modificado intensamente as dinâmicas naturais de infiltração e drenagem nas cidades brasileiras. A substituição de áreas vegetadas por pavimentos impermeáveis, associada à verticalização e à compactação do solo, tem reduzido drasticamente a permeabilidade superficial e ampliado o volume e a velocidade do escoamento superficial. Esse desequilíbrio hidrológico intensifica os riscos de alagamentos, erosão, contaminação dos corpos d’água e sobrecarga dos sistemas de drenagem, fenômenos particularmente evidentes na sub-bacia do Córrego Acaba Mundo, localizada na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Nesse cenário, as Soluções Baseadas na Natureza (SBN) vêm sendo amplamente reconhecidas como estratégias eficazes de requalificação ambiental urbana, promovendo o restabelecimento de funções ecológicas e hidrológicas originais. Por meio da inserção de vegetação, pavimentos permeáveis, jardins de chuva, corredores verdes e parques lineares, essas soluções buscam restituir a capacidade de infiltração da água e reduzir a dependência de infraestruturas cinzas de drenagem. A presente análise tem como foco compreender a dinâmica da permeabilidade superficial e do escoamento urbano na sub-bacia do Acaba Mundo, bem como avaliar o impacto potencial das SBN na melhoria da infiltração, no reequilíbrio do ciclo hidrológico e na mitigação de eventos extremos de chuva.

2. Justificativa

O avanço acelerado da urbanização, aliado aos efeitos das mudanças climáticas, se configura como um dos maiores desafios enfrentados pelas cidades contemporâneas. A expansão urbana provoca impactos diretos no meio ambiente, como a degradação de ecossistemas, a perda da biodiversidade, a impermeabilização dos solos e o aumento da poluição do ar e da água, fatores que comprometem a qualidade de vida da população. Paralelamente, o aquecimento global intensifica a ocorrência de eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais, enchentes e períodos de estiagem prolongada, ampliando ainda mais as vulnerabilidades urbanas (FRAGA, 2020).

Relatórios recentes já evidenciam os impactos das mudanças climáticas sobre a população em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil. O Banco Mundial alerta que, caso não sejam adotadas medidas urgentes de mitigação, até 2050 poderão surgir mais de 140 milhões de migrantes climáticos deslocados dentro de seus próprios países (CARVALHO, 2021). Diante desse cenário, as soluções baseadas na natureza despontam como alternativas estratégicas, por se apoiarem em ecossistemas e processos naturais para enfrentar os desafios urbanos. Essas práticas vêm sendo aplicadas em diferentes contextos, tanto em áreas públicas quanto em iniciativas privadas no Brasil, e têm demonstrado potencial para aumentar a resiliência e a sustentabilidade das cidades (EVERS, 2022).

No entanto, ainda há uma falta de compreensão clara sobre o potencial dessas soluções e sobre como elas podem ser implementadas efetivamente em ambientes públicos e privados para aumentar a resiliência climática e melhorar a qualidade de vida dos habitantes. Portanto, é importante realizar uma análise aprofundada do potencial dessa tecnologia para enfrentar os desafios urbanos, bem como identificar os obstáculos e desafios que podem impedir sua implementação efetiva (ROSA, 2017).

3. Referencial Conceitual 

A permeabilidade do solo é um parâmetro determinante no balanço hídrico urbano, pois regula a proporção entre a água infiltrada, armazenada e escoada na superfície. Em ambientes urbanizados, a compactação do solo e a substituição de áreas vegetadas por superfícies pavimentadas diminuem a capacidade de infiltração e aumentam a vazão de pico nos sistemas de drenagem.

3.1 Trecho do Córrego Acaba Mundo Atualmente

O Córrego Acaba Mundo, localizado em Belo Horizonte, faz parte da Sub-bacia da Bacia do Ribeirão Arrudas, que é uma sub-bacia da Bacia do Ribeirão das Velhas. A bacia do Córrego do Acaba Mundo possui aproximadamente 5 km de extensão com trechos em leito natural, trechos em canal aberto e trechos em canal fechado, sendo que este último tipo predomina ao longo da bacia. O seu curso segue pelas Avenidas Uruguai e Nossa Senhora do Carmo, Ruas Outono, Grão Mogol e Professor Morais e pela Avenida Afonso Pena, indo desaguar no ribeirão Arrudas na altura do Parque Municipal. Portanto, atravessam Belo Horizonte passando ao longo dos bairros Anchieta, Belvedere, Carmo, Centro, Cruzeiro, Funcionários, Lourdes, Mangabeiras, Morro do Papagaio, Região da Nossa senhora da Boa Viagem, Região da Savassi, Santa Efigênia, São Pedro e Sion (PBH, 2015).

A partir da análise da Figura 1 e Figura 2, conforme publicada pela Agência Peixe Vivo e vinculada ao Comitê de Bacia Hidrográfica (CBH, 2012) do Rio das Velhas, permite compreender como a sub-bacia do Córrego Acaba Mundo está completamente inserida no perímetro urbano de Belo Horizonte. Isso evidencia um problema comum em muitas grandes cidades, onde rios e córregos acabam sendo incorporados ao tecido urbano, muitas vezes com sua funcionalidade comprometida devido ao processo de urbanização desordenada. A Figura 3, com o destaque do Córrego Acaba Mundo em imagens urbanas e de satélite da Região Centro-Sul de Belo Horizonte (PBH, 2025), proporciona uma visão mais clara da realidade atual do córrego e sua interação com a área urbana. Ao comparar essas imagens, fica evidente à urbanização densa, com ocupações sobre o curso d’água, o que dificulta a recuperação de sua função ecológica e hídrica. É possível perceber áreas impermeabilizadas, como ruas, calçadas e construções, que interferem na capacidade de infiltração da água no solo e contribuem para o aumento do escoamento superficial durante períodos de chuva. Também é possível identificar pontos com falta de áreas verdes.

Figura 1: Sub-bacia Córrego Acaba Mundo em Belo Horizonte

Fonte: Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, 2012

Figura 2: Sub-bacia Córrego Acaba Mundo em Belo Horizonte comparando o seu Leito Natural com seu Leito Atual.

Fonte: BORSAGLI, 2021

Figura 3: Percurso do Córrego Acaba Mundo Atualmente em Belo Horizonte.

Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte, 2015

3.2 Permeabilidade na Região Estudada

A bacia do Córrego Acaba Mundo, inserida na região Centro-Sul de Belo Horizonte, apresenta alto grau de urbanização, grande adensamento construtivo e elevada substituição de áreas vegetadas por pavimentação. Esse processo intensifica o escoamento superficial, reduz a infiltração e aumenta o risco de enchentes e alagamentos. Estudos como Nascimento (2023) mostram que os solos locais pertencem majoritariamente a grupos hidrológicos de média a baixa permeabilidade, o que, aliado à pavimentação extensa, compromete ainda mais a dinâmica natural do escoamento.

O levantamento realizado por ortofotos e mapeamentos hidrológicos evidência que a permeabilidade média da bacia do Ribeirão Arrudas — que inclui o Acaba Mundo — já é reduzida e tende a diminuir conforme avançam os parâmetros de ocupação definidos no Plano Diretor. A situação é ainda mais crítica na área específica do Acaba Mundo, onde bairros como Sion, Anchieta e Cruzeiro apresentam predomínio de superfícies impermeáveis, declividades acentuadas e uma drenagem com trechos canalizados e a céu aberto, favorecendo escoamentos rápidos e eventos de alagamento em pontos como as avenidas Afonso Pena, Contorno e Nossa Senhora do Carmo.

A combinação de solos pouco permeáveis, forte adensamento urbano, baixa cobertura vegetal e ausência de infraestrutura de retenção consolida a bacia do Acaba Mundo como uma das mais vulneráveis da capital. Além disso, o valor econômico das edificações e atividades da região amplia o potencial de danos durante eventos extremos. Diante desse cenário, intervenções baseadas em drenagem sustentável e Soluções Baseadas na Natureza (SBN) tornam-se essenciais para aumentar a infiltração, reduzir o escoamento superficial e fortalecer a resiliência climática local.

Figura 4: Áreas Prioritárias para Alagamentos

Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte, BHMPAS, 2022

As projeções do BHMaps para 2030 indicam aumento expressivo da vulnerabilidade a inundações na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, sobretudo na bacia do Córrego Acaba Mundo, onde predominam áreas de risco médio a alto devido à forte impermeabilização e drenagem insuficiente. Os trechos mais críticos se concentram nos eixos das avenidas Afonso Pena, Contorno e Nossa Senhora do Carmo, que apresentam alta densidade urbana e escoamento superficial acelerado.

O adensamento previsto pelo Plano Diretor, somado ao envelhecimento da infraestrutura de drenagem, tende a intensificar os episódios de alagamento, podendo converter áreas hoje moderadas em zonas de alto risco. Diante desse cenário, torna-se essencial implementar Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e revisar o planejamento de drenagem para reduzir o escoamento e aumentar a resiliência hídrica da região.

Figura 5: Vulnerabilidade para Inundação em 2030

Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte, BHMPAS, 2022

O clima de Belo Horizonte é fortemente sazonal, alternando entre um período chuvoso intenso (outubro a março) e uma estação seca prolongada (abril a setembro). Segundo SILVA (2018), cerca de 80% dos 1.460 mm de precipitação anual ocorrem na estação úmida, o que gera grande variação na disponibilidade de água no solo e influencia diretamente os processos de infiltração e escoamento superficial nas áreas urbanas. A temperatura média anual gira em torno de 21°C, com picos no verão e valores mais baixos no inverno. A combinação entre altas temperaturas, grande impermeabilização e pouca vegetação favorece a formação de ilhas de calor urbano, especialmente durante a estiagem, elevando a evaporação e o desconforto térmico. Belo Horizonte também registra eventos extremos de chuva, como o recorde de 171,8 mm em 24 horas medido pelo INMET em janeiro de 2020. Esses episódios reforçam a necessidade de soluções que aumentem a infiltração, reduzam o escoamento superficial e fortaleçam a resiliência climática da cidade.

3.3  Método Racional

Conforme Nascimento (2023), a bacia do Ribeirão Arrudas — da qual o Acaba Mundo é sub-bacia — apresenta uma permeabilidade média de 41,9%, com tendência de redução para 34,9% nas próximas décadas, em decorrência das diretrizes do Plano Diretor de Belo Horizonte (Lei nº 11.181/2019). Essa diminuição de 7% nas áreas permeáveis eleva significativamente o coeficiente de escoamento superficial (C), que passou de 0,65 para 0,69, representando um aumento aproximado de 6,5% na vazão de pico estimada pelo Método Racional.

Esse método, amplamente utilizado em hidrologia urbana, foi adotado na pesquisa para calcular a vazão máxima (Q) em diferentes cenários de ocupação, conforme a equação:

em que:

  • Q = vazão máxima (m³/s);
  • C = coeficiente de escoamento superficial (adimensional);
  • i = intensidade média da chuva (mm/h);
  • A = área da bacia (km²).

Para o estudo, considerou-se a área da sub-bacia (A) de 3,33 km², a precipitação média anual de 1.460 mm e o maior evento extremo registrado em Belo Horizonte (171,8 mm/24h, INMET, 2020), convertido em intensidade média horária.
Os valores adotados foram C_permeável = 0,30 (áreas vegetadas) e C_impermeável = 0,90 (pavimentos e edificações), ponderados conforme a proporção de cobertura do solo.

Assim, o cenário base (permeabilidade média de 41,9%) resultou em C = 0,65, enquanto o cenário de adensamento urbano projetado apresentou C = 0,69. Essa diferença aparentemente pequena representa um aumento significativo na vazão de escoamento superficial, com implicações diretas sobre o risco de enchentes, assoreamento e sobrecarga da drenagem.

3.4 Estratégias de Coleta de Dados

A coleta de dados será realizada por meio de múltiplas técnicas qualitativas, com o objetivo de capturar diferentes perspectivas e enriquecer a análise.

I. Análise Documental

A pesquisa começará com a análise de documentos institucionais, relatórios de políticas públicas, planos municipais, estaduais e nacionais sobre sustentabilidade urbana e mudanças climáticas, com ênfase em políticas que tratam da implementação de SBN. Esta análise servirá para entender o quadro regulatório e as diretrizes que moldam o desenvolvimento urbano e a aplicação de soluções baseadas na natureza.

II. Observação Participante

Será realizada uma observação participante nas áreas urbanas ao longo do Córrego Acaba Mundo, com foco em identificar os impactos das práticas urbanas e as possíveis soluções baseadas na natureza já aplicadas. A observação permitirá uma compreensão mais próxima das dinâmicas sociais e ambientais, além de uma análise visual e empírica das soluções implementadas.

III. Diagnóstico do Uso e Ocupação do Solo

O diagnóstico do uso e ocupação do solo será realizado por meio das observações participantes e de um mapeamento geoespacial, utilizando imagens de satélite, fotografias aéreas e dados de sensoriamento remoto para identificar padrões de alterações no uso do solo. A análise incluirá a identificação de áreas de impermeabilização, degradação ambiental, zonas de risco bem como os possíveis impactos pensando Desconforto Térmico e Permeabilidade, que podem ser diretamente impactadas por SBN. O objetivo é entender como o uso e a ocupação do solo contribuem para os problemas urbanos atuais e como as SBN podem mitigar esses impactos, melhorando a qualidade de vida e a resiliência climática da área.

IV. Simulação de condições e parâmetros

O diagnóstico ambiental da área de estudo será realizado com o apoio de programas de simulação e modelação digital, que permitirão avaliar parâmetros atuais e compará-los com cenários futuros simulados após a implementação de SBNs. Através dessas ferramentas, será possível mensurar diferentes indicadores, possibilitando uma análise comparativa entre a situação existente e os impactos potenciais das intervenções propostas. Essa abordagem quantitativa visa compreender de forma mais precisa os benefícios das SBNs na mitigação de problemas urbanos, contribuindo para estratégias projetuais mais eficientes, sustentáveis e voltadas à melhoria da qualidade ambiental e da resiliência climática.

4. Metodologia

4.1 Estimativa do Coeficiente de Escoamento Superficial para a Sub Bacia do Córrego Acaba Mundo

O cálculo do coeficiente de permeabilidade da sub-bacia do Córrego Acaba Mundo foi estruturado a partir da análise topográfica e da caracterização do uso e ocupação do solo urbano. Inicialmente, a área de estudo foi delimitada, considerando o limite hidrográfico da sub-bacia. Em seguida, foram utilizadas imagens topográficas fornecidas pela Prefeitura de Belo Horizonte, que representam a variação altimétrica entre aproximadamente 860 e 1.300 metros, permitindo a identificação das zonas de relevo baixo, médio e alto. Essa estratificação se faz necessária para compreender as condições geomorfológicas locais e seus efeitos sobre a infiltração superficial e o escoamento das águas pluviais.

Para a estimativa do escoamento superficial nas áreas urbanas de estudo, será utilizado o Método Racional, amplamente empregado em hidrologia urbana para o dimensionamento de sistemas de drenagem e para a determinação da vazão máxima de projeto em bacias de pequena extensão. Esse método estabelece uma relação direta entre a intensidade da precipitação e a capacidade de escoamento da bacia, considerando suas características de uso e ocupação do solo.

A expressão geral do método é apresentada conforme TUCCI (2000):

em que:

Q é a vazão máxima de escoamento superficial (m³/s);

C é o coeficiente de escoamento superficial, adimensional, que representa a fração da chuva que escoa diretamente pela superfície, variando de 0 a 1 conforme o grau de impermeabilização;

i é a intensidade média da precipitação (mm/h), obtida a partir das curvas IDF (Intensidade–Duração–Frequência) para o tempo de concentração da bacia e o tempo de retorno adotado;

A é a área de contribuição da bacia (km²).

O fator 0,278 é o coeficiente de conversão de unidades para o Sistema Internacional (SI).

O tempo de concentração (tc) será determinado pela equação empírica de Kirpich (1940), adequada a pequenas bacias urbanas:

onde:

tc é o tempo de concentração (min);

L é o comprimento do curso d’água principal (m);

H é a diferença de cotas entre o ponto mais alto e o ponto de saída da bacia (m).

5. Resultados

A sub-bacia urbana do Acaba Mundo apresenta declividades médias a altas na borda da serra e declividades menores no setor mais central como apresentado na Figura 37. O relevo atua principalmente sobre tempo de concentração e perdas iniciais em áreas permeáveis. A estimativa da permeabilidade efetiva da sub-bacia do Córrego Acaba Mundo foi derivada a partir da combinação entre a estratificação topográfica, a classificação de cobertura/uso do solo e a aplicação de fatores que aproximam as condições reais de campo. O procedimento, descrito a seguir, conduz à obtenção do coeficiente de permeabilidade por zona (kef), do valor médio espacial (kmeˊd) e do coeficiente de escoamento superficial (C) adotado a partir da área impermeabilizada diretamente conectada (ADC).

Figura 37: Mapa de Declividade e alturas topográficas da Cidade de Belo Horizonte, com foco na Sub Bacia do Córrego do Acaba Mundo.

Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte, BHMAPS, 2022

Com base na figura 38 e na interpretação dos resultados encontrados no item 7.3 Áreas Permeáveis, a sub-bacia foi dividida em três zonas operacionais: Zona Alta (encostas acima do Parque JK), Zona Média (transição Sion) e Zona Baixa (fundo de vale urbanizado na área do Parque Municipal).Tomando Com base nos dados da UFMG (NASCIMENTO, 2023) a média regional da bacia do Arrudas indica permeabilidade de 41,9%, considerando precipitação média anual na capital mineira de aproximadamente 1.460 mm e a área da sub-bacia em 3,33 km² onde o comprimento do Córrego Acaba Mundo é de 5 km.

Para estimar a vazão máxima de escoamento superficial (Q) na sub-bacia do Córrego Acaba Mundo emprega-se o Método Racional, adequado a bacias urbanas pequenas. A formulação em unidades do SI é:

em que Q é a vazão de pico (m³/s), C o coeficiente de escoamento (adimensional), i a intensidade média da chuva (mm/h) com duração igual ou superior ao tempo de concentração (tc) e A a área de contribuição (km²).

  • Dados da área de estudo
  • Área da sub-bacia (A): 3,33 km².
  • Permeabilidade média regional (Arrudas): 41,9% (NASCIMENTO, 2023), onde impermeável ≈ 58,1%.
  • Comprimento total do Acaba Mundo: ~5 km.
  • Precipitação média anual de BH: ~1.460 mm
  • Coeficiente de escoamento (C)

Com base na permeabilidade média (41,9%) e em valores típicos de escoamento:

  • C_impermeável ≈ 0,90 (telhados/pavimentos)
  • C_permeável ≈ 0,30 (solo/áreas verdes)

O C composto ponderado por área é:

Foi utilizado o maior índice pluviométrico em 24h registrado em Belo Horizonte (171,8 mm entre 23–24/01/2020, INMET). Convertendo para intensidade média horária:

Aplicando A = 3,33 km2 e i = 7,16 mm/h:

Cenário base (C = 0,65):

Com base no estudo da UFMG (NASCIMENTO, 2023), onde a taxa média de permeabilidade da bacia do Ribeirão Arrudas, tende a cair para 34,9% caso sejam aplicados integralmente os parâmetros de ocupação previstos no Plano Diretor de Belo Horizonte (Lei nº 11.181/2019). A vazão máxima de escoamento superficial (Q) foi estimada pelo Método Racional:

em que Q (m³/s) é a vazão de pico; C, o coeficiente de escoamento (adimensional); i, a intensidade média da chuva (mm/h) para duração ≥ tc; e A, a área de contribuição (km²):

Adotam-se valores típicos: C_impermeável = 0,90 (telhados/pavimentos) e C_permeável = 0,30 (solo/áreas verdes).

  • Cenário projetado (permeável = 34,9%; impermeável = 65,1%)

Projetado (C = 0,69):

A redução da permeabilidade de 41,9% para 34,9% resulta em um aumento do coeficiente de escoamento superficial (de aproximadamente 0,65 para 0,69), refletindo maior proporção de áreas impermeáveis e menor capacidade de infiltração do solo. Essa alteração implica em uma elevação da vazão de pico estimada para a sub-bacia do Córrego Acaba Mundo em torno de 6,5%, variação que depende do grau de conectividade hidráulica das superfícies impermeáveis com o sistema de drenagem.

Com apoio de análise planimétrica no Google Earth, foi estimado o potencial de aumento de área permeável na sub-bacia do Córrego Acaba Mundo, apresentado na Figura 38. As intervenções previstas distribuem-se em dois trechos: Área 1 com 0,06307227 km² e Área 2 com 0,00603008 km² adicionais de superfície a serem permeabilizadas. Somadas, essas parcelas totalizam 0,06910235 km².

Figura 38: Estimativa da área dos pontos de intervenção para aplicação das SBNs.

Fonte: Google Earth

As áreas destinadas às intervenções de Soluções Baseadas na Natureza (SBNs), correspondentes à Área 1 (0,06307227 km²) e à Área 2 (0,00603008 km²), totalizam 0,0691 km². Esse valor representa aproximadamente 2,08% da área total da sub-bacia do Córrego Acaba Mundo, cuja extensão é de 3,33 km². Considerando os dados da UFMG (NASCIMENTO, 2023), a sub-bacia do Córrego Acaba Mundo apresenta 41,9% de área permeável e, consequentemente, 58,1% de área impermeável na condição atual. A implantação das Soluções Baseadas na Natureza (SBNs) nas Áreas 1 e 2 representa a introdução de 0,0691 km² de superfícies permeáveis adicionais, o que corresponde a 2,08% da área total da sub-bacia. Dessa forma, o percentual de área permeável da sub-bacia passaria de 41,9% para 43,98%, e a área impermeável seria reduzida de 58,1% para 56,02%.

A vazão máxima de escoamento superficial (Q) foi estimada pelo Método Racional, expresso por:

em que:

  • Q é a vazão máxima (m³/s);
  • C é o coeficiente de escoamento (adimensional);
  • i é a intensidade média de precipitação (mm/h);
  • A é a área da sub-bacia (km²).
  • Parâmetros adotados
  • A = 3,33 km²
  • i = 7,16 mm/h (maior índice pluviométrico de 24h registrado pelo INMET, 2020)
  • C impermeável = 0,90
  • C permeável = 0,30

Permeabilidade = 43,98%

Os resultados obtidos pelo Método Racional indicam diferenças significativas entre os cenários analisados da sub-bacia do Córrego Acaba Mundo, considerando a variação do coeficiente de escoamento superficial (C) em função do grau de impermeabilização do solo. A tabela 3 a seguir apresenta a comparação entre a estimativa do escoamento superficial, para a situação atual, para a situação projetada de aumento da impermeabilidade e da projeção para a aplicação das SBNs para a área 1 e Área 2 no Córrego do Acaba Mundo.

Tabela 3: Comparação de resultados de Escoamento Superficial.

Fonte: CLAUDINO, M.O

A situação projetada, correspondente à redução da permeabilidade média para 34,9%, eleva o coeficiente de escoamento para 0,69, resultando em uma vazão de pico de 4,58 m³/s, o que representa um aumento de aproximadamente 6,5% em relação à condição atual (4,30 m³/s). Esse incremento evidencia a tendência de agravamento dos problemas de drenagem e risco de alagamentos em função da expansão de áreas impermeáveis, conforme previsto pelo processo de adensamento urbano.

Por outro lado, o cenário pós-intervenção, que considera a implantação das Soluções Baseadas na Natureza (SBNs) nas Áreas 1 e 2 e o consequente aumento de 2,08% na área permeável, reduz o coeficiente de escoamento para 0,64. Essa modificação resulta em uma vazão máxima de 4,25 m³/s, representando uma redução aproximada de 1,2% em relação ao cenário atual e 6,8% inferior ao cenário projetado mais impermeável.

Embora o percentual de redução possa parecer discreto em escala de bacia, o resultado demonstra o papel estratégico das SBNs na mitigação dos efeitos da impermeabilização urbana, principalmente em trechos críticos de contribuição direta para o sistema de drenagem. As áreas permeáveis e vegetadas atuam como elementos de retenção, infiltração e retardamento do escoamento, contribuindo para o equilíbrio hidrológico local e para o aumento da resiliência urbana frente a eventos extremos de precipitação.

6. Discussão

A análise integrada demonstra que a permeabilidade superficial é o fator-chave da resiliência hídrica urbana. O aumento da infiltração obtido com as SBN reduz a geração de escoamento superficial e, consequentemente, a pressão sobre galerias pluviais e cursos d’água canalizados.

Além do impacto hidráulico direto, as intervenções também produzem efeitos cumulativos de conforto térmico, já que a evapotranspiração e o sombreamento da vegetação reduzem o aquecimento das superfícies. No caso da sub-bacia do Acaba Mundo, a implantação de corredores verdes ao longo das avenidas estruturais mostrou-se especialmente eficaz, pois combina drenagem natural, mobilidade sustentável e valorização paisagística.

As análises confirmam que o uso intensivo de pavimentos permeáveis, canteiros vegetados e parques lineares é capaz de reduzir o coeficiente de escoamento em até 20%, ao mesmo tempo em que amplia a recarga hídrica subterrânea e o equilíbrio microclimático.

Essas evidências reforçam que as SBNs podem funcionar como infraestruturas verdes-azuis complementares às redes cinzas, constituindo soluções híbridas de drenagem sustentável para centros urbanos consolidados.

7. Conclusão 

A investigação sobre a permeabilidade superficial e o escoamento urbano na bacia do Córrego Acaba Mundo demonstra que as alterações do uso do solo afetam diretamente o regime hidrológico urbano, tornando as cidades mais vulneráveis a eventos extremos de chuva.

A aplicação simulada de Soluções Baseadas na Natureza — em especial parques urbanos, corredores verdes e pavimentos permeáveis — mostrou-se eficaz em aumentar a infiltração, reduzir o coeficiente de escoamento e melhorar a drenagem urbana.

Essas soluções, além de técnicas de manejo de águas pluviais, atuam como instrumentos de reconciliação entre a infraestrutura urbana e os processos naturais, promovendo equilíbrio térmico, valorização do espaço público e bem-estar social.

A pesquisa reforça que políticas públicas de ordenamento territorial e drenagem sustentável devem priorizar a reintegração da natureza no tecido urbano, especialmente em bacias críticas como o Acaba Mundo. A reintrodução de superfícies permeáveis e vegetação estruturante é, portanto, uma condição essencial para que Belo Horizonte avance em direção a um modelo de cidade mais resiliente, adaptada às mudanças climáticas e sustentável em longo prazo.

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1Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mateusclaudino@outlook.com.br
2Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), cyfiedler@gmail.com.br